Pesquisadores das principais universidades do Rio se unem para disputar o debate sobre segurança pública

Pesquisadores das principais universidades do Rio se unem para disputar o debate sobre segurança pública

Rede lançada em março reúne UFRJ, UFF, PUC-Rio, Fiocruz e UERJ e nasce em resposta à chacina da Operação Contenção, no Complexo do Alemão

Por: Murilo Santos

Corpos sendo levados ao IML após chacina do Complexo do Alemão, em outubro de 2025: matança originou o Fórum Segurança para Todos Foto:Tomaz Silva/Agência Brasil

 

Homicídios em alta e uma polícia que mata muito. Essas são apenas duas das características do quadro atual da segurança pública no Rio de Janeiro – e motivaram a criação de uma rede de pesquisa voltada para estudar o assunto no Rio. Criada em março deste ano, a Rede Universitária Segurança para Todos – Art. 5° reúne pesquisadores da UFRJ, UFF, PUC-Rio, Fiocruz e UERJ, esta última representada pelo Laboratório de Análise da Violência, o LAV-UERJ. Artigo 5º é uma referência ao artigo de mesmo número da Constituição brasileira referente aos direitos fundamentais, como a vida, a liberdade, a segurança e a propriedade. 

A rede pretende coletar e divulgar informações sobre as dinâmicas da violência no Rio, produzir análises críticas com base científica e fornecer insumos para a formulação de políticas de segurança compatíveis com a Constituição. O grupo aposta na transparência e no acesso à informação, comprometendo-se a produzir materiais acessíveis à população fluminense e a promover fóruns de debate com movimentos sociais e demais atores comprometidos com uma segurança pública democrática.

A iniciativa surgiu após a megaoperação ocorrida no Complexo do Alemão em outubro de 2025. O professor Ignacio Cano, pesquisador e coordenador do LAV-UERJ, conta que a rede tem como objetivo recuperar o espaço dos pesquisadores no debate sobre segurança pública para que se tenha, de fato, a ciência — e não o achismo que, na visão do professor, tomou conta do debate. “A ideia é que pesquisadores e cientistas estão se juntando para pensar como incidir na política pública e no debate sobre segurança no Rio, a partir da constatação de que a gente vem matando pessoas a rodo há décadas e nunca resolveu o problema. É preciso um enfoque diferente.”

Não por acaso, a violência policial é um dos principais eixos de estudo da rede, que nasceu justamente após a chacina no Complexo do Alemão, cometida por agentes do Estado em outubro de 2025. Dados do Ministério da Justiça publicados este ano apontam que o Rio de Janeiro é o terceiro estado com mais mortes causadas por policiais no país, atrás apenas da Bahia e de São Paulo. Para Cano, especialista no tema, o alto número resulta da disputa armada por território entre o aparato legal e as forças criminosas, fruto de como a política fluminense adotou o lema “bandido bom é bandido morto” como solução para combater o crime. Há razões históricas para isso, como a “premiação faroeste”, que recompensava policiais que matassem suspeitos, nos anos 1990. “A política do ‘bandido bom é bandido morto’ se tornou uma referência histórica no Rio. A polícia acha que segurança pública é troca de tiro; os políticos acham que mostrar a morte de pessoas é um capital político.”

O contexto fluminense é tão complexo que uma das polícias que mais mata no país é também a que mais perde agentes. Para Cano, a relação é clara, mas exige uma ressalva importante: os policiais são mortos nas folgas, não em serviço. “Há uma relação entre letalidade policial e vitimização policial, e os estados onde há maior letalidade costumam ser também aqueles onde os policiais morrem muito, como é o caso do Rio. Só que os policiais matam durante o serviço e morrem durante a folga, quando são reconhecidos como policiais e executados.”

Os homicídios no Rio de Janeiro foram na contramão da tendência nacional: em 2023, enquanto a média brasileira recuou 2,3%, o estado registrou alta de 13,6%, segundo o Atlas da Violência de 2025. Os especialistas, no entanto, atribuem parte desse aumento à redução da subnotificação, ou seja, casos que em 2022 não foram contabilizados passaram a ser registrados. Outro dado preocupante coloca o estado entre os que apresentam os maiores índices de mortes violentas por causa indeterminada, estatística que levanta dúvidas sobre a capacidade, ou a disposição, das forças de segurança de investigar e esclarecer esses óbitos.

Nesse sentido, reconstruir a confiança nas forças de segurança é um tema que a rede se propõe a debater e que é, na análise de Cano, o principal desafio do governo estadual. Segundo ele, a política de segurança não é concebida para resolver o problema, mas apenas para contê-lo nas áreas periféricas: “A reconstrução da confiança entre a polícia e a população das áreas periféricas é o maior desafio da segurança pública fluminense, e eu diria que brasileira. Uma coisa que a UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) se propôs a fazer, mas não conseguiu, e que a gente não consegue até hoje, porque a política de segurança é pensada não para diminuir a violência nas áreas periféricas, mas para contê-la lá e não deixar que ela se espalhe para o resto da cidade.”

Diante desse cenário, a Rede Universitária Segurança para Todos se coloca como uma tentativa de romper com décadas de política que, nas palavras do próprio Cano, nunca resolveu o problema. O desafio é transformar pesquisa em incidência real e fazer com que o debate acadêmico alcance quem formula e quem sofre as consequências da política de segurança no Rio.

 

Nise da Silveira, pioneira da psiquiatria, ganha exposição na Biblioteca Nacional

Nise da Silveira, pioneira da psiquiatria, ganha exposição na Biblioteca Nacional

A sambista dona Ivone Lara e Alice Marques dos Santos são outras mulheres que contribuíram para humanização das práticas de saúde mental homenageadas na mostra

Por: Sofia Inerelli

          Alice Marques dos Santos (a esquerda) e Nise da Silveira (a direita) durante uma festa na Casa das Palmeiras                                                                             Foto: Fundação Biblioteca Nacional

 

A psiquiatra Nise da Silveira, pioneira na luta antimanicomial, ganha mostra na Biblioteca Nacional, no centro do Rio de Janeiro. Aberta ao público até junho, a exposição destaca a presença feminina na ciência a partir da história de uma das cientistas brasileiras mais importantes do século XX. Instalada na Seção de Manuscritos, no segundo andar da biblioteca, a exposição reúne sete itens, como fotos, documentos e cartas integrantes de acervos da própria Nise e de pessoas ligadas a ela, mas doadas à Biblioteca Nacional. Juntos, eles contam momentos da vida da médica alagoana. 

 

Nise era contra a forma agressiva do tratamento psiquiátrico comuns na década de 1940, como a internação compulsória, os eletrochoques, a insulinoterapia, intervenção psiquiátrica na qual os pacientes recebiam doses cada vez mais altas de insulina para induzir hipoglicemia (baixo nível de glicose no sangue) e coma, e a lobotomia, procedimento cirúrgico que consistia em inserir um instrumento afiado no tecido cerebral para então cortar as conexões entre os lobos frontais e o resto do cérebro. Ana Lúcia Merege, uma das curadoras da mostra, explicou como era a vida nos manicômios: “As pessoas eram basicamente torturadas, largadas para morrer, sofrendo violência de todos os tipos”. Indignada com tudo aquilo, a doutora Nise decidiu usar a arte e o afeto nas terapias psiquiátricas, e começou a tratar os pacientes com o respeito a que tinham direito.


Merege explica o impacto do trabalho de Nise na vida dos pacientes. “Ela conseguiu recuperar a humanidade dessas pessoas e depois recuperar a centelha criativa delas”. Na mostra é possível ver uma pintura feita por Fernando Diniz, um dos pacientes da doutora Nise. Sua produção está no Museu de Imagens do Inconsciente, centro de estudo criado por Nise da Silveira dedicado a preservar obras artísticas produzidas por pacientes com transtornos mentais. O acervo do museu conta com mais de 400 mil obras, entre telas, desenhos, tapetes e modelagens.

 

     

               Convite artesanal para a exposição comemorativa dos 71 anos do artista baiano Fernando Diniz Fernando Diniz.                                                                   Foto: Fundação Biblioteca Nacional                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                    Mesmo com uma carreira de sucesso, a trajetória de Nise da Silveira nem sempre foi fácil. Renata Linhares, uma das desenvolvedoras da exposição, conta que, quando a jovem Nise chegou à Faculdade de Medicina da Bahia, não havia banheiro feminino no prédio, e que seu professor chegou a colocar uma cobra em suas mãos para intimidá-la. Ela era a única mulher em uma turma de 158 alunos. Nise tentou desistir três vezes, chegou até a mandar cartas aos pais, mas eles nunca responderam, o que ela entendeu como um sinal para continuar na faculdade, como apontou Linhares.                                                                                                                                                                                                                        
                      Nise da Silveira em uma foto de turma da Faculdade de Medicina da Bahia. À esquerda de Nise está o futuro psiquiatra e etnólogo Arthur Ramos, e a sétima pessoa da foto, a contar da esquerda, é o futuro médico sanitarista e marido de Nise, Mário Magalhães da Silveira. Foto: Fundação Biblioteca Nacional                                                                                                                                                                                                                                                                     A mostra também revela conexões de Nise com outras mulheres influentes na história da psiquiatria. Uma delas é a sambista Dona Ivone Lara, que atuou como enfermeira e assistente pessoal da psiquiatra e trabalhava com musicoterapia. Há também uma fotografia com Alice Marques dos Santos, a primeira mulher a dirigir um hospital psiquiátrico na América Latina.                                          
                                                                                                                                                                                                            Serviço:
Nise da Silveira: uma história de pioneirismo femininoLocal: Fundação Biblioteca Nacional – Seção de Manuscritos (2º andar)                                                                                                                                                                                                   Endereço: Avenida Rio Branco, 219 – Centro, em frente à estação MetrôRio (estação Cinelândia)                                  Período: até junho                                                                                                                                                                      Horário: segunda a sexta-feira, das 10h às 16h30                                                                                                                      Entrada: gratuita

Fernando Mendoza: de um recruta ‘duas estrelas’ ao Topo do NFL Draft de 2026

Fernando Mendoza: de um recruta ‘duas estrelas’ ao Topo do NFL Draft de 2026

Jovem jogador vindo da Universidade de Indiana é o favorito para ser a primeira escolha do NFL Draft deste ano.

Por: Isaque Ramos

O Draft da NFL é o recrutamento anual realizado pela liga de futebol americano dos Estados Unidos (NFL). Nele, os 32 times da liga selecionam os jogadores recém-saídos das universidades. A liga trabalha com um sistema compensatório, ou seja, para manter sempre a competitividade, o pior time da temporada anterior sempre escolhe primeiro no Draft.

Este ano, a primeira escolha do Draft desta quinta-feira (23) pertence ao Las Vegas Raiders, time com a pior campanha da liga na temporada 2025/2026, com um recorde negativo de 3 vitórias e 14 derrotas. A franquia do estado de Nevada, recentemente recebeu um novo investidor, e não é qualquer um, é simplesmente Tom Brady, 6 vezes campeão da NFL e considerado o maior e melhor jogador de todos os tempos. Sendo assim, vale observar a escolha de Las Vegas este ano, e se realmente for Fernando Mendoza o escolhido, como o “menino de ouro” vindo de Indiana vai se desenvolver sob o olhar de Brady.

Há três anos ninguém diria que Fernando Mendoza seria o nome mais unânime de um Draft da NFL. Mas no recrutamento deste ano, em Pittsburgh, isso é quase uma unanimidade. O quarterback, que saiu de um status quase irrelevante na Universidade da Califórnia para se tornar o primeiro vencedor do Heisman (prêmio dado ao melhor jogador da temporada no futebol americano universitário) e campeão nacional na história da Universidade de Indiana, é sem dúvida, o ponto alto desta classe.    

Reprodução: Instagram (@fernandomendoza)

A trajetória de Mendoza é daquelas histórias fascinantes que só o esporte pode proporcionar. Ele não foi o prodígio mimado desde o ensino médio. Pelo contrário, foi um recruta de apenas duas estrelas, ignorado pelas grandes potências do futebol americano universitário. Sua passagem pela Universidade da Califórnia mostrou lampejos de talento, mas foi sob o comando de Curt Cignetti em Indiana que o “clique” aconteceu. E em 2025 Mendoza não apenas jogou, ele dominou. Com 41 touchdowns e apenas 6 interceptações na última temporada, ele provou ser um jogador não só explosivo, mas também extremamente seguro e que comete poucos erros. Ele não força passes desnecessários e tem uma precisão rara para jogadores universitários, sendo capaz de encontrar recebedores mesmo que eles estejam muito bem marcados.

Reprodução: Instagram (@fernandomendoza)

Fato é que esta noite ficará marcada na história tanto dos Raiders quanto de Fernando Mendoza, o dia em que uma nova história se iniciará tanto para o jovem jogador quanto para a franquia de Las Vegas. Se vai dar certo ou não, apenas o futuro dirá.

A primeira rodada do NFL Draft de 2026 aconteceu na quinta (23) às 21h, em Pittsburgh. Nesta sexta (24) acontecem as 2° e 3° rodadas, e no sábado (25) as 4 rodadas finais.

Cultura de arquibancada: a elitização do acesso aos estádios

Cultura de arquibancada: a elitização do acesso aos estádios

Por Augusto Oliveira 

Ingressos cada vez mais caros, estádios cada vez menos inflamados e torcedores cada vez mais apáticos. Esse é o cenário das arquibancadas do futebol brasileiro em meio ao processo de elitização do acesso aos estádios, um fenômeno amplamente disseminado e cada vez mais visível. 

Como marco inicial desse processo, pode-se apontar a criação dos programas de sócio-torcedor, inaugurado pelo Sócio Colorado, do Internacional, em 2002. A prática, que foi sendo adotada por vários outros clubes brasileiros ao longo da década de 2000, oferece prioridades e descontos na compra de ingressos para os torcedores que pagarem determinado valor mensal referente a um plano, diminuindo as oportunidades dos torcedores que não puderem pagar por um.

O processo chega a um ponto-chave em 2013, com as reformas dos estádios e a construção de arenas no padrão Fifa na preparação para a Copa das Confederações de 2013 e a Copa do Mundo de 2014. A arquitetura das obras priorizava questões como conforto e segurança, o que impulsionou o preço dos ingressos para cima. Todos os clubes de primeira divisão que mandavam seus jogos em estádios padrão Fifa registraram um aumento imediato e expressivo no valor médio dos tíquetes, segundo números da Pluri Consultoria. O valor médio anual também disparou em 2014, em comparação a 2013, conforme números do Gato Mestre do GE.

Entre a criação dos programas de sócio-torcedor e as inaugurações de estádios e arenas, a compra de um ingresso começou a pesar cada vez mais no bolso do torcedor brasileiro: entre 2003 e abril de 2013 (antes mesmo da finalização das obras de vários dos estádios-sedes da Copa), o preço médio dos ingressos subiu 300%, segundo dados da Pluri Consultoria. No mesmo período, a inflação subiu bem menos: 73%. O salário mínimo, por sua vez, subiu 183%. Os dados são do IBGE.

Observa-se, também, que a maioria dos clubes que reformam seus estádios ou constroem arenas no modelo anteriormente descrito aumentam o preço dos ingressos no curto-médio prazo. Foram os casos de Bahia, Corinthians, Cruzeiro , Flamengo, Grêmio, Internacional, Palmeiras e Atlético-MG, que, após inaugurarem ou reinaugurarem seus estádios ou arenas, registraram um aumento em seus respectivos preços médios dos ingressos já no ano seguinte à finalização do projeto. O Fluminense, que tradicionalmente manda seus jogos no Maracanã, segurou o valor até 2015, quando praticou um salto expressivo em relação ao ano anterior.

As justificativas para o salto no preço dos ingressos a partir de 2013 se baseiam principalmente no aumento do conforto e da segurança fornecidos pelas arenas modernas. Embora essas questões tenham sido realmente melhoradas, estão longe de serem efetivamente solucionadas: brigas entre torcidas organizadas dentro e fora dos estádios e arenas, partidas em horários avançados e inacessíveis e problemas no deslocamento são só alguns dos vários problemas enfrentados por torcedores em idas ao estádio.

Artes marciais ganham espaço como ferramenta de disciplina e transformação

Artes marciais ganham espaço como ferramenta de disciplina e transformação

Projetos sociais apostam no esporte para promover acolhimento, autoestima e novas perspectivas de vida

Por: Lívia Martinho

Cada vez mais presentes no dia a dia de crianças e adolescentes, as artes marciais têm ultrapassado o âmbito esportivo e se consolidado como ferramentas de desenvolvimento pessoal e social. No Brasil, modalidades como jiu-jitsu, judô, karatê, muay thai e capoeira vêm sendo utilizadas, não apenas para a prática física, mas também para estimular disciplina, controle emocional e autoestima, além da redução da ansiedade e do estímulo ao respeito e à convivência. 

Em contextos de vulnerabilidade social, esses benefícios ganham ainda mais relevância. Assim, iniciativas em diferentes regiões do país têm apostado nas artes marciais como forma de acolhimento e de ampliação de perspectivas de futuro para jovens.

Na região central do Rio de Janeiro, o Projeto Diamantes da Favela é um exemplo dessa realidade. Criado em 2018 no Morro da Providência, na Gamboa, o projeto oferece aulas gratuitas de jiu-jitsu para crianças e adolescentes, com o objetivo de promover inclusão social por meio do esporte. Com o aumento da procura, a iniciativa se mudou em 2022 para um espaço maior, na própria Gamboa, ampliando o número de alunos, horários e atividades, que hoje incluem luta livre e muay thai.

Foto: Lívia Martinho

Emblema do Projeto Diamantes da Favela, na Gamboa

À frente do projeto, o professor Ney Robson destaca o papel social da iniciativa e afirma que o trabalho vai além do ensino da luta, incentivando os alunos a persistirem e a não desistirem diante das dificuldades. Segundo ele, o tatame se torna um refúgio, e a faixa, um objetivo. 

Durante visita ao centro de treinamento do Projeto Diamantes da Favela, paredes cobertas por medalhas e cartazes revelam conquistas acumuladas ao longo dos anos, representando trajetórias que vêm sendo transformadas dentro e fora do tatame azul. 

É nesse contexto que surgem histórias como a da estudante Yasmin Cristina, de 17 anos. Moradora da Providência, ela começou a praticar jiu-jitsu por incentivo da irmã e encontrou no esporte uma forma de lidar com as crises que enfrentava desde a infância. “Eu percebi que o jiu-jitsu estava me ajudando muito. Eu parei de ter tantas crises”, afirma.

Além da melhora na saúde mental, o esporte trouxe novos aprendizados e responsabilidades. “Eu parei de dar desculpas e comecei a agir”, diz. Hoje, além de treinar, ela ajuda nas aulas com crianças e participa da rotina do projeto. O espaço, segundo ela, se tornou mais do que um local de prática esportiva: “Aqui é o meu refúgio. Eu tenho duas famílias: a de sangue e a do jiu-jitsu”, conta. A experiência também ampliou suas perspectivas e Yasmin passou a enxergar novas possibilidades e caminhos que a mantenham próxima do esporte. Para quem pensa em começar ou está prestes a desistir, ela deixa um conselho direto: “Não pare de treinar. Não desista. O jiu-jitsu não é só uma luta. Ele muda vidas.”

Foto: Lívia Martinho

A estudante Yasmin Cristina ao lado do professor Ney Robson

No Projeto Diamantes da Favela, a metáfora do nome se concretiza no dia a dia. Assim como diamantes são formados sob pressão, jovens como Yasmin seguem sendo lapidados e encontram nas artes marciais, não apenas uma prática esportiva, mas um caminho para transformar suas próprias histórias.

‘Pensar em 2028 não é só um sonho, é um objetivo muito bem definido’, diz Geovanna Santos

‘Pensar em 2028 não é só um sonho, é um objetivo muito bem definido’, diz Geovanna Santos

Atleta de ginástica rítmica se prepara para as próximas etapas da Copa do Mundo visando a vaga olímpica 

Por: Mariana Martins

Reprodução: Instagram (@geovannaginasta)

Geovanna Santos representa o Brasil na Copa do Mundo

Geovanna Santos, conhecida como Jojô Furacão, conquistou uma medalha de bronze inédita na etapa Copa do Mundo de ginástica rítmica no Uzbequistão. Décima colocada geral, ela se classificou para a final na fita e somou 27,600 pontos para subir ao pódio. Na etapa anterior, na Bulgária, Jojô também foi para a final do aparelho, e terminou na sexta posição. Em março, a atleta saiu com duas medalhas da etapa da Estônia do Grand Prix: prata na bola e bronze no arco. Além da importância dos resultados imediatos, essa sequência aumenta as chances de uma vaga olímpica. 

Para chegar a esse nível, Jojô conta à AJ que nem sempre foi fácil: “No meu caso, começar em uma modalidade que ainda não é tão popular no Brasil teve seus desafios. Nem sempre tivemos toda a estrutura ideal, e muitas vezes foi preciso muito esforço, dedicação e apoio da família para continuar.” Ela também destaca a Bolsa Atleta e o investimento da Confederação Brasileira de Ginástica como fatores que colaboram na continuidade da sua carreira.

Reprodução: Instagram (@geovannaginasta)

Jojô Furacão com sua primeira medalha em Copa do Mundo

A Copa do Mundo de ginástica rítmica é composta de quatro etapas distribuídas entre março e julho. Com um grande intervalo entre os eventos finais, manter o alto nível é um desafio, mas a ginasta afirma à AJ que isso é possível com um bom planejamento: “É um trabalho muito estratégico, tanto físico quanto mental. Após cada competição, fazemos uma análise detalhada das apresentações para ajustar detalhes técnicos e artísticos. Em seguida, retomamos o ciclo de treinos com foco no aprimoramento das séries, aumento da consistência e evolução da execução.” A terceira fase do campeonato acontece entre os dias 17 e 19 de abril com sede no Azerbaijão, enquanto a última acontece em Milão, entre os dias 10 e 12 de julho. 

O evento mundial faz parte do sistema de classificação para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. Jojô, que já conta com uma participação olímpica em Tóquio 2020, diz à AJ que já ter tido essa experiência a motiva ainda mais para estar na delegação brasileira nos Estados Unidos: “Mudou completamente a minha visão sobre o esporte e sobre mim mesma como atleta. Estar ali, entre as melhores do mundo, me deu ainda mais clareza do que é necessário para competir em altíssimo nível. Hoje eu sei exatamente o que quero, o que preciso melhorar e até aonde posso chegar. Isso me faz buscar evolução todos os dias, com ainda mais foco e maturidade. Pensar em 2028 não é só um sonho, é um objetivo muito bem definido. E ter passado por uma Olimpíada antes me dá mais confiança, porque eu já conheço o caminho, agora é trabalhar para chegar ainda mais preparada.”

Para essa temporada, a atleta conta que espera crescer e evoluir: “As expectativas são as melhores possíveis. Seguir ajustando detalhes, ganhando cada vez mais segurança nas séries e buscando apresentações mais limpas e expressivas. O objetivo é estar no meu melhor nível nas próximas etapas e continuar representando o Brasil da melhor forma possível. Assim alcançando meu objetivo que são as Olimpíadas de Los Angeles 2028!”

Diversão com prazo de validade: a Maldição da Múmia entretém mas não convence

Diversão com prazo de validade: a Maldição da Múmia entretém mas não convence

É o tipo de filme que diverte enquanto dura, mas que desmorona quando você começa a pensar nele de volta para casa

Por: Murilo dos Santos

                                                 Poster de divulgação do filme A maldição da múmia.

 

Um casal perde a filha no Cairo e ela reaparece 8 anos depois de forma bizarra: petrificada, com aparência de zumbi. A família a leva para casa e a cuida como se nada tivesse acontecido, até que, no mesmo dia em que a menina se acomoda no lar dos Cannon, ela ataca a matriarca da família, que rezava junto ao corpo. Essa é a premissa e os primeiros minutos de A Maldição da Múmia, do diretor irlandês Lee Cronin, lançado em 2026, uma abertura que prende a atenção e promete mais do que o filme consegue entregar.

O filme é estrelado por Jack Reynor, que interpreta o jornalista Charlie Cannon, Laia Costa, que vive Larissa Cannon, esposa de Charlie e mãe de Katie, interpretada por Natalie Gracie. O elenco funciona bem no geral, mas é May Calamawy, na pele da policial Dalia Zaki, quem rouba a cena, entregando uma das atuações mais consistentes do filme, e as crianças da família Cannon surpreendem pela naturalidade com que carregam cenas de tensão que os adultos, por vezes, deixam escapar.

A trama se passa majoritariamente em dois ambientes: a casa dos Cannon e o departamento de polícia do Cairo, onde Dalia Zaki investiga o desaparecimento de Katie. Após o despertar da múmia, a menina é raptada por uma feiticeira para um ritual misterioso. Um acidente de avião leva à descoberta de que ela está “viva” dentro de um sarcófago milenário. A família recebe a notícia com euforia, até perceber que aquela Katie pode não ser a mesma que desapareceu.

A forma como a família, em especial Larissa Cannon, vai descobrindo e lidando com a situação é muito bem construída por Cronin, que sabe criar tensão e sustos divertidos a cada ação da múmia. A primeira metade do filme tem aquele clima de desconforto crescente que faz o espectador se mexer na cadeira sem saber exatamente por quê, uma atmosfera que Cronin constrói com paciência e competência. Outro ponto alto são as atuações dos filhos da família: tanto Seb quanto a caçula chamam atenção pela maneira com que encaram o que está acontecendo e, por muitos momentos, parecem ser os únicos a tratar a situação com a devida preocupação.

O filme, com pouco mais de 2 horas e 10 minutos, vai bem até a metade. Conforme surge a necessidade de resolver os nós criados, a narrativa é inundada por sangue, lutas inúteis e mal executadas, além de diversas falhas e simplificações de roteiro, problemas que, na verdade, já se faziam presentes desde o início. Como, por exemplo, a questão de como a família levou a menina petrificada para casa sem que ninguém notasse: afinal, estamos falando de uma criança com aparência de morta, sem cheiro agradável e com unhas enormes, detalhe este último repetido à exaustão pelo diretor ao longo do filme. Cronin acerta bastante na direção, mas erra de forma contundente no roteiro, entregando um encerramento fraco, recheado de piadas fora de lugar durante confrontos com um demônio milenar. O abuso de violência não seria necessariamente um problema, se não resultasse em cenas que beiram o bizarro, incluindo uma sequência gore com coiotes dilacerando um corpo.

No mais, se você quiser se divertir e levar alguns sustos, A Maldição da Múmia serve. Mas como história redonda e com lógica interna consistente, é o tipo de filme que diverte enquanto dura, mas que desmorona quando você começa a pensar nele de volta para casa. Se eu fosse dar uma nota de 0 a 5, seria 2,5: metade do caminho entre o bom entretenimento que poderia ser e o grande filme de terror que nunca chega a se tornar.






FCS/Uerj completa 40 Anos

FCS/Uerj completa 40 Anos

Há quatro décadas, a Faculdade de Comunicação Social transforma a percepção de mundo dos estudantes

Por: Ana Beatriz Carvalhido

Foto: Agência Brasil (Fernando Frazão)

Campus Uerj Maracanã

Ao longo de seus 40 anos, a Faculdade de Comunicação Social da Uerj consolidou-se como referência na formação de profissionais de Jornalismo e Relações Públicas, além de oferecer especialização de excelência em nível de mestrado e doutorado. 

           Marcada pela resistência e pelo ensino público de qualidade, a FCS oferece um diferencial único: a visão da comunicação como ferramenta de impacto social. Da graduação ao doutorado, o estudante da faculdade aprende que, além da excelência técnica, é fundamental atuar de forma consciente e lutar pela garantia de direitos.   

            A Uerj foi pioneira na instauração das cotas, operando plenamente desde o ano de 2003, o que a torna uma instituição extremamente engajada socialmente. Contudo, como toda mudança gera questionamentos e alterações, esse processo ocasionou um cenário acadêmico ainda mais plural e diverso. A professora Denise da Costa, docente da FCS desde 1997, ressalta sua percepção ao visualizar o processo e suas contribuições para a Universidade:

​“A questão da implantação das cotas na Uerj, como qualquer mudança dentro de um ambiente institucional, ainda mais no nível em que ocorreu, gerou dúvidas e incertezas inicialmente. Não se sabia ao certo o que aconteceria ou quais seriam os resultados. Foi interessante participar desse momento desde a implantação, pois eu já era professora antes de o sistema ser aberto; passei pelo momento da implementação e depois pela sua consolidação, como está hoje. Foi realmente um período de dúvidas, mas, na faculdade de comunicação, isso nunca chegou a ser um obstáculo para as nossas atividades. Acho que a transição foi tranquila e os resultados, muito interessantes, que continuam positivos até hoje.”.

            ​A FCS forma estudantes capacitados todos os anos e contribui para que a Comunicação mantenha-se ativa com uma formação pública de qualidade. Denise reforça esse auxílio à sociedade:

​“A meu ver, a maior contribuição que a faculdade de comunicação dá à sociedade é a formação que a gente dá para uma série de estudantes, da graduação, de especialização e os de mestrado e doutorado. Uma educação pública de qualidade é uma educação que gera profissionais de qualidade tanto para o mercado quanto para a academia. E ajudar e trabalhar para criar cidadãos que sejam conscientes, e tenham uma visão de mundo mais ampla, diversa e coletiva. Eu penso que é essa a contribuição que podemos dar”.

O verão acabou, mas o risco de dengue não

O verão acabou, mas o risco de dengue não

Relatório da ONU mostra que mudança climática, com temperaturas mais altas e alterações no regime de chuvas, aumenta os casos da doenças climáticas

Por: Júlia Martins

                     Mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

O Relatório do Clima de 2025 publicado pelas Nações Unidas mostra que o aumento da temperatura global eleva o risco de dengue, o que contribui para ampliar a ocorrência de casos ao longo de todo o ano – e não só nos meses de verão. Mesmo com medidas para conter o mosquito Aedes aegypti,  transmissor da dengue, o estudo destaca que o número de casos em todo o mundo é o maior já registrado na história, com o vírus se expandindo para novos territórios. 

 

O relatório deste ano incluiu um estudo de caso sobre o impacto das mudanças climáticas na saúde humana. Um dos destaques foi a preocupação com o aumento das arboviroses, doenças virais transmitidas por mosquitos, como a dengue. Embora a doença também seja influenciada por fatores sociais, ela é sensível à temperatura e ao regime de chuvas. Por isso há mais casos durante as épocas mais quentes do ano, caracterizando a dengue como uma doença sazonal. Entretanto, o aumento das temperaturas e alterações nos padrões de chuvas favorecem um desenvolvimento mais acelerado do mosquito Aedes aegypti. Na prática, o número de picadas aumenta, e o tempo de incubação do vírus – período entre a contaminação e o surgimento dos sintomas – diminui. Com o aumento das temperaturas, as épocas mais frias do ano também se tornam favoráveis para a proliferação da doença.

 

No Rio de Janeiro, onde a dengue é endêmica, não é diferente: segundo o EpiRio, observatório epidemiológico do estado, mais de 1.400 casos da doença foram registrados em 2026 apenas na capital. A cidade do Rio de Janeiro registrou mais de 9 mil casos de dengue apenas em 2025, e o ápice foi nos primeiros três meses do ano. Em 2024, o Brasil enfrentou a maior epidemia de dengue já registrada, com mais de 6 milhões de casos prováveis.

 

De acordo com o Alerta Rio, sistema de alerta da prefeitura, o outono está sendo mais quente do que o esperado, com temperaturas acima da média e chuvas irregulares. Isso cria um cenário benéfico para o crescimento dos casos de dengue em épocas além do verão, e mostra como a doença tende a se tornar cada vez mais presente no cotidiano. 

 

Para Cleonice Santos, agente de saúde comunitária no Catiri, zona oeste do Rio, essas alterações de temperatura têm impactado o número de casos. “A gente percebe que a mistura dos fatores calor e chuva é um grande baque para os casos, e o mosquito está ficando ainda mais resistente. Quando estamos no pós calor é quando precisamos ter maior cuidado na observação e na orientação para as famílias”, afirmou. Ela também destaca o papel do saneamento básico no combate à doença: “A falta de saneamento, a vulnerabilidade social e falta de orientação torna uma pessoa mais suscetível”.

 

A crise climática atinge o mundo inteiro, o que reforça ainda mais esse perigo. O mosquito se expande para territórios em que antes não havia casos de dengue. A Organização Mundial da Saúde estima que metade da população global esteja sob o risco de contaminação, com aproximadamente 100 até 400 milhões de casos registrados por ano. Segundo o Relatório da ONU, no Brasil, o R0 – número que indica quantas pessoas podem ser infectadas em média – passou de 1,4 para 2,9 no ano passado.

 

Em 2021,  um artigo publicado pelos professores Antonio Carlos Oscar Junior, do Instituto de Geografia da UERJ (Igeog), e Francisco de Assis Mendonça, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), já investigava o desenvolvimento da doença com base nas mudanças climáticas. O estudo aponta a intensificação da dengue em épocas de tempo mais ameno, como o inverno, devido ao aumento da temperatura mínima ao longo dos anos. Além disso, eles buscam entender como a doença vai se comportar no futuro, com modelos de estudo para os períodos entre 2011 – 2040 e 2040 – 2070.

 

O artigo também destaca como a dengue está deixando de ser algo sazonal e como isso afeta estratégias de saúde pública. Visto que essas são feitas, em maioria, para o verão e o outono, é necessário elaborar medidas também para o inverno e a primavera. Além disso, as diferenças no espaço urbano, como a falta de saneamento e estrutura urbana chamam a atenção e intensificam esse cenário. Com isso, a população mais carente se torna a mais atingida. 

 

A vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan é um exemplo de medida para combater a doença. É o primeiro imunizante em dose única para a doença no mundo e será distribuído pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Por enquanto, no Rio de Janeiro, a vacina está sendo aplicada apenas em profissionais da saúde das unidades de Atenção Primária. No entanto, o Relatório da ONU e a Pesquisa de Oscar e Mendonça alertam a necessidade de discutir sobre mudanças climáticas e seus impactos na sociedade para além do óbvio, como na saúde pública, buscando amenizar as consequências como um todo. 

 

Pré-vestibular social na Tijuca impulsiona sonhos dos alunos

Pré-vestibular social na Tijuca impulsiona sonhos dos alunos

Projeto oferece apoio e acolhimento na fase de preparação para vestibular e evidencia a importância de promover estudos gratuitos para estudantes de baixa renda

Por: Alice Moraes

Alunos durante aula no curso./ Foto: Pablo Barbosa. 

Trabalhar com os sonhos dos alunos pode ser um desafio, mas também é gratificante. Pablo Barbosa é professor de redação em um pré-vestibular social na Tijuca e, para ele, cada aula oferecida gratuitamente é uma forma de acreditar no potencial de cada estudante que se candidata a entrar em uma universidade.

 

“Ao ensinar, estamos ajudando a construir um mundo mais justo e igualitário, no qual todos têm a oportunidade de alcançar seus sonhos”, diz Pablo. 

 

O professor é voluntário e coordenador do pré-vestibular comunitário oferecido na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, localizada na rua Conde de Bonfim, 987, na Tijuca. As aulas, disponibilizadas semanalmente – exceto às terças-feiras – de 18h às 21h, preparam os alunos para realizar as provas do Enem e da Uerj. É cobrado o valor simbólico de R$20 por mês. 

 

O pré-vestibular social na Paróquia se iniciou antes de 2019 com outra equipe e coordenação até o professor Pablo tomar a frente do projeto. Ele relata que essa ideia ficava cravada na cabeça dele, porque ele tinha sede de ajudar os jovens do entorno onde a igreja está localizada. Ele, que morou em uma comunidade por muito tempo, notava as comunidades da região da Tijuca e sabia que o pré-vestibular ia auxiliar muitos alunos que moram por ali. Majoritariamente, os alunos que chegam ao pré-vestibular são oriundos da rede pública de ensino e moradores das favelas da região. 

 

“É uma responsabilidade grande conduzir os sonhos dos jovens. Coordenar um pré-vestibular social é acreditar, é mais do que transmitir conhecimento, é semear esperança e transformar vidas”, descreve o professor Pablo, enfatizando que a educação é uma ferramenta poderosa para a justiça social. Ele relata que tanto ele como toda a equipe de professores do curso são comprometidos com o auxilío na construção de um mundo mais justo e igualitário. Por meio do curso, eles ajudam a combater a desigualdade, oferecendo oportunidade de aprendizado para alunos que não teriam condições financeiras de arcar com um pré-vestibular particular. “Estamos vivendo a missão de educar e de oferecer igualdade de oportunidades, para que cada aluno tenha acesso a um futuro melhor”, Pablo diz. 

 

Atualmente, o curso gratuito tem 36 alunos inscritos e ajuda cada estudante a descobrir o potencial que tem. A fase de estudar para os vestibulares pode ser um momento de ansiedade e nervosismo para muitos jovens, que acabam se sentindo pressionados e comparados uns com os outros. Mas, no pré-vestibular oferecido na Paróquia da Conceição, a equipe do projeto se esforça para acolher e motivar cada aluno. “O que recebemos em troca é ver a perseverança e força dos alunos”, comenta o coordenador com orgulho. “No pré, vemos as diferentes realidades vivenciadas por cada aluno, realidades até difíceis que eles compartilham conosco. E, ainda assim, eles persistem para ir em frente”, acrescenta Pablo. 

 

A equipe do projeto sempre se reúne para pensar em ideias e propostas para se dedicarem mais aos alunos sem esperar nada em troca. Pablo relata: “Nosso trabalho é voluntário, mas o nosso maior pagamento é a satisfação dos alunos e ver eles sendo aprovados. Mesmo que eles não sejam, há alunos que chegam e falam: ‘professor, sei que eu não vou passar, mas quero continuar estudando’. Então essa é a nossa alegria, quando o aluno não desiste, mesmo com dificuldade”. Para ele, esse é o combustível que auxilia a equipe do projeto a seguir em frente: motivar e incentivar os alunos. 

 

O pré-vestibular da Conceição possui um perfil no Instagram, @conceicaoprevest, e um número para contato: 2238-2108. Na rede social, o curso compartilha experiências dos estudantes que foram aprovados nas universidades. 

 

Essas aprovações são motivos de orgulho para o coordenador, que comenta: “De 2020 para cá, tivemos aprovações na Uerj, UFRJ, UFF, Unirio, em universidades particulares também… é muito gratificante. Ainda que  não tenha aprovações, vemos a melhora na nota dos alunos, a evolução do desempenho, isso nos deixa muito feliz. É importante a gente considerar qualquer tipo de evolução que o aluno tenha, porque já é um passo para ele continuar tentando”. 

Uma das aulas do curso/ Foto: Pablo Barbosa.