Antes do início da Copa do Mundo Feminina, algumas seleções já despontam como favoritas ao título

Antes do início da Copa do Mundo Feminina, algumas seleções já despontam como favoritas ao título

Décima edição do torneio ocorrerá em 2027 e pela primeira vez será sediado no Brasil 

Por: Murilo Soares

Reprodução: Fifa / CBF

Das 32 vagas para a Copa do Mundo Feminina de 2027, 16 países já se classificaram para o torneio. Brasil, Japão, Alemanha, França e Espanha estão entre as equipes que chegam ao Mundial do ano que vem como favoritas para conquistar o título. Enquanto as brasileiras terão o fator casa e buscam a primeira taça de sua história, outras seleções chegam ao torneio respaldadas por títulos recentes, tradição na modalidade e elencos repletos de jogadoras de destaque no futebol internacional. Hoje, a AJ traz para você uma análise de cada uma dessas seleções.

Classificada automaticamente por ser país-sede, a seleção brasileira comandada por Arthur Elias vem forte na busca pela sua primeira estrela. Eliminadas na fase de grupos na edição de 2023, as Canarinhas passaram por um interessante ciclo de renovação que culminou com a conquista da medalha de prata nas Olimpíadas de Paris em 2024 e com o título da Copa América de 2025. Lideradas pela experiente Marta, a seleção verde e amarela tem ótimas peças em seu elenco, como a zagueira Tarciane, das Lyonnes, as atacantes Kerolin, recém-contratada pelo Barcelona, e Gabi Portilho, do San Diego Wave FC. 

Reprodução: Lívia Villas Boas / CBF

Jogadoras comemoram o título da Copa América de 2025

Participante de todas as edições da Copa do Mundo Feminina e campeã da edição de 2011, a seleção do Japão chega como uma potência asiática que busca seu segundo título na competição. As Nadeshiko foram dominantes nas eliminatórias, venceram a Austrália na final da Copa Asiática disputada neste ano e contam com jogadoras que atuam no futebol europeu, como Hamano, do Chelsea, Hasegawa, do Manchester City, e Tanikawa, do Bayern de Munique. 

A Alemanha, que foi campeã na edição de 2003, também participou de todas as edições do torneio. Após a decepção na Copa de 2023, encerrada com uma eliminação ainda na fase de grupos pela primeira vez em sua história, as alemãs buscam recuperar seu prestígio e voltar ao topo do futebol mundial. 

A França também surge como uma das seleções com maior força e qualidade técnica entre as classificadas. Comandadas por Laurent Bonadéi, as francesas têm em seu elenco jogadoras das Lyonnes, atual vice-campeãs da Champions Feminina, como a defensora Selma Bacha e as atacantes Vicki Bècho e Marie-Antoinette Katoto.

Atual campeã, a Espanha tem uma base muito forte e chegará ao Brasil em busca do bicampeonato. Com várias jogadoras do Barcelona, atual campeão da Champions Feminina, em seu elenco, como Cata Coll, a atual Bola de Ouro, Aitana Bonmatí e Clàudia Pina, as espanholas querem continuar no topo do futebol feminino mundial. 

Reprodução: Instagram (@fifawomensworldcup)

Espanholas comemoram o título da Copa do Mundo disputada em 2023

Vale lembrar que algumas equipes com muita tradição na modalidade ainda não garantiram vaga no torneio, como por exemplo a seleção dos Estados Unidos, que se confirmar sua vaga, também chegará como favorita ao torneio. 

A décima edição da Copa do Mundo Feminina ocorrerá entre os dias 24 de junho e 25 de julho de 2027. Os jogos do torneio serão nas cidades de Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. 

Diante de tantas equipes e jogadoras qualificadas, os gramados brasileiros certamente serão palco de partidas emocionantes e de muita qualidade. 

Rayssa Leal e popularização do skate no Brasil

Rayssa Leal e popularização do skate no Brasil

Por: Lívia Martinho

A vitória de Rayssa Leal na etapa carioca da Street League Skateboarding (SLS), realizada no último domingo (9), no Maracanãzinho, voltou a colocar o skate brasileiro no centro das atenções. Diante da torcida, a skatista superou a japonesa Momiji Nishiya, campeã olímpica, e garantiu o título da terceira etapa da temporada. A competição também teve outros brasileiros em destaque como Giovanni Vianna, que terminou em segundo lugar, e Wallace Gabriel em terceiro na disputa masculina.

O resultado poderia ser apenas mais uma vitória importante para uma atleta que já acumula uma trajetória de destaque. Entretanto, a presença de Rayssa no Rio também levanta uma questão sobre a maneira como o público brasileiro se relaciona com o skate: afinal, o brasileiro gosta de skate ou gosta da Rayssa Leal?

Aos 18 anos, Rayssa é conhecida mesmo por pessoas que não acompanham regularmente o skate. A trajetória construída desde a infância, a medalha de prata conquistada nos Jogos Olímpicos de Tóquio, aos 13 anos, e o bronze em Paris ajudaram a transformar a skatista em uma personagem esportiva que ultrapassou os limites da própria modalidade. Em Tóquio, Rayssa se tornou a mais jovem medalhista olímpica da história do Brasil, enquanto em Paris voltou ao pódio no street feminino.

Reprodução: Instagram @sls

Rayssa Leal posa com o troféu após conquistar a etapa carioca da SLS

Essa popularidade tem um efeito evidente e positivo para o skate, já que uma grande estrela funciona como uma porta de entrada. Quem talvez não tivesse interesse em acompanhar uma competição pode parar para assistir porque Rayssa está competindo. Crianças e adolescentes podem conhecer a modalidade por meio dela, enquanto marcas e veículos de comunicação encontram um rosto para apresentar um esporte que, durante muito tempo, esteve distante do noticiário esportivo brasileiro.

Mas conhecer Rayssa não significa necessariamente conhecer o skate. É possível saber quem é a “Fadinha”, acompanhar suas medalhas e comemorar suas vitórias sem conhecer os outros atletas brasileiros, as principais competições ou mesmo as diferentes modalidades do skate. A popularidade de uma atleta e a popularidade de um esporte podem caminhar juntas, mas não são necessariamente a mesma coisa.

O próprio skate brasileiro mostra que não existe apenas uma estrela. Antes mesmo da ascensão de Rayssa, Letícia Bufoni já havia construído uma carreira internacional de destaque e se tornado uma das principais referências brasileiras do street. Pâmela Rosa também esteve entre os nomes de maior projeção da modalidade. No park, Pedro Barros conquistou a prata olímpica em Tóquio, enquanto Augusto Akio ganhou o bronze em Paris. No street masculino, Giovanni Vianna também já possui títulos internacionais e, no próprio SLS Rio Takeover, terminou em segundo lugar.

O país possui diferentes gerações de atletas, modalidades e trajetórias. A questão é outra: por que, entre tantos nomes, Rayssa conseguiu se tornar tão reconhecível para quem está fora do público tradicional do skate?

Rayssa ganhou projeção muito cedo, depois que um vídeo seu andando de skate fantasiada de fada viralizou quando ela tinha sete anos. Seis anos depois, apareceu nos Jogos de Tóquio e conquistou uma medalha olímpica aos 13. A narrativa de uma criança que se tornou medalhista e continuou vencendo competições internacionais é naturalmente atraente para o jornalismo e para o público. Ao longo dos anos, essa trajetória transformou a skatista, não apenas em uma competidora de alto nível, mas em uma personagem esportiva.

O desafio, portanto, não é tirar Rayssa do centro, mas aproveitar o espaço que ela conquistou para ampliar o espaço para o esporte. Se uma pessoa chega ao skate por causa de Rayssa e depois passa a conhecer Letícia Bufoni, Augusto Akio, Giovanni Vianna, Pâmela Rosa, Pedro Barros e tantos outros, a popularidade individual cumpriu uma função maior de apresentar uma modalidade inteira.

Quatro anos de espera: início de novo ciclo para seleção pentacampeã

Quatro anos de espera: início de novo ciclo para seleção pentacampeã

Entre renovação e esperança, expectativas do caminho da seleção brasileira rumo à Copa do Mundo de 2030

Por: Ana Beatriz Carvalhido.

A Copa do Mundo de 2026 foi marcada pela eliminação precoce do Brasil nas oitavas de final contra a Noruega de Haaland, no dia 5 de julho. Essa campanha é considerada uma das piores da história da seleção brasileira em Copas, repetindo a despedida nas oitavas de final que não acontecia desde 1990, quando a equipe comandada por Sebastião Lazaroni perdeu para a Argentina de Maradona. Essa situação deixa o próximo ciclo da amarelinha em um cenário de incertezas e levanta a questão sobre como serão os quatro anos até 2030. 

Segundo Irlan Simões, do Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte (Leme), a expectativa é de que ocorra uma renovação, necessária para evitar a repetição da campanha deste ano. Ele destacou a importância de não haver tantas trocas de treinador e de manter Carlo Ancelotti no comando durante todo o ciclo. Esse cenário contrasta com o último período da seleção, que contou com quatro técnicos: Ramon Menezes, Fernando Diniz, Dorival Júnior e o próprio Ancelotti. 

Foto:  ABr/Paulo Pinto 

Ancelotti em entrevista após eliminação

Outro destaque está na formação dos atletas. Nos próximos quatro anos, pode surgir um novo craque. Além disso, jogadores expressivos nos quais se deposita muita esperança como Estevão e Rodrygo terão a oportunidade de disputar a próxima Copa do Mundo com mais experiência, podendo transmitir essa vivência aos companheiros de equipe. Contudo, o trabalho nas categorias de base ainda causa preocupação. 

“A formação de atletas mais de rua, com um futebol baseado na habilidade, tem sido prejudicada pela forma mecânica e industrializada das categorias de base atuais”, afirmou Irlan Simões ao comentar a formação de jogadores no Brasil. Ele também destacou que a negociação precoce de muitos atletas para clubes estrangeiro enfraquece a conexão com a seleção brasileira. 

Foto: ABr/Paulo Pinto  

Torcida do Brasil dividida entre silêncio e incentivo

“Talvez esses talentos em formação precisam se desvincular desse projeto de empresa”, comentou Irlan Simões, ao refletir sobre a atual estrutura do futebol brasileiro. Ele destacou que o estilo de jogo é um processo antigo, mas que ainda funciona de forma independente entre o futebol nacional e a Seleção. Entretanto, apesar da possível vontade de transformar o futebol brasileiro, a realidade econômica pesa: quando um jogador é vendido para um clube estrangeiro o benefício financeiro tende a falar mais alto, levando o atleta a priorizar o ganho pessoal em vez da evolução no futebol nacional.

Os desafios enfrentados pelo futuro do futebol brasileiro

Os desafios enfrentados pelo futuro do futebol brasileiro

Categorias de base do futebol brasileiro produzem talentos, mas as condições ainda não são ideais no país.

Por: Isabele Almeida

Após a derrota do Brasil na Copa do Mundo Masculina 2026, muitos foram os fatores apontados como motivos pelo qual o futebol brasileiro se afasta do passado marcado por conquistas. Entre essas razões, a baixa valorização do trabalho base do esporte no país foi um dos principais. De acordo com Ricardo Paul, vice-presidente da CBF, atualmente o Brasil possui 40 mil atletas atuando em categorias de base, mas apenas 3% chegam a atuar no futebol profissional e recebem mais de cinco salários mínimos ao atingir essa etapa.

O salário de jogadores profissionais, em raros casos, são justos. Na base, essa situação é ainda mais precária e é um dos fatores que auxilia a redução da porcentagem de atletas que chegam em clubes profissionais no país. Até os 16 anos, os jogadores não podem receber um salário de forma legal, apenas receber auxílio dos clubes pelos quais atuam. Após atingir a idade  de 16 anos os atletas já podem começar a receber salário, mas isso não é o que ocorre na maioria dos casos. Em entrevista para a AJ, o lateral Kauã Fioravante, de 19 anos, atualmente jogador do Grêmio Osasco Audax – da cidade de Osasco, em São Paulo – afirma que só começou a receber salário a partir do seu segundo ano de sub-20, quando saiu dos clubes do Rio de Janeiro, seu estado natal. Ele afirmou que, sem esse salário, não era capaz de se manter nos treinamentos sem uma ajuda externa – seja da família ou de um emprego extra -, o que é a realidade de muitos jovens brasileiros que desistem de atuar profissionalmente.

Além disso, a venda precoce de jogadores talentosos da base do futebol brasileiro é outro problema que o país enfrenta na conjuntura atual do esporte no país. A venda de jogador Endrick para o Real Madrid, em 2024, quando tinha 18 anos, apenas dois anos após sua estreia na equipe principal do Palmeiras, é um exemplo dessa situação. Com a sua ida precoce para o futebol europeu, o jogador tem pouco tempo de acesso ao chamado “jeitinho brasileiro” de jogar, há muito tempo sumido nas atuações de nossa seleção, e fica a mercê do modelo europeu. Sem construir uma base sólida em solo brasileiro, esse modelo de jogo se perde e, com ele, o modo de jogar do país que é considerado o “país do futebol”.

Foto: Site CBF

Endrick comemora título sub-20 do Palmeiras em 2022

Por último, a falta de recursos em clubes, principalmente de menor expressão, é outro fator que influência a desvalorização das categorias de base. Kauã afirmou que, principalmente no Rio de Janeiro, é muito comum não haver equipamentos, bolas e até mesmo água gelada para os atletas durante o treinamento, com exceção de clubes maiores. Essa falta de preparo estrutural para receber o jogador afeta a possibilidade de crescimento do atleta na modalidade, que, ao procurar alcançar um sonho, enfrenta desafios diários para conseguir evoluir e chegar ao tão sonhado futebol profissional.

Mas ainda há o que motiva esses atletas a continuarem. Se por um lado os clubes carecem de uma infraestrutura e suporte financeiro adequado para o atleta, por outro eles, em grande maioria, têm uma equipe técnica capacitada para auxiliar na formação do jogador. No período de 2 anos que atuou pela Portuguesa-RJ, o lateral afirma que a comissão técnica foi uma parte essencial para sua formação e continuação no esporte, fortificando sua técnica e percepção de jogo. Além disso, a oportunidade de jogar contra grandes equipes teve o mesmo efeito no atleta, e o motivou ainda mais a persistir no sonho de chegar ao profissional.

Foto: Acervo pessoal de jogador Kauã Fioravante

Lateral durante jogo da Portuguesa-RJ

Os problemas das categorias de base no Brasil estão longe de serem resolvidos, sejam eles estruturais ou financeiros, afetando as equipes principais de clubes de expressão no país, e até mesmo a seleção brasileira. Mas sabemos também que o país é capaz de construir atletas completos e que, como Kauã, sonham em fazer parte do futuro do futebol nacional nos grandes clubes. O que falta para a realização desse sonho é a busca em investir cada vez mais nas categorias iniciais do país, fundamentais para a história do futebol nacional e valorizar os talentos que temos aqui dentro.

44 anos depois, Argentina volta a convocar um jogador negro

44 anos depois, Argentina volta a convocar um jogador negro

Stephan ‘Kiki’ Ramos foi a quebra de um paradigma

Por: Felipe Borges

Reprodução: Instagram / @kikiramoss_ 

Stephan ‘Kiki’ Ramos, atacante do Vélez Sarsfield

Ele foi apenas o 4° jogador afro-argentino na história a ser convocado para a Argentina em todas as categorias. Neste mês de julho, o jovem Kiki Ramos, de 17 anos, foi o chamado para o sub-17 de seu país, sendo o primeiro negro desde 1982.

Para se ter um contexto, ao longo do século XIX, o país adotou políticas de embranquecimento da população, passando principalmente pelo apagamento de figuras negras históricas, a fim de uma aproximação com os países europeus.

Só mais recentemente o censo demográfico do país voltou a perguntar sobre o autorreconhecimento de pessoas negras (2010), com o resultado de 150 mil afro-argentinos, cerca de 0,37% da população. Para efeito de comparação, entre os séculos XVIII e XIX a porcentagem era de 30%. Outro detalhe que chama a atenção é que nas pesquisas mais recentes a pergunta só foi feita em 10% das ocasiões.

Estima-se que cerca de 2 milhões de negros vivam na Argentina, número 13 vezes maior que o apresentado em 2010.

Pela 4ª vez na história, a Argentina conta com um jogador negro defendendo a sua bandeira, sendo a primeira pelas categorias de base. Antes de Kiki, Alejandro De Los Santos (década de 20), José Ramos Delgado (décadas de 50 e 60) e Héctor Baley (décadas de 70 e 80) marcaram seus nomes na história. 

Nascido em Porto Príncipe, no Haiti, em abril de 2009, Kiki viveu os primeiros meses em um orfanato. Aos 9 meses, já em 2010, após o terremoto que devastou seu país, foi adotado junto a outras três crianças por um casal de Buenos Aires.

O primeiro contato do garoto com a bola foi aos 6 anos, quando um vizinho, torcedor fanático do Velez Sarsfield, o levou para jogar bola no Liniers, clube local. Agora, 11 anos depois, Kiki Ramos joga pelo próprio Velez, tendo a velocidade, o drible e o faro de gols como destaque.

O apelido do pequeno Stephan surgiu na base, quando tinha o estilo de jogo comparado ao de Kylian Mbappé.

Mais que uma convocação, a presença de Kiki Ramos na seleção Argentina pode marcar uma virada de chave para o país, mas com certeza marcou a quebra de um tabu de 44 anos.

Marrocos: a nova potência do futebol feminino

Marrocos: a nova potência do futebol feminino

Vice-campeã na última edição da Copa Africana de Nações Feminina, seleção marroquina se desenvolveu nos últimos anos

Por: Mariana Martins

Reprodução: Instagram (@versus)

Jraidi Ibtissam e Zineb Redouani após estreia positiva de Marrocos no campeonato

Não é apenas no futebol masculino que Marrocos joga como protagonista. Se os Leões do Atlas voltaram a surpreender o globo na Copa do Mundo de 2026, a seleção marroquina na Copa Africana de Nações Feminina promete fazer o mesmo, tendo como grande vantagem jogar em casa pela terceira edição consecutiva. O campeonato, que funciona como classificatórias para a Copa do Mundo Feminina de 2027, começou no dia 26 de julho e já proporcionou momentos marcantes durante a primeira rodada. Um deles foi a estreia da seleção marroquina contra o Quênia, quando o time anfitrião venceu pelo placar de 4 a 0. A final será disputada no dia 16 de agosto no Estádio Príncipe Moulay Abdellah, em Rabat, capital do país-sede.

O futebol feminino em Marrocos é uma construção e alguns eventos foram essenciais para potencializar a modalidade no Norte da África. Em 2020, a Fifa concedeu às federações uma verba de US$ 500 mil para superar os impactos da pandemia de Covid-19, e o presidente da Federação Real Marroquina de Futebol, Fouzi Lekjaa, destinou o investimento para o desenvolvimento do futebol feminino em Marrocos. Com isso, foi possível a contratação do técnico francês Reynald Pedros, que ocupou o cargo até o segundo semestre de 2023 e colaborou com a gestão das categorias de base, o recrutamento de atletas na Europa e o desenvolvimento local. 

Em 2022, o AS FAR, clube fundado na capital marroquina e base para a seleção, venceu a Liga dos Campeões Feminina da Confederação Africana de Futebol (CAF), potencializando uma série de mudanças exemplificadas pelo aumento do investimento dos clubes e da federação na categoria principal e na base. No mesmo ano, o país sediou pela primeira vez a Copa Africana, fator essencial para atrair o público local às arquibancadas pela campanha que terminou com o vice-campeonato.

Reprodução: Instagram (@sakina_diki7)

Leoas do Atlas celebrando a classificação para o mata-mata no Mundial de 2023

A seleção de Marrocos fez sua estreia na Copa do Mundo Feminina em 2023, quando chegou até as oitavas de final. O trabalho para trazer atletas com ascendência marroquina à equipe foi essencial para que isso fosse possível, uma vez que o gol que garantiu as Leoas do Atlas no mata-mata veio de Anissa Lahmari, nascida na França. Além dela, outras jogadoras como Sakina Ouzraoui Diki (Bélgica), Yasmin Mrabet (Espanha), Elodie Nakkach (França) comporão o elenco de Marrocos no Mundial. 

Na segunda vez que Marrocos sediou o campeonato continental, em 2025, a equipe chegou novamente à final. Sob comando do técnico espanhol Jorge Vilda, que assumiu o cargo após a demissão de Pedros, elas perderam a decisão para a Nigéria, maior vencedora da competição. Mesmo assim, recebeu uma premiação de US$ 500 mil, equivalente a bonificação destinada à campeã na edição antecedente. 

Desde então, o trabalho na liga doméstica e no futebol de base continua um destaque. Logo antes da Copa Africana de Nações Feminina começar, a seleção marroquina sub-17 venceu o campeonato da União do Norte Africano de Futebol (UNAF) e se prepara para sediar a Copa do Mundo Feminina Sub-17 em outubro, sendo o primeiro país africano a receber esse torneio. Além disso, o investimento aumenta cada vez mais, garantindo a profissionalização dos clubes e infraestrutura para o desenvolvimento da modalidade. 

Com todo esse movimento nos últimos anos, não seria uma grande surpresa se as Leoas do Atlas conquistassem uma das quatro vagas diretas destinada ao continente africano para a Copa do Mundo Feminina que vai ser disputada no Brasil em 2027. Também não seria uma surpresa se elas levantassem a taça no Estádio Príncipe Moulay Abdellah com o apoio da torcida ao seu favor no dia 16 de agosto.

A busca pelo penta na Copa do Mundo Sub-17

A busca pelo penta na Copa do Mundo Sub-17

Por: Gustavo Freitas 

Foto: ABr/ Marcello Casal

Celebração de gol na Copa do Mundo sub-17 no Brasil, em 2019

Em 19 de novembro terá início a 21ª edição da Copa do Mundo da FIFA sub-17. A seleção brasileira, equipe com mais participações no torneio, busca o pentacampeonato. 

 

O torneio, que hoje abrange jovens com idade inferior ou igual a 17 anos (até 1991 a idade máxima era de 16 anos), teve início em 1985, como uma tentativa da federação organizadora de ampliar sua influência internacional para além da Copa do Mundo principal. 

 

Desde seu início, o evento ocorre a cada dois anos, contando atualmente com 20 edições já finalizadas. Em 2021, por conta da pandemia de COVID-19, a FIFA optou por cancelar o torneio, retomando-o dois anos depois. 

 

A Nigéria, com cinco conquistas, é a maior vencedora, seguida do Brasil, com 4 títulos, e de México e Gana, com 2 troféus cada. União Soviética, Arábia Saudita, França, Suíça, Inglaterra, Alemanha e Portugal tiveram êxito apenas uma vez.

 

O Brasil alcançou o 1° lugar do pódio pela primeira vez no ano de 1997, após 7 edições desde sua estreia.  Conquistou o bicampeonato no torneio seguinte, estando igualado à  Nigéria como único país campeão duas vezes consecutivas. Ganhou novamente em 2003, e pela última vez em 2019, quando sediamos a copa pela primeira e única vez. Além dos 4 títulos, nossa equipe participou de todas as edições da competição, com exceção do ano de 1991, quando caímos nas eliminatórias sul-americanas.

 

Na campanha mais recente, o Brasil eliminou Paraguai e França nos pênaltis, e ganhou de Marrocos no tempo normal para chegar às semifinais. Nessa fase, perdemos nos pênaltis, após empate sem gols com Portugal. Na disputa pelo 3° lugar contra a Itália,  também fomos superados nas penalidades, terminando a participação em quarto lugar.

 

A seleção portuguesa ficou com o título, ao bater a Áustria por 1 x 0 na final, conquistando o título pela primeira vez. 

 

Enquanto na Copa do Mundo profissional nenhuma seleção fora da América do Sul e Europa venceu o troféu, na categoria sub 17, africanos e asiáticos já conseguiram ganhar, inclusive sendo a África o continente com mais títulos.

 

Comparando também a diversidade de campeões, o torneio de base conta com 11 seleções diferentes, contra 8 do principal. Essa multiplicidade global presente na torneio sub-17, também pode ser notada na escolha dos países sedes, uma vez que de 1985 a 2025 nenhum país foi repetido como anfitrião.

 

Este ano, o Qatar sediará a copa pela segunda vez, e já foi confirmado como sede até 2029, utilizando a estrutura construída para a copa profissional de 2022 para diminuir os custos e facilitar a logística. 

 

A partir do ano passado, foi decidido que a competição passaria a acontecer anualmente, com a justificativa de fortalecer o futebol de base e evitar que determinadas gerações de atletas não pudessem jogar o campeonato.

 

Em novembro, a Copa seguirá o mesmo modelo de sua última edição, 48 seleções divididas em 12 grupos de 4 times cada.

Dos países campeões da Copa adulta, metade nunca conquistou o título sub 17,sendo eles: Espanha, Argentina, Itália e Uruguai. A comparação da lista de campeões de ambos os eventos não aponta uma correlação direta entre os torneios. 

 

Apesar disso, a competição segue como forte indicativo da força do futebol em determinado país, e uma excelente oportunidade para o fortalecimento das equipes juniores e planejamento de projetos a longo prazo.

 

Grandes craques já jogaram a competição, entre eles campeões do mundo como Toni Kroos, Xavi, Buffon e  Ronaldinho Gaúcho. Da seleção brasileira atual, Neymar, Marquinhos, Alisson e Casemiro já disputaram o torneio de base, evidenciando a relevância da competição para a formação dos elencos que representarão o país nos grandes torneios.

 

Na edição que está por vir, a seleção brasileira se encontra no grupo I, ao lado de Costa Rica, Tanzânia e Irlanda. Nossa caminhada começa dia 21/11 e a expectativa é  de uma campanha ainda melhor que a do ano passado, conquistar o troféu depois de 7 anos, alcançando o posto de maior vencedor do torneio.

Fala muito, Infantino!

Fala muito, Infantino!

Gianni Infantino, presidente da Fifa, se destaca por suas promessas e declarações antes e depois da Copa do Mundo.

Por: Eduardo Campos

“Vou trabalhar incansavelmente para devolver o futebol à Fifa e a Fifa ao futebol.” Essa foi a frase dita por Gianni Infantino, atual presidente da Fifa, após assumir o cargo em 2016. O suíço é conhecido por ser alguém que fala bastante, principalmente sobre assuntos polêmicos.

No dia 11 de junho, data da estreia da Copa do Mundo, Infantino foi perguntado se havia perdido o controle do torneio devido às inúmeras polêmicas que estavam ocorrendo: passaportes e vistos negados, a delegação do Irã não podendo ficar nos Estados Unidos para treinar, o árbitro Omar Artan ter sido recusado a entrar no país por “ligações com terroristas”. Visivelmente desconfortável, Infantino afirmou que existem informações que se tornam públicas e outras que permanecem nos bastidores, e disse que toda a organização estava tentando solucionar os problemas.

Reprodução: Instagram (@gianni_infantino)

Foto de Infantino comemorando ter alcançado a marca de 5 milhões de seguidores no Instagram

No mesmo dia, ele foi questionado sobre a proposta de aumentar para 64 seleções no Mundial de 2030. Infantino respondeu que seria necessário avaliar como a Copa de 2026 com 48 países aconteceria, ainda alfinetando a tetracampeã Itália, que não se classificou para o torneio deste ano. Um dia após a final entre Espanha e Argentina, o presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, que está responsável por três das sedes da Copa de 2030 (Argentina, Uruguai e Paraguai), afirmou em sua rede social que a próxima Copa contará com 64 equipes. Nem Infantino e nem a Fifa responderam sobre a declaração de Domínguez.

Mas sem dúvida, seu principal ponto de questionamento foi sua relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ao mesmo tempo que Infantino diz: “O senhor não precisa que lhe façam elogios, senhor presidente”, ele também complementa: “Mas esta Copa do Mundo não teria sido um sucesso tão incrível sem o senhor.” Após o término da Copa, Infantino declarou que Trump havia feito uma promessa de receber todo o mundo no torneio e que o objetivo foi cumprido com sucesso. Uma declaração contraditória para quem disse estar resolvendo problemas desse aspecto.

Reprodução: Instagram (@gianni_infantino)

Trump e Infantino durante um encontro na Trump Tower

Para completar a relação polêmica, Trump foi vaiado na final ao entrar no gramado para entregar as medalhas de campeão. Além disso, Infantino teve que retirá-lo de perto dos jogadores espanhóis para que eles levantassem a taça sozinhos e evitasse constrangimento. 

Quatro anos depois, quem se reinventou e quem deu lugar a uma nova geração?

Quatro anos depois, quem se reinventou e quem deu lugar a uma nova geração?

Por: Lívia Martinho

A eliminação para a Croácia nas quartas de final da Copa do Mundo de 2022 parecia marcar o fim de uma geração da seleção brasileira. Quatro anos depois, porém, a ruptura esperada não aconteceu. Dos 26 jogadores convocados para o Mundial do Catar, 15 voltaram a disputar a Copa do Mundo de 2026, o equivalente a 58% do elenco. Outros 11 ficaram pelo caminho durante o ciclo, seja por perda de espaço, encerramento da trajetória na seleção ou lesões.

Crédito: Wallace Chuck/Pexels

A eliminação não teve o mesmo significado para todos os jogadores. Para uns, ela representou o início da consolidação como protagonista da seleção brasileira e do futebol mundial. Para outros, significou o começo da perda de espaço em um elenco que passou por uma renovação gradual.

Entre os jogadores que conseguiram se reinventar após a Copa de 2022, Vinícius Júnior é o principal exemplo. No Catar, o atacante ainda dividia o protagonismo ofensivo da equipe mas quatro anos depois, chegou à Copa de 2026 como uma das principais referências técnicas da seleção brasileira. Durante o ciclo, atingiu o auge individual ao ser eleito o melhor jogador do ano no prêmio The Best FIFA 2024, após uma temporada de destaque pelo Real Madrid.

Bruno Guimarães também viveu uma transformação importante após a Copa do Catar. O meio-campista se consolidou como uma das principais referências do Newcastle, onde ganhou protagonismo no futebol inglês. Com liderança dentro de campo e maior responsabilidade no elenco, tornou-se capitão da equipe e chegou à Copa de 2026 consolidado como um dos principais jogadores do Newcastle e muito identificado com a torcida do clube.

Outros jogadores mantiveram espaço e ampliaram seus protagonismos nos clubes. Raphinha transformou a regularidade apresentada no Catar em protagonismo no Barcelona. Durante o ciclo entre as duas Copas, tornou-se um dos principais jogadores da equipe espanhola e chegou ao Mundial de 2026 em alta. Gabriel Martinelli também seguiu como uma peça importante do Arsenal, mantendo presença entre os principais jogadores ofensivos do clube inglês e conquistando a Premier League na temporada 25/26.

Na defesa, Marquinhos permaneceu como uma das referências da seleção brasileira. No Paris Saint-Germain, consolidou sua liderança como capitão e participou da atual fase vitoriosa do clube francês conquistando  a Liga dos Campeões de 2024/25 e 2025/26. O zagueiro, que chegou ao Catar como um dos líderes da equipe, manteve esse papel quatro anos depois.

Entre os jogadores convocados em 2022, os goleiros foram os casos de maior continuidade. Alisson, Ederson e Weverton foram chamados novamente para a Copa de 2026, mantendo o mesmo trio de confiança da nova comissão técnica. Enquanto outras posições passaram por mudanças, o gol permaneceu entre os dois Mundiais.

Neymar, por outro lado, viveu uma trajetória diferente. Depois da eliminação no Catar, o atacante enfrentou um período marcado por lesões que limitaram sua sequência. Ainda assim, permaneceu como uma das principais referências da geração e voltou a disputar uma Copa do Mundo, embora em uma condição diferente daquela de 2022, quando era o principal nome técnico da equipe.

Nem todos conseguiram manter o mesmo espaço. Richarlison representa uma das maiores mudanças em relação ao grupo do Catar. Titular na estreia contra a Sérvia e autor de dois gols naquela partida, o atacante perdeu espaço durante o ciclo seguinte e não voltou ao Mundial. A chegada de novos nomes para o ataque aumentou  a disputa pela posição.

Gabriel Jesus também viveu um caminho diferente daquele que o levou à Copa de 2022. Após perder parte do Mundial por lesão, enfrentou maior concorrência no setor ofensivo e não conseguiu recuperar o prestígio que tinha anteriormente na seleção brasileira.

No meio-campo, Fred e Everton Ribeiro ficaram pelo caminho. Fred, presente no Mundial do Catar, deixou de fazer parte das escolhas da comissão técnica durante o ciclo entre as duas Copas. Everton Ribeiro encerrou seu ciclo após anos como uma alternativa experiente para a posição. Alex Telles, cortado por lesão daquele mundial, também não retornou ao grupo, em uma lateral esquerda que passou por mudanças com a chegada de Douglas Santos.

Alguns jogadores não deixaram a seleção por perda de rendimento, mas pelo encerramento natural de uma trajetória. Thiago Silva, um dos principais líderes da equipe nos últimos anos, não participou da Copa de 2026. Após uma longa história com a camisa brasileira, o zagueiro encerrou seu ciclo após disputar quatro mundiais.

Outros tiveram suas trajetórias interrompidas por fatores físicos. Rodrygo e Éder Militão, nomes importantes do elenco de 2022, estavam entre os jogadores que poderiam permanecer como protagonistas no ciclo seguinte, mas sofreram com lesões que impediram a participação na Copa de 2026.

Enquanto alguns jogadores de 2022 encerravam seus ciclos ou perdiam espaço, uma nova geração passou a ocupar a seleção brasileira. Endrick, que ainda não fazia parte do elenco no Catar e era tratado como uma das grandes promessas do futebol nacional, chegou ao Mundial seguinte como uma nova opção ofensiva.

Matheus Cunha também apareceu como uma alternativa para o ataque brasileiro, enquanto Gabriel Magalhães representou uma renovação defensiva ao lado de jogadores que permaneceram, como Marquinhos e Bremer. Ao todo, 11 jogadores disputaram a Copa do Mundo pela primeira vez em 2026, consolidando uma renovação que aconteceu de forma gradual, sem romper completamente com a base do ciclo anterior.

Quatro anos depois daquela bola na trave de Marquinhos, a geração da Copa do Mundo de 2022 já não pode ser analisada apenas pela eliminação para a Croácia. Alguns jogadores chegaram ao auge da carreira, outros perderam espaço e alguns encerraram sua trajetória com a camisa brasileira. Mais do que representar o fim de uma geração, a Copa do Catar marcou o início de caminhos distintos para um grupo que continuou influenciando os rumos da seleção brasileira.

A Copa das Bets: a expansão do mercado de apostas na Copa do Mundo

A Copa das Bets: a expansão do mercado de apostas na Copa do Mundo

Por: Augusto Oliveira

No último sábado (11), o governo federal estabeleceu novas restrições à publicidade de casas de apostas esportivas – as chamadas bets. A partir de sexta-feira (17), as propagandas passarão a incluir alertas obrigatórios sobre a dependência psicológica e o prejuízo financeiro causados pelo jogo. A medida chega tarde demais, depois de causar inúmeros danos a indivíduos e famílias durante toda a Copa do Mundo, iniciada em junho – a medida abrangerá somente a final da competição.

De acordo com dados do “Placar das Bets”, indicador desenvolvido pela fintech Klavi, as apostas esportivas movimentaram cerca de R$ 926 milhões no Brasil desde o início da Copa. Os dados consideram uma amostra de 1,2 milhão de brasileiros. Na estréia da Seleção Brasileira contra o Marrocos, o valor médio dos apostadores foi de R$ 524, quase 300% acima do valor médio diário do período, que era de R$ 188.

As bets se apoiam intensamente nas propagandas, frequentemente divulgadas por personalidades influentes e carismáticas, como jogadores e ex-jogadores, treinadores e jornalistas. Além disso, as propagandas exibidas durante as partidas se tornaram frequentes. Na vitória do Brasil sobre o Japão por 2 a 1, válida pelo mata-mata da Copa, todas as emissoras fizeram publicidade para casas de apostas durante a transmissão. A CazéTV liderou o quesito, com 10 propagandas durante a partida. O SBT divulgou 6, e a Globo, 5. Vale destacar que a CazéTV está sendo investigada por propagandas abusivas e irregulares exibidas em jogos de outras seleções e o Grupo Globo é sócio da BetMGM, uma das casas que patrocinam a emissora.

Os impactos da expansão das bets ultrapassam os limites de problemas individuais e se tornam problemas públicos de saúde mental e financeira. Estudos da Klavi apontam que, entre outubro de 2023 e outubro de 2024, o número de endividados que apostam subiu de 4% para 10,6%. Além disso, em novembro de 2025, cerca de 600 mil brasileiros já apresentavam comportamento de alto risco, deixando de pagar despesas essenciais para sustentar o hábito de apostar. Casos de ansiedade, depressão e até mesmo suicídio têm sido relacionados ao vício em apostas. A expansão do mercado das bets representa uma grave ameaça aos apostadores e suas famílias e ao espírito de paixão esportiva que tanto faz falta no futebol brasileiro atualmente, e precisa ser tratada de acordo.