A Copa das Bets: a expansão do mercado de apostas na Copa do Mundo
Por: Augusto Oliveira
No último sábado (11), o governo federal estabeleceu novas restrições à publicidade de casas de apostas esportivas – as chamadas bets. A partir de sexta-feira (17), as propagandas passarão a incluir alertas obrigatórios sobre a dependência psicológica e o prejuízo financeiro causados pelo jogo. A medida chega tarde demais, depois de causar inúmeros danos a indivíduos e famílias durante toda a Copa do Mundo, iniciada em junho – a medida abrangerá somente a final da competição.
De acordo com dados do “Placar das Bets”, indicador desenvolvido pela fintech Klavi, as apostas esportivas movimentaram cerca de R$ 926 milhões no Brasil desde o início da Copa. Os dados consideram uma amostra de 1,2 milhão de brasileiros. Na estréia da Seleção Brasileira contra o Marrocos, o valor médio dos apostadores foi de R$ 524, quase 300% acima do valor médio diário do período, que era de R$ 188.
As bets se apoiam intensamente nas propagandas, frequentemente divulgadas por personalidades influentes e carismáticas, como jogadores e ex-jogadores, treinadores e jornalistas. Além disso, as propagandas exibidas durante as partidas se tornaram frequentes. Na vitória do Brasil sobre o Japão por 2 a 1, válida pelo mata-mata da Copa, todas as emissoras fizeram publicidade para casas de apostas durante a transmissão. A CazéTV liderou o quesito, com 10 propagandas durante a partida. O SBT divulgou 6, e a Globo, 5. Vale destacar que a CazéTV está sendo investigada por propagandas abusivas e irregulares exibidas em jogos de outras seleções e o Grupo Globo é sócio da BetMGM, uma das casas que patrocinam a emissora.
Os impactos da expansão das bets ultrapassam os limites de problemas individuais e se tornam problemas públicos de saúde mental e financeira. Estudos da Klavi apontam que, entre outubro de 2023 e outubro de 2024, o número de endividados que apostam subiu de 4% para 10,6%. Além disso, em novembro de 2025, cerca de 600 mil brasileiros já apresentavam comportamento de alto risco, deixando de pagar despesas essenciais para sustentar o hábito de apostar. Casos de ansiedade, depressão e até mesmo suicídio têm sido relacionados ao vício em apostas. A expansão do mercado das bets representa uma grave ameaça aos apostadores e suas famílias e ao espírito de paixão esportiva que tanto faz falta no futebol brasileiro atualmente, e precisa ser tratada de acordo.



