Como a inteligência artificial está mudando o treinamento esportivo?

Como a inteligência artificial está mudando o treinamento esportivo?

Entenda como tecnologia está revolucionando performance e  preparação dos atletas

Por: Lívia Martinho

Foto: Freepik

O uso da inteligência artificial está transformando a forma como atletas treinam e se preparam para competições, com impacto no desempenho e na prevenção de lesões. Antes baseados principalmente na experiência dos treinadores, hoje os treinos contam com sensores, softwares e sistemas de inteligência artificial (IA) que ajudam a transformar dados em vantagem competitiva. O resultado é uma preparação mais precisa, eficiente e segura para os atletas.

Um exemplo dessa transformação está nos coletes tecnológicos usados por jogadores durante treinos e partidas. Vestidos por baixo do uniforme, esses dispositivos monitoram, em tempo real, dados como frequência cardíaca, velocidade, aceleração e nível de desgaste físico. As informações são enviadas para sistemas que permitem à comissão técnica acompanhar cada movimento com alto nível de detalhamento. Esses coletes estão presentes no futebol, rugby, futebol americano e lacrosse (esporte de equipe em que os jogadores usam um bastão com rede para lançar a bola e marcar gols).

Com o apoio da inteligência artificial, esses dados passam a ser analisados, e algoritmos identificam padrões de desempenho, detectam sinais de fadiga e ajudam a compreender o comportamento físico dos atletas. Informações como distância percorrida, número de sprints, intensidade do esforço e movimentação em campo orientam decisões mais precisas no planejamento dos treinos.

Além de melhorar o desempenho, a tecnologia também tem impacto na prevenção de lesões. A partir da análise, os sistemas conseguem indicar quando um atleta está próximo de um limite de risco. Um estudo da Universidade de São Paulo apontou cerca de 75% de precisão na previsão de lesões musculares ao cruzar dados físicos, psicológicos e de sono. Clubes como o Leicester City, da Inglaterra, relatam redução de até 30% no tempo de recuperação, mostrando como a tecnologia impacta diretamente a carreira dos atletas. O Manchester City, também inglês, utiliza inteligência artificial para monitorar a carga de trabalho dos atletas e prevenir lesões, enquanto equipes como o Borussia Dortmund, da Alemanha, aplicam a tecnologia na análise tática, ajustando estratégias com base em dados coletados durante os jogos.

Esse uso da inteligência artificial se estende a diversas modalidades esportivas. No basquete, sistemas analisam o posicionamento dos jogadores em tempo real para sugerir ajustes táticos. No tênis, a tecnologia é utilizada para detectar erros de linha e analisar a técnica dos atletas. Na Fórmula 1, algoritmos processam grandes volumes de informações durante as corridas para auxiliar decisões estratégicas. Já no futebol americano e no beisebol, a análise de dados orienta estratégias e a avaliação de desempenho, enquanto modalidades como o tênis de mesa passam a utilizar visão computacional para corrigir movimentos e aprimorar a técnica dos jogadores.

Como a inteligência artificial está mudando o treinamento esportivo?

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