O mundo não para: veja outros eventos esportivos que vão ocorrer durante a Copa

O mundo não para: veja outros eventos esportivos que vão ocorrer durante a Copa

Enquanto as atenções globais se voltam para a Copa do Mundo de 2026, realizada na América do Norte entre junho e julho, outras modalidades seguirão a todo vapor com seus calendários.

A National Basket Association (NBA), principal liga estadunidense de basquete, talvez seja o principal caso: o basquete é bem mais popular do que o futebol no país. Além disso, à altura da Copa do Mundo, a NBA já terá entrado em sua fase decisiva: os New York Knicks foram campeões da Conferência Leste e farão a final contra Oklahoma City Thunder, atual campeão, ou San Antonio Spurs, (numa reedição da final de 1999), a depender de quem for campeão da Conferência Oeste. Após o título dos Knicks, os torcedores fizeram uma grande festa pelas ruas de Nova York, provando a popularidade do basquete na região.

As finais da NBA são decididas num formato “melhor de 7”, ou seja, o primeiro time a vencer 4 partidas de um total de 7 é campeão. Portanto, a menos que um dos finalistas vença todos os 4 primeiros jogos, as finais da NBA serão decididas em meio aos primeiros jogos da fase de grupos do Mundial, que começa no dia 11 de junho, um dia após o jogo 4 da final.

Apesar disso, os americanos só vão enfrentar conflitos entre as finais e os jogos dos EUA na Copa se a decisão da NBA chegar ao sétimo e último jogo, programado para acontecer no mesmo dia de EUA x Austrália. 

Os brasileiros que acompanham NBA, no entanto, podem enfrentar um dilema, já que os jogos 5 e 7 da final, caso sejam necessários, estão programados para ocorrer nas mesmas datas dos jogos do Brasil contra Marrocos e Haiti, respectivamente; esse último começará no mesmo horário do sétimo e decisivo jogo da final.

A Copa do Mundo de futebol não é a única competição mundial entre seleções desse meio de ano: a Liga das Nações de Vôlei Feminino será realizada em Macau, na China, entre 3 de junho e 26 de julho, abrangendo todo o período da Copa do Mundo. A seleção feminina estadunidense é uma potência no vôlei, tendo sido campeã das 3 primeiras edições da Liga das Nações, o que também pode dividir as atenções dos estadunidenses com a Copa. A seleção brasileira, por sua vez, embora nunca tenha vencido a Liga das Nações, foi vice-campeã em 2025 e é a maior campeã do Grand Prix, competição que precedeu à Liga das Nações. Com 12 títulos na competição, também é uma potência histórica da modalidade. 

A Liga das Nações é disputada por 18 seleções e é dividida em duas fases. Na primeira fase, que ocorre em 3 semanas não consecutivas, as seleções são divididas em grupos de 6 de maneira rotativa, ou seja, com o passar das semanas, as seleções mudam de grupo. As sete seleções mais bem colocadas na classificação geral, junto com a seleção da cidade-sede, avançam à fase final, na qual se enfrentam em um sistema eliminatório. 

Aos que dividem atenções entre futebol e voleibol, o conflito de datas entre a Liga das Nações e a Copa do Mundo ocorrerá entre os dias 17 e 21 de junho (segunda semana da fase preliminar da Liga e primeiros jogos da fase de grupos da Copa); e entre os dias 8 e 12 de julho, (terceira semana da fase preliminar da Liga e quartas de final da Copa). No restante do calendário, não haverá conflito. Além disso, as seleções brasileiras de futebol e voleibol não têm qualquer jogo programado para o mesmo dia.

Além do voleibol e do basquete, a Major League Baseball (MLB) e a Nationak Hockey League (NHL), campeonatos de beisebol e hóquei, respectivamente, seguirão seu curso normalmente durante a Copa do Mundo. Ambos os esportes são muito populares nos Estados Unidos e no Canadá, muito mais do que o futebol, o que certamente dividirá as atenções dos norte-americanos entre a Copa do Mundo e os esportes mais tradicionais.

Gabriel Bortoleto na Fórmula 1: como está o desempenho do brasileiro?

Gabriel Bortoleto na Fórmula 1: como está o desempenho do brasileiro?

Piloto disputa sua segunda temporada na principal categoria automobilística do mundo

Por: Murilo Soares

Campeão da Fórmula 3 em 2023 e da Fórmula 2 no ano seguinte, Gabriel Bortoleto foi promovido à Fórmula 1 como piloto da Sauber e estreou na categoria em 2025. Pela equipe suíça, o brasileiro viveu uma primeira temporada de altos e baixos, marcada por cinco abandonos e 19 pontos conquistados ao longo do ano, o que o deixou na 19ª colocação da classificação geral de pilotos, em um campeonato com 21 participantes. Vale destacar o GP da Hungria do ano passado, quando ele terminou em 6º lugar, sua melhor colocação em corridas até o momento.

Reprodução: Instagram (@gabrielbortoleto_)

Gabriel Bortoleto durante sua passagem pela Sauber na temporada 2025

Em 2026, a montadora alemã Audi, que já mantinha uma parceria com a Sauber no fornecimento de motores, entrou oficialmente na categoria como Audi Revolut F1 Team e assumiu a estrutura da construtora suíça. Pela nova equipe, Bortoleto pontuou no GP da Austrália ao chegar em 9º lugar. Porém, sequer largou na corrida seguinte, na China, e ficou fora da zona de pontuação no Japão, em Miami e no Canadá; seus resultados nesse período foram: dois 13º lugares, em Suzuka e Montreal, além de um 12º lugar nos Estados Unidos. Atualmente, o piloto ocupa a 15ª posição na classificação geral, entre 22 participantes, com dois pontos marcados.

É perceptível, porém, que o brasileiro vem enfrentando dificuldades técnicas com o carro. Dois dos problemas mencionados por Bortoleto foram o balanço do veículo e a falta de potência do motor da equipe. Além disso, a Audi apresenta dificuldades nas largadas e enfrenta outras complicações neste início de ano, o que reduz a capacidade do piloto de garantir resultados melhores. A expectativa é de que, durante a temporada, a construtora lance pacotes de atualizações para melhorar seu desempenho.

Reprodução: X/Twitter (@audif1_)

Carros da Audi para a temporada de 2026 da F1

Nesta temporada, o piloto de 21 anos vem protagonizando uma boa disputa com seu companheiro de equipe, o experiente alemão Nico Hulkenberg. Além disso, demonstra bom desempenho em treinos classificatórios, maturidade e potencial para evoluir dentro da Fórmula 1.

Documentário reforça presença de torcedores do Arsenal no Brasil

Documentário reforça presença de torcedores do Arsenal no Brasil

Com 179 torcidas oficiais fora do Reino Unido, time inglês tem sua comunidade brasileira representada na produção

Por: Mariana Martins

Reprodução: X (@Arsenal_Brasil)

O documentário A paixão brasileira pelo Arsenal, produzido pelo jornalista Victor Martins, retrata a pluralidade da torcida do clube londrino no Brasil. Desde o lançamento, em 19 de maio, dia em que o Arsenal se consagrou campeão da Premier League após 21 anos, a produção vem alcançando torcedores de norte a sul do país, evidenciando uma comunidade numerosa apesar da distância. O vídeo está disponível no YouTube, através da conta CanalDiadeJogo.

Em entrevista à AJ, Martins diz que notou a presença de torcida do Arsenal no Brasil quando acompanhou uma partida do time em um bar de São Paulo, e mesmo sendo um horário ruim, o lugar estava lotado: “A galera que estava lá é a galera que vai toda semana para acompanhar o Arsenal. Foi ali que eu percebi e entendi o tamanho do clube no Brasil.” O jornalista torce para o Flamengo desde pequeno, mas começou a acompanhar o Arsenal quando o chileno Alexis Sánchez estava no clube, já que o jogador havia sido um dos destaque na Copa América de 2016: “Eu comecei a acompanhar muito o Arsenal por causa dele. Acabou que ele saiu cedo e eu continuei um apaixonado pelo clube.” 

Quando Martins decidiu fazer o documentário como Trabalho de Conclusão de Curso, ele pretendia achar algum padrão que explicasse o motivo desse fenômeno, mas durante o processo percebeu que não existe uma única razão. Muitos torcedores foram cativados na passagem vitoriosa do técnico Arsène Wenger, quando atletas como Thierry Henry e Dennis Bergkamp se destacaram. Outros decidem acompanhar os futebolistas brasileiros que vão para a equipe. Ainda tem aqueles que estão à procura de um time e acabam atraído pelos valores,  pela cultura e pela diversidade cultivados por todas as categorias do Arsenal, por exemplo.

Foto: Mariana Martins

Fachada do Emirates Stadium com as torcidas oficiais do Arsenal

No documentário, a globalização é tratada como um dos fatores que possibilita ao Arsenal cativar torcedores no mundo inteiro. Além de tornar as transmissões acessíveis em diversos países, o pioneirismo na inclusão de estrangeiros na equipe na Inglaterra, principalmente durante a era de Arsène Wenger, demonstra que o clube foi além e tornou-se o atrativo para diversos grupos sociais, gerando um sentimento de pertencimento. O Arsenal e os torcedores londrinos valorizam as dimensões globais do clube, que em 2023 contava com 179 torcidas oficiais espalhadas pelos cinco continentes. Não à toa, durante a celebração da conquista da Premier League, milhares de fãs lotaram o entorno do Emirates Stadium com a mesma empolgação de torcedores que foram às ruas na África e na Ásia.  

Matheus Vianna participou do documentário e é cocriador da torcida Arsenal Brasil, que surgiu em um fórum no Orkut e desde 2010 está oficializada. Vianna acompanha o clube desde as passagens de Sylvinho, Edu Gaspar e Gilberto Silva e contou à AJ que se sente realizado com o crescimento da comunidade e com o trabalho da Arsenal Brasil, que possibilita encontros entre torcedores em diversas cidades do país e até mesmo no exterior: “Quando a gente idealizou, esse era o nosso maior desejo. É muito chato você torcer sozinho olhando para a televisão. Então, em alguns casos, como o de São Paulo, por exemplo, eles falam, inclusive, que nasceram através do encontro da gente.”

Reprodução: Instagram (@arsenalsampa)

Torcida do Arsenal em São Paulo

Vianna viveu as fases boas e ruins do Arsenal. Em 2013, quando o time foi campeão da FA Cup, cerca de 500 pessoas acompanharam a final no O’Malley’s Bar, em São Paulo, que ao longo dos anos se tornou o principal encontro da torcida paulista. Campeão da Premier League, e finalista da Champions League que será disputada no sábado (30/05), o Arsenal vive um bom momento. Com isso, para a final europeia contra o Paris Saint-Germain, encontros estão sendo organizados em diversas cidades do Brasil e divulgados na página da torcida oficial. 

O documentário de Victor Martins e o trabalho de décadas da Arsenal Brasil fazem com que o torcedor se sinta parte de algo. Apesar do desgaste da produção, Martins se diz  realizado pelo engajamento, mas ainda mais pelas respostas que está obtendo: “Ver esses comentários da galera apoiando, falando que ficou muito bom, que emocionou… Eu vi gente que falou que chorou. Para mim é muito maior do que qualquer número de visualizações que eu possa atingir. É algo muito gratificante para mim porque eu consegui representar uma comunidade.”

Do rádio ao celular: o que mudou na forma de torcer?

Do rádio ao celular: o que mudou na forma de torcer?

Enquete realizada pela AJ mostra como televisão, redes sociais e streaming dividem espaço no consumo de esportes hoje

Por: Lívia Martinho

Durante décadas a partir dos anos 1920, o rádio foi a principal porta de entrada para quem queria acompanhar esportes. Depois, a televisão passou a dominar as transmissões esportivas e transformou a forma de torcer, reunindo famílias em frente à TV para assistir aos jogos. Hoje o celular concentra diferentes formas de acompanhar o esporte e, com o crescimento do streaming e das redes sociais, o consumo passou a acontecer em diversas plataformas digitais.

Além das transmissões ao vivo, o torcedor pode acompanhar os melhores momentos, comentários, conteúdos curtos e interações entre atletas e fãs pelas redes sociais. Com o crescimento do digital, o esporte deixou de ser consumido apenas durante os jogos e passou a ocupar diferentes momentos do dia a dia. Segundo levantamento da Kantar IBOPE Media, 88% dos internautas brasileiros assistem à televisão enquanto navegam na internet ao mesmo tempo, prática conhecida como ‘segunda tela’.

Para entender essa mudança, a AJ realizou uma enquete on-line divulgada pelas redes sociais durante dois dias. Ao todo, 52 pessoas responderam ao levantamento, que reuniu participantes de diferentes faixas etárias e os resultados revelam diferenças importantes entre gerações. Entre os participantes de 18 a 24 anos – faixa que representa 65,4% dos entrevistados – predominam plataformas digitais como Instagram, X/Twitter, YouTube e streaming. Muitos afirmaram acompanhar esportes diariamente através de conteúdos rápidos, análises e vídeos curtos.

Gráfico - Formas mais utilizadas para acompanhar esportes atualmente, segundo participantes da enquete realizada pela AJ.

Enquanto os mais jovens demonstram preferência por conteúdos rápidos e interativos, os entrevistados acima dos 45 anos – faixa que representa 21,2% dos entrevistados – ainda mantêm hábitos voltados às transmissões tradicionais, como televisão e rádio.

Entre as plataformas mais utilizadas, o Instagram surge como principal rede citada, utilizada por 46,2% dos participantes. Em seguida aparecem X/Twitter, com 19,2%, e YouTube, com 15,4%.

Além dos jogos ao vivo, os entrevistados relataram acompanhar memes, comentários e bastidores esportivos. Entre os conteúdos mais consumidos, 38,5% afirmaram preferir jogos completos, enquanto 30,8% disseram consumir principalmente memes e conteúdos curtos relacionados ao esporte.

Um dos participantes nos contou que costuma acompanhar “variando entre 1ª ou 2ª tela, relacionado com o nível de importância da partida”. Outro afirmou utilizar diferentes plataformas ao longo do dia para acompanhar repercussões, comentários e bastidores esportivos. “No YouTube, gosto de assistir vídeos de bastidores, mostrando a preparação antes dos jogos e também o que acontece depois. Além disso, uso o Twitter para acompanhar as opiniões e repercussões no pós-jogo”, relatou. 

Já entre os entrevistados acima dos 45 anos, televisão e rádio continuam aparecendo como meios mais tradicionais de consumo esportivo. Muitos afirmaram preferir assistir a jogos completos e acompanhar noticiários esportivos pela TV. “Costumo acompanhar por meios de rádio e TV, internet raramente”, afirmou um dos participantes. Mesmo assim, parte do público mais velho também utiliza plataformas digitais para acompanhar esportes, principalmente YouTube e redes sociais.

As redes sociais também mudaram a relação entre atletas, clubes e torcedores. Hoje, além de acompanhar partidas, o público acompanha treinos, bastidores e a rotina dos jogadores. A maioria dos entrevistados, 75%, afirmou seguir atletas ou equipes nas redes sociais, utilizando também para acompanhar notícias sobre jogos, contratações, desfalques e análises esportivas. Muitos também consomem conteúdos produzidos por jornalistas e criadores digitais especializados em seus times. 

O ambiente digital abriu espaço para modalidades que antes tinham pouca visibilidade na mídia tradicional. Com as redes sociais e plataformas de streaming, esportes menos populares passaram a alcançar novos públicos por meio de vídeos curtos, transmissões on-line e conteúdos produzidos por fãs e criadores independentes.

Modalidades como Fórmula 1, basquete, skate, surfe e até esportes universitários ganharam mais espaço no ambiente digital, principalmente entre públicos jovens. A própria enquete ajuda a ilustrar isso, já que alguns entrevistados afirmaram assistir a conteúdos relacionados a clubes, pilotos, equipes e diferentes modalidades por meio de páginas criadas por torcedores e comunidades digitais.

Se antes o rádio aproximava o público das partidas e a televisão centralizava a experiência esportiva dentro de casa, hoje o celular reúne diferentes formas de acompanhar esporte em uma única tela. O torcedor atual participa de debates, acompanha bastidores, consome memes e interage com atletas ao longo do dia.

O digital transformou a experiência de torcer. Hoje, o esporte é acompanhado em tempo real, comentado nas redes e compartilhado em diferentes formatos, mostrando que a paixão continua presente, apenas adaptada às novas telas.

As hegêmonicas de Lyon ou as joias catalãs, quem levará a final da UEFA Women’s Champions League?

As hegêmonicas de Lyon ou as joias catalãs, quem levará a final da UEFA Women’s Champions League?

Com jogadoras que mudaram o rumo do futebol feminino, FC Barcelona e OL Lyonnes se enfrentam neste sábado (23/5).

Por: Isabele almeida

Neste sábado, 23/5, às 13h (horário de Brasília), acontecerá a final da UEFA Women’s Champions League, disputada pelas equipes do Barcelona e do Olympique Lyonnes. A final será jogada no Ullevaal Stadion, em Oslo, na Noruega, com capacidade para 28.000 espectadores e a expectativa é de casa cheia. Os ingressos para comparecer à final variaram entre € 20 e € 70 (aproximadamente R$ 117 e R$ 409, respectivamente), bem mais acessíveis se comparados com o valor da decisão masculina, entre € 180 e € 950 (aproximadamente R$ 1.053 e R$ 5.557, respectivamente)

A final da temporada 2025/26 é a quarta entre as duas equipes na Champions. Nos três confrontos anteriores, o OL Lyonnes saiu vitorioso em 2019 e 2022, enquanto o Barcelona levou a melhor na decisão disputada em 2024. 

Apesar de não ser do conhecimento de um público tão amplo quanto o da competição masculina, o campeonato feminino existe desde 2000, com o formato e o nome atual consolidados desde a temporada de 2009/10. Numa competição com ampla hegemonia, do OL Lyonnes – que possui 8 títulos -, o Barcelona tenta se consagrar campeão pela quarta vez, desde que conquistou o primeiro título em 2021.

De um lado da decisão, temos a equipe mais tradicional da competição, o Olympique Lyonnes. O time, formado majoritariamente por jogadoras francesas, carrega nomes como Wendie Renard, defensora francesa e capitã da equipe, que está no clube desde 2006, quando o esporte feminino estava iniciando a sua consolidação no time da cidade de Lyon. 

Reprodução: Instagram (@ol.lyonnes)

OL Lyonnes comemorando o título francês.

O nome OL Lyonnes vem de uma variação da palavra lionnes, que em francês significa leoas, com a letra “y” para fazer referência à cidade de origem da equipe. A dona do clube e também proprietária do OL Lyonnais – time masculino da equipe do Lyon -, Michele Kang, fez essa alteração no ano de 2025, com o intuito de dar uma maior autonomia à equipe feminina e valorizar ainda mais a modalidade. Ela também separou a gestão do esporte masculino, além de definir o Groupama Stadium – estádio da equipe masculina do OL Lyonnais – como a casa oficial do time feminino, reforçando o valor da equipe para o clube, bem como para o futebol mundial.

O atual técnico do clube, o espanhol Jonatan Giráldez, foi o mesmo que ganhou a UEFA Women’s Champions League com o Barcelona em 2023 e 2024 e volta a encontrar sua antiga equipe na final deste sábado.

Já do lado adversário, temos outra potência do futebol feminino atual, o Barcelona. Presente em 6 das últimas 10 finais da competição, conquistando três decisões, a equipe conta com um elenco formado, em sua maioria, por jogadoras espanholas e grandes nomes do esporte como Alexia Putellas – meia campista espanhola -, vencedora do prêmio Bola de Ouro em 2020 e 2021.

 Reprodução: Instagram (@marta_torre_8)

Barcelona na semifinal da UEFA Women’s Champions League

Ao longo da Champions de 2026 o Barcelona teve, em 10 jogos, 8 vitórias e 2 empates, chegando invictas à final da competição. O técnico espanhol Pere Romeu está no clube desde 2024, e em seu primeiro ano já chegou à final da competição, mas foi derrotado por 1 x 0 pelo Arsenal, atual ganhadora da competição. Neste ano, o técnico tenta traduzir em título a boa campanha que vem fazendo à frente do clube.

Menos comentada do que a final masculina, o confronto entre as duas equipes tem atrativos como Ewa Pajor, atacante polonesa do Barcelona, podendo se consagrar como artilheira do campeonato com 10 gols, contra a zagueira Wendie Renard e a goleira Christiane Endler, pilares do OL Lyonnes, que tiveram apenas 9 gols sofridos ao longo da competição.

O jogo será transmitido pela ESPN e na plataforma de stream Disney+, com o apito inicial às 13h, e é uma excelente oportunidade de presenciar o jogo de duas das maiores equipes mundiais do futebol feminino.

Superação de adversários e preconceitos na Copa do Mundo de futebol de cegos

Superação de adversários e preconceitos na Copa do Mundo de futebol de cegos

Por: Gustavo Freitas

Foto: Alessandra Cabral – Comitê Paralímpico Brasileiro

Brasileiros celebram gol nas Paralimpíadas de Paris 2024

Em julho de 2027, será realizada em São Paulo, a 9° edição da Copa do Mundo de futebol de cegos. A seleção brasileira, maior potência da modalidade, irá em busca do hexacampeonato, enfrentando além dos adversários, dificuldades estruturais como a falta de exposição, estigmas e pouco investimento. 

As partidas de Futebol de 5, como também é chamado esse esporte,(referência ao número de atletas titulares em cada equipe) são jogadas em quadras de dimensões muito parecidas com as de futsal, mas o piso é de gramado sintético. As laterais são cercadas por placas que impedem a saída da bola por essas zonas. Em faltas, pênaltis e escanteios, um integrante da comissão técnica, conhecido como “chamador” , toca nas traves com um objeto de metal, sinalizando a posição exata do gol.

Todos os esportistas devem atuar com vendas especiais que cubram toda a entrada de luz, uma vez que existem diferentes graus de deficiência entre os atletas, de modo que alguns conseguem enxergar mais do que os outros. A bola possui um guizo, que ajuda a orientar os jogadores quanto à sua posição. O goleiro é o único dentro de campo que possui visão normal, funcionando também como um guia para sua equipe, organizando seus companheiros e as jogadas.

 Antes de irem para uma disputa de bola, os jogadores devem gritar voy (vou, em espanho,l devido às origens do jogo serem atribuídas a Espanha ) para evitar colisões violentas. Apesar desse cuidado, é comum a ocorrência de choques contundentes, demonstrando também a intensidade com que o jogo é disputado. Mesmo com tantas emoções envolvendo as partidas, as torcidas são instruídas a não emitir qualquer tipo de barulho durante as jogadas, somente em momentos de gols, quando a bola já está fora de jogo. Essa medida visa a garantir que os atletas possam ouvir com clareza os ruídos da bola e de seus oponentes. 

Apesar de já ser praticado em algumas regiões do mundo, com pioneirismo para Brasil e Espanha, o esporte só foi inserido nas paralimpíadas no ano de 2004, em Atenas. Já a primeira competição oficial organizada pela IBSA (Federação Internacional de Esportes para Cegos) foi em 1998, cuja sede escolhida foi o Brasil, em Paulínia-SP. 

Inicialmente a copa do mundo se daria a cada 2 anos, tendo ocorrido posteriormente em 2000 e 2002. A partir daí, ela passou a se suceder a cada 4 anos, com edições em 2006, 2010, 2014 e 2018. Para coincidir com os jogos mundiais da IBSA, a edição de 2022 foi realocada para o ano seguinte. 

 Desse modo, a próxima edição ocorrerá em 2027, e retornará 25 anos depois ao território brasileiro. Na última ocasião, em 2002, o Rio de Janeiro sediou o título da seleção argentina, atualmente a segunda equipe com mais conquistas (3). A primeira posição é ocupada pelo Brasil com 5 títulos, nos anos de 1998, 2000, 2010, 2014 e 2018. 

Além dos mundiais, o Brasil tem 5 medalhas de ouro em Jogos Paralímpicos, ficando em primeiro em todas as edições que ocorreram, com exceção da mais recente, em que foi eliminado pela Argentina na disputa de pênaltis. Justamente pelo posto de maior potência do futebol de 5, nossa seleção chega como uma das favoritas para o título de campeão do mundo, apesar da conquista do último ouro ter sido dos franceses, e a última copa ganha pelos argentinos.

Mesmo com os principais craques da seleção atuando em times nacionais (Jefinho, Nonato e Ricardinho) e o país tendo toda essa grandeza na modalidade, o cenário ainda é de instabilidade no nosso território. A pouca exposição do esporte, influenciada pela estigmatização dos deficientes e pela falta de cobertura midiática, ocasiona a ausência de patrocinadores e investimentos, fundamentais para o crescimento do futebol de 5. Esse cenário dificulta um eficiente trabalho de base com foco no desenvolvimento de novos jogadores, bem como na profissionalização dos atletas. 

Assim, a Copa do Mundo ocorrendo mais uma vez no Brasil simboliza uma nova  possibilidade de popularizar o futebol de cegos no país, contribuindo para a melhora na infraestrutura dos clubes e dos jogos, o que corrobora  para a elevação do nível da modalidade. Nossos jogadores, para além de defender nossa hegemomia no esporte vencendo o campeonato, buscam difundir o esporte que ressignificou suas vidas, e que pode alterar tantas outras, pela inserção social e pelo combate a discriminação. 

A política e o futebol

A política e o futebol

Relação entre Fifa, entidade máxima do esporte, e agentes políticos reacende debate sobre o conflito de interesses no futebol

Por: Eduardo Campos

Após a polêmica envolvendo a participação do Irã na Copa do Mundo de 2026 que será realizada no Canadá, no México e nos Estados Unidos, países em guerra, muitas discussões sobre a relação entre política e futebol foram reacendidas. As opiniões são variadas: alguns acreditam que o esporte está intrinsecamente ligado aos interesses de agentes políticos influentes e poderosos, enquanto outros preferem deixar esse debate de lado e focar apenas no que ocorre dentro das quatro linhas.

Uma das instituições que está no centro dessas discussões é a Fifa. A Federação Internacional de Futebol Associado, possui 211 associações nacionais filiadas e aborda temas como melhorias para o futebol mundial, organização de torneios internacionais e estratégias para lidar com tensões entre nações no futebol. Um exemplo recente do novo posicionamento da Fifa foi o banimento da Rússia de disputar qualquer competição internacional devido à guerra contra a Ucrânia. Entretanto, há um questionamento sobre a parcialidade da entidade mediante os conflitos, já que Israel, que está em guerra com a Palestina, continua podendo jogar todos os torneios existentes.

Agência Brasil/Eurico Tavares

Sede da Fifa em Zurique, na Suíça

O Presidente da Fifa, Gianni Infantino, tem sido constantemente criticado por ser parcial nas decisões que influenciam o futuro do esporte. Ele é visto como um grande parceiro comercial de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos e amigo de Infantino, algo que vai contra suas propostas quando entrou na presidência da entidade em 2016, quando pregava “o futebol em primeiro lugar”. O italiano se envolveu em uma polêmica durante o sorteio dos grupos da Copa do Mundo de 2026, pois entregou a Trump o Prêmio da Paz da FIFA por “medidas excepcionais e extraordinárias pela paz”. Um momento considerado constrangedor para o público, haja vista que os Estados Unidos estão envolvidos em diversos conflitos por todo o Mundo.

Reprodução: Instagram (@gianni_infantino)

Infantino entrega Prêmio da Paz da FIFA a Trump.

João Havelange, antigo presidente da Fifa, também já esteve envolvido em questões políticas durante o seu mandato de 1974 a 1998. Falecido em 2016, o brasileiro se orgulhava de ter expandido a Fifa para ter mais países filiados do que a ONU. Entretanto, ele sofreu pressões internacionais sobre a realização da Copa de 1978 na Argentina, país que vivia um regime militar. Havelange sinalizou positivamente para a escolha, inclusive mantendo relações próximas com o ditador Jorge Rafael Videla e com o almirante Carlos Alberto Lacoste, que se tornaria vice-presidente da Fifa anos depois. Havelange, no entanto, mantinha bom diálogo com o bloco socialista comandado pela então União Soviética, tendo o voto unânime dos seus integrantes para sua eleição.

A conclusão que se chega com esses casos é que futebol e política andam lado a lado. As principais instituições que representam os dois âmbitos sempre estão interligadas, pensando em manter interesses de ambas as partes. A idoneidade, um princípio fundamental em qualquer tipo de relação, não é respeitada no futebol.

Brasileiros e seleção: uma relação de alto e baixo

Brasileiros e seleção: uma relação de alto e baixo

Do amor à estranheza

Por: Felipe Borges

Reprodução: ABr/Rovena Rosa

Torcedores assistem ao jogo do Brasil na Copa do Mundo de 2018

Faltando menos de um mês para a Copa do Mundo, os países começam a se preparar para o maior evento do futebol, desde fan fest, figurinhas, ruas pintadas e a ansiedade para a bola rolar.

Nesta edição, a seleção brasileira entrará em campo igualando o maior jejum (1970-1994) sem levantar o tão desejado troféu, desde que ganhou o primeiro em 1958. Os 24 anos após o penta foram carregados de muita emoção e esperança, mas um meião, uma expulsão, um vexame em casa, um gol contra e um empate a quatro minutos do final foram grandes baldes de água fria na cabeça do torcedor.

A AJ fez um levantamento pela internet para entender como anda a relação do brasileiro com a seleção, tendo obtido 200 respostas. Dos participantes, 62% afirmam acompanhar a seleção, sendo maioria homens, que também têm um engajamento maior durante o ciclo de preparação, uma vez que as mulheres costumam acompanhar mais a seleção em época de Copa.

Filtrando por idade, pessoas acima dos 30 anos conhecem, em média, 8 jogadores da seleção, enquanto os abaixo dos 30 anos conhecem 15. Além disso, o grupo no qual o Brasil se encontra no mundial é conhecido por apenas 32% dos entrevistados, em maioria pessoas de até 30 anos.

Esse dado mostra que os mais novos possuem maior engajamento com a seleção, enquanto os mais velhos possuem menos, se refletindo no jeito que eles enxergam a “amarelinha”: com nostalgia da época de ouro (37,4%), como orgulho da história (33,4%), uma mistura com o cenário político (18,2%) e com vergonha com as atuações recentes (9,6%).

Segundo um participante da pesquisa: “Atualmente, eu diria que a minha relação com a seleção é de total frustração, já que o desempenho nos últimos anos tem sido muito abaixo do esperado, considerando o nível e a qualidade dos seus jogadores, que parecem sentir muito a pressão de vestir a ‘amarelinha’ .” Ele ainda cita eventos como o 7 a 1 e a derrota para a Argentina na final da Copa América em pleno Maracanã, em 2021.

Os desempenhos recentes da seleção não são o único impasse dessa relação, fatores como os jogadores que vão para a Europa cada vez mais novos e não criam uma relação com os torcedores e a crise de identidade na forma da seleção jogar, para alguns tendo perdido o “joga bonito”, também corroboram para esse distanciamento. “Desconheço boa parte dos jogadores selecionados, com isso não há comprometimento meu em acompanhar a seleção”, afirma um participante. Outro também diz: “O futebol brasileiro perdeu o encanto para mim, pois há uma questão de dinheiro acima do país. O belo futebol antes jogado deu lugar a um futebol de baixa qualidade.”

Assim, é comum vermos que o que gerava uma emoção diferente para a Copa, começa a mudar, seja em um pacotinho de figurinhas, que já não é tão barato como antes, nas ruas que quase não são mais pintadas e até mesmo na ansiedade para bola rolar. Essa última fica nítida quando metade dos entrevistados diz acreditar que o Brasil deve cair no mata-mata, sem chegar longe, e apenas 1 a cada 10 dizem acreditar que a seleção pode ser campeã.

Reprodução: ABr/Rovena Rosa

Rua em São Paulo pintada para a Copa do Mundo

A impressão que fica para a maioria dos brasileiros é que a solução para a quebra desse estranhamento passa pela dedicação dos jogadores, que carregando um país nas costas, deviam ver a convocação e participação em uma Copa do Mundo como forma de orgulho e representação.

A Copa do Mundo vivenciada por diferentes gerações

A Copa do Mundo vivenciada por diferentes gerações

O que mudou na forma como pai e filho vivem o ano de Mundial?

Por: Mariana Martins

Reprodução: Agência Brasil / Fernando Frazão

Ruas de Vila Isabel, no Rio de Janeiro, pintadas para a Copa de 2014

A Copa do Mundo é um evento que fica marcado na memória dos torcedores brasileiros, não apenas pelos jogos, mas pela forma como é vivida. O relatório Estudo original: O jogo fora do campo, divulgado pela MindMiners em abril de 2026, aponta que a Copa é um ritual coletivo: 57% dos entrevistados pretendem assistir aos jogos em casa com amigos ou familiares. Isso demonstra o potencial do evento de ir além do futebol e ser um momento de fortalecer vínculos, interagir socialmente e dar continuidade a tradições comuns em ano de Copa. 

Para Eduardo Campos, estudante de Jornalismo na Universidade do Estado do Rio de Janeiro de 19 anos, o ano de Copa do Mundo é uma loucura. Já para Fábio Campos, pai de Eduardo, antigamente tinha um clima mais empolgante, ele ressalta que hoje não vê tanto o costume de pintura das ruas para o Mundial como era antes e que a identificação com a seleção era bem maior no passado, pois a convocação tem menos jogadores dos próprios clubes brasileiros.

Uma tradição que atravessou gerações é o álbum de figurinhas. A primeira edição específica sobre futebol foi lançada no Brasil em 1950, ano em que o Brasil sediou pela primeira vez o Mundial. A empresa responsável pela produção era a Fábrica de Balas A Americana e as figurinhas não eram comercializadas. Fábio diz que os cromos eram brindes, que vinham com balas e eram encontrados em padarias e mercadinhos.

Reprodução: Agência Brasil / Rovena Rosa

Jovens trocam figurinhas em 2022

Hoje, o álbum é vendido em bancas, livrarias e papelarias. Apesar de serem mais fáceis de encontrar, o preço pode dificultar o consumo. Por outro lado, a pesquisa divulgada pela MindMiners aponta que 34% dos brasileiros pretendem mudar hábitos de consumo por causa da Copa do Mundo de 2026. Antes, as figurinhas custavam centavos. Atualmente, para completar as 112 páginas com os 980 cromos, o torcedor brasileiro vai gastar, no mínimo, R$ 980.

Mesmo com o preço elevado, Eduardo considera o álbum uma tradição indispensável:“Eu fico ansioso para fazer o álbum e quando começo me dá a sensação de que a Copa está cada vez mais perto.” Ele diz que suas primeiras lembranças que envolvem o item de colecionador estão atreladas ao pai, que faz o álbum com ele desde 2010 e o ajudava a trocar cromos: “Essa maluquice de ficar trocando figurinha com qualquer um a qualquer momento foi ele quem me ensinou.” 

Para manter o costume daqui a 4 anos, Eduardo já está pensando em estratégias para driblar o preço, como começar um fundo ao final do Mundial em julho ou imprimir as figurinhas em papel adesivo em casa. Seja como for, o importante é viver o ano de Copa do Mundo, aproveitando os momentos que o futebol proporciona.

Copa do Brasil Sub-15 amplia vitrine do futebol de base

Copa do Brasil Sub-15 amplia vitrine do futebol de base

Competição inédita da CBF surge em cenário de valorização econômica, agenciamento e pressão sobre jovens atletas

Por: Lívia Martinho

A estreia da Copa do Brasil Sub-15, no último domingo (26), oficializou a entrada de uma nova categoria no calendário de elite da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Com 16 partidas realizadas e 57 gols marcados, média de 3,5 por jogo, a competição inaugura um torneio nacional voltado para atletas de 14 e 15 anos. O campeonato surge em um momento de transformação no futebol de base: o Sub-15 passou a ocupar o espaço de última vitrine antes da idade mínima para a assinatura do primeiro contrato profissional, permitida pela legislação esportiva apenas a partir dos 16 anos. 

A primeira edição reúne 32 equipes selecionadas principalmente pelos resultados obtidos nos campeonatos estaduais de 2025. A composição do torneio contempla os campeões estaduais das 27 federações e tem vagas complementares destinadas a vice-campeões de estados mais bem-posicionados no ranking da CBF. Divididos em oito grupos de quatro equipes, os clubes disputam uma fase inicial regionalizada antes do início do mata-mata em jogo único a partir das oitavas de final. A competição tem duração prevista até 1º de agosto.

Foto: Freepik 

A criação da competição acompanha a valorização econômica da categoria. Em 2025, o meia Dieguinho, então com 14 anos, foi negociado do Sfera-SP para o Bahia por R$ 6,3 milhões, a maior transação já registrada no país para um atleta dessa idade. O caso reforçou a percepção de que a disputa por jovens talentos começa cada vez mais cedo.

Embora contratos profissionais só possam ser assinados aos 16 anos, clubes utilizam instrumentos como o Contrato de Formação, permitido a partir dos 14, para garantir prioridade sobre atletas e compensações futuras. Paralelamente, empresas de agenciamento acompanham atletas antes da idade permitida para contratos profissionais, oferecendo assessoria esportiva e vínculos indiretos que antecipam futuras relações comerciais.

Clubes cariocas oferecem um recorte significativo para compreender o avanço da profissionalização precoce. Fluminense e Flamengo, dois dos principais polos formadores do país, concentram atletas já agenciados no esporte, incluindo jogadores convocados para a seleção brasileira Sub-15. 

Mesmo sem dados públicos disponíveis para todos os atletas, levantamento da AJ indica que o agenciamento precoce já faz parte da rotina da categoria. No caso do Fluminense, todos os 11 titulares analisados apresentam algum tipo de vínculo com agenciamento ou gestão de carreira. Como se trata de atletas de 14 e 15 anos, esse acompanhamento por empresários e representantes ocorre antes da formalização jurídica autorizada pela legislação esportiva. Esses atletas convivem com observação constante, cobrança por desempenho e planejamento de carreira, conciliando exigências esportivas com a formação escolar.

Nesse contexto, o futebol deixa de ser apenas espaço de descoberta e passa a funcionar também como projeto profissional. A pressão por visibilidade e rendimento surge antes da fase adulta, transformando adolescentes em ativos de mercado.

Mais do que um torneio de base, a Copa do Brasil Sub-15 surge como reflexo de um futebol que acelera processos e antecipa disputas por promessas. A competição revela não apenas quem são os talentos do futuro, mas também quais prioridades orientam a formação de atletas no país.