Ginástica para idosos em Vila Isabel melhora saúde e qualidade de vida dos alunos

Ginástica para idosos em Vila Isabel melhora saúde e qualidade de vida dos alunos

Por: Alice Moraes e Thaísa de Souza

Alunas realizando os exercícios. Foto: Alice Moraes e Thaísa de Souza

Tilda Farias, de 72 anos, se emociona ao contar sobre o efeito positivo que os exercícios físicos vem causando em sua vida. Ela, que sofria com hérnia de disco, artrite e artrose, relata que, desde que se tornou aluna da turma de ginástica após recomendação de seu filho, não sente mais dor na coluna nem dor de cabeça. Seus exames atuais causaram alegria nela e na equipe médica, porque não deram nenhum resultado de enfermidade. Ela conta que foi aplaudida pelo médico ao dizer: “Doutor, agora eu faço atividade física lá onde eu moro”. 

 

Tilda participa das aulas gratuitas de ginástica para pessoas da terceira idade na Praça Tobias Barreto, em Vila Isabel, que acontecem às segundas, quartas e sextas pela manhã, das 9h às 10h30. O professor Jairo Santos detalha que é importante oferecer exercício físico para o idoso, porque o corpo humano precisa estar sempre em movimento. Caso contrário, com o tempo de sedentarismo, os movimentos vão sendo prejudicados.

 

“Eu não sinto dor nenhuma agora, sou feliz aqui”, relata Tilda entre lágrimas de alegria. As aulas, além de ajudarem na recuperação da saúde dela, também proporcionam que ela e os demais participantes cultivem amizades uns com os outros e tenham uma rotina de socialização. 

Profissional explica benefícios da ginástica para idosos

As aulas começaram pouco antes da pandemia a partir de um projeto proposto pelo então candidato a vereador Márcio Ribeiro. O professor Jair Santos, de 57 anos, formado em Educação Física há 17 anos e ex-atleta de alto rendimento, relembra que tudo começou com apenas quatro participantes. Com o tempo, o grupo cresceu e se tornou um ponto de cuidado com a saúde e fortalecimento da autonomia dos idosos. Jair explica que o corpo precisa manter ao longo da vida funções básicas como agachar, levantar, puxar e alcançar — habilidades que se perdem com o sedentarismo e tornam tarefas simples, como calçar uma meia, um desafio. Ele compara o corpo a um carro que fica parado por anos: quando não é usado, enfraquece. Por isso, as aulas seguem uma progressão pedagógica, do simples ao complexo, respeitando limitações e comorbidades. O resultado aparece no dia a dia dos alunos: melhora no equilíbrio, mais elasticidade, aumento da força e maior independência.

O impacto vai além da parte física. Segundo Jair, muitos participantes viviam sozinhos e sem estímulos sociais. Com o grupo, criaram novas amizades, desenvolveram confiança e passaram a frequentar passeios coletivos — de visitas ao Museu do Amanhã a caminhadas em Copacabana. O convívio regular fortalece o bem-estar emocional, reduz a sensação de isolamento e amplia o senso de pertencimento. Para o professor, a longevidade também nasce das relações: “Não somos só corpo, somos espírito”, afirma. 

Alunas descrevem bem-estar físico e mental

“Isso aqui é muito importante para nós”, relata Jurema Ribeiro, de 71 anos. “Eu tinha problema na coluna e no joelho, hoje em dia faço de tudo e tenho mais disposição”. A aluna é tão beneficiada em sua saúde física e mental pelas aulas de ginástica que faz questão de chamar outros colegas para participarem dos exercícios. 

 

Bernadete Maria, de 67 anos, se sente mais animada desde que se interessou pelos exercícios. Ela, que iniciou as aulas há um mês, já vê melhoras na sua vida: diminuiu o sedentarismo, aumentou seu desejo de se movimentar mais e lhe proporcionou mais disposição para sair de casa. 

Alunas participando das aulas. Foto: Thaísa de Souza

Participação feminina supera a masculina

Os números revelam uma realidade curiosa: das 86 pessoas inscritas, 82 são mulheres e apenas quatro homens, que participam esporadicamente. Para o professor, isso não surpreende. Jair observa que, na velhice, “há mais viúvas do que viúvos”, e atribui a diferença ao fato de que muitos homens não cuidam da própria saúde com a mesma constância. Enquanto eles passam pela praça dizendo que “já estão caminhando” ou que “estão bem assim”, as mulheres demonstram maior curiosidade, perguntam sobre horários, formas de participar e rapidamente se engajam nas atividades. Esse interesse feminino explica tanto o crescimento do grupo quanto a vitalidade que mantém o projeto vivo.

Alunas da ginástica com o professor Jairo e com as repórteres Alice e Thaísa.

Perspectiva LGBTQIAPN+ na saúde mental e na política: confira as discussões do terceiro dia do Berro!

Perspectiva LGBTQIAPN+ na saúde mental e na política: confira as discussões do terceiro dia do Berro!

Por: Hyndra Lopes

O último dia do evento (06/11) promoveu mesas sobre os desafios enfrentados pela população LGBTQIAPN+ nos âmbitos da saúde mental e da política. Além de encerrar as sessões da II Jornada Identidades, Gêneros, Corpos e Sexualidades.

Da esquerda para a direita: Bruna Benevides, Dani Balbi, Ricardo Ferreira Freitas e Benny Briolli na mesa “LGBTQIAPN+ na política”, no auditório 93 (9° andar da Uerj Maracanã). Foto de Luana Maciel.

O Berro!, evento promovido pelo Laboratório de Comunicação, Cidade e Consumo (Lacon) da Faculdade de Comunicação Social (FCS Uerj), encerrou na última quinta-feira e trouxe a saúde mental e a política como pautas para as palestras. As mesas promoveram discussões acerca das demandas LGBTQIAPN+ e da sua representatividade nestes campos, com a presença de figuras relevantes na cena, como Benny Briolli e Dani Balbi. A II Jornada Identidades, Gêneros, Corpos e Sexualidades também finalizou no mesmo dia, contando com trabalhos que trouxeram a visão LGBTQIAPN+ em diversos âmbitos da sociedade.

 

O terceiro dia de evento iniciou, pela manhã, com as últimas apresentações de trabalho da II Jornada Identidades, Gêneros, Corpos e Sexualidades. A sessão 7 foi coordenada por Débora Gauziski, pesquisadora e professora adjunta da FCS Uerj, e Julia Ourique, jornalista e doutoranda em Comunicação pela Uerj. Já a sessão 8 foi coordenada por Diego Cotta, doutor e mestre em Mídia e Cotidiano pela Universidade Federal Fluminense  (IACS/UFF), e Fran Pimentel, jornalista e doutoranda do PPGCOM Uerj. Os trabalhos abordaram diversos temas acerca da diversidade e pluralidade, com foco na perspectiva LGBTQIAPN+ nos diferentes campos culturais e sociais.

 

Na parte da tarde, ocorreu a palestra “LGBTQIAPN+ e saúde mental”. A mesa contou com Marcelle Esteves, psicóloga clínica e ativista, Mario Carvalho, Psicólogo e Pesquisador do Instituto de Psicologia da Uerj, e Céu Cavalcanti, Professora adjunta da UFRJ e secretária de saúde mental da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA). Os palestrantes trouxeram como pauta principal a falta de amparo familiar e do Estado para pessoas LGBTQIAPN+ e os impactos negativos provocados na sua saúde mental. 

Da esquerda para a direita: Céu Cavalcanti, Marcelle Esteves e Mario Carvalho, com projeção ao fundo: “Não se trata de uma fragilidade intrínseca, mas sim do resultado direto de um ambiente social hostil.”. Foto de Luana Maciel.

Homossexuais, pessoas trans e travestis são alvos constantes de diversos tipos de violência por conta do preconceito. De acordo com Marcelle, essa situação gera o chamado “estresse de minoria”, carga emocional acumulativa que afeta pessoas oprimidas socialmente e pode desencadear depressão e ansiedade. O quadro é mais latente entre pessoas LGBTQIAPN+, considerando que metade desta população no Brasil já apresentou esses transtornos. Mario complementa a questão posta pela psicóloga ao apontar que grupos socialmente minorizados tem maior índice de comportamentos suicidas, motivados pela violência sofrida, e jovens LGBTQIAPN+ estão mais suscetíveis a cometerem suicídio. 

 

Os prejuízos à saúde mental desse grupo tem raízes sociais, devido à carência de uma rede de apoio por parte da família, dos amigos e do Estado para proverem, além da base emocional, auxílio psicológico, econômico e educacional, por exemplo. Céu Cavalcanti frisa essa ideia ao apontar que o tratamento psicológico não pode ser encarado como algo individual da pessoa e destaca a importância do termo “psicossocial”, que sai da lógica individualizada do adoecimento para entender que a questão engloba outros problemas sociais, como a fome, a pobreza e o preconceito. “Não queremos sobreviver, queremos viver bem”, declara Céu.

 

O último dia de Berro! finalizou com a palestra “LGBTQIAPN+ na política” e contou com presenças ilustres como Ricardo Ferreira Freitas, coordenador do Lacon, Bruna Benevides, presidenta da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), Dani Balbi, deputada estadual do Rio de Janeiro e primeira mulher trans eleita pela Alerj, e Benny Briolly, vereadora de Niterói e primeira mulher trans eleita para  cargo no município. As discussões envolveram a luta da comunidade LGBTQIAPN+ na política, para alcançar cargos de poder e reivindicar os seus direitos, com destaque para as cotas trans na universidade. Como apontou Ricardo, enfatizar essa questão na Uerj é necessário para incentivar a reitoria em prol da aprovação dessa medida.

Bruna Benevides falando durante a mesa “LGBTQIAPN+ na política”, ao lado de Dani Balbi, Ricardo Ferreira Freitas e Benny Briolli, no auditório 93 (9° andar da Uerj Maracanã). Foto de Luana Maciel.

Dani Balbi, em sua fala, afirma que ser transsexual, por si só, já é um ato político e defende a importância das cotas trans na universidade para além do impacto individual na trajetória dessas pessoas. A universidade é uma instituição de direcionamento de pesquisa e é responsável por promover novas visões de mundo. Logo, a implementação das cotas trans contribui também para produzir políticas públicas voltadas à comunidade, adensar o debate social acerca de questões LGBTQIAPN+ e modificar o curso da história, com a inserção de pessoas historicamente marginalizadas em locais de grande prestígio social.

 

A perseguição da população LGBTQIAPN+ retardou a sua participação política efetiva e a conquista dos seus direitos, como denuncia Bruna Benevides:  “Essas perseguições, essas mobilizações, não são recentes, elas sempre tiveram esse papel de manter no poder o que é hegemônico”. Mesmo assim, a comunidade nunca deixou de lutar pela sua inclusão e de se mobilizar na disputa por um espaço na política institucional. Em 2020, foram eleitos mais de 30 vereadores e vereadoras trans, representando um grande avanço no cenário político brasileiro. Ela diz que estamos vivendo o sonho das travestis mais velhas, que visavam e gestaram esse poder político.

 

Finalizando a noite, Benny Briolli fala sobre a continuidade da luta política LGBTQIAPN+, e denuncia a predominância da heteronormatividade nas instituições brasileiras, que não foram pensadas e nem pensam na multiplicidade de corpos, sobretudo nos corpos trans. A naturalização desses indivíduos em espaços de amplo reconhecimento nacional deveria ser óbvia, mas, como não é o que acontece, torna-se ainda mais imprescindível. Além da inclusão, é importante que as questões e os direitos da população LGBTQIAPN+ sejam postas em pauta por seus membros integrantes. “Quando a gente traz esse debate, a gente traz o nosso corpo para o centro da discussão”, declara a vereadora.

 

Dessa forma se encerra o Berro!, evento que levantou diversas reflexões acerca das perspectivas da população LGBTQIAPN+ nos mais variados âmbitos sociais. A promoção desses encontros na universidade possibilitam a visibilidade e a construção de conhecimento acerca da luta dessa comunidade, constituindo um ato político. Como Bruna Benevides aponta em sua fala, uma política “transversal, interseccional e diversa”.

Copa do Mundo Sub-17: o sonho do pentacampeonato

Copa do Mundo Sub-17: o sonho do pentacampeonato

Seleção brasileira se classifica em primeiro lugar na primeira fase

Por: Murilo Soares

Reprodução: Instagram (@selecaodebase)

Patch da competição no uniforme brasileiro

A 20ª edição da Copa do Mundo Sub-17 teve seu pontapé inicial no dia 3/11, com o jogo entre África do Sul e Bolívia, válido pelo grupo A. E pela primeira vez, o torneio conta com 48 seleções. Sediado em Doha, no Catar, o Mundial ocorrerá entre os dias 3 e 27 de novembro, terá 104 jogos, todos eles ocorrendo no complexo esportivo Aspire Zone e será a primeira de cinco edições seguidas em território catari. 

 

Com a ausência da maior campeã do torneio, a Nigéria, que tem 5 títulos, o Brasil pode igualar os nigerianos e se tornar a segunda seleção pentacampeã do torneio. Campeã nas edições de 1997, 1999, 2003 e 2019, a Canarinho, comandada por Dudu Patetuci, conta com nomes como Ruan Pablo e Dell (atacantes do Bahia) e Kayke Ayrton (ponta direita do Athletico Paranaense). 

 

Em um grupo com Honduras, Indonésia e Zâmbia, os brasileiros venceram suas duas primeiras partidas na competição e empataram com os africanos por 1 x 1 na última rodada da fase de grupos. Com essa campanha, a Canarinho assegurou o 1º lugar na chave com 7 pontos devido ao melhor saldo de gols (11, 6 a mais que os zambianos), e garantiu sua classificação para o mata-mata do torneio.

Reprodução: Instagram (@selecaodebase)

Luis Eduardo, (à esq.), e Kayke Ayrton, comemorando um gol contra a Indonésia

Na busca para conquistar a sonhada quinta estrela, a seleção brasileira terá que superar fortes concorrentes na disputa, como a Itália, que tem como destaque o “craquinho” do Borussia Dortmund Samuele Inacio, artilheiro da Eurocopa sub-17 deste ano, Portugal, campeão do torneio europeu, tendo o melhor jogador do campeonato, Rafael Quintas, Inglaterra e Argentina. Além disso, é importante destacar o potencial da seleção do Marrocos, que cada vez mais vem investindo no futebol tanto profissional como de base, tendo se sagrado campeão da Copa do Mundo Sub-20; os Leões do Atlas podem novamente surpreender. 

 

Na sexta-feira, 14, às 12h45m, o Brasil enfrentará o Paraguai em duelo válido pelos 16-avos-de-final da competição: quem perder está eliminado. Para acompanhar o torneio, os espectadores podem acessar o canal de TV fechada SporTV, ou assistir gratuitamente no streaming FIFA+ e no youtube pela CazéTV. 

Berro! traz discussão sobre direito ao esporte e ao entretenimento para o público LGBTQIAPN+

Berro! traz discussão sobre direito ao esporte e ao entretenimento para o público LGBTQIAPN+

Por: Fernanda Rodrigues

O segundo dia de Berro! (05/11) contou com a apresentação de trabalhos pela manhã na II Jornada Identidades, Gêneros, Corpos e Sexualidades e as mesas LGBTQIAPN+ no Esporte, na Cultura e no Entretenimento.

As palestras aconteceram no auditório 93, no nono andar da Uerj. Foto por Hyndra Lopes

Pela manhã, às dez horas, os trabalhos apresentados na jornada discutiram as questões do esporte e da cultura. O dia contou com a sessão 5 da jornada, coordenada por Diego Cotta, Doutor e Mestre em Mídia e Cotidiano pela Universidade Federal Fluminense IACS/UFF e estagiário pós-doutoral em Comunicação no PPGCOM/Uerj e Marcelo Resende, jornalista, doutorando e mestre em Comunicação pela Uerj. Já a sessão 6 foi coordenada por Débora Gauziski, pesquisadora e professora adjunta da FCS Uerj e Julia Ourique, jornalista e doutoranda em comunicação pela Uerj

Os trabalhos trataram principalmente da representação da comunidade LGBTQIAPN+ nos campos do esporte e do entretenimento. No esporte, a comunidade  é oprimida e tem seus direitos negados – como em muitos outros setores. Nos estádios, por exemplo, pessoas que não se encaixam no padrão hétero normativo são excluídas e inibidas de frequentar esses espaços. Já no entretenimento, a representação desse grupo social é muitas vezes equivocada ou esteriotipada. 

A primeira mesa do dia contou com a presença de Leda Costa, professora da Uerj; Marcelo Resende, jornalista e Marcelo Silva, fundador da Aquatrans, projeto social voltado para pessoas trans. A presença e resistência LGBTQIAPN+ no esporte foi mais uma vez discutida.

A professora Leda Costa foi a primeira a falar, trazendo sua pesquisa sobre a relação do feminino com o futebol, como gênero excluído e violentado nesse campo. Leda revelou que, em dia de jogo de futebol, registros de violência doméstica aumentam em 26%.

A professora deixou uma reflexão sobre masculinidade tóxica e misoginia, passando pelos detalhes de sua pesquisa. No futebol, as mulheres são associadas a uma ameaça ao padrão de feminilidade imposto pela sociedade. A presença das mulheres nos primeiros Jogos Olímpicos (1896), por exemplo, foi proibida. As jornalistas esportivas, também, recebem muitos ataques de ódio, especialmente nas redes sociais. Ou seja, a presença da mulher nos esportes ameaça a figura do “macho”. 

Leda fala, ainda, sobre como se sente acolhida na Uerj, declarando que a Universidade a permitiu “sair do armário” e mencionando as amizades que o trabalho lhe rendeu.

Da esquerda para a direita: Leda Costa, Marcelo Resende e Marcelo Silva, palestrantes da mesa LGBTQIAPN+ no Esporte. Foto por Hyndra Lopes

Marcelo Resende palestrou sobre o corpo LGBTQIAPN+ nos estádios. Marcelo apresentou sua pesquisa, expondo como os “corpos dissidentes” ocupam o espaço em campo. Como já mencionado anteriormente, a área esportiva, principalmente o futebol, oprimem e escanteiam corpos que fogem do padrão heteronormativo. Ele ressalta, porém, que o futebol não é “coisa de macho” , e reivindica o direito universal ao esporte.

O jornalista traz o exemplo de Nando Gald, influenciador torcedor do Vasco que desafia os padrões de heteronormatividade impostos em campo. Performando sua sexualidade da forma que ele bem entende, Nando não se intimida com a homofobia no futebol e luta por um campo mais democrático. Resende traz ainda a relação entre as brigas de torcidas e o ideal de masculinidade imposto em campo.

Para encerrar a mesa, Marcelo Silva, professor de educação física e fundador da Aquatrans, levou à mesa a pauta das pessoas trans no esporte. Marcelo é também professor de natação no Vasco e ceo da 7etemares. 

O aquatrans é um projeto de aulas de natação em águas abertas para pessoas transsexuais e travestis. O projeto reúne mais de 150 alunes não só cariocas, como também de outros estados e estrangeiros. 

Marcelo ressalta que o corpo trans é muito negado ao esporte na nossa sociedade. A discussão sobre a competição de pessoas trans nos esportes continua sendo um tabu muito forte. O professor cita que, muitas vezes, pessoas trans nem mesmo consideram o esporte como uma possibilidade. 

O Aquatrans, para além da técnica esportiva, tem um papel social e político. Marcelo Silva ressalta o significado da praia para as pessoas trans, que, principalmente no início da transição, se sentem envergonhadas de frequentar esses espaços. O projeto ressignifica a praia para essas pessoas, além de introduzi-las no esporte.

Para encerrar o dia, a mesa LGBTQIAPN+ na Cultura e no Entretenimento ocupou o auditório 93. Thiago Soares, Bárbara Alves e Nilaisa Luciana debateram o papel da comunidade nesse âmbito da sociedade. 

Thiago Soares é professor e pesquisador de Comunicação e Cultura Pop e falou sobre sua pesquisa acerca do “Gagacabana” , fenômeno que se deu este ano por causa do show da Lady Gaga no Rio de Janeiro. 

Thiago enxerga os espetáculos de música pop como reorganizadores da dinâmica da cidade, que se mobiliza pelo evento. O pesquisador menciona as lojas do Saara, na região central do Rio, que se modificaram, vendendo adereços para o show da Lady Gaga. O show, ainda, é um espaço de performance e expressão LGBTQIAPN+. 

Em seguida, Bárbara Alves, que trabalha diretamente na presidência da FioCruz com enfoque nas questões LGBTQIAPN+ e de diversidade, discutiu sobre a posição da comunidade em questões de representatividade na mídia, principalmente.

Bárbara destaca: “Nós, travestis, ainda somos muito desumanizadas”. Na mídia, pessoas trans são muito mal representadas, reforçando estereótipos e preconceitos. Ela dá o exemplo do programa “Zorra Total”, exibido na Globo entre 1999 e 2015, que fazia chacota de pessoas trans e travestis.

Além disso, ela coloca a questão sobre o imaginário de um tipo ideal de corpo ou comportamento LGBTQIAPN+ e a questão da representatividade que, apesar de estar crescendo, ainda é insuficiente, seja na mídia, seja no mercado empresarial, por exemplo. 

Bárbara Alves, Thiago Soares, Nilaisa Luciana palestrando no segundo dia de Berro! Foto por Hyndra Lopes.

Para finalizar o dia, Nilaisa Luciana levou à mesa uma reflexão complexa sobre as relações de poder. Nilaisa trabalha com educação popular e é moradora da Maré, comunidade no Rio de Janeiro. A educadora colocou que a questão da representatividade e dos preconceitos envolve um conjunto de signos que formam um imaginário acerca da população LGBTQIAPN+. Esse imaginário é equivocado e preconceituoso, gerando violência. Para ela, as relações de poder estão presentes em todas as relações sociais que exercemos e impactam a comunidade LGBTQIAPN+ de forma violenta. 

Somos deixados com a reflexão acerca de como a comunidade é representada na sociedade – seja no esporte, seja no entretenimento. É importante ocupar espaços e resistir, transpondo o preconceito opressor que assola as pessoas LGBTQIAPN+.

“Berro!”: Evento discute identidade e gênero na universidade e no mercado de trabalho

“Berro!”: Evento discute identidade e gênero na universidade e no mercado de trabalho

Confira os depoimentos, palestras e todos os detalhes do que aconteceu no primeiro dia do “Berro!”

Por: Luana Maciel

Na última semana, dos dias 4 a 6 de novembro, aconteceu na Uerj o “Berro!”, evento organizado pelo Laboratório de Comunicação, Cidade e Consumo (Lacon) da Faculdade de Comunicação Social (FCS). O evento reuniu convidados ilustres e promoveu importantes debates sobre a expressão e comunicação LGBTQIAPN+ em múltiplas áreas. 

O primeiro dia de debates teve início com a apresentação de trabalhos pela manhã. Os trabalhos faziam parte da Jornada “Identidades, gêneros e sexualidades” e os temas abordados foram os mais diversos, mas todos com uma meta em comum: pensar a cultura, a arte, o esporte e as demais áreas a partir da perspectiva LGBTQIAPN+. As apresentações se estenderam até o período da tarde, reunindo alunos e acadêmicos interessados e finalizando cada sessão com um momento de perguntas e comentários.

Às 17h, a mesa de abertura, composta por Vania Oliveira Fortuna, subcoordenadora do Lacon; Elizabeth Macedo, Pró-Reitora da Pós-graduação; e Fátima Regis, vice-diretora da FCS , declarou oficialmente aberto o evento.

Mesa de abertura, no auditório 93 da UERJ.  Foto: Hyndra Lopes

Logo em seguida da cerimônia oficial de abertura, teve início, no auditório 93 da Uerj, a primeira mesa do evento, que colocava em pauta os principais desafios e avanços das pessoas LGBTQIAPN+ entre a comunidade acadêmica e no mercado de trabalho. A mesa reuniu o professor de direito da Unifesp, Renan Quinalha; a professora do Programa de Pós-Graduação e Comunicação da UFRGS, Alê Primo; e o professor da FCS e fundador do Lacon, Ricardo Ferreira Freitas.

Renan Quinalha foi quem deu início à palestra. Formado em direito pela USP, o professor comentou sobre sua própria experiência universitária, em um momento e local onde não haviam pessoas abertamente LGBTQIAPN+ nesse espaço. Renan relata que tanto o ambiente acadêmico como os primeiros locais onde trabalhou eram extremamente opressores em relação à identidade de gênero e à sexualidade. Renan se assumiu como homem gay já na vida adulta e, após se reconhecer como tal, passou a pesquisar e estudar experiências LGBTQIAPN+, inclusive trazendo essa temática para o seu doutorado.

O professor enfatiza a importância da expansão e legitimação do campo de estudos de gênero e sexualidade, e diz que a universidade tem que ser um espaço para se discutir esse tema, acompanhando os avanços sociais. Até porque, como ele explica, ter referências de professores e acadêmicos da comunidade ocupando lugares de destaque e prestígio inspira pessoas LGBTQIAPN+ a se imaginarem também nesse lugar, percebendo ser possível trilhar caminhos semelhantes.

Outra questão levantada por Renan é a crise enfrentada pelo mercado de trabalho como um todo. Em um cenário de dissolução das redes de proteção, e crescente vulnerabilidade do trabalhador, não basta, segundo o professor, que se contrate pessoas LGBTQIAPN+ sob a pretensão de inclusão. As empresas e os empregadores devem garantir à comunidade dignidade no ambiente de trabalho, possibilidade de descanso e outros direitos trabalhistas fundamentais. Não basta trazer essas pessoas para a universidade ou para o mercado de trabalho, é preciso pensar como elas vão permanecer nessas posições. Afinal, como o professor Renan pontua em seu discurso, representatividade não é sobre figuração, é sobre transformar estruturas de poder.

Mesa “LGBTQIAPN+ na academia e no mercado de trabalho”, no auditório 93 da UERJ. Foto: Luana Maciel

Em seguida, foi a vez de Alê Primo falar. Mulher trans que transicionou aos 51 anos, professora e Miss Universo trans Brasil, Alê começa contando que sua transição ocorreu durante a pandemia, e comenta os desafios enfrentados nesse processo, principalmente por ter ocorrido em uma fase mais avançada de sua vida. Mas apesar dos desafios, ela vê a transição aos 51 anos de forma positiva e afirma que pensa que não transicionou para uma menina, mas sim para uma mulher madura.

A professora relata que, antes de transicionar, tinha uma ideia de travestis como pessoas sujas e vulgares, pensamento perpetuado pelos preconceitos da sociedade. Por isso mesmo, agora que se assumiu como uma mulher trans, Alê quer ser vista e falar sobre sua experiência, pois entende que é fundamental que as pessoas trans sejam representadas e visualizadas para além desse estereótipo de indivíduos que ocupam a posição à margem da sociedade.

Nesse sentido, a professora não deixa de ressaltar o papel crucial da educação em romper com esses preconceitos e dar voz às pessoas trans. Segundo ela, a educação é transformadora para as minorias. Todos nós somos diferentes. Não existe ninguém igual ao outro”, afirma Alê Primo. E, segundo Alê, tanto a universidade, quanto o local de trabalho devem abraçar e celebrar essas diferenças. “A vida é a diferença. A homogeneidade é pobre. O não movimento é a morte. Tudo que está estático está morto. A vida é movimento”, complementa ela.

Alê Primo defende a adoção da medida de cotas trans. Imagem: Luana Maciel

Por fim, Alê Primo não deixa de fazer uma reivindicação, também colocada em destaque por Renan anteriormente: a necessidade de adesão da Uerj às cotas trans. Ambos enfatizam o papel da universidade como lugar de inclusão, como espaço que precisa ser ocupado por pessoas LGBTQIAPN+ . E, ainda, como  o local onde devem ser produzidas pesquisas e realizados estudos sobre o tema de identidade e gênero. E, para ambos, a adoção da medida de cotas trans é mais um passo, pendente e fundamental, para que se caminhe nessa direção.

O Primeiro dia do Berro! veio para mostrar a essência do evento: a reunião de pessoas renomadas, pessoas curiosas e pessoas determinadas para debater temas relevantes para a comunidade uerjiana e para a sociedade como um todo. Viajando pelas mais diferentes áreas e por variados assuntos, no final do dia o propósito do Berro! é um só: mostrar que a universidade pode e deve ser lugar de discutir identidade e gênero. É onde esse tema pode ganhar voz e levar à produção de conhecimento, para que o conhecimento leve à inclusão e ao respeito. Como bem colocado por Alê Primo em uma de suas falas finais: “Se eu puder resumir o que estamos Berrando é: respeite!”.

João Fonseca: o astro das raquetes

João Fonseca: o astro das raquetes

Brasileiro de 19 anos faz sucesso no tênis e já conquistou títulos contra os maiores do esporte

Por: Eduardo Campos

Há duas semanas, os brasileiros ligaram suas televisões para acompanhar uma final emocionante. No ATP 500 da Basileia, um dos torneios de tênis mais importantes do mundo, João Fonseca venceu o espanhol David Fokina e se sagrou campeão da competição. Para muitos que não conheciam o tenista, o título serviu como um cartão de visitas para mostrar o potencial que esse jovem possui e que surpreende nomes importantes da modalidade.

João nasceu no bairro de Ipanema, na cidade do Rio de Janeiro. Incentivado pelos pais Roberta e Christiano Fonseca, começou a jogar tênis aos 4 anos no Rio de Janeiro Country Club, que ficava ao lado de sua casa. Após alguns anos, entrou para a Yes Tennis, escolinha que dá aula para crianças e jovens tenistas. Aos 12, chamou a atenção de Guilherme Teixeira, seu atual treinador e que o preparou para disputar diversos torneios juvenis. Ele ganhou alguns títulos importantes, como o US Open Juvenil, o Next Gen ATP Finals e a Copa Davis Juvenil pelo Brasil, alcançando a primeira posição do ranking de juniores aos 17 anos, sendo o primeiro brasileiro a obter tal feito. Com o incrível currículo, resolveu subir para os profissionais.

Reprodução: Instagram (@joaoffonseca)

João Fonseca, após o título do Next Gen ATP Finals, posa com seus pais, grandes incentivadores de sua carreira

No profissional, mesmo com apenas 19 anos, Fonseca vem fazendo história no circuito. Além dos títulos no juvenil, ele já possui conquistas no profissional, como os Challengers de Lexington, Camberra e Phoenix, o ATP 250 de Buenos Aires, em que o brasileiro ganhou de quatro argentinos, inclusive na final, para ser campeão, e o já citado ATP 500 da Basileia, seu título mais recente. Para além dos títulos, seu estilo de jogo ofensivo é considerado impactante, com jogadas de velocidade e força em seus golpes com o braço direito. Sua garra e vontade de vencer mesmo com tão pouca idade também são destacadas, fatores que combinados já fizeram João vencer nomes relevantes da modalidade, como o próprio espanhol David Fokina, o russo top-10 do mundo Andrey Rublev e o ex-top 4 mundial o japonês Kei Nishikori.

Com esse grande currículo, o brasileiro chamou a atenção do Big Three, grupo seleto que reúne os três maiores tenistas da história: Novak Djokovic, Rafael Nadal e Roger Federer. Djokovic afirmou que não via um talento brasileiro desde Guga, declarando ser fã de seu jogo e ter como objetivo treinar o jovem no futuro. Já Nadal destacou que acompanha a carreira de Fonseca e elogiou tanto sua performance em quadra quanto seu comportamento fora dela. Enquanto isso, Federer, maior referência na carreira de Fonseca, se encontrou com o jovem na Laver Cup e projetou o torneio sendo realizado na América do Sul com o brasileiro sendo um dos destaques.

Reprodução: Instagram (@joaoffonseca)

João Fonseca e Roger Federer: futuro e passado do tênis lado a lado na Laver Cup

Com o sucesso obtido por João Fonseca, as comparações com Guga são inevitáveis. O ex-top 1 do mundo é considerado o maior nome da história do esporte no Brasil, e com as conquistas do carioca surge a expectativa que ele possa ser tão grande ou até maior do que seu compatriota. Os dois já trocaram elogios diversas vezes. O jovem comentou sobre a importância de representar o Brasil tão bem quanto Guga, enquanto o veterano afirmou que o início da carreira de Fonseca é comparável com a dos melhores da história do esporte. Embora exista uma grande euforia com o desempenho de João, uma questão permanece em aberto: é benéfico ser comparado a Guga ou o peso que tal comparação carrega pode ser um problema para ele durante sua carreira?

Reprodução: Instagram

As comparações inevitáveis entre João Fonseca, à direita, e Guga, à esquerda, podem fazer mal ao jovem?

Para além de seu sucesso individual, o crescimento de Fonseca possui importância crucial para a modalidade no país, pois incentiva outras crianças e jovens a praticarem o esporte. Dessa forma, o tênis brasileiro é potencializado e permite revelar novos talentos. Nomes como Naná Silva e Victoria Barros no feminino, e Rafael Padilha e Guto Miguel no masculino, são de uma geração posterior à de João, provando que mais promessas do tênis brasileiro estão surgindo e que podem se tornar figuras de destaque na modalidade.

A análise sobre João Fonseca deve ser muito maior do que falar apenas sobre seu desempenho. Ele representa a união do povo brasileiro de se reunir com a família para assistir às suas partidas, permitindo que todos vivam momentos inesquecíveis. Considerado um fenômeno dentro e fora das quadras, ele prova que para ser um grande atleta é preciso, além de muito talento, ter foco e determinação.

Promessas ou presente? Estrelas do futebol feminino traçam carreiras profissionais distintas

Promessas ou presente? Estrelas do futebol feminino traçam carreiras profissionais distintas

Enquanto Giovanna Waksman ainda não atua profissionalmente, Claudia Martínez já disputou uma Copa América pela seleção principal paraguaia

Por: Mariana Martins

Reprodução: Instagram (@giovannawaksman / @claudinha_11_ )

Giovanna Waksman e Claudia Martínez

As atletas Giovanna Waksman e Claudia Martínez integram sua respectivas seleções na Copa do Mundo Feminina Sub-17. Fora das categorias de base, a brasileira e a paraguaia traçam caminhos diferentes na carreira. Waksman atua pelo FC Florida e pela The Pine School, escola que frequenta nos Estados Unidos, e Martínez tem contrato profissional com o Club Olimpia no Paraguai, além de somar atuações pela seleção principal albirroja. Assim, enquanto a uma representa o futuro da equipe brasileira, outra já tem grande destaque, e é vista como uma jogadora essencial para levar seu país à Copa do Mundo de 2027. 

 

Giovanna Waksman, atacante de 16 anos, começou sua trajetória na base do Sogima FC, em Jacarepaguá. Em 2020, com 11 anos, ela chegou ao Botafogo para treinar com o time feminino sub-18, mas logo integrou as equipes masculinas do sub-12 e sub-13 para disputar campeonatos de acordo com sua idade. Waksman se destacou com a camisa 10 e a titularidade, atraindo a atenção de John Textor, dono da SAF do Botafogo.   

Em 2022, Textor fez um acordo com a atleta para que ela pudesse desenvolver sua carreira nos Estados Unidos. Waksman se transferiu para o FC Florida, clube de base administrado pelo empresário, e também integra o time da sua escola. Em 2025 ela recebeu o prêmio de “Melhor jogadora do país” pela The Pine School, além de ter marcado 87 gols na temporada. 

 

Pela seleção brasileira, Giovanna Waksman disputou o Sul-Americano sub-17 e integrou o time que chegou à semifinal da Copa do Mundo sub-17. Na fase de grupos do Mundial, ela marcou seis gols e deu cinco assistências em cinco jogos. O técnico da seleção principal Arthur Elias mantém Waksman no radar, e a convidou para treinar com o time antes da disputa da Copa América Feminina em julho de 2025. 

Foto: Reprodução Instagram (@giovannawaksman) 

Giovanna Waksman comemorando gol na Copa do Mundo sub-17

A carreira de Claudia Martínez, de 17 anos, segue por um caminho bem diferente. Natural de Capitán Bado, cidade que faz fronteira com o Brasil, ela começou no futebol há apenas três anos, em 2022, quando trocou o handebol pelo campo. Apesar do começo tardio, Martínez rapidamente se destacou e teve oportunidade de jogar no Sportivo Amelaino, na Primeira Divisão. Em 2024 foi contratada pelo Club Olimpia, para três temporadas na equipe principal. Desde então é um destaque no clube, nas categorias de base e na seleção principal, o que a levou a ser indicada ao prêmio Kopa, destinado à melhor jogadora sub-21. 

 

No Sul-Americano sub-17, Martínez marcou 10 gols em nove jogos, garantindo o topo da artilharia e um título inédito para o Paraguai, além de ajudar a classificar a seleção para o Mundial sub-17. Ela também ficou no topo das marcadoras na Copa América, empatando com a brasileira Amanda Gutierrez com seis gols em quatro partidas. Na Copa do Mundo sub-17, Martínez foi eleita “Melhor Jogadora da Partida” em dois jogos, com direito a um hat trick (três gols em um jogo) contra a Nova Zelândia. 

Foto: Reprodução Instagram (@claudinha_11_)

Claudia Martínez na cerimônia da Bola de Ouro, em Paris

Mesmo com carreiras tão diferentes, as jogadoras mostram que não há um único caminho para o sucesso e se destacaram na Copa do Mundo sub-17. Giovanna Waksman é uma promessa que a comissão técnica brasileira trata com cautela para que, quando estiver pronta, possa vestir a camisa verde e amarela com confiança e experiência. Por outro lado, Claudia Martínez é a principal atacante da seleção paraguaia, mesmo com apenas três anos de futebol. Ela representa o que a La Albirroja pode conquistar no futuro, mas também o que conquista hoje, seja nas seleções de base, seja na principal. 

Projeto da Uerj se especializa em serviços assistidos por cães para jovens com autismo

Projeto da Uerj se especializa em serviços assistidos por cães para jovens com autismo

A equipe desenvolveu a iniciativa “Ler é bom para cachorro

Por: Hyndra Lopes

O Grupo de Estudos e Pesquisas em Autismo e Serviços Assistidos por Cães (GEPAC), da Faculdade de Formação de Professores da Uerj (FFP), desenvolve programas de apoio e educação assistidos para crianças e adolescentes com autismo. Além de oferecer curso de qualificação para servidores públicos.

Atividade em escola com cão de assistência junto ao corpo docente. 

Foto disponibilizada por Vanessa Breia – coordenadora do GEPAC Uerj.

O GEPAC também promove um curso anual de formação e qualificação de profissionais habilitados a atuar em serviços assistidos, oferecido a servidores públicos da saúde, educação, assistência social e segurança pública. O programa, ao longo dos seus três anos de existência, já abrangeu os municípios de Arraial do Cabo, Barra Mansa, Itaboraí, Macaé, Niterói, Nova Friburgo, Rio de Janeiro, São Gonçalo e Maricá.

A relação entre intervenções assistidas e os cães que prestam serviços de apoio aos humanos gera certa confusão no público. Vanessa explica que serviços assistidos por cães consistem em ter um cachorro devidamente treinado como membro integrante de equipes de educação e saúde, por exemplo, ajudando em ações voltadas a um grupo ou a indivíduos. Já os cães de assistência são selecionados e treinados para acompanharem uma única pessoa com deficiência e auxiliá-la em atividades da vida diária, garantindo determinados suportes a partir da realização de tarefas específicas. Em ambos os casos, os cães devem ter o perfil e o treinamento baseados no público alvo que ele irá atender, desenvolvendo um repertório comportamental adequado ao ambiente e às necessidades das pessoas que serão atendidas. 

No GEPAC, que presta assistência a pessoas com TEA, trabalha-se com cachorros de médio a grande porte, resistentes a interações mais bruscas que podem acontecer devido às questões motoras e comportamentais de pessoas no espectro. Além disso, em seu treinamento, passam pelo processo de dessensibilização desses estímulos, para não se incomodarem caso a sua pele seja puxada ou se toque em qualquer parte do seu corpo, garantindo maior segurança aos atendidos.

 

As vantagens que serviços assistidos por cães podem trazer para o tratamento de pessoas com TEA são cientificamente comprovadas. Vanessa concorda que existem benefícios, principalmente nas questões de interação, mas que variam para cada pessoa de acordo com o objetivo terapêutico e a adaptação ao cão, ressaltando que o uso dessas intervenções deve ser um complemento às outras terapias indicadas e que, em alguns casos, pode haver contraindicações.

 

A professora aponta que a comunicação é uma das melhoras mais imediatas decorrentes desses serviços assistidos para crianças e jovens com autismo. Ela diz que os cães são capazes de captar micro sinais sutis mais rápido e de maneira menos invasiva. O seu comportamento também é mais previsível que o de um ser humano, principalmente um neurotípico, que pode apresentar ironia ou sarcasmo nas interações, por exemplo. Dessa forma, pessoas com essa neurodivergência, que tendem a ter dificuldades de socialização, se sentem encorajadas a interagir com o cachorro, por ele não impor a pressão de uma interação social humana e compreender pequenos estímulos mais facilmente. “Se a pessoa que tem dificuldade de comunicação está se sentindo confortável, é muito mais fácil para ela investir em um ciclo de comunicação nessas condições do que quando ela está sendo pressionada”.



Atendimento em Terapia Assistida. Foto disponibilizada por Vanessa Breia – coordenadora do GEPAC Uerj.

O GEPAC também promove um curso anual de formação e qualificação de profissionais habilitados a atuar em serviços assistidos, oferecido a servidores públicos da saúde, educação, assistência social e segurança pública. O programa, ao longo dos seus três anos de existência, já abrangeu os municípios de Arraial do Cabo, Barra Mansa, Itaboraí, Macaé, Niterói, Nova Friburgo, Rio de Janeiro e São Gonçalo.

A relação entre intervenções assistidas e animais que prestam esses serviços gera certa confusão no público acerca das suas distinções. Vanessa explica que serviços assistidos por cães consistem em ter um cachorro devidamente treinado como membro integrante de equipes de educação e saúde, por exemplo, ajudando em ações voltadas a um grupo. Já os cães de assistência são selecionados e treinados para acompanharem uma única pessoa, que irá adquirir esse animal por meio da compra ou doação, exercendo um serviço individualizado e totalmente adaptado ao seu dono. Em ambos os casos, o cão de assistência escolhido deve ter o perfil e o treinamento baseados no público alvo que ele irá atender, desenvolvendo um repertório comportamental adequado ao ambiente e às necessidades das pessoas que serão atendidas. 

 

No GEPAC, que presta assistência a pessoas com TEA, trabalha-se com cachorros de médio a grande porte, resistentes a interações mais bruscas que podem acontecer devido às questões motoras e comportamentais de jovens com autismo. Além disso, em seu treinamento, passam pelo processo de dessensibilização desses estímulos, para não se incomodarem caso a sua pele seja puxada ou se toque em qualquer parte do seu corpo.

As vantagens que serviços assistidos por cães podem trazer para o tratamento de pessoas com TEA são cientificamente comprovadas. Vanessa concorda que existem benefícios, principalmente nas questões de interação, mas que variam para cada pessoa de acordo com o objetivo terapêutico e a adaptação ao cão, ressaltando que o uso dessas intervenções deve ser um complemento às outras terapias indicadas e que, em alguns casos, pode haver contraindicações.

A professora aponta que a comunicação é uma das melhoras mais imediatas decorrentes desses serviços assistidos para jovens com autismo. Ela diz que os cães são capazes de captar micro sinais sutis mais rápido e de maneira menos invasiva. O seu comportamento também é mais previsível que o de um ser humano, principalmente um neurotípico, que pode apresentar ironia ou sarcasmo nas interações, por exemplo. Dessa forma, pessoas com essa neurodivergência, que tendem a ter dificuldades de socialização, se sentem encorajadas a interagir com o cachorro, por ele não impor a pressão de uma interação social humana e compreender pequenos estímulos mais facilmente. “Se a pessoa que tem dificuldade de comunicação está se sentindo confortável, é muito mais fácil para ela investir em um ciclo de comunicação nessas condições do que quando ela está sendo pressionada”.

Criança interagindo com cão de assistência no evento Pupanique – piquenique para famílias atípicas em celebração ao mês de abril. Foto disponibilizada por Vanessa Breia – coordenadora do GEPAC Uerj.

Os serviços assistidos por cães podem contribuir também no desenvolvimento motor, prejudicado em um número significativo de pessoas com autismo devido a hipotonia – baixo tônus muscular. A promoção de circuitos juntamente com o cão é uma maneira de motivar o jovem a desenvolver a parte física. Além disso, essas intervenções podem ajudar em questões táteis e sensoriais, comuns entre jovens com autismo, que apresentam restrições alimentares por conta da textura, do cheiro e da cor de determinados alimentos. “Muitas vezes o cachorro vai ser o modelo que topa provar e comer aquelas coisas. A criança pode não começar comendo a cenoura ou o morango, mas, se ela já aceitar tocar para dar ao cachorro, eu já ganhei um ponto nesse processo”, afirma Vanessa. 

 

Apesar de todos os fatores positivos que a divulgação desse trabalho trazem para a causa, a professora aponta que a mídia se aproveita do apelo que as pessoas com autismo e os próprios animais geram no público para propagar uma visão romantizada desses serviços. “A gente entende que, infelizmente, os serviços assistidos se tornaram muito divulgados, mas sem uma fundamentação técnica e teórica e sem uma dimensão ética”, declara Vanessa. O trabalho dos treinadores e especialistas e as questões acerca do bem-estar animal, controle sanitário e riscos de acidente são deixados de lado para focar no carinho, não julgamento e conforto que esses animais trazem aos humanos. Além de propagação da ideia dos serviços assistidos por cães como solução para todas as questões relacionadas ao transtorno. Ela defende que é necessário fazer uma divulgação consciente, para que a população não caia em mitos milagrosos acerca dos cães de assistência e entenda que esses serviços devem seguir parâmetros técnicos internacionais.

 

A inexistência de regulamentação legal para os diferentes tipos de cães de assistência no Brasil, inclusive os destinados a pessoas com autismo, é outro problema enfrentado pelos serviços assistidos. A garantia dos direitos destes animais está restrita aos cães guia pela Lei nº 11.126/2005, que acaba sendo aplicada aos outros cães de assistência e, com a comprovação de que eles foram treinados adequadamente, o judiciário reconhece o seu direito de atuar. Vanessa aponta que isto representa um atraso na legislação brasileira e defende os avanços dos projetos de lei que preveem a expansão dos direitos para os outros cães de assistência.

‘Gato’ no futebol carioca: quando a idade vira uma arma dentro de campo

‘Gato’ no futebol carioca: quando a idade vira uma arma dentro de campo

Por João Pedro Marins

No futebol, o termo “gato” tem um significado bem diferente do popular. Ele é usado para descrever o jogador que altera sua idade, geralmente para disputar categorias de base inferiores e se destacar entre atletas mais jovens. A prática, considerada fraude, é recorrente no futebol.

 

No futebol nacional, tivemos diversos casos famosos que vieram à tona. Como os casos Emerson Sheik, Sandro Hiroshi, Brendon e até o Vanderlei Luxemburgo.

CESAR GRECO/PALMEIRAS:

Luxemburgo em treino pelo Palmeiras

Em São Gonçalo, a história do jogador João Victor de Oliveira, conhecido como Romarinho, traz um olhar humano sobre esse dilema entre o sonho de ser jogador e o erro de falsificar a idade.

 

Romarinho atuou em clubes do futebol carioca e, em entrevista exclusiva à AJ, admitiu ter jogado como “gato” durante um período das categorias de base. Segundo ele, a decisão não partiu de uma ambição pessoal, mas de uma necessidade criada dentro do próprio ambiente esportivo.

Acervo pessoal de Romarinho:

Romarinho jogando pela base do Gonçalense

“O que me levou a tomar essa decisão foi a necessidade do treinador em ajudar a equipe inferior à minha idade. Ele acreditava que eu poderia fazer a diferença entre os meninos mais novos”, contou o jogador.

 

O processo, segundo ele, foi simples e silencioso. Com a ajuda do próprio treinador, Romarinho passou a integrar uma categoria abaixo da sua, sem que houvesse alteração formal de documentos. “Na maioria das vezes eu começava no banco para não chamar atenção. Entrava quando o time estava perdendo, e isso fazia diferença”, relembrou à AJ. Apesar de não ter chegado a usar uma identidade falsa, ele reconhece que a prática fere as regras e a ética esportiva.

 

A vantagem física e técnica sobre os colegas era evidente. Romarinho admite que, por estar mais desenvolvido, nunca se sentiu pressionado: “Eu tinha mais força, velocidade e consciência nas jogadas. Era natural o meu futebol se sobressair.”

Enquanto isso, a família e os amigos viam apenas os resultados dentro de campo. “Minha família só queria me ver feliz jogando e ajudando o clube. Meus colegas gostavam porque o time vencia mais quando eu estava em campo”, afirmou à AJ. 

 

Com o tempo, as fiscalizações se tornaram mais rigorosas, e o atleta decidiu abandonar a prática. Ele não chegou a sofrer punições formais, mas reconhece que o episódio marcou sua trajetória: “Ser ‘gato’ só me ajudou no início, quando meu futebol foi mais visto. Mas hoje sei que isso não valeu a pena.”

 

Hoje, Romarinho olha para trás com maturidade e faz um alerta para os jovens que sonham em seguir no futebol: “Eu não me orgulho de ter passado por cima das autoridades por interesses do clube. Foi um erro, mesmo que tenha me ajudado. Digo aos garotos que se esforcem, que não trapaceiem. As fiscalizações estão muito mais rigorosas, e quem perde no fim é o jogador. Os clubes muitas vezes permitem quando é do interesse deles, mas o preço é alto.” 

Acervo pessoal Romarinho

O caso de Romarinho não é isolado. A prática dos chamados “gatos” no futebol mostra o erro do sistema que muita das vezes incentiva e ignora problemas antiéticos, apenas para fins de favorecimento esportivo.

Casas de apostas dominam patrocínios másteres e desafiam integridade do futebol

Casas de apostas dominam patrocínios másteres e desafiam integridade do futebol

Em 2025, 18 dos 20 clubes da Série A têm bets como patrocinadoras principais exibindo suas marcas nos uniformes 

Por: Lívia Martinho

Das 20 equipes da Série A do Brasileirão 2025, são 18 que têm casas de apostas como patrocinadoras principais, e todas contam com parcerias com essas empresas, evidenciando a força das apostas esportivas no país. O crescimento do setor gera preocupação entre as autoridades, e ao longo deste ano o Ministério do Esporte tem buscado medidas para conter um problema que ameaça a credibilidade dos jogos.

 

O Ministério da Fazenda divulgou que no primeiro semestre de 2025 a renda bruta das empresas foi de R$ 17,4 bilhões e informou também que a média de gasto por apostador ativo é de R$ 983 por semestre ou R$ 164 por mês. Além disso, revela que dos 17,7 milhões de brasileiros que realizaram apostas neste período, 71%  são homens e 28,9% são mulheres. Sobre as faixas etárias, a de 31 a 40 anos registra 27,8% do total. A de 18 a 25 anos é 22,4%; 22,2% tem de 25 a 30 anos; 16,9% tem entre 41 e 50 anos; 7,8% tem de 51 a 60 anos e 2,1% tem de 61 a 70 anos.

Foto: Ronaldo Caldas/MEsp

Diante do avanço das apostas esportivas e das investigações sobre fraudes em competições, o Ministério do Esporte firmou Acordos de Cooperação (ACs) com a Sport Integrity Global Alliance (SIGA), a International Betting Integrity Association (IBIA), a Sportradar, a Associação de Bets e Fantasy Sport (ABFS) e a Genius Sports. Essas plataformas monitoram dados de apostas em tempo real e ajudam a detectar padrões suspeitos. O objetivo é criar um sistema nacional que possa alertar as autoridades diante de sinais de manipulação de resultados para proteger a integridade das competições e garantir um ambiente mais seguro e transparente para atletas, clubes e torcedores.

 

Com essa iniciativa, o Brasil busca alinhar-se às práticas internacionais de regulamentação das bets, adotando medidas semelhantes às de países com regras avançadas. No Reino Unido, por exemplo, o controle é um dos mais rigorosos e a partir da temporada 2026/27, os clubes da Premier League decidiram não estampar marcas de casas de apostas na parte frontal de seus uniformes, visando a  reduzir a publicidade e reforçar o compromisso ético do futebol. Na França, o monitoramento é feito pela Autoridade Nacional dos Jogos (ANJ), que busca atuar na prevenção do vício e combater fraudes.

 

A tributação das casas de apostas varia bastante pelo mundo: Reino Unido (21%), França (33%), Itália e Espanha (20%), México (30%), Quênia (15%) e Estados Unidos (20% a 50%, chegando a 51% em Nova York). No Brasil, com a Lei 14.790/2023, as operadoras pagam 12% sobre o rendimento bruto das apostas que totalizaram R$ 2,14 bilhões no primeiro semestre deste ano.