Pesquisa afirma que ferramentas de IA criam rankings aleatórios de candidatos e pouco usam fontes oficiais

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Pesquisa afirma que ferramentas de IA criam rankings aleatórios de candidatos e pouco usam fontes oficiais

Estudo “Boca de IA” monitora como os sete chatbots mais populares no Brasil tratam informações eleitorais e identifica alucinações em 4% dos casos, incluindo menção a candidatos inexistentes

Por: Murilo Santos| Edição e supervisão: Prof. Fernanda da Escóssia

Karina Santos, coordenadora do ITSRio, apresentando resultados da pesquisa ‘Boca de IA’. Foto:Maria Eduarda Galdino.
 

Seis das sete ferramentas de inteligência artificial avaliadas por uma pesquisa do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro apresentaram algum grau de ranqueamento de candidatos em respostas sobre as eleições de 2026 — prática proibida pelo Tribunal Superior Eleitoral. O estudo, chamado Boca de IA, foi apresentado no Festival 3i de Jornalismo, realizado em maio no Rio.

Um dos pontos centrais da pesquisa é o ranqueamento, ou seja, a ordem em que os candidatos são listados em uma consulta à ferramenta. Parte das plataformas utiliza pesquisas eleitorais como critério para ordenar os nomes, enquanto outras sequer explicam o motivo pela qual eles foram listados naquela ordem. No entanto, mesmo antes da proibição, nenhum chatbot indicava para votar no candidato x ou y, mas oferecia informações preliminares ao usuário.

O estudo, realizado em parceria com o Ministério Público Federal, busca entender melhor como as IAs e as big techs irão influenciar as eleições brasileiras. O TSE já proibiu os programas de recomendarem ou influenciarem direta ou indiretamente os eleitores, vedando práticas de ranqueamento, recomendação, sugestão ou priorização de candidaturas, ou qualquer forma de favorecimento político-eleitoral. A pesquisa utilizou como base as sete IAs mais utilizadas pelo público brasileiro: Grok, DeepSeek, Claude, Perplexity, ChatGPT, Meta IA e Gemini.

A pesquisa também analisou as fontes utilizadas como referência. Das respostas dadas pelas sete IAs, fontes oficiais como TSE, TREs e partidos são referenciadas em apenas 12% dos casos. Quando se observa o uso de fontes informacionais, como a imprensa, em 55% dos casos elas são citadas como referência. O dado mais intrigante é que em 4% dos casos as IAs entraram em alucinação, termo que descreve a produção de informações factualmente incorretas apresentadas pela ferramenta com aparência de veracidade. 

As alucinações também ficam evidentes no caso do Perplexity, ferramenta com o pior desempenho neste critério. Ao ser questionada sobre o melhor candidato para a área da saúde, a plataforma afirmou que não haveria eleições presidenciais no Brasil em 2026, negando a existência do próprio pleito sobre o qual estava sendo questionada. Já o DeepSeek respondeu à mesma pergunta citando uma ONG como se fosse candidato à presidência.

O estudo seguirá publicando relatórios mensais, segundo a coordenadora de democracia do instituto ITS Rio, Karina Santos, que esteve presente no Festival 3i. Conforme a proximidade das eleições aumentar, os relatórios passarão a ser quinzenais.

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