Ecossistema da desinformação amplia crise climática e gera lucros para desinformadores, alertam especialistas

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Ecossistema da desinformação amplia crise climática e gera lucros para desinformadores, alertam especialistas

A menos de 100 dias para a COP30 em Belém, ativistas e jornalistas discutiram impacto das fake news na luta contra as mudanças climáticas 

Por: Sofia Inerelli 

A secretária de Meio Ambiente da Cidade do Rio, Tainá de Paula, a cientista Mercedes Bustamante, a jornalista Fabíola Gerbase, do DAAD, o pesquisador Jochen Schöngart e o ativista Erisvan Guajajara – Foto: Mapa Fotografia/Rogério von Krüger

 

A desinformação é hoje um grande problema dentro do combate à crise climática: seu conteúdo contradiz ou distorce o conhecimento produzido por cientistas, fazendo com que a população se afaste da realidade e da percepção de que o ser humano precisa tomar novas atitudes frente ao meio ambiente. Esse foi um dos temas centrais do evento Vozes pelo Clima: Mídia, Ciência e Educação no combate à desinformação, realizado em 11 de agosto no Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, no Rio de Janeiro. Ao longo do dia, os participantes alertaram para o fato de que a negação do conhecimento científico sempre esteve presente durante a história da sociedade, mas nos anos recentes o problema tem chamado mais atenção devido ao caráter lucrativo que a desinformação passou a adquirir.


O evento, organizado pelo DAAD (Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico) e pelo Programa de Pós Graduação em Mídias Criativas (PPGMC) da UFRJ, integrou  o  projeto “Climate Talks”,  da Embaixada da Alemanha e do Centro Alemão de Ciência e Inovação – DWIH São Paulo. Foram realizados vários painéis ao longo do dia, com oficinas práticas para os participantes. Entre os debatedores estavam Frederico Assis, enviado da Presidência da COP30 para Integridade da Informação, Tainá de Paula, secretária de Meio Ambiente da cidade do Rio de Janeiro, Erisvan Guajajara, ativista indígena da etnia Guajajara, Amanda Costa, jovem embaixadora da ONU, além de jornalistas e professores de comunicação.

Anne Herrberg, jornalista da emissora alemã ARD, Marie Santini (UFRJ), o mediador André Trigueiro, a coordenadora da Agenc, professora Fernanda da Escóssia, e Regine Schönenberg, da Fundação Heinrich Böll – Foto: Mapa Fotografia/Rogério von Krüger













Anne Herrberg, jornalista da emissora alemã ARD, Marie Santini (UFRJ), o mediador André Trigueiro, a coordenadora da Agenc, professora Fernanda da Escóssia, e Regine Schönenberg, da Fundação Heinrich Böll – Foto: Mapa Fotografia/Rogério von Krüger, 


No primeiro painel, jornalistas e professores abordaram o conceito de desinformação e mostraram como o problema se disseminou em eventos recentes, como as enchentes no Rio Grande do Sul e as queimadas na Amazônia. A professora Rose Marie Santini, da Escola de Comunicação da UFRJ, lembrou que o “mercado da desinformação” parte da possibilidade de monetizar conteúdos.


Fernanda da Escóssia, editora de Sumaúma Jornalismo, professora de Jornalismo na Uerj e coordenadora da Agência de Notícias Científicas da Uerj, falou dos tipos de desinformação e do greenwashing – a lavagem verde ou maquiagem verde, estratégia usada por governos, empresas e desinformadores para “vender” uma imagem de sustentabilidade quando, na verdade, querem apenas esconder ações criminosas, poluidoras ou em desacordo com práticas sustentáveis. “Selos  verdes” e carimbos de “carbono zero” são exemplos de greenwashing. “Na verdade, esse tipo de prática camufla uma cadeia de produção com pouco ou nenhum aspecto sustentável, como uma lente propositalmente desfocada para enganar o consumidor.” 


Professores e cientistas também destacam a relevância do jornalismo e da divulgação científica como atividades fundamentais para combater a desinformação. A bióloga Mercedes Bustamante, professora da UnB, abordou também a necessidade de uma maior aliança entre pesquisadores e comunicadores para que os estudos realizados nas universidades ganhem mais divulgação e cheguem a um maior número de pessoas. A cientista, considerada uma das maiores autoridades brasileiras no estudo de ecossistemas e mudanças climáticas, alertou para o perigo de que produtores de falsos conteúdos acabem ganhando espaço e validem ataques ao meio ambiente.




Ecossistema da desinformação amplia crise climática e gera lucros para desinformadores, alertam especialistas

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