‘É sempre uma grande honra’ diz Raquel Kochhann sobre Copa do Mundo Feminina de Rugby XV

‘É sempre uma grande honra’ diz Raquel Kochhann sobre Copa do Mundo Feminina de Rugby XV

Brasil representou a primeira participação da América do Sul no Mundial e foi eliminado ainda na fase de grupos

Por: Mariana Martins

Reprodução: Instagram (@brasilrugby)

Seleção brasileira feminina de Rugby XV faz sua estreia no Mundial 

A seleção brasileira de Rugby XV disputou pela primeira vez a Copa do Mundo Feminina de Rugby XV, sediada na Inglaterra, entre os dias 22 de agosto e 27 de setembro. Foram 16 nações classificadas e as Yaras, apelido da equipe que significa “senhoras das águas” na mitologia tupi-guarani e representa a coletividade, foram as únicas representantes da América do Sul. O Brasil entrou em campo na fase de grupos contra África do Sul, França e Itália. No primeiro jogo, a seleção marcou seus primeiros pontos em Mundial, com dois chutes de penalidade de Raquel Kochhann. Apesar de não conseguirem a vitória, os pontos foram motivo de comemorações pelo feito inédito. 

Raquel Kochhann é jogadora de rugby e integrou a seleção que viajou à Inglaterra. Ela possui três participações olímpicas na categoria rugby sevens, na qual foi campeã dos Jogos Sul-Americanos de 2014,  medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos de 2015 e foi condecorada com o Troféu Brasil de Rugby por sua atuação na seleção e na equipe Charrua Rugby Clube em 2016. 

Em janeiro de 2024, a atleta retornou às competições depois de vencer um câncer na mama e no osso esterno, e uma lesão de ligamento cruzado anterior (LCA). Em julho daquele ano foi a porta-bandeira do Time Brasil nas Olimpíadas de Paris. Ela descreve esse momento à AJ como incrível e único: “Esse foi um momento muito mágico. Poder mostrar a força da mulher. Poder ser o exemplo para muitas mulheres que recebem o diagnóstico, de que ele não é uma sentença de morte, e sim uma oportunidade de se reinventar e conquistar o inimaginável. Além de colocar nosso esporte na vitrine, mostrar a capacidade e o valor dele dentro e fora de campo.”

Reprodução: Instagram (@raquel_kochhann)

Raquel Kochhann foi porta-bandeira do Time Brasil

Kochhann conta à AJ como foi a trajetória das Yaras no Mundial, desde a classificação, a volta ao Brasil e o futuro da modalidade: “Nossa busca pela qualificação para a Copa do Mundo de Rugby XV começou em 2019, com nosso primeiro confronto contra a Colômbia, valendo vaga pra repescagem da Copa de 2021.” A seleção brasileira não conseguiu a classificação na ocasião, ficando fora da edição. 

 

Em 2024, após a World Rugby, a federação internacional de rugby,  anunciar uma vaga destinada a América do Sul para o ano seguinte, o Brasil venceu as colombianas de modo inédito no jogo classificatório. “Depois de conquistar a vaga, a nossa Confederação seguiu com um projeto focado no desenvolvimento do Rugby XV feminino no Brasil, melhorando nossos campeonatos regionais e criando um campeonato nacional de Rugby XV feminino.” diz Kochhann à AJ.  

 

Durante a competição, a atleta considerou uma grande responsabilidade representar o Brasil e o continente na Inglaterra: “É sempre uma grande honra vestir a ‘amarelinha’. Então representar mais que nosso país, representar toda a América do Sul, ao mesmo tempo que tem sua responsabilidade, porque precisamos mostrar que merecemos estar na elite, também é uma honra. É mostrar que somos a cara do esporte!” Kochhann descreve como incrível jogar em um país com torcedores apaixonados pelo esporte: “Isso é incrível, eles respiram rugby, eles amam o esporte e são fãs incondicionais. Foi muito prazeroso jogar com o calor da torcida.”

 

As Yaras foram eliminadas na fase de grupos, tendo marcado apenas 14 pontos e sofrido 241. Voltando dessa experiência, a atleta espera que haja mais investimento na modalidade, que é considerada mais participativa por comportar mais tipos físicos diferentes: “Temos muito trabalho a fazer. Muitos focos que precisam ser trabalhados para evoluir o jogo e conseguir melhores resultados. Com toda certeza vamos investir muito no Rugby XV, além de termos um grande potencial para ser uma potência mundial, a modalidade de XV é muito mais democrática e atrativa para todos os públicos, em níveis de desenvolvimento e amador.” diz Kochhann à AJ.  

 

Mesmo com uma campanha curta e com três derrotas, a seleção feminina celebrou a participação histórica, que é considerada fundamental para o desenvolvimento da modalidade no Brasil. A próxima Copa do Mundo será na Austrália, em 2029 e, de acordo com a Confederação Brasileira de Rugby, a América do Sul terá uma vaga direta para a competição. 

‘É sempre uma grande honra’ diz Raquel Kochhann sobre Copa do Mundo Feminina de Rugby XV

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