Cineclube na Uerj ajuda a democratizar o acesso ao cinema para os alunos
Projeto da Faculdade de Comunicação Social tem como objetivo aumentar o repertório cultural dos estudantes
Por Laura de Sousa e Silva dos Santos
Sessão organizada pelo Cineclube do Décimo, em 2025, para a exibição do filme “O Menino Que Descobriu o Vento”. Créditos: @cineclubedodecimo
A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) oferece diversas atividades e projetos que ajudam na formação acadêmica e sociocultural dos estudantes. E a Faculdade de Comunicação Social (FCS) não fica para trás, com diversas oportunidades em laboratórios e projetos de extensão disponíveis para os alunos de Relações Públicas e Jornalismo. Um dos projetos mais promissores na FCS é o Cineclube do Décimo.
O coordenador do cineclube, Leandro Almeida, explicou que, inicialmente, o programa surgiu em 2018 dentro do Laboratório de Vídeo (LV) da FCS, e em 2022 se tornou projeto de extensão. A ideia de criá-lo aconteceu por conta de experiências anteriores de Leandro com projetos envolvendo essa temática, especialmente o cineclube que ele e o cineasta Marco Aurélio Brandt criaram no Museu de Arte Contemporânea, em Niterói, que durou sete anos. “Quando eu cheguei aqui na Uerj, eu percebi que seria muito importante ter um espaço de exibição de filmes com esse objetivo de ampliação de repertório dos estudantes de comunicação, a princípio, justamente porque são estudantes que vão se formar, profissionais que vão lidar diretamente com o audiovisual”, comentou o coordenador.
Como o cineclube funciona
As sessões do Cineclube do Décimo acontecem mensalmente de forma presencial e remota. Os lugares das exibições variam de acordo com as parcerias do cineclube, seja nos auditórios 11 e 91 da Uerj, seja no Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira (CAp-Uerj), como quando levaram os filmes da Mostra SACI (Somando Arte no Cinema Independente) para os alunos do fundamental 1. O coordenador comentou que já houve algumas sessões especiais nas quais levaram a equipe de produção do filme para debater sobre a obra: “A gente recentemente exibiu o filme ‘Agudás – Os Brasileiros do Benin’, documentário feito pela cineasta Aida Marques. A gente fez também um pré-lançamento do filme ‘Black Rio! Black Power!’, do Emílio Domingos, lá no curso de Licenciatura em Cinema e Audiovisual da Uerj, no campus da FEBF. Então têm essas atividades não periódicas, mas que são muito importantes”.
As sessões que ocorrem na FCS e no CAp – Uerj, em parceria com os professores, são como uma proposta pedagógica, como explicou Leandro: “Eu proponho essa parceria com uma disciplina e aí eu organizo com a equipe do Cineclube. A gente faz uma curadoria de filmes que dialoguem com a ementa da disciplina e que de alguma maneira possam complementar, somar com o processo de curso da disciplina. Então, uma vez por mês, a gente realiza uma sessão, na medida do possível, traz convidados que pertençam ao universo do filme e ao tema que está sendo discutido na disciplina”.
Além das sessões de filmes, Leandro contou sobre outros projetos que o cineclube possui: “A gente realiza o grupo de estudos uma vez por mês, para estudar cinema e educação, e fazemos o podcast, também com episódios divulgados uma vez por mês. O podcast é chamado ‘O Cinema como Pedagogia de Criação’. Então, essa organização se dá também na medida em que a gente conseguiu ampliar e agregar outras pessoas ao projeto, quando a gente transformou em projeto de extensão, a gente conseguiu dois bolsistas, e junto comigo e com a colaboração do laboratório, a gente vai trabalhando essas frentes todas que foram citadas”.
Público-alvo
Mesmo existindo um foco nos estudantes universitários, Leandro afirmou que o público-alvo do cineclube é bem diversificado e que é aberto para pessoas de fora da Uerj participarem. Desde o CAap-Uerj até a FEBF, na Baixada Fluminense, há uma tentativa de levar o cineclube para diferentes audiências. “Existe sempre uma movimentação para que mais pessoas possam participar”, afirmou o coordenador.
O cineclube também possui parceria com o Colégio Estadual Ernesto Faria, de São Cristóvão. As escolhas são pensadas de acordo com a disciplina e algumas vezes são sugestões dos professores que gostariam de estar exibindo um determinado filme, mas que ficam limitados por conta da infraestrutura do lugar. “A gente entra em contato com a direção e muitas vezes exibe o filme sugerido pelo professor na medida em que seja um filme em que possa ter uma abordagem significativa, que não ocupe aquele espaço de entretenimento apenas”, explicou Leandro.
A frequência do público depende muitas vezes dos alunos das disciplinas e da proposta do cineclube, porém Leandro afirmou que nas sessões remotas costumam ter variações: “As sessões on-line têm um alcance grande mas também depende do engajamento dos coletivos e organizações que estão sendo convidados para participar do cineclube, de qualquer maneira, isso se torna um registro porque fica no nosso canal, então vira um banco de dados de pesquisa sobre cinema e educação”.
A divulgação do cineclube ocorre principalmente em redes sociais, como Facebook e Instagram, bem como por meio de cartazes colocados em todos os andares da Uerj. “A divulgação é ampla para que pessoas que não são da faculdade possam participar”, comentou o coordenador.
Importância do Cineclube
Leandro comentou que, em um circuito comercial que está pautado por produções hollywoodianas, os cineclubes surgem para dar espaço para filmes de orçamento menor que não teriam tido chance competindo com as grandes produções. “Então você ter opções que apresentem uma diversidade de filmes com características mais independentes, filmes chamados de culturais, filmes que não têm espaço de competição nessas janelas do cinema comercial, eu acho que é fundamental para uma ampliação de repertório da sociedade”, explicou ele.
“Eu acho que o cineclube é uma resistência, diante de tantas atividades e ocupações que as pessoas têm, se a gente conseguir levar 2, 3, 4 pessoas numa sessão, e que elas possam suspender um pouco seu tempo para parar e assistir a um filme e debater, a atividade cineclubista já está sendo realizada ali”, complementou o coordenador.
Para saber mais sobre esse projeto de extensão, acesse o Instagram do Cineclube: @cineclubedodecimo.
Equipe do Cineclube do Décimo: Leandro Almeida, Jéssica Volpi e Poito Charretes.










