Sesc RJ Flamengo: um começo avassalador

Sesc RJ Flamengo: um começo avassalador

Clube venceu todas as partidas no início da Superliga Feminina

Por: Murilo Soares

Foto: Reprodução (Carolina Scotton)

A temporada 2025/26 da Superliga Feminina começou no dia 20 de outubro, e por enquanto, apresenta uma equipe com 100% de aproveitamento: o Sesc RJ Flamengo. O que explica a boa fase do time carioca? 

Comandado por Bernardinho, técnico multicampeão por onde passou, o Sesc RJ Flamengo manteve a base da temporada passada, permanecendo com 10 atletas, e se reforçando com outras cinco: as levantadoras Giovana e Vivian, a oposta Tainara, a ponteira americana Simone Lee e a central sérvia Masa Kirov. Apostando em uma mescla de atletas experientes e jovens, o clube venceu seus 7 jogos no torneio, perdendo apenas 2 sets na vitória contra o Gerdau Minas por 3 x 2. Com um jogo a menos que a maior parte das equipes adversárias, as flamenguistas ocupam a 2ª posição com 20 pontos em 7 jogos. O Gerdau Minas lidera a competição com 21 pontos em 8 jogos.

Atleta da seleção brasileira, Tainara contou à AJ sobre a estabilidade do Sesc: “Bom, eu acho que a constância vem do treinamento, se a gente treina muito, a gente consegue aplicar melhor no jogo, e acho que é reflexo do que a gente faz no dia a dia mesmo. Obviamente que nenhum jogo na Superliga é fácil, mas se a gente impuser o nosso ritmo e fizer o que a gente treina diariamente, a gente consegue se sair bem.”

Foto: Reprodução (Carolina Scotton)

Tainara em entrevista à AJ após vitória contra o Brasília

O clube que firmou a parceria entre o Flamengo e o Sesc-RJ em 2020, visa a se tornar uma referência mundial no esporte, buscando disputar e vencer o Mundial de Clubes. Maior campeão do voleibol brasileiro com 36 títulos, incluindo 12 Superligas, o Sesc RJ Flamengo também quer voltar a vencer o torneio nacional após sua última conquista: o título de 2016/17. A próxima partida do time carioca na competição é contra o Sesi-Bauru em São Paulo, na sexta-feira (5), às 21h. 

Emoção até a última volta

Emoção até a última volta

Fórmula 1 entra em sua última corrida no ano com três pilotos na disputa pelo título

Por: Eduardo Campos

A Fórmula 1 de 2025 está se despedindo sem ainda conhecer o seu campeão. No próximo domingo (7), ocorrerá nos Emirados Árabes Unidos o último GP de uma temporada inesquecível. Repleta de surpresas e reviravoltas, ela ainda nos guarda um último capítulo de tirar o fôlego: a definição do título. O britânico Lando Norris, o holandês Max Verstappen e o australiano Oscar Piastri disputam ponto a ponto quem será o campeão. 

Desde o início do mundial, Norris e Piastri foram considerados os favoritos pelo excelente carro da McLaren. O atual tetracampeão Verstappen corria por fora por conta do seu talento, já que o carro da Red Bull sofreu com muitos problemas. O tempo foi passando, com o britânico e o australiano lutando ponto a ponto pela liderança. No entanto, após alterações no carro da McLaren e fases ruins dos dois pilotos, o holandês cresceu na disputa, conquistando pontos importantes e ultrapassando Piastri na classificação.

É com esse cenário que chegamos ao GP de Abu Dhabi: o líder Lando Norris tem 408 pontos, Max Verstappen tem 396 e Oscar Piastri tem 392. Para o título do britânico, basta ele ficar na frente dos outros dois ou torcer para Verstappen terminar no máximo em 4° e Piastri no máximo em 3°. O holandês precisa ganhar a corrida e torcer para que Norris termine no máximo em 4°, enquanto o australiano também necessita vencer o GP e torcer para Norris chegar no máximo em 6°.

Reprodução: Instagram (@F1)

Norris, à esquerda, Verstappen, ao centro, e Piastri: quem será o campeão?

A última vez em que uma temporada de Fórmula 1 foi tão acirrada ocorreu em 2021, justamente o primeiro título de Verstappen. O piloto da Red Bull disputou a liderança até o final contra o britânico Lewis Hamilton, à época na Mercedes, conseguindo uma ultrapassagem em cima do próprio Hamilton na última volta na mesma Abu Dhabi para ganhar o campeonato.

Para além da disputa pelo título, é necessário destacar que a Fórmula 1 contou com um brasileiro no grid após muitos anos. Gabriel Bortoleto, piloto da Sauber, estreou na elite do automobilismo após ser campeão da Fórmula 2 em 2024. Em seu primeiro ano na elite, Gabriel teve um início conturbado, mas mostrou competência para se recuperar e ganhar 19 pontos, tendo como melhor resultado um 6° lugar no GP da Hungria. No próximo ano, com a mudança de Sauber para Audi e provavelmente com um carro melhor, o brasileiro deve evoluir na categoria e superar a 19ª posição na classificação geral.

Reprodução: Instagram (@gabrielbortoleto_)

Gabriel Bortoleto no GP de São Paulo acena para a torcida

Nesse último GP, as luzes vão se acender às 10h, com transmissão da Band para todo o Brasil. Chegou a hora da decisão!

Mundial de Handebol 2025 começa para o Brasil

Mundial de Handebol 2025 começa para o Brasil

Seleção brasileira enfrenta Cuba, República Tcheca e Suécia na primeira fase, em Stuttgart, Alemanha

Por: Lívia Martinho

O Mundial de Handebol Feminino 2025 já começou, e o Brasil iniciou sua trajetória nesta quinta-feira (27) pela primeira rodada do Grupo G, com uma vitória por 41 a 20 diante de Cuba. A 27ª edição, que vai até 14 de dezembro, reúne as principais seleções do mundo na Alemanha e nos Países Baixos (antiga Holanda). 

Na primeira fase, as 32 seleções são divididas em oito grupos, e as três melhores de cada chave avançam para a Main Round. Nessa etapa, as seleções enfrentam três novas equipes e  as duas melhores de cada chave da Main Round avançam para as quartas de final, iniciando o mata-mata até as semifinais e a final.

Os próximos jogos da seleção brasileira serão no dia 29 de novembro (sábado) contra a República Tcheca e 1º de dezembro (segunda-feira) contra a Suécia, ambos em Stuttgart, Alemanha. Caso avance, a equipe seguirá para Dortmund na fase seguinte e, posteriormente, para Roterdã, sede das semifinais e da final.

Reprodução: Instagram/@cbhb1

Para o Mundial, o técnico Cristiano Rocha convocou 18 jogadoras. A lista reúne atletas que atuam majoritariamente na Europa, com apenas uma jogadora atuando no Brasil: Jamily Félix (Clube Português). 

Entre as jogadoras experientes, Alexandra Nascimento destaca-se pelo retorno histórico. Com 44 anos, a jogadora disputa seu oitavo Campeonato Mundial (2003, 2005, 2007, 2011, 2013, 2015, 2019 e 2025). Eleita a Melhor Jogadora do Mundo em 2012, integrou a equipe campeã mundial em 2013 e soma 415 jogos pela seleção.  Além dela, entre os principais nomes estão Bruna de Paula, uma das referências ofensivas da equipe; Patricia Matieli, jogadora fundamental na construção do jogo; e Gabriela Moreschi, goleira experiente que atua na Romênia.

Lista de convocadas:

Pivôs: Marcela Arouinian (Saint Amand Handball PH – FRA); Milena Maria (Szombathely – HUN) e Sabryne Santos (São Pedro do Sul – POR).

Centrais: Jhennifer Lopes (Saint Amand Handball PH – FRA); Maria Grasielly (Gurpea Beti-Onak – ESP) e Patricia Matieli (MKS Zaglebie Lubin – POL).

Armadoras: Bruna de Paula (Györ Audi ETO KC – HUN); Gabriela Bitolo (Tus Metzingen – ALE); Giulia Guarieiro (Thüringer HC – ALE); Kelly Rosa (Dunaujvaros Kohász KA – HUN); Mariane Fernandes (MKS Zaglebie Lubin – POL) e Micaela Rodrigues (BM Bera Bera – ESP).

Pontas-esquerdas: Jamily Felix (Clube Português – BRA) e Larissa Fais (CSM Corona Brasov – ROU)

Pontas-direitas: Alexandra Nascimento (Handball Erice – ITA) e Jéssica Quintino (CSM Baia Mare – ROU).

Goleiras: Gabriela Moreschi (CSM Bucharest – ROU) e Renata Arruda (Gloria Bistrita – ROU).

No dia 22 de dezembro de 2013, o Brasil conquistou o Campeonato Mundial pela primeira vez e única vez ao derrotar a Sérvia por 22 a 20. Nessa edição, ganhou os nove jogos que disputou e tornou-se a segunda nação não europeia (após a Coreia do Sul) e primeira da América a conquistar o título na história do torneio.

Além disso, o Brasil conquistou seis medalhas de ouro de forma consecutiva nos Jogos Pan-Americanos, incluindo o hexacampeonato em Lima 2019. Já nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016, o Brasil fez sua melhor campanha, terminando em 5º lugar após ser eliminado pelos Países Baixos (antiga Holanda) nas quartas de final.

No Mundial que ocorreu na Espanha em 2021, a seleção brasileira enfrentou uma eliminação nas quartas de final para a Noruega, que terminaria campeã. Já na edição de 2023, a seleção fechou sua participação com quatro vitórias e duas derrotas, avançou à Main Round (fase em que as equipes classificadas levam apenas os pontos conquistados contra outras seleções que também avançaram e passam a jogar apenas contra as que ainda não enfrentaram), mas acabou eliminada antes das quartas.

Reprodução: Instagram/@jamily_felix_88

Entre as novidades desta edição está a estreia de Jamily Félix em um Mundial. Em entrevista à AJ, a ponta-esquerda do FMO/Português falou sobre a importância desse momento na carreira: “Disputar meu primeiro Mundial é a realização de um sonho que carrego desde quando comecei no handebol. Representar o Brasil neste nível é uma honra enorme e um marco na minha carreira.”

Sobre sua preparação para o torneio, Jamily destaca: “A preparação tem sido muito intensa e focada. Trabalho para chegar na melhor forma, física e mentalmente, sempre buscando evolução e ajustando detalhes.”

Por fim, Jamily revelou suas expectativas para o Mundial: “Quero ajudar a equipe no que for preciso, competir em alto nível e mostrar a força do handebol brasileiro.”

As partidas da Seleção Brasileira terão transmissão pelo SporTV, na TV por assinatura, e pela CazéTV, no YouTube.

Copa Brasil de Paraciclismo encerra temporada 2025 em Goiânia

Copa Brasil de Paraciclismo encerra temporada 2025 em Goiânia

Campeonato será realizado nos dias 29 e 30 de novembro

Por: Amanda Souza

Reprodução: Instagram/Foto: Míriam Jeske/CBC

Gilmara, medalhista de bronze no Mundial de Paraciclismo em Ronse, durante prova na categoria Handbike

Um dos principais eventos do calendário nacional do paraciclismo chega à sua etapa final. Nos dias 29 e 30 de novembro, Goiânia receberá a 4ª etapa da Copa Brasil de Paraciclismo de Estrada, organizada pela CBC (Confederação Brasileira de Ciclismo), CPB (Comitê Paralímpico Brasileiro) e Instituto JF (Clube Fernandes de Ciclismo). A competição acontecerá em um circuito urbano da cidade.

O campeonato reúne os melhores atletas do paraciclismo brasileiro e distribui pontos válidos para os rankings nacional e internacional, fundamentais para garantir vagas nos Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028. 

Duas provas compõem a programação: contrarrelógio e resistência. No contrarrelógio, cada atleta larga individualmente e busca completar o percurso no menor tempo possível. Já na resistência, todos os competidores partem juntos, e vence quem cruzar a linha de chegada primeiro.

A Copa Brasil de Paraciclismo será disputada em quatro categorias: Ciclismo (C1 a C5), Handbike (H1 a H5), Tandem B e Tricycle (T1 e T2). Cada uma delas mostra como o esporte une alto rendimento e inclusão, com bicicletas adaptadas que garantem condições justas de competição e mantêm o nível técnico da modalidade. 

Confira as diferenças:

Ciclismo (C1–C5): bicicletas de estrada semelhantes às usadas no ciclismo olímpico, com ajustes específicos – como guidões, pedais ou câmbios adaptados – para diferentes perfis de atletas.

Handbike (H1–H5): impulsionadas pelos braços, variam de modelos reclinados a versões mais velozes, permitindo desempenho em diferentes níveis de mobilidade.

Tandem B: bicicletas duplas utilizadas por ciclistas com deficiência visual, acompanhados de um piloto-guia.

Tricycle (T1–T2): triciclos adaptados que oferecem estabilidade, possibilitando que atletas com dificuldades de equilíbrio participem em igualdade de condições.

Brasileiras no automobilismo: uma trajetória mais que centenária

Brasileiras no automobilismo: uma trajetória mais que centenária

Conheça as mulheres que abriram caminho para jovens pilotos chegarem às principais categorias do automobilismo

Por: Mariana Martins

Reprodução: Instagram (@rafaelafarreira.18)

Rafaela Ferreira venceu corrida da Fórmula 4 em Interlagos

Rafaela Ferreira e Aurelia Nobels representam o Brasil na Fórmula 1 Academy, categoria de corridas exclusiva para mulheres. As brasileiras ocupam um espaço que ainda é dominado pela presença masculina, mas seguem fazendo história. Rafaela Ferreira é a primeira mulher a vencer uma prova da Fórmula 4 Brasil, pelo time TMG, mesma equipe que contratou Aurelia Nobels quando não havia nenhuma garota na categoria. Ferreira subiu ao pódio mais uma vez durante o Grande Prêmio do Brasil, que ocorreu entre os dias 7 e 9 de novembro em São Paulo. Nobels é integrante da Academia de Pilotos da Ferrari desde 2022, conquistando a vaga ao vencer a seletiva do FIA Girls on Track – Rising Stars.

Muito antes de ser possível ver mulheres no automobilismo, as brasileiras obtinham conquistas individuais desde março de 1906, quando Maria Andréa Patureau de Oliveira obteve a aprovação no exame da fiscalização de veículos inédita para mulheres, o que a concedia a habilitação para dirigir. A garota vinha de uma família com boas condições financeiras e fugia do padrão esperado de uma mulher naquela época. Um ano antes da permissão definitiva, Andréa Patureau  já trafegava pelas ruas de São Paulo e chegou a inscrever seu carro para um páreo no Jockey Club Paulistano com apenas 16 anos.

Reprodução: Facebook (@polipartsacessorios)

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Venina Piquet foi a primeira brasileira a vencer uma corrida

Cerca de trinta anos depois, Venina Piquet foi a primeira mulher a ganhar uma corrida no Brasil. Em 1926, Piquet – que não tem parentesco com o tricampeão mundial Nelson Piquet –  tirou sua habilitação e em 1934 estreava nas pistas. A prova foi promovida pela Associação Sportiva Automobilística Brasileira (ASAB), e com o incentivo do marido, a piloto inscreveu seu Ford Tudor, que lhe garantiu uma das suas três vitórias em seis corridas que disputou até ser afastada pelo seu marido por “ordens médicas”. 

Em 1989, Suzane Carvalho começava sua carreira como piloto de kart, se tornando campeã brasileira na categoria no mesmo ano. Entre trabalhos como atriz e produtora teatral, Carvalho chegou à Fórmula 3 Sul-Americana e em 1992 participou do seu primeiro campeonato na Categoria B da Fórmula 2, somando títulos nacionais e continentais. O ápice da sua carreira foi em 1999, quando participou de cinco etapas do Campeonato Pan-Americano da Fórmula Indy Lights, com corridas nos Estados Unidos e no México. Apesar de receber convites das equipes Larousse e Minardi para correr na Fórmula 1, Carvalho não teve condições financeiras para assumir o assento. 

Reprodução: Instagram (@biaracing)

Bia Figueiredo subiu ao pódio pela Copa Truck

Uma das grandes referências brasileiras no automobilismo contemporâneo é a Ana Beatriz Figueiredo. Bia Figueiredo foi representante do Brasil na Fórmula Indy, disputou seis temporadas da Stock Car, é a primeira mulher do mundo a vencer na Firestone Indy Lights e na Fórmula Renault, além de conquistar uma pole position inédita na Fórmula 3 e um lugar para as 500 Milhas de Indianápolis. Atualmente ela disputa a Copa Truck, categoria que lhe rendeu mais um título na temporada de 2024. Diante do sucesso, Figueiredo se tornou presidente da Comissão feminina de automobilismo e representante da FIA (Federação Internacional de Automobilismo). A piloto é inspiração para a jovem Rafaela Ferreira, que também quer se tornar uma referência para a futura geração.

Torcedores símbolos da seleção

Torcedores símbolos da seleção

De Pacheco ao Movimento Verde Amarelo, alguns aficionados ficaram associados ao Brasil nas Copas do Mundo

Por: Eduardo Campos

Daqui a cerca de sete meses, ocorrerá o início de mais uma Copa do Mundo. Muito se fala sobre as incríveis seleções e os grandes jogadores que entrarão em campo, mas também é importante ressaltar a força dos torcedores que vão aos jogos apoiar seus compatriotas. Ao longo dos Mundiais, o Brasil teve vários personagens que viraram símbolos da torcida canarinho. Desde mascotes até grupos organizados, a seleção brasileira sempre esteve muito bem representada nas arquibancadas.

O início dessas movimentações aconteceu na Copa do Mundo de 1982, na Espanha. Durante as partidas, uma figura excêntrica chamava a atenção de todos os brasileiros: o Pacheco. Tratava-se de um personagem de quadrinho e posteriormente uma fantasia com medidas desproporcionais que era um apoiador fanático da seleção. Natan Pacanowski, a pessoa por trás da fantasia, foi escolhido para encarnar o personagem em uma campanha publicitária da Gillette e viajou ao evento, causando confusão por onde passava. 

Já na Copa de 1986, no México, quem chamou a atenção foi “Arakem, o showman”, ou José Antônio de Barros Freire, a pessoa que interpretava o personagem. Antes do início de cada partida pela televisão, o ícone da torcida brasileira aparecia em alguma situação muito divertida e embaraçosa, levando as mulheres que o rodeavam ao delírio. Tentaram reviver o personagem vinte e quatro anos depois, na edição de 2010, mas sem o mesmo impacto do anterior.

A partir da Copa de 1990, surgiu a figura mais lendária entre os torcedores brasileiros. Apelidado de “Gaúcho da Copa”, Clóvis Acosta Fernandes, que tinha 59 anos em seu último torneio, levou seu visual característico por todo o mundo, sempre carregando a fiel companheira taça da Copa do Mundo. Imagem recorrente em diversas partidas da seleção, ele marcou presença até o torneio no Brasil em 2014, já que acabou falecendo em decorrência de um câncer no ano seguinte. Como forma de homenageá-lo, seus filhos Frank e Gustavo mantiveram seu legado e viajaram para as duas copas seguintes.

Reprodução: Arquivo Pessoal

Gaúcho, ao centro, e seus dois filhos na Copa do Mundo de 2010

Após o falecimento de Gaúcho, a figura de torcedor da seleção foi passada para um grupo de brasileiros extremamente fanáticos. Desde a Copa de 2018, o Movimento Verde Amarelo tem como objetivo fazer com que as pessoas torçam para o Brasil da mesma maneira que torcem para seus clubes. Inicialmente apenas no futebol, atualmente eles apoiam o país em diversas modalidades e eventos esportivos, com direito a músicas, bandeiras e faixas de apoio aos atletas.

Reprodução: Divulgação/Movimento Verde Amarelo

Movimento Verde Amarelo na Copa do Mundo de 2022

Para a Copa do Mundo de 2026, espera-se que a torcida brasileira seja tão animada quanto vem sendo nos últimos torneios. Com muita festa e diversão, a arquibancada tem grande impacto no desempenho em campo da seleção, pois a alegria dos apaixonados contagia a todos que fazem parte do ambiente futebolístico.

Violência nos estádios afasta mulheres e famílias do futebol

Violência nos estádios afasta mulheres e famílias do futebol

Fatores como assédio e violência transformam paixão nacional em espaço de medo

Por: Amanda Souza

Reprodução: Site – Pexels

Estádio Jornalista Mário Filho (Maracanã)

Um levantamento divulgado pelo portal Dibradoras mostrou que o Mineirão registrou 11 casos de importunação sexual entre novembro de 2021 e junho de 2022, período em que o público voltou a ocupar as arquibancadas após a pandemia. Em 2021, uma torcedora do Atlético-MG foi agarrada e beijada à força dentro do estádio. O caso repercutiu nas redes sociais e levou um grupo de atleticanas a protestar contra novos episódios de assédio.

Com isso, mulheres e famílias deixam de frequentar os estádios. O governo federal, por meio do Ministério do Esporte, lançou em 2024 a campanha “Cadeiras Vazias”, como forma de protestar contra os atos de violência. Em uma partida entre Bahia e São Paulo, na Arena Fonte Nova, o público presente assistiu a depoimentos de pessoas que perderam familiares em decorrência dessa violência. 

Já em Santa Catarina, a campanha “Nossa Torcida é pela Paz” foi lançada em parceria entre o Ministério Público e a Federação Catarinense de Futebol. A iniciativa, apoiada por clubes como Avaí e Figueirense, tem como objetivo combater a violência nos estádios e promover um ambiente seguro para os torcedores. O lançamento ocorreu durante o clássico entre Figueirense e Avaí, quando os jogadores entraram em campo exibindo faixas da campanha.

Em conversa com a AJ, Maria Clara Jardim, estudante da Uerj e torcedora do Flamengo, afirmou não se sentir segura para ir aos jogos sozinha e relatou que precisa ter o dobro de cuidado em comparação com outros eventos. Ela também explicou que sua família não se sente confortável com sua ida aos estádios, diante da violência constante nesses locais e do risco que isso pode apresentar para sua segurança. 

A violência não se restringe apenas ao estádio, atingindo também o trajeto. Perguntada se já havia vivenciado alguma situação que colocasse sua segurança em risco, Maria Clara relatou que sim. Ela contou que, ao voltar para casa após um jogo entre Flamengo e Fluminense, presenciou uma briga entre torcedores. Segundo a estudante, estava no trem com uma amiga quando perceberam uma confusão do lado de fora e ficaram com medo de que a briga tomasse proporções maiores e chegasse até elas. “Esse tipo de situação faz com que a gente repense se realmente vale a pena ir aos estádios para assistir aos jogos”, afirmou.

Copa do Mundo Sub-17: o sonho do pentacampeonato

Copa do Mundo Sub-17: o sonho do pentacampeonato

Seleção brasileira se classifica em primeiro lugar na primeira fase

Por: Murilo Soares

Reprodução: Instagram (@selecaodebase)

Patch da competição no uniforme brasileiro

A 20ª edição da Copa do Mundo Sub-17 teve seu pontapé inicial no dia 3/11, com o jogo entre África do Sul e Bolívia, válido pelo grupo A. E pela primeira vez, o torneio conta com 48 seleções. Sediado em Doha, no Catar, o Mundial ocorrerá entre os dias 3 e 27 de novembro, terá 104 jogos, todos eles ocorrendo no complexo esportivo Aspire Zone e será a primeira de cinco edições seguidas em território catari. 

 

Com a ausência da maior campeã do torneio, a Nigéria, que tem 5 títulos, o Brasil pode igualar os nigerianos e se tornar a segunda seleção pentacampeã do torneio. Campeã nas edições de 1997, 1999, 2003 e 2019, a Canarinho, comandada por Dudu Patetuci, conta com nomes como Ruan Pablo e Dell (atacantes do Bahia) e Kayke Ayrton (ponta direita do Athletico Paranaense). 

 

Em um grupo com Honduras, Indonésia e Zâmbia, os brasileiros venceram suas duas primeiras partidas na competição e empataram com os africanos por 1 x 1 na última rodada da fase de grupos. Com essa campanha, a Canarinho assegurou o 1º lugar na chave com 7 pontos devido ao melhor saldo de gols (11, 6 a mais que os zambianos), e garantiu sua classificação para o mata-mata do torneio.

Reprodução: Instagram (@selecaodebase)

Luis Eduardo, (à esq.), e Kayke Ayrton, comemorando um gol contra a Indonésia

Na busca para conquistar a sonhada quinta estrela, a seleção brasileira terá que superar fortes concorrentes na disputa, como a Itália, que tem como destaque o “craquinho” do Borussia Dortmund Samuele Inacio, artilheiro da Eurocopa sub-17 deste ano, Portugal, campeão do torneio europeu, tendo o melhor jogador do campeonato, Rafael Quintas, Inglaterra e Argentina. Além disso, é importante destacar o potencial da seleção do Marrocos, que cada vez mais vem investindo no futebol tanto profissional como de base, tendo se sagrado campeão da Copa do Mundo Sub-20; os Leões do Atlas podem novamente surpreender. 

 

Na sexta-feira, 14, às 12h45m, o Brasil enfrentará o Paraguai em duelo válido pelos 16-avos-de-final da competição: quem perder está eliminado. Para acompanhar o torneio, os espectadores podem acessar o canal de TV fechada SporTV, ou assistir gratuitamente no streaming FIFA+ e no youtube pela CazéTV. 

João Fonseca: o astro das raquetes

João Fonseca: o astro das raquetes

Brasileiro de 19 anos faz sucesso no tênis e já conquistou títulos contra os maiores do esporte

Por: Eduardo Campos

Há duas semanas, os brasileiros ligaram suas televisões para acompanhar uma final emocionante. No ATP 500 da Basileia, um dos torneios de tênis mais importantes do mundo, João Fonseca venceu o espanhol David Fokina e se sagrou campeão da competição. Para muitos que não conheciam o tenista, o título serviu como um cartão de visitas para mostrar o potencial que esse jovem possui e que surpreende nomes importantes da modalidade.

João nasceu no bairro de Ipanema, na cidade do Rio de Janeiro. Incentivado pelos pais Roberta e Christiano Fonseca, começou a jogar tênis aos 4 anos no Rio de Janeiro Country Club, que ficava ao lado de sua casa. Após alguns anos, entrou para a Yes Tennis, escolinha que dá aula para crianças e jovens tenistas. Aos 12, chamou a atenção de Guilherme Teixeira, seu atual treinador e que o preparou para disputar diversos torneios juvenis. Ele ganhou alguns títulos importantes, como o US Open Juvenil, o Next Gen ATP Finals e a Copa Davis Juvenil pelo Brasil, alcançando a primeira posição do ranking de juniores aos 17 anos, sendo o primeiro brasileiro a obter tal feito. Com o incrível currículo, resolveu subir para os profissionais.

Reprodução: Instagram (@joaoffonseca)

João Fonseca, após o título do Next Gen ATP Finals, posa com seus pais, grandes incentivadores de sua carreira

No profissional, mesmo com apenas 19 anos, Fonseca vem fazendo história no circuito. Além dos títulos no juvenil, ele já possui conquistas no profissional, como os Challengers de Lexington, Camberra e Phoenix, o ATP 250 de Buenos Aires, em que o brasileiro ganhou de quatro argentinos, inclusive na final, para ser campeão, e o já citado ATP 500 da Basileia, seu título mais recente. Para além dos títulos, seu estilo de jogo ofensivo é considerado impactante, com jogadas de velocidade e força em seus golpes com o braço direito. Sua garra e vontade de vencer mesmo com tão pouca idade também são destacadas, fatores que combinados já fizeram João vencer nomes relevantes da modalidade, como o próprio espanhol David Fokina, o russo top-10 do mundo Andrey Rublev e o ex-top 4 mundial o japonês Kei Nishikori.

Com esse grande currículo, o brasileiro chamou a atenção do Big Three, grupo seleto que reúne os três maiores tenistas da história: Novak Djokovic, Rafael Nadal e Roger Federer. Djokovic afirmou que não via um talento brasileiro desde Guga, declarando ser fã de seu jogo e ter como objetivo treinar o jovem no futuro. Já Nadal destacou que acompanha a carreira de Fonseca e elogiou tanto sua performance em quadra quanto seu comportamento fora dela. Enquanto isso, Federer, maior referência na carreira de Fonseca, se encontrou com o jovem na Laver Cup e projetou o torneio sendo realizado na América do Sul com o brasileiro sendo um dos destaques.

Reprodução: Instagram (@joaoffonseca)

João Fonseca e Roger Federer: futuro e passado do tênis lado a lado na Laver Cup

Com o sucesso obtido por João Fonseca, as comparações com Guga são inevitáveis. O ex-top 1 do mundo é considerado o maior nome da história do esporte no Brasil, e com as conquistas do carioca surge a expectativa que ele possa ser tão grande ou até maior do que seu compatriota. Os dois já trocaram elogios diversas vezes. O jovem comentou sobre a importância de representar o Brasil tão bem quanto Guga, enquanto o veterano afirmou que o início da carreira de Fonseca é comparável com a dos melhores da história do esporte. Embora exista uma grande euforia com o desempenho de João, uma questão permanece em aberto: é benéfico ser comparado a Guga ou o peso que tal comparação carrega pode ser um problema para ele durante sua carreira?

Reprodução: Instagram

As comparações inevitáveis entre João Fonseca, à direita, e Guga, à esquerda, podem fazer mal ao jovem?

Para além de seu sucesso individual, o crescimento de Fonseca possui importância crucial para a modalidade no país, pois incentiva outras crianças e jovens a praticarem o esporte. Dessa forma, o tênis brasileiro é potencializado e permite revelar novos talentos. Nomes como Naná Silva e Victoria Barros no feminino, e Rafael Padilha e Guto Miguel no masculino, são de uma geração posterior à de João, provando que mais promessas do tênis brasileiro estão surgindo e que podem se tornar figuras de destaque na modalidade.

A análise sobre João Fonseca deve ser muito maior do que falar apenas sobre seu desempenho. Ele representa a união do povo brasileiro de se reunir com a família para assistir às suas partidas, permitindo que todos vivam momentos inesquecíveis. Considerado um fenômeno dentro e fora das quadras, ele prova que para ser um grande atleta é preciso, além de muito talento, ter foco e determinação.

Promessas ou presente? Estrelas do futebol feminino traçam carreiras profissionais distintas

Promessas ou presente? Estrelas do futebol feminino traçam carreiras profissionais distintas

Enquanto Giovanna Waksman ainda não atua profissionalmente, Claudia Martínez já disputou uma Copa América pela seleção principal paraguaia

Por: Mariana Martins

Reprodução: Instagram (@giovannawaksman / @claudinha_11_ )

Giovanna Waksman e Claudia Martínez

As atletas Giovanna Waksman e Claudia Martínez integram sua respectivas seleções na Copa do Mundo Feminina Sub-17. Fora das categorias de base, a brasileira e a paraguaia traçam caminhos diferentes na carreira. Waksman atua pelo FC Florida e pela The Pine School, escola que frequenta nos Estados Unidos, e Martínez tem contrato profissional com o Club Olimpia no Paraguai, além de somar atuações pela seleção principal albirroja. Assim, enquanto a uma representa o futuro da equipe brasileira, outra já tem grande destaque, e é vista como uma jogadora essencial para levar seu país à Copa do Mundo de 2027. 

 

Giovanna Waksman, atacante de 16 anos, começou sua trajetória na base do Sogima FC, em Jacarepaguá. Em 2020, com 11 anos, ela chegou ao Botafogo para treinar com o time feminino sub-18, mas logo integrou as equipes masculinas do sub-12 e sub-13 para disputar campeonatos de acordo com sua idade. Waksman se destacou com a camisa 10 e a titularidade, atraindo a atenção de John Textor, dono da SAF do Botafogo.   

Em 2022, Textor fez um acordo com a atleta para que ela pudesse desenvolver sua carreira nos Estados Unidos. Waksman se transferiu para o FC Florida, clube de base administrado pelo empresário, e também integra o time da sua escola. Em 2025 ela recebeu o prêmio de “Melhor jogadora do país” pela The Pine School, além de ter marcado 87 gols na temporada. 

 

Pela seleção brasileira, Giovanna Waksman disputou o Sul-Americano sub-17 e integrou o time que chegou à semifinal da Copa do Mundo sub-17. Na fase de grupos do Mundial, ela marcou seis gols e deu cinco assistências em cinco jogos. O técnico da seleção principal Arthur Elias mantém Waksman no radar, e a convidou para treinar com o time antes da disputa da Copa América Feminina em julho de 2025. 

Foto: Reprodução Instagram (@giovannawaksman) 

Giovanna Waksman comemorando gol na Copa do Mundo sub-17

A carreira de Claudia Martínez, de 17 anos, segue por um caminho bem diferente. Natural de Capitán Bado, cidade que faz fronteira com o Brasil, ela começou no futebol há apenas três anos, em 2022, quando trocou o handebol pelo campo. Apesar do começo tardio, Martínez rapidamente se destacou e teve oportunidade de jogar no Sportivo Amelaino, na Primeira Divisão. Em 2024 foi contratada pelo Club Olimpia, para três temporadas na equipe principal. Desde então é um destaque no clube, nas categorias de base e na seleção principal, o que a levou a ser indicada ao prêmio Kopa, destinado à melhor jogadora sub-21. 

 

No Sul-Americano sub-17, Martínez marcou 10 gols em nove jogos, garantindo o topo da artilharia e um título inédito para o Paraguai, além de ajudar a classificar a seleção para o Mundial sub-17. Ela também ficou no topo das marcadoras na Copa América, empatando com a brasileira Amanda Gutierrez com seis gols em quatro partidas. Na Copa do Mundo sub-17, Martínez foi eleita “Melhor Jogadora da Partida” em dois jogos, com direito a um hat trick (três gols em um jogo) contra a Nova Zelândia. 

Foto: Reprodução Instagram (@claudinha_11_)

Claudia Martínez na cerimônia da Bola de Ouro, em Paris

Mesmo com carreiras tão diferentes, as jogadoras mostram que não há um único caminho para o sucesso e se destacaram na Copa do Mundo sub-17. Giovanna Waksman é uma promessa que a comissão técnica brasileira trata com cautela para que, quando estiver pronta, possa vestir a camisa verde e amarela com confiança e experiência. Por outro lado, Claudia Martínez é a principal atacante da seleção paraguaia, mesmo com apenas três anos de futebol. Ela representa o que a La Albirroja pode conquistar no futuro, mas também o que conquista hoje, seja nas seleções de base, seja na principal.