Bets no futebol: e os supersalários?

Bets no futebol: e os supersalários?

Com a proibição das bets, o dinheiro das casas de apostas que ajudava a cobrir altos salários nos clubes pode sair da equação

Por: Felipe Borges

Reprodução: Instagram (@botafogo)

Post de clubes brasileiros sobre o fim das bets

Os clubes do futebol brasileiro tiveram os contratos com as casas de apostas suspendidos ou rompidos após a Medida Provisória 1.394 em 25 de setembro deste ano. A medida proíbe apostas de quota fixa e a sua divulgação em território nacional, fazendo com que as equipes recorram a diferentes formas de cobrir o prejuízo, que pode desaguar nos salários elevados dos jogadores. 

Em 2025, segundo a Sports Value, a receita anual do Corinthians foi de R$ 971,1 milhões, sendo R$ 150 milhões vindo da casa de apostas Esportes da Sorte, cerca de 15% da renda total do ano passado. A empresa, entre 2024 e 2026, foi peça fundamental no contrato do astro Memphis Depay, cobrindo R$ 57 milhões de um total de R$ 70 milhões, cerca de 80% (cálculos a partir dos valores do Lance!). Com a renovação do neerlandês no meio deste ano, segundo a Exame, o novo contrato prevê R$ 54 milhões líquidos em salários e direitos de imagem nos próximos dois anos. 

Ainda, segundo a Sports Value, o São Paulo recebeu R$ 113 milhões das bets em 2025, cerca de 10% da receita de R$ 1,085 bilhão. Um dos casos mais claros é o do meia Oscar, que tinha salário previsto de R$ 24 milhões por ano, dos quais cerca de 52% a 58% (até R$ 13,9 milhões) eram bancados pela Superbet. O jogador acabou ficando parado no fim de 2025 por problemas de saúde e rescindiu seu contrato em 2026.

Com base no balanço dos 20 clubes que disputaram a primeira divisão do Campeonato Brasileiro de 2025, o faturamento total ficou em R$ 14,9 bilhões, sendo R$ 1,14 bilhão vindo diretamente das casas de apostas, cerca de 8%. Nesse cenário, para não saírem no prejuízo, os clubes já começaram a se movimentar para substituir os patrocínios. 

O Corinthians para o jogo diante do Internacional fechou com a Jota AI (agente de inteligência artificial voltado para gestão financeira), recebendo R$ 1 milhão pela partida, enquanto o São Paulo fechou com a Superscore (app de estatísticas esportivas). A curiosidade sobre o novo patrocínio do tricolor paulista é que pertence ao mesmo grupo da Superbet, e os valores do contrato foram mantidos, segundo a Gazeta Esportiva. 

Com a Medida Provisória possuindo prazo máximo até 22 de janeiro de 2027 e ainda em análise, alguns clubes vendem seu espaço de patrocínio jogo a jogo, além do caso do Memphis já demonstrar que o reajuste salarial começou antes da medida. Se a proibição for mantida, a pergunta deixa de ser se os supersalários vão cair, e passa a ser quem vai bancá-los.

As apostas esportivas e a saúde mental dos jogadores

As apostas esportivas e a saúde mental dos jogadores

A relação com as bets pode ultrapassar as perdas financeiras, afetar o bem-estar emocional e dificultar a busca por ajuda

Por: Amanda Souza

Foto: Site/Unsplash

Desde a legalização, em 2018, o mercado de apostas passou por um processo de expansão no Brasil. Presentes em transmissões esportivas, redes sociais, patrocínios de clubes e campanhas publicitárias, as plataformas passaram a fazer parte do cotidiano de muitos torcedores. Mas, para além do entretenimento e da promessa de ganhos financeiros, a prática pode trazer consequências que afetam tanto o orçamento quanto a saúde mental dos jogadores.

Em 2025, as famílias brasileiras perderam cerca de R$ 62,5 bilhões com apostas esportivas on-line, segundo levantamento do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros, elaborado pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz). Diante dos impactos financeiros e sociais associados às bets, em 25 de setembro de 2026, o governo federal, por meio da Medida Provisória nº 1.394, proibiu, em todo o território nacional, a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa, incluindo as esportivas e os jogos on-line.

Embora as perdas financeiras sejam uma das consequências mais visíveis das apostas esportivas, os impactos podem ir além do orçamento. Quando apostar deixa de ser uma atividade ocasional e passa a ocupar um espaço excessivo na rotina, o comportamento pode prejudicar as relações familiares, a vida profissional e o bem-estar emocional.

Em alguns casos, a relação com as apostas pode evoluir para o transtorno do jogo, uma condição reconhecida pela Classificação Internacional de Doenças (CID-11), da Organização Mundial da Saúde (OMS), e associada a comportamentos aditivos. Entre os sinais de alerta estão a dificuldade de controlar a frequência ou o valor das apostas e a continuidade da prática mesmo diante de consequências negativas. Reconhecer esses sinais é importante para identificar quando o jogo deixa de ser apenas entretenimento e passa a causar prejuízos à vida do jogador.

Em conversa com a AJ, o psicólogo clínico Pedro Medeiros, mestrando em Psicologia Social na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), destacou que os problemas relacionados às apostas não devem ser compreendidos apenas como resultado de escolhas individuais. Fatores sociais e econômicos também precisam ser considerados na análise do comportamento dos jogadores.

Um dos fatores que contribuem para a naturalização das apostas é a presença das plataformas no ambiente esportivo. Com patrocínios a clubes de futebol e anúncios em transmissões e campanhas publicitárias, apostar passou a dividir espaço com o próprio ato de acompanhar as partidas. Para o especialista, essa associação contribui para tornar a prática parte do cotidiano. “Hoje, assistir ao futebol não está ligado apenas ao prazer de acompanhar o esporte, mas também à possibilidade de fazer uma aposta. Recentemente, teve uma Copa do Mundo de futebol que, na verdade, pareceu uma Copa do Mundo de bets. A todo momento, havia estímulos para que as pessoas apostassem.”

Nesse contexto, as medidas de restrição surgem como uma tentativa de conter os impactos associados à prática. No entanto, segundo Medeiros, apenas a proibição não é suficiente para enfrentar o problema. “É um fator importante, mas não vai ser suficiente. O problema já está instalado”, afirma. A permanência de plataformas ilegais é um dos obstáculos à eficácia dessas medidas, já que os jogadores podem recorrer a outros sites para continuar apostando.

Além das dificuldades para interromper o comportamento, a vergonha e a culpa também podem fazer parte da experiência de quem enfrenta problemas com as apostas. Segundo o psicólogo, esses sentimentos estão relacionados à percepção de que os próprios apostadores são responsáveis pela situação em que se encontram, o que pode dificultar o reconhecimento do problema e a busca por ajuda. “O primeiro passo é reconhecer: ‘Estou com problema com jogos’. E imediatamente conseguir falar com algum familiar, buscar apoio, suporte e não ficar sozinho”, orienta.

Pessoas que enfrentam problemas relacionados às apostas podem buscar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), tanto presencialmente, em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), quanto on-line, pelo aplicativo Meu SUS Digital.

Ponto fora das quadras

Ponto fora das quadras

Saúde mental dos tenistas fica em destaque após diversos casos de pausas na carreira.

Por: Eduardo Campos

João Fonseca, Bia Haddad Maia, Naomi Osaka, Amanda Anisimova, Dominic Thiem. Esses são alguns nomes de tenistas que pararam suas carreiras por questões de saúde mental. Gêneros distintos, nacionalidades diferentes, mas o mesmo problema cerca todos esses tenistas. Existe alguma coincidência por trás desses casos ou o tênis é um esporte que exige muito dos atletas?

É necessário fazer uma análise particular sobre cada caso citado. João, com 20 anos, parou neste ano pelo desgaste mental e para tratar uma lesão no abdômen. Bia, com 30, também deu uma pausa na carreira em 2026, citando questões emocionais e uma lesão no ombro esquerdo. Já Naomi continua jogando, mas em 2021 se afastou por estar sofrendo com depressão e crises de ansiedade aos 23 anos de idade. Anisimova, com apenas 22 anos em 2023, parou por um ano para lidar com esgotamento mental. Por fim, Thiem encerrou a carreira em 2024 com 32 anos acusando lesões crônicas no punho direito e falta de motivação no esporte.

Reprodução: Instagram (@joaoffonseca)

Foto postada por João Fonseca após anunciar a pausa na carreira.

O padrão é quase unânime: jogadores jovens que não aguentaram o ritmo do circuito e as pressões externas da última década. São muitas lesões e em diversas partes do corpo, mostrando que não há um padrão para o desgaste, apenas uma grande exaustão geral. Ademais, a saúde mental é ponto frequente nos relatos dos tenistas. A internet e as redes sociais potencializam essa pressão sofrida pelos atletas, que podem ficar impactados com críticas e misturar o lado pessoal de suas vidas com aspectos profissionais. 

Reprodução: Instagram (@djokernole)

Novak Djokovic, um dos maiores tenistas da história e que ainda está em atividade, tem alertado sobre os possíveis riscos pelos quais os atletas estão passando.

Diversos tenistas estão alertando sobre os riscos que a longa duração dos torneios podem causar. Sobre a questão mental, o espanhol Rafael Nadal e o alemão Alexander Zverev já relataram problemas relacionados à pressão e a crises emocionais que, mesmo ocorrendo no momento de seus auges, quase fizeram esses grandes jogadores pararem a carreira. Enquanto isso, a respeito do desgaste físico que também pode impactar mentalmente os atletas, o sérvio Novak Djokovic e o espanhol Carlos Alcaraz são os principais críticos na atualidade. Dois nomes consolidados no cenário, eles concentram suas reclamações no excesso de campeonatos e na longa duração das partidas, pedindo por mais dias de descanso e partidas com menor duração.

NFL no Brasil: soft power americano e vitrine nacional

NFL no Brasil: soft power americano e vitrine nacional

Por: Gustavo Freitas

Foto: Agência Brasil

Tyler Loop comemora o ponto da vitória do Baltimore Ravens no Maracanã

No último domingo (27/9), Dallas Cowboys e Baltimore Ravens se enfrentaram pela semana 3 da NFL (National Football League). O jogo, realizado no Maracanã, marcou a primeira partida do torneio em solo carioca, e a terceira em território brasileiro. A realização dessas partidas demonstra a tentativa da liga de aumentar sua difusão no exterior, captando novos consumidores e se infiltrando no cenário esportivo mundial. Ao mesmo tempo, a visibilidade internacional dessa competição permite que o Brasil projete uma imagem positiva para o resto do mundo, funcionando como vitrine nacional. 

A NFL é a principal liga de futebol americano dos Estados Unidos, modalidade em que a maioria das equipes leva o nome de uma localidade do país. Os elencos são compostos majoritariamente por estadunidenses, enquanto os estrangeiros correspondem a menos de 5% dos atletas que disputam o campeonato. 

Mesmo sendo um torneio exclusivo dos EUA e dominado por seus atletas, a liga possui muitos fãs ao redor do mundo. Tal cenário  deve-se em grande parte deve-se à larga exposição do esporte nas produções culturais americanas, que possuem relevante capacidade de influência e de moldura de comportamentos. Além disso, a transmissão das partidas em canais internacionais possibilitou que o esporte alcançasse grande público fora de seu local de origem.

Dessa forma, a realização de jogos em outros países foi ao encontro à demanda que já existia, mas também contribuiu para o fomento da liga no âmbito global. A cobertura midiática, a movimentação de turistas, e a mobilização da cidade para recebimento da partida captam a atenção da população, podendo resultar na geração de novos telespectadores. Tal cenário exemplifica a utilização de uma logística capaz de influenciar e persuadir outros países por meio da atração e da cultura, sem uso da coerção militar ou econômica. Essa ferramenta é denominada soft power, sendo amplamente utilizada pelos Estados Unidos nas suas relações internacionais. 

Nesse sentido, a primeira partida da NFL fora do território nacional ocorreu em 2005, na cidade do México. Essa data marcou o início da iniciativa de realizar duelos da temporada regular do torneio ( isto é, não considerando jogos de exibição ou de pré-temporada) ao redor do mundo. Até hoje, apenas 9 países sediaram esses jogos: Canadá, México, Inglaterra, Alemanha, Espanha, Irlanda, Austrália, França e Brasil. 

Em 2 de julho de 2024, quando a Neo Química Arena em São Paulo recebeu o duelo entre Green Bay Packers e Philadelphia Eagles, o evento marcou o primeiro jogo da NFL no Brasil, assim como na América do Sul. 

Um dos critérios para escolha do Brasil, foi o grande número de fãs da liga no país, que formam o segundo maior mercado da competição fora dos EUA. Além disso, o alto engajamento dos brasileiros fãs do esporte nas redes sociais também consistiu em um forte chamariz.

Após o sucesso financeiro e de público da primeira partida em território brasileiro, a NFL realizou no ano seguinte, outro duelo de sua competição na NeoQuimica Arena. O confronto entre Los Angeles Charges e Kansas City Chiefs sinalizou a intenção de realizar com frequência partidas no Brasil. Para 2026, houve mudança de estádio, com o Maracanã sendo o palco escolhido. A escolha do Rio de Janeiro simboliza a busca pela exploração de um cartão postal global, a rotação de mercados internos brasileiros e a capacidade de abranger um público maior, uma vez que a capacidade do Maracanã supera em cerca de 30 mil pessoas a da NeoQuimica Arena. 

A ocorrência desses eventos no nosso país gera a movimentação da economia regional, pela vinda de turistas e incentivo ao comércio local, que engloba restaurantes, bares, lojas, rede hoteleira e o comércio informal. A cobertura midiática internacional coloca o Brasil em destaque, noticiando a vinda dos jogadores, e cobrindo suas estadas no país e suas interações com a cultura local.

Isso permite que o Brasil construa e transmita uma visão positiva sobre o país, reafirmando a capacidade de receber eventos esportivos internacionais e mostrando boa infraestrutura para prática do esporte e para recebimento dos atletas e delegações.

Os custos do evento são divididos entre a organização da NFL e os governos municipal e estadual do Rio, além de contar com apoio de diversos patrocinadores e recursos da iniciativa privada, que corroboram para o turismo e a movimentação da economia nacional. 

A liga assinou um acordo que prevê a realização no Brasil de pelo menos 3 jogos da temporada regular nos próximos 5 anos, começando a partir de 2026. A data e local do próximo evento ainda não foram divulgadas. A tendência é de que a relação entre a NFL e o nosso país se intensifique nos próximos anos.

Ziyech e os gringos fora do eixo no Campeonato Brasileiro

Ziyech e os gringos fora do eixo no Campeonato Brasileiro

Atacante marroquino chega ao Botafogo em meio a um campeonato que aposta cada vez mais em jogadores de países fora do eixo tradicional do futebol

Por: Tiago Alves

 Reprodução: tnt_botafogo

Ziyech durante a sua apresentação no Botafogo

No dia 10 de setembro, o Botafogo anunciou a contratação do jogador marroquino Hakim Ziyech, que chegou ao clube vindo do Wydad Casablanca de Marrocos. A chegada de Ziyech ao clube alvinegro evidencia um processo de globalização do Campeonato Brasileiro que cada vez mais conta com atletas de diferentes nacionalidades, dentre elas croata, cabo-verdiana e até camaronesa.

Em um mercado historicamente acostumado a jogadores do Uruguai, da Argentina, do Chile e de outros países tradicionais do futebol sul-americano ou a atletas do futebol europeu em fim de contrato no Velho Continente, vem ganhando cada vez mais espaço no futebol brasileiro a presença de jogadores de países fora desses eixos tradicionais. 

Um dos casos que ajudam a exemplificar essa busca de clubes brasileiros por jogadores fora do eixo sul-americano tradicional é o volante Filip Krovinović. O jogador nascido em Zagreb, Croácia chegou ao Grêmio em 27 de julho de 2026 vindo do HNK Hajduk Split. A indicação do atleta veio do então técnico Luís Castro (demitido do comando da equipe gaúcha no dia 13 de setembro após derrota para o Vasco no dia anterior). O treinador já havia trabalhado com Krovinović na sua passagem pelo clube português Rio Ave na temporada 2016/17 e viu no atleta uma opção para resolver o problema de criação na equipe do Grêmio. Apesar de ser croata, Krovinović já é bem habituado à língua portuguesa. Antes de chegar ao Grêmio o jogador passou pelo Benfica, onde foi comandado pelo técnico Jorge Jesus, mas acabou deixando o clube após divergências com o treinador.  

Outro caso semelhante na equipe do Grêmio é de Jovane Cabral. Anunciado no clube gaúcho no dia 23 de julho, o atacante de 28 anos ganhou destaque com a seleção de Cabo Verde durante a Copa do Mundo de 2026. Chegou para o tricolor gaúcho vindo do Estrela da Amadora de Portugal para reforçar o setor ofensivo da equipe. Formado no Sporting, o jogador tem passagens por diversos clubes tradicionais da Europa como Lazio, Salernitana e Olympiacos da Grécia. 

Outro caso que vale destaque é de Duplexe Tchamba, do Remo nascido em Yaoundé, Camarões, o zagueiro de 28 anos chegou ao clube no dia 3 de março de 2026, vindo do Casa Pia de Portugal. A chegada do jogador foi um pedido do então técnico da equipe Juan Carlos Osorio que buscava um zagueiro canhoto para o setor defensivo do Remo. Recentemente Tchamba fez história na equipe paraense ao se tornar o primeiro jogador da história do clube a ser convocado para uma seleção principal: está na lista do técnico de Camarões, David Pagou, para a disputa das Eliminatórias da Copa das Nações Africanas, retornando à seleção camaronesa cinco anos após sua última convocação, em 2021. 

Segundo um levantamento feito pelo site GE, o Campeonato Brasileiro atualmente conta com 159 jogadores estrangeiros compondo os elencos dos clubes da Série A. O Vasco lidera o ranking junto com o Botafogo com doze estrangeiros em suas equipes, seguido de Athletico Paranaense com onze e Flamengo com dez. Diante disso e alegando preocupação com a formação dos brasileiros na base,  a CBF, no último dia 21 de setembro anunciou uma série de mudanças para a próxima temporada no futebol brasileiro, entre elas a redução progressiva do limite de estrangeiros por jogo a partir do ano que vem. Atualmente cada equipe pode contar com até nove jogadores de outras nacionalidades inscritos para uma partida, o que em 2027 será reduzido para oito, com esse limite sendo reduzido a cada ano até 2030, quando será fixado em apenas cinco. A contratação de Ziyech ocorre em um cenário que a partir da próxima temporada mudará no futebol brasileiro e a partir dessa mudança os clubes podem precisar se reorganizar no mercado de contratações para se adaptar às novas regras.

Brasileirão Feminino A1 2026: destaques e desenvolvimento

Brasileirão Feminino A1 2026: destaques e desenvolvimento

Um olhar para a temporada que está por encerrar 

Por: Mariana Martins

Reprodução: Instagram/@fmf_oficial

Troféu que estará no Morumbis neste sábado

Cerca de 30 mil torcedores vão acompanhar a partida entre São Paulo e Corinthians pela final do Brasileirão Feminino A1 2026, quebrando o recorde de público do campeonato nesta temporada. As Soberanas venceram a primeira partida pelo placar de 2 a 1 na Neo Química Arena e vão com a vantagem do empate para o jogo da volta em casa buscando o primeiro título. Com a decisão se aproximando, a décima terceira edição da competição no atual formato fica marcada pela maior competitividade e aumento do nível técnico das equipes. Mudanças na estrutura, briga pela artilharia e surpresas também entreteram a torcida.

No início deste ano, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) divulgou uma série de novidades que seriam introduzidas no campeonato, como a ampliação de clubes participantes de 16 para 18, que resultou em 33 partidas a mais em relação à temporada anterior. Além disso, as premiações que São Paulo e Corinthians vão receber superam os valores anteriores. A campeã recebe R$ 2 milhões, enquanto a vice ganha a metade desse valor. Todos os times receberam uma cota fixa de R$ 720 mil na primeira fase, com um acréscimo de R$ 20 mil a cada transmissão na televisão. 

Outro destaque desta temporada foi a participação do público. É esperado uma quebra do recorde de público no futebol feminino neste sábado para o clássico Majestoso em São Paulo. A atual marca é de 44.136 torcedores na final do Brasileirão de 2024 entre Corinthians e São Paulo na Neo Química Arena, quando As Brabas saíram vitoriosas. Quem assiste de casa também está se engajando com a modalidade. Para a jornalista da N Sports Giselly Corrêa, as transmissões acessíveis no YouTube e na TV aberta facilitam o acesso aos jogos. Nas das quartas de final, as transmissões da TV Globo alcançaram 29,5 milhões de brasileiros, segundo dados da CBF. A audiência do Brasileirão Feminino na TV Brasil é 85% maior que a média diária do canal.

Reprodução: Instagram/@saopaulofc_fem

Vitória Amaral no jogo de ida da final do Brasileirão Feminino

Em entrevista à AJ, Giselly comentou sobre a competitividade do campeonato: “O que vimos este ano no Brasileirão Feminino é mais equilíbrio entre as equipes, com jogos com menores médias de gols e de alto nível.” Foram cerca de 400 gols marcados, dos quais o Corinthians ficou responsável por 49 até o jogo de ida da final. A artilharia está com Marília Furriel, do Cruzeiro, que marcou 11 gols. Em seguida está Bia Zaneratto (Palmeiras) com 9 gols e Raquel (Bahia) com 8. Entre as finalistas, Jhonson e Gabi Zanotti (Corinthians) e Giovanna (São Paulo) possuem 7 gols cada. 

Giselly elegeu o Mixto como maior surpresa do campeonato. Quando o Fortaleza encerrou o projeto e desistiu de disputar o Brasileirão Feminino, o time mato-grossense herdou a vaga por terminar a Série A2 na sexta posição. Com isso, montou um time às pressas para estar na elite nacional e conquistou sua permanência na próxima temporada. “Visitei as instalações do Mixto em Cuiabá e mantenho contato com a gestão, é muito interessante o que tem feito o clube para o futebol feminino do Mato Grosso”, diz a jornalista. Outro time que surpreendeu foi o Bahia, que chegou pela primeira vez à semifinal do campeonato, eliminando o Palmeiras nas quartas de final com uma atuação brilhante da goleira Yanne. 

São Paulo e Corinthians se enfrentam às 16h30m deste sábado, 3 de outubro, no Morumbis para encerrar a temporada. A  partida terá transmissão da TV Globo e TV Brasil na TV aberta. N Sports, Ge TV, UOL e CBF TV transmitem no YouTube. SporTV é o detentor da TV fechada.

Preparação ao tablado: caminho da ginástica brasileira rumo ao Mundial de Roterdã

Preparação ao tablado: caminho da ginástica brasileira rumo ao Mundial de Roterdã

Entre renovação e experiência, como Brasil estrutura seus ginastas para  primeiro grande teste do ciclo rumo Los Angeles 2028. 

Por: Ana Beatriz Carvalhido 

A seleção brasileira de ginástica artística, masculina e feminina, vive uma das fases mais estratégicas do ciclo olímpico. As recentes apresentações nos circuitos pré-mundial, que englobam torneios fundamentais para o ganho de ritmo de competição e para o somatório de pontos essenciais rumo aos Jogos Olímpicos de 2028, em Los Angeles, mostraram um Brasil competitivo e dominante. Dois torneios serviram como os principais pilares dessa preparação final para o Campeonato Mundial de Roterdã, nos Países Baixos: os Jogos Sul-Americanos realizados em Rosário,  Argentina, e a Copa do Mundo de Ginástica Artística em Szombathely, Hungria. Em ambas as frentes, a delegação brasileira colecionou medalhas de ouro, prata e bronze, comprovando a consistência técnica das equipes nacionais.

Antes de qualquer resultado individual, é fundamental destacar como o fortalecimento da base brasileira tem sido o grande motor dessa evolução constante. Clubes tradicionais como o Flamengo, no Rio de Janeiro, além de polos formadores em São Paulo e em Curitiba, atuam como verdadeiros celeiros de talentos, garantindo a transição contínua de atletas das categorias de base para a equipe principal. Esse projeto de formação  permite que os ginastas cheguem ao cenário internacional maduros, vitoriosos e em constante aperfeiçoamento, sustentando o nível de excelência da seleção ao longo dos anos.

Realizados em meados de setembro de 2026, em Rosário, os Jogos Sul-Americanos funcionaram como um palco crucial para integrar nomes consagrados a uma nova geração da ginástica nacional. Se por um lado a modalidade conta no histórico e na formação com ícones como Diego Hypolito, por outro, atletas menos projetados nos grandes holofotes do público geral ganham espaço vital nessas competições regionais. O torneio serviu justamente para dar bagagem a nomes que compõem a lista de convocados e reservas do Brasil para Roterdã, como Gabriela Bouças que conquistou o ouro na trave, Júlia Coutinho com a prata no solo e Diogo Soares com a dupla prata nas paralelas e barra fixa. O intercâmbio com referências mais experientes, a exemplo de Jade Barbosa, na rotina do dia a dia da equipe, reforça o equilíbrio entre vivência internacional e frescor das novas promessas.

@Melogym/CBG

Rebecca Andrade feliz após ganhar ouro em Pan

Na sequência, a etapa da Copa do Mundo em Szombathely reafirmou o protagonismo do país nas grandes arenas globais. O grande destaque foi a volta de Rebeca Andrade às competições por aparelhos pela seleção principal, coroada com uma medalha de prata na trave de equilíbrio,  em uma dobradinha emocionante de ouro e prata ao lado de Flávia Saraiva. Além do retorno da campeã olímpica na competição, o Brasil brilhou com o ouro de Flávia nas paralelas e o topo do pódio de Arthur Nory na barra fixa, ao lado da medalha conquistada por Lorrane Oliveira no solo. A performance no torneio húngaro demonstrou que a preparação física e mental dos atletas selecionados está no ápice para encarar o Mundial e pavimentar o caminho rumo a Los Angeles 2028.

Essa evolução técnica e tática da ginástica artística brasileira é reflexo de um projeto esportivo consistente. Construído desde a base, esse processo de reestruturação permitiu que o país formasse equipes altamente competitivas, capazes de conquistar pódios e alcançar marcas históricas em competições que, há alguns anos, pareciam inalcançáveis. Em constante ascensão, a seleção brasileira consolida um modelo de gestão e preparação eficiente para desempenhar um papel de grande destaque tanto no Mundial de Roterdã quanto no ciclo rumo a Los Angeles 2028. 

Mais provas, corredores e negócios: expansão da corrida de rua

Mais provas, corredores e negócios: expansão da corrida de rua

Número de provas cresce 85% em um ano, enquanto prática esportiva amplia seu público, movimenta serviços e ocupa espaços da cidade

Por: Lívia Martinho

O número de corridas de rua oficiais realizadas no Brasil aumentou 85% em apenas um ano. Foram 2.827 provas em 2024 e 5.241 em 2025, segundo levantamento da Associação Brasileira de Organizadores de Corridas de Rua e Esportes Outdoor (Abraceo). A expansão acompanha o crescimento do número de praticantes e de um mercado que envolve grupos de corrida, assessorias esportivas, marcas, tecnologia e entretenimento.

A Abraceo estima que o Brasil tenha cerca de 15 milhões de praticantes. Dados da Ticket Sports apresentados pela associação indicam que as mulheres representaram 52,4% das inscrições analisadas em 2025. Em entrevista à AJ, Luciana Silva, diretora de Projetos da Abraceo, afirma que o público está mudando, com a entrada de corredores mais jovens, e que a corrida deixou de estar associada apenas à performance para envolver saúde, bem-estar e pertencimento. A relação entre corrida e esses fatores já apareceu em estudos anteriores: pesquisa publicada na revista Conexões, da Unicamp, relacionou o crescimento da modalidade a aspectos como saúde, integração social, lazer e competição, além do aumento de provas e patrocínios.

A mudança aparece também na forma de praticar, que passou a ocupar diferentes momentos da rotina, seja como atividade física, deslocamento, treinamento ou espaço de convivência. Carlos Roberto Geremias, estudante de Jornalismo na Uerj e morador do Grajaú, conta que a corrida sempre esteve presente em sua rotina. Em entrevista à AJ, ele explica que não houve um momento específico em que decidiu levar a prática a sério: o interesse se desenvolveu aos poucos, com pesquisa sobre treinamento e uso de aplicativos para monitorar os treinos. Hoje, quando a planilha indica uma determinada distância, adapta o caminho até a faculdade para completar o treino, transformando um trajeto cotidiano em parte da rotina esportiva.

Crédito: Miguel A. Amutio/Unsplash

A tecnologia acompanha esse processo. Carlos utiliza um aplicativo que oferece Assessoria esportiva, acompanhamento profissional e convivência passaram a fazer parte da experiência de muitos corredores, especialmente com a formação de grupos que combinam treinamento e socialização. Luciana explica que muitos começam individualmente, mas encontram nesses grupos uma forma de criar vínculos e permanecer na prática. Carlos acompanha nas redes o trabalho de assessorias e de profissionais ligados à corrida, incluindo iniciativas que oferecem, além do treinamento, serviços como massoterapia e acompanhamento psicológico.

As próprias provas ampliaram a experiência oferecida aos participantes. Além da corrida, os eventos podem incluir retirada de kits, expos (é um evento comercial e de convivência realizado nos dias anteriores a uma prova de rua), música, gastronomia, fotografia, produção de conteúdo e experiências de marcas. Para a Abraceo, essa relação começa antes da prova, passa pelo evento e continua depois, transformando as corridas em experiências. A Corrida Time Brasil 2026, no Rio, é um exemplo: a inscrição custou R$ 150, a prova reuniu 4 mil participantes e, depois das corridas, o atleta olímpico de snowboard Pat Burgener fez um show, além de exposições de patrocinadores.

Essa estrutura também se reflete nos gastos de quem corre. Em provas os preços variam conforme o evento, o lote e o kit. A isso somam-se tênis, roupas, relógios, aplicativos e assessorias. Carlos conta que seu investimento cresceu conforme evoluiu nos treinos, mas afirma que procura gastar apenas o necessário, mesmo quando as despesas pesam no orçamento. 

pontos de acordo com a atividade física, posteriormente convertidos em benefícios de consumo. Para ele, a aproximação entre corrida, tecnologia, consumo e marketing é cada vez maior, mas precisa ser acompanhada de cuidado para que recompensas não estimulem aumentos excessivos na carga de treinamento.

O aumento do calendário traz desafios para os próprios corredores. Carlos observa que a quantidade de provas pode levar alguns participantes a se inscreverem em competições consecutivas e tentarem correr todas no ritmo máximo. Ao mesmo tempo, considera positiva a popularização da modalidade, desde que a prática seja acompanhada de cuidado com o corpo e a mente.

Dia da Memória: história por trás do feriado do Azerbaijão que transfere F1 ao sábado

Dia da Memória: história por trás do feriado do Azerbaijão que transfere F1 ao sábado

Homenagens do dia 27 de setembro fazem GP do Azerbaijão ser disputado excepcionalmente no sábado

Por: Johann Marcelo

 Reprodução: Pexels/Munis Asadov

Militar azerbaijano com medalhas de honra em seu uniforme

O Campeonato Mundial de Fórmula 1 de 2026 chega à sua 15ª etapa neste fim de semana com o Grande Prêmio do Azerbaijão, no circuito urbano de Baku. A corrida deste ano conta com um fator excepcional em sua realização. A pedido dos organizadores do evento, a prova será disputada no sábado a fim de evitar conflitos com as homenagens do feriado do Dia da Memória, que este ano ocorre no domingo. 

O Dia da Memória é uma data estabelecida pelo governo azerbaijano que homenageia os militares mortos na Segunda Guerra de Nagorno-Karabakh – Alto Carabaque em tradução para o português –, conflito entre o Azerbaijão e a autoproclamada República de Artsaque , apoiada pela Armênia, em 2020. A escalada de tensão marcou uma nova fase nas disputas territoriais entre azerbaijanos e armênios, que haviam chegado ao ápice da hostilidade na Primeira Guerra de Nagorno-Karabakh, entre 1988 e 1994, que culminou na independência da República de Artsaque – também chamada de República de Nagorno-Karabakh –, reconhecida internacionalmente como parte do Azerbaijão, apesar de a maioria de sua população ser armênia. 

As origens da tensão entre os dois países remetem ao fim da I Guerra Mundial. Com o colapso do Império Russo em 1917, surgiu no Cáucaso, região da Europa Oriental e da Ásia Ocidental entre o Mar Negro e o Mar Cáspio, a Federação Transcaucasiana, que se dissolveu após apenas três meses de existência com as declarações de independência da Geórgia, da Armênia e do Azerbaijão. Pouco tempo depois, começaram os desentendimentos entre armênios e azerbaijanos quanto à delimitação de fronteiras. As regiões do Naquichevão – exclave pertencente ao Azerbaijão –, de Zanguezur – atual Siunique, província armênia – e de Nagorno-Karabakh foram disputadas no conflito conhecido como Guerra Armeno-Azeri, que chegou ao fim com a invasão do Exército Vermelho em 1920 que estabeleceu o controle soviético sobre os vizinhos. 

Em 1923, o líder da União Soviética Josef Stalin determinou que Nagorno-Karabakh seria controlado pela República Soviética do Azerbaijão. A estratégia de Stalin consistia na fragmentação de identidades regionais para evitar a união de grandes grupos contra a autoridade de Moscou. Assim, ao colocar a maioria étnica armênia sob domínio azerbaijano, Stalin estimulou a tensão interna para exercer seu domínio de forma soberana. Como consequência, o fim da União Soviética foi marcado por intensas disputas territoriais e conflitos de natureza étnica. Em 1988, alguns anos antes do fim do regime soviético, autoridades do Azerbaijão e separatistas armênios, apoiados pela República Soviética da Armênia, iniciaram o confronto pelo domínio de Nagorno-Karabakh.

A Primeira Guerra de Nagorno-Karabakh vitimou cerca de 20 mil a 30 mil pessoas. O conflito terminou com um cessar-fogo mediado pela Rússia em 1994 e gerou mudanças territoriais. Apesar do apoio explícito da Turquia, uma das principais potências da região – fato que se repetiria na segunda guerra –, o Azerbaijão saiu derrotado. Os armênios tomaram o controle do enclave e passaram a administrar a região, que se tornou autônoma e passou a se chamar República de Artsaque, embora ainda fizesse parte do território do Azerbaijão. Outra conquista dos separatistas foi a tomada de sete distritos adjacentes fora do enclave que ligavam a região cercada de Nagorno-Karabakh ao território da Armênia, formando, assim, um cinturão de segurança. A área adquirida pelas forças armênias era equivalente a cerca de 9% do território do Azerbaijão. 

Apesar do cessar-fogo, a situação na região nunca esteve totalmente controlada. Ameaças e episódios de violência marcaram a relação entre os dois países nas últimas décadas, até que em 27 de setembro de 2020, um novo conflito armado se iniciou. A Segunda Guerra de Nagorno-Karabakh foi motivada pelo desejo do governo do Azerbaijão de recuperar os territórios tomados pelos armênios na primeira guerra. Os combates duraram pouco mais de um mês, e no dia 9 de novembro, o presidente russo Vladimir Putin liderou a assinatura de um cessar-fogo. Em uma ofensiva relâmpago, o Azerbaijão retomou o controle sobre cerca de um terço do enclave e sobre os demais distritos que estavam sob posse dos armênios. Em 2 de dezembro do mesmo ano, o governo do Azerbaijão criou o feriado do Dia da Memória para homenagear os militares mortos no conflito, com o dia 27 de setembro sendo escolhido em referência à data da eclosão da nova guerra. 

Em setembro de 2023, o Azerbaijão iniciou uma nova operação militar e reassumiu o controle total do enclave. Com a derrota, o presidente da república autônoma de Artsaque, Samvel Shahramanyan, assinou um decreto que dissolveu as instituições estatais. Com isso, a República de Artsaque deixaria de existir a partir de 2024, e como consequência, houve um êxodo em massa da população armênia da região. Cerca de 100 mil civis – quase 100% da população –  fugiram em direção à Armênia temendo violência por parte das autoridades azerbaijanas. 

Em março de 2025, os dois países firmaram termos para um acordo de paz definitivo, mas ainda divergiam por conta de um trecho da Constituição da Armênia, adotada em 1995, que defendia a unificação do país contendo o território de Nagorno-Karabakh. Após meses de indefinição, Armênia e Azerbaijão assinaram um acordo de paz no dia 8 de agosto de 2025, dando fim ao conflito quase 40 anos depois. O tratado foi mediado pelo presidente dos Estados Unidos Donald Trump, que obteve para os americanos uma concessão de 99 anos dos direitos de exploração econômica do Corredor de Zanguezur, uma área estratégica no sul armênio que faz fronteira com o Irã. Pelo lado do Azerbaijão, o acordo previu o fim das restrições de ajuda norte-americana ao país, que estavam em vigor desde os anos 1990. Já para a Armênia, foi garantido que os azerbaijanos não avançarão contra seu território. 

Em meio aos desdobramentos da intensa geopolítica da região, a Fórmula 1 desembarca na capital azerbaijana para mais uma etapa da temporada. O GP em Baku ocorre no próximo sábado (26) e tem largada prevista para às 8h, horário de Brasília.



Legado olímpico: mesa de tênis de mesa dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 é doada para o GEO Isabel Salgado

Legado olímpico: mesa de tênis de mesa dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 é doada para o GEO Isabel Salgado

Por: Mariana Martins

Foto: Mariana Martins

Mesa de tênis de mesa utilizada em Londres 2012

O aumento da prática de tênis de mesa após o sucesso de Hugo Calderano não passou despercebido no Ginásio Educacional Olímpico (GEO) Isabel Salgado. O atleta que disputa os Jogos Olímpicos desde a edição de Londres em 2012 está estampado em um banner no ginásio como forma de inspirar jovens à prática esportiva. No começo do semestre, a chegada da mesa utilizada na edição em que Calderano começou sua trajetória olímpica empolgou os alunos, que podem ser o futuro da modalidade.

A Arena Carioca 3, que recebeu as modalidades de taekwondo,  esgrima e judô paralímpico nos Jogos Olímpicos Rio 2016, já estava prevista para ser transformada como parte do Plano de Legado. Inaugurada em 2024, o GEO Isabel Salgado oferece a cerca de 850 alunos do ensino fundamental a prática de atletismo, badminton, ciclismo, esgrima, tênis de mesa, wrestling, xadrez, vôlei e vôlei na areia. São 24 salas de aula, uma unidade de alimentação e nutrição, sala multiuso, laboratórios e instalações esportivas com duas quadras e locais destinados a cada esporte. 

A mesa foi uma doação de Carlos Arthur Nuzman, ex-presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e responsável pela oficialização do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de Verão de 2016. Ele soube do GEO Isabel Salgado por meio de conversas com o ator e humorista Hélio de La Peña, que, por sua vez, descobriu a escola ao consultar Sofia Calderano, irmã de Hugo Calderano, sobre qual poderia ser o destino da estrutura.  

Foto: Mariana Martins

Os homenageados Hélio de La Peña, Carlos Nuzman e Miguel Ângelo

A mesa olímpica já está sendo utilizada entre os atletas e, de acordo com Edivaldo Amaro, instrutor de tênis de mesa da escola, é a que eles mais gostam de usar para partidas e treinamentos. Para o educador físico, a influência de atletas como Calderano e Bruna Takahashi aumentou a procura pela modalidade e a doação colabora com o desenvolvimento esportivo de crianças ao tornar a prática acessível: “É muito gratificante, porque é desse público que vão sair atletas de alto rendimento.” 

Na última sexta-feira (18), Nuzman, La Peña e Miguel Ângelo da Luz, treinador da seleção feminina de basquete que venceu o Mundial de 1994 e professor de Educação Física, foram homenageados e receberam um certificado de presença e gratidão pela visita ao GEO Isabel Salgado. Foram exaltadas a colaboração deles para o legado olímpico no esporte e na educação. 

Dez anos após os Jogos Rio 2016, o legado olímpico segue vivo e revelando uma nova geração de atletas que podem, futuramente, trazer medalhas para o Brasil. O aproveitamento da estrutura entusiasma Nuzman, que torce para que o trabalho realizado no GEO Isabel Salgado consiga desenvolver o talento que tem em cada um. O ex-presidente, La Peña e da Luz articulam para transformação do passado em algo novo, que pode ganhar um significado ainda maior para o Rio de Janeiro.