Projetos de extensão encurtam distância entre ensino médio e universidade pública

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Projetos de extensão encurtam distância entre ensino médio e universidade pública

Rede de iniciativas da Uerj Campus Zona Oeste organiza visitas a colégios da região para mostrar que ensino superior é para todos 

por: Murilo Santos

Universitários apresentam projeto de biologia a estudante do ensino médio. Foto: Fernanda Marinho/Biodialogando

 

A Uerj Campus Zona Oeste fica a alguns minutos de caminhada do Colégio Estadual Albert Sabin, mas para muitos secundaristas a possibilidade de estar em contato com a universidade pública ainda é distante como outro país pela surrealidade de se entrar na universidade. A Rede Solidária de Projetos de Extensão, idealizada em 2022, leva a universidade às entidades que desejam essa proximidade com a academia, em especial às escolas públicas que querem mostrar que o ensino superior é para todos.

 

A iniciativa nasceu de três professoras do curso de Farmácia da Uerj: Carmelinda Afonso, Sabrina Dias e Bárbara Lorca. O ponto de partida foi a escola da filha de uma delas. Os alunos receberam bem e a partir daí a rede foi se expandindo para outras escolas, processo facilitado pelo fato de a professora Sabrina ser natural de Campo Grande e conhecer muitos professores e coordenadores da região, tanto de escolas públicas quanto particulares.

 

Com o tempo, a rede foi além do curso de Farmácia e passou a reunir projetos de todos os cursos da Faculdade de Ciências Biológicas e Saúde do campus da Zona Oeste. Um deles é o Biodialogando, do curso de Biologia, com ênfase em biotecnologia, idealizado pela professora Eidy Santos junto a alunos que sentiam a falta de projetos na área. Hoje a rede conta com 10 projetos de extensão filiados à rede.

 

O projeto Biodialogando, por exemplo, se utiliza de atividades visuais e experimentos ao vivo para captar a atenção dos visitantes;  já o Recado Farmacêutico da professora Barbara usa jogos e atividades lúdicas para ensinar sobre medicamentos. Todos captaram a atenção dos alunos, mas de longe o que mais recebeu olhares foi o Uerj ecológico, que levou répteis conservados para os jovens tocarem e verem ao vivo. A professora Vanderlane Menezes, que coordena o projeto, busca demonstrar que a sociedade e a natureza estão interligadas. 

 

A visita ao Colégio Estadual Albert Sabin ocorreu com a temática da semana do meio ambiente. O tema da visita varia de acordo com a necessidade de cada escola e, a partir dessa escolha, os universitários preparam suas apresentações para seguir os assuntos propostos 

 

A receptividade entre os jovens visitados tem sido boa. Enzo, 18 anos, aluno do Colégio Estadual Albert Sabin, resume o efeito da visita: “É bom para incentivar quem quer alguma coisa. Tem muita gente que não quer nada, mas quem quer, isso aqui faz diferença.” A professora Carmelinda Afonso, uma das fundadoras e coordenadora da rede, ressalta que um dos principais eixos é mostrar, pelo próprio perfil dos universitários que tocam os projetos, que ingressar numa universidade pública é possível. “Para essas crianças, estar na Uerj parece impossível. A gente mostra que não é, porque nossos alunos também são pobres. A rede tem essa missão: descortinar o mundo para eles e quebrar o elitismo que existe dentro da universidade.”

 

Os ganhos para quem participa como extensionista vão além do currículo. “A gente aprende a falar com o público, isso é muito importante pra faculdade, pra seminário, pra qualquer apresentação”, diz Frederico Maia, aluno de Biologia do oitavo período e integrante do Biodialogando. A rede de contatos e as horas complementares vêm junto, mas o que ele destaca é a desenvoltura que só se aprende na prática. Luana Araújo, bolsista do projeto Recado Farmacêutico, aponta outro ganho: a capacidade de improvisar conforme as necessidades de cada lugar, habilidade que, segundo ela, já a beneficia profissionalmente.

 

A Uerj da Zona Oeste ainda não tem sede própria. Hoje, a antiga Uezo funciona nos fundos de um colégio estadual que a abriga há mais de 20 anos em caráter temporário. Uma das principais reivindicações de servidores e estudantes em greve é a construção do campus no centro de Campo Grande. Os professores ressaltam a urgência da obra e o impacto que ela teria na ampliação dos laboratórios, no reconhecimento institucional da universidade e na capacidade de atrair novos alunos.

A Rede Solidária pode ser contactada através do Instagram @rspe.uer

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