Brasileiras no automobilismo: uma trajetória mais que centenária
Conheça as mulheres que abriram caminho para jovens pilotos chegarem às principais categorias do automobilismo
Por: Mariana Martins
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Rafaela Ferreira e Aurelia Nobels representam o Brasil na Fórmula 1 Academy, categoria de corridas exclusiva para mulheres. As brasileiras ocupam um espaço que ainda é dominado pela presença masculina, mas seguem fazendo história. Rafaela Ferreira é a primeira mulher a vencer uma prova da Fórmula 4 Brasil, pelo time TMG, mesma equipe que contratou Aurelia Nobels quando não havia nenhuma garota na categoria. Ferreira subiu ao pódio mais uma vez durante o Grande Prêmio do Brasil, que ocorreu entre os dias 7 e 9 de novembro em São Paulo. Nobels é integrante da Academia de Pilotos da Ferrari desde 2022, conquistando a vaga ao vencer a seletiva do FIA Girls on Track – Rising Stars.
Muito antes de ser possível ver mulheres no automobilismo, as brasileiras obtinham conquistas individuais desde março de 1906, quando Maria Andréa Patureau de Oliveira obteve a aprovação no exame da fiscalização de veículos inédita para mulheres, o que a concedia a habilitação para dirigir. A garota vinha de uma família com boas condições financeiras e fugia do padrão esperado de uma mulher naquela época. Um ano antes da permissão definitiva, Andréa Patureau já trafegava pelas ruas de São Paulo e chegou a inscrever seu carro para um páreo no Jockey Club Paulistano com apenas 16 anos.
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Cerca de trinta anos depois, Venina Piquet foi a primeira mulher a ganhar uma corrida no Brasil. Em 1926, Piquet – que não tem parentesco com o tricampeão mundial Nelson Piquet – tirou sua habilitação e em 1934 estreava nas pistas. A prova foi promovida pela Associação Sportiva Automobilística Brasileira (ASAB), e com o incentivo do marido, a piloto inscreveu seu Ford Tudor, que lhe garantiu uma das suas três vitórias em seis corridas que disputou até ser afastada pelo seu marido por “ordens médicas”.
Em 1989, Suzane Carvalho começava sua carreira como piloto de kart, se tornando campeã brasileira na categoria no mesmo ano. Entre trabalhos como atriz e produtora teatral, Carvalho chegou à Fórmula 3 Sul-Americana e em 1992 participou do seu primeiro campeonato na Categoria B da Fórmula 2, somando títulos nacionais e continentais. O ápice da sua carreira foi em 1999, quando participou de cinco etapas do Campeonato Pan-Americano da Fórmula Indy Lights, com corridas nos Estados Unidos e no México. Apesar de receber convites das equipes Larousse e Minardi para correr na Fórmula 1, Carvalho não teve condições financeiras para assumir o assento.
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Uma das grandes referências brasileiras no automobilismo contemporâneo é a Ana Beatriz Figueiredo. Bia Figueiredo foi representante do Brasil na Fórmula Indy, disputou seis temporadas da Stock Car, é a primeira mulher do mundo a vencer na Firestone Indy Lights e na Fórmula Renault, além de conquistar uma pole position inédita na Fórmula 3 e um lugar para as 500 Milhas de Indianápolis. Atualmente ela disputa a Copa Truck, categoria que lhe rendeu mais um título na temporada de 2024. Diante do sucesso, Figueiredo se tornou presidente da Comissão feminina de automobilismo e representante da FIA (Federação Internacional de Automobilismo). A piloto é inspiração para a jovem Rafaela Ferreira, que também quer se tornar uma referência para a futura geração.



