Ginástica para idosos em Vila Isabel melhora saúde e qualidade de vida dos alunos
Por: Alice Moraes e Thaísa de Souza
Alunas realizando os exercícios. Foto: Alice Moraes e Thaísa de Souza
Tilda Farias, de 72 anos, se emociona ao contar sobre o efeito positivo que os exercícios físicos vem causando em sua vida. Ela, que sofria com hérnia de disco, artrite e artrose, relata que, desde que se tornou aluna da turma de ginástica após recomendação de seu filho, não sente mais dor na coluna nem dor de cabeça. Seus exames atuais causaram alegria nela e na equipe médica, porque não deram nenhum resultado de enfermidade. Ela conta que foi aplaudida pelo médico ao dizer: “Doutor, agora eu faço atividade física lá onde eu moro”.
Tilda participa das aulas gratuitas de ginástica para pessoas da terceira idade na Praça Tobias Barreto, em Vila Isabel, que acontecem às segundas, quartas e sextas pela manhã, das 9h às 10h30. O professor Jairo Santos detalha que é importante oferecer exercício físico para o idoso, porque o corpo humano precisa estar sempre em movimento. Caso contrário, com o tempo de sedentarismo, os movimentos vão sendo prejudicados.
“Eu não sinto dor nenhuma agora, sou feliz aqui”, relata Tilda entre lágrimas de alegria. As aulas, além de ajudarem na recuperação da saúde dela, também proporcionam que ela e os demais participantes cultivem amizades uns com os outros e tenham uma rotina de socialização.
Profissional explica benefícios da ginástica para idosos
As aulas começaram pouco antes da pandemia a partir de um projeto proposto pelo então candidato a vereador Márcio Ribeiro. O professor Jair Santos, de 57 anos, formado em Educação Física há 17 anos e ex-atleta de alto rendimento, relembra que tudo começou com apenas quatro participantes. Com o tempo, o grupo cresceu e se tornou um ponto de cuidado com a saúde e fortalecimento da autonomia dos idosos. Jair explica que o corpo precisa manter ao longo da vida funções básicas como agachar, levantar, puxar e alcançar — habilidades que se perdem com o sedentarismo e tornam tarefas simples, como calçar uma meia, um desafio. Ele compara o corpo a um carro que fica parado por anos: quando não é usado, enfraquece. Por isso, as aulas seguem uma progressão pedagógica, do simples ao complexo, respeitando limitações e comorbidades. O resultado aparece no dia a dia dos alunos: melhora no equilíbrio, mais elasticidade, aumento da força e maior independência.
O impacto vai além da parte física. Segundo Jair, muitos participantes viviam sozinhos e sem estímulos sociais. Com o grupo, criaram novas amizades, desenvolveram confiança e passaram a frequentar passeios coletivos — de visitas ao Museu do Amanhã a caminhadas em Copacabana. O convívio regular fortalece o bem-estar emocional, reduz a sensação de isolamento e amplia o senso de pertencimento. Para o professor, a longevidade também nasce das relações: “Não somos só corpo, somos espírito”, afirma.
Alunas descrevem bem-estar físico e mental
“Isso aqui é muito importante para nós”, relata Jurema Ribeiro, de 71 anos. “Eu tinha problema na coluna e no joelho, hoje em dia faço de tudo e tenho mais disposição”. A aluna é tão beneficiada em sua saúde física e mental pelas aulas de ginástica que faz questão de chamar outros colegas para participarem dos exercícios.
Bernadete Maria, de 67 anos, se sente mais animada desde que se interessou pelos exercícios. Ela, que iniciou as aulas há um mês, já vê melhoras na sua vida: diminuiu o sedentarismo, aumentou seu desejo de se movimentar mais e lhe proporcionou mais disposição para sair de casa.
Alunas participando das aulas. Foto: Thaísa de Souza
Participação feminina supera a masculina
Os números revelam uma realidade curiosa: das 86 pessoas inscritas, 82 são mulheres e apenas quatro homens, que participam esporadicamente. Para o professor, isso não surpreende. Jair observa que, na velhice, “há mais viúvas do que viúvos”, e atribui a diferença ao fato de que muitos homens não cuidam da própria saúde com a mesma constância. Enquanto eles passam pela praça dizendo que “já estão caminhando” ou que “estão bem assim”, as mulheres demonstram maior curiosidade, perguntam sobre horários, formas de participar e rapidamente se engajam nas atividades. Esse interesse feminino explica tanto o crescimento do grupo quanto a vitalidade que mantém o projeto vivo.
Alunas da ginástica com o professor Jairo e com as repórteres Alice e Thaísa.