A Copa das Bets: a expansão do mercado de apostas na Copa do Mundo

A Copa das Bets: a expansão do mercado de apostas na Copa do Mundo

Por: Augusto Oliveira

No último sábado (11), o governo federal estabeleceu novas restrições à publicidade de casas de apostas esportivas – as chamadas bets. A partir de sexta-feira (17), as propagandas passarão a incluir alertas obrigatórios sobre a dependência psicológica e o prejuízo financeiro causados pelo jogo. A medida chega tarde demais, depois de causar inúmeros danos a indivíduos e famílias durante toda a Copa do Mundo, iniciada em junho – a medida abrangerá somente a final da competição.

De acordo com dados do “Placar das Bets”, indicador desenvolvido pela fintech Klavi, as apostas esportivas movimentaram cerca de R$ 926 milhões no Brasil desde o início da Copa. Os dados consideram uma amostra de 1,2 milhão de brasileiros. Na estréia da Seleção Brasileira contra o Marrocos, o valor médio dos apostadores foi de R$ 524, quase 300% acima do valor médio diário do período, que era de R$ 188.

As bets se apoiam intensamente nas propagandas, frequentemente divulgadas por personalidades influentes e carismáticas, como jogadores e ex-jogadores, treinadores e jornalistas. Além disso, as propagandas exibidas durante as partidas se tornaram frequentes. Na vitória do Brasil sobre o Japão por 2 a 1, válida pelo mata-mata da Copa, todas as emissoras fizeram publicidade para casas de apostas durante a transmissão. A CazéTV liderou o quesito, com 10 propagandas durante a partida. O SBT divulgou 6, e a Globo, 5. Vale destacar que a CazéTV está sendo investigada por propagandas abusivas e irregulares exibidas em jogos de outras seleções e o Grupo Globo é sócio da BetMGM, uma das casas que patrocinam a emissora.

Os impactos da expansão das bets ultrapassam os limites de problemas individuais e se tornam problemas públicos de saúde mental e financeira. Estudos da Klavi apontam que, entre outubro de 2023 e outubro de 2024, o número de endividados que apostam subiu de 4% para 10,6%. Além disso, em novembro de 2025, cerca de 600 mil brasileiros já apresentavam comportamento de alto risco, deixando de pagar despesas essenciais para sustentar o hábito de apostar. Casos de ansiedade, depressão e até mesmo suicídio têm sido relacionados ao vício em apostas. A expansão do mercado das bets representa uma grave ameaça aos apostadores e suas famílias e ao espírito de paixão esportiva que tanto faz falta no futebol brasileiro atualmente, e precisa ser tratada de acordo.

F1: expectativas para a disputa pelo título na segunda parte do campeonato

F1: expectativas para a disputa pelo título na segunda parte do campeonato

Temporada 2026 chega às últimas etapas antes da pausa de verão com equilíbrio na briga pela ponta

Por: Johann Marcelo

Reprodução: Instagram (@f1)

Da esquerda para a direita: George Russell, Andrea Kimi Antonelli, Peter Bonnington e Lewis Hamilton no pódio do GP da China

A temporada de 2026 da Fórmula 1 se aproxima do fim de sua primeira parte. Os Grandes Prêmios da Bélgica e da Hungria, que ocorrem nos dois próximos finais de semana, marcam as últimas etapas do campeonato antes da pausa de verão prevista no calendário, que retorna após quase um mês, no GP da Holanda. O período de paralisação, que este ano coincide com a metade do campeonato, é um momento chave para que as equipes repensem estratégias e ajustes mecânicos, e para que os pilotos tenham tempo a mais de preparação física e psicológica.

Do ponto de vista emocional, o histórico recente pode ser uma questão abordada. Desde 2009, quando a pausa de verão foi estabelecida, nove pilotos que lideravam o campeonato durante a paralisação confirmaram o título ao fim do ano, contra sete que perderam a disputa após o retorno da temporada. Porém, considerando os campeonatos que tiveram equilíbrio na primeira parte, somente quatro sustentaram a liderança até o final. Portanto, caso Andrea Kimi Antonelli, da Mercedes, mantenha a ponta até o recesso, ele terá que superar uma incômoda estatística para ser campeão. A exceção desses dados é a temporada de 2020, já que, por conta da pandemia da Covid-19, não houve a inclusão do intervalo no calendário remanejado. 

O primeiro segmento do campeonato contou com domínio da Mercedes, que venceu sete das nove corridas disputadas até aqui, e com início arrasador do jovem Andrea Kimi Antonelli, que, com apenas 19 anos e em sua segunda temporada na Fórmula 1, conquistou cinco vitórias consecutivas e estabeleceu um novo recorde: tornou-se o piloto que mais venceu seguidamente logo após seu primeiro êxito, superando a marca de Damon Hill e Mika Hakkinen, que tiveram seus três primeiros triunfos conquistados em sequência. O italiano também se tornou o piloto mais jovem a faturar uma pole position na F1 – no GP da China de 2026 –  e a liderar um campeonato. No entanto, problemas de confiabilidade da Mercedes, que culminaram em um abandono em Barcelona e em uma chegada fora da zona de pontuação na Inglaterra, fizeram a vantagem de Antonelli na liderança cair de forma significativa. A diferença para o segundo colocado chegou a ser de 66 pontos, e no momento é de apenas 25, para seu companheiro de equipe, George Russell.

Russell, apontado por muitos como favorito ao título no início da temporada, enfrentou problemas de ritmo em classificações e foi frequentemente superado pelo rival interno. Além do mais, obteve resultados aquém do esperado por conta de uma junção de azar e irregularidade. Entretanto, as adversidades enfrentadas por Antonelli nas últimas etapas e os bons resultados recentes do britânico reacenderam suas chances no campeonato. Outro candidato ao título é o heptacampeão Lewis Hamilton, que além de almejar a oitava conquista para se tornar o maior campeão isolado da Fórmula 1, quer dar fim a um longo jejum da Ferrari, que desde 2007, com Kimi Raikkonen, não conquista um campeonato de pilotos. Seu companheiro, Charles Leclerc, corre por fora, já que apesar da vitória na última etapa, no GP da Grã Bretanha, segue com uma larga desvantagem de 81 pontos para Antonelli.

Na sequência do campeonato, a tendência é que Mercedes e Ferrari continuem conquistando pódios e vitórias. A equipe alemã, porém, precisa solucionar a falta de confiabilidade que custou vitórias aos seus pilotos, pois a irregularidade das flechas de prata pode gerar boas oportunidades para que os pilotos ferraristas se aproximem na tabela de classificação. Quanto aos candidatos ao título, cada um tem sua própria história a ser registrada. Para Antonelli, a oportunidade de se tornar o mais jovem campeão da Fórmula 1. Para Russell, uma reputação a zelar ao não ser derrotado por um piloto inexperiente. Para Hamilton, o desejo de se isolar em títulos mundiais e tirar sua equipe da fila. Para Leclerc, além do objetivo com a escuderia, a redenção após anos de dificuldades na Ferrari.

Tendo em vista os objetivos dos postulantes e o viés emocional, Lewis Hamilton parece não ter nada a perder, assim, pode crescer ainda mais na segunda metade e se estabelecer como um forte concorrente na briga. Na Mercedes, é necessário cautela para projetar o futuro de Antonelli em 2026 devido à sua juventude e por conta do histórico recente da Fórmula 1, que viu Oscar Piastri liderar grande parte do campeonato de 2025 e perder força na reta final, amargando a terceira posição ao fim da disputa. O exemplo do atual campeão Lando Norris também pode ser positivo para Russell, que, assim como o piloto da McLaren, parecia derrotado em certo período da temporada e esboçou uma sólida reação para se consagrar campeão mundial.

Enquanto as expectativas seguem, a Fórmula 1 parte neste fim de semana para a etapa da Bélgica, no lendário circuito de Spa-Francorchamps. A classificação ocorre no sábado, às 11h, e a largada está prevista para às 10h de domingo, sempre no horário de Brasília.

O lado oculto das trocas na NBA: Lucas Bebê revela a tensão dos bastidores na principal liga de basquete do mundo

O lado oculto das trocas na NBA: Lucas Bebê revela a tensão dos bastidores na principal liga de basquete do mundo

Em entrevista exclusiva à AJ, Lucas Bebê fala sobre como funciona esse mercado de trocas e as incertezas dos jogadores sobre seu próprio destino.

Por: João Pedro Marins

Créditos: LNB

Lucas Bebê ex-jogador da NBA

O mercado de trocas da NBA pode ser, em muitos momentos, cruel. Enquanto muitos estão acostumados com o futebol, em que a negociação depende do aval de três partes: o clube que vende, o clube que compra e o próprio jogador, na maior liga de basquete do mundo, é completamente diferente.

Ao assinar um contrato, o jogador concede à franquia o direito de transferir seus direitos trabalhistas para qualquer outro time da liga a qualquer momento. Fazendo com que assim, ‘o jogador possa acordar em Los Angeles, onde tem casa e os filhos estudam, e ir dormir em Minnesota ou Detroit com poucas horas para arrumar as malas.’, como disse Blake Griffin, ex-pivô dos Clippers, após ser enviado para Detroit.

Um dos que vivenciaram essa imposição de perto foi o brasileiro Lucas Bebê. Draftado (escolhido) na primeira rodada em 2013 pelo Boston Celtics, mas que foi envolvido em trocas na mesma noite do draft. Ficando assim sem saber seu destino na liga.

O jogador relatou à AJ que a frase de Blake Griffin vai além das quadras, retrata também a própria cultura norte-americana. Para o ex-pivô brasileiro, os Estados Unidos funcionam sob uma lógica puramente comercial, em que a busca constante por lucro e hipercompetitividade se sobrepõe a sentimentos, história ou qualquer tipo de lealdade. Na visão de Bebê, com raríssimas exceções de superestrelas que possuem o poder de escolha, a grande maioria dos atletas da NBA precisa assimilar desde cedo que é tratada pelas franquias como engrenagem descartável e moeda de troca em um mercado implacável.

Por serem acostumados desde jovem a essa cultura, os atletas não sentem tensão nessas situações, pois sabem que “faz parte do jogo”. “Em um elenco de 15 ou 16 pessoas, nem todo mundo está ‘pra jogo’ ou correndo risco de sair. Na minha época de Toronto, o Raptors era um time que historicamente mexia pouco. E mesmo quando um time vai se movimentar, não vão sair 4 ou 5 caras de uma vez. Geralmente sai aquele jogador que a franquia não quer mais e serve como boa peça de reposição para outro lugar, ou um atleta valorizado que o mercado está de olho e pode render boas escolhas de draft (picks). Quem vive lá dentro entende que todos estão sujeitos a isso. O jogador compreende que pode virar moeda de troca a qualquer momento por ‘n’ motivos, seja porque o clube quer mudar os rumos ou porque ele se valorizou e o time quer extrair o valor máximo dele em uma negociação. Nem todo mundo no elenco fica nessa posição de vulnerabilidade” disse à AJ.

Entretanto, tem jogadores que constroem uma ligação com a cidade, torcida, clube, e se sentem desvalorizado nessas situações. Um caso que Lucas vivenciou de perto foi a troca do DeRozan por Kawhi Leonard. DeRozan era um dos principais jogadores e ídolos da história recente do Toronto. O jogador falava abertamente em entrevistas e vídeos sobre o sonho de encerrar a carreira na franquia canadense. Porém, da noite para o dia, o jogador foi trocado sem ao menos ser avisado para aonde iria.

Lucas relatou que todos do elenco foram pegos de surpresa e ficaram impactados com a troca: “O caso do DeMar DeRozan é muito triste. Eu acho que ele era um cara que merecia ter sido campeão, principalmente pelo time que ele construiu. Ele passou oito anos e meio na franquia, foi o cara que colocou Toronto no mapa e construiu uma cultura vitoriosa ali. Ver um cara do calibre dele ser mandado de uma hora para a outra para San Antonio (na troca pelo Kawhi Leonard) foi um choque. Você nunca imaginava que ele seria negociado, achava que ele encerraria a carreira em um só time.” O próprio DeMar disse em entrevistas recentemente que se sentiu traído pela franquia que tanto amava.

Lucas disse também sobre como o jogador se sente ao ser ‘rebaixado’ para G-League (Liga de desenvolvimento da NBA). Enquanto para ele era uma forma de aprendizado, treino e ritmo de jogo, para muitos era uma “desvalorização” do jogador. “Muitos caras da NBA ficam revoltados porque pensam: ‘Pô, eu ganho milhões de dólares e vou jogar numa liga onde o salário do cara mais bem pago é de US$70 mil por ano?’. O jogador se sente desprestigiado.”

Créditos: Rafael Arantes

Lucas Bebê atualmente

Essa forma de tratar o atleta está presente em diversas ligas americanas, e na sociedade daquele país. Por conta desse mercado, tivemos alguns casos recentes que ficaram famosos, como:

DeMarcus Cousins: O jogador acabou descobrindo ao vivo no All-Star Game (2017). O pivô estava dando uma entrevista, quando os próprios jornalistas lhe deram a notícia de que havia sido trocado.

Harrison Barnes: Talvez um dos casos mais absurdos, o jogador foi trocado no meio do jogo em 2019. Em fevereiro de 2019, jogando pelo Dallas Mavericks contra o Charlotte Hornets, Harrison Barnes estava em quadra no 3º quarto, quando ele foi posto no banco de reservas, a notícia vazou na imprensa e ele descobriu ali mesmo no banco que havia sido enviado para os Kings.

Chris Paul: Para muitos um dos maiores armadores da história, ‘CP3’ havia voltado para casa, ou para onde deveria ser sua casa, os Clippers. Enquanto a torcida comemorava sua volta, para se aposentar em seu clube de coração, a direção dos Clipps o trocou enquanto dormia. Para piorar sua situação, na mesma madrugada o clube que o recebeu (Raptors), o dispensou. Fazendo assim a carreira de um dos maiores armadores da história do basquete acabar de forma melancólica em fevereiro de 2026.

Mamma Mia: lá vamos nós de novo para Grécia no Teatro Riachuelo

Mamma Mia: lá vamos nós de novo para Grécia no Teatro Riachuelo

Peça sobre o amor maternal de Sophie e Donna, ao som de ABBA, volta aos palcos do Rio no dia 20 de agosto

Por: Ana Beatriz Carvalhido

Foto: Ana Beatriz Carvalhido Encerramento do espetáculo em 2025

 

O espetáculo teatral narra a história de Sophie Sheridan (Giovanna Rangel), que vive em uma ilha na Grécia ao lado de sua mãe, Donna (Claudia Netto). Às vésperas de seu casamento com Sky (Eduardo Borelli), Sophie descobre que seu pai pode ser um dos três homens com quem Donna se envolveu na época de seu nascimento. 

 

A encenação conta também com o trio musical que marcou a juventude de Donna: as “Donna e as Dynamos”. Junto de suas inseparáveis amigas Tanya (Totia Meireles) e Rosie (Rosie), ela revive os tempos de palco ao som de “Super Trouper”, do ABBA, durante a festa de despedida de solteira de sua filha. Em meio à celebração, Sophie promete aos três possíveis pais, Sam Carmichael (Sérgio Menezes), Harry Bright (André Dias) e Bill Austin (Renato Rabelo), que descobriram que eram pais dela, embalada pela contagiante “Voulez-Vous”, também do grupo sueco.

 

“Mamma Mia”, adaptação de Charles Möeller & Claudio Botelho do texto dramático inglês que estreou nos palcos da Inglaterra em 1999, chegou ao Brasil em 2023 e rapidamente conquistou o público. A montagem encanta multidões com um enredo que, embora ambientado na Grécia, aproxima-se da cultura brasileira de forma magistral, repleta de humor, leveza e uma tradução impecável das músicas do ABBA, assinada por Claudio Möeller. 

 

Após uma temporada de sucesso em São Paulo, no BTG Pactual, o espetáculo retorna ao Rio de Janeiro para o Teatro Riachuelo, localizado na Rua do Passeio, 38 – Centro, Rio de Janeiro – RJ, CEP 20021-290. As apresentações acontecem de 20 de agosto a 13 de setembro de 2026, com sessões às quintas e sextas, às 20h; sábados, às 15h e 20h; e domingos, às 15h.

Foto: Ana Beatriz Carvalhido Entrada do teatro Riachuelo em dia de espetáculo

 

Os ingressos para “Mamma Mia” variam de R$50 (inteira) a R$250, com classificação indicativa de 12 anos. As entradas podem ser adquiridas pelo site ingressos.com. O espetáculo é uma experiência vibrante que certamente vale o investimento e a visita ao centro do Rio de Janeiro para assistir à peça.

Prepare-se para uma noite inesquecível: é impossível não querer levantar da cadeira e dançar ao som dos maiores sucessos da banda sueca ABBA. Com piadas inteligentes, momentos de emoção e uma narrativa leve e divertida, o público sai do teatro com o coração mais alegre e o sorriso garantido.

Hospital Universitário Pedro Ernesto precisa de doação de sangue tipo O

Hospital Universitário Pedro Ernesto precisa de doação de sangue tipo O

Saiba quais são os critérios para ser um doador e a importância de doar sangue regularmente  

Por: Sofia Inerelli

Foto: Pessoa doando sangue – Empresa de Brasileira de Comunicação (Agência Brasil)

 

O Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE), ligado à Uerj,  está com o estoque de sangue tipo O muito abaixo do ideal, e pede à população mais doações. Todos os outros tipos sanguíneos serão aceitos pela instituição, mas, como apontou a hemoterapeuta e professora associada da Faculdade de Ciências Médicas da Uerj, Flávia Bandeira, o sangue tipo O é o mais necessário no momento. As doações podem ser feitas no próprio hemocentro do HUPE, que fica aberto de segunda a sexta-feira das 9h às 15h. 

 

Há um apelo também para que as doações sejam mais regulares, assim os hemocentros não correm risco de ficarem zerados e sem conseguir socorrer os pacientes. A demanda é alta pois a transfusão sanguínea atende muita gente e não se restringe apenas a quem perdeu grandes quantidades de sangue em acidentes ou cirurgias. Pessoas com anemia falciforme, talassemia, câncer hematológico e problemas renais crônicos são outras que necessitam de transfusões, uma vez que estas fazem parte do tratamento. 

 

Como o sangue demora a ser liberado ao paciente, é imprescindível ter em bancos sanguíneos um estoque mínimo. São necessárias de 24 a 36 horas para que o sangue doado passe por todos os testes capazes de verificar a presença de doenças como hepatite B, hepatite C, doença de Chagas, sífilis, AIDS e HTLV I/II. A depender da gravidade do paciente, mesmo que chegue um doador, esperar todo esse tempo pode não ser possível. Por isso a importância de ter nos hospitais uma reserva, com sangue que já foi testado e que está pronto para ser doado.

 

De acordo com a médica, para ter uma reserva de sangue é preciso tornar as doações um hábito. Essa ainda não é uma realidade no Brasil, pois cerca de 98% da população não doa regularmente, segundo o Ministério da Saúde.

 

Doar sangue não é complicado, em 15 minutos você doa uma bolsa de sangue que pode chegar a salvar até 4 vidas. 

 

Para que o processo ocorra com segurança é preciso seguir algumas orientações:

 

  • Ter idade entre 16 e 69 anos (menores de 18 anos devem apresentar consentimento formal do responsável legal).
  • Pessoas com idade entre 60 e 69 anos só poderão doar sangue se já o tiverem feito antes dos 60 anos.
  • Apresentar documento de identificação com foto emitido por órgão oficial (carteira de identidade, carteira nacional de habilitação, carteira de trabalho, passaporte, registro nacional de estrangeiro, certificado de reservista e carteira profissional emitida por classe). São aceitos documentos digitais com foto.
  • Pesar no mínimo 50 kg.
  • Ter dormido pelo menos 6 horas nas últimas 24 horas.
  • Estar alimentado. Evitar alimentos gordurosos nas 3 horas que antecedem a doação de sangue. Caso seja após o almoço, aguardar 2 horas.

Fique atento também para o  que pode te impedir temporariamente de doar sangue: 

  • Caso a pessoa apresente sintomas gripais, de resfriado ou tenha sido  diagnosticada com covid-19, recomenda-se aguardar até 15 dias após o fim dos sintomas;
  • Não é recomendado doar sangue durante o período gravidez; é preciso aguardar por até três meses após o parto normal, seis meses em casos de cesariana e até 12 meses se a mulher estiver amamentando (contados a partir da data do parto);
  • Ter feito tatuagem, piercing ou procedimentos estéticos mais invasivos (como a micropigmentação) nos últimos 12 meses. O prazo pode diminuir para seis meses se o candidato à doação apresentar foto do registro do estúdio no órgão de vigilância sanitária e nota fiscal do estabelecimento. O piercing em cavidade oral ou região genital impede a doação;
  • A extração de um dente também impossibilita a doação em até 72 horas após o procedimento;
  • Caso a pessoa tenha feito transfusão sanguínea, deverá aguardar até um ano para doar sangue;
  • A vacinação também pode ser um impeditivo, e o tempo pode variar de acordo com o tipo de vacina aplicada;
  • Ter sido exposto(a) a alguma situação de risco para infecções sexualmente transmissíveis; Nesses casos, deve-se aguardar até 12 meses após a exposição.

Serviço

  • Boulevard 28 de setembro, 109, ao lado do Hupe 
  • Das 9h às 15h, de segunda à sexta-feira

A Copa do Mundo de 2026 pelos olhares da UERJ

A Copa do Mundo de 2026 pelos olhares da UERJ

Mesmo em período de greve na universidade, laboratório de áudio do Departamento de Comunicação Social está transmitindo jogos do principal torneio de futebol do planeta 

Por: Murilo Soares

A Copa do Mundo de 2026, sediada em Estados Unidos, México e Canadá, vem proporcionando, dentro e fora dos gramados, aos amantes de futebol e de outros esportes uma experiência emocionante por meio da disseminação de diversas histórias únicas e marcantes. O AudioLab UERJ, laboratório de áudio da Faculdade de Comunicação Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), através do projeto Escola de Narradores, está realizando transmissões de rádio, presenciais ou remotas, que são disponibilizadas no Youtube, de grande parte dos jogos do torneio. Até o momento, foram transmitidas 57 partidas, e a expectativa é encerrar a cobertura com 64 jogos até o fim da competição. Além disso, os perfis do projeto nas redes sociais estão produzindo e compartilhando conteúdos sobre a Copa do Mundo. 

Com a greve instaurada na Uerj, a cobertura do torneio poderia não ocorrer. No entanto, o laboratório entrou em contato com órgãos que aderiram à paralisação e recebeu autorização para que as transmissões fossem reconhecidas como uma atividade de greve. Em formulário disponibilizado nas redes sociais do projeto, cerca de 90 pessoas se inscreveram para participar da cobertura, incluindo alunos da Uerj e de outras universidades. 

Foto: Murilo Soares

Em entrevista à AJ, Filipe Mostaro, coordenador do AudioLab UERJ, contou um pouco sobre suas sensações em organizar as transmissões: “Esse é um desejo antigo que eu sempre tive, e criar esse projeto era um objetivo que sempre carreguei como professor. Participei de um projeto igual a esse na Copa do Mundo de 2002, e foi um divisor de águas na minha vida pessoal e na minha carreira profissional. Tive o sentimento de ter escolhido a profissão certa e percebi que o jornalismo esportivo me traria orgulho e satisfação, visto que a paixão pelo esporte sempre moveu a minha vida.” 

Filipe também afirmou estar muito feliz em coordenar a cobertura da Copa, acompanhar a evolução dos participantes e enxergar o projeto como uma oportunidade de gerar oportunidades para novos talentos: “Nosso papel como professor é abrir portas da mesma forma que um dia abriram para mim; quanto mais chances você gera para uma pessoa demonstrar do que é capaz, maior a chance de você realizar um sonho e mudar a vida dela.” 

Entre os inscritos para a cobertura do AudioLab está Diego Oliveira, aluno de 32 anos que atualmente cursa o 3º período do curso de Jornalismo da Uerj. Diego é deficente visual, mas, mesmo diante de uma condição que poderia limitá-lo e dificultar sua participação nas transmissões, demonstra força para seguir fazendo o que ama: “A minha experiência está sendo incrível, pois estou trabalhando com pessoas diferentes, de perfis e idades distintas, que transitam entre várias funções (apresentadores, produtores, narradores, comentaristas e repórteres). Sempre amei jornadas esportivas e cresci ouvindo rádio, então, para mim, é recompensador e gratificante fazer parte disso.” 

Além disso, destaca a crescente presença feminina na cobertura e o acolhimento oferecido aos participantes: “Está sendo maravilhoso realizar essas trocas durante as transmissões, principalmente porque estamos recebendo uma quantidade enorme de meninas que desejam trabalhar com o futebol, então presenciar esse acolhimento é algo perfeito.” 

Foto: Reprodução (Diego Oliveira)

Diego (de casaco) na foto da equipe de transmissão de Portugal x Uzbequistão

Outro participante das coberturas é Eduardo Campos, aluno de 19 anos que também cursa o 3º período de Jornalismo. Eduardo esteve presente como repórter nas duas transmissões com maior audiência no Youtube do AudioLab UERJ: os jogos entre Espanha x Áustria e Brasil x Noruega, que registraram 831 e 633 espectadores, respectivamente. 

Perguntado sobre sua experiência no projeto, destacou a importância da prática para seu desenvolvimento profissional como jornalista. Em relação aos possíveis atrasos (delays) nas transmissões remotas, afirmou que nem sempre é fácil sincronizar a visualização das partidas entre os integrantes da equipe. Segundo ele, os jogos exibidos pela TV Globo costumam apresentar menor diferença de tempo, enquanto as transmissões da Cazé TV apresentam um atraso mais perceptível devido às variações de internet. 

Além disso, Eduardo também contou um momento engraçado e inusitado vivido durante uma transmissão: “Um dos momentos engraçados que eu vivi foi curiosamente causado pelo Diego. Em uma das transmissões, por exemplo, ele falou para o narrador ler o texto institucional sobre a greve na Uerj e resolveu comer um hambúrguer durante a leitura. Tentei manter a seriedade, mas foi bastante engraçado.”

Esta é a segunda cobertura de Copa do Mundo realizada pelo AudioLab UERJ – a primeira ocorreu em 2022. Mesmo com a eliminação da seleção brasileira, o projeto seguirá transmitindo jogos do torneio até a final, em 19 de julho.

Apesar das censuras, Haiti e Congo levam à Copa símbolos de resistência que ultrapassam o futebol

Apesar das censuras, Haiti e Congo levam à Copa símbolos de resistência que ultrapassam o futebol

Mesmo com as eliminações, símbolos e gestos presentes nas partidas mostram como os países manifestam suas lutas através do futebol

Por: Maria Eduarda Galdino

Montagem: Maria Eduarda Galdino Reprodução: Blackstyle Matters (via Instagram), Soybustero (via Instagram) e André Rizek (via X).

 

A diversidade das seleções marca mais um momento histórico para a maior edição da Copa do Mundo. Após 50 anos, o Haiti fez um retorno emblemático ao torneio participando do grupo C. Ao mesmo tempo, a seleção da República Democrática do Congo participou pela primeira vez com o novo nome após a ditadura de Mobutu Sese Seko. Anteriormente o país se chamava Zaire na última participação do time em 1974.

Essas seleções não trazem apenas as táticas para o campo, mas também suas histórias. A Federação Haitiana de futebol e o fabricante de camisas Saeta, elaboraram em conjunto o uniforme da seleção do Haiti, os elementos da camisa replicam a Batalha de Vertière, em 1803, o conflito que garantiu a independência do Haiti, que foi colônia da França por 122 anos.  

 

O canto inferior direito da camisa mostra os cidadãos haitianos no topo de uma montanha segurando uma bandeira do Haiti como um sinal de vitória após a guerra. As figuras representam a liberdade do povo haitiano e a conquista histórica da primeira república liderada por negros e o primeiro país das Américas a abolir a escravidão. O acontecimento está diretamente ligado a formação do Haiti como país. 

 

Depois de confeccionada, a FIFA exigiu mudanças no uniforme, alegando que a figura na camisa poderia passar uma mensagem política, e que “os elementos visuais poderiam ser interpretados de maneira diferente”. Segundo o pronunciamento da Saeta à imprensa, o uniforme simboliza o “orgulho e a resiliência do povo haitiano, não uma declaração política”. 

 

A AJ Esportes verificou a repercussão nas redes sociais, especificamente o Instagram, e a hashtag #Haitishirt (em português #camisadoHaiti) já tem mais de 100 publicações. Entre as postagens, a mudança no uniforme tem gerado uma discussão nos comentários, na qual os usuários do Instagram comentam que a FIFA só permite a política que quer, e que proibir a figura na camisa também representa um ato político. 

 

Foto: Maria Eduarda Galdino
Seção de comentários da publicação sobre o uniforme da seleção do Haiti perfil O_barista.

 

Mesmo com a repercussão negativa, a empresa Saeta acatou as exigências da FIFA e precisou refazer o uniforme da seleção do Haiti antes das próximas partidas. “Embora essa interpretação tenha sido diferente da nossa intenção, a Saeta respeitou o processo e implementou os requisitos finais comunicados pela FIFA”, afirmou a empresa nas redes.

 

Além da seleção do Haiti, a República Democrática do Congo também fez história na Copa do Mundo de 2026. Após as frustradas tentativas de classificação para as  Copas na Rússia em 2018 e o Catar 2022, a seleção congolesa se classificou para os 16 avos de final da Copa, mas perdeu para a Inglaterra.

 

Apesar da eliminação, a seleção congolesa trouxe símbolos que refletem o atual contexto social da República Democrática do Congo. Tanto os jogadores quanto os torcedores estão reproduzindo um gesto com as mãos, no qual uma simboliza uma arma na cabeça, e a outra, uma mão na boca. O gesto significa a violência armada e as mortes devido aos conflitos políticos no Leste do Congo. A mãos na boca também reflete o silêncio das lideranças mundiais em relação aos conflitos armados.

 

Entre a torcida está o congolês Michel Kuka Mbolandinga, torcedor que ficou conhecido nas redes sociais como o “torcedor estátua” após replicar o gesto de arma com as mãos e imitar a estátua de Patrice Lumumba, ex primeiro-ministro, líder da independência do país e representante da luta anticolonial. Vestindo um terno com as cores da bandeira nacional do Congo, Michel fica em pé na mesma posição durante os 90 minutos de jogo.

 

Esses gestos não são feitos sem propósito, a Copa é o evento mais assistido do mundo e que pode gerar atenção a causas urgentes. Segundo a FIFA, 3,6 milhões de torcedores foram alcançados somente no evento de abertura. Além disso, a FIFA afirma que aproximadamente 6 bilhões de pessoas devem estar envolvidas no torneio considerando transmissões em plataformas digitais. 

 

Essa visibilidade atrai o reconhecimento de novas seleções e a cultura que o mundo ainda não conhece. O Haiti e o Congo trouxeram novos símbolos e gestos intrínsecos a sua história e liberdade. Essas ações refletem a conexão entre o esporte e a política, na qual o campo também se torna palco daquilo que acontece com as nações fora de campo.

Caminho para vencer: 27 das 32 seleções que avançaram para o mata-mata contam com jogadores naturalizados

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República Democrática do Congo e Marrocos mostram que a busca por atletas com dupla nacionalidade pode ser positiva

Por: Mariana Martins

Reprodução: Instagram (@awbissaka)

Aaron Wan-Bissaka nasceu na Inglaterra e defende a bandeira congolesa

Cerca de 250 jogadores convocados para a Copa do Mundo de 2026 não representam o país em que nasceram. Entre os países que passaram pelo mata-mata, a República Democrática do Congo se destaca com 20 atletas naturalizados, resultado de um processo histórico e da busca das federações em aumentar o nível de competitividade internacional. A combinação desses fatores com a expansão do Mundial de 32 para 48 seleções levou a FIFA à criação de uma plataforma para registrar mudanças de nacionalidades de jogadores em fevereiro de 2025, permitindo flexibilidade e clareza para as convocações, o que beneficiou diversos futebolistas.

A República Democrática do Congo, que voltou a disputar a Copa do Mundo depois de 52 anos, lidera como seleção que mais possui atletas nascidos fora do país, seguida por Marrocos (19), Bósnia e Herzegovina (17), Argélia (16) e Cabo Verde (14) entre as equipes que avançaram da fase de grupos. Apenas África do Sul, Áustria, Brasil, Colômbia e Suécia são compostas inteiramente por jogadores nascidos no país que representam. Mas afinal, de onde vem esses jogadores e como eles afetam nos resultados internacionais? 

No caso dos Leopardos, apelido da seleção da RD Congo, os atletas naturalizados nasceram na França, na Bélgica, na Inglaterra ou na Suíça. Ao voltar à história do país africano, é possível compreender o grande número de jogadores com heranças congolesas fora do país: até 1960, quando conquistaram sua independência, o território era colônia da Bélgica. Com o tempo, conflitos internos e a alta taxa de violência intensificou um fluxo migratório já existente no país desde a década de 1980, tendo como principais destinos a ex-metrópole e a França.  

A classificação para a Copa do Mundo 2026 veio na repescagem mundial, depois de bater a Jamaica pelo placar de 1 a 0, com gol de Axel Tuanzebe, que jogou pela seleção de base da Inglaterra. Mesmo com uma equipe formada majoritariamente por jogadores que vieram de fora, como o lateral-direito Aaron Wan-Bissaka, figura de liderança da equipe que nasceu em Londres, a seleção congolesa é vista como símbolo de união nacional em meio a um cenário interno conturbado e dividido. O futebol desperta o orgulho e põe de lado as diferenças políticas, regionais ou étnicas na hora dos jogos. Durante sua campanha na Copa do Mundo de 2026, os Leopardos puderam contar com o apoio da torcida, que, em sua maioria, residia nos Estados Unidos, uma vez que a RD Congo foi uma das nações afetadas pelas restrições de visto impostas pelo governo de Donald Trump.

Reprodução: Instagram (@neilelaynaoui)

Marrocos sua na estreia no Mundial

Marrocos estreou na Copa do Mundo de 2026 com 10 atletas naturalizados escalados para enfrentar o Brasil. Isso é um resultado de quase duas décadas em que a Real Federação Marroquina de Futebol (FRMF) monitora jogadores com ascendência marroquina e oferece a jovens atletas a oportunidade de jogar o futebol internacional pela nação africana antes que atuem pelos países em que eles nasceram. Desde então, conseguiram obter bons resultados nas categorias de base além da melhor colocação de uma seleção africana em Mundiais, quando foram quarto colocados na Copa do Mundo de 2022. Além disso, atletas como o lateral-direito do Paris Saint-Germain Achraf  Hakimi e o atacante do Real Madrid Brahim Díaz são destaques no futebol europeu.  

O país do Norte da África também passou por um processo de diáspora. Por isso, a seleção marroquina representa os marroquinos que nasceram naquele território, e a comunidade de cerca de 5 milhões de pessoas que vivem em países como França, Espanha, Holanda e Bélgica. O sentimento da torcida é de orgulho e satisfação. Existe uma compreensão de que a identidade marroquina ultrapassa as fronteiras físicas e que os jogadores “filhos das colônias” fazem um movimento decolonial ao optarem por representar o país de origem familiar. Como exemplo, Ayyoub Bouaddi, revelação de Marrocos no Mundial de 18 anos, optou por defender a seleção principal marroquina depois do interesse da federação no atleta e das suas raízes familiares. 

A França é o país que mais possui jogadores no Mundial. Além dos 23 convocados, outros 74 atletas nascidos no país defendem outras cores. Entre os jogadores selecionados por Didier Deschamps, técnico da seleção francesa, apenas Olise, Marcus Thuram e Brice Samba nasceram fora do território francês. Na partida válida pelas quartas de final da Copa do Mundo de 2026, Marrocos enfrentou a França com seis jogadores franceses de nascimento. 

Projetos de extensão encurtam distância entre ensino médio e universidade pública

Projetos de extensão encurtam distância entre ensino médio e universidade pública

Rede de iniciativas da Uerj Campus Zona Oeste organiza visitas a colégios da região para mostrar que ensino superior é para todos 

por: Murilo Santos

Universitários apresentam projeto de biologia a estudante do ensino médio. Foto: Fernanda Marinho/Biodialogando

 

A Uerj Campus Zona Oeste fica a alguns minutos de caminhada do Colégio Estadual Albert Sabin, mas para muitos secundaristas a possibilidade de estar em contato com a universidade pública ainda é distante como outro país pela surrealidade de se entrar na universidade. A Rede Solidária de Projetos de Extensão, idealizada em 2022, leva a universidade às entidades que desejam essa proximidade com a academia, em especial às escolas públicas que querem mostrar que o ensino superior é para todos.

 

A iniciativa nasceu de três professoras do curso de Farmácia da Uerj: Carmelinda Afonso, Sabrina Dias e Bárbara Lorca. O ponto de partida foi a escola da filha de uma delas. Os alunos receberam bem e a partir daí a rede foi se expandindo para outras escolas, processo facilitado pelo fato de a professora Sabrina ser natural de Campo Grande e conhecer muitos professores e coordenadores da região, tanto de escolas públicas quanto particulares.

 

Com o tempo, a rede foi além do curso de Farmácia e passou a reunir projetos de todos os cursos da Faculdade de Ciências Biológicas e Saúde do campus da Zona Oeste. Um deles é o Biodialogando, do curso de Biologia, com ênfase em biotecnologia, idealizado pela professora Eidy Santos junto a alunos que sentiam a falta de projetos na área. Hoje a rede conta com 10 projetos de extensão filiados à rede.

 

O projeto Biodialogando, por exemplo, se utiliza de atividades visuais e experimentos ao vivo para captar a atenção dos visitantes;  já o Recado Farmacêutico da professora Barbara usa jogos e atividades lúdicas para ensinar sobre medicamentos. Todos captaram a atenção dos alunos, mas de longe o que mais recebeu olhares foi o Uerj ecológico, que levou répteis conservados para os jovens tocarem e verem ao vivo. A professora Vanderlane Menezes, que coordena o projeto, busca demonstrar que a sociedade e a natureza estão interligadas. 

 

A visita ao Colégio Estadual Albert Sabin ocorreu com a temática da semana do meio ambiente. O tema da visita varia de acordo com a necessidade de cada escola e, a partir dessa escolha, os universitários preparam suas apresentações para seguir os assuntos propostos 

 

A receptividade entre os jovens visitados tem sido boa. Enzo, 18 anos, aluno do Colégio Estadual Albert Sabin, resume o efeito da visita: “É bom para incentivar quem quer alguma coisa. Tem muita gente que não quer nada, mas quem quer, isso aqui faz diferença.” A professora Carmelinda Afonso, uma das fundadoras e coordenadora da rede, ressalta que um dos principais eixos é mostrar, pelo próprio perfil dos universitários que tocam os projetos, que ingressar numa universidade pública é possível. “Para essas crianças, estar na Uerj parece impossível. A gente mostra que não é, porque nossos alunos também são pobres. A rede tem essa missão: descortinar o mundo para eles e quebrar o elitismo que existe dentro da universidade.”

 

Os ganhos para quem participa como extensionista vão além do currículo. “A gente aprende a falar com o público, isso é muito importante pra faculdade, pra seminário, pra qualquer apresentação”, diz Frederico Maia, aluno de Biologia do oitavo período e integrante do Biodialogando. A rede de contatos e as horas complementares vêm junto, mas o que ele destaca é a desenvoltura que só se aprende na prática. Luana Araújo, bolsista do projeto Recado Farmacêutico, aponta outro ganho: a capacidade de improvisar conforme as necessidades de cada lugar, habilidade que, segundo ela, já a beneficia profissionalmente.

 

A Uerj da Zona Oeste ainda não tem sede própria. Hoje, a antiga Uezo funciona nos fundos de um colégio estadual que a abriga há mais de 20 anos em caráter temporário. Uma das principais reivindicações de servidores e estudantes em greve é a construção do campus no centro de Campo Grande. Os professores ressaltam a urgência da obra e o impacto que ela teria na ampliação dos laboratórios, no reconhecimento institucional da universidade e na capacidade de atrair novos alunos.

A Rede Solidária pode ser contactada através do Instagram @rspe.uer

O ato de torcer: cultura, paixão e resistência nas arquibancadas da Copa

O ato de torcer: cultura, paixão e resistência nas arquibancadas da Copa

Seja um dos anfitriões do torneio, o México, ou uma equipe apenas na sua segunda participação em Copas, como o Congo, as torcidas refletem décadas de luta e tradição

Por: Isabele Almeida

A Copa do Mundo 2026 já avança para as oitavas de final – que se iniciará amanhã (4/7) com o jogo entre Canadá e Marrocos – e até o momento muitas surpresas ocorreram, como o empate da Espanha com Cabo Verde e a eliminação da Alemanha ainda nos 16 avos de final. Mas algo que não é novidade alguma é a recepção dos torcedores mexicanos, bem como a animação que eles possuem para apoiar a seleção, que até o momento segue invicta na competição.

Desde os protocolos iniciais, no momento de cantar o hino, já é possível ver a paixão dos torcedores. Esse sentimento é transmitido para campo aos jogadores que retribuem esse amor com desempenhos que encantam a nação mexicana. 

Mas a paixão mexicana em 2026 não é a única bela contribuição que eles fazem na arquibancada para o torneio da FIFA. O México, que já foi sede da Copa em 1970 – quando o Brasil conquistou o tricampeonato – e em 1986, foi o principal responsável por introduzir ao futebol mundial um movimento de torcida presente até hoje nas arquibancadas, a “ola”.

Reprodução: Fifa

Torcedores mexicanos segurando letras para formar México

A “ola”, que significa onda em espanhol, é uma organização voluntária dos torcedores na arquibancada para criar a ilusão de uma “onda” passando por todo o estádio. A beleza desse movimento está na ideia de que um grupo de pessoas compartilha de uma mesma paixão, ao mesmo tempo, e mesmo sem uma figura específica para exercer o papel de liderança, elas se organizam em prol desse amor. Existe algo que traduza melhor o que é uma torcida do que isso?

O que muitos não sabem é que a “ola” foi introduzida pelos torcedores mexicanos na Copa de 1986. Esse que já era um movimento utilizado por torcidas de clubes no México e em campeonatos nos EUA como hóquei, beisebol e futebol americano, mas só foi introduzido mundialmente na Copa de 86, tornando-se um fenômeno entre torcedores de todo o mundo. Com a “ola”, entende-se o ato de torcer como uma representação da cultura misturada principalmente com a paixão e a tradição existente naquela nação e, consequentemente, em sua seleção.

Do lado da torcida da República Democrática do Congo, contudo, observa-se outra forma de torcer: uma demonstração da cultura de resistência de uma nação, através do torcedor Michel Nkuka Mboladinga, que faz uma homenagem ao símbolo de libertação colonial do país, Patrice Lumumba.

Reprodução: Instagram (@bleacherreport)

Michel Mboladinga em jogo contra a Colômbia na Copa de 2026

O torcedor Michel, conhecido como “torcedor estátua” esteve com a seleção do Congo no jogo contra a Colômbia nesta copa histórica para o país. A equipe da República Democrática do Congo foi eliminada nos 16 avos de final pela equipe inglesa, no dia 1/7, mas teve a melhor campanha de sua história em copas do mundo, campeonato de que já havia participado uma vez em 1974, quando ainda era uma ditadura e levava o nome de Zaire. Naquela ocasião, o país estava sob o comando do ditador Mobutu Sese Seko, o mesmo que, com o financiamento dos EUA, deu um golpe de estado em Lumumba em 1961, o sequestrando e o assassinando. 

Patrice Lumumba, após o fim da colonização no Congo, foi eleito o primeiro-ministro do país, lutando pela independência total do país. Após seu homicídio, sua história da luta tentou ser apagada da memória da população, mas Michel Mboladinga a relembra em todos os jogos da seleção congolesa.

Parado da mesma forma que a estátua de Lumumba, durante os 90 minutos do jogo Michel é símbolo de algo muito maior para aquela nação. Todavia, durante esta copa do mundo, só pôde estar presente no jogo contra a Colômbia, no qual o Congo perdeu de 1 x 0, pois teve seu visto negado para a entrada nos Estados Unidos. Mesmo assim, Mboladinga demonstra, através da sua torcida, a resistência de um país livre da colonização.

A Copa do Mundo 2026 ainda terá muitos jogos até o dia 19/7, quando ocorrerá a final nos EUA, e ainda haverá muitos momentos para as torcidas transmitirem suas culturas, paixões e resistências no maior palco do futebol mundial.