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Seis clubes da primeira divisão do Campeonato Brasileiro são SAFs
Por: Murilo Soares
Reprodução: Site/Pexels

A Sociedade Anônima do Futebol é um modelo de gestão administrativa em que os clubes migram da associação civil para um formato empresarial, transformando-se em clubes-empresas. Após a sanção da Lei da SAF em 6 de agosto de 2021, cerca de 100 times do futebol brasileiro migraram do modelo associativo de gestão, para se tornarem SAFs. Com a mudança no corpo administrativo, os objetivos são equilibrar as finanças de forma a se livrar de dívidas, garantir a sustentabilidade financeira, e construir elencos mais competitivos.
Entre as equipes da série A do Brasileirão 2025, seis apresentam o modelo de clube-empresa: Atlético Mineiro, Bahia, Botafogo, Cruzeiro, Fortaleza e Vasco. Diante de projetos bem-sucedidos, e outros ainda em desenvolvimento, qual o desempenho dessas equipes após a migração do modelo associativo para os de SAFs?
Botafoguenses e vascaínos partilham visões extremamente distintas sobre as gestões de suas equipes; por um lado, após a aquisição do clube pelo americano John Textor em 2022, os torcedores do Glorioso puderam acompanhar três anos depois, a melhor temporada da história do clube, com a conquista de dois títulos; enquanto os vascaínos, veem o clube passar por uma enorme crise financeira, com uma dívida estimada em R$928 milhões e falta de competitividade com as principais equipes do país. A SAF do clube, que era controlada pela 777 Partners de setembro de 2022 até maio de 2024, foi retomada na Justiça por uma liminar concedida ao associativo. Com isso, o ex jogador Pedrinho, presidente do associativo, também assumiu a presidência da SAF. As duas equipes se enfrentaram pelas quartas de final da Copa do Brasil, e após dois empates por 1×1, o Cruzmaltino eliminou o Alvinegro nos pênaltis e avançou para as semifinais.
Reprodução: Site/Pexels

Após se tornar SAF, o Glorioso venceu uma Libertadores e um Brasileiro
Em Minas Gerais, o Cruzeiro, primeiro brasileiro a se tornar SAF, retornou à Série A em 2023, teve a administração passada das mãos de Ronaldo Fenômeno para o empresário Pedro Lourenço, contratou 90 jogadores após os aportes financeiros, e se encontra na disputa pelo título do Brasileirão, ocupando a 2º posição, e da Copa do Brasil, ao eliminar o seu maior rival com um 4×0 no agregado. O Atlético Mineiro por sua vez, ocupa apenas a 14º colocação, é o segundo clube mais endividado do Brasil, devendo R$1,4 bilhão, além de apresentar diversos jogadores notificando o clube na Justiça por pendências financeiras.
No Nordeste, o Bahia, recentemente campeão da Copa do Nordeste, foi integrado ao Grupo City (que controla o Manchester City e Girona) em 2023, voltou à Libertadores após 36 anos, e é o 4º colocado no Brasileiro. Já o Fortaleza, que se tornou SAF em setembro de 2023, chegou a uma final de Copa Sul-Americana no mesmo ano, se classificou para a Libertadores 2 vezes no período pós-sociedade anônima (2023 e 2025), e alcançou sua melhor campanha no Brasileirão, ao terminar a edição passada em 4º lugar com 68 pontos.
Reprodução: Site/Pexels

O Bahia se sagrou pentacampeão da Copa do Nordeste ao bater o Confiança por 9×1 no agregado
Vale ressaltar que o Red Bull Bragantino, embora estruturado como clube-empresa, não é considerado uma SAF, visto que adotou o modelo de sociedade limitada (LTDA) em 2019, dois anos antes da aprovação da Lei da SAF.
Por fim, é perceptível que os recentes investimentos nos clubes vêm revolucionando profundamente o futebol brasileiro, visto que cada vez mais os clubes gastam milhões em reforços, apresentando somados mais de R$1 bilhão em gastos, profissionalizam suas gestões e alcançam resultados que o modelo associativo não era capaz de trazer. Mesmo com projetos bem-sucedidos, como o do Botafogo, ainda é preciso esperar mais alguns anos para analisar o verdadeiro impacto das SAFs no futebol brasileiro.
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