Pesquisadores da Uerj apresentam projetos de transição energética e energias renováveis no Rio Innovation Week 2025
Temas como indústria química ecológica e economia circular também foram discutidos
Por: Maria Eduarda de Souza Galdino

Soluções para um mundo mais sustentável se transformaram em um dos temas da quinta edição do Rio Innovation Week. Pesquisadores da Uerj discutiram transição energética, economia circular e indústria química ecológica no painel Kobra, na última quarta-feira (13).
O professor de química André Luiz Helermy Costa, pesquisador de processos químicos na Uerj, lembrou que a maioria dos processos envolve o uso de combustíveis fósseis e um alto gasto de energia não renovável. Helermy ressaltou que esse modelo de produção precisa ser reformado. Segundo o IEMA (Instituto de Energia e Meio Ambiente), organização sem fins lucrativos que pesquisa ottema, o setor de processos industriais e uso de produtos, do qual a indústria química faz parte, é responsável por 110 milhões de toneladas de C0² equivalente no Brasil.
Como solução possível, o professor Helermy apresentou ecoparques industriais, que são empresas/ fábricas que operam de forma sustentável. O objetivo é transformar resíduos de uma instalação química em insumos para outras empresas. A transição energética também foi citada pelo professor como alternativa sustentável para instalações industriais onde a energia renovável se transforme em principal fonte energética. Como exemplos, ele citou o biodiesel, o biogás e o hidrogênio verde. O professor usou como exemplo funcional as pesquisas feitas no Centro Green Fusion, laboratório que investiga modelos de produção química alternativos e ecológica.
A bioeconomia também foi debatida no painel. A professora da Uerj Mariana Erthal Rocha, pesquisadora líder do laboratório biotech da UTD de Estudos ambientais e Reservatórios Gesar, apresentou o projeto que transforma estações de tratamento de esgoto, também conhecidas como ETEs, em biofábricas. Isso significa que os resíduos resultados do tratamento de esgoto podem ser transformados em insumos úteis, como plásticos biodegradáveis e produção de biogás para geração de energia.

Segundo a professora, o Brasil é um dos maiores produtores de resíduos orgânicos do mundo, produzindo cerca de 800 milhões de toneladas anualmente. E pouco desses resíduos são descartados ou reaproveitados de forma correta. Apesar disso, a professora reconhece que o Brasil vem progredindo no planejamento para tratar desses resíduos.
Como solução, apresentou as arqueias metanogênicas, microrganismos que têm como uma das características é a capacidade de auxiliar na decomposição de matéria orgânica, ou seja, podem ser utilizados no tratamento de resíduos orgânicos em ETEs. Além disso, a arqueia tem um potencial uso em bioenergia como fonte renovável. Segundo a professora, esse processo está ligado ao conceito de economia circular, com o reaproveitamento ecológico dos resíduos.