Nota de repúdio à chacina nas comunidades do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro

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A Faculdade de Comunicação Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro manifesta repúdio às chamadas “operações policiais” nas comunidades do Complexo do Alemão e Complexo da Penha, ocorridas ontem, 28/10, na cidade do Rio de Janeiro. As operações promovidas pelo Governo do Estado do Rio trouxeram cenas de horror a toda a população, especialmente para as pessoas que vivem nesses territórios. 

Não é de hoje que o Estado do Rio de Janeiro vive momentos como este. Há anos assistimos a uma escalada crescente dos conflitos e das operações em territórios e comunidades em que o Estado e os serviços públicos estão ausentes. Salientamos a necessidade de toda a sociedade fluminense, em especial nossa comunidade universitária, reconhecer a gravidade do problema. Inúmeros especialistas do campo da segurança pública alertam sobre a ineficiência de operações como estas, que não atacam as raízes do problema e culminam em mortes de inocentes, horror, insegurança geral e pânico coletivo. Além de não resolverem a fundo problemas estruturais da segurança pública, promovem uma ampla espetacularização do horror sobre comunidades pobres, negras e periféricas. As imagens de ontem são reencenações coloniais de um território historicamente marcado pela produção de miséria e desigualdade. No Rio de Janeiro, há décadas busca-se estabelecer um “controle” do crime com mais violência e morte. Nesse sentido, escolher chamar de chacina as operações policiais de ontem é uma posição contra a política de morte que recai sobre o povo dessas comunidades. 

Momentos como esse são sintomáticos porque apontam que vivemos um processo de democratização ainda inconclusa na sociedade brasileira. A ideia de que só se pode resolver as violências com mais violência sinaliza uma falência geral dos níveis mínimos de solidariedade e compreensão sobre as raízes históricas do problema. Mostra ainda que o que chamamos de democracia ou pacto civilizatório é apenas uma miragem para aqueles que não correspondem aos marcadores de raça e classe dominantes. Reconhecer o estado permanente de guerra vivido no cotidiano é o começo de um diálogo que se faz necessário e urgente.

A FCS manifesta solidariedade à sua comunidade, particularmente aos estudantes e servidores impactados direta e indiretamente pelas operações. Reafirmamos ainda nosso compromisso pela dignidade da vida de todas as pessoas dessas comunidades. Políticas de segurança pública não podem ser conduzidas com base na produção de morte. Acreditamos firmemente que os problemas da segurança pública serão resolvidos com uma ampla revisão das políticas institucionais adotadas pelo Estado e pela mobilização dos setores da sociedade civil organizada. 

Rio de Janeiro, 29 de outubro de 2025.

Nota de repúdio à chacina nas comunidades do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro

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