‘Gato’ no futebol carioca: quando a idade vira uma arma dentro de campo

‘Gato’ no futebol carioca: quando a idade vira uma arma dentro de campo

Por João Pedro Marins

No futebol, o termo “gato” tem um significado bem diferente do popular. Ele é usado para descrever o jogador que altera sua idade, geralmente para disputar categorias de base inferiores e se destacar entre atletas mais jovens. A prática, considerada fraude, é recorrente no futebol.

 

No futebol nacional, tivemos diversos casos famosos que vieram à tona. Como os casos Emerson Sheik, Sandro Hiroshi, Brendon e até o Vanderlei Luxemburgo.

CESAR GRECO/PALMEIRAS:

Luxemburgo em treino pelo Palmeiras

Em São Gonçalo, a história do jogador João Victor de Oliveira, conhecido como Romarinho, traz um olhar humano sobre esse dilema entre o sonho de ser jogador e o erro de falsificar a idade.

 

Romarinho atuou em clubes do futebol carioca e, em entrevista exclusiva à AJ, admitiu ter jogado como “gato” durante um período das categorias de base. Segundo ele, a decisão não partiu de uma ambição pessoal, mas de uma necessidade criada dentro do próprio ambiente esportivo.

Acervo pessoal de Romarinho:

Romarinho jogando pela base do Gonçalense

“O que me levou a tomar essa decisão foi a necessidade do treinador em ajudar a equipe inferior à minha idade. Ele acreditava que eu poderia fazer a diferença entre os meninos mais novos”, contou o jogador.

 

O processo, segundo ele, foi simples e silencioso. Com a ajuda do próprio treinador, Romarinho passou a integrar uma categoria abaixo da sua, sem que houvesse alteração formal de documentos. “Na maioria das vezes eu começava no banco para não chamar atenção. Entrava quando o time estava perdendo, e isso fazia diferença”, relembrou à AJ. Apesar de não ter chegado a usar uma identidade falsa, ele reconhece que a prática fere as regras e a ética esportiva.

 

A vantagem física e técnica sobre os colegas era evidente. Romarinho admite que, por estar mais desenvolvido, nunca se sentiu pressionado: “Eu tinha mais força, velocidade e consciência nas jogadas. Era natural o meu futebol se sobressair.”

Enquanto isso, a família e os amigos viam apenas os resultados dentro de campo. “Minha família só queria me ver feliz jogando e ajudando o clube. Meus colegas gostavam porque o time vencia mais quando eu estava em campo”, afirmou à AJ. 

 

Com o tempo, as fiscalizações se tornaram mais rigorosas, e o atleta decidiu abandonar a prática. Ele não chegou a sofrer punições formais, mas reconhece que o episódio marcou sua trajetória: “Ser ‘gato’ só me ajudou no início, quando meu futebol foi mais visto. Mas hoje sei que isso não valeu a pena.”

 

Hoje, Romarinho olha para trás com maturidade e faz um alerta para os jovens que sonham em seguir no futebol: “Eu não me orgulho de ter passado por cima das autoridades por interesses do clube. Foi um erro, mesmo que tenha me ajudado. Digo aos garotos que se esforcem, que não trapaceiem. As fiscalizações estão muito mais rigorosas, e quem perde no fim é o jogador. Os clubes muitas vezes permitem quando é do interesse deles, mas o preço é alto.” 

Acervo pessoal Romarinho

O caso de Romarinho não é isolado. A prática dos chamados “gatos” no futebol mostra o erro do sistema que muita das vezes incentiva e ignora problemas antiéticos, apenas para fins de favorecimento esportivo.

Casas de apostas dominam patrocínios másteres e desafiam integridade do futebol

Casas de apostas dominam patrocínios másteres e desafiam integridade do futebol

Em 2025, 18 dos 20 clubes da Série A têm bets como patrocinadoras principais exibindo suas marcas nos uniformes 

Por: Lívia Martinho

Das 20 equipes da Série A do Brasileirão 2025, são 18 que têm casas de apostas como patrocinadoras principais, e todas contam com parcerias com essas empresas, evidenciando a força das apostas esportivas no país. O crescimento do setor gera preocupação entre as autoridades, e ao longo deste ano o Ministério do Esporte tem buscado medidas para conter um problema que ameaça a credibilidade dos jogos.

 

O Ministério da Fazenda divulgou que no primeiro semestre de 2025 a renda bruta das empresas foi de R$ 17,4 bilhões e informou também que a média de gasto por apostador ativo é de R$ 983 por semestre ou R$ 164 por mês. Além disso, revela que dos 17,7 milhões de brasileiros que realizaram apostas neste período, 71%  são homens e 28,9% são mulheres. Sobre as faixas etárias, a de 31 a 40 anos registra 27,8% do total. A de 18 a 25 anos é 22,4%; 22,2% tem de 25 a 30 anos; 16,9% tem entre 41 e 50 anos; 7,8% tem de 51 a 60 anos e 2,1% tem de 61 a 70 anos.

Foto: Ronaldo Caldas/MEsp

Diante do avanço das apostas esportivas e das investigações sobre fraudes em competições, o Ministério do Esporte firmou Acordos de Cooperação (ACs) com a Sport Integrity Global Alliance (SIGA), a International Betting Integrity Association (IBIA), a Sportradar, a Associação de Bets e Fantasy Sport (ABFS) e a Genius Sports. Essas plataformas monitoram dados de apostas em tempo real e ajudam a detectar padrões suspeitos. O objetivo é criar um sistema nacional que possa alertar as autoridades diante de sinais de manipulação de resultados para proteger a integridade das competições e garantir um ambiente mais seguro e transparente para atletas, clubes e torcedores.

 

Com essa iniciativa, o Brasil busca alinhar-se às práticas internacionais de regulamentação das bets, adotando medidas semelhantes às de países com regras avançadas. No Reino Unido, por exemplo, o controle é um dos mais rigorosos e a partir da temporada 2026/27, os clubes da Premier League decidiram não estampar marcas de casas de apostas na parte frontal de seus uniformes, visando a  reduzir a publicidade e reforçar o compromisso ético do futebol. Na França, o monitoramento é feito pela Autoridade Nacional dos Jogos (ANJ), que busca atuar na prevenção do vício e combater fraudes.

 

A tributação das casas de apostas varia bastante pelo mundo: Reino Unido (21%), França (33%), Itália e Espanha (20%), México (30%), Quênia (15%) e Estados Unidos (20% a 50%, chegando a 51% em Nova York). No Brasil, com a Lei 14.790/2023, as operadoras pagam 12% sobre o rendimento bruto das apostas que totalizaram R$ 2,14 bilhões no primeiro semestre deste ano.

Conheça a Cariogalo: torcida do Atlético Mineiro que se reúne no Rio de Janeiro

Conheça a Cariogalo: torcida do Atlético Mineiro que se reúne no Rio de Janeiro

Como torcedores mantêm viva paixão pelo time mesmo em outro estado?

Por: Mariana Martins

Foto: Arquivo pessoal/Taís Vieira

Cariogalo reunida na Lapa em 2021

O Rio de Janeiro é uma cidade que vive intensamente o futebol. Torcidas lotam os estádios e o amor pelo clube está por todo lado: nas camisas, nas bandeiras penduradas nas janelas, na festa quando o time sai vencedor. Mas o que fazer quando sua equipe do coração está a 441 quilômetros? É possível manter viva a paixão por um escudo mesmo tão longe? A Cariogalo,  mostra que sim. Ao reunir torcedores do Clube Atlético Mineiro na capital carioca, o consulado transforma o bar em um pedaço de Minas Gerais.  

A Cariogalo, ou Consulado da Bola dos Atleticanos no Rio de Janeiro, foi fundada em 2006, pelo mineiro Custodio Pereira Neto, com o objetivo de unir amigos, família e torcedores que passam pela cidade para assistir aos jogos do Galo na Lapa. A torcida não possui membros, associados ou vínculo comercial com o bar, mas fornece um ponto de encontro para mineiros e cariocas atleticanos e até torcedores de outros times acompanharem as partidas. Taís Vieira, presidente do consulado, diz à AJ que a Cariogalo representa conexões: “É um cantinho de Minas Gerais no Rio, é a essência mineira. É incrível.” 

Foto: Arquivo pessoal/Taís Vieira

Cariogalo presente no Estádio Nilton Santos para partida contra o Botafogo

A torcida atleticana se junta para acompanhar os jogos, organiza eventos e recebe torcedores que visitam a cidade. Quando não estão reunidos, utilizam os grupos de WhatsApp e as redes sociais para se manterem em contato e chegar até aos adeptos que residem ou estão de passagem pelo Rio de Janeiro. Além disso, a Cariogalo está presente nos estádios quando o Galo joga contra times cariocas.  Nessas ocasiões, a festa começa na recepção aos jogadores no hotel e segue ao levarem as crianças para entrar em campo junto com os atletas, como mascotes: “Sim! Nós temos crianças nascidas no Rio e apaixonadas pelo Galo!”, diz Vieira.

Taís Vieira recorda que os jogos mais marcantes que viveram juntos foram a final da Libertadores em 2013 e a final da Copa do Brasil em 2014. Em ambas situações, o Atlético foi campeão e a Cariogalo celebrou esses momentos mesmo longe de Belo Horizonte: “O Galo sempre vai estar vivo em nossos corações, não importa a distância”, afirma Vieira.

Foto: Arquivo pessoal/Taís Vieira

Consulado da Bola reunidos para torcer pelo Clube Atlético Mineiro 

A Cariogalo também recebe companhias especiais, como o ídolo do clube mineiro Reinaldo. Ele acompanhou o clássico entre Galo e Cruzeiro pela Série A do Campeonato Brasileiro no bar da Lapa com a massa no dia 15 de outubro. O jornalista Chico Pinheiro, que é atleticano, está constantemente com a Cariogalo, esteve no consulado na celebração de 13 anos de sua fundação e é o presidente de honra da torcida.

Foto: Arquivo pessoal/Taís Vieira

Chico Pinheiro na celebração de 13 anos da Cariogalo

A torcida representa muito mais do que um jogo, como diz Vieira:  “Ser ‘Cariogalo’ é um estado de espírito. O Atlético une pessoas e histórias, não é só futebol, são pessoas que se levam pela vida que se conhecem pelo Consulado, e se tornam amigos, se encontram além dos jogos.” Assim, a Cariogalo mantém viva a paixão pelo Clube Atlético Mineiro no Rio de Janeiro.  

A decadência da pentacampeã do mundo?

A decadência da pentacampeã do mundo?

Seleção brasileira decepciona em amistosos, mas frustração já é rotina faz tempo

Por: Eduardo Campos

Após os amistosos realizados na última data Fifa, a seleção brasileira decepcionou mais uma vez. Embora a goleada aplicada contra a Coreia do Sul tenha animado os torcedores, a derrota inédita para o Japão acabou com o clima de otimismo. A situação do Brasil é preocupante: somado aos fracos desempenhos apresentados, a equipe caiu para a sétima posição no ranking de seleções da Fifa após as duas partidas. Faltando cerca de oito meses para a Copa do Mundo de 2026, é possível dizer que a seleção está em uma grave crise.

Esse cenário não era tão recorrente antes do início das últimas Copas. Sempre cercado de expectativa, o Brasil chegou para as Copas de 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022 como um dos favoritos ao título. Mesmo assim, acabou decepcionando em todas as edições, sendo eliminado nas quartas de final em quatro oportunidades. A única vez em que passou para as semifinais foi na Copa de 2014, resultando em um dos maiores vexames da história do futebol, o 7 a 1 contra a Alemanha.

Reprodução: Site da FIFA

David Luiz, capitão do Brasil na semifinal contra a Alemanha, incrédulo com o resultado

Uma das edições em que o Brasil chegou mais desacreditado para o maior torneio de seleções foi em 2002, ano em que a seleção brasileira foi campeã. Inclusive, a vitória na final contra a Alemanha foi a última vez em que a seleção canarinho ganhou de europeus em mata-mata. De lá para cá, foram seis jogos contra as equipes do Velho Continente, com cinco derrotas (França 1 x 0 Brasil em 2006, Holanda 2 x 1 Brasil em 2010, Alemanha 7 x 1 Brasil e Holanda 3 x 0 Brasil em 2014, e Bélgica 2 x 1 Brasil em 2018) e um empate (Croácia 1 x 1 Brasil em 2022, vitória croata nos pênaltis).

Contudo, a realidade atual e a de 23 anos atrás são muito diferentes. Com jogadores estrelados e vindo de um vice-campeonato mundial, o time de 2002 tinha experiência para lidar com situações de pressão. Já a equipe que disputará a Copa de 2026 possui um nível técnico bastante inferior em comparação com suas antecessoras, além de vir pressionada por igualar o maior período de jejum sem Copas do Mundo para o Brasil: 24 anos, assim como entre 1970 e 1994.

O ciclo para a próxima Copa ficou marcado pelos inúmeros recordes negativos atingidos, sendo o principal deles a maior quantidade de técnicos no período de preparação (quatro: Ramon Menezes, Fernando Diniz, Dorival Júnior e Carlo Ancelotti). Outros recordes são: as derrotas inéditas para Marrocos, Senegal e Japão (adversários sem tradição no cenário de seleções), a pior campanha brasileira nas eliminatórias (5° lugar, com 28 pontos, “superando” o 3° lugar e os 30 pontos de 2002) e as derrotas para a Argentina na classificatória para a Copa, resultando na primeira derrota em casa da história das eliminatórias e na pior derrota do Brasil nas eliminatórias (0 x 1 e 4 x 1, respectivamente). Além das eliminatórias e dos amistosos, a campanha na Copa América de 2024 também foi desastrosa. Com um futebol pobre e sem inspiração, a seleção foi eliminada nas quartas de final para o Uruguai nos pênaltis.

Reprodução: X/Conmebol

Argentina 4 x 1 Brasil: a maior derrota sofrida pelo Brasil na história das eliminatórias

Para além dos problemas futebolísticos, muitas questões extracampo estão atrapalhando o ambiente da seleção. As trocas de comando na presidência da CBF, órgão máximo de poder responsável pelo futebol brasileiro, também impactaram o trabalho. Após o afastamento do então presidente, Rodrigo Caboclo, por denúncias de assédio sexual em 2022, seu vice Ednaldo Rodrigues assumiu. Extremamente criticado pela falta de mudanças estruturais no futebol do país, também acabou sendo afastado em maio deste ano por suspeita de falsificação de uma assinatura em um documento para se manter no poder. Em seu lugar, entrou Samir Xaud, presidente da Federação Roraimense de Futebol, um estado sem influência no cenário do futebol nacional. Até agora, ele trouxe inovações, como um novo calendário para o futebol brasileiro no ano que vem.

Reprodução: Federação Roraimense de Futebol/FRF

Ednaldo Rodrigues, ex-presidente da CBF, à esquerda, e Samir Xaud, atual presidente da entidade, à direita

Outro fator fundamental para as polêmicas envolvendo a seleção brasileira é a imprensa e sua maneira de cobrir o tema. Para os jornalistas, a necessidade de alcançar a modernidade europeia deveria ser o grande objetivo do futebol nacional, ignorando o passado vencedor que o Brasil havia construído. O sensacionalismo e o desdém com que a mídia tratava e ainda trata a Seleção fez com que os torcedores se afastassem e perdessem a identificação de torcer por nossos compatriotas, transformando a dor da derrota em chacota.

Com todos esses problemas, percebe-se que a busca pelo hexacampeonato será uma missão muito difícil. Sem perspectiva de melhora, a seleção brasileira tende a passar mais uma Copa em branco e chegar a vinte e oito anos sem ganhar o torneio. Esse seria um recorde para o Brasil, que nunca ficou tanto tempo sem levantar o troféu após a primeira conquista. Porém, mesmo com as dificuldades apresentadas, ainda é possível conquistar a sexta estrela. A camisa verde e amarela da Seleção impõe respeito em qualquer outro país, pois sua história e tradição nunca serão apagadas. Para ser campeão do mundo, basta acreditar.

De Memphis Depay a Braithwaite, brasileirão vira refúgio de estrelas internacionais em busca de espaço

De Memphis Depay a Braithwaite, Brasileirão vira refúgio de estrelas internacionais em busca de espaço.

Em 2024, 90 jogadores estrangeiros foram contratados por clubes da Série A, maior número da história.

Por: Isaque Ramos

Esse fenômeno, porém, não é isolado. Ele acompanha uma mudança tanto estrutural quanto financeira que vem acontecendo no futebol brasileiro, mudança essa que é impulsionada pelo modelo de clube empresa (SAF), cada vez mais comum entre os clubes do país. Além da lei das SAFs, a valorização do real frente a outras moedas na América Latina, destaca o Brasileirão cada vez mais como a principal liga do continente, impulsionando a imagem da liga globalmente. Isso tudo colocou o Brasileirão em um patamar de competitividade e atratividade que pouco tempo atrás parecia restrito a ligas do Oriente Médio (isso, é claro, excluindo as europeias).

 Reprodução: Instagram (@memphisdepay)

Para esses jogadores, o Brasileirão se tornou um destino interessante principalmente por oferecer algo que eles não encontrariam nas principais ligas europeias: protagonismo. Basta olhar para o dinamarquês Martin Braithwaite, que, após seguidas temporadas sendo coadjuvante em times europeus, chegou no Grêmio e imediatamente foi alçado ao patamar de protagonista do time, e não é qualquer time, e sim um dos clubes mais populares de um dos países mais populosos do mundo. O mesmo ocorreu com Memphis Depay que, apesar que ser um jogador mais conhecido do que o dinamarquês, também vinha de seguidas temporadas em baixa na Europa. Fato é, Ambos os jogadores chegaram ao país e imediatamente foram alçados a um patamar de referência técnica e midiática que eles dificilmente encontrariam no Velho Continente. No caso do holandês, o salto foi muito maior, já que ele passou de um jogador descartável da Europa para referência no clube de segunda maior torcida do país.

 

É interessante observar que o Brasileirão já foi o destino de algumas estrelas, ou pelo menos jogadores de renome no passado, como por exemplo do holandês Seedorf no Botafogo, em 2012, e que fez sucesso por aqui, ou ainda falando do alvinegro carioca, o japonês Keisuke Honda em 2020, que nunca correspondeu às expectativas. A grande diferença é que esses movimentos pareciam ser algo muito mais isolado, ou buscando apenas o retorno midiático, diferentemente de hoje, em que os jogadores, como no caso do próprio Depay, ainda estão no auge técnico, diferentemente do modelo desse tipo de contratação adotado no passado. 

 

O Brasileirão tem cada vez mais se consolidado como uma liga atrativa e extremamente competitiva e, somado ao momento de internacionalização sem precedentes, tem tudo para se tornar uma liga que cada vez mais importa estrelas dispostas a dar tudo de si em campo, e que não visam o país apenas como um último passo antes da aposentadoria.

Reprodução: Instagram (@braithwaiteofficial)

Categorias de base: o futuro do futebol feminino

Categorias de base: o futuro do futebol feminino

Formação de jovens atletas garante oportunidades e sustenta o crescimento da modalidade no Brasil

 

Por: Amanda Souza

Reprodução: Instagram – CBF/Foto: Conmebol

Nos últimos anos, o futebol feminino viveu um processo de expansão no Brasil. A maior presença na mídia, o crescimento do público nos estádios e o aumento dos investimentos dos clubes marcam uma nova fase para a modalidade. Com a Copa do Mundo Feminina de 2027 a caminho, a expectativa é de um crescimento ainda maior. Mas, por trás das jogadoras que brilham nas seleções e nos campeonatos profissionais, há um caminho essencial: as categorias de base.

As categorias de base são divisões em que jovens atletas são treinadas e preparadas para se tornarem jogadoras profissionais. No futebol feminino, as principais categorias são Sub-15, Sub-17 e Sub-20. Diferentemente do masculino, que possui divisões bem definidas desde o Sub-11, no feminino essa estrutura ainda é recente.

Um dos marcos para a expansão dessas divisões ocorreu em 2019, quando a Conmebol passou a exigir que os clubes participantes da Libertadores masculina mantivessem equipes femininas — medida que foi acompanhada pela CBF. A decisão impulsionou a criação de departamentos específicos e abriu espaço para o desenvolvimento da base. Mais recentemente, em 2025, a Confederação Brasileira de Futebol reforçou esse processo ao destinar quase R$ 10 milhões ao Brasileirão Feminino A1, aumentando em 20% as cotas de participação dos clubes e reforçando a obrigatoriedade de manter equipes de formação.

Mais do que formar atletas tecnicamente, as categorias de base cumprem um papel social e estratégico. É nelas que meninas têm acesso a treinos regulares, acompanhamento físico e psicológico, além de uma rotina que as aproxima da realidade profissional. Sem essa estrutura, muitas jovens acabam desistindo do esporte por falta de oportunidades.

Entre as jovens que cresceram sonhando com o futebol, Rayane Maia, atleta da base do Corinthians, é uma das representantes dessa nova geração que vem se formando dentro dessa estrutura. Em conversa com a AJ, ela contou que começou a jogar ainda criança, quando via o irmão e os amigos jogando na rua e decidiu tentar também. Desde então, sempre quis seguir essa carreira.

Na época em que começou, o futebol feminino não possuía tanta visibilidade. Rayane lembra que, no início, suas referências eram Marta e Neymar. Com o tempo, passou a admirar Cristiano Ronaldo, mas, entre as jogadoras, quem mais a inspirava era a zagueira Rafaelle Souza, da seleção brasileira.

A trajetória até chegar ao Corinthians exigiu sacrifícios e amadurecimento. “Foi um processo longo e doloroso, principalmente por ter que ficar longe da minha família para correr atrás do meu sonho. Precisei de muita dedicação e disciplina”, relembra. O esforço foi recompensado quando a jogadora teve a oportunidade de estrear no time profissional. Ela considera esse momento um dos mais marcantes de sua carreira, já que sempre sonhou com a chance de subir da base, embora não imaginasse que aconteceria tão cedo.

Apesar dos avanços, Rayane reconhece que os desafios ainda são grandes. Para ela, ser mulher no futebol significa enfrentar barreiras que vão além do campo. Ela destaca que as dificuldades são constantes e que a desigualdade se manifesta de diferentes formas, desde os salários mais baixos até a falta de estrutura e de espaços adequados para os treinos.

Mesmo assim, acredita que as categorias de base têm um papel essencial para mudar esse cenário. “As categorias de base femininas são fundamentais, porque muitas atletas desistem no meio do caminho por não terem oportunidade. Os clubes que investem nessa formação abrem portas para meninas que sonham em jogar profissionalmente.”

Rayane também percebe mudanças trazidas pelo aumento da visibilidade do futebol feminino. Ela observa que, atualmente, a situação está bem melhor, já que meninas mais novas conseguem se inspirar em diversas jogadoras além das mais conhecidas. Ainda assim, reconhece que há espaço para avanços.

Com o olhar voltado para o futuro, a atleta sonha alto e quer ser parte desse novo capítulo do futebol feminino no país. “Meu sonho é representar a seleção brasileira, disputar uma Copa do Mundo e uma Olimpíada, e inspirar outras meninas a seguirem no esporte.” Para ela, o futuro é promissor. Rayane acredita que o futebol feminino ainda crescerá bastante e que muitas meninas terão a chance de perseguir esse sonho desde a infância. Com isso, a visibilidade e o apoio tendem a aumentar, o que deve gerar mais oportunidades e fortalecer a modalidade no Brasil.

 

Cultura de arquibancada: conheça Diego Ricardo de Oliveira, um Torcedor Jovem do Flamengo

Cultura de arquibancada: conheça Diego Ricardo de Oliveira, um Torcedor Jovem do Flamengo

‘O que me encanta é a ideologia do Punho Cruzado’

Por: Augusto Mendes

Diego Ricardo de Oliveira, de 31 anos, cursa o 2° período de Jornalismo na Uerj e é formado em Direito desde 2023 na mesma instituição. Embora nunca tenha se filiado oficialmente à Torcida Jovem do Flamengo (TJF), Diego participa das atividades da organizada desde o berço: seu pai, que fez parte da gestão do Flamengo na década de 1980, o incluiu desde a infância na ideologia do Punho Cruzado. Ele conta que, nessa época, a TJF detinha o título de organizada mais temida do país devido ao seu tamanho e ao papel que ela prestava de proteger os torcedores comuns de práticas violentas de torcidas organizadas. Diego se apaixonou logo cedo pela ideologia aguerrida da instituição, e desde jovem acompanha a torcida.

foto: Instagram @dieguinhoflaoficial

Diego Ricardo de Oliveira

Para conciliar as atividades dentro da organizada com os estudos e o trabalho, Diego adota uma estratégia inovadora: faz das torcidas de clubes seu objeto de estudo enquanto fenômeno cultural, aplicando conhecimentos das duas carreiras. Além disso, mencionou comissões e projetos da OAB que tratam de torcidas organizadas, e, embora não esteja à frente dos projetos, ele se faz presente como um bacharel em Direito que busca obter experiência com as palestras e eventos da organização. Diego disse que não vai ao Maracanã uniformizado com as roupas da Jovem Fla por conta da recente punição sofrida pela instituição, sancionada pela juíza Renata Guarino Marins. O banimento por 2 anos ocorreu após uma briga entre a Torcida Jovem do Flamengo e a Força Jovem do Vasco próximo a Oswaldo Cruz, antes de um jogo entre Botafogo e Vasco pela Copa do Brasil de 2025. Na ocasião, um torcedor vascaíno foi assassinado. Além desse, a juíza citou outros casos de violência e vandalismo associados à organizada. A Força Jovem do Vasco e a Fúria Jovem do Botafogo também sofreram punições, porém, mais leves: por 6 jogos.

Diego prontamente prestou solidariedade à Força Jovem e aos familiares, mas também criticou duramente a decisão da magistrada, argumentando que a juíza não homologou o novo Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que puniria o CPF dos membros infratores, e não o CNPJ da torcida organizada. Além disso, criticou a postura de “punir primeiro e investigar depois”. Diego, inclusive, diz que essa postura é adotada por todo o Poder Judiciário quando se trata de torcidas organizadas, no que ele afirma ser um processo de perseguição às agremiações, pois é a única situação, ele afirma, em que os tribunais de justiça sancionam medidas de punição preventiva ao CNPJ de uma instituição por conduta criminosa de alguns indivíduos antes da devida apuração, do processo legal e de um julgamento imparcial. Ou seja, pune-se o todo pela ação de alguns. Além da perseguição protagonizada pelo Poder Judiciário, Diego destaca o papel dos veículos de mídia na associação “maquiada e viciada” da imagem das torcidas organizadas com a violência e o vandalismo. Embora tenha admitido que há, sim, práticas violentas por parte de organizadas, ele reafirma que a ideologia das torcidas jovens, sobretudo a do Flamengo, não é uma ideologia de violência, mas sim de festa, proteção aos torcedores e apoio ao clube, mencionando o surgimento delas durante a ditadura militar. Além disso, Diego ressalta o lado social assumido por essas instituições, que já promoveram campanhas de doação de sangue, alimentos e agasalhos. E, segundo ele, “bons segmentos da mídia” não mostram esse lado, pois o que realmente gera repercussão e
venda para o público é o lado “da tragédia, do caos e do sensacionalismo”.
E dessa perseguição às organizadas, se segue um processo de elitização do acesso aos
estádios, afirma Diego. Isso porque, destaca, sem a presença das organizadas, o estádio
fica frio. Mas não é só a participação das organizadas que é restrita: o aumento do preço
dos ingressos, que tem um marco especial após as reformas nos estádios e construção de
arenas para a Copa do Mundo de 2014, é decisivo para o afastamento dos torcedores mais
humildes.
“As arenas para a Copa do Mundo deixaram os nossos torcedores “raízes” órfãos do bom
futebol, porque o estádio da Copa do Mundo deixou o ingresso caro. Tendo mais de 11
anos da realização da Copa de 2014, a gente vê a superinflação do preço dos ingressos,
muita gente acaba tendo que pagar o ingresso e ser sócio torcedor. E ou você come, ou
você sustenta sua família, porque o povo ganha salário miserável, quando ganha, porque
tem gente que não consegue trabalho. E o futebol é um luxo, é uma válvula de escape da
qual ele acaba abrindo mão.”
Diego também falou sobre os frequentes protestos de torcedores rubro-negros contra a alta
no preço dos ingressos, os quais se iniciaram imediatamente após os primeiros aumentos,
ainda na gestão do Eduardo Bandeira de Mello, iniciada em 2013 e na inauguração do novo
Maracanã no padrão FIFA naquele mesmo ano. Os protestos se seguiram, passando pela
gestão de Rodolfo Landim até o presente momento, e podem estar dando algum resultado:
Diego, embora defina o presidente do clube, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, como um elitista,
conta que o dirigente tenta aumentar as arrecadações do clube em outras frentes para que
os ingressos não fiquem tão caros.

Como solução para os problemas, Diego propõe a individualização da punição por condutas
criminosas por membros de organizadas, mencionando mecanismos dos Códigos Civil e
Penal e da Constituição Federal previstos para aplicação em casos de crimes em conjunto.
Além disso, para a questão da elitização, Diego faz uma ressalva quanto à ação de abaixar
o preço dos ingressos, devido aos custos de manutenção da infraestrutura dos estádios
superfaturados do pós-Copa de 2014. Nesse sentido, ele propõe uma solução mais ampla:
é necessário aumentar o poder aquisitivo da população e resolver problemas sociais como
o desemprego, para que os torcedores possam comparecer mais facilmente aos estádios.

‘É sempre uma grande honra’ diz Raquel Kochhann sobre Copa do Mundo Feminina de Rugby XV

‘É sempre uma grande honra’ diz Raquel Kochhann sobre Copa do Mundo Feminina de Rugby XV

Brasil representou a primeira participação da América do Sul no Mundial e foi eliminado ainda na fase de grupos

Por: Mariana Martins

Reprodução: Instagram (@brasilrugby)

Seleção brasileira feminina de Rugby XV faz sua estreia no Mundial 

A seleção brasileira de Rugby XV disputou pela primeira vez a Copa do Mundo Feminina de Rugby XV, sediada na Inglaterra, entre os dias 22 de agosto e 27 de setembro. Foram 16 nações classificadas e as Yaras, apelido da equipe que significa “senhoras das águas” na mitologia tupi-guarani e representa a coletividade, foram as únicas representantes da América do Sul. O Brasil entrou em campo na fase de grupos contra África do Sul, França e Itália. No primeiro jogo, a seleção marcou seus primeiros pontos em Mundial, com dois chutes de penalidade de Raquel Kochhann. Apesar de não conseguirem a vitória, os pontos foram motivo de comemorações pelo feito inédito. 

Raquel Kochhann é jogadora de rugby e integrou a seleção que viajou à Inglaterra. Ela possui três participações olímpicas na categoria rugby sevens, na qual foi campeã dos Jogos Sul-Americanos de 2014,  medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos de 2015 e foi condecorada com o Troféu Brasil de Rugby por sua atuação na seleção e na equipe Charrua Rugby Clube em 2016. 

Em janeiro de 2024, a atleta retornou às competições depois de vencer um câncer na mama e no osso esterno, e uma lesão de ligamento cruzado anterior (LCA). Em julho daquele ano foi a porta-bandeira do Time Brasil nas Olimpíadas de Paris. Ela descreve esse momento à AJ como incrível e único: “Esse foi um momento muito mágico. Poder mostrar a força da mulher. Poder ser o exemplo para muitas mulheres que recebem o diagnóstico, de que ele não é uma sentença de morte, e sim uma oportunidade de se reinventar e conquistar o inimaginável. Além de colocar nosso esporte na vitrine, mostrar a capacidade e o valor dele dentro e fora de campo.”

Reprodução: Instagram (@raquel_kochhann)

Raquel Kochhann foi porta-bandeira do Time Brasil

Kochhann conta à AJ como foi a trajetória das Yaras no Mundial, desde a classificação, a volta ao Brasil e o futuro da modalidade: “Nossa busca pela qualificação para a Copa do Mundo de Rugby XV começou em 2019, com nosso primeiro confronto contra a Colômbia, valendo vaga pra repescagem da Copa de 2021.” A seleção brasileira não conseguiu a classificação na ocasião, ficando fora da edição. 

 

Em 2024, após a World Rugby, a federação internacional de rugby,  anunciar uma vaga destinada a América do Sul para o ano seguinte, o Brasil venceu as colombianas de modo inédito no jogo classificatório. “Depois de conquistar a vaga, a nossa Confederação seguiu com um projeto focado no desenvolvimento do Rugby XV feminino no Brasil, melhorando nossos campeonatos regionais e criando um campeonato nacional de Rugby XV feminino.” diz Kochhann à AJ.  

 

Durante a competição, a atleta considerou uma grande responsabilidade representar o Brasil e o continente na Inglaterra: “É sempre uma grande honra vestir a ‘amarelinha’. Então representar mais que nosso país, representar toda a América do Sul, ao mesmo tempo que tem sua responsabilidade, porque precisamos mostrar que merecemos estar na elite, também é uma honra. É mostrar que somos a cara do esporte!” Kochhann descreve como incrível jogar em um país com torcedores apaixonados pelo esporte: “Isso é incrível, eles respiram rugby, eles amam o esporte e são fãs incondicionais. Foi muito prazeroso jogar com o calor da torcida.”

 

As Yaras foram eliminadas na fase de grupos, tendo marcado apenas 14 pontos e sofrido 241. Voltando dessa experiência, a atleta espera que haja mais investimento na modalidade, que é considerada mais participativa por comportar mais tipos físicos diferentes: “Temos muito trabalho a fazer. Muitos focos que precisam ser trabalhados para evoluir o jogo e conseguir melhores resultados. Com toda certeza vamos investir muito no Rugby XV, além de termos um grande potencial para ser uma potência mundial, a modalidade de XV é muito mais democrática e atrativa para todos os públicos, em níveis de desenvolvimento e amador.” diz Kochhann à AJ.  

 

Mesmo com uma campanha curta e com três derrotas, a seleção feminina celebrou a participação histórica, que é considerada fundamental para o desenvolvimento da modalidade no Brasil. A próxima Copa do Mundo será na Austrália, em 2029 e, de acordo com a Confederação Brasileira de Rugby, a América do Sul terá uma vaga direta para a competição. 

Caio Bonfim: da cidade de Sobradinho aos holofotes mundiais

Caio Bonfim: da cidade de Sobradinho aos holofotes mundiais

Atleta conquistou a medalha de ouro no Mundial de Atletismo deste ano
Por: Murilo Soares

Reprodução: Instagram (@caiobonfims)

Em 19/3/1991 nascia na cidade de Sobradinho, Distrito Federal, Caio Oliveira de Sena Bonfim. Atualmente reconhecido como um dos principais marchadores do mundo, sua história com o esporte na verdade começou com outra modalidade: o futebol. 

 

Filho do treinador de atletismo João Sena e da também marchadora Gianette Sena, Caio começou a trilhar sua trajetória esportiva no futebol. Mesmo destro, o atleta desenvolveu a habilidade com o pé canhoto, se tornou lateral-esquerdo e chegou a fazer base em um dos principais clubes do Distrito Federal, o Brasiliense. Foi então que, apenas aos 16 anos, decidiu trilhar o caminho da marcha atlética.

 

Ao começar sua carreira como marchador, Caio Bonfim teve que enfrentar o extremo preconceito que a modalidade recebe no país. Por ser uma prova que exige muito o movimento dos quadris, muitas foram as pessoas que xingaram o então jovem atleta. Quando ia treinar com seu pai, vários motoristas que passavam de carro e presenciavam os treinos questionaram sua masculinidade. 

Reprodução: Site/Pixabay

Mesmo recebendo críticas e xingamentos de pessoas preconceituosas, o jovem de Sobradinho não desistiu, e viu na família a maior base para continuar marchando, haja vista que sempre recebia apoio de seus pais. Sua decisão seria então coroada com bons desempenhos esportivos.

 

Após conquistar no mundial, em Tóquio, a prata nos 35km, enfim veio a medalha de ouro nos 20km. Durante a prova, o brasileiro permaneceu firme no segundo pelotão de corredores até aproximadamente os 35 minutos iniciais. Aos 52 minutos, Bonfim assumiu a quarta colocação e cerca de 3 minutos depois, a ponta. Com 1 hora de competição, porém, o brasileiro, visivelmente cansado, despencou para a sétima posição. Foi então que, faltando cerca de 1km, quando ia rumo ao Estádio Nacional, assumiu a liderança. Depois, apenas manteve o ritmo, abriu maior vantagem na liderança e conquistou a medalha de ouro inédita. O tempo de Bonfim nos 20km ficou em 1h18m35s, à frente do chinês Wang Zhaozha, segundo com o tempo de 1h18m43s, e do espanhol Paul McGrath, terceiro com 1h18m45s.

 

Com o ouro conquistado em Tóquio, o marchador tornou-se apenas o terceiro atleta brasileiro a subir no lugar mais alto do pódio em campeonatos mundiais de atletismo. Fabiana Murer, campeã do salto com vara em Daegu, na Coreia do Sul em 2011, e Alisson dos Santos, o Piu, ouro em 2022 nos Estados Unidos dos 400 metros com barreiras foram os antecessores. Além disso, ao receber sua quarta medalha em mundiais, se isolou como atleta mais vencedor da história da competição; ele ultrapassou Claudinei Quirino.

Foto: Alexandre Loureiro/COB

Apoiado financeiramente pelo programa governamental Bolsa Atleta, do Ministério do Esporte, Caio estreou em Olimpíadas em Londres 2012, participou da Rio-2016, Tóquio em 2021 e foi medalha de prata em Paris 2024.

Dor e superação: trajetória de Bernardo Lopes até base do Botafogo

Dor e superação: trajetória de Bernardo Lopes até base do Botafogo

Jogador Sub-11 supera grave acidente na infância e conquista espaço no esporte

Por: Lívia Martinho

Aos 11 anos, Bernardo Lopes é a mais nova aposta do Botafogo para a categoria de base. Sua história tem um diferencial: com apenas 1 ano de idade, Bernardo sofreu um grave acidente que causou queimaduras de terceiro grau no corpo e no rosto.

Após derramar uma panela de água fervendo, o jovem atleta alvinegro ficou sete meses no hospital, passando por uma série de procedimentos cirúrgicos e enxertos na pele, com o risco de não sobreviver.

(Imagem via @_bernardo_lopes11)

Morador do bairro Santa Isabel, em São Gonçalo (RJ), Bernardo gosta de jogar futebol desde novo e, com 6 anos, começou a fazer parte de um projeto social e depois entrou para o CT Meninos de Ouro, onde começou a se destacar. Durante uma competição disputada no Nilton Santos, chamou a atenção de olheiros do Botafogo, que o levaram para fazer testes, então passou a defender o sub-11 do glorioso. 

Sua estreia foi em 21 de setembro em uma vitória de 2 a 1 sobre o Resende, pela Taça Edilson Silva. Em rede social, Bernardo publicou: “São tantos motivos para agradecer. Não sei nem explicar o quanto estou feliz e grato a Deus por tudo que tem acontecido em minha vida nesses últimos dias. ”

A repercussão da história de Bernardo lembra outro caso marcante no futebol: Carlos Tévez. O jogador argentino também carrega em seu corpo as marcas de um passado desafiador. Ainda bebê, Tévez sofreu queimaduras após um acidente. O argentino acredita que essas marcas são um lembrete constante da força que encontrou para seguir em frente.

Em trajetórias separadas pela fronteira e por gerações, Bernardo Lopes e Carlos Tévez mesmo diante das cicatrizes não desistiram.