A Copa do Mundo de 2026 pelos olhares da UERJ
Mesmo em período de greve na universidade, laboratório de áudio do Departamento de Comunicação Social está transmitindo jogos do principal torneio de futebol do planeta
Por: Murilo Soares
A Copa do Mundo de 2026, sediada em Estados Unidos, México e Canadá, vem proporcionando, dentro e fora dos gramados, aos amantes de futebol e de outros esportes uma experiência emocionante por meio da disseminação de diversas histórias únicas e marcantes. O AudioLab UERJ, laboratório de áudio da Faculdade de Comunicação Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), através do projeto Escola de Narradores, está realizando transmissões de rádio, presenciais ou remotas, que são disponibilizadas no Youtube, de grande parte dos jogos do torneio. Até o momento, foram transmitidas 57 partidas, e a expectativa é encerrar a cobertura com 64 jogos até o fim da competição. Além disso, os perfis do projeto nas redes sociais estão produzindo e compartilhando conteúdos sobre a Copa do Mundo.
Com a greve instaurada na Uerj, a cobertura do torneio poderia não ocorrer. No entanto, o laboratório entrou em contato com órgãos que aderiram à paralisação e recebeu autorização para que as transmissões fossem reconhecidas como uma atividade de greve. Em formulário disponibilizado nas redes sociais do projeto, cerca de 90 pessoas se inscreveram para participar da cobertura, incluindo alunos da Uerj e de outras universidades.
Foto: Murilo Soares
Em entrevista à AJ, Filipe Mostaro, coordenador do AudioLab UERJ, contou um pouco sobre suas sensações em organizar as transmissões: “Esse é um desejo antigo que eu sempre tive, e criar esse projeto era um objetivo que sempre carreguei como professor. Participei de um projeto igual a esse na Copa do Mundo de 2002, e foi um divisor de águas na minha vida pessoal e na minha carreira profissional. Tive o sentimento de ter escolhido a profissão certa e percebi que o jornalismo esportivo me traria orgulho e satisfação, visto que a paixão pelo esporte sempre moveu a minha vida.”
Filipe também afirmou estar muito feliz em coordenar a cobertura da Copa, acompanhar a evolução dos participantes e enxergar o projeto como uma oportunidade de gerar oportunidades para novos talentos: “Nosso papel como professor é abrir portas da mesma forma que um dia abriram para mim; quanto mais chances você gera para uma pessoa demonstrar do que é capaz, maior a chance de você realizar um sonho e mudar a vida dela.”
Entre os inscritos para a cobertura do AudioLab está Diego Oliveira, aluno de 32 anos que atualmente cursa o 3º período do curso de Jornalismo da Uerj. Diego é deficente visual, mas, mesmo diante de uma condição que poderia limitá-lo e dificultar sua participação nas transmissões, demonstra força para seguir fazendo o que ama: “A minha experiência está sendo incrível, pois estou trabalhando com pessoas diferentes, de perfis e idades distintas, que transitam entre várias funções (apresentadores, produtores, narradores, comentaristas e repórteres). Sempre amei jornadas esportivas e cresci ouvindo rádio, então, para mim, é recompensador e gratificante fazer parte disso.”
Além disso, destaca a crescente presença feminina na cobertura e o acolhimento oferecido aos participantes: “Está sendo maravilhoso realizar essas trocas durante as transmissões, principalmente porque estamos recebendo uma quantidade enorme de meninas que desejam trabalhar com o futebol, então presenciar esse acolhimento é algo perfeito.”
Foto: Reprodução (Diego Oliveira)
Outro participante das coberturas é Eduardo Campos, aluno de 19 anos que também cursa o 3º período de Jornalismo. Eduardo esteve presente como repórter nas duas transmissões com maior audiência no Youtube do AudioLab UERJ: os jogos entre Espanha x Áustria e Brasil x Noruega, que registraram 831 e 633 espectadores, respectivamente.
Perguntado sobre sua experiência no projeto, destacou a importância da prática para seu desenvolvimento profissional como jornalista. Em relação aos possíveis atrasos (delays) nas transmissões remotas, afirmou que nem sempre é fácil sincronizar a visualização das partidas entre os integrantes da equipe. Segundo ele, os jogos exibidos pela TV Globo costumam apresentar menor diferença de tempo, enquanto as transmissões da Cazé TV apresentam um atraso mais perceptível devido às variações de internet.
Além disso, Eduardo também contou um momento engraçado e inusitado vivido durante uma transmissão: “Um dos momentos engraçados que eu vivi foi curiosamente causado pelo Diego. Em uma das transmissões, por exemplo, ele falou para o narrador ler o texto institucional sobre a greve na Uerj e resolveu comer um hambúrguer durante a leitura. Tentei manter a seriedade, mas foi bastante engraçado.”
Esta é a segunda cobertura de Copa do Mundo realizada pelo AudioLab UERJ – a primeira ocorreu em 2022. Mesmo com a eliminação da seleção brasileira, o projeto seguirá transmitindo jogos do torneio até a final, em 19 de julho.



