Movimento estudantil da Uerj promove conscientização sobre a Luta Antimanicomial
Cofundadora da Frente de Luta “Antimanicolonial” explica a importância das causas defendidas pelo grupo de alunos de psicologia da Uerj
Por: Victória de Araújo
A Frente Estudantil de Luta “Antimanicolonial” Esther Morgannah (FLAEM) é um movimento estudantil fundado por universitários do Instituto de Psicologia da Uerj, que associa a luta antimanicomial pelos direitos das pessoas com sofrimento psíquico e o processo de colonização, que, de acordo com o que é defendido pela Frente, usou da lógica manicomial para cercar, torturar e controlar os corpos de grupos mais vulneráveis.
A estudante de psicologia da Uerj e co-fundadora da Frente “Antimanicolonial”, Rebeca Freitas (25), explica a importância e a atuação da luta: “Quando a gente estuda um pouco mais o movimento antimanicomial, a gente entende que os corpos que foram sequestrados e colocados no manicômio há anos foram majoritariamente mulheres, pessoas pretas, pessoas indígenas, pessoas LGBTQAPN+, enfim, minorias. E isso tá completamente atrelado ao processo colonizador que a gente teve aqui”.
Rebeca Freitas
(Foto: Victória de Araújo)
A Frente é ativa desde 2025, mas foi idealizada em 2023 após um ato no dia nacional da luta antimanicomial. Rebeca conta que a motivação para a fundação do movimento surgiu em uma reflexão com Daniel Vasconcellos, também aluno da Uerj, sobre a importância de ampliar o conhecimento dessa área da psicologia, que transcende o formato da clínica, para as comunidades externas e internas à área da saúde.
“Apesar de o curso de psicologia ser colocado como esse ‘protagonista’ na área de saúde mental, os cursos de psicologia não têm uma introdução sobre o que é o SUS, sobre o que é a luta antimanicomial, e quando têm é muito rasa. Então a gente decidiu criar um movimento de estudantes para estudantes, para a gente conseguir fazer um letramento sobre SUS, Luta ‘Antimanicolonial’, Rede Psicossocial e o tratamento dentro do CAPS. E mudar a perspectiva de com que público a gente vai trabalhar”, relata Rebeca.
A Frente Estudantil de Luta “Antimanicolonial” Esther Morgannah faz reuniões presenciais, divulgadas pelas redes sociais, para quem se interessar em contribuir com a causa, alternadamente segundas e quartas às 16h, em salas do bloco D, no décimo andar do Campus Maracanã. E também organiza eventos contando com a participação ativa de usuários da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), provando a potência do atendimento humanizado e a relevância da reinserção.
Roda de Partilha sobre a RAPS (Foto registrada por membro da FLAEM)
Visita ao Instituto Municipal Nise da Silveira, guiada por artistas e usuários do instituto
(Foto registrada por membro da FLAEM)
Mesa da Segunda Semana da Luta “Antimanicolonial”
(Foto registrada por membro da FLAEM)
Rebeca reitera que em todos os eventos é mantido um zelo em relação ao protagonismo das pessoas que são o motivo da luta existir. Um exemplo disso é Esther Morgannah, artista e usuária do Instituto Nise da Silveira, que dá nome a Frente. Seu nome foi escolhido porque ela representa o efeito positivo que o cuidado adequado tem na vida das pessoas em sofrimento mental grave, por ver o instituto como um local para sua expansão e expressão pessoal. Rebeca relata também que Esther afirma que estar na Uerj como participante do movimento a incentivou a voltar a estudar — hoje, é aluna de museologia na UNIRIO.
“A gente vem muito no sentido de sensibilizar, mostrar que é possível estar no meio social e ser louco, estar em sofrimento. É muito mais uma preparação da sociedade do que dos usuários e do serviço de saúde mental. A luta tenta ressignificar para a sociedade o sentido da loucura, que ainda é um estigma muito grande”, explica a estudante.
Por fim, Rebeca ressalta que o grupo mantém uma postura aberta para qualquer um interessado em somar, que é só aparecer:“A gente precisa fazer um barulho muito grande para as coisas mudarem, sabe? É quase que uma nova reforma psiquiátrica para que a gente consiga realmente evoluir com essa causa. Só dá para fazer com gente, e gente diferente”.
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