Bets no futebol: e os supersalários?
Com a proibição das bets, o dinheiro das casas de apostas que ajudava a cobrir altos salários nos clubes pode sair da equação
Por: Felipe Borges
Reprodução: Instagram (@botafogo)
Os clubes do futebol brasileiro tiveram os contratos com as casas de apostas suspendidos ou rompidos após a Medida Provisória 1.394 em 25 de setembro deste ano. A medida proíbe apostas de quota fixa e a sua divulgação em território nacional, fazendo com que as equipes recorram a diferentes formas de cobrir o prejuízo, que pode desaguar nos salários elevados dos jogadores.
Em 2025, segundo a Sports Value, a receita anual do Corinthians foi de R$ 971,1 milhões, sendo R$ 150 milhões vindo da casa de apostas Esportes da Sorte, cerca de 15% da renda total do ano passado. A empresa, entre 2024 e 2026, foi peça fundamental no contrato do astro Memphis Depay, cobrindo R$ 57 milhões de um total de R$ 70 milhões, cerca de 80% (cálculos a partir dos valores do Lance!). Com a renovação do neerlandês no meio deste ano, segundo a Exame, o novo contrato prevê R$ 54 milhões líquidos em salários e direitos de imagem nos próximos dois anos.
Ainda, segundo a Sports Value, o São Paulo recebeu R$ 113 milhões das bets em 2025, cerca de 10% da receita de R$ 1,085 bilhão. Um dos casos mais claros é o do meia Oscar, que tinha salário previsto de R$ 24 milhões por ano, dos quais cerca de 52% a 58% (até R$ 13,9 milhões) eram bancados pela Superbet. O jogador acabou ficando parado no fim de 2025 por problemas de saúde e rescindiu seu contrato em 2026.
Com base no balanço dos 20 clubes que disputaram a primeira divisão do Campeonato Brasileiro de 2025, o faturamento total ficou em R$ 14,9 bilhões, sendo R$ 1,14 bilhão vindo diretamente das casas de apostas, cerca de 8%. Nesse cenário, para não saírem no prejuízo, os clubes já começaram a se movimentar para substituir os patrocínios.
O Corinthians para o jogo diante do Internacional fechou com a Jota AI (agente de inteligência artificial voltado para gestão financeira), recebendo R$ 1 milhão pela partida, enquanto o São Paulo fechou com a Superscore (app de estatísticas esportivas). A curiosidade sobre o novo patrocínio do tricolor paulista é que pertence ao mesmo grupo da Superbet, e os valores do contrato foram mantidos, segundo a Gazeta Esportiva.
Com a Medida Provisória possuindo prazo máximo até 22 de janeiro de 2027 e ainda em análise, alguns clubes vendem seu espaço de patrocínio jogo a jogo, além do caso do Memphis já demonstrar que o reajuste salarial começou antes da medida. Se a proibição for mantida, a pergunta deixa de ser se os supersalários vão cair, e passa a ser quem vai bancá-los.