Projeto da Uerj se especializa em serviços assistidos por cães para jovens com autismo
A equipe desenvolveu a iniciativa “Ler é bom para cachorro”
Por: Hyndra Lopes
O Grupo de Estudos e Pesquisas em Autismo e Serviços Assistidos por Cães (GEPAC), da Faculdade de Formação de Professores da Uerj (FFP), desenvolve programas de apoio e educação assistidos para crianças e adolescentes com autismo. Além de oferecer curso de qualificação para servidores públicos.
Atividade em escola com cão de assistência junto ao corpo docente.
Foto disponibilizada por Vanessa Breia – coordenadora do GEPAC Uerj.
O GEPAC também promove um curso anual de formação e qualificação de profissionais habilitados a atuar em serviços assistidos, oferecido a servidores públicos da saúde, educação, assistência social e segurança pública. O programa, ao longo dos seus três anos de existência, já abrangeu os municípios de Arraial do Cabo, Barra Mansa, Itaboraí, Macaé, Niterói, Nova Friburgo, Rio de Janeiro, São Gonçalo e Maricá.
A relação entre intervenções assistidas e os cães que prestam serviços de apoio aos humanos gera certa confusão no público. Vanessa explica que serviços assistidos por cães consistem em ter um cachorro devidamente treinado como membro integrante de equipes de educação e saúde, por exemplo, ajudando em ações voltadas a um grupo ou a indivíduos. Já os cães de assistência são selecionados e treinados para acompanharem uma única pessoa com deficiência e auxiliá-la em atividades da vida diária, garantindo determinados suportes a partir da realização de tarefas específicas. Em ambos os casos, os cães devem ter o perfil e o treinamento baseados no público alvo que ele irá atender, desenvolvendo um repertório comportamental adequado ao ambiente e às necessidades das pessoas que serão atendidas.
No GEPAC, que presta assistência a pessoas com TEA, trabalha-se com cachorros de médio a grande porte, resistentes a interações mais bruscas que podem acontecer devido às questões motoras e comportamentais de pessoas no espectro. Além disso, em seu treinamento, passam pelo processo de dessensibilização desses estímulos, para não se incomodarem caso a sua pele seja puxada ou se toque em qualquer parte do seu corpo, garantindo maior segurança aos atendidos.
As vantagens que serviços assistidos por cães podem trazer para o tratamento de pessoas com TEA são cientificamente comprovadas. Vanessa concorda que existem benefícios, principalmente nas questões de interação, mas que variam para cada pessoa de acordo com o objetivo terapêutico e a adaptação ao cão, ressaltando que o uso dessas intervenções deve ser um complemento às outras terapias indicadas e que, em alguns casos, pode haver contraindicações.
A professora aponta que a comunicação é uma das melhoras mais imediatas decorrentes desses serviços assistidos para crianças e jovens com autismo. Ela diz que os cães são capazes de captar micro sinais sutis mais rápido e de maneira menos invasiva. O seu comportamento também é mais previsível que o de um ser humano, principalmente um neurotípico, que pode apresentar ironia ou sarcasmo nas interações, por exemplo. Dessa forma, pessoas com essa neurodivergência, que tendem a ter dificuldades de socialização, se sentem encorajadas a interagir com o cachorro, por ele não impor a pressão de uma interação social humana e compreender pequenos estímulos mais facilmente. “Se a pessoa que tem dificuldade de comunicação está se sentindo confortável, é muito mais fácil para ela investir em um ciclo de comunicação nessas condições do que quando ela está sendo pressionada”.
Atendimento em Terapia Assistida. Foto disponibilizada por Vanessa Breia – coordenadora do GEPAC Uerj.
O GEPAC também promove um curso anual de formação e qualificação de profissionais habilitados a atuar em serviços assistidos, oferecido a servidores públicos da saúde, educação, assistência social e segurança pública. O programa, ao longo dos seus três anos de existência, já abrangeu os municípios de Arraial do Cabo, Barra Mansa, Itaboraí, Macaé, Niterói, Nova Friburgo, Rio de Janeiro e São Gonçalo.
A relação entre intervenções assistidas e animais que prestam esses serviços gera certa confusão no público acerca das suas distinções. Vanessa explica que serviços assistidos por cães consistem em ter um cachorro devidamente treinado como membro integrante de equipes de educação e saúde, por exemplo, ajudando em ações voltadas a um grupo. Já os cães de assistência são selecionados e treinados para acompanharem uma única pessoa, que irá adquirir esse animal por meio da compra ou doação, exercendo um serviço individualizado e totalmente adaptado ao seu dono. Em ambos os casos, o cão de assistência escolhido deve ter o perfil e o treinamento baseados no público alvo que ele irá atender, desenvolvendo um repertório comportamental adequado ao ambiente e às necessidades das pessoas que serão atendidas.
No GEPAC, que presta assistência a pessoas com TEA, trabalha-se com cachorros de médio a grande porte, resistentes a interações mais bruscas que podem acontecer devido às questões motoras e comportamentais de jovens com autismo. Além disso, em seu treinamento, passam pelo processo de dessensibilização desses estímulos, para não se incomodarem caso a sua pele seja puxada ou se toque em qualquer parte do seu corpo.
As vantagens que serviços assistidos por cães podem trazer para o tratamento de pessoas com TEA são cientificamente comprovadas. Vanessa concorda que existem benefícios, principalmente nas questões de interação, mas que variam para cada pessoa de acordo com o objetivo terapêutico e a adaptação ao cão, ressaltando que o uso dessas intervenções deve ser um complemento às outras terapias indicadas e que, em alguns casos, pode haver contraindicações.
A professora aponta que a comunicação é uma das melhoras mais imediatas decorrentes desses serviços assistidos para jovens com autismo. Ela diz que os cães são capazes de captar micro sinais sutis mais rápido e de maneira menos invasiva. O seu comportamento também é mais previsível que o de um ser humano, principalmente um neurotípico, que pode apresentar ironia ou sarcasmo nas interações, por exemplo. Dessa forma, pessoas com essa neurodivergência, que tendem a ter dificuldades de socialização, se sentem encorajadas a interagir com o cachorro, por ele não impor a pressão de uma interação social humana e compreender pequenos estímulos mais facilmente. “Se a pessoa que tem dificuldade de comunicação está se sentindo confortável, é muito mais fácil para ela investir em um ciclo de comunicação nessas condições do que quando ela está sendo pressionada”.
Criança interagindo com cão de assistência no evento Pupanique – piquenique para famílias atípicas em celebração ao mês de abril. Foto disponibilizada por Vanessa Breia – coordenadora do GEPAC Uerj.
Os serviços assistidos por cães podem contribuir também no desenvolvimento motor, prejudicado em um número significativo de pessoas com autismo devido a hipotonia – baixo tônus muscular. A promoção de circuitos juntamente com o cão é uma maneira de motivar o jovem a desenvolver a parte física. Além disso, essas intervenções podem ajudar em questões táteis e sensoriais, comuns entre jovens com autismo, que apresentam restrições alimentares por conta da textura, do cheiro e da cor de determinados alimentos. “Muitas vezes o cachorro vai ser o modelo que topa provar e comer aquelas coisas. A criança pode não começar comendo a cenoura ou o morango, mas, se ela já aceitar tocar para dar ao cachorro, eu já ganhei um ponto nesse processo”, afirma Vanessa.
Apesar de todos os fatores positivos que a divulgação desse trabalho trazem para a causa, a professora aponta que a mídia se aproveita do apelo que as pessoas com autismo e os próprios animais geram no público para propagar uma visão romantizada desses serviços. “A gente entende que, infelizmente, os serviços assistidos se tornaram muito divulgados, mas sem uma fundamentação técnica e teórica e sem uma dimensão ética”, declara Vanessa. O trabalho dos treinadores e especialistas e as questões acerca do bem-estar animal, controle sanitário e riscos de acidente são deixados de lado para focar no carinho, não julgamento e conforto que esses animais trazem aos humanos. Além de propagação da ideia dos serviços assistidos por cães como solução para todas as questões relacionadas ao transtorno. Ela defende que é necessário fazer uma divulgação consciente, para que a população não caia em mitos milagrosos acerca dos cães de assistência e entenda que esses serviços devem seguir parâmetros técnicos internacionais.
A inexistência de regulamentação legal para os diferentes tipos de cães de assistência no Brasil, inclusive os destinados a pessoas com autismo, é outro problema enfrentado pelos serviços assistidos. A garantia dos direitos destes animais está restrita aos cães guia pela Lei nº 11.126/2005, que acaba sendo aplicada aos outros cães de assistência e, com a comprovação de que eles foram treinados adequadamente, o judiciário reconhece o seu direito de atuar. Vanessa aponta que isto representa um atraso na legislação brasileira e defende os avanços dos projetos de lei que preveem a expansão dos direitos para os outros cães de assistência.



