Conheça Ofélia, personagem emblemática da literatura inglesa que inspirou nova faixa do álbum de Taylor Swift

Conheça Ofélia, personagem emblemática da literatura inglesa que inspirou nova faixa do álbum de Taylor Swift

The life of a show girl possui múltiplas referências da literatura inglesa e figuras artísticas dos anos 50

Por: Maria Eduarda Galdino

        Capa do álbum the life of a show girl adaptado. Reprodução Maria Eduarda Galdino

A cantora estadunidense Taylor Swift lançou o seu 13º álbum de estúdio chamado The Life of a Show Girl na última sexta-feira (03). O álbum possui 12 faixas e a canção de abertura se chama “The fate of Ophelia” (O destino de Ofélia), fazendo uma referência a Hamlet, obra do escritor, dramaturgo e poeta, Willian Shakespeare.

Ofélia é uma das personagens principais da peça de Hamlet, a jovem da corte dinamarquesa era filha de Polônio, conselheiro do rei, e irmã de Laertes. Conhecida por ser inocente e obediente, Ofélia se apaixona por Hamlet, o rei, mas esse sentimento não foi aprovado pela família de Ofélia, pois não tinham certeza se as intenções de Hamlet eram verdadeiras para com ela. 

Enquanto Ofélia e Hamlet se relacionam, algo trágico acontece, pois Hamlet descobre que seu pai foi assassinado por seu tio Cláudio. Desde então, Hamlet entra em diversos momentos emocionais conturbados pela perda do seu pai e pela desconfiança com Cláudio. A partir daí, Hamlet começa a se afastar de Ofélia, a tratando com frieza e crueldade. O comportamento de Hamlet afeta profundamente o estado emocional de Ofélia, que estava perdidamente apaixonada por Hamlet, então, o amor passa a ser um fardo, uma maldição na vida de Ofélia.  

Além de toda a tensão que paira sobre o castelo, algo ainda mais grave acontece: o pai de Ofélia morre acidentalmente. Quando Hamlet estava tendo uma conversa privada com sua mãe, a rainha Gertrudes, ele desconfia de que há alguém espionando atrás das cortinas, é quando Hamlet se precipita, achando que o espião pode ser seu tio Cláudio ele ataca a cortina com sua espada, perfurando a pessoa que está atrás dela.

Mas o que o jovem rei não sabia, era que o pai de Ofélia estava atrás das cortinas, mas que o golpe já havia sido feito e era fatal, o pai de Ofélia estaria fadado a morte. Hamlet mata Polônio por engano, acreditando que estava se livrando de seu maior inimigo, o tio Cláudio. A morte de Polônio causa a loucura de Ofélia, que já estava em estado de sofrimento pela rejeição de Hamnet. 

No final da história, Ofélia não tem um bom destino, enquanto delirava e cantava andando atrás de suas flores pelo campo, a jovem acaba escorregando e caindo em um lago enquanto tentava pegar uma flor. Enquanto se afogava, Ofélia entoava uma canção, sem se preocupar com a sua situação, e então, morreu afogada. Willian Shakespeare nunca deixa claro se foi um suicídio ou algo acidental, por conta da ambiguidade envolta no relato da morte de Ofélia.

A peça Hamlet é considerada uma das obras mais importantes da literatura mundial. Sua popularidade atravessa séculos e fronteiras, sendo encenada, estudada e reinterpretada em diversas culturas. Com temas universais como vingança, loucura, corrupção e identidade, Hamlet influenciou profundamente a dramaturgia, a filosofia e até a psicanálise, tornando-se referência para autores como Freud, Joyce e Dostoiévski. A complexidade emocional do protagonista e a profundidade dos diálogos  fazem da peça um marco atemporal, que continua a dialogar com as inquietações humanas até hoje.

Taylor Swift escolhe a história de Ofélia pois também se sentia perdida em relação aos seus sentimentos depois da sua última desilusão amorosa. A cantora acreditava também estar enlouquecendo por causa do amor. Mas a artista decide ressignificar a sua faixa “The Fate of Ophelia” quando se apaixonou novamente, afirmando que o seu novo amor a salvou de um destino trágico de loucura como o de Ofélia. 

“E se você nunca tivesse vindo me resgatar, eu teria morrido na melancolia (..) Todo aquele tempo que fiquei sozinha na minha torre, você só estava aprimorando seus poderes, agora eu posso entender tudo. Certa noite, você me desenterrou do meu túmulo, e salvou o meu coração do destino de Ofélia”.

A canção da cantora Taylor Swift já foi ouvida por mais de 116,4 milhões de pessoas só no Spotify após seis dias do lançamento do álbum The life of a show girl, quebrando o recorde de Miley Cyrus, se tornando a música mais ouvida no aplicativo Spotify. A equipe Uerviu adorou a faixa e recomenda para todos !

‘O verão que mudou minha vida’: a força das tramas românticas que não saem de moda

‘O verão que mudou minha vida’: a força das tramas românticas que não saem de moda

Nova adaptação feita pela Prime Vídeo terminou dia 17 de setembro com promessa de filme 

Por: Maria Eduarda Galdino

Post de divulgação da série O verão que mudou minha vida. Divulgação: Prime Vídeo

A adaptação do livro “O verão que mudou minha vida”, escrito por Jenny Han, e adaptado pela Prime Vídeo, se tornou um fenômeno tanto na audiência quanto nas redes sociais. Só na terceira temporada, a série contabilizou 25 milhões de espectadores, ficando no top 1 da Prime vídeo em 120 países, um verdadeiro sucesso. 

A trama da série está envolta em um triângulo amoroso entre Isabel Conklin (Lola Tung) e os irmãos Conrad Fisher (Christopher Britney) e Jeremiah Fisher (Gavin Casalegno). O caminho dos três se cruzaram ainda na infância, resultado da amizade entre suas mães Laurel (Jackie Chung) e Susannah Fisher (Rachel Blanchard) que se conheceram na faculdade. 

Desde pequena, Isabel, carinhosamente apelidada de Belly, sempre possuiu um crush no irmão mais velho dos Fisher, Conrad, mas nunca teve coragem para confessar seus sentimentos. Conrad, também sempre nutriu sentimentos por Belly, mesmo que ele não tenha demonstrado isso para ela de forma explícita no começo. Porém, em uma temporada de verão na casa de praia em Cousins, Belly recebe uma declaração de Jeremiah, fazendo com que seus sentimentos pelos irmãos sejam divididos. Quem escolher ? Quem diz a verdade ? Como não estragar o verão perfeito em Cousins ? 

Você já deve ter ouvido essa trama em outro lugar, certo ? Séries como The Vampire Diaries (2008), One Tree Hill (2003), SmallVille (2001), Gilmore Girls (2000) e até mesmo o filme da saga Crepúsculo (2008) possuem a mesma história de triângulo amoroso. Mas, se é o mesmo enredo, porque ainda faz tanto sucesso ? Sendo que há um grande espaço de tempo entre as séries dos anos 2000 e 2025 ?

Escritores e diretores do gênero de romance repetem a fórmula mágica dos triângulos amorosos por conta da nostalgia e familiaridade que essas narrativas trazem. Oferecer um produto que apresenta características similares a produtos que já foram consumidos anteriormente, apresenta mais segurança ao espectador. No caso da série “O verão que mudou minha vida”, existe mais uma vantagem, pois é a adaptação de um livro best seller, o que traz mais uma audiência repleta de expectativas.  

Um estudo publicado pela Harvard Business Review, afirma que produtos que seguem fórmulas narrativas já conhecidas, (como filmes e séries), geram maior aceitação e engajamento. Ainda mais com públicos que já tem afeição por esse tipo de conteúdo. No X (antigo Twitter), as palavras Team Conrad e Team Jeremiah, nome criado pelo público para rivalizar os irmãos apaixonados por Belly, se tornou um dos assuntos mais comentados da plataforma, chegando aos trend topics. 

No Instagram não foi diferente, as hashtags #conrad, #Belly#Jeremiah possui 429 mil, 3 milhões e 333 mil posts respectivamente. No TikTok, a hashtag #TSITP (Sigla para abreviar o nome da série) possui um milhão de vídeos, também a hashtag em português #overaoquemudouminhavida possui 67,9 mil vídeos. Jenny Han, autora do livro, agradeceu ao apoio dos fãs em seu Instagram em um post sobre a divulgação da série em Paris, “Eu não poderia ter sonhado uma noite mais mágica. Paris, je t’aime. Obrigado a todos os fãs que apareceram para dar um adeus ao nosso show e obrigado a @ Primevideo por tornarem todos os meus sonhos parisienses realidade”, disse.

E você ? Já assistiu ‘O verão que mudou minha vida’ ? É Team Conrad ou Team Jeremiah ? A equipe UerjViu assistiu a série e tem suas preferências por aqui ! Até o próximo domingo em série !!

Véspera, de Carla Madeira, expõe a dor de viver o irreparável

Véspera, de Carla Madeira, expõe a dor de viver o irreparável

Carla Madeira não teve medo de demonstrar o lado sombrio da vida em Véspera

Por: Maria Eduarda Galdino

Capa do livro Vespera de Carla Madeira. Foto: Record/ Eduarda Galdino

O que fazer quando tudo o que resta é o arrependimento ? como é se contentar com a tristeza que se alastra sem previsão de ir embora ? Véspera, obra de Carla Madeira, envolve o leitor com essas reflexões. Sentimentos complexos, como o desespero, a incerteza e o incômodo na alma são latentes na escrita da autora. As palavras usadas por Carla para desenvolver cada capítulo, fazem com que a leitura seja demorada e intensa, mas também causa a ânsia de chegar ao próximo capítulo o mais rápido possível.

A autora conta uma história com duas linhas do tempo: presente e passado. No primeiro capítulo, Carla começa com Vedina, e conta como ela abandonou seu filho, Augusto, de 5 anos, na calçada de uma rua, em um momento de desespero e esgotamento. Em seguida, Carla conta a história dos gêmeos Caim e Abel, dois irmãos cuja vida se conecta com a trágica e real história bíblica: uma alma condenada ao fracasso e a morte , enquanto a outra, é condenada a continuar a vida remoendo a perda de um irmão.

Carla também detalha a vida dos pais de Caim e Abel, dona Custódia e Antunes Filho, duas pessoas machucadas pela vida, que transportaram seu caos interior aos seus filhos, ao começar pelo episódio onde Antunes, bêbado, decide nomear seus filhos com nomes considerados amaldiçoados. Esses dois personagens são fundamentais para entender o drama envolvendo os irmãos, pois os pais foram responsáveis pela crise de identidade, a competitividade e o desafeto que surgiu entre Caim e Abel.

No meio da trama, o caminho dos dois irmãos se cruza com a vida de Vedina, até chegada da véspera de um momento irreparável e trágico, resultado de muitas decisões erradas, sentimentos reprimidos e afetos esquecidos. Carla Madeira não teve medo de demonstrar o lado sombrio da vida em Véspera, a autenticidade da autora é explícita ao detalhar a subjetividade, os pensamentos mais sombrios de cada personagem. Até mesmo aqueles que tiveram pouca participação na história, são inesquecíveis e únicos, como Parede. Nome curioso, certo ? só lendo pra entender. 

“O tempo flutua invisível e em espesso presente. Nada apodrece sem ele. Nada floresce. Nada se torna amável. Nenhum ódio viceja Nenhuma umidade seca.Nenhuma sede cede. As tempestades não inquietam nele ventos, as avalanches não podem soterrá-lo, a perplexidade não o paralisa, o mal não o ameaça e o bem não faz com que se demore. Mas eis que um acontecimento, um único acontecimento, captura o tempo e o aprisiona.” MADEIRA, Carla. Véspera. 1. ed. São Paulo: Record, 2023.

Elas voltaram! Lindsay Lohan e Jamie Lee Curtis estrelam sequência aguardada pelos fãs da Disney

Elas voltaram! Lindsay Lohan e Jamie Lee Curtis estrelam sequência aguardada pelos fãs da Disney

A continuação do filme “Uma sexta feira muito louca” estreia dia 07 no Brasil com novas aventuras na família Coleman 

Por: Maria Eduarda Galdino

Poster de divulgação do filme Uma sexta-feira mais louca ainda. Foto: Disney

O novo filme da Disney “Uma sexta-feira mais louca ainda” (2025), continua a história de Anna e Tess Coleman (Lindsay Lohan e Jamie Lee Curtis), que vivem mais um episódio misterioso de troca de corpos 22 anos depois. Só que agora, com mais uma pitada de aventura: Anna, agora vive no corpo de Harper, sua filha e Tess troca de corpo com a mais nova enteada de Anna, Lily Rayner. Enquanto a família não descobre o jeito de reverter a magia, o jeito é viver a vida do outro, como a normalidade.

 Além da nova troca de corpos, outras tramas estão presentes na sequência, como a questão da maturidade de Anna, que agora é mãe de uma adolecsente, diferente da versão anterior, onde Anna era a filha que lidava com problemas emocionais na família. No novo longa, Lindsay Lohan teve que desenvolver um lado mais maduro de sua personagem, de se colocar no lugar de mãe. Curiosamente, a atriz se tornou mãe na vida real um ano antes das gravações começarem, o que influenciou uma ótima imersão no sentimento de ser mãe.

 Jamie Lee Curtis aborda um lado mais afetuoso de Tess, mãe de Anna, e que agora é a  avó de Harper. Tess também vive o sucesso de seus livros como psicóloga, e auxilia Anna na vida de mãe solo, oferecendo seus conselhos da época em que também foi mãe de uma adolescente. Lindsey Lohan e Jamie Lee estão cada vez mais brilhantes em cena, com uma química implacável, e cada vez mais engraçadas, bem melhor que no primeiro filme.

 O filme foi dirigido por Nisha Ganatra, conhecida por adaptar clássicos aos dias atuais. A diretora, abordou diversas questões familiares, como a perda de um parente, adaptação a entrada de novos membros na casa e conflitos na adolescência. Apesar do enredo ser repetitivo na questão da troca de corpos, a história ainda desperta a curiosidade por conta dos novos personagens que surgiram, como o novo par romântico de Anna, o chef de cozinha britânico Eric Reyes, que por ironia do destino, é pai da maior rival de Harper na escola, Lily Reyes. 

 O relacionamento de Anna e Eric fica mais sério com direito a um pedido de casamento, mas as filhas Harper e Lily não se conformam com o casal, pois além da grande rivalidade entre as duas, Lily não tinha superado a perda da mãe e Harper, a do pai. Por conta disso, a relação de Anna e Harper fica fragilizada, onde uma não entende o lado da outra. Isso te lembra algo ?

No final, a lição moral do longa segue a tradicional lição dos filmes da Disney nos anos 2000: a família é sempre o mais importante, trazendo uma familiaridade com nostalgia aos fãs de “Uma sexta-feira muito louca” (2003). A equipe UerjViu recomenda o novo filme da Disney, que é ótimo para assistir com a família e relembrar bons clássicos dos anos 2000.

Superman (2025): O que esperar do novo filme do herói mais icônico da DC.

Superman (2025): O que esperar do novo filme do herói mais icônico da DC.

O novo filme do Superman, dirigido por James Gunn, traz uma abordagem mais colorida e humanizada do herói.

Por: Maria Luísa Fontes 

Capa de divulgação do novo filme do Superman

Livro “A hora da estrela” de Clarice Lispector (foto: Maria Eduarda Galdino)

O novo Superman, de James Gunn, já chegou aos cinemas brasileiros e vem agradando tanto o público quanto a crítica, com aprovação expressiva no Rotten Tomatoes. Nesta nova versão, o Azulão — interpretado por David Corenswet — enfrenta seu clássico inimigo Lex Luthor (Nicholas Hoult) e seu plano de dominação global. No entanto, mais do que grandes lutas, o foco da narrativa está na missão de Superman em salvar toda forma de vida. A proposta de humanizar o herói ganha força sob a direção de Gunn, que aposta em um visual fiel às HQs, com figurinos vibrantes e estética colorida. O uso marcante de cores — característica da filmografia do diretor — reforça o tom épico da produção, tornando esta uma das adaptações cinematográficas mais próximas da essência original do personagem.

O longa já se inicia como uma imersão direta no universo dos quadrinhos da DC Comics, dispensando a tradicional narrativa de origem do Superman — sua vida na fazenda ou o processo de se tornar o herói. O espectador é inserido em um mundo já estabelecido, no qual criaturas alienígenas e monstros são parte da rotina. A história começa com intensidade, colocando o herói em confronto direto com as vilanias de Lex Luthor. Para os fãs ou para quem já está familiarizado com o personagem, essa abordagem dinâmica não compromete o entendimento. No entanto, espectadores menos habituados ao universo do Superman podem sentir a ausência de algumas contextualizações, mesmo que o roteiro consiga equilibrar essas lacunas sem prejudicar a compreensão geral da narrativa.

As atuações são outro ponto alto da produção. A química entre Clark Kent e Lois Lane (Rachel Brosnahan), é convincente e bem construída, fazendo com que o público se envolva emocionalmente com o casal. Já Nicholas Hoult, no papel de Lex Luthor, entrega uma performance intensa e eletrizante. Diferente de versões anteriores mais caricatas ou cômicas, este Luthor é genuinamente perverso, carregado de preconceito, frieza e agressividade, ao mesmo tempo em que exibe uma inteligência perigosa e sagaz.

James Gunn demonstra domínio das características individuais de cada personagem, garantindo cenas marcantes em que todos têm papel relevante na trama. Nesse contexto, é impossível não destacar a importância de Lois Lane. A jornalista não aparece mais sendo uma figura vulnerável ou mero apoio emocional do herói. A nova abordagem a coloca no centro da ação, como essencial para a derrota de Luthor, atuando de forma autônoma e estratégica, sem depender do Superman para cumprir sua missão. Sua personalidade forte, aliada à perspicácia, reforça uma figura feminina ativa e empoderada — uma representação que finalmente faz jus à força da personagem dos quadrinhos e atualiza sua presença nos cinemas.

Outro destaque impossível de ignorar é Krypto, o cão do Superman, que rouba a cena em cada aparição. Criado por inteligência artificial e inspirado no cachorro do próprio James Gunn, o personagem conquista o público com seu comportamento irreverente, brincalhão e muito desobediente. Longe de ser apenas um alívio cômico, Krypto tem papel ativo na narrativa e contribui de forma significativa para o desfecho da trama. Sua presença adiciona leveza sem comprometer a tensão, além de reforçar o tom afetivo e familiar que permeia o universo do herói. O cãozinho alienígena consolida-se como um dos elementos mais carismáticos do filme.

Um dos pontos centrais da trama é a discussão em torno da xenofobia. O ódio de Lex Luthor por Superman nasce, sobretudo, da origem extraterrestre do herói, a partir de um sentimento alimentado pelo preconceito e pela inveja. Em contraste, Clark Kent mostra, ao longo do filme, uma humanidade muito mais evidente do que a de seu antagonista, revelando-se ético e empático, mesmo diante da hostilidade. Além disso, o longa se arrisca ao inserir críticas sociopolíticas claras — marca do próprio James Gunn, conhecido por posicionar-se politicamente em suas produções. A narrativa apresenta paralelos com a atual guerra na Palestina, expondo o envolvimento americano em conflitos armados e questionando a legitimidade de certas intervenções militares.

A representação de Superman como um imigrante que defende um povo oprimido do Oriente Médio, em meio a uma guerra financiada por interesses governamentais, gerou reações diversas, com alguns rotulando o filme como “superwoke”. Ainda assim, a abordagem confere camadas relevantes à história e atualiza o papel do herói diante dos dilemas contemporâneos.

É importante destacar que este não é um filme para quem espera ver um Superman invencível, que resolve tudo com força bruta. Ainda que o personagem demonstre poder em abundância, o foco aqui está em suas vulnerabilidades emocionais e humanas – sentir medo, dúvida e compaixão -, elementos que James Gunn equilibra com precisão. A proposta afasta-se da versão sombria e quase divina apresentada por Zack Snyder, em que o herói era tratado como uma figura distante e intocável. Ao contrário, Gunn recupera a essência dos quadrinhos clássicos, retratando o Superman como um símbolo de esperança, empatia e conexão com as pessoas. Essa mudança de tom torna o personagem mais acessível e resgata o ideal do herói que se importa genuinamente com a humanidade.

 

“O Esquema Fenício” não é extraordinário, mas é capaz de divertir o espectador

“O Esquema Fenício” não é extraordinário, mas é capaz de divertir o espectador

O novo filme de Wes Anderson mistura comédia, ação, assassinatos e intrigas familiares e consegue produzir uma experiência no mínimo interessante e envolvente.

Por Luana Maciel

Ator Benício Del Toro e atriz Mia Threaplenton em Esquema fenício 2025 (Reprodução: internet)

 

No novo filme do diretor americano Wes Anderson, Zsa-Zsa Korda (Benicio del Toro) é um magnata envolvido em uma série de polêmicas e odiado por muitos. Quando o empresário sofre um atentado à sua vida em um acidente de avião, ele percebe que todo o seu trabalho e fortuna estão sob ameaça. Por isso, ele decide nomear uma herdeira, mas escolhe uma figura um tanto quanto peculiar: sua filha Liesl (MiaThreapleton), uma noviça que está prestes a se tornar oficialmente freira e com quem mantém uma relação conturbada. Mas quando o maior projeto de Korda é ameaçado, pai e filha precisam viajar para negociar com os principais investidores envolvidos e garantir o sucesso do empreendimento.

 

O filme se estrutura em uma narrativa constituída por múltiplos capítulos, cada um associado a um dos investidores que Korda tenta persuadir a fim de conseguir auxílio para superar uma lacuna monetária no processo de construção desse grandioso projeto que, inclusive, dá nome ao filme, o esquema fenício. Dentre esses investidores se destacam alguns outros grandes nomes que compõem o elenco, como Scarlett Johansson, Tom Hanks, Bill Murray e Benedict Cumberbatch.  Como característico do estilo de Wes Anderson, o filme se destaca por sua identidade visual bem singular, com muitos planos abertos e cenários que fazem uso de uma paleta de cores vívidas e de padrões extremamente simétricos.

 

O roteiro é marcado por uma oposição entre repetições e elementos extraordinários. Assim, enquanto algumas falas e ações se repetem várias vezes ao longo da obra (embora com novos significados em diferentes momentos), atos inesperados e situações completamente inusitadas também estão presentes na trama e deixam o público cada vez mais curioso para saber o que acontecerá em seguida. A natureza cômica do filme se pauta justamente nessa surpresa que se quer gerar na audiência, nesse sentido de uma coisa que é tão absurda, que é engraçada. São cenas de ação, ameaças de morte e eventos quase impossíveis que se entrelaçam com o cotidiano dos personagens e que são tratados com tanta naturalidade dentro da história que provocam esse efeito de humor.

 

Essas escolhas levam a obra a assumir um caráter completamente fantasioso, algo que foge totalmente do que pertence ao mundo real, sem precisar recorrer a elementos mágicos ou sobrenaturais, e é justamente por isso que diverte o público. Esse aspecto fantasioso é reforçado no comportamento e atitudes dos personagens. Zsa-zsa é a caricatura de um empresário corrupto e cruel. Um homem frio, inexpressivo, incapaz de manter boas relações pessoais e que não mede esforços para possuir dinheiro e poder. 

 

Por outro lado, Liesl é uma moça correta e religiosa, que vive segundo as regras morais que aprendeu no convento onde foi criada e que busca acabar com o sofrimento alheio. 

O mais interessante aqui, porém, é ver como esses papéis vão se transformando ao longo do filme e como a convivência entre pai e filha vai permitindo que novas facetas de ambos os personagens sejam reveladas. 

 

O esquema fenício é um filme que pode não ser recebido tão bem por todas as pessoas por explorar um estilo de humor muito irônico e pela natureza peculiar de determinadas abordagens. Também não é um filme com uma emocionante lição de moral e talvez não seja a mais extraordinária obra de Wes Anderson. Mas é um filme que, por meio de personagens ora previsíveis, ora completamente surpreendentes, brinca com a capacidade humorística do acaso e que cumpre exatamente o que promete: um momento de diversão e entretenimento para o espectador.

 

Nota: 3.5/5

 

Clube do livro: Clarice Lispector da voz e vida a realidades esquecidas em A hora da estrela

Clube do livro: Clarice Lispector dá voz e vida a realidades esquecidas em A hora da estrela

“A hora da estrela”, publicada em 1977, foi a ultima obra literária de Clarice Lispector  antes de sua morte naquele mesmo ano e aborda temas sensíveis e reais na sociedade brasileira 

Por: Maria Eduarda Galdino

Livro “A hora da estrela” de Clarice Lispector (foto: Maria Eduarda Galdino)

Clarice começa sua obra com Ricardo S.M., escritor que conta a história de Macabéa, uma jovem alagoana de 19 anos, que acompanhada por sua tia, se muda para um apartamento compartilhado com 4 mulheres estranhas no Rio de Janeiro. Após a morte da tia, Macabéa se vê  sozinha, com apenas seu trabalho como refúgio. Porém, por conta da pouca escolaridade, falta de suporte e dinheiro, Macabéa vive situações tortuosas e embaraçosas com seu novo trabalho mal remunerado e uma solidão constante embora imersa na grande capital carioca.

Já no Rio de Janeiro, Macabéa conseguiu o trabalho de datilógrafa porque sua tia tinha lhe ensinado como usar a máquina. Mesmo assim, o trabalho não garantia uma vida de qualidade, nem mesmo muitos amigos, e por não ganhar muito dinheiro, Macabéa dormia com fome ou comia pedaços de papel para aliviar seu estômago. 

“Como a nordestina, há milhares de moças espalhadas por cortiços, vagas de cama num quarto, atrás de balcões trabalhando até a estafa. Não notam sequer que são facilmente substituíveis e que tanto existiriam como não existiriam” – (Lispector, A hora da estrela, p.12)

Certo dia, quando faltou ao trabalho, Macabéa encontrou a liberdade na solidão, pois ninguém a compreendia, e se sentiu viva pela primeira vez enquanto dançava sozinha em seu apartamento vazio, quando se olhou no espelho, não se sentiu como um pedaço de ferrugem como de costume. De alguma forma, Macabéa ainda sentia que possuía um valor apesar de toda tristeza que envolvia a sua vida, mas não conseguia manter esse vigor por muito tempo, voltou para o seu trabalho miserável e suas crises de existência, já que não sabia direito o que a definia como gente, como a protagonista de sua própria história.

“Se o leitor possui alguma riqueza e vida bem acomodada, sairá de si para ver como é às vezes o outro.” (Lispector, A hora da estrela, p.27)

Macabéa talvez seja a personagem mais melancólica que você já conheceu, mas a verdade é que existem milhares de pessoas com uma história semelhante a dela. Ao dar vida a Macabéa, Clarice aborda temas que fazem parte da realidade de inúmeros brasileiros, como a pobreza extrema, opressão e crises de existência. Clarice em A hora da estrela, dá voz e vida a muitas pessoas que vivem à margem da sociedade, e que carregam uma das lições mais difíceis que um ser humano pode ter consigo: a de que a vida em sua maioria pode ser extremamente árdua.

 #Uerjviu #clubedolivro #leitura #jornalismo #resenha #livros #claricelispector

Descendentes, o original da Disney que marcou a infância de muitos

Descendentes, o original do Disney Channel que marcou a infância de muitos

O #MomentoNostalgia desta semana relembra o primeiro filme da triologia

Por Alice Moraes

Pôster do filme

No #MomentoNostalgia dessa semana relembramos um queridinho do Disney Channel, lançado em 2015: Descendentes.  

O diretor do filme é o Kenny Ortega, o mesmo que dirigiu a trilogia High School Musical, uma franquia também muito aclamada pelos seguidores do Disney Channel. 

Descendentes traz a história de uma nova geração de vilões e mocinhos. A Bela e a Fera se casaram, estabeleceram os Estados Unidos de Auradon e ressucitaram todos os vilões para dar a eles um destino pior: a prisão eterna na Ilha dos Perdidos, protegida por uma barreira impenetrável, que impede os vilões de escaparem e de manifestarem seus poderes mágicos. 

O filho da Bela e a Fera, porém, como futuro rei, quer dar uma chance para os filhos dos vilões. Por isso, escolheu quatro deles (Mal, Evie, Jay e Carlos) para se mudarem para Auradon, longe da influência maligna dos seus pais vilões. 

No entanto, os quatro adolescentes são orientados por Malévola (mãe de Mal) a roubar a varinha mágica da Fada Madrinha, a fim de quebrar a barreira da Ilha e conceder a liberdade a todos os vilões. Como os filhos vão executar esse maléfico plano? Eles vão conseguir? Assista no filme. 

A trama possui uma trilha sonora espetacular, além de figurinos bem produzidos e a caracterização dos personagens, bem como a ambientação da história, nos leva de volta aos clássicos contos de fadas da Disney. A obra fez tanto sucesso que Descendentes conta com uma linha de diversos produtos como livros de spin-off e bonecos. Um ano após o lançamento, ganhou também uma mini série em desenho animado (Descendentes: mundo de vilões), uma continuação com o segundo filme (2017), o terceiro filme (2019) e mais um quarto filme com um elenco novo, lançado em 2024. 

Toda a franquia de Descendentes está disponível para você assistir no streaming Disney Plus! 

“Coringa: Delírio a Dois” não é ruim, mas não empolga e nem supera o seu antecessor

“Coringa: Delírio a Dois” não é ruim, mas não empolga e nem supera o seu antecessor

A aguardada sequência promete dividir o público, e traz a cantora Lady Gaga como parceira do vilão num filme musical

Por: Vinícius Rodrigues

 

“Coringa: Delírio a Dois” traz Joaquin Phoenix como o Coringa, que, no filme anterior, lhe rendeu o Oscar de melhor ator, um grande feito para adaptações de quadrinhos para o cinema. Nessa sequência, encontramos o protagonista mergulhado no tédio como um prisioneiro famoso por crimes que abalaram Gotham City, e tudo muda com a chegada da enigmática Arlequina, interpretada pela cantora Lady Gaga. Ela está bem no papel, mas o filme parece desperdiçá-la em suas longas 2h18 de duração, e com um musical que ora entretêm, ora é intrusivo. O filme utiliza do tema musical para ser a válvula de escape do casal protagonista: de abusar de todo delírio e loucura que eles não podem fazer de fato. Seja numa cena em um tribunal, onde o Coringa finalmente pode matar o juiz com marteladas na cabeça, seja em apresentações em programas de televisão, com o casal do crime cantando e dançando para delírio do público.

O filme também explora em suas longas duas horas de duração, temas como abuso policial nas cadeias e a espetacularização da mídia em casos de “true crime”. Ao invés de assistirmos ao palhaço do crime sendo explorado e abusado na prisão, acompanhamos um longo processo no tribunal, que se arrasta e entendia, sendo transmitido para todo o país. Talvez o diretor tenha pensado em transformar o filme em um musical para tentar atrair mais loucuras dos protagonistas e diminuir a chatice dessas partes. No entanto, o musical não ajuda em nada e parece atrapalhar ainda mais, e nem mesmo a talentosa Lady Gaga pode mudar a situação.

É interessante ressaltar que a escolha das cores no longa, quando o Coringa está apático e cansado da rotina na prisão, tudo é cinza. Porém, quando a personagem de Lady Gaga entra na vida dele, o amarelo do sol fura as paredes de concreto, e ilumina o rosto do protagonista em meio aos prisioneiros, trazendo vida e sorriso em seu rosto. Até os guarda-chuvas dos guardas da prisão são coloridos, para trazer as cores da persona que Arthur Fleck irá se tornar nas cenas seguintes.

No fim, “Coringa: Delírio a Dois” não é um filme ruim, mas entrega um longo filme de tribunal maçante, que tenta utilizar do musical para lançar na tela os mais altos devaneios que seus protagonistas precisam, mas acaba falhando nesse quesito. Ele promete deixar o público ainda mais dividido com o seu final chocante, que pelo menos adianta que não terá um terceiro desnecessário filme, algo que este foi. 

UERJVIU: 2,5/5 estrelas

“A Substância” traz Demi Moore em um dos melhores filmes de terror do ano

"A Substância" traz Demi Moore em um dos melhores filmes de terror do ano

O filme da diretora Coralie Fargeat critica a indústria do entretenimento com muito sangue e violência

Por: Vinícius Rodrigues

“A Substância” é o segundo filme dirigido pela diretora Coralie Fargeat, que antes estreou em “Vingança”, de 2018, e ambos filmes têm a mesma pauta: o feminismo. A diretora utiliza a temática muito bem, pois, em seu primeiro filme “Vingança”, a protagonista precisa sobreviver no deserto lutando contra homens que matam mulheres por prazer, e ela entrega um filme de vingança padrão. Porém, em “A Substância”, ela chega em seu ápice: um filme de terror que discute temas sociais, como etarismo feminino na indústria da beleza, do entretenimento, e todo machismo que permeia nos bastidores desses temas, e tudo isso recheado de muito sangue e violência ao extremo.

“A Substância” conta a história de Elizabeth Sparkle, uma apresentadora de meia-idade de um programa de dança fitness na TV que, apesar de ter uma carreira de sucesso, não está muito satisfeita com sua imagem. Tudo vai por água abaixo quando ela descobre que será demitida e substituída por uma atriz com metade de sua idade. Diante disso, ela recebe uma proposta de um medicamento que pretende trazer “a melhor versão dela mesma”, e ao invés de ajudar, o remédio só piora a vida da atriz.

Demi Moore, atriz imortalizada no filme “Ghost”, de 1990, interpreta a protagonista com maestria, pois ela mostra toda fragilidade que a personagem necessita: uma mulher na casa dos seus 50 anos, sendo rejeitada pela mídia, que se odeia quando olha no espelho. A diretora, responsável por roteirizar e produzir o longa, ilustra bem quem são os vilões que agem atrás das cortinas e perpetuam todo o imaginário negativo de milhares de mulheres ao redor do mundo: homens idosos, ricos e brancos. Porque, enquanto a protagonista é tirada do seu cargo por estar “velha” de mais para o papel, são esses os homens que comandam essa indústria de imagem e entretenimento.

A “substância” do título do filme, chega e piora tudo de vez, pois, ao tomar o medicamento injetável, Elizabeth precisa dar espaço a sua segunda versão, “uma versão melhor dela mesma”.  Ela, por sua vez, é uma mulher com metade de sua idade, jovem, magra e “perfeita”, interpretada pela atriz Margaret Qualley, do recente “Tipos de Gentileza”, que encanta com toda a beleza e jovialidade que a personagem precisa. A sequência que mostra a versão mais nova da personagem saindo de dentro dela mesma é uma das mais nojentas e bem feitas no cinema nos últimos anos.

O trabalho de maquiagem e efeitos especiais do filme é impecável! No filme há cenas de membros expostos, corpos em deterioração, regados com muito sangue, chegando no terror trash e body horror: que se caracteriza pelo grotesco e mudanças corporais ao extremo, e um grande exemplo desse tema é o filme “A Mosca”, de 1986, onde o protagonista se transforma numa mosca. Outro feito da diretora é não economizar nos ótimos planos detalhes, desde os mais simples, num remédio efervescendo num copo com água, ao mais repulsante take de uma agulhada num ferimento horroroso. Cabe ressaltar também aos expectadores mais atentos, o filme parece referenciar e homenagear alguns clássicos do gênero, como “O Exorcista” de 1973, “O Iluminado”, de 1980 e “O Enigma de Outro Mundo”, de 1982.

No fim de mais de 2 horas de duração, “A Substância” entrega um dos melhores filmes de terror do ano, mesmo pecando na repetição em algumas cenas de dança, que exploram os “corpos perfeitos” dos atores jovens, mas deixa críticas sociais pontuais, com cenas recheadas de gore, violência e sangue, que irão fazer os desavisados tamparem os olhos. 

UERJVIU: 4/5 estrelas