Estaduais: tradição e decadência

Estaduais: tradição e decadência

De principais competições dos grandes clubes a torneios ‘descartáveis’, competições locais enfrentam grande crise.

Por: Isaque Ramos

Os estaduais foram durante um século as principais competições dos grandes clubes brasileiros, foram lá que nasceram e afloraram as rivalidades que conhecemos hoje em dia, afinal, foi em um estadual, no Campeonato Carioca de 1906, que foi jogado o primeiro Botafogo x Fluminense da história, o Clássico Vovô, o mais antigo do Brasil e o terceiro mais antigo do continente americano. Foi também no Campeonato Carioca que clássicos como o Fla-Flu e o Clássico dos Milhões tiveram os principais capítulos de suas histórias, desde o gol de barriga de Renato Gaúcho até o gol do Pet aos 43 minutos do segundo tempo.

Mas afinal, como um campeonato tão rico em história e com uma importância cultural tão grande chega ao ponto de ser “descartável” para, não só os clubes, mas também para os torcedores?                                  

                       

                                      Reprodução: Instagram (@Maracana)            

No início dos anos 2000, o desgaste dos Campeonatos Estaduais já era notório. Com a criação da Copa do Brasil no final do século XX, juntamente com a consolidação do Campeonato Brasileiro como a principal competição nacional – com o aditivo do ganho de importância da Copa Libertadores – os estaduais foram, cada vez mais, reduzidos a meros “coadjuvantes” no calendário esportivo dos grandes clubes do Brasil.

Outro ponto importante a ser levado em consideração é a questão financeira. A título de comparação, enquanto a Copa do Brasil pagou R$ 73,5 milhões ao campeão, o Campeonato Carioca desde 2021 não paga premiação ao seu campeão.

Diante desse cenário, é comum vermos clubes cada vez mais usando times alternativos durante o estadual, e às vezes até escalando apenas jogadores das categorias de base. Com esse claro desinteresse dos clubes, os torcedores obviamente também passam a tratar a competição de forma secundária. Não é incomum vermos os grandes clubes jogando para públicos minúsculos as suas primeiras partidas de estadual, explicitando o desinteresse cada vez maior do público com a competição.

A mudança constante de formato da competição também é um ponto que contribuiu para essa atual momento dos estaduais, dos anos 2000 pra cá o Campeonato Carioca passou por inúmeras mudanças de regulamento e formato, indo desde o tradicional formato do campeão da Taça Guanabara enfrentar o campeão da Taça Rio para decidir o título estadual, até um formato de turno único (Taça Guanabara) + mata-mata. Para o próximo ano, por exemplo, a Federação Estadual de Futebol do Rio de Janeiro (Ferj) já anunciou novas mudanças no formato do “Cariocão’, voltando ao sistema de grupos (abandonando o turno único) e com a final sendo disputada em jogo único. Isso sem contar é claro as várias mudanças referentes ao número de clubes participantes.

Somado a isso, nesta quarta-feira, o presidente da CBF Samir Xaud anunciou mudanças importantes referentes aos estaduais, como a diminuição de 16 para 11 datas, causando não só um impacto esportivo, como também um ainda maior impacto financeiro, já que, com menos jogos, se diminui também o dinheiro das cotas de TV. 

Como os estaduais irão ser percebidos a partir das mudanças já para o ano que vem é incerto, mas é possível notar que, se o interesse do público e dos clubes em relação a competição não mudar, os estaduais vão continuar perdendo relevância dia após dia.

                                                Reprodução: Instagram (@samir.xaud).

 

   

                  O presidente da CBF, Samir Xaud, anuncia mudanças no calendário dos estaduais.   

Cultura de arquibancada: conheça Igor dos Santos, um Guerreiro do Almirante

Cultura de arquibancada: conheça Igor dos Santos, um Guerreiro do Almirante

Entre trabalho e faculdade, Igor separa um tempo para se dedicar ao clube

Por Augusto Oliveira

Membro da barra Guerreiros do Almirante (GDA) desde 2020, Igor dos Santos Nicolau tem 25 anos e cursa o terceiro período da Faculdade de Serviço Social da Uerj. Além das obrigações nas salas de aula e nas arquibancadas, Igor trabalha de manhã até de tarde. Apesar da rotina pesada e do alto preço dos ingressos, ele consegue estar presente na maioria dos jogos do Vasco.

 

“É bem complicado [conciliar as atividades dentro da GDA com a rotina de estudos e trabalho] porque eu trabalho de manhã até às 14h e faço faculdade à noite. Geralmente os jogos são às quartas e aos domingos, dá pra conciliar um tempinho ali, porque a Uerj é perto do estádio, então dá para ir tranquilo. O problema é quando é jogo final de semana e você quer descansar mais um pouquinho. Tem que fazer um esforço, acho que a grande questão é essa, ter que separar um tempo pra poder aproveitar o seu time. Apoiar o seu time.”

“Consigo estar presente na maioria dos jogos; fazendo esforço. Tem a questão do ingresso, também, que é um ponto a ser falado, porque o ingresso está muito caro e às vezes dificulta também comparecer, mas, fazendo esforço, dá pra ir.

 

                      Foto: Igor dos Santos

                 Igor com a camisa da GDA

 

Igor contou sobre a relação com outras organizadas do Vasco e definiu a relação como de união por um único propósito maior: apoiar o clube.

 

“Com organizadas do Vasco, é união, porque atualmente a gente torce para um time e a gente tem que ir até o final. Claro que pessoas divergem opiniões, mas o maior intuito é apoiar o time. É isso que eu vejo. As maiores alianças que a gente tem mesmo são dentro da nossa torcida, a gente não tem que deixar de caminhar junto, porque é o mesmo propósito.”

 

Em 2022, a sintonia torcida-equipe do Vasco foi fundamental na campanha de acesso à Série A, com o time se impondo em São Januário em momentos importantes da competição. No entanto, nos anos seguintes, essa força foi se perdendo, ao que Igor atribui ao alto preço dos ingressos, o que teria mudado o perfil do torcedor do Vasco para um torcedor mais elitista e apático, mais preocupado em assistir à partida do que apoiar a equipe e inflamar o estádio. 

 

“Naquele ano, foi um ano muito maneiro, a sintonia era forte com a torcida e o time, mas acho que isso se perdeu um pouquinho justamente por conta também justamente do que eu estava falando dos ingressos, mudou muito o perfil dos torcedores. É um torcedor mais elitista, que vai mesmo só para assistir ao jogo, não para torcer, às vezes você olha, ninguém está cantando, ninguém está se importando com o que está acontecendo no campo.”

 

“Mas acho que se o ingresso fosse mantido no preço que estava, o sócio fosse mais acessível para o perfil do torcedor vascaíno, eu acho que a gente conseguiria manter aquela relação que a gente tinha de clube e torcida.”

 

Igor também falou sobre a atual configuração de divisão entre as torcidas organizadas em São Januário, onde a GDA se une com a Ira Jovem Vasco, enquanto do outro lado ficam a Força Jovem Vasco e a Mancha Negra, classificando essa divisão como natural e rejeitou a ideia de que seria uma “batalha de egos”. 

 

“Batalha de egos eu não diria, diria que é só a sua forma de se expressar perante a torcida, porque quando quer juntar, junta.”

 

A Guerreiros do Almirante é uma torcida com uma forte pegada ideológica, muito associada à esquerda política e às minorias sociais. Para Igor, isso tem a ver diretamente com a composição da GDA ser majoritariamente uma juventude que anseia em mudar o cenário atual das arquibancadas.

 

“ A GDA atualmente acho que é a torcida que mais se posiciona em relação a minorias, em relação à política, porque a GDA é uma torcida mais jovem, uma torcida que quer mudar as coisas, que quer mudar o cenário atual das torcidas. É uma torcida que faz a diferença em relação às minorias, em relação à mulher, tem componentes femininos na bateria, tem uma torcida feminina da GDA. Acho que é uma torcida que apoia as minorias, que vê a questão da mulher, é uma torcida boa de se fazer presente.”

 

Sobre a imagem das torcidas organizadas, hoje muito associada ao vandalismo e à violência, Igor admitiu a recorrência dessas práticas, mas destacou que é algo que deve ficar no passado.

 

“Isso é presente sim em torcidas organizadas, mas não deveria ser dessa forma. Isso ficou no passado, briga, morte, isso tem que acabar, é inadmissível uma pessoa sair para ver um jogo e morrer no meio do caminho, não voltar pra casa. A pessoa morrer porque está com camisa de organizada de outro time.”

 

Apesar de admitir a violência como uma realidade entre as torcidas organizadas, Igor foi enfático ao dizer que a mídia e os tribunais de justiça cumprem um papel de perseguição das torcidas organizadas, ressaltando que o torcedor organizado, visto como um marginal, muitas vezes só quer ter o direito de torcer.

 

“[O torcedor organizado] Só quer ter o direito de ir pro estádio e apoiar o seu time. E por conta de pessoas que vão para a rua, brigam, quebram coisas, as autoridades com certeza vão pensar que todos os torcedores organizados são marginais. Mas não é assim. Na torcida organizada tem pai de família, tem trabalhador sério, tem empresário, tem mãe de família, na torcida organizada tem todo tipo de pessoa, não é só marginal. Obviamente tem marginal, mas não é só isso. Como em todo lugar. Como todo ambiente.”

 

Igor reafirmou que há um processo de elitização do acesso aos estádios, que ocorre principalmente pelo já mencionado alto preço dos ingressos e que influencia diretamente no modo como o torcedor e a torcida organizada torcem. 

 

“Com certeza ocorre uma elitização do acesso aos estádios, e isso ocorre devido à alta procura de ingressos, e nisso a diretoria se vê no momento de lucrar com isso, e sobe os valores dos ingressos. E isso influencia bastante no modo como torce o torcedor, como torce a organizada. Acho que isso influencia bastante, porque vou voltar a dizer, isso muda o perfil do torcedor vascaíno. Fica um torcedor mais elitista. E o torcedor vascaíno não é um torcedor elitista. Porém, tem uma minoria que é, e grande parte dela acessa os estádios mais do que as pessoas que não tem condições.”

Futebol feminino ganha mais espaço nas premiações individuais

Futebol feminino ganha mais espaço nas premiações individuais

Crescimento da modalidade resulta em novas categorias e mais reconhecimento para jogadoras e times femininos

Por: Mariana Martins

Reprodução: Instagram (@aitanabonmati)

Aitana Bonmatí com sua terceira Bola de Ouro

 

Aitana Bonmatí, jogadora espanhola que atua no Barcelona, ganhou pela terceira vez seguida a Bola de Ouro, prêmio de futebol criado pela revista francesa France Football que é entregue aos melhores atletas das modalidades feminina e masculina. A cerimônia aconteceu na última segunda-feira (22/9) e marcou a estreia de três premiações para o futebol feminino: o Troféu Kopa para a melhor jogadora sub-20, o Troféu Yashin, que reconhece a melhor goleira, e o Troféu Gerd Müller, destinado à artilheira da temporada. 






A cerimônia da Bola de Ouro acontece desde 1956 e foram 62 edições contemplando apenas o futebol masculino. Só em 2018 elegeram pela primeira vez a melhor jogadora de futebol. Naquela ocasião, Ada Hegerberg, norueguesa que ainda atua pelo Olympique Lyonnais, recebeu o troféu. Desde então, as jogadoras Megan Rapinoe (Estados Unidos), Alexia Putellas (Espanha) e Aitana Bonmatí (Espanha) receberam o prêmio de melhor do mundo. A France Football já havia incluído as categorias de melhor time feminino do ano e melhor técnico do futebol feminino, e na 69º edição ampliou as premiações individuais, igualando as premiações masculinas e femininas.

 

A Fifa foi a instituição de reconhecimento máximo antes da introdução da Bola de Ouro feminina, e ainda possui destaque nas premiações individuais. Em 1991, a categoria World Player of The Year foi criada e passou a reconhecer o futebol feminino em 2001. Em 2024, o Fifa The Best, que existe desde 2016, entregou o primeiro Prêmio Marta para a autora do gol mais bonito do futebol feminino, que se assemelha ao Prêmio Puskas na modalidade masculina. A vencedora do troféu inédito foi a própria Marta, brasileira considerada  a melhor jogadora da história do futebol feminino pela Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS), que também acumula seis prêmios de melhor do mundo pela Fifa entre os anos de 2006 e 2010 e em 2018. 

 

Reprodução: Instagram (@selecaofemininadefutebol)

Marta com um dos seus seis  prêmios Fifa The Best

 

O aumento do destaque para as atletas reflete o crescimento da modalidade, que entre 2022 e 2024 teve um salto de 18% para 22% no interesse global, de acordo com o relatório divulgado em 2025 pela Nielsen Sports, em parceria com a PepsiCo. O relatório também prevê que o futebol feminino será o maior esporte do mundo até 2030, e deve alcançar 800 milhões de fãs. Com isso, competições como a Eurocopa Feminina e a Copa do Mundo recebem maior audiência, cobertura da mídia, investimento e visibilidade para as jogadoras, que as levam a ocupar um espaço maior no futebol.   

 

No Brasil, a premiação Bola de Prata, atualmente organizada pelo canal esportivo ESPN, reconhece os melhores atletas e treinadores da Série A do  Campeonato Brasileiro. A primeira cerimônia foi realizada em 1970, e em 2021 passou a incluir as mulheres do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino de forma igualitária. O crescimento da modalidade no país está ligado ao investimento do governo federal, com programas como a Bolsa Atleta, ação incluída na Estratégia Nacional para o Futebol Feminino, instituída pelo  Decreto nº 11.458, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em março de 2023. 



A decadência dos técnicos brasileiros?

A decadência dos técnicos brasileiros?

Treinadores locais perdem espaço para estrangeiros, que ganham cada vez mais relevância no futebol nacional

Por: Eduardo Campos

Recentemente, após a contratação do italiano Carlo Ancelotti para ser técnico da seleção brasileira, um debate importante foi retomado: o desaparecimento de técnicos brasileiros do cenário nacional e internacional do futebol para o aparecimento cada vez maior de treinadores estrangeiros. Do início do século XXI até quase o final da década de 2010, havia um cenário de hegemonia dos comandantes nascidos no país, que dominavam os títulos em território local e até conseguiam conquistas internacionais.

Contudo, a tranquilidade para os técnicos brasileiros acabou com a chegada de Jorge Jesus ao Flamengo em 2019. Campeão da Libertadores e do Campeonato Brasileiro com atuações magistrais, o técnico português encantou a todos e serviu como modelo para outros clubes buscarem a contratação de treinadores estrangeiros. Dessa forma, mais comandantes de fora do país se tornaram vitoriosos aqui, como seus compatriotas Abel Ferreira, no Palmeiras, e Arthur Jorge, no Botafogo, além de boas passagens dos argentinos Jorge Sampaoli pelo Santos e Juan Pablo Vojvoda pelo Fortaleza.

Reprodução: Instagram (@jorgejesus)

Jorge Jesus, ex-técnico do Flamengo, com o título da Recopa Sul-Americana

Para se ter noção da diminuição da relevância de técnicos brasileiros nos tempos atuais, alguns dados foram levantados através do site Transfermarkt, especializado em estatísticas do mundo futebolístico. Todas as informações possuem validade até o momento da postagem desta notícia. No Brasileirão Série A, são nove treinadores estrangeiros, quase metade da liga. No futebol de seleções, há apenas um técnico brasileiro treinando uma nação: Sylvinho, comandante da fraca e sem tradição Albânia. Nos principais campeonatos europeus (alemão, espanhol, francês, inglês e italiano), nenhum.

Reprodução: Afrim Peposhi/FSHF

Sylvinho, treinador da Albânia, em entrevista coletiva

Porém, não basta ser estrangeiro para ter sucesso treinando uma equipe no Brasil. Existem diversos casos de fracassos retumbantes, como Renato Paiva, português que fracassou em Bahia, Botafogo e Fortaleza, e Álvaro Pacheco, mais um lusitano que conseguiu a proeza de ser demitido do Vasco após trinta dias e quatro jogos, um empate e três derrotas, com direito a uma goleada de 6 a 1 sofrida para o maior rival, Flamengo.

Reprodução: Thiago Ribeiro/AGIF

Álvaro Pacheco, ex-técnico do Vasco, com sua clássica boina

Além disso, alguns técnicos brasileiros, principalmente ex-jogadores, também tiveram ou estão tendo destaque por clubes do país. Fernando Diniz, meio-campista de certa relevância no Fluminense, conquistou uma Libertadores inédita pelo próprio Tricolor das Laranjeiras. Rogério Ceni, um dos maiores goleiros da história do Brasil, ganhou um Brasileirão com o Flamengo e faz boa passagem pelo Bahia. Filipe Luís, lateral-esquerdo histórico em solo europeu e nacional, é uma das grandes promessas da nova geração de treinadores brasileiros com seu trabalho no Flamengo, que resultou, por enquanto, em uma Copa do Brasil.

Entrevistado pela AJ, Ronaldo Helal, professor da graduação de jornalismo na Uerj e coordenador geral do Leme (Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte), opina que havia uma certa soberba dos comandantes brasileiros com os estrangeiros, já que o Brasil é o maior campeão mundial e eles se consideravam melhores por isso. Porém, os técnicos de fora começaram a evoluir taticamente e, citando Jorge Jesus, fizeram com que os treinadores locais começassem a se preparar melhor para não serem apenas gestores de grupo. Helal também elogiou os técnicos brasileiros citados no parágrafo anterior, além de criticar a escolha da CBF por Carlo Ancelotti devido a sua falta de experiência no cenário de seleções.

Ao analisar as posições sobre esse tema, nota-se que a questão da nacionalidade dos treinadores não é algo simples de ser compreendido. Existem mudanças que devem ser feitas no preparo dos técnicos brasileiros, mas falar outro idioma não é garantia que um comandante fará sucesso. Um debate raso sobre um assunto tão importante é perigoso para o futuro do futebol nacional, que pode se ver refém das escolas internacionais de treinadores sem olhar para o próprio território, resultando em um número cada vez maior de estrangeiros no Brasil e menor número de brasileiros comandando equipes relevantes.

Skate: liberdade e expressão sobre rodas

Skate: liberdade e expressão sobre rodas

Com manobras e estilo próprio, skate domina cidades e transforma ruas em palcos

Por: Lívia Martinho

Enquanto muitos veem apenas uma prancha de madeira com rodas, milhões enxergam liberdade, resistência e cultura. No Brasil, cerca de 9 milhões de pessoas praticam skate, segundo a Confederação Brasileira de Skateboarding (CBSk). O esporte chegou ao país nos anos 1960 e 1970, no Rio de Janeiro, e rapidamente se espalhou por calçadas, ruas e praças das cidades.

 

Antes da estreia olímpica o país já revelava grandes nomes no skate, como Sérgio Negão, Bob Burnquist, Sandro Dias (o Mineirinho) e Letícia Bufoni, entre outros. Hoje, o país soma cinco medalhas olímpicas no esporte. Nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, Rayssa Leal e Kelvin Hoefler conquistaram a prata na categoria street, enquanto Pedro Barros ficou com a prata na categoria park. Já nos Jogos Paris 2024, Rayssa Leal garantiu o bronze no street e Augusto Akio conquistou o bronze no park.

 

O que começa como lazer transforma-se em muito mais: o skate é arte, estilo e expressão. Durante muito tempo, os skatistas foram vistos como desarrumados e  desleixados. Mas, ao usar corrimãos, rampas e pistas improvisadas, eles conquistaram um estilo próprio e transformaram a cidade em palco.

 

Em entrevista para AJ, Duda Ribeiro, promessa brasileira da categoria street, contou um pouco sobre como o skate influencia no seu estilo e na sua forma de se expressar: “O skate influencia muito o meu estilo e como me expresso, ele me ensinou a ser mais autêntica. No skate, não há regras rígidas sobre como se vestir ou como se comportar. A gente usa o que é confortável e o que nos faz sentir bem.”

 

(Imagem via @dudaribeirosk8)

 

Marcas como Vans, Converse e Drop Dead se consolidaram como símbolos do skate e seus praticantes, enquanto estilos musicais como hip hop e rap ajudaram a formar sua identidade. E na moda, peças como calças largas, tênis irados, estampas xadrez, moletons com capuz e bonés marcaram o visual que atravessou gerações e segue influente até hoje.

 

“O skate é a minha respiração. É nele que eu brinco, crio, me sinto feliz, inteira, me sinto eu.” — Rayssa Leal, medalhista olímpica.

 

(Imagem via @rayssalealsk8)

 

Com manobras e estilo único, o skate consolidou-se como expressão cultural e social. Influenciando moda, música, arte e transformando vidas, o esporte inspira novas gerações a ocupar e transformar as ruas.

Sociedades Anônimas no futebol brasileiro: Como está o desempenho dos clubes pós-SAF?

Sociedades Anônimas no futebol brasileiro: Como está o desempenho dos clubes pós-SAF?

Seis clubes da primeira divisão do Campeonato Brasileiro são SAFs

Por: Murilo Soares

 

Reprodução: Site/Pexels

A Sociedade Anônima do Futebol é um modelo de gestão administrativa em que os clubes migram da associação civil para um formato empresarial, transformando-se em clubes-empresas. Após a sanção da Lei da SAF em 6 de agosto de 2021, cerca de 100 times do futebol brasileiro migraram do modelo associativo de gestão, para se tornarem SAFs. Com a mudança no corpo administrativo, os objetivos são equilibrar as finanças de forma a se livrar de dívidas, garantir a sustentabilidade financeira, e construir elencos mais competitivos. 

Entre as equipes da série A do Brasileirão 2025, seis apresentam o modelo de clube-empresa: Atlético Mineiro, Bahia, Botafogo, Cruzeiro, Fortaleza e Vasco. Diante de projetos bem-sucedidos, e outros ainda em desenvolvimento, qual o desempenho dessas equipes após a migração do modelo associativo para os de SAFs?

Botafoguenses e vascaínos partilham visões extremamente distintas sobre as gestões de suas equipes; por um lado, após a aquisição do clube pelo americano John Textor em 2022, os torcedores do Glorioso puderam acompanhar três anos depois, a melhor temporada da história do clube, com a conquista de dois títulos; enquanto os vascaínos, veem o clube passar por uma enorme crise financeira, com uma dívida estimada em R$928 milhões e falta de competitividade com as principais equipes do país. A SAF do clube, que era controlada pela 777 Partners de setembro de 2022 até maio de 2024, foi retomada na Justiça por uma liminar concedida ao associativo. Com isso, o ex jogador Pedrinho, presidente do associativo, também assumiu a presidência da SAF. As duas equipes se enfrentaram pelas quartas de final da Copa do Brasil, e após dois empates por 1×1, o Cruzmaltino eliminou o Alvinegro nos pênaltis e avançou para as semifinais.

Reprodução: Site/Pexels


Após se tornar SAF, o Glorioso venceu uma Libertadores e um Brasileiro

Em Minas Gerais, o Cruzeiro, primeiro brasileiro a se tornar SAF, retornou à Série A em 2023, teve a administração passada das mãos de Ronaldo Fenômeno para o empresário Pedro Lourenço, contratou 90 jogadores após os aportes financeiros, e se encontra na disputa pelo título do Brasileirão, ocupando a 2º posição, e da Copa do Brasil, ao eliminar o seu maior rival com um 4×0 no agregado. O Atlético Mineiro por sua vez, ocupa apenas a 14º colocação, é o segundo clube mais endividado do Brasil, devendo R$1,4 bilhão, além de apresentar diversos jogadores notificando o clube na Justiça por pendências financeiras. 

No Nordeste, o Bahia, recentemente campeão da Copa do Nordeste, foi integrado ao Grupo City (que controla o Manchester City e Girona) em 2023, voltou à Libertadores após 36 anos, e é o 4º colocado no Brasileiro. Já o Fortaleza, que se tornou SAF em setembro de 2023, chegou a uma final de Copa Sul-Americana no mesmo ano, se classificou para a Libertadores 2 vezes no período pós-sociedade anônima (2023 e 2025), e alcançou sua melhor campanha no Brasileirão, ao terminar a edição passada em 4º lugar com 68 pontos.

Reprodução: Site/Pexels

O Bahia se sagrou pentacampeão da Copa do Nordeste ao bater o Confiança por 9×1 no agregado

Vale ressaltar que o Red Bull Bragantino, embora estruturado como clube-empresa, não é considerado uma SAF, visto que adotou o modelo de sociedade limitada (LTDA) em 2019, dois anos antes da aprovação da Lei da SAF. 

Por fim, é perceptível que os recentes investimentos nos clubes vêm revolucionando profundamente o futebol brasileiro, visto que cada vez mais os clubes gastam milhões em reforços, apresentando somados mais de R$1 bilhão em gastos, profissionalizam suas gestões e alcançam resultados que o modelo associativo não era capaz de trazer. Mesmo com projetos bem-sucedidos, como o do Botafogo, ainda é preciso esperar mais alguns anos para analisar o verdadeiro impacto das SAFs no futebol brasileiro.

 A ascensão dos esportes ‘esquecidos’

A ascensão dos esportes ‘esquecidos’

Ginástica rítmica, tênis de mesa e tiro com arco ganham destaque e viram promessas de medalhas na próxima Olimpíada

Por: Eduardo Campos

Faltando menos de três anos para o início das Olimpíadas de Los Angeles em 2028, as projeções de medalhas para o Brasil já começaram a ser feitas. Algumas são mais previsíveis, em esportes que nosso país já é tradicional, como o futebol, o vôlei, o atletismo… Contudo, ao longo desse ciclo olímpico, certas modalidades estão se destacando e surgindo como possíveis conquistas inéditas. São elas: a ginástica rítmica, o tênis de mesa e o tiro com arco.

O esporte com o destaque mais recente é a ginástica rítmica. No campeonato mundial ocorrido em solo nacional dos dias 20 a 24 de agosto, o conjunto brasileiro conquistou duas medalhas de prata inéditas: uma na prova de conjunto geral e uma na série mista. Resultados melhores do que os obtidos nas Olimpíadas de 2024, em que o Brasil terminou na nona posição.

Foto: Ivan Carvalho/CBG

Enquanto isso, no tênis de mesa, o fenômeno Hugo Calderano chega confiante e pronto para alcançar um pódio olímpico pela primeira vez, após terminar em quarto nas Olimpíadas de 2024. Campeão da Copa do Mundo de Tênis de Mesa e vice-campeão do Campeonato Mundial de Tênis de Mesa, o carioca também briga por medalha nas duplas mistas com Bruna Takahashi.

 

Foto: Abelardo Mendes JR/Calderano TM

Por fim, destaque para o tiro com arco e Marcus D’Almeida. Terceiro colocado do ranking mundial de arco recurvo, foi eliminado nas oitavas de final das Olimpíadas de 2024 para o medalhista de ouro Kim Woo-jin, da Coreia do Sul. Em 2025, Marcus conquistou a prestigiada Copa do Mundo de Tiro com Arco Antália, na Turquia, e tem expectativas altas para Los Angeles.

Foto: Wander Roberto/COB

Ao analisar o bom desempenho brasileiro recente nessas modalidades, algumas dúvidas são levantadas: os investimentos feitos em esportes de menos destaques são compatíveis com seus sucessos esportivos? A ascensão deles é algo passageiro ou duradouro? Existe um incentivo para praticar esses esportes? 

Com o objetivo de responder a essas perguntas, algumas informações foram coletadas para saber o panorama atual desses esportes. Percebe-se que o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) e o governo federal estão interessados na manutenção desse sucesso. Através do Bolsa Atleta, o Ministério do Esporte fornece cerca de R$ 4 mil para atletas olímpicos e paralímpicos e R$ 16 mil para atletas pódio. Enquanto isso, o COB fez repasses de R$ 225 milhões de reais para as confederações olímpicas no ano passado, valor distribuído em função do desempenho esportivo de cada modalidade, como medalhas nas Olímpiadas e em Mundiais.

As performances recentes sinalizam que o Brasil não pode ser resumido a apenas alguns esportes já conhecidos do grande público. O investimento feito em modalidades menos badaladas é válido, provando-se um sucesso a cada dia que passa, com novas conquistas que trazem mais visibilidade para o cenário esportivo brasileiro no geral.

Vôlei feminino brasileiro: Elisângela fala sobre reformulação da seleção, Bernardinho, Zé Roberto e futuro da seleção.

Vôlei feminino brasileiro: Elisângela fala sobre reformulação da seleção, Bernardinho, Zé Roberto e futuro da seleção.

Seleção vive fase de mudança, mesclando jovens promessas e jogadoras experientes para manter o Brasil no topo.

Por: João Pedro Marins

O vôlei feminino brasileiro atravessa mais uma fase de renovação. Após quase duas décadas de conquistas históricas, a seleção busca se reconstruir, apostando em jovens talentos sem abrir mão da experiência de nomes consagrados. Essa transição foi visível na convocação para a Copa do Mundo de vôlei feminino que ocorre na Tailândia. 

Uma reformulação semelhante ocorreu no final dos anos 90 e início dos anos 2000, com a chegada do Bernardinho e a troca por Zé Roberto Guimarães.

Crédito: Fotos/ Pedro Ugarte

Elisângela comemorando vitória

Elisângela Oliveira, ex-oposta da seleção brasileira, viveu de perto o período de transição entre Bernardinho e Zé Roberto Guimarães. Medalhista olímpica em Sydney 2000, ela relembra como cada treinador marcou sua carreira, analisa o atual momento da equipe e relembra a reformulação dos anos 90 e 2000

“Eu acho que a mudança no voleibol começou na Olimpíada de Atlanta, em 96, com a chegada do Bernardinho. A seleção começou a subir no pódio, revelou grandes jogadoras e o feminino passou a ficar mais em evidência, até maior do que o masculino, que tinha sido campeão em 92. Além disso, naquela época havia uma rivalidade enorme com Cuba, algo que até hoje não se repetiu”, recorda à AJ.

A ex-jogadora também lembra á AJ da emoção de conquistar uma medalha olímpica. “Assistir a Barcelona 92 me motivou a querer jogar uma Olimpíada. Eu queria ganhar. Não consegui o ouro, mas conquistei uma medalha. Quando você volta ao Brasil e vê as pessoas vibrando com você, entende a dimensão do que conquistou. Até hoje, quando me apresento em projetos, digo: eu sou medalhista olímpica. Estar numa Olimpíada é o ápice, o momento mágico de qualquer atleta.”

Sobre as diferenças entre Bernardinho e Zé Roberto, ela resume á AJ: “São pessoas muito diferentes, mas dois vitoriosos, dois dos maiores treinadores do mundo. Trabalhar com eles foi prazeroso, cada um acrescentou algo na minha vida. Tenho lembranças muito boas e sou grata a Deus por ter jogado duas Olimpíadas com esses dois feras.”

Atenta ao momento atual da seleção, Elisângela avalia que o ciclo olímpico é um dos mais desafiadores. “Hoje a equipe está mais enxuta, sentimos a falta de jogadoras de referência como a Ana Cristina. Antigamente a gente tinha três, quatro ponteiras no nível. Então hoje a Ana Cristina saindo, não que não tenha outras jogadoras, há mas do nível dela eu acho que ainda não temos. Tem as outras jogadoras que são mais de composição, mais de passe, mais atacar, bloquear, a altura dela, a experiência, né? Que apesar de nova, já estava jogando há bastante tempo fora. Hoje nossa seleção está muito mais enxuta. A maior liderança é a Gabi, mas precisamos de mais nomes de peso, especialmente na posição de oposta”. 

A ex-jogadora também alertou á AJ sobre a necessidade urgente de o Brasil rever o processo formador das jogadoras. “O Brasil deixou de investir na base, e isso reflete nos resultados. É urgente olhar para projetos sociais e formação.”

Créditos: Fotos/ Vôlei BC

Elisangela Oliveira nos dias atuais.

Fora das quadras, ela segue envolvida com o vôlei. “Me dediquei mais de 20 anos ao esporte e hoje trabalho em projetos sociais. Atendo a 300 crianças em Itajaí e estou montando outro em Londrina, minha terra natal. A mensagem que deixo para as jovens é treinar, se dedicar, cuidar da alimentação e do sono. O tempo passa rápido, então aproveitem cada minuto, cada campeonato, porque passa voando”, disse a ex-jogadora à AJ.

A seleção está em busca do ouro inédito da copa do mundo e está no rumo das olimpíadas de Los Angeles 2028. 

Conheça as brasileiras que trouxeram a prata no Mundial de Ginástica Rítmica

Conheça as brasileiras que trouxeram a prata no Mundial de Ginástica Rítmica

‘A medalha chegou, mas vamos continuar buscando. Agora queremos uma de ouro, depois mais três de ouro, a olímpica. Com ou sem a medalha no peito, a gente vai trabalhar muito para os próximos objetivos’

Por: Livia Bronzato

Apresentando-se na modalidade três bolas e dois arcos, ao som de Evidências, a equipe feminina brasileira conquistou a prata na prova geral, atrás apenas da equipe japonesa. Treinada pela Camila Ferezin, a seleção brasileira de ginástica rítmica é composta por cinco jovens: Maria Eduarda Arakaki, Maria Paula Caminha, Mariana Gonçalves, Sofia Madeira Pereira e Nicole Pircio.

Crédito: Divulgação/Confederação Brasileira de Ginástica

 

Todas moram juntas e treinam oito horas por dia, majoritariamente na sede da Confederação Brasileira de Ginástica, em Aracaju. Segundo Camila, a convivência traz uma sincronia única, transformando-as em uma família, que compartilha o mesmo desejo e disciplina. 

 

O grupo também foi finalista da modalidade Final 5 fitas e terminou em sexto lugar. “É a primeira vez que conseguimos duas finais em um Mundial. Vamos chegar ao hotel e acabou rede social, é colocar a cabeça no travesseiro e começar do zero. Acreditamos que faremos séries melhores ainda e fazer história pelo Brasil”, diz Nicole.

 

A 41ª edição do evento, em sua primeira vez na América do Sul, foi sediada na cidade do Rio de Janeiro. A competição aconteceu entre os dias 20 e 24 de agosto, na Arena Carioca 1, localizada no Parque Olímpico (Barra Olímpica).

 

Maria Eduarda Arakaki

 

Crédito: Instagram/dudaarakaki

Duda visitando o Cristo Redentor

 

A capitã da Seleção iniciou sua história na ginástica com apenas 6 anos de idade, participando de campeonatos regionais durante a juventude. Atualmente com 22 anos, conquistou três ouros no Pan-Americano de Ginástica em 2021 em diferentes modalidades (5 Bolas, em 3 Arcos e 4 maças e no grupo geral). No ano anterior, a alagoana havia participado da equipe que competiu nas Olimpíadas de Tóquio e que terminou em 12º lugar.

Arakaki, além disso, levou duas medalhas de ouro na Copa do Mundo de Ginástica Rítmica de 2023. As conquistas ocorreram na etapa de Portimão (Portugal) com a música I wanna dance with somebody, de Whitney Houston; e, na de Cluj-Napoca (Romênia), pelo conjunto  misto de 3 Fitas e 2 bolas.

 

Maria Paula Caminha

 

Crédito: Instagram/mariapaulacaminha

Maria Paula nos Jogos Escolares da Juventude 2022, em Aracaju.

 

Maria Paula, com apenas 16 anos, foi selecionada para integrar a seleção, em dezembro de 2024. Sua estreia foi na Copa do Mundo de Ginástica Rítimica 2025, conquistando o ouro no individual geral e nas duas finais do evento, ao lado de Arakaki, Nicole, Mariana e Sofia. A carioca também conquistou o ouro no individual geral no Mundial de Milão.

 

Mariana Gonçalves 

 

Créditos: Instagram/marigpinto

Mari exibe as medalhas de ouro conquistadas durante a Sul-Americana em 2023.

 

Mariana é uma curitibana de 20 anos que acumula em sua trajetória 5 medalhas de ouro em Copas do Mundo, conquistadas em 2024 e 25, tanto em modalidades individuais quanto em conjunto ao lado das integrantes da Seleção. Compartilhando em seu instagram, Mari, como prefere ser chamada, registra seus treinos e suas viagens que a carreira proporciona.

 

Sofia Madeira Pereira

 

Crédito: Instagram/sofiamadeirapereir

Sofia durante as Olimpíadas de Paris, em 2024.

 

Sofia iniciou sua história com o esporte quando, enquanto sua mãe treinava na academia, ela ocupava seu tempo na ginástica rítmica e, mais tarde, passou a defender o Clube ICESP, do Espírito Santo.

Titular desde 2022, chegou à seleção já conquistando três medalhas de ouro no Sul-Americano da Colômbia, no conjunto geral, cinco arcos e mista. Nessas mesmas três modalidades, a atleta conseguiu mais medalhas de ouro durante o Pan-Americano de Guadalajara. 

Sofia comentou sobre o Mundial de Valencia 2023, em que terminaram em 6º lugar: “O mundo agora enxerga o Brasil de outra forma porque estamos no topo do mundo na  ginástica rítmica. Porque, querendo ou não, agora somos uma ameaça a todos eles. E isso é incrível! Fizemos história para o Brasil.”



Nicole Pircio

 

Crédito: Instagram/nicole_pircio

Nicole como porta-bandeira no Prêmio Brasil Olímpico 2023.

 

A paulista, de 23 anos, se apaixonou pelo esporte ao assisti-lo pela televisão, aos 10 anos. Por isso, se juntou ao Programa Desporto de Base, da prefeitura de Piracicaba. Pela seleção, Nicole compete há oito anos e, ao lado de Duda Arakaki, participou das Olimpíadas de Tóquio 2020.

A atleta acumula medalhas em Pan-Americanos: no Rio em 2022, trouxe dois ouros no conjunto geral e na modalidade de 5 arcos e uma prata na série de bolas e fitas; enquanto em Santiago em 2023, alcançou o ouro na prova mista em conjunto.

Rayssa Leal: inspiração nas pistas e no mundo fashion

Rayssa Leal: inspiração nas pistas e no mundo fashion

Por Livia Bronzato

Além de se arriscar nas rampas de campeonatos mundiais, a skatista Rayssa Leal se aventura em roupas que demonstram muito de sua personalidade. Com certeza, por causa das Olimpíadas, você sabe qual é o estilo desses looks – um street style, mas já imaginou a Fadinha vestindo grifes e saias plissadas em desfiles internacionais?

 

Rayssa se tornou, em 2024, a primeira brasileira embaixadora global da Louis Vuitton, marca renomada francesa. A atleta declara que gosta de estar próxima ao mundo da moda, mas que se sente desafiada porque não está acostumada com o “glamour”. Em evento de desfile da marca, a brasileira apostou em um xadrez de tons terrosos, conjunto que une blazer e saia de tweed, um tipo de tecido feito de lã.

 

Foto: Instagram

Rayssa no desfile Louis Vuitton Spring-Summer 2025.

 

Além das cores sóbrias, a embaixadora da marca já ousou em propostas mais coloridas e divertidas, mas o ponto em comum entre seus conjuntos são as saias e partes de cima com mangas compridas, e, claro, uma bolsa de mão.

 

Foto: Instagram

Em 2023, Rayssa assiste a desfile Louis Vuitton Fall-Winter.

 

A Nike também patrocina a adolescente e, em conjunto, lançaram o tênis Nike SB Dunk Low Pro Rayssa, que possui detalhes com a letra R formando asas – remetendo ao apelido “Fadinha” – nas cores branco, roxo e azul. O produto, que custava R$ 899,99, esgotou em menos de vinte minutos, durante seu lançamento em março de 2024.

 

Foto: Instagram

Modelo “dunk” da colaboração entre Rayssa e Nike.

 

Já para os eventos e competições esportivas, realmente Rayssa costuma escolher o estilo streetwear, investindo em tops, calças mais largas, alguns moletons e blusões e, para complementar dando um charme, um boné. A maneira que a skatista se veste é um espelho de sua carreira já que esse estilo é compartilhado entre a comunidade que pratica o esporte o que ressalta que, além de apenas roupas, a moda é sobre pertencimento e identificação. “A moda é uma das partes mais importantes do skate como cultura”, diz Rayssa.

 

Foto: Instagram

Rayssa durante as Olimpíadas 2024

 

O streetwear nasce a partir dos anos 90, com berço na cultura urbana do hiphop, skate e surf nos Estados Unidos e, aos poucos, foi se tornando cada vez mais popular no Brasil depois dos anos 2000.