Eleições 2026 na Uerj: Audiolab lança programa “Política nas Rampas”

Eleições 2026 na Uerj: Audiolab lança programa “Política nas Rampas”

O programa Política nas Rampas vai cobrir a disputa eleitoral e promover debates sobre temas importantes com presença de convidados especiais

Por: Duda Ramalho

Reprodução: AudioLab Uerj

Nesta quinta-feira, 20 de agosto, estreia o programa Política nas Rampas, produzido por alunos de Jornalismo da Uerj e coordenado pelo professor Filipe Mostaro. A proposta é cobrir as eleições de 2026, analisando o cenário político atual e os perfis dos candidatos de um jeito único e simplificado para envolver o público e convidá-lo para a discussão de um assunto tão importante. A atração será transmitida pelo canal do Audiolab no Youtube.

Os alunos Sofia Lang, Maria Clara Combat, Duda Ramalho, Murilo Santos, Bia Carvalhido, Jhonny Chavão e Augusto Mendes estarão na bancada que participará do projeto. O programa terá sete episódios até o primeiro turno das Eleições, e mais dois adicionais em caso de um segundo turno. Cada episódio contará com uma editoria que abordará setores da sociedade:  economia, educação, saúde, segurança pública, meio ambiente e política externa. Cada semana terá um convidado que irá comentar a editoria do dia e as pautas quentes sobre a campanha eleitoral junto aos participantes da bancada do Política nas Rampas. Os convidados serão  professores da Uerj especialistas em política ou na área abordada pelo episódio, ou especialistas renomados de fora da Universidade, sendo jornalistas e pesquisadores.

O objetivo do programa é acompanhar a disputa eleitoral, analisando cada setor citado com as propostas dos candidatos, mas também abordar a pauta política de forma clara e didática para aproximar a comunidade uerjiana de um  assunto tão necessário, explicando como o sistema político brasileiro funciona e mostrando a importância do debate acerca desses temas e da participação cidadã para o fortalecimento da democracia.

O professor e coordenador Filipe Mostaro apresenta o projeto e  explicita a inovação que o programa traz para o laboratório Audiolab e a necessidade da abordagem do assunto com consciência e responsabilidade: “ A principal ideia momentânea é de cobrirmos as eleições. Teremos sete programas até chegar no primeiro turno, e tendo o segundo faremos mais dois. Uma vez que o Audiolab faz cobertura do Carnaval, das Olimpíadas, da Copa do Mundo, por que não cobrir um dos momentos mais importantes da democracia? A gente sabe da importância que esse tema tem, e do ‘jeito Audiolab’ de fazer, né? De uma forma reflexiva com uma linguagem muito acessível para que a política se torne realmente um assunto comum a todos”.

Mostaro ainda fala sobre o legado do projeto e do desejo de sua continuidade pós Eleições:

“O programa representa muito porque a Uerj tem muito conhecimento acadêmico sobre eleições, sobre o que é a política , sobre propostas do que uma nova política pode fazer, e, às vezes, fica muito presa dentro dos muros da Universidade. Então, a ideia da maioria dos nossos programas é de divulgação científica do conhecimento que fazemos aqui. A ideia é que o programa continue e que tenhamos um projeto específico aqui em nossa grade para falar sobre política o ano inteiro. O Política nas Rampas vai cumprir esse papel de levar algo tão importante para todas as pessoas por todo o ano e principalmente agora nessas eleições, que serão decisivas para o futuro e para a democracia brasileira”.

 O piloto do programa estreia nesta quinta-feira, dia 20, com a apresentação do projeto e discussão sobre as questões políticas que serão enfrentadas no ano de 2026. Os alunos produtores e o coordenador convidam toda a comunidade uerjiana, e de fora dos muros e das rampas também, para ter a sua companhia durante toda a disputa eleitoral.

Cineclube na Uerj ajuda a democratizar o acesso ao cinema para os alunos

Cineclube na Uerj ajuda a democratizar o acesso ao cinema para os alunos

Projeto da Faculdade de Comunicação Social tem como objetivo aumentar o repertório cultural dos estudantes

Por Laura de Sousa e Silva dos Santos

Sessão organizada pelo Cineclube do Décimo, em 2025,  para a exibição do filme “O Menino Que Descobriu o Vento”. Créditos: @cineclubedodecimo

A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) oferece diversas atividades e projetos que ajudam na formação acadêmica e sociocultural dos estudantes. E a Faculdade de Comunicação Social (FCS) não fica para trás, com diversas oportunidades em laboratórios e projetos de extensão disponíveis para os alunos de Relações Públicas e Jornalismo. Um dos projetos mais promissores na FCS é o Cineclube do Décimo.

O coordenador do cineclube, Leandro Almeida, explicou que, inicialmente, o programa surgiu em 2018 dentro do Laboratório de Vídeo (LV) da FCS, e em 2022 se tornou projeto de extensão. A ideia de criá-lo aconteceu por conta de experiências anteriores de Leandro com projetos envolvendo essa temática, especialmente o cineclube que ele e o cineasta Marco Aurélio Brandt criaram no Museu de Arte Contemporânea, em Niterói, que durou sete anos. “Quando eu cheguei aqui na Uerj, eu percebi que seria muito importante ter um espaço de exibição de filmes com esse objetivo de ampliação de repertório dos estudantes de comunicação, a princípio, justamente porque são estudantes que vão se formar, profissionais que vão lidar diretamente com o audiovisual”, comentou o coordenador. 

Como o cineclube funciona

As sessões do Cineclube do Décimo acontecem mensalmente de forma presencial e remota. Os lugares das exibições variam de acordo com as parcerias do cineclube, seja nos auditórios 11 e 91 da Uerj, seja no Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira (CAp-Uerj), como quando levaram os filmes da Mostra SACI (Somando Arte no Cinema Independente) para os alunos do fundamental 1. O coordenador comentou que já houve algumas sessões especiais nas quais levaram a equipe de produção do filme para debater sobre a obra: “A gente recentemente exibiu o filme ‘Agudás – Os Brasileiros do Benin’, documentário feito pela cineasta Aida Marques. A gente fez também um pré-lançamento do filme ‘Black Rio! Black Power!’, do Emílio Domingos, lá no curso de Licenciatura em Cinema e Audiovisual da Uerj, no campus da FEBF. Então têm essas atividades não periódicas, mas que são muito importantes”.

As sessões que ocorrem na FCS e no CAp – Uerj,  em parceria com os professores, são como uma proposta pedagógica, como explicou Leandro: “Eu proponho essa parceria com uma disciplina e aí eu organizo com a equipe do Cineclube. A gente faz uma curadoria de filmes que dialoguem com a ementa da disciplina e que de alguma maneira possam complementar, somar com o processo de curso da disciplina. Então, uma vez por mês, a gente realiza uma sessão, na medida do possível, traz convidados que pertençam ao universo do filme e ao tema que está sendo discutido na disciplina”.

Além das sessões de filmes, Leandro contou sobre outros projetos que o cineclube possui: “A gente realiza o grupo de estudos uma vez por mês, para estudar cinema e educação, e fazemos o podcast, também com episódios divulgados uma vez por mês. O podcast é chamado ‘O Cinema como  Pedagogia de Criação’. Então, essa organização se dá também na medida em que a gente conseguiu ampliar e agregar outras pessoas ao projeto, quando a gente transformou em projeto de extensão, a gente conseguiu dois bolsistas, e junto comigo e com a colaboração do laboratório, a gente vai trabalhando essas frentes todas que foram citadas”.

Público-alvo

Mesmo existindo um foco nos estudantes universitários, Leandro afirmou que o público-alvo do cineclube é bem diversificado e que é aberto para pessoas de fora da Uerj participarem. Desde o CAap-Uerj até a FEBF, na Baixada Fluminense, há uma tentativa de levar o cineclube para diferentes audiências.  “Existe sempre uma movimentação para que mais pessoas possam participar”, afirmou o coordenador. 

O cineclube também possui parceria com o Colégio Estadual Ernesto Faria, de São Cristóvão.  As escolhas são pensadas de acordo com a disciplina e algumas vezes são sugestões dos professores que gostariam de estar exibindo um determinado filme, mas que ficam limitados por conta da infraestrutura do lugar. “A gente entra em contato com a direção e muitas vezes exibe o filme sugerido pelo professor na medida em que seja um filme em que possa ter uma abordagem significativa, que não ocupe aquele espaço de entretenimento apenas”, explicou Leandro.

A frequência do público depende muitas vezes dos alunos das disciplinas e da proposta do cineclube, porém Leandro afirmou que nas sessões remotas costumam ter variações: “As sessões on-line têm um alcance grande mas também depende do engajamento dos coletivos e organizações que estão sendo convidados para participar do cineclube, de qualquer maneira, isso se torna um registro porque fica no nosso canal, então vira um banco de dados de pesquisa sobre cinema e educação”.

A divulgação do cineclube ocorre principalmente em redes sociais, como Facebook e Instagram, bem como por meio de cartazes colocados em todos os andares da Uerj. “A divulgação é ampla para que pessoas que não são da faculdade possam participar”, comentou o coordenador. 

Importância do Cineclube

Leandro comentou que, em um circuito comercial que está pautado por produções hollywoodianas, os cineclubes surgem para dar espaço para filmes de orçamento menor que não teriam tido chance competindo com as grandes produções. “Então você ter opções que apresentem uma diversidade de filmes  com características mais independentes, filmes chamados de culturais, filmes que não têm espaço  de competição nessas janelas do cinema comercial, eu acho que é fundamental para uma ampliação de repertório da sociedade”, explicou ele.

“Eu acho que o cineclube é uma resistência, diante de tantas atividades e ocupações que as pessoas têm, se a gente conseguir levar 2, 3, 4 pessoas numa sessão, e que elas possam suspender um pouco seu tempo para parar e assistir a um filme e debater, a atividade cineclubista já está sendo realizada ali”, complementou o coordenador. 

Para saber mais sobre esse projeto de extensão, acesse o Instagram do Cineclube: @cineclubedodecimo.

Equipe do Cineclube do Décimo: Leandro Almeida, Jéssica Volpi e Poito Charretes.

FCS/Uerj completa 40 Anos

FCS/Uerj completa 40 Anos

Há quatro décadas, a Faculdade de Comunicação Social transforma a percepção de mundo dos estudantes

Por: Ana Beatriz Carvalhido

Foto: Agência Brasil (Fernando Frazão)

Campus Uerj Maracanã

Ao longo de seus 40 anos, a Faculdade de Comunicação Social da Uerj consolidou-se como referência na formação de profissionais de Jornalismo e Relações Públicas, além de oferecer especialização de excelência em nível de mestrado e doutorado. 

           Marcada pela resistência e pelo ensino público de qualidade, a FCS oferece um diferencial único: a visão da comunicação como ferramenta de impacto social. Da graduação ao doutorado, o estudante da faculdade aprende que, além da excelência técnica, é fundamental atuar de forma consciente e lutar pela garantia de direitos.   

            A Uerj foi pioneira na instauração das cotas, operando plenamente desde o ano de 2003, o que a torna uma instituição extremamente engajada socialmente. Contudo, como toda mudança gera questionamentos e alterações, esse processo ocasionou um cenário acadêmico ainda mais plural e diverso. A professora Denise da Costa, docente da FCS desde 1997, ressalta sua percepção ao visualizar o processo e suas contribuições para a Universidade:

​“A questão da implantação das cotas na Uerj, como qualquer mudança dentro de um ambiente institucional, ainda mais no nível em que ocorreu, gerou dúvidas e incertezas inicialmente. Não se sabia ao certo o que aconteceria ou quais seriam os resultados. Foi interessante participar desse momento desde a implantação, pois eu já era professora antes de o sistema ser aberto; passei pelo momento da implementação e depois pela sua consolidação, como está hoje. Foi realmente um período de dúvidas, mas, na faculdade de comunicação, isso nunca chegou a ser um obstáculo para as nossas atividades. Acho que a transição foi tranquila e os resultados, muito interessantes, que continuam positivos até hoje.”.

            ​A FCS forma estudantes capacitados todos os anos e contribui para que a Comunicação mantenha-se ativa com uma formação pública de qualidade. Denise reforça esse auxílio à sociedade:

​“A meu ver, a maior contribuição que a faculdade de comunicação dá à sociedade é a formação que a gente dá para uma série de estudantes, da graduação, de especialização e os de mestrado e doutorado. Uma educação pública de qualidade é uma educação que gera profissionais de qualidade tanto para o mercado quanto para a academia. E ajudar e trabalhar para criar cidadãos que sejam conscientes, e tenham uma visão de mundo mais ampla, diversa e coletiva. Eu penso que é essa a contribuição que podemos dar”.

Pré-vestibular social na Tijuca impulsiona sonhos dos alunos

Pré-vestibular social na Tijuca impulsiona sonhos dos alunos

Projeto oferece apoio e acolhimento na fase de preparação para vestibular e evidencia a importância de promover estudos gratuitos para estudantes de baixa renda

Por: Alice Moraes

Alunos durante aula no curso./ Foto: Pablo Barbosa. 

Trabalhar com os sonhos dos alunos pode ser um desafio, mas também é gratificante. Pablo Barbosa é professor de redação em um pré-vestibular social na Tijuca e, para ele, cada aula oferecida gratuitamente é uma forma de acreditar no potencial de cada estudante que se candidata a entrar em uma universidade.

 

“Ao ensinar, estamos ajudando a construir um mundo mais justo e igualitário, no qual todos têm a oportunidade de alcançar seus sonhos”, diz Pablo. 

 

O professor é voluntário e coordenador do pré-vestibular comunitário oferecido na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, localizada na rua Conde de Bonfim, 987, na Tijuca. As aulas, disponibilizadas semanalmente – exceto às terças-feiras – de 18h às 21h, preparam os alunos para realizar as provas do Enem e da Uerj. É cobrado o valor simbólico de R$20 por mês. 

 

O pré-vestibular social na Paróquia se iniciou antes de 2019 com outra equipe e coordenação até o professor Pablo tomar a frente do projeto. Ele relata que essa ideia ficava cravada na cabeça dele, porque ele tinha sede de ajudar os jovens do entorno onde a igreja está localizada. Ele, que morou em uma comunidade por muito tempo, notava as comunidades da região da Tijuca e sabia que o pré-vestibular ia auxiliar muitos alunos que moram por ali. Majoritariamente, os alunos que chegam ao pré-vestibular são oriundos da rede pública de ensino e moradores das favelas da região. 

 

“É uma responsabilidade grande conduzir os sonhos dos jovens. Coordenar um pré-vestibular social é acreditar, é mais do que transmitir conhecimento, é semear esperança e transformar vidas”, descreve o professor Pablo, enfatizando que a educação é uma ferramenta poderosa para a justiça social. Ele relata que tanto ele como toda a equipe de professores do curso são comprometidos com o auxilío na construção de um mundo mais justo e igualitário. Por meio do curso, eles ajudam a combater a desigualdade, oferecendo oportunidade de aprendizado para alunos que não teriam condições financeiras de arcar com um pré-vestibular particular. “Estamos vivendo a missão de educar e de oferecer igualdade de oportunidades, para que cada aluno tenha acesso a um futuro melhor”, Pablo diz. 

 

Atualmente, o curso gratuito tem 36 alunos inscritos e ajuda cada estudante a descobrir o potencial que tem. A fase de estudar para os vestibulares pode ser um momento de ansiedade e nervosismo para muitos jovens, que acabam se sentindo pressionados e comparados uns com os outros. Mas, no pré-vestibular oferecido na Paróquia da Conceição, a equipe do projeto se esforça para acolher e motivar cada aluno. “O que recebemos em troca é ver a perseverança e força dos alunos”, comenta o coordenador com orgulho. “No pré, vemos as diferentes realidades vivenciadas por cada aluno, realidades até difíceis que eles compartilham conosco. E, ainda assim, eles persistem para ir em frente”, acrescenta Pablo. 

 

A equipe do projeto sempre se reúne para pensar em ideias e propostas para se dedicarem mais aos alunos sem esperar nada em troca. Pablo relata: “Nosso trabalho é voluntário, mas o nosso maior pagamento é a satisfação dos alunos e ver eles sendo aprovados. Mesmo que eles não sejam, há alunos que chegam e falam: ‘professor, sei que eu não vou passar, mas quero continuar estudando’. Então essa é a nossa alegria, quando o aluno não desiste, mesmo com dificuldade”. Para ele, esse é o combustível que auxilia a equipe do projeto a seguir em frente: motivar e incentivar os alunos. 

 

O pré-vestibular da Conceição possui um perfil no Instagram, @conceicaoprevest, e um número para contato: 2238-2108. Na rede social, o curso compartilha experiências dos estudantes que foram aprovados nas universidades. 

 

Essas aprovações são motivos de orgulho para o coordenador, que comenta: “De 2020 para cá, tivemos aprovações na Uerj, UFRJ, UFF, Unirio, em universidades particulares também… é muito gratificante. Ainda que  não tenha aprovações, vemos a melhora na nota dos alunos, a evolução do desempenho, isso nos deixa muito feliz. É importante a gente considerar qualquer tipo de evolução que o aluno tenha, porque já é um passo para ele continuar tentando”. 

Uma das aulas do curso/ Foto: Pablo Barbosa. 

Movimento estudantil da Uerj promove conscientização sobre a Luta Antimanicomial

Movimento estudantil da Uerj promove conscientização sobre a Luta Antimanicomial

 Cofundadora da Frente de Luta Antimanicolonial explica a importância das causas defendidas pelo grupo de alunos de psicologia da Uerj

Por: Victória de Araújo

A Frente Estudantil de Luta Antimanicolonial Esther Morgannah (FLAEM) é um movimento estudantil fundado por universitários do Instituto de Psicologia da Uerj, que associa a luta antimanicomial  pelos direitos das pessoas com sofrimento psíquico e o processo de colonização, que, de acordo com o que é defendido pela Frente, usou da lógica manicomial para cercar, torturar e controlar os corpos de grupos mais vulneráveis. 

 

   A estudante de psicologia da Uerj e co-fundadora da Frente Antimanicolonial”, Rebeca Freitas (25),  explica a importância e a atuação da luta:Quando a gente estuda um pouco mais o movimento antimanicomial, a gente entende que os corpos que foram sequestrados e colocados no manicômio há anos foram majoritariamente mulheres, pessoas pretas, pessoas indígenas, pessoas LGBTQAPN+, enfim, minorias. E isso tá completamente atrelado ao processo colonizador que a gente teve aqui”. 

 Rebeca Freitas

        (Foto: Victória de Araújo)

A Frente é ativa desde 2025, mas foi idealizada em 2023 após um ato no dia nacional da luta antimanicomial. Rebeca conta que a motivação para a fundação do movimento surgiu em uma reflexão com Daniel Vasconcellos, também aluno da Uerj, sobre a importância de ampliar o conhecimento dessa área da psicologia, que transcende o formato da clínica, para as comunidades externas e internas à área da saúde. 

“Apesar de o curso de psicologia ser colocado como esse ‘protagonista’ na área de saúde mental, os cursos de psicologia não têm uma introdução sobre o que é o SUS, sobre o que é a luta antimanicomial, e quando têm é muito rasa. Então a gente decidiu criar um movimento de estudantes para estudantes, para a gente conseguir fazer um letramento sobre SUS, Luta Antimanicolonial, Rede Psicossocial e o tratamento dentro do CAPS. E mudar a perspectiva de com que público a gente vai trabalhar”, relata Rebeca. 

  A Frente Estudantil de Luta Antimanicolonial Esther Morgannah faz reuniões presenciais, divulgadas pelas redes sociais, para quem se interessar em contribuir com a causa, alternadamente segundas e quartas às 16h, em salas do bloco D, no décimo andar do Campus Maracanã. E também  organiza eventos contando com a participação ativa de usuários da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), provando a potência do atendimento humanizado e a relevância da reinserção. 

Roda de Partilha sobre a RAPS (Foto registrada por membro da FLAEM)

Visita ao Instituto Municipal Nise da Silveira, guiada por artistas e usuários do instituto 

(Foto registrada por membro da FLAEM)

Mesa da Segunda Semana da Luta “Antimanicolonial” 

(Foto registrada por membro da FLAEM)

Rebeca reitera que em todos os eventos é mantido um zelo em relação ao protagonismo das pessoas que são o motivo da luta existir. Um exemplo disso é Esther Morgannah, artista e usuária do Instituto Nise da Silveira, que dá nome a Frente. Seu nome foi escolhido porque ela representa o efeito positivo que o cuidado adequado tem na vida das pessoas em sofrimento mental grave, por ver o instituto como um local para sua expansão e expressão pessoal. Rebeca relata também que Esther afirma que estar na Uerj como participante do movimento a incentivou a voltar a estudar — hoje, é aluna de museologia na UNIRIO.

“A gente vem muito no sentido de sensibilizar, mostrar que é possível estar no meio social e ser louco, estar em sofrimento. É muito mais uma preparação da sociedade do que dos usuários e do serviço de saúde mental. A luta tenta ressignificar para a sociedade o sentido da loucura, que ainda é um estigma muito grande”, explica a estudante.

 

 Por fim, Rebeca ressalta que o grupo mantém uma postura aberta para qualquer um interessado em somar, que é só aparecer:“A gente precisa fazer um barulho muito grande para as coisas mudarem, sabe? É quase que uma nova reforma psiquiátrica para que a gente consiga realmente evoluir com essa causa. Só dá para fazer com gente, e gente diferente”.

Fios furtados, prejuízos acumulados: Vila Isabel vive onda de roubos de cabos de energia e internet

Fios furtados, prejuízos acumulados: Vila Isabel vive onda de roubos de cabos de energia e internet

Moradores e comerciantes do Boulevard 28 de Setembro relatam invasões repetidas e criticam ineficácia do policiamento noturno

Por: Murilo Santos e Maria Eduarda Ramalho

O furto de cabos de energia e internet tem assolado os moradores da Grande Tijuca, em especial aqueles que percorrem  o tradicional  Boulevard 28 de Setembro, coração de Vila Isabel. Esse tipo de delito tem sido frequente na região, causando prejuízos financeiros e materiais segundo relatos de moradores e comerciantes. A incidência de casos ocasiona no aumento da insegurança e dos transtornos causados em seus estabelecimentos e residências.

Cláudio Mendes mora há 40 anos em Vila Isabel e conversou com a reportagem na associação de moradores onde trabalha, localizada no bairro. Ele conta que a associação foi invadida duas vezes pelo mesmo criminoso: na primeira madrugada, o homem levou o cabo de internet; na noite seguinte, furtou três ventiladores do espaço,o qual oferece atividades a preço popular para crianças da região.

Cabo cortado após o furto na Associação de Moradores ( Vila Isabel ) | Foto: Maria Eduarda Ramalho

Não apenas Cláudio, mas também Ana Paula, sócia de uma clínica de fisioterapia ao lado da Associação, relata ter sofrido grandes prejuízos causados pelo mesmo meliante. Ela conta que, em março deste ano, a clínica foi alvo de sucessivas invasões: “Quatro invasões em uma semana. Conseguimos pegar, a polícia pegou, fomos à delegacia e ele foi solto no mesmo dia. Aí ele voltou aqui na associação de moradores e roubou também. Aqui ele deu um prejuízo imenso pra gente — roubou fios, cabos e aparelhos de ar-condicionado”.

A Grande Tijuca, área da qual Vila Isabel faz parte, é contemplada pelo programa Segurança Presente, que se propõe a oferecer um policiamento comunitário e extensivo para melhorar a sensação de segurança dos moradores. No entanto, é consenso entre os entrevistados que o programa não tem sido eficaz na prevenção dos crimes. Segundo Ana Paula, os policiais encerram o patrulhamento às 20h, o que os torna incapazes de coibir as invasões e furtos que ocorrem durante a madrugada.

Questionada sobre possíveis soluções, Larissa Lopes, funcionária de um curso de idiomas na região e que convive diariamente com o problema, defende que, além de um policiamento mais ativo, a fiação elétrica deveria ser subterrânea — solução que já existe no estabelecimento onde trabalha e que, segundo ela, faz diferença: “A ideia de tornar tudo subterrâneo é bem válida, porque evita muita coisa. Mas, em relação à segurança, acho que poderia aumentar — mais pessoas, maior fiscalização, com eles passando, circulando pela 28 (Boulevard 28 de Setembro), pelos locais, pelos estabelecimentos, para saber se está tudo certo”.

A PMERJ e sua assessoria foram procuradas pelos repórteres sobre o depoimento dos entrevistados para transmitir sua versão e atuação na área, porém não emitiram resposta até a data de produção da reportagem.

Dados da Light de 2023, publicados em matéria do G1, apontam que a região da Tijuca lidera o ranking de furtos de fiação elétrica no Rio, com 91 casos registrados — à frente de Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes, bairros geograficamente maiores.

A proposta apresentada por Larissa converge com medidas defendidas pelo pesquisador Ignacio Cano, coordenador do Laboratório de Análise da Violência da Uerj, que aponta a substituição do cobre por materiais menos valiosos como uma política eficaz no combate ao furto de cabos e na redução de seus impactos. Enquanto soluções estruturais não chegam, moradores e comerciantes de Vila Isabel seguem arcando com os prejuízos — e aguardando uma resposta do poder público.

Do sonho à realidade: Como é a graduação na visão dos veteranos

Do sonho à realidade: Como é a graduação na visão dos veteranos

Alunos que já estão perto da conclusão do curso expõem suas visões e experiências na Uerj

Por: Maria Clara Jardim e Tiago Alves

Entre expectativas e a vivência real, veteranos de diferentes cursos da Uerj  descrevem as suas experiências durante a graduação, analisam as mudanças de percepção no decorrer do curso e falam sobre as suas perspectivas para o futuro. 

Estrutura “Eu ♥ UERJ”, no campus Maracanã.  

 (Foto: Maria Clara Jardim)

A formação e a especialização proporcionadas pela graduação têm  impacto direto na entrada do estudante no mercado de trabalho. O que pode ser exemplificado por um estudo de 2024 do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/ FGV), divulgado pela CNN Brasil, que  mostra que “trabalhadores com ensino superior ganham, em média, 126% a mais do que aqueles com menor escolaridade”. Esse cenário pode contribuir para melhores oportunidades profissionais e impactar na qualidade de vida dos estudantes após a graduação.

Mesmo que as melhores oportunidades sejam oferecidas a quem possui graduação, é preciso esclarecer que o processo de formação no ensino superior pode ser desafiador, principalmente na reta final, fazendo com que os estudantes tenham que desempenhar maior esforço para se formar.  É o caso de Vinícius Martins, graduando de matemática, que contou sobre o momento mais desafiador que experimentou em sua trajetória na Uerj: “Quando eu vi, após muitas reprovações, que se eu não tivesse uma mudança radical de mentalidade, não seria possível completar a minha graduação”. 

 

O estudante explicou que para superar essa situação, foi importante ter tido contato com oportunidades dentro de sua área de formação, como por exemplo a Semana do Matemático que aconteceu na Uerj no ano de 2025. Mostrando uma parte essencial para o desenvolvimento de cada universitário: a vivência prática a partir da teoria que é apresentada em cada disciplina. 

 

Apesar das adversidades enfrentadas no decorrer do curso, existem fatores que influenciam positivamente a permanência dos estudantes na universidade. Para Cayo Nascimento, estudante de ciências sociais, o que o motiva nessa reta final é o seu desejo de alcançar uma posição de destaque em sua área, e consequentemente, construir uma carreira. “No início eu cogitei sair do curso por conta da baixa empregabilidade, visando uma melhoria de vida no futuro. Hoje, estou inserido no mercado dentro da minha área de estudos, e não penso mais em migrar de curso”, relatou Cayo.

 

Os dois jovens também destacam a importância de buscar ativamente oportunidades de aprendizado para além das aulas, comparecer a eventos acadêmicos da sua área e praticar o networking. Para Vinícius, é preciso “deixar a vergonha de lado” e procurar saber com professores sobre oportunidades de Iniciações Científicas, Projetos de Extensão, monitorias ou práticas que vão enriquecer o currículo. 

Como a greve na Uerj impacta a adaptação e as vivências dos estudantes no início da vida universitária

Como a greve na Uerj impacta a adaptação e as vivências dos estudantes no início da vida universitária

Por: Namíbia Machado

A Universidade  do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) teve suas atividades impactadas a partir do dia 25 de março, com o início da greve docente aprovada em assembleia na tarde de quinta-feira, 19 de março, registrando o primeiro movimento desse tipo em dez anos. A paralisação ocorreu após inúmeras tentativas falhas de negociações com o governo do Estado, em meio a reivindicações relacionadas a recomposição salarial,  restabelecimento do adicional por tempo de serviço e melhorias no orçamento da Universidade. A partir do dia 09 de abril, os funcionários técnicos-administrativos da Uerj também entram em greve, unificando a paralisação. 

Entrada 5 da Uerj.

   (Foto: Fernanda Rodrigues)

Nesse cenário, estudantes que estão iniciando suas trajetórias na Uerj encontram um início de semestre voltado para incertezas. Para a maioria dos calouros, o período que é vivido como uma adaptação à vida universitária passou a ser atravessado por dúvidas sobre o calendário acadêmico. 

Para entender como esse movimento está sendo vivido, alguns estudantes foram ouvidos. É o caso de Maria Eduarda Ramalho, aluna do primeiro período de Jornalismo que relata: ´´Eu estava com as expectativas muito altas, sempre foi um sonho entrar na Uerj e no curso de Jornalismo. E, quando soube da greve, foi meio chocante, ainda mais na segunda semana de aula. Não era o esperado, mas ao entender os motivos e as reivindicações, percebi a gravidade da situação dos professores e técnicos. A primeira semana foi muito intensa e quando eu estava começando a me acostumar, veio essa notícia. A rotina acaba sendo interrompida, e depois é preciso passar por todo o processo de adaptação de novo. Minha maior preocupação agora é a duração da greve. É tudo muito imprevisível, mas torço para que a situação se resolva de maneira mais justa e correta para que tudo volte ao normal´´.

Estudantes de diferentes trajetórias relatam  ter uma percepção diversa do movimento. Como por exemplo o caso de Barcelos, aluna do curso de Jornalismo, que já vivenciou outras paralisações na Universidade: ´´Já passei por uma greve na própria Uerj, entre 2015 e 2016, então não é algo totalmente novo pra mim. Mas a experiência muda muito quando a paralisação acontece logo no início do semestre”. 

Segundo os alunos, para quem nunca teve contato com o ensino superior, o impacto tende a ser maior, já que ainda estão no processo de entender a rotina acadêmica, o ritmo de estudos e os compromissos dentro da Universidade. Já para estudantes mais experientes, a mudança é percebida como mais um processo de readaptação. Para os calouros, a situação pode ser ainda mais difícil, pois existe uma frustração após todo o esforço para ingressar na universidade, interrompido logo no início.

As percepções dos estudantes revelam um cenário de incertezas que vai muito além de experiências individuais. Com a greve deflagrada, diversos aspectos são impactados: desde a organização do calendário, o cumprimento de prazos e projetos até a continuidade das aulas. Enquanto isso, membros da comunidade uerjiana acompanham com expectativas os desdobramentos das negociações e os impactos no calendário letivo.

Vivência e permanência estudantil: o impacto das redes de apoio na universidade

Vivência e permanência estudantil: o impacto das redes de apoio na universidade

Os vínculos criados na universidade ajudam o estudante a se manter e se desenvolver no ensino superior

Por: Maria Clara Jardim

Em meio ao aumento das discussões sobre saúde mental e permanência estudantil, alunos da Uerj têm encontrado nos laços de amizade um importante fator de estabilidade acadêmica. No campus Maracanã, grupos de convivência e trocas cotidianas em espaços como os centros acadêmicos e os halls ajudam a reduzir a sensação de isolamento e aliviar a pressão das demandas acadêmicas.

Grupo de amigos reunido em torno da estrutura “Eu ♥ UERJ”, no campus Maracanã.

   (Foto: Maria Clara Jardim)

Durante o semestre letivo, os estudantes lidam com diferentes demandas enquanto tentam equilibrar todas elas. Esse contexto costuma impactar a saúde mental dos universitários, considerando as responsabilidades e pressões que os acompanham. A necessidade de cumprir prazos e ter um bom desempenho, além de fatores como a conciliação dos estudos e trabalho, tornam a rotina ainda mais exaustiva. 

 

Esse cenário exemplifica um estudo da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), que revelou que cerca de 83% dos universitários já enfrentaram algum nível de sofrimento psicológico durante a vida acadêmica. Diante desse quadro, o suporte psicológico oferecido pelas instituições torna-se fundamental para a promoção de uma vida acadêmica mais saudável. Para além do apoio institucional, também é essencial que haja uma rede de apoio que funcione como amparo emocional dentro da universidade. A partir das trocas cotidianas entre amigos, os estudantes vivem momentos de lazer que ajudam a reduzir o estresse.

 

A professora do Departamento de Psicologia Clínica da Uerj, Laura Quadros, ressaltou a importância dos vínculos sociais para o aumento do desempenho dos estudantes: “O grupo pode ter essa função de fortalecer e colaborar para o enfrentamento dos desafios, pois no grupo você pode construir laços profundos e reconhecer suas qualidades através da relação com o outro”. A especialista entende que, quando o grupo compartilha de um objetivo em comum, como a busca pelo desenvolvimento acadêmico, ocorre um auxílio mútuo e amparo nas dificuldades. 

 

As reflexões da professora são confirmadas no depoimento de uma estudante de jornalismo da Uerj. Sofia Inerelli está no processo de transição do segundo para o terceiro período do curso e, mesmo no início da graduação, já lida com muitas demandas da rotina acadêmica. Ela diz que ao criar vínculos no ambiente universitário, a sua rotina se tornou menos desgastante:  “Eu tive sorte de encontrar um grupo muito legal e aberto no início da faculdade, que realmente abre espaço para que todos dividam suas ideias”. Segundo ela, ter um grupo que seja uma base de acolhimento e equilíbrio, com todas as demandas fortes da faculdade, impactou o seu emocional. “Não é um substituto da família ou de outros amigos, mas por ter um convívio diário por muitos dias, se torna o seu porto seguro de alguma forma”. 

 

Para Sofia, a rotina semelhante do grupo gera a sensação de pertencimento: “Impacta o seu psicológico porque você sabe que eles estão no mesmo barco que você […], há uma confiabilidade muito grande para você trocar algumas informações”. Além disso, Sofia acrescenta que suas amizades incentivam o seu desenvolvimento acadêmico, pois “são um suporte que acalma e traz sempre leveza”, o que auxilia na busca pelo aprendizado e novas oportunidades sem que a pressão seja extrema. A estudante conclui mostrando o principal ensinamento que observou ao conviver com seu ciclo de amigos: “Ter esse equilíbrio das demandas de tarefas e da pressão profissional futura, mas com a importância e necessidade também de relaxar e descontrair”.

Grupo de amigos celebrando aniversário em espaço da UERJ.

(Foto: Vitória Perez)

Os alunos relatam que os laços de amizade exercem papel importante na estabilidade emocional e na permanência deles na Uerj. Nesse sentido, a existência de espaços sociais que estimulem a convivência no campus torna-se fundamental. Segundo Quadros, a Universidade pode contribuir ao promover espaços culturais, programações livres e incentivar momentos de leveza em meio às obrigações acadêmicas, favorecendo o bem-estar da comunidade universitária.

Para além das iniciativas institucionais, no entanto, o fortalecimento desses ciclos acontece de forma espontânea. Como conclui a professora, “nem tudo é da ordem institucional. Há uma frase política que diz que o afeto é revolucionário, pois o afeto humaniza, aproxima e promove o encontro com nossas potências”. Para Laura, apostar na espontaneidade é permitir que o jovem possa ser quem realmente é. “Um bom grupo de amigos nos traz essa possibilidade”, acrescenta a professora.

Ginástica para idosos em Vila Isabel melhora saúde e qualidade de vida dos alunos

Ginástica para idosos em Vila Isabel melhora saúde e qualidade de vida dos alunos

Por: Alice Moraes e Thaísa de Souza

Alunas realizando os exercícios. Foto: Alice Moraes e Thaísa de Souza

Tilda Farias, de 72 anos, se emociona ao contar sobre o efeito positivo que os exercícios físicos vem causando em sua vida. Ela, que sofria com hérnia de disco, artrite e artrose, relata que, desde que se tornou aluna da turma de ginástica após recomendação de seu filho, não sente mais dor na coluna nem dor de cabeça. Seus exames atuais causaram alegria nela e na equipe médica, porque não deram nenhum resultado de enfermidade. Ela conta que foi aplaudida pelo médico ao dizer: “Doutor, agora eu faço atividade física lá onde eu moro”. 

 

Tilda participa das aulas gratuitas de ginástica para pessoas da terceira idade na Praça Tobias Barreto, em Vila Isabel, que acontecem às segundas, quartas e sextas pela manhã, das 9h às 10h30. O professor Jairo Santos detalha que é importante oferecer exercício físico para o idoso, porque o corpo humano precisa estar sempre em movimento. Caso contrário, com o tempo de sedentarismo, os movimentos vão sendo prejudicados.

 

“Eu não sinto dor nenhuma agora, sou feliz aqui”, relata Tilda entre lágrimas de alegria. As aulas, além de ajudarem na recuperação da saúde dela, também proporcionam que ela e os demais participantes cultivem amizades uns com os outros e tenham uma rotina de socialização. 

Profissional explica benefícios da ginástica para idosos

As aulas começaram pouco antes da pandemia a partir de um projeto proposto pelo então candidato a vereador Márcio Ribeiro. O professor Jair Santos, de 57 anos, formado em Educação Física há 17 anos e ex-atleta de alto rendimento, relembra que tudo começou com apenas quatro participantes. Com o tempo, o grupo cresceu e se tornou um ponto de cuidado com a saúde e fortalecimento da autonomia dos idosos. Jair explica que o corpo precisa manter ao longo da vida funções básicas como agachar, levantar, puxar e alcançar — habilidades que se perdem com o sedentarismo e tornam tarefas simples, como calçar uma meia, um desafio. Ele compara o corpo a um carro que fica parado por anos: quando não é usado, enfraquece. Por isso, as aulas seguem uma progressão pedagógica, do simples ao complexo, respeitando limitações e comorbidades. O resultado aparece no dia a dia dos alunos: melhora no equilíbrio, mais elasticidade, aumento da força e maior independência.

O impacto vai além da parte física. Segundo Jair, muitos participantes viviam sozinhos e sem estímulos sociais. Com o grupo, criaram novas amizades, desenvolveram confiança e passaram a frequentar passeios coletivos — de visitas ao Museu do Amanhã a caminhadas em Copacabana. O convívio regular fortalece o bem-estar emocional, reduz a sensação de isolamento e amplia o senso de pertencimento. Para o professor, a longevidade também nasce das relações: “Não somos só corpo, somos espírito”, afirma. 

Alunas descrevem bem-estar físico e mental

“Isso aqui é muito importante para nós”, relata Jurema Ribeiro, de 71 anos. “Eu tinha problema na coluna e no joelho, hoje em dia faço de tudo e tenho mais disposição”. A aluna é tão beneficiada em sua saúde física e mental pelas aulas de ginástica que faz questão de chamar outros colegas para participarem dos exercícios. 

 

Bernadete Maria, de 67 anos, se sente mais animada desde que se interessou pelos exercícios. Ela, que iniciou as aulas há um mês, já vê melhoras na sua vida: diminuiu o sedentarismo, aumentou seu desejo de se movimentar mais e lhe proporcionou mais disposição para sair de casa. 

Alunas participando das aulas. Foto: Thaísa de Souza

Participação feminina supera a masculina

Os números revelam uma realidade curiosa: das 86 pessoas inscritas, 82 são mulheres e apenas quatro homens, que participam esporadicamente. Para o professor, isso não surpreende. Jair observa que, na velhice, “há mais viúvas do que viúvos”, e atribui a diferença ao fato de que muitos homens não cuidam da própria saúde com a mesma constância. Enquanto eles passam pela praça dizendo que “já estão caminhando” ou que “estão bem assim”, as mulheres demonstram maior curiosidade, perguntam sobre horários, formas de participar e rapidamente se engajam nas atividades. Esse interesse feminino explica tanto o crescimento do grupo quanto a vitalidade que mantém o projeto vivo.

Alunas da ginástica com o professor Jairo e com as repórteres Alice e Thaísa.