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Os desafios enfrentados pelos alunos da Uerj em dia de jogo no Maracanã
Por: Laura de Sousa e Silva dos Santos

No último dia 4 de setembro, ocorreu o jogo das eliminatórias da Copa do Mundo entre Brasil e Chile, no Maracanã. Com mais de 50 mil ingressos vendidos, a partida movimentou o estádio e o seu entorno, com medidas de segurança no local e um esquema especial no Metrô para os torcedores. O jogo também fez com que a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) cancelasse as aulas. A suspensão foi adotada pela Faculdade de Comunicação Social (FCS), por meio de um comunicado que dizia que as aulas a partir das 17h estavam canceladas. Com o jogo marcado para às 21h30, professores de outros cursos também optaram pela suspensão das atividades.
Lorrayne Barbosa, estudante de História do 7º período, relatou que chegou a ir para a Universidade no dia, porém dois dos seus professores decidiram abonar falta: “ Quem estava aqui teve aula, mas quem não foi, não contou como falta.”. Já Marcela Evaristo, aluna de Letras-Alemão que está no 6º período, teve sua aula cancelada e seus professores preferiram passar um trabalho para fazer em casa. “Todos entraram num consenso que ia ficar muito lotado”, relatou.
Esse tipo de situação não foi exclusiva desse dia, isso ocorre com frequência na região. Caso as aulas não sejam canceladas, os alunos do período noturno precisam enfrentar torcedores se movimentando pela região, transporte público lotado e desorganizado, trânsito e outros desafios que fogem de sua rotina. “É sempre tumultuado. Normalmente, se eu não cheguei na Uerj ainda, eu já perguntei ao grupo da turma se vai ter aula ou não, porque dependendo do professor, às vezes, ou abona falta, ou cancela a aula”, relatou Lorrayne, que sai do Catete de metrô.
Mariana, que mora em Santa Cruz, tem duas opções diariamente: ou ela pega o ônibus 383, ou ela pega o trem. Porém, muitas vezes, seu ônibus para de passar em certos horários devido à falta de constância, restando-lhe pegar o trem em condições não muito favoráveis. “Era inviável para a gente conseguir chegar às vezes”, comentou a estudante de Letras.
Quando os professores não cancelam as aulas, os próprios estudantes decidem não ir para a instituição, pois preferem não enfrentar os transtornos do dia de jogo. A estudante de história contou que alguns professores cancelavam a aula somente depois de muita insistência dos alunos, e, muitas vezes, mesmo com outros docentes cancelando, alguns ainda mantinham: “Me deixava muito insegura, pois era uma aula importante, eu queria ir, mas ao mesmo tempo eu sabia o caos que seria.”. Para Mariana, o maior desafio é o trânsito e a distância que precisa percorrer nos dias de jogo.
Atraso no cronograma de aula
Um dos maiores impactos negativos que os jogos no Maracanã trazem é a desorganização no calendário acadêmico causado pelos constantes cancelamentos de aulas. Lorrayne comentou que os dias que mais foram afetados foram quartas e sextas: “Toda hora o professor tinha que tentar reajustar o que dava de aula. Mas era complicado, a gente perdeu muita matéria por causa disso, e teve que readaptar o cronograma, pois a Uerj ia entrar de férias, e foi feito o que deu”. Os dias de jogos do Flamengo, nas quartas, relembrou Mariana, eram os dias mais afetados.
Vantagem em dia de jogo
Uma ocorrência em dia de jogo que não é comum no cotidiano é a presença de viatura policial na estação de metrô e trem, o que é algo que conforta os estudantes, como relatado pela Lorrayne:
“Eu saio com mais segurança, é mais seguro de sair pois está tumultuado. Como eu saio muito tarde, na maioria dos dias, entre 21h e 22h, então é bem deserto e escuro. Mas em dia de jogo esse é um ponto positivo.”. Mariana relatou o mesmo, se sentindo segura em ir para a estação de trem à noite, o que geralmente não sente nos dias comuns: “Fica muito escuro, às vezes dá para ir com um amigo, mas sozinha fica muito tarde, fica muito deserto”.
A Uerj pode fazer alguma coisa para melhorar essa situação?
Na visão de Lorrayne, o cancelamento de aulas deveria partir da própria Universidade, e não dos professores, já que muitos docentes só tomam uma medida após um posicionamento da instituição: “Obviamente os jogos são marcados com antecedência, a faculdade tem como ter acesso a esse tipo de coisa e eu acho que teria como rolar algum tipo de conversa pra gente não ficar com dúvida se vai ter ou não aula”. Mariana, por outro lado, acha que disponibilizar o conteúdo no Acesso aos Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA), plataforma digital utilizada pela UERJ, já é uma solução simples a ser tomada. “Eu acho que o professor que cancela a aula é bom, pois não exige aquela cobrança de presença de estar ali nessas condições claramente desfavoráveis, pois é muita confusão que acontece nesses jogos”, relatou a estudante de Letras “Poderia talvez passar o conteúdo por fora para não ficar tão atrás com a matéria.



