João Fonseca e o peso do futuro do tênis brasileiro

João Fonseca e o peso do futuro do tênis brasileiro

Por: Gustavo Freitas 

Foto: Agência Brasil – EBC 

João Fonseca celebrando ponto no ATP da Basileia

Neste sábado (04/04) teve início o Master 1000 de Monte Carlo, que além da participação dos principais tenistas da atualidade, contará com João Fonseca na chave simples. O brasileiro chega ao torneio com expectativas altas, ampliadas após atuações consistentes contra Carlos Alcaraz e Jannik Sinner, respectivos número 1 e 2 do ranking ATP. Entretanto, a pressão colocada no carioca de 19 anos, extrapola os limites da quadra, ao postularem o atleta como o substituto do lendário Guga Kuerten e a esperança no alavancamento do tênis no Brasil. 

Após estreia meteórica no circuito profissional, consolidada com a conquista do ATP de Buenos Aires no início de 2025, Fonseca logo começou a ser comparado  com outros grandes tenistas quando tinham sua idade, mas sobretudo com Guga. Além do peso de ser medido por altos parâmetros, a pressão foi amplificada pela falta de grandes promessas no tênis brasileiro nas últimas décadas. Desde a última conquista de Kuerten em 2004, apenas outros 3 brasileiros venceram torneios profissionais ( nenhum deles um Grand Slam), evidenciando a falta de um sucessor à altura para o lendário tenista brasileiro. 

João apresentou dificuldades em lidar com a veloz ascensão na carreira e crescente expectativas sobre seus resultados, enfrentando  eliminações precoces nos torneios seguintes. De todo modo, o atleta seguiu como o encarregado de resgatar a atenção do povo brasileiro para a sua modalidade. Despertada fortemente durante o fim dos anos 90, no período de auge do maior tenista do nosso país, o amor dos brasileiros pela modalidade diminuiu gradativamente após sua aposentadoria, motivada especialmente pela ausência de esportistas que empolgassem nas partidas ou tivessem o mesmo carisma de Guga.

Alinhado a isso, a visão do tênis como um esporte distante das classes populares, dificulta sua propagação no território brasileiro. O alto preço dos materiais esportivos e a dificuldade em encontrar locais para prática do esporte em áreas periféricas resulta em um panorama de desconexão da população com o jogo. Somado a essas questões, a falta de transmissão em TV aberta das partidas gera um afastamento dos atletas, condicionando a audiência por meio de um viés econômico, no qual é necessário assinatura de canais pagos para se ter acesso às partidas.

Com o sucesso prematuro de Fonseca, o atleta apareceu como uma possível solução de alterar esse cenário, ampliando a visibilidade nacional do tênis e resgatando o orgulho de ver um compatriota em destaque nas quadras internacionais. Segundo dados da Espn Brasil, as partidas de Fonseca alcançam recordes de audiência, já demonstrando seu impacto na popularização do esporte. Após altos e baixos ano passado, João inicia 2026 aparentando estar mais maduro e com nível de atuação melhorado, com a árdua missão de lidar com todo peso que sua figura representa para o país e para a difusão do tênis. Apesar de inerente ao espaço esportivo, a pressão exacerbada em um jovem atleta só tende a desestabilizá-lo, podendo desperdiçar uma das nossas maiores promessas esportivas das últimas décadas.

João Fonseca e o peso do futuro do tênis brasileiro

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