Novo bar em Vila Isabel explora o que tem de melhor na vida boêmia do bairro

Novo bar em Vila Isabel explora o que tem de melhor na vida boêmia do bairro

Localizado no Boulevard 28 de setembro, Patota Bar & Restaurante explora o samba e o futebol enquanto enfrenta os desafios de se estabelecer na região 

Por Laura de Sousa e Silva dos Santos

                                          Patota Bar & Restaurante. Foto: Laura de Sousa e Silva dos Santos

 

O bairro Vila Isabel é conhecido pela sua vasta história e cultura. Localizado na Zona Norte do Rio de Janeiro, o lugar é marcado pela música, pelo futebol, pela boêmia e pela comunidade. Além da escola de samba Unidos de Vila Isabel e do estádio de futebol Maracanã, a região também concentra uma grande quantidade de bares tradicionais, o que intensifica a vida noturna do bairro.

 

No dia 15 de setembro deste ano, Vila Isabel deu as boas-vindas a mais um estabelecimento que intensificará a vida boêmia do lugar: Patota Bar & Restaurante, localizado na rua 28 de setembro. O sócio-operador do espaço, André Costa comentou um pouco sobre a ideia de abrir o bar na região: “É um bar ligado à música, alguns dos sócios que já eram do bar tentaram reabrir com uma nova marca, uma nova proposta. Com música, samba, tudo a ver com Vila Isabel. Petiscos tradicionais e essas coisas”.

 

Cultura do samba

André comentou que como diferencial de outros restaurantes do bairro, o ambiente traz música, especialmente o samba, para entreter os clientes. Ele relatou que o estabelecimento busca contratar músicos do próprio bairro para tocarem no lugar: “São artistas menos conhecidos, que precisam de um espaço para tocar. É isso que a gente pensa, trazer pessoas do bairro, artistas do bairro que estejam aqui e que queiram o seu espaço para tocar. E que a gente possa ter uma troca’.

 

Cultura do futebol

O sócio-operator afirmou que o bar busca agradar os torcedores de futebol que costumam acompanhar os jogos que acontecem no Maracanã. As torcidas que costumam marcar presença no lugar são as do Flamengo e do Fluminense, justamente por já serem do estádio, porém André comentou que quando o Botafogo e o Vasco jogam no bairro, alguns dos entusiastas desses dois times também marcam presença.

Para atender a esse público lunático por futebol, ele descreveu como o estabelecimento se prepara para receber esse público: “A gente contrata mais gente, a gente se prepara, faz um cardápio mais enxuto para poder atender melhor. A gente faz todo um planejamento de número de pessoas, a gente se planeja para atender esse público”.

 

Público-alvo

André comentou que quando se abre um negócio, a primeira coisa que se pensa é no público em volta, e ele explicou quem o restaurante busca alcançar: “O nosso público-alvo é o morador, pessoal do hospital, pessoal que trabalha aqui em volta e o pessoal da Uerj. Tanto os professores, quanto os diretores, estudantes. A gente quer ter opção para todas essas pessoas”.

 

Para os alunos da Uerj, o sócio-operador afirmou que o estabelecimento planejou um cardápio um pouco mais em conta pensando nesse grupo.

 

Importância do espaço 

 

Um restaurante desse porte em um bairro como o de Vila Isabel ajuda a perpetuar a vida noturna tão popular na região, e André reconhece isso: “Eu acho bastante importante porque Vila Isabel está um pouco degradada, está um pouco sozinha. A gente está investindo aqui, a gente está apostando em resgatar algumas coisas aqui de Vila Isabel“.

 

O bar que se encontrava anteriormente ali, Boteco Mané, fechou por conta de problemas na gestão, algo que o sócio-operador já afirmou que não será um problema para o Patota Bar & Restaurante. O que se apresenta como um problema são os desafios constantes que todo morador da região enfrenta: a violência e a decadência do bairro. “A decadência vem da Zona Norte, com o crescimento da violência. Então muita gente migrou para outros lugares. Esse é um fenômeno desde o final da década de 80 para 90. A violência cresceu, as pessoas se sentem inseguras”, lamentou André.

O sucesso de espaços como o Patota Bar & Restaurante ajuda a dar força a um espaço tão rico culturalmente e popular como Vila Isabel, e que problemas como a violência podem até passar a ser rotina, mas não podem parar a vida dos moradores. “É uma preocupação constante, mas faz parte. Infelizmente, o Rio de Janeiro normalizou a violência”, ele lamentou.

 

Expectativa

Com dois meses e meio de funcionamento, André já consegue ter uma perspectiva sobre o futuro do lugar: “Minha expectativa é de ter um movimento constante, com boa música, com um grupo bom, que venha gostar do atendimento, que faça um giro interessante. Para a gente poder ter o retorno do investimento”.

Ginástica para idosos em Vila Isabel melhora saúde e qualidade de vida dos alunos

Ginástica para idosos em Vila Isabel melhora saúde e qualidade de vida dos alunos

Por: Alice Moraes e Thaísa de Souza

Alunas realizando os exercícios. Foto: Alice Moraes e Thaísa de Souza

Tilda Farias, de 72 anos, se emociona ao contar sobre o efeito positivo que os exercícios físicos vem causando em sua vida. Ela, que sofria com hérnia de disco, artrite e artrose, relata que, desde que se tornou aluna da turma de ginástica após recomendação de seu filho, não sente mais dor na coluna nem dor de cabeça. Seus exames atuais causaram alegria nela e na equipe médica, porque não deram nenhum resultado de enfermidade. Ela conta que foi aplaudida pelo médico ao dizer: “Doutor, agora eu faço atividade física lá onde eu moro”. 

 

Tilda participa das aulas gratuitas de ginástica para pessoas da terceira idade na Praça Tobias Barreto, em Vila Isabel, que acontecem às segundas, quartas e sextas pela manhã, das 9h às 10h30. O professor Jairo Santos detalha que é importante oferecer exercício físico para o idoso, porque o corpo humano precisa estar sempre em movimento. Caso contrário, com o tempo de sedentarismo, os movimentos vão sendo prejudicados.

 

“Eu não sinto dor nenhuma agora, sou feliz aqui”, relata Tilda entre lágrimas de alegria. As aulas, além de ajudarem na recuperação da saúde dela, também proporcionam que ela e os demais participantes cultivem amizades uns com os outros e tenham uma rotina de socialização. 

Profissional explica benefícios da ginástica para idosos

As aulas começaram pouco antes da pandemia a partir de um projeto proposto pelo então candidato a vereador Márcio Ribeiro. O professor Jair Santos, de 57 anos, formado em Educação Física há 17 anos e ex-atleta de alto rendimento, relembra que tudo começou com apenas quatro participantes. Com o tempo, o grupo cresceu e se tornou um ponto de cuidado com a saúde e fortalecimento da autonomia dos idosos. Jair explica que o corpo precisa manter ao longo da vida funções básicas como agachar, levantar, puxar e alcançar — habilidades que se perdem com o sedentarismo e tornam tarefas simples, como calçar uma meia, um desafio. Ele compara o corpo a um carro que fica parado por anos: quando não é usado, enfraquece. Por isso, as aulas seguem uma progressão pedagógica, do simples ao complexo, respeitando limitações e comorbidades. O resultado aparece no dia a dia dos alunos: melhora no equilíbrio, mais elasticidade, aumento da força e maior independência.

O impacto vai além da parte física. Segundo Jair, muitos participantes viviam sozinhos e sem estímulos sociais. Com o grupo, criaram novas amizades, desenvolveram confiança e passaram a frequentar passeios coletivos — de visitas ao Museu do Amanhã a caminhadas em Copacabana. O convívio regular fortalece o bem-estar emocional, reduz a sensação de isolamento e amplia o senso de pertencimento. Para o professor, a longevidade também nasce das relações: “Não somos só corpo, somos espírito”, afirma. 

Alunas descrevem bem-estar físico e mental

“Isso aqui é muito importante para nós”, relata Jurema Ribeiro, de 71 anos. “Eu tinha problema na coluna e no joelho, hoje em dia faço de tudo e tenho mais disposição”. A aluna é tão beneficiada em sua saúde física e mental pelas aulas de ginástica que faz questão de chamar outros colegas para participarem dos exercícios. 

 

Bernadete Maria, de 67 anos, se sente mais animada desde que se interessou pelos exercícios. Ela, que iniciou as aulas há um mês, já vê melhoras na sua vida: diminuiu o sedentarismo, aumentou seu desejo de se movimentar mais e lhe proporcionou mais disposição para sair de casa. 

Alunas participando das aulas. Foto: Thaísa de Souza

Participação feminina supera a masculina

Os números revelam uma realidade curiosa: das 86 pessoas inscritas, 82 são mulheres e apenas quatro homens, que participam esporadicamente. Para o professor, isso não surpreende. Jair observa que, na velhice, “há mais viúvas do que viúvos”, e atribui a diferença ao fato de que muitos homens não cuidam da própria saúde com a mesma constância. Enquanto eles passam pela praça dizendo que “já estão caminhando” ou que “estão bem assim”, as mulheres demonstram maior curiosidade, perguntam sobre horários, formas de participar e rapidamente se engajam nas atividades. Esse interesse feminino explica tanto o crescimento do grupo quanto a vitalidade que mantém o projeto vivo.

Alunas da ginástica com o professor Jairo e com as repórteres Alice e Thaísa.

Ateliê de cerâmica em Vila Isabel oferece aulas e se torna espaço de criatividade e conexão

Ateliê de cerâmica em Vila Isabel oferece aulas e se torna espaço de criatividade e conexão

Nomeado de Estúdio Casa 100, o ateliê é um espaço localizado na parte externa da casa de uma das professoras, onde o amor pela cerâmica é compartilhado com a comunidade

Por: Alice Moraes

Uma estante com objetos do ateliê Estúdio Casa 100. Foto: Alice Moraes

Duas amigas de longa data ministram, juntas, aulas de cerâmica artesanal para moradores da Grande Tijuca, oferecendo um ambiente de aprendizado acolhedor. Júlia Rosa e Luciana Leite, ambas de 43 anos, montaram o ateliê há um ano e se tornaram professoras de cerâmica há dois meses. “Fazer cerâmica é uma atividade extremamente prazerosa”, comenta Luciana com um sorriso no rosto. 

De acordo com as duas, Luciana foi a primeira a entrar para o curso de cerâmica. Como ela sempre postava fotos das peças que construía, Júlia, que já tinha interesse em aprender, se sentiu ainda mais atraída pela arte e decidiu participar do mesmo curso que a amiga. 

O ateliê, chamado de Estúdio Casa 100, está localizado em Vila Isabel, na Rua Justiniano da Rocha, 100. As aulas, que no momento contam com oito alunas, possibilitam que não apenas as professoras ensinem e compartilhem o amor pela cerâmica, mas também auxilia ambas a aprenderem cada vez mais a partir da troca com os alunos. 

Júlia relata que é gratificante utilizar as peças produzidas, como canecas, xícaras e pratos. “Há inúmeras possibilidades de criação com cerâmica”, conta ela, “É uma maneira de se colocar também em cada peça, porque é muito bom tomar café da manhã, por exemplo, e pensar ‘eu que fiz essa caneca’. Dá um prazer muito grande com o resultado final de cada peça”. 

Em uma estante do ateliê, é possível ver a variedade das criações confeccionadas pelas professoras e pelos alunos. Entre as prateleiras, encontram-se utensílios como bules, pratos em formato de pão-de-forma, cumbucas, xícaras pequenas, copos e canecas que variam de tamanho e largura. Em uma mesa próxima dali, os pincéis se encontram prontos para serem utilizados no processo de esmaltação da cerâmica. 

O processo que as professoras aconselham para as aulas é “degrau por degrau”, de acordo com elas. Começam com itens mais simples para os alunos iniciantes. É normal eles chegarem com a expectativa de criar um item mais complicado e que exige mais técnica, por isso elas incentivam a construírem itens mais fáceis, como um prato pequeno ou uma xícara, e conforme o aprendizado e a prática forem evoluindo, novas peças podem ser aprendidas e feitas. 

As aulas enfatizam a modelagem manual da cerâmica, isto é, a modelagem com as mãos, da maneira mais natural possível, como explica Luciana: “É importante ter primeiro esse conhecimento do material, essa prática de manusear”. 

Luciana e Júlia contam que, mesmo com a alegria de ter tantas peças feitas, muitos erros já ocorreram. Quando é o caso, as professoras fazem questão de passar uma visão otimista para os aprendizes: “Eu brinco com os alunos, digo que eles têm que desapegar mesmo. Nem sempre vai dar certo. Tem horas que vai rachar, a peça vai trincar, a esmaltação vai ficar ruim. Faz parte do processo”,  detalha Luciana. 

“Ah, deu errado? Joga fora, acabou. Faz de novo”, enfatiza Júlia, reforçando que os erros não acontecem só com os alunos. Entre os ceramistas com mais experiência, também pode acontecer de o material quebrar, mesmo que na última fase do processo, que é longo. “É uma coisa que a gente trabalha, isso de não se frustrar, porque se der errado, nós fazemos de novo”.

Objetos de cerâmicas presentes no ateliê. Foto: Alice Moraes

O trabalho realizado nas aulas vem rendendo bons resultados, como as professoras observam. A evolução das alunas e a satisfação delas em criar uma boa peça são características que as professoras descrevem como as melhores partes de oferecer as aulas de cerâmica. “No começo, elas estavam super sem jeito, mas conforme foram aprendendo, elas começam a ter um domínio, uma independência”, relata Júlia. Luciana acrescenta: “E ver também a felicidade quando elas conseguem fazer alguma coisa legal também é muito bom. Quando uma peça sai direitinho do jeito que elas esperam, isso é muito legal”.

O curso de cerâmica artesanal no Estúdio Casa 100 é oferecido pelo valor de R$350 mensais, com aulas diárias, não só para moradores da Grande Tijuca, mas também para moradores de outros bairros que estejam interessados e que tenham disponibilidade de horário. Luciana e Júlia relatam que estão abertas para adicionar mais horários, de acordo com a demanda. As aulas têm duração de duas horas e meia e a argila é cobrada à parte. Os demais instrumentos, como moldes e esmaltes, são disponibilizados no ateliê. 

Projeto “Dançar os Sonhos” ensina dança de salão a crianças em escola pública na Tijuca

Projeto “Dançar os Sonhos” ensina dança de salão a crianças em escola pública na Tijuca

Projeto é inspirado em Pierre Dulaine, conhecido por ter criado o programa Dancing Classrooms

Por: Ana Carolina Guimarães Nogueira

Criado pela professora de dança de salão Gisela Saramago, o projeto “Dançar os Sonhos”  tem por objetivo não apenas ensinar diferentes estilos de dança para crianças de escolas públicas, mas também transmitir, através da arte, a importância de valores como o respeito.

         A professora Gisela Saramago, na Escola Municipal Barão de Itacurussá. – Foto: Ana Carolina Guimarães Nogueira

 

O trabalho é voluntário e realizado por Gisela, em conjunto com os professores de dança João Kleber Magalhães e Josenildo Petti. Eles ministram aulas de diferentes estilos, como forró, samba e soltinho. A maior parte das crianças atendidas pelo projeto está na faixa etária de 4 a 13 anos. O trabalho realizado com as crianças que ainda estão na educação infantil é um pouco mais lúdico, tornando os conteúdos aprendidos em sala de aula mais fáceis de serem compreendidos pelas crianças por meio da dança.

“Na educação infantil, trabalhamos com os temas que as crianças estão trabalhando na escola no momento. Por exemplo, se estão aprendendo sobre a natureza, dançamos imitando as árvores e os animais”, declara Gisela. 

A professora começou a dançar aos 8 anos de idade e estudou na escola de dança de salão Jaime Arôxa. Ela já deu aulas de dança de salão infantil na escola Petite Danse. Atualmente,Gisela ministra aulas na Escola Municipal Barão de Itacurussá, localizada no bairro da Tijuca. O projeto é realizado há 13 anos na escola.

            Desenho de uma das alunas do projeto Dançar os Sonhos. – Reprodução: Instagram @dancarossonhos

“Eu queria criar um projeto que não ensinasse somente a dançar, mas que a dança fosse um instrumento para que pudéssemos abordar tantos temas importantes, como respeito, solidariedade, inclusão, amor ao próximo, empatia, trabalho em equipe”, comenta Gisela.

A professora afirma que a sua maior inspiração é o tetracampeão mundial de dança de salão Pierre Dulaine, conhecido por ter criado o programa Dancing Classrooms, que consiste no ensino voluntário de dança de salão em escolas públicas de Nova York. Além disso, Gisela conta que começou a idealizar o seu projeto após assistir ao filme “Vem dançar”, que retrata a história de vida de Pierre. Ela conseguiu  entrar em contato com Pierre e contou sobre o seu desejo de ministrar aulas de dança em escolas públicas, assim como ele fazia. Após a conversa, Gisela criou, em 2012, o projeto “Dançar os Sonhos”.

Os professores do projeto enfatizam a importância do acolhimento, da inclusão, do pertencimento e do respeito às diferenças de cada um. Gisela comenta que sente-se muito feliz ao notar que ajuda no desenvolvimento de alguns movimentos de seus alunos com Transtorno de Espectro Autista ( TEA), através da dança.

“Falar sobre o autismo, é falar como cada criança, jovem, é único. Nenhum autista é igual ao outro, cada um tem suas potencialidades e singularidades. Às vezes um pequeno movimento, significa muito. Um estímulo, uma abertura daquele jovem para o mundo ao seu redor”, declarou.

A manutenção do projeto é realizada com a ajuda de amigos de Gisela. Ela também organiza campanhas de arrecadação para distribuir presentes às crianças atendidas pelo projeto em datas especiais, como Páscoa, Dia das Crianças e Natal. Anualmente, cerca de 180 alunos participam do projeto.

Halloween para além das travessuras

Halloween para além das travessuras

Evento de ONG na Tijuca visa arrecadar tampinhas e lacres para doar cadeiras de rodas a crianças 

Por: Maria Clara Jardim

                                Decoração de Halloween com as famosas abóboras (Foto: artsmile / Pixabay)

 

A ONG Ensinando está organizando o evento “Halloween do Bem” com objetivo de arrecadar tampinhas de garrafas e lacres de latinhas para trocar por cadeiras de rodas para crianças. Mesclando diversão e solidariedade, os organizadores do evento convidam o público para participar de uma noite que incluirá decoração temática de Halloween, DJ, bar com drinks temáticos e prêmios para as melhores fantasias e maquiagens. A festa acontece no dia 31 de outubro, com início às 21h e finalização às 03h na Associação Atlética Tijuca, localizada na Rua Barão de Mesquita, número 149.

Mesmo que seja tradicionalmente comemorada nos Estados Unidos, a festa de Halloween também tornou-se cada vez mais presente na cultura brasileira ao longo do tempo. Segundo o historiador Frederico Benjamim Mecenas em entrevista para o Correio Braziliense, a comemoração do Halloween ganhou força no Brasil a partir dos anos 1990, impulsionada pela globalização e pela influência cultural e midiática dos Estados Unidos, principalmente por meio de filmes de terror. Desde a sua popularização, a celebração reúne crianças, jovens e adultos em festas à fantasia assustadoras. No Brasil, a data também marca o Dia do Saci, criado como forma de valorizar o folclore nacional.

 

Com o crescimento dessas comemorações temáticas, a ONG Ensinando alinhou seu objetivo altruísta com a época festiva para garantir visibilidade para sua causa. A instituição acredita que promover, ensinar e praticar são os três pilares para transformar vidas, e esses ideais podem ser vistos em diversos projetos sociais propagados pelo grupo. De acordo com informações disponíveis na aba “Quem Somos” do site oficial da ONG Ensinando, a instituição busca estimular o progresso da comunidade ao desenvolver projetos que abrangem áreas esportivas, culturais e sociais, focando no desenvolvimento individual, na valorização da coletividade e na promoção do bem-estar comunitário. O grupo realiza ações como oficinas culturais, cursos de capacitação, campanhas educativas e iniciativas solidárias que impactam crianças, jovens e adultos. A iniciativa de organizar a festa de Halloween se assemelha às atitudes vistas durante toda a trajetória da ONG, marcada pelo compromisso contínuo com a inclusão social e pela criatividade na mobilização de recursos em prol do bem coletivo.

 

Informações sobre ingressos, dias e local: 

A venda de ingressos com valor promocional ocorre até o dia 25 de outubro, após esse dia os ingressos passam a ter o valor fixo de R$50 por pessoa. As promoções disponíveis se encaixam nos seguintes critérios:

  • Ingresso custa R$40 mediante doação de tampinhas e lacres (a doação será verificada na entrada do evento).

  • Ingresso custa R$45 caso não haja doação de tampinhas e lacres.

 

Segundo a instituição, todos os ingressos irão contribuir diretamente para criação e manutenção dos projetos sociais da ONG.

 

Para saber mais acerca das promoções e da política do evento, acesse:

https://www.sympla.com.br/evento/halloween-do-bem

 

Contatos da Ong Ensinando:

https://ongensinando.com

ongensinando@gmail.com

(21) 99948-2032

(21) 99953-0312

Os impactos do Parque Estadual do Grajaú na região da Grande Tijuca

Os impactos do Parque Estadual do Grajaú na região da Grande Tijuca

Completando 47 anos em 2025, o bosque serve para a realização de eventos e para a preservação ambiental

Por Laura de Sousa e Silva dos Santos

                                      Parque Estadual do Grajaú. Foto: Laura de Sousa e Silva dos Santos

 

Foi realizado no último dia 20 de setembro, no Parque Estadual do Grajaú, uma atividade de educação ambiental com o PREVFOGO, do Ibama, na qual  foram oferecidas orientações sobre preservação ambiental e combate a incêndios florestais. Na palestra, os técnicos explicaram sobre os impactos causados pelo fogo na sociedade, no solo, na fauna, na flora e na atmosfera. O evento foi organizado pela gestora do Parque, Carina Beltrão: “Eu tenho o contato dos meninos e uma vez por ano eu procuro trazê-los aqui”, disse. 

Esse não é o primeiro evento organizado pelo bosque, o lugar recebe com frequência ONGs, escolas e grupos de escalada para a prática de atividades. No início de setembro, o Instituto Floriano Peçanha dos Santos decidiu levar crianças para uma palestra sobre educação ambiental, na qual, por meio de uma visita guiada ao Parque, foi explicado sobre as abelhas nativas sem ferrão e sobre a importância da Mata Atlântica. A gestora do bosque comentou que a ONG entrou em contato com ela pelo Instagram do Parque e agendou a visita.

Em julho, ocorreu uma colônia de férias organizada pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente, que trouxe monitores para fazerem atividades com crianças no local. A maioria dos eventos, comentou Carina, é agendada pelo Instagram do Parque ou pelo WhatsApp dela. Além dessas reuniões, o bosque também serve aos moradores da vizinhança, que realizam atividades físicas e piqueniques. “A gente precisa dessa área verde. Aqui se tornou uma unidade de conservação”, comentou a gestora.

 

Preservação ambiental

Criado em 1978, o contexto de sua origem foi a solicitação da comunidade do bairro do Grajaú para a criação da área verde para proteção ambiental, como explicou Carina: “A ideia foi para não haver construções irregulares”. O Parque, que  é administrado pela prefeitura e está sob concessão do Município até 2027, tem um grande impacto na fauna e na flora da região, através da preservação de espécies de plantas e animais. 

Entre algumas espécies de plantas nativas na região, estão figueira, embaúba, carrapateira, ipê-amarelo, cedro-branco e pau-d’alho. O Parque possui diversos projetos de plantação, incluindo o Viveiro Vertical de Plantas Medicinais, que tem como objetivo o cultivo sustentável de plantas medicinais, promovendo o uso responsável dos recursos naturais e incentivando a biodiversidade. Carina comentou que é comum pessoas entrarem em contato com ela para poderem levar diferentes mudas para plantar. 

As espécies de animais são diversas: jiboia, gambá, esquilo, mico-estrela, beija-flor, dentre outros. Alguns desses animais, como a jiboia, já entraram em casas da vizinhança e precisaram do bombeiro para ir buscar, comentou a gestora. As abelhas são um dos destaques do Parque por conta do Projeto Ala do Mel, que foi delineado com o objetivo de atender as propostas da ONU relativas à sustentabilidade e à Agenda 2030. A ideia é trabalhar com as abelhas nativas indígenas sem ferrão para preservar as espécies ao lado de alunos da Educação Infantil ao Ensino Médio. O mel que as abelhas fabricam é em pouca quantidade, porém às vezes é oferecido para consumo.

 

 Desconhecimentodo público

Por mais que o evento do Ibama tenha tido um bom público graças a uma festa de aniversário infantil que estava ocorrendo no bosque, Carina comentou que muitas dessas reuniões não tiveram grande repercussão: “O público é um pouco baixo. A galera costuma ficar muito ali embaixo na pracinha”. O entendimento dela é de que muitas pessoas realmente não fazem ideia da existência do local. “Tem morador que chega aqui e fala que não conhecia o parque, e mora aqui há anos”, lamenta Carina.

 

                        Evento do Ibama no Parque Estadual do Grajaú. Foto: Laura de Sousa e Silva dos Santos

 

Para saber mais sobre os projetos de preservação ambiental e dos eventos oferecidos pelo Parque, acesse o Instagram do lugar: @parquedograjau_oficial





Brincando no Hupe: transformando a rotina hospitalar das crianças

Brincando no Hupe: transformando a rotina hospitalar das crianças

Brinquedoteca do hospital da Uerj é ferramenta de humanização e acolhimento

Por: Alice Moraes e Thaísa de Souza

 
 
Mascote da brinquedoteca do Hupe. Foto: Alice Moraes

Prateleiras com brinquedos e vários jogos de tabuleiros empilhados estão disponíveis para as crianças escolherem livremente na brinquedoteca do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe). As cores, as bonecas, os dinossauros, os carrinhos e o grande urso que é mascote da brinquedoteca despertam a atenção de quem entra na sala.

A brinquedoteca se localiza no ambulatório de pediatria do Hupe e desempenha um papel fundamental em consolar e humanizar a experiência da criança no hospital. A equipe da brinquedoteca explica que a criança muitas vezes chega assustada para as consultas, então a brinquedoteca presta esse acolhimento e quebra o ambiente desconfortável que o hospital pode ser para os pequenos.

Cândida Mirian Vasconcelos Santos, de 73 anos, é coordenadora da brinquedoteca e assistente social. Ela explica qual o papel de um brinquedista: “É um profissional da área de ludicidade, formado pela Associação Brasileira de Brinquedoteca, que atua com as crianças nos hospitais, oferecendo atividades lúdicas”. A equipe também esclarece que a brinquedoteca é um espaço essencial que deveria ter em mais hospitais do país. De acordo com eles, a brinquedoteca é um local com brinquedos e profissionais capacitados para apresentar à criança a possibilidade enorme de brincar.

“Essas crianças vêm com um sofrimento, vêm incapacitadas. O convite para brincar dá a elas a oportunidade de decidir como e com o quê brincar. Algumas crianças até brincam de dar vacina no brinquedista, então [elas vão] representando e entendendo o que está acontecendo”, explica Maira Martins, de 67 anos, psicóloga do espaço lúdico.

O condutor da brincadeira tem papel de amenizar as dores. “A criança quando entra aqui não tem escolhas, ela tem que tomar injeção etc. O único momento que ela tem voz é na parte do brincar”, explica a brinquedista Flavia Vieira, de 49 anos, ressaltando o quanto é importante a autonomia que a brinquedoteca proporciona à criança no ambiente hospitalar.

A brinquedoteca facilita também a relação da criança com a equipe da enfermaria, como ressalta Graziene Costa, de 39 anos, brinquedista e secretária do local. A brinquedoteca transforma a ida ao médico em algo prazeroso, já que, segundo a equipe, muitas crianças saem de lá empolgadas para voltar outro dia e brincar de novo.

A equipe também ressalta que a brinquedoteca não beneficia apenas as crianças, mas também os familiares e acompanhantes, que encontram ali um espaço de acolhimento e alívio em meio à tensão hospitalar. “Facilita bastante a ligação das mães, dos acompanhantes, com a própria criança, porque a mãe fica hospitalizada junto por muito tempo, dependendo da situação, e também sofre com a casa, os filhos, o marido e o trabalho”, afirma Maira.

O lugar proporciona uma interação especial entre a criança e a família, como Graziene reforça: “A família muitas vezes não tem tempo para brincar com o filho. Então o momento que é pra ser chato, a hora da consulta, acaba sendo prazeroso porque a mãe tem um tempo a mais para estar com a criança”.

Prateleira de brinquedos. Foto: Alice Moraes e Thaísa de Souza

A brinquedoteca é fruto de uma longa história de resistência. Criada em 2003, o espaço já enfrentou dificuldades para se manter ativo, mas a equipe nunca deixou de lutar pela importância do brincar dentro do hospital. Essa luta ganhou reforço recentemente com a regulamentação da profissão de Brinquedista, reconhecida oficialmente pelo Ministério do Trabalho e Emprego com o código 3714-15 na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), o que diferencia o profissional de outros ocupantes da área de recreação e fortalece políticas públicas, cursos de qualificação e a correta atribuição de funções nos hospitais.

Como destaca Matheus do Valle, de 29 anos, psicólogo e brinquedista: “[A regulamentação] abre as portas para terem outros hospitais também. É lei que todo hospital que tem internação pediátrica tem que ter uma brinquedoteca, tem que ter brinquedista”. Esse reconhecimento não é apenas um marco para os profissionais, mas também uma vitória para as crianças hospitalizadas, garantindo que o brincar seja um direito respeitado e integrado à assistência hospitalar.

Além da atuação no dia a dia, o grupo investe em iniciativas que expandem o alcance do projeto, como a Brinquedoteca do Adolescente e a Brinquedoteca Universitária. Há ainda o Mundo dos Sonhos, livreto lúdico pensado para crianças que enfrentam cirurgias: “As crianças às vezes [falam] ‘ah, eu não quero ir pra cirurgia’, ‘o que eu vou fazer na cirurgia?’ Então a gente conversa sobre o que vai acontecer e conta essa história com uma cartilha”, explica Cândida. Essas frentes reforçam a ideia de que o brincar é essencial em todas as fases da vida, adaptado às necessidades de cada público.

Brinquedos nas prateleiras. Foto: Alice Moraes e Thaísa de Souza

A produção científica e cultural do grupo, que inclui um livro, artigos e participação em congressos, também ajuda a consolidar a credibilidade do trabalho e ampliar seu impacto. “Em 2023, a gente lançou o livro da Brinquedoteca na Bienal. A equipe toda escreveu. Ele fala sobre as rotinas da brinquedoteca, o que é o brincar, por que o brincar é importante e a história da brinquedoteca em si”, explicou Matheus. Além disso, a Brinquedoteca é referência nacional. “Temos autorização para fazer cursos de brinquedista, fórum, seminário. Somos núcleo da Abbri, somos núcleos do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), fizemos o 1º Congresso Internacional Brincar, Brinquedista, Brinquedoteca… Então, a gente faz bastante coisa. Só precisamos de mais apoio”, conta Cândida.

Qual seria esse apoio? A coordenadora explica que seria um apoio político: “Muita gente reconhece nosso trabalho, mas não dá gás, a gente precisa de gás. Por exemplo, agora nós fizemos um concurso público; hoje estou com apenas dois funcionários concursados. Eu estou para sair ano que vem, não porque eu quero. Tenho 73 anos, aos 74 eu tenho que pedir, não tem jeito. Mas eu não quero que isso aqui morra”. Ela também fala sobre a importância do projeto em sua vida. “As pessoas dizem: ‘Cândida, você tá doente com esse trabalho’. Para mim, não é uma doença. A minha saúde, a minha energia é isso aqui. Isso aqui faz a gente ficar jovem, não tem jeito, entendeu? Então, a gente tem que continuar. Eu brigo muito por esse trabalho, pelo espaço que nós perdemos, mas a gente tá aqui, alojado, ainda de mudança, esperando uma nova etapa que com certeza vai acontecer”.

A sala pequena, a falta de recursos e até doações inadequadas de brinquedos limitam o potencial de atuação. Ainda assim, a dedicação dos brinquedistas garante que o espaço continue vivo e transformador. Como destaca a equipe, mais do que apenas um local para se divertir, a brinquedoteca é um espaço de humanização, que devolve à criança a chance de ser protagonista mesmo em meio à experiência difícil da hospitalização.

Os desafios enfrentados pelos alunos da Uerj em dia de jogo no Maracanã

Os desafios enfrentados pelos alunos da Uerj em dia de jogo no Maracanã

Por: Laura de Sousa e Silva dos Santos

Estádio de futebol Maracanã. Foto: Laura de Sousa e Silva dos Santos

 

No último dia 4 de setembro,  ocorreu o jogo das eliminatórias da Copa do Mundo entre Brasil e Chile, no Maracanã. Com mais de 50 mil ingressos vendidos, a partida movimentou o estádio e o seu entorno, com medidas de segurança no local e um esquema especial no Metrô para os torcedores. O jogo também fez com que a Universidade  do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) cancelasse as aulas. A suspensão foi adotada pela Faculdade de Comunicação Social (FCS),  por meio de um comunicado que dizia que as aulas a partir das 17h  estavam canceladas. Com o jogo marcado para às 21h30, professores de outros cursos também optaram pela suspensão das atividades.

Lorrayne Barbosa, estudante de História do 7º período, relatou que chegou a ir para a Universidade no dia, porém dois dos seus professores decidiram abonar falta: “ Quem estava aqui teve aula, mas quem não foi, não contou como falta.”. Já Marcela Evaristo, aluna de Letras-Alemão que está no 6º período, teve sua aula cancelada e seus professores preferiram passar um trabalho para fazer em casa. “Todos entraram num consenso que ia ficar muito lotado”, relatou.

Esse tipo de situação não foi exclusiva desse dia, isso ocorre com  frequência na região. Caso as aulas não sejam canceladas, os alunos do período noturno precisam enfrentar torcedores se movimentando pela região, transporte público lotado e desorganizado, trânsito e outros desafios que fogem de sua rotina. “É sempre tumultuado. Normalmente, se eu não cheguei na Uerj ainda, eu já perguntei ao grupo da turma se vai ter aula ou não, porque dependendo do professor, às vezes, ou abona falta, ou cancela a aula”, relatou Lorrayne, que sai do Catete de metrô.

Mariana, que mora em Santa Cruz, tem duas opções diariamente: ou ela pega o ônibus 383, ou ela pega o trem. Porém, muitas vezes, seu ônibus para de passar em certos horários devido à falta de constância, restando-lhe pegar o trem em condições não muito favoráveis. “Era inviável para a gente conseguir chegar às vezes”, comentou a estudante de Letras.

 

Quando os professores não cancelam as aulas, os próprios estudantes decidem não ir para a instituição, pois preferem não  enfrentar os transtornos do dia de jogo. A estudante de história contou que alguns professores cancelavam a aula somente depois de muita insistência dos alunos, e, muitas vezes, mesmo com outros docentes cancelando, alguns ainda mantinham: “Me deixava muito insegura, pois era uma aula importante, eu queria ir, mas ao mesmo tempo eu sabia o caos que seria.”. Para Mariana, o maior desafio é o trânsito e a distância que precisa percorrer nos dias de jogo.



Atraso no cronograma de aula

Um dos maiores impactos negativos que os jogos no Maracanã trazem é a desorganização no calendário acadêmico causado pelos constantes cancelamentos de aulas. Lorrayne comentou que os dias que mais foram afetados foram  quartas e sextas: “Toda hora o professor tinha que tentar reajustar o que dava de aula. Mas era complicado, a gente perdeu muita matéria por causa disso, e teve que readaptar o cronograma, pois a Uerj ia entrar de férias, e foi feito o que deu”. Os dias de jogos do Flamengo, nas quartas, relembrou Mariana, eram os dias mais afetados.



Vantagem em dia de jogo

Uma ocorrência em dia de jogo que não é comum no cotidiano é a presença de viatura policial na estação de metrô e trem, o que é algo que conforta os estudantes, como relatado pela Lorrayne:

“Eu saio com mais segurança, é mais seguro de sair pois está tumultuado. Como eu saio muito tarde, na maioria dos dias, entre 21h e 22h, então é bem deserto e escuro. Mas em dia de jogo esse é um ponto positivo.”. Mariana relatou o mesmo, se sentindo segura em ir para a estação de trem à noite, o que geralmente não sente nos dias comuns: “Fica muito escuro, às vezes dá para ir com um amigo, mas sozinha fica muito tarde, fica muito deserto”.



A Uerj pode fazer alguma coisa para melhorar essa situação? 

Na visão de Lorrayne, o cancelamento de aulas deveria partir da própria Universidade, e não dos professores, já que muitos docentes só tomam uma medida após um posicionamento da instituição: “Obviamente os jogos são marcados com antecedência, a faculdade tem como ter acesso a esse tipo de coisa e eu acho que teria como rolar algum tipo de conversa pra gente não ficar com dúvida se vai ter ou não aula”. Mariana, por outro lado, acha que disponibilizar o conteúdo no Acesso aos Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA), plataforma digital utilizada pela UERJ, já é uma solução simples a ser tomada. “Eu acho que o professor que cancela a aula é bom, pois não exige aquela cobrança de presença de estar ali nessas condições claramente desfavoráveis, pois é muita confusão que acontece nesses jogos”, relatou a estudante de Letras “Poderia talvez passar o conteúdo por fora para não ficar tão atrás com a matéria.




Educação que salva: projeto da Uerj transforma ensino sobre hemoterapia e conscientiza novos doadores

Educação que salva: projeto da Uerj transforma ensino sobre hemoterapia e conscientiza novos doadores

Por: Alice Moraes e Thaísa de Souza

 
 
Entenda a necessidade de uma educação em hemoterapia. Imagem: Freepik

No Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), um projeto de extensão vem mudando a forma como a hemoterapia é compreendida — tanto dentro quanto fora das salas de aula. Coordenado pela médica e professora Flavia Miranda Bandeira, o projeto de extensão Educação em Hemoterapia une ensino, ciência e engajamento social para suprir uma lacuna histórica na formação de profissionais da saúde.

A iniciativa nasceu em 2021, após a constatação de que o tema da hemoterapia ainda recebe pouco espaço nos currículos de cursos como Medicina e Enfermagem. “A gente via a deficiência dos alunos, inclusive trabalhos [dentro] e fora do Brasil mostram como se fala pouco sobre transfusão, tanto para o profissional quanto para o receptor”, explica a dra. Flavia, de 62 anos, que também atua no banco de sangue do Hupe. Diante disso, surgiu a proposta de um projeto que não só abordasse a doação de sangue, mas também temas como a lógica das transfusões, os testes laboratoriais envolvidos e os direitos do paciente transfundido.

Com uma equipe atualmente formada por sete alunos, incluindo bolsistas, o projeto se articula em diversas frentes: produção de conteúdo nas redes sociais, organização de rodas de conversa — presenciais e online —, visitas a escolas e unidades de saúde, e participação em congressos científicos. A estudante Carolina Godoy, de 23 anos, da Faculdade de Medicina da Uerj, entrou para o projeto no quarto ano da graduação e destaca o impacto da experiência: “Mesmo não querendo me especializar na área, entendi que a hemoterapia está presente em qualquer campo da medicina. Saber mais sobre isso virou uma necessidade.”

Agência transfusional do Hupe. Foto: Alice Moraes e Thaísa de Souza

A estudante de Medicina afirma que os alunos do curso passam apenas uma semana estudando sobre hematologia e hemoterapia, o que, de acordo com ela, não é o suficiente para o aprendizado. Ela conta que se interessou em fazer parte do projeto ao ver a divulgação do processo seletivo para bolsistas no Instagram oficial: @hemoterapia.uerj. Carolina diz: “O conhecimento em hemoterapia, ele não deve ser restrito a quem é especialista na área. Eu acho que todo mundo deveria saber, até quem não é da área da saúde. ”

O projeto, além de oferecer mais aprendizado e estimular a pesquisa para Carolina e para os demais estudantes que participam dele, leva o conhecimento para o público interno e externo, promovendo conscientização sobre hemoterapia. 

Além de produzir e divulgar informações baseadas em evidências, os alunos têm contato direto com a comunidade e se tornam referência entre os colegas. “Meus amigos da faculdade vêm tirar dúvidas sobre hemoterapia comigo. Muitas vezes eu não sei, então, eu sempre sou estimulada a pesquisar, sabe?”, relata Carolina. Segundo Flavia, esse é um dos principais valores do projeto: “Quando a gente pesquisa, às vezes a gente aprende muito mais fácil do que aquele conhecimento que vem passado para a gente.”

A professora e a aluna informam que o projeto vai além do Instagram. Eles também fazem trabalhos para levar em congressos, para eventos médicos e da área da saúde em geral, participam de rodas de conversa presenciais e online, realizam visitas a pacientes do Hupe e estiveram presentes no evento Uerj Sem Muros, ocorrido em março deste ano.

 

Doação de sangue: Mitos e verdades

A professora Flavia desconstrói o mito de que para doar sangue é necessário estar em jejum. “Na realidade, a pessoa tem que doar estando bem alimentada. Uma refeição leve, mas a doação não tem que acontecer em jejum”, ela explica. 

O segundo mito que a doutora esclarece é o de que as mulheres não podem doar estando menstruadas. Ela enfatiza: “Você pode doar estando menstruada, dependendo de como você esteja naquele momento.” O terceiro mito listado pela profissional é o de que pessoas com tatuagem ou piercing não podem doar. Sobre esse, ela diz: “Essas pessoas podem doar depois de seis meses de colocada ou feita a tatuagem. E se o piercing não for em boca, nem cavidade sexual, você pode doar sangue também.” 

Ela também explica sobre o que chamou de “o mito da acomodação”. Este se refere às pessoas que se impedem de doar, por achar que já tem bastante gente doando. Menores de idade podem realizar doações, os idosos podem doar até os 69 anos de idade e doar sangue não transmite doenças, pois todo o material utilizado durante o processo é descartável. A doutora Flavia alerta: “São mitos que as pessoas caem no imaginário popular e não tem nenhuma evidência, não tem nem embasamento científico.”

 

A importância da Educação em Hemoterapia

A estudante Carolina afirma ter certeza de que há uma carência desse tipo de ensino. Ela relata ter a percepção de que cada vez mais as pessoas não estão doando sangue. Era um hábito mais comum antigamente, então os indivíduos que doavam mais estão envelhecendo, enquanto a nova geração doa menos. A demanda por doadores, no entanto, cresce cada vez mais, embora as doações não acompanhem o crescimento da demanda. 

Carolina ressalta que o projeto é importante não só porque falam sobre doar sangue, mas por causa da conscientização que busca despertar nas pessoas a vontade genuína e voluntária de serem doadoras. De acordo com a doutora Flavia, o Brasil não tem uma cultura de incentivo à doação de sangue voluntária e espontânea, e sim uma cultura de doação de reposição. “Esse é o trabalho do projeto de extensão, levar isso para a comunidade, explicar o porquê. Por que eu tenho que receber sangue? Que sangue é esse? O que é que ele faz no meu corpo? A gente passa esse direito de informação à população”, esclarece a doutora. 

Por meio do Instagram, a educação em  hemoterapia vem alcançando mais pessoas. A página oficial do projeto recebe bastante retorno nessa rede social digital. A equipe enxerga o aumento de novos seguidores interessados em conhecer o trabalho deles. Carolina compartilha que os estudantes que integram o projeto se alegram quando recebem perguntas e dúvidas pelo Instagram. Eles já receberam mensagens até mesmo de seguidores que não têm relação direta com a hemoterapia, mas que queriam esclarecimentos e curiosidades. Esses pequenos acontecimentos marcam o objetivo do projeto sendo alcançado.  

 

Como incentivar a doação sanguínea? 

A primeira questão indicada pela dra. Flavia é a educação. A educação parte de falar sobre a necessidade de doar sangue desde as escolas primárias. Ela detalha: “Alguém explicando para a população quais são os requisitos básicos para doação de sangue, que é uma coisa tão banal, mas as pessoas não sabem. Então, outra coisa também é a gente ter mais acesso a mais, digamos, postos de doação.” 

De acordo com ela, o governo também deveria propor algum lugar para falar sobre o assunto. Uma campanha maciça feita pelo governo teria papel essencial no incentivo da doação de sangue. “A gente vê de vez em quando, mas não é uma coisa sistemática. Então, o governo tinha que realmente se envolver com isso, divulgar e usar espaço de mídia formal, tipo a televisão e o rádio, já que a gente sabe que muita gente ainda escuta rádio e televisão”, conclui a médica.

Oficina de forró da Uerj inova com método de condução compartilhada

Oficina de forró da Uerj inova com método de condução compartilhada

Método criado por Ian Pacheco redefine a relação entre os bailarinos

 

Por Julia Lima e Samira Santos

Ian Pacheco (blusa laranja) ensinando em suas aulas (Foto: Reprodução/Instagram)

Na sala de dança, Ian Pacheco não dita os passos como a maioria dos professores,  ele os escuta. Em suas aulas, o silêncio entre dois corpos vale tanto quanto a melodia do forró. Há mais de uma década mergulhado na dança, Ian encontrou no forró contemporâneo não só um espaço artístico, mas um território de transformação social. Entre passos, pausas e movimentos, ele vem redesenhando a maneira como se dança e se vive o forró no Brasil e no mundo.

 

Com passagens pelo Canadá, Europa, Estados Unidos e diversas regiões do Brasil, Ian atua hoje como professor da oficina de forró na COART, onde leva uma proposta nova: dança como comunicação, não como imposição. Condução compartilhada, desconstrução de papéis de gênero e consentimento são as palavras de ordem de seu método.

 

“Eu comecei a dançar num momento muito difícil da minha vida. Estava afastado da minha família, dos amigos, e começando a faculdade de cinema, me aventurando no teatro. Um amigo da faculdade falou que gostava de forró. Entrei numa escola e, desde a primeira dança, eu me senti parte”, relembra o dançarino. A partir dali, ele não parou mais. Passou por diferentes estilos de dança, ensinou forró tradicional durante anos, abriu sua própria escola e até fundou uma companhia. Mas a paixão inicial começou a se desgastar quando Ian se deu conta dos limites do modelo tradicional: o homem conduz, a mulher obedece. “Chegou um momento em que eu comecei a desgostar da dança. Era um controle excessivo. Isso me incomodava”, conta.

 

A frustração foi tão grande que ele fechou a escola, desfez a companhia e mergulhou num ano de crise criativa e pessoal. Dali, emergiu uma nova proposta: o forró contemporâneo. Essa prática, que começou de forma experimental, se consolidou com o tempo. Ian passou a produzir eventos, aulas, imersões e retiros.  Desde 2016 na UFF. Em 2024, chegou à Uerj, por meio de um convite de Caio Neves, orientador de cinema da COART. Ele acredita que oferecer seu trabalho em locais de acesso público aumenta ainda mais a proporção de pessoas que podem ser atingidas por ele, algumas que talvez nunca buscassem aulas de dança.

 

A dança como escuta

O diferencial de Ian está justamente aí: na intenção. Em suas aulas, dançar não é repetir movimentos ou decorar coreografias. É criar, comunicar e, principalmente, escutar a si mesmo e ao outro. Essa lógica redefine não apenas a dança, mas a relação entre os dançarinos. “Muita gente acha que condução compartilhada é só inverter os papéis tipo, agora a mulher também pode conduzir. Mas vai além. A ideia é quebrar a lógica de que precisa haver alguém no controle. Às vezes, nenhum dos dois conduz. Eles apenas dançam”, afirma. Para chegar a esse ponto, Ian trabalha com dinâmicas de improvisação, exercícios de escuta não verbal e debates sobre consentimento. A proposta tem conquistado alunos de diferentes perfis, desde iniciantes até dançarinos experientes que buscam algo novo.

 

Entre o palco e as redes

A popularização do trabalho de Ian nas redes sociais tem sido, ao mesmo tempo, uma vitrine e uma batalha. Desde 2023, seus vídeos sobre forró contemporâneo têm viralizado no Instagram e TikTok, alcançando milhões de visualizações e reações extremas. O dançarino recebeu dezenas de reações negativas e mensagens de ódio em seus perfis, que chegaram a deixá-lo doente. Com o tempo, ele diz ter desenvolvido um escudo emocional: “tem um lado meu racional que entende: essas pessoas não me conhecem. Elas estão reagindo a uma ideia, a uma quebra de expectativa. Mas o lado emocional sente”.

 

Por outro lado, Ian também recebe manifestações de apoio que o ajudam a seguir. “Tem gente que me para no baile, diz que não curte muito meu estilo, mas reconhece o valor do que eu faço. Tem quem venha agradecer, contar que se sentiu mais livre depois da aula”, relembra.

 

Forró do futuro

O forró contemporâneo de Ian Pacheco não é apenas uma proposta pedagógica. É um gesto político. Ao recusar a lógica da condução masculina, ao dar voz ao corpo, ao valorizar o não tanto quanto o sim, Ian está ensinando mais do que dança. Na COART, esse desejo encontra terreno fértil. Ian espera continuar por muitos anos: “Eu gosto de estar perto de gente. De ouvir histórias. De ver como a dança transforma as pessoas. Porque ela transformou a mim. E ainda transforma, todo dia”

 

Para mais informações acesse suas redes sociais @auladoian 

 

Serviço

Datas: Terças

Horário: 14h – 16h e 18h – 20h

Local: COART/ Uerj

Endereço: Rua São Francisco Xavier, 524 – Maracanã Prédio anexo – Campus Maracanã

Inscrições das oficinas da COART feitas durante o início dos períodos letivos.