Violência nos estádios afasta mulheres e famílias do futebol

Violência nos estádios afasta mulheres e famílias do futebol

Fatores como assédio e violência transformam paixão nacional em espaço de medo

Por: Amanda Souza

Reprodução: Site – Pexels

Estádio Jornalista Mário Filho (Maracanã)

Um levantamento divulgado pelo portal Dibradoras mostrou que o Mineirão registrou 11 casos de importunação sexual entre novembro de 2021 e junho de 2022, período em que o público voltou a ocupar as arquibancadas após a pandemia. Em 2021, uma torcedora do Atlético-MG foi agarrada e beijada à força dentro do estádio. O caso repercutiu nas redes sociais e levou um grupo de atleticanas a protestar contra novos episódios de assédio.

Com isso, mulheres e famílias deixam de frequentar os estádios. O governo federal, por meio do Ministério do Esporte, lançou em 2024 a campanha “Cadeiras Vazias”, como forma de protestar contra os atos de violência. Em uma partida entre Bahia e São Paulo, na Arena Fonte Nova, o público presente assistiu a depoimentos de pessoas que perderam familiares em decorrência dessa violência. 

Já em Santa Catarina, a campanha “Nossa Torcida é pela Paz” foi lançada em parceria entre o Ministério Público e a Federação Catarinense de Futebol. A iniciativa, apoiada por clubes como Avaí e Figueirense, tem como objetivo combater a violência nos estádios e promover um ambiente seguro para os torcedores. O lançamento ocorreu durante o clássico entre Figueirense e Avaí, quando os jogadores entraram em campo exibindo faixas da campanha.

Em conversa com a AJ, Maria Clara Jardim, estudante da Uerj e torcedora do Flamengo, afirmou não se sentir segura para ir aos jogos sozinha e relatou que precisa ter o dobro de cuidado em comparação com outros eventos. Ela também explicou que sua família não se sente confortável com sua ida aos estádios, diante da violência constante nesses locais e do risco que isso pode apresentar para sua segurança. 

A violência não se restringe apenas ao estádio, atingindo também o trajeto. Perguntada se já havia vivenciado alguma situação que colocasse sua segurança em risco, Maria Clara relatou que sim. Ela contou que, ao voltar para casa após um jogo entre Flamengo e Fluminense, presenciou uma briga entre torcedores. Segundo a estudante, estava no trem com uma amiga quando perceberam uma confusão do lado de fora e ficaram com medo de que a briga tomasse proporções maiores e chegasse até elas. “Esse tipo de situação faz com que a gente repense se realmente vale a pena ir aos estádios para assistir aos jogos”, afirmou.

Violência nos estádios afasta mulheres e famílias do futebol

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