Quatro anos de espera: início de novo ciclo para seleção pentacampeã

Quatro anos de espera: início de novo ciclo para seleção pentacampeã

Entre renovação e esperança, expectativas do caminho da seleção brasileira rumo à Copa do Mundo de 2030

Por: Ana Beatriz Carvalhido.

A Copa do Mundo de 2026 foi marcada pela eliminação precoce do Brasil nas oitavas de final contra a Noruega de Haaland, no dia 5 de julho. Essa campanha é considerada uma das piores da história da seleção brasileira em Copas, repetindo a despedida nas oitavas de final que não acontecia desde 1990, quando a equipe comandada por Sebastião Lazaroni perdeu para a Argentina de Maradona. Essa situação deixa o próximo ciclo da amarelinha em um cenário de incertezas e levanta a questão sobre como serão os quatro anos até 2030. 

Segundo Irlan Simões, do Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte (Leme), a expectativa é de que ocorra uma renovação, necessária para evitar a repetição da campanha deste ano. Ele destacou a importância de não haver tantas trocas de treinador e de manter Carlo Ancelotti no comando durante todo o ciclo. Esse cenário contrasta com o último período da seleção, que contou com quatro técnicos: Ramon Menezes, Fernando Diniz, Dorival Júnior e o próprio Ancelotti. 

Foto:  ABr/Paulo Pinto 

Ancelotti em entrevista após eliminação

Outro destaque está na formação dos atletas. Nos próximos quatro anos, pode surgir um novo craque. Além disso, jogadores expressivos nos quais se deposita muita esperança como Estevão e Rodrygo terão a oportunidade de disputar a próxima Copa do Mundo com mais experiência, podendo transmitir essa vivência aos companheiros de equipe. Contudo, o trabalho nas categorias de base ainda causa preocupação. 

“A formação de atletas mais de rua, com um futebol baseado na habilidade, tem sido prejudicada pela forma mecânica e industrializada das categorias de base atuais”, afirmou Irlan Simões ao comentar a formação de jogadores no Brasil. Ele também destacou que a negociação precoce de muitos atletas para clubes estrangeiro enfraquece a conexão com a seleção brasileira. 

Foto: ABr/Paulo Pinto  

Torcida do Brasil dividida entre silêncio e incentivo

“Talvez esses talentos em formação precisam se desvincular desse projeto de empresa”, comentou Irlan Simões, ao refletir sobre a atual estrutura do futebol brasileiro. Ele destacou que o estilo de jogo é um processo antigo, mas que ainda funciona de forma independente entre o futebol nacional e a Seleção. Entretanto, apesar da possível vontade de transformar o futebol brasileiro, a realidade econômica pesa: quando um jogador é vendido para um clube estrangeiro o benefício financeiro tende a falar mais alto, levando o atleta a priorizar o ganho pessoal em vez da evolução no futebol nacional.

Quatro anos de espera: início de novo ciclo para seleção pentacampeã

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