De Pirlo a Maradona: seleções que recorreram a ídolos em momentos de crise

De Pirlo a Maradona: seleções que recorreram a ídolos em momentos de crise

Jogadores históricos que já comandaram as suas seleções em momentos de crise e reconstrução 

Por: Tiago Alves

Montagem: Tiago Alves | Reprodução: Andrea Pirlo Official (Instagram)| Liga Italia Serie A (Facebook) | Sir_jaay01 (X) | ofutebologo (Instagram) 

Andrea Pirlo, Diego Armando Maradona, Van Basten e Jürgen Klinsmann respectivamnte

No último dia 28 de junho, Roberto Mancini assumiu o comando técnico da seleção italiana enquanto Cláudio Ranieri passou a ocupar o cargo de diretor- técnico substituindo Paolo Maldini, que deixou o cargo após a entidade rejeitar a nomeação de Andrea Pirlo para a função de técnico da equipe. A decisão da Federação Italiana em recorrer a um ex-jogador que fez história na seleção italiana não é um caso isolado. É uma prática que já foi adotada por outras seleções em momentos de crise e reconstrução, como Brasil, Argentina e Holanda.

Um dos exemplos mais conhecidos aconteceu em 2008. Quinze anos após a conquista da Copa América de 1993 e sem conquistar nenhum título desde então, a Argentina resolveu apostar na figura de Diego Armando Maradona como uma solução para encerrar o período de seca dos hermanos no futebol profissional. Apesar de um bom começo chegando a vencer a até então vice-campeã França por 2 a 0 em um amistoso, a passagem de Maradona pela seleção argentina foi marcada por altos e baixos, incluindo uma derrota por 6 a 1 para a Bolívia nas eliminatórias. Mesmo com um início turbulento, sob o comando de Maradona a seleção argentina se classificou para a Copa de 2010 mas teve a sua eliminação decretada após uma goleada por 4 a 0 para a Alemanha que marcou o fim da passagem dele pela seleção argentina. 

 A escolha de um grande ídolo para comandar a equipe, no entanto, não foi exclusiva da Argentina. Em 2004, em um cenário também marcado por turbulências, a Holanda recorreu a Marco Van Basten para comandar o ciclo rumo à Copa do Mundo de 2006,  após ficar de fora da Copa do Mundo de 2002 e cair nas semifinais da Eurocopa de 2004 para Portugal com uma seleção que mesclava jogadores experientes como o goleiro Van Der Sar e jovens promessas como Arjen Robben. O nome do ex-jogador ganhou força para comandar a seleção holandesa, apesar de na época ter como único trabalho como técnico a equipe Sub -20 do Ajax, porém, o histórico como jogador e ídolo da seleção holandesa impulsionou Van Basten para assumir o cargo de técnico do país.

Nas eliminatórias para a Copa de 2006 a equipe comandada por Van Basten garantiu a vaga para o Mundial liderando o seu grupo com 32 pontos com 12 jogos disputados. Na Copa do Mundo a Holanda garantiu a classificação para as oitavas de final vencendo dois jogos e empatando um, ficando na segunda colocação do seu grupo. Nas oitavas de final a equipe holandesa enfrentou novamente Portugal quando mais uma vez sucumbiu em uma das partidas que ficou conhecida como “A Batalha de Nuremberg”  . O confronto ficou marcado por conta das diversas faltas cometidas ao longo do jogo e da quantidade de cartões aplicados durante a partida pelo árbitro russo. Valentin Ivanov que distribuiu vinte cartões (dezesseis amarelos e quatro vermelhos) ao longo do jogo. 

A precoce eliminação na Copa do Mundo não custou o cargo ao ex-jogador que permaneceu como técnico para a Eurocopa de 2008. Na competição, a equipe comandada por Van Basten fez uma primeira fase avassaladora, classificando na primeira colocação de forma invicta em um grupo que contava com as atuais finalistas da Copa do Mundo de 2006 (Itália e França) No entanto, após mais uma eliminação precoce, dessa vez para a Rússia nas quartas de final, Van Basten deixou o cargo após o torneio. 

No mesmo ano, em 2004, a seleção alemã apostou em Jürgen Klinsmann para substituir Rudi Völler no comando técnico da equipe, visando uma renovação do elenco. A Alemanha, vice-campeã da Copa do Mundo de 2002, havia feito campanhas decepcionantes nas Eurocopas de 2000 e 2004, sendo eliminada ainda na fase de grupos em ambas as edições.

À frente da seleção, Klinsmann promoveu mudanças importantes. O técnico tirou a braçadeira de capitão do veterano goleiro Oliver Kahn e o removeu da equipe titular, abrindo espaço para uma nova geração de jogadores, como Bastian Schweinsteiger e Lukas Podolski.

Na Copa do Mundo de 2006, disputada em casa, a Alemanha se classificou para as oitavas de final com autoridade, terminando na primeira colocação do grupo e conquistando nove pontos em três jogos. No mata-mata, a equipe chegou à semifinal, onde foi derrotada pela Itália por 2 a 0, na prorrogação. Na disputa pelo terceiro lugar, a seleção comandada por Klinsmann venceu Portugal por 3 a 1 e conquistou a medalha de bronze.

O terceiro lugar foi celebrado por grande parte dos torcedores alemães, que temiam uma campanha decepcionante da seleção no torneio. Logo após a Copa, Klinsmann deixou o cargo e foi sucedido por seu assistente, Joachim Löw.

Esses exemplos mostram que a idolatria, a identificação e a liderança construída por um jogador nem sempre pode se traduzir na função de técnico. O prestígio de um jogador pode ser uma vantagem na escolha mas pode não refletir o resultado na beira do gramado. No entanto, a indicação de Pirlo mostra que mesmo após tantos anos, um grande ídolo continua sendo visto como uma alternativa em um período de reconstrução de uma seleção. 

De Pirlo a Maradona: seleções que recorreram a ídolos em momentos de crise

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