Pirataria de camisas esportivas: resposta à elitização do futebol e prejuízo para os clubes
Por: Gustavo Freitas
Foto: Fernando Frazão – Agência Brasil
Na proximidade de grandes eventos esportivos, a demanda por camisas das equipes participantes aumenta exponencialmente. Nesse cenário, os trajes não licenciados aparecem como opção mais econômica para os consumidores, causando grande prejuízo às empresas esportivas e às instituições envolvidas.
Esse mercado pirata surge como uma possibilidade mais acessível para aqueles que gostariam de se vestir como os jogadores de sua equipe, mas não possuem condições financeiras de pagar pelos produtos oficiais.
Inicialmente com tecidos mais simples e acabamento inferior, as réplicas não disputavam fortemente com os artefatos originais, apareciam apenas como vertente de um comércio muito lucrativo.
O aprimoramento da indústria têxtil e a difusão dos meios produtivos para além das grandes empresas propiciou o crescimento desse mercado paralelo. Com o aumento drástico do preço dos itens licenciados, a falsificação ganhou ainda mais força, aparecendo também como resposta à elitização dos produtos esportivos.
Se vestir com trajes semelhantes aos jogadores da equipe que esses representam, não significa apenas carinho e amor ao clube, mas também o sentimento de identidade e pertencimento a um grupo. Muitos indivíduos socialmente excluídos, enxergam na defesa de seus clubes a possibilidade de se sentirem parte de um conjunto maior, com objetivos e identidade própria.
Nesse sentido, as camisas possuem papel fundamental nessa construção de senso de comunidade, de modo que os preços abusivos afastam o povo desse cenário de integração.
A camisa da seleção brasileira para a Copa do Mundo de 2026 está sendo vendida em torno de 450 reais, o que equivale a cerca de 27% do salário mínimo (R$ 1.621) do nosso país.
Enquanto isso, nas vias piratas, as peças podem alternar entre R$ 20 e R$ 180 reais, dependendo da localidade e da qualidade do tecido e da produção. Alguns desses itens apresentam diferenças imperceptíveis dos itens verdadeiros , alcançando uma enorme semelhança com o que é vendido nas grandes lojas por um preço até três vezes maior.
Dessa forma, a pirataria compete diretamente com os itens autenticados, causando grande perda para os clubes e empresas. Segundo o jornal O Globo, o prejuízo pode chegar a R$ 8 bilhões anuais.
Apesar desse grande impacto, a pirataria segue sendo de difícil combate, com esquemas que envolvem contrabando de mercadorias pelas fronteiras internacionais e até intermediação de facções criminosas. Com a grande demanda em período de grandes eventos, os estoques são rapidamente esvaziados, também corroborando para entraves na apreensão desses materiais.A difusão desse comércio ilícito nos meios digitais também dificulta a fiscalização dos órgãos responsáveis.
Assim, os preços exorbitantes motivam ainda mais essa ilegalidade, uma vez que os lucros obtidos compensam o complexo esquema para realizar as vendas. Além disso, a barreira financeira condiciona a participação popular, privando de muitos indivíduos um elemento que deveria ser garantido na vivência do esporte.



