Quatro anos depois, quem se reinventou e quem deu lugar a uma nova geração?

Quatro anos depois, quem se reinventou e quem deu lugar a uma nova geração?

Por: Lívia Martinho

A eliminação para a Croácia nas quartas de final da Copa do Mundo de 2022 parecia marcar o fim de uma geração da seleção brasileira. Quatro anos depois, porém, a ruptura esperada não aconteceu. Dos 26 jogadores convocados para o Mundial do Catar, 15 voltaram a disputar a Copa do Mundo de 2026, o equivalente a 58% do elenco. Outros 11 ficaram pelo caminho durante o ciclo, seja por perda de espaço, encerramento da trajetória na seleção ou lesões.

Crédito: Wallace Chuck/Pexels

A eliminação não teve o mesmo significado para todos os jogadores. Para uns, ela representou o início da consolidação como protagonista da seleção brasileira e do futebol mundial. Para outros, significou o começo da perda de espaço em um elenco que passou por uma renovação gradual.

Entre os jogadores que conseguiram se reinventar após a Copa de 2022, Vinícius Júnior é o principal exemplo. No Catar, o atacante ainda dividia o protagonismo ofensivo da equipe mas quatro anos depois, chegou à Copa de 2026 como uma das principais referências técnicas da seleção brasileira. Durante o ciclo, atingiu o auge individual ao ser eleito o melhor jogador do ano no prêmio The Best FIFA 2024, após uma temporada de destaque pelo Real Madrid.

Bruno Guimarães também viveu uma transformação importante após a Copa do Catar. O meio-campista se consolidou como uma das principais referências do Newcastle, onde ganhou protagonismo no futebol inglês. Com liderança dentro de campo e maior responsabilidade no elenco, tornou-se capitão da equipe e chegou à Copa de 2026 consolidado como um dos principais jogadores do Newcastle e muito identificado com a torcida do clube.

Outros jogadores mantiveram espaço e ampliaram seus protagonismos nos clubes. Raphinha transformou a regularidade apresentada no Catar em protagonismo no Barcelona. Durante o ciclo entre as duas Copas, tornou-se um dos principais jogadores da equipe espanhola e chegou ao Mundial de 2026 em alta. Gabriel Martinelli também seguiu como uma peça importante do Arsenal, mantendo presença entre os principais jogadores ofensivos do clube inglês e conquistando a Premier League na temporada 25/26.

Na defesa, Marquinhos permaneceu como uma das referências da seleção brasileira. No Paris Saint-Germain, consolidou sua liderança como capitão e participou da atual fase vitoriosa do clube francês conquistando  a Liga dos Campeões de 2024/25 e 2025/26. O zagueiro, que chegou ao Catar como um dos líderes da equipe, manteve esse papel quatro anos depois.

Entre os jogadores convocados em 2022, os goleiros foram os casos de maior continuidade. Alisson, Ederson e Weverton foram chamados novamente para a Copa de 2026, mantendo o mesmo trio de confiança da nova comissão técnica. Enquanto outras posições passaram por mudanças, o gol permaneceu entre os dois Mundiais.

Neymar, por outro lado, viveu uma trajetória diferente. Depois da eliminação no Catar, o atacante enfrentou um período marcado por lesões que limitaram sua sequência. Ainda assim, permaneceu como uma das principais referências da geração e voltou a disputar uma Copa do Mundo, embora em uma condição diferente daquela de 2022, quando era o principal nome técnico da equipe.

Nem todos conseguiram manter o mesmo espaço. Richarlison representa uma das maiores mudanças em relação ao grupo do Catar. Titular na estreia contra a Sérvia e autor de dois gols naquela partida, o atacante perdeu espaço durante o ciclo seguinte e não voltou ao Mundial. A chegada de novos nomes para o ataque aumentou  a disputa pela posição.

Gabriel Jesus também viveu um caminho diferente daquele que o levou à Copa de 2022. Após perder parte do Mundial por lesão, enfrentou maior concorrência no setor ofensivo e não conseguiu recuperar o prestígio que tinha anteriormente na seleção brasileira.

No meio-campo, Fred e Everton Ribeiro ficaram pelo caminho. Fred, presente no Mundial do Catar, deixou de fazer parte das escolhas da comissão técnica durante o ciclo entre as duas Copas. Everton Ribeiro encerrou seu ciclo após anos como uma alternativa experiente para a posição. Alex Telles, cortado por lesão daquele mundial, também não retornou ao grupo, em uma lateral esquerda que passou por mudanças com a chegada de Douglas Santos.

Alguns jogadores não deixaram a seleção por perda de rendimento, mas pelo encerramento natural de uma trajetória. Thiago Silva, um dos principais líderes da equipe nos últimos anos, não participou da Copa de 2026. Após uma longa história com a camisa brasileira, o zagueiro encerrou seu ciclo após disputar quatro mundiais.

Outros tiveram suas trajetórias interrompidas por fatores físicos. Rodrygo e Éder Militão, nomes importantes do elenco de 2022, estavam entre os jogadores que poderiam permanecer como protagonistas no ciclo seguinte, mas sofreram com lesões que impediram a participação na Copa de 2026.

Enquanto alguns jogadores de 2022 encerravam seus ciclos ou perdiam espaço, uma nova geração passou a ocupar a seleção brasileira. Endrick, que ainda não fazia parte do elenco no Catar e era tratado como uma das grandes promessas do futebol nacional, chegou ao Mundial seguinte como uma nova opção ofensiva.

Matheus Cunha também apareceu como uma alternativa para o ataque brasileiro, enquanto Gabriel Magalhães representou uma renovação defensiva ao lado de jogadores que permaneceram, como Marquinhos e Bremer. Ao todo, 11 jogadores disputaram a Copa do Mundo pela primeira vez em 2026, consolidando uma renovação que aconteceu de forma gradual, sem romper completamente com a base do ciclo anterior.

Quatro anos depois daquela bola na trave de Marquinhos, a geração da Copa do Mundo de 2022 já não pode ser analisada apenas pela eliminação para a Croácia. Alguns jogadores chegaram ao auge da carreira, outros perderam espaço e alguns encerraram sua trajetória com a camisa brasileira. Mais do que representar o fim de uma geração, a Copa do Catar marcou o início de caminhos distintos para um grupo que continuou influenciando os rumos da seleção brasileira.

Quatro anos depois, quem se reinventou e quem deu lugar a uma nova geração?

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