Racismo no futebol ganha cartão vermelho, mas continua recorrente dentro dos campos

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Racismo no futebol ganha cartão vermelho, mas continua recorrente dentro dos campos

Mesmo com punições, casos são recorrentes e não isolados

Por: Julia Santos

Vinícius Júnior – Foto: Correio Braziliense

Vinícius Jr sofreu um ataque racista durante uma partida no último domingo (5) entre o Mallorca e o Real Madrid, na Espanha. O brasileiro virou alvo de insultos e vaias de torcedores do time adversário após a equipe sair derrotada por 1 a 0. A La Liga, responsável pelo campeonato espanhol, apresentou uma denúncia junto ao Juizado de Instrução de Palma de Mallorca contra o ocorrido.

Não é a primeira vez que o atacante brasileiro vivencia o racismo nos gramados. Esta é a sexta denúncia feita pela La Liga por conta do racismo sofrido pelo jogador, mas três delas se encontram arquivadas em Barcelona, Madrid e Mallorca. As outras duas passam por trâmites legais em Valladolid e Madrid. Durante o último episódio, Vinícius Jr foi novamente agredido verbalmente ao ser chamado de “macaco”, além de ser atacado com xingamentos.

O número de denúncias registradas mostra que esse não foi um caso isolado, mas, sim, um comportamento recorrente no futebol europeu. No dia 26 de janeiro, um boneco com a camisa e o número de Vinicius Jr foi encontrado em uma ponte na Espanha fazendo alusão ao jogador sendo enforcado. O boneco foi achado momentos antes do clássico entre Real Madrid e Atlético de Madrid e estava acompanhado por uma faixa que dizia “Madrid odeia Real”, lema da torcida organizada do Atlético.

Em sua conta no Twitter, a LaLiga repudiou o episódio e disse que “intolerância e violência não cabem no futebol”, além de enfatizar seu compromisso em apurar os responsáveis pelo crime. No caso mais recente, a responsável pelo campeonato espanhol analisou imagens e áudios captados durante a partida no estádio de Son Moix para fazer a denúncia.

Casos anteriores

Em dezembro de 2020, jogadores abandonaram uma partida da Liga dos Campeões da Europa entre o Paris Saint-Germain e o Istanbul Basaksehir após o atacante senegalês Demba Ba acusar o quarto árbitro do jogo, o romeno Sebastian Coltescu, de injúria racial. O árbitro usou expressões como “aquele negro” para se referir a um integrante do time turco.

A Uefa anunciou a suspensão do árbitro meses depois do ocorrido. A entidade máxima do futebol europeu concluiu que o romeno violou os artigos 6 e 11 do Regulamento Disciplinar, sendo o primeiro referente a comportamento impróprio. A decisão suspendeu Coltescu de exercer a função até o fim da temporada 2020/2021, além de fazer com que o árbitro participasse de um programa educacional até junho de 2021.

Outro árbitro da mesma partida também sofreu punições. Octavian Sobre, segundo árbitro no jogo, também foi enquadrado nos artigos 6 e 11, assim como Sebastian Coltescu. Sobre não foi suspenso, mas uma advertência foi registrada.

Depois de analisar o caso, a Uefa anunciou que nenhum dos dois árbitros violou o artigo 14, que se refere ao racismo e a outras condutas discriminatórias. Na mesma declaração, a organização disse que palavras e formas melhores de falar serão levadas em consideração pela liga.

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