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De laranjinhas a laranjonas: sai a lixeira, entra o contêiner
Quantidade de papeleiras cai pela metade na cidade do Rio, enquanto contêineres triplicam
Por Julia Lima

Se você mora no Rio, deve ter percebido que as papeleiras — lixeiras presas aos postes — têm sumido. E sua suspeita está certa: o número das laranjinhas diminuiu de 14.311 para 6.840 entre 2023 e 2024, o que representa uma queda de 52,2%. Enquanto isso, a quantidade de contêineres quase triplicou. Eles pularam de 5.515 para 15.530.
As papeleiras têm capacidade para acumular 50 litros de lixo; as novas lixeiras agora têm volume de 1200 litros, o que representa um aumento de 2300% na quantidade armazenada. Segundo a Comlurb, o objetivo é facilitar o descarte de resíduos e evitar que o lixo fique espalhado em vias públicas.
Com base na Lei de Acesso à Informação, a Agenc obteve os dados sobre papeleiras e contêineres existentes na cidade do Rio de 2014 a 2024.

Com exceção de 2017 e 2018, anos em que não há dados para comparação, e 2019, em que predominam os maiores reservatórios, a cidade do Rio contou majoritariamente com as papeleiras até 2024, quando a prefeitura iniciou a transição das lixeiras.
Luiz Fernando Barbosa, que trabalha como gari na Comlurb há 29 anos, afirma que as papeleiras têm um papel bem diferente dos contêineres e que é necessário que elas sigam existindo na cidade. Além disso, ele conta que vê as ruas cada vez mais sujas, o que credita ao baixo número de profissionais, à falta de lixeiras e ao aumento da população.
Em nota, a Comlurb afirmou que não se trata de uma troca de reservatórios e que a falta de papeleiras se deve a atos de vandalismo e furto. Segundo a empresa, os contêineres foram pensados apenas para ordenamento de resíduos à espera de coleta, e não como uma substituição das lixeiras menores.
Diferença entre regiões
Apesar das melhorias prometidas, quem usa as laranjonas afirma não notar diferença. Eliane Xavier, moradora da Penha Circular e dona de uma lanchonete no bairro, afirma que percebeu a mudança nas lixeiras, mas diz que não houve melhora na limpeza das ruas. “Se eu acho que a cidade ficou mais limpa? Não mudou em nada”, afirma.
Segundo balanço divulgado pela Comlurb, até o fim de janeiro, 3 mil contêineres já haviam sido distribuídos pela cidade. Mas algumas áreas foram mais privilegiadas que outras. Barra, Recreio e Jacarepaguá somam 80 desses equipamentos; já o restante da Zona Oeste possui mil contêineres. A Zona Sul conta com 850 depósitos e a Zona Norte é a área mais carente, com apenas 450.

Além do número desigual de lixeiras pela cidade, a distribuição delas em uma mesma área também impacta na limpeza. Na Avenida Chile, no Centro do Rio, é possível ver cinco lixeiras enfileiradas em uma mesma calçada. Já na Avenida Marechal Rondon, na Zona Norte, a distância entre uma e outra pode chegar a 700 metros.


Segundo Ana Ghislaine Van Elk, do Departamento de Engenharia Sanitária e Meio Ambiente da Uerj, é normal que a zona central da cidade tenha mais depósitos de lixo, já que há maior circulação de pessoas. Porém, ela afirma que a desigualdade na estrutura sanitária é flagrante: “Não restam dúvidas de que os bairros com PIB mais baixo têm menor estrutura de saneamento como um todo.”
Existem ainda os locais da cidade em que nenhuma das soluções chegou. Eliane contou a Agenc que, apesar de testemunhar a mudança na cidade, ela não aconteceu na Rua Eugênio Sales, onde tem sua lanchonete. Para descartar o lixo, a confeiteira o amarra na grade do estabelecimento e espera que os lixeiros o recolham.
Dicas para um descarte adequado
Além dos cuidados da companhia de limpeza, é necessário que cada um faça sua parte para a limpeza da cidade. A seguir, algumas dicas para manter sua área limpa:
- Procure o contêiner – ou papeleira, se tiver sorte – mais próximo para descartar seu lixo. Caso não encontre, guarde o lixo com você até encontrar um local de descarte adequado.
- Não jogue entulho nos contêineres. A Comlurb conta com um serviço próprio para isso, que pode ser solicitado a partir do número 1746.
- Retire o lixo das residências quando o caminhão de coleta estiver próximo. Isso evita o acúmulo de resíduos, o mau cheiro e a presença de bichos e insetos.



