A temporada de 2026 da Fórmula 1 se aproxima do fim de sua primeira parte. Os Grandes Prêmios da Bélgica e da Hungria, que ocorrem nos dois próximos finais de semana, marcam as últimas etapas do campeonato antes da pausa de verão prevista no calendário, que retorna após quase um mês, no GP da Holanda. O período de paralisação, que este ano coincide com a metade do campeonato, é um momento chave para que as equipes repensem estratégias e ajustes mecânicos, e para que os pilotos tenham tempo a mais de preparação física e psicológica.
Do ponto de vista emocional, o histórico recente pode ser uma questão abordada. Desde 2009, quando a pausa de verão foi estabelecida, nove pilotos que lideravam o campeonato durante a paralisação confirmaram o título ao fim do ano, contra sete que perderam a disputa após o retorno da temporada. Porém, considerando os campeonatos que tiveram equilíbrio na primeira parte, somente quatro sustentaram a liderança até o final. Portanto, caso Andrea Kimi Antonelli, da Mercedes, mantenha a ponta até o recesso, ele terá que superar uma incômoda estatística para ser campeão. A exceção desses dados é a temporada de 2020, já que, por conta da pandemia da Covid-19, não houve a inclusão do intervalo no calendário remanejado.
O primeiro segmento do campeonato contou com domínio da Mercedes, que venceu sete das nove corridas disputadas até aqui, e com início arrasador do jovem Andrea Kimi Antonelli, que, com apenas 19 anos e em sua segunda temporada na Fórmula 1, conquistou cinco vitórias consecutivas e estabeleceu um novo recorde: tornou-se o piloto que mais venceu seguidamente logo após seu primeiro êxito, superando a marca de Damon Hill e Mika Hakkinen, que tiveram seus três primeiros triunfos conquistados em sequência. O italiano também se tornou o piloto mais jovem a faturar uma pole position na F1 – no GP da China de 2026 – e a liderar um campeonato. No entanto, problemas de confiabilidade da Mercedes, que culminaram em um abandono em Barcelona e em uma chegada fora da zona de pontuação na Inglaterra, fizeram a vantagem de Antonelli na liderança cair de forma significativa. A diferença para o segundo colocado chegou a ser de 66 pontos, e no momento é de apenas 25, para seu companheiro de equipe, George Russell.
Russell, apontado por muitos como favorito ao título no início da temporada, enfrentou problemas de ritmo em classificações e foi frequentemente superado pelo rival interno. Além do mais, obteve resultados aquém do esperado por conta de uma junção de azar e irregularidade. Entretanto, as adversidades enfrentadas por Antonelli nas últimas etapas e os bons resultados recentes do britânico reacenderam suas chances no campeonato. Outro candidato ao título é o heptacampeão Lewis Hamilton, que além de almejar a oitava conquista para se tornar o maior campeão isolado da Fórmula 1, quer dar fim a um longo jejum da Ferrari, que desde 2007, com Kimi Raikkonen, não conquista um campeonato de pilotos. Seu companheiro, Charles Leclerc, corre por fora, já que apesar da vitória na última etapa, no GP da Grã Bretanha, segue com uma larga desvantagem de 81 pontos para Antonelli.
Na sequência do campeonato, a tendência é que Mercedes e Ferrari continuem conquistando pódios e vitórias. A equipe alemã, porém, precisa solucionar a falta de confiabilidade que custou vitórias aos seus pilotos, pois a irregularidade das flechas de prata pode gerar boas oportunidades para que os pilotos ferraristas se aproximem na tabela de classificação. Quanto aos candidatos ao título, cada um tem sua própria história a ser registrada. Para Antonelli, a oportunidade de se tornar o mais jovem campeão da Fórmula 1. Para Russell, uma reputação a zelar ao não ser derrotado por um piloto inexperiente. Para Hamilton, o desejo de se isolar em títulos mundiais e tirar sua equipe da fila. Para Leclerc, além do objetivo com a escuderia, a redenção após anos de dificuldades na Ferrari.
Tendo em vista os objetivos dos postulantes e o viés emocional, Lewis Hamilton parece não ter nada a perder, assim, pode crescer ainda mais na segunda metade e se estabelecer como um forte concorrente na briga. Na Mercedes, é necessário cautela para projetar o futuro de Antonelli em 2026 devido à sua juventude e por conta do histórico recente da Fórmula 1, que viu Oscar Piastri liderar grande parte do campeonato de 2025 e perder força na reta final, amargando a terceira posição ao fim da disputa. O exemplo do atual campeão Lando Norris também pode ser positivo para Russell, que, assim como o piloto da McLaren, parecia derrotado em certo período da temporada e esboçou uma sólida reação para se consagrar campeão mundial.
Enquanto as expectativas seguem, a Fórmula 1 parte neste fim de semana para a etapa da Bélgica, no lendário circuito de Spa-Francorchamps. A classificação ocorre no sábado, às 11h, e a largada está prevista para às 10h de domingo, sempre no horário de Brasília.