Novo bar em Vila Isabel explora o que tem de melhor na vida boêmia do bairro

Novo bar em Vila Isabel explora o que tem de melhor na vida boêmia do bairro

Localizado no Boulevard 28 de setembro, Patota Bar & Restaurante explora o samba e o futebol enquanto enfrenta os desafios de se estabelecer na região 

Por Laura de Sousa e Silva dos Santos

                                          Patota Bar & Restaurante. Foto: Laura de Sousa e Silva dos Santos

 

O bairro Vila Isabel é conhecido pela sua vasta história e cultura. Localizado na Zona Norte do Rio de Janeiro, o lugar é marcado pela música, pelo futebol, pela boêmia e pela comunidade. Além da escola de samba Unidos de Vila Isabel e do estádio de futebol Maracanã, a região também concentra uma grande quantidade de bares tradicionais, o que intensifica a vida noturna do bairro.

 

No dia 15 de setembro deste ano, Vila Isabel deu as boas-vindas a mais um estabelecimento que intensificará a vida boêmia do lugar: Patota Bar & Restaurante, localizado na rua 28 de setembro. O sócio-operador do espaço, André Costa comentou um pouco sobre a ideia de abrir o bar na região: “É um bar ligado à música, alguns dos sócios que já eram do bar tentaram reabrir com uma nova marca, uma nova proposta. Com música, samba, tudo a ver com Vila Isabel. Petiscos tradicionais e essas coisas”.

 

Cultura do samba

André comentou que como diferencial de outros restaurantes do bairro, o ambiente traz música, especialmente o samba, para entreter os clientes. Ele relatou que o estabelecimento busca contratar músicos do próprio bairro para tocarem no lugar: “São artistas menos conhecidos, que precisam de um espaço para tocar. É isso que a gente pensa, trazer pessoas do bairro, artistas do bairro que estejam aqui e que queiram o seu espaço para tocar. E que a gente possa ter uma troca’.

 

Cultura do futebol

O sócio-operator afirmou que o bar busca agradar os torcedores de futebol que costumam acompanhar os jogos que acontecem no Maracanã. As torcidas que costumam marcar presença no lugar são as do Flamengo e do Fluminense, justamente por já serem do estádio, porém André comentou que quando o Botafogo e o Vasco jogam no bairro, alguns dos entusiastas desses dois times também marcam presença.

Para atender a esse público lunático por futebol, ele descreveu como o estabelecimento se prepara para receber esse público: “A gente contrata mais gente, a gente se prepara, faz um cardápio mais enxuto para poder atender melhor. A gente faz todo um planejamento de número de pessoas, a gente se planeja para atender esse público”.

 

Público-alvo

André comentou que quando se abre um negócio, a primeira coisa que se pensa é no público em volta, e ele explicou quem o restaurante busca alcançar: “O nosso público-alvo é o morador, pessoal do hospital, pessoal que trabalha aqui em volta e o pessoal da Uerj. Tanto os professores, quanto os diretores, estudantes. A gente quer ter opção para todas essas pessoas”.

 

Para os alunos da Uerj, o sócio-operador afirmou que o estabelecimento planejou um cardápio um pouco mais em conta pensando nesse grupo.

 

Importância do espaço 

 

Um restaurante desse porte em um bairro como o de Vila Isabel ajuda a perpetuar a vida noturna tão popular na região, e André reconhece isso: “Eu acho bastante importante porque Vila Isabel está um pouco degradada, está um pouco sozinha. A gente está investindo aqui, a gente está apostando em resgatar algumas coisas aqui de Vila Isabel“.

 

O bar que se encontrava anteriormente ali, Boteco Mané, fechou por conta de problemas na gestão, algo que o sócio-operador já afirmou que não será um problema para o Patota Bar & Restaurante. O que se apresenta como um problema são os desafios constantes que todo morador da região enfrenta: a violência e a decadência do bairro. “A decadência vem da Zona Norte, com o crescimento da violência. Então muita gente migrou para outros lugares. Esse é um fenômeno desde o final da década de 80 para 90. A violência cresceu, as pessoas se sentem inseguras”, lamentou André.

O sucesso de espaços como o Patota Bar & Restaurante ajuda a dar força a um espaço tão rico culturalmente e popular como Vila Isabel, e que problemas como a violência podem até passar a ser rotina, mas não podem parar a vida dos moradores. “É uma preocupação constante, mas faz parte. Infelizmente, o Rio de Janeiro normalizou a violência”, ele lamentou.

 

Expectativa

Com dois meses e meio de funcionamento, André já consegue ter uma perspectiva sobre o futuro do lugar: “Minha expectativa é de ter um movimento constante, com boa música, com um grupo bom, que venha gostar do atendimento, que faça um giro interessante. Para a gente poder ter o retorno do investimento”.

Lixo jogado ao mar atrai espécies invasoras, mostra pesquisa

Lixo jogado ao mar atrai espécies invasoras, mostra pesquisa

Resíduos acabam arrastando espécies estranhas e prejudicam seres vivos e meio ambiente 

Por: Sofia Inerelli

Tampinhas de plástico na faixa de areia da praia – Foto: Fernando Frazão (Agência Brasil)

 
                                      

O mexilhão-verde é uma espécie típica da região oceânica do Indo-pacífico. No entanto, arrastado pelo lixo jogado ao mar, pode chegar a ambientes novos, como o litoral de São Paulo e ocupar o lugar dos mexilhões marrons que vivem ali, causando um desequilíbrio no local. O impacto do lixo na vida das espécies marinhas é uma das descobertas de um estudo realizado por pesquisadores da UFF em praias do município de Niterói, inseridas na Baía de Guanabara e na Região Oceânica do município. 


Os pesquisadores Alain Póvoa, doutor em dinâmica dos oceanos, e Abilio Soares Gomes, doutor em oceanografia biológica, monitoraram ao todo 22 espécies incrustadas ao lixo. Entre elas, há crustáceos, vermes, moluscos e esponjas. Em sua maioria, tais espécies se alimentam pelo processo de filtração, ou seja, de presas ou de material orgânico que se encontram em suspensão na água do mar. O plástico, cuja densidade é menor do que a da água, flutua e atrai esses organismos, que o confundem com alimento.  


A pesquisa também observou que cerca de 36,4% das espécies eram classificadas como invasoras. Quando esses organismos são introduzidos em ambientes diferentes dos seus naturais, podem causar impactos significativos no local, especialmente pela ausência de predadores. Esse desequilíbrio pode resultar em superpopulação, competição por recursos e, em casos extremos, na eliminação de espécies nativas.


A dimensão do problema pode ser melhor compreendida quando associada à teoria do efeito borboleta: a partir de uma ação inicialmente pequena, como o bater das asas de uma borboleta, desdobramentos gigantes podem acontecer. Nesse caso, um gesto aparentemente simples — o uso de uma garrafa plástica e seu descarte no mar — é capaz de comprometer toda a cadeia alimentar de uma região quando a espécie mexilhão-verde se fixa nesse resíduo. 


Independentemente de seu formato ou de estar muito ou pouco deteriorado, o lixo jogado ao mar sempre traz consequências para a vida dos seres vivos. Polui as águas e pode interferir na cadeia alimentar de uma região; pode também afetar os seres humanos. É o que acontece com os microplásticos, que são partículas minúsculas de plástico mas que ainda não foram completamente degradadas. Elas são facilmente ingeridas pelos peixes até por fim chegarem aos seres humanos.


Lixo ‘internacional’, ou seja, que atravessa de um país é outro, é algo comum – mas resolver esse problema não é tão simples. Quando a origem dos resíduos é identificada, os países tendem a não assumir responsabilidade. Acordos internacionais, como a Convenção Internacional para a Prevenção da Poluição por Navios (MARPOL) e a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS), estabelecem de forma ampla a responsabilidade de empresas e Estados pelo manejo adequado de resíduos, especialmente no ambiente marinho. No entanto, tais instrumentos ainda são insuficientes para garantir uma solução eficaz para o problema do lixo que circula entre fronteiras.


A presidente do Sea Shepherd Brasil, Nathalie Gil, durante a palestra “Lixo Internacional chega a nossa costa”, ocorrida na Rio Ocean Week, afirmou que não se pode pensar apenas no lixo que já está presente no mundo. Disse que é preciso reduzir e parar a produção de lixo. Segundo ela, eliminar todo o lixo das praias seria necessário fazer um mutirão com um bilhão de pessoas, e mesmo assim no dia seguinte o lixo continuará sendo despejado no oceano. A ação seria pouco eficiente, se for considerado o trabalho exigido, e nunca teria fim. Para ela, mais eficaz seria não produzir mais plástico, algo que exige unir ação social com políticas efetivas dos governos.










Conheça o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, projeto encabeçado pelo Brasil que ganhou espaço na COP 30

Conheça o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, projeto encabeçado pelo Brasil que ganhou espaço na COP 30

Programa foi anunciado na Cúpula dos Líderes em Belém e vai reunir recursos doados pelos países mais ricos para financiar ações de conservação das florestas

Por: Maria Eduarda Galdino

 
                                      

O Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF na sigla em inglês), programa criado pelo governo brasileiro, propõe oferecer financiamento para países que se comprometeram a conservar suas florestas tropicais. É uma forma de estimular esses países a continuar essa proteção. As florestas colaboram para a estabilidade da temperatura global, a preservação da vida humana e animal.A ideia é que, para cada dólar investido pelos países apoiadores, a iniciativa privada entre com 4 dólares. Através de empresas, fundações, governos e outras fontes, as florestas tropicais podem adquirir um financiamento estável por muitos anos.


O TFFF é diferente dos projetos de investimentos a favor da justiça climática já estabelecidos anteriormente. Como por exemplo, os mercados de carbono, que recompensam os países por poluírem menos com as emissões de CO2. O TFFF valoriza as florestas de pé, preservada e cuidada.Antes da COP 30 em Belém do Pará, apenas cinco países faziam parte do lado investidor do fundo: Colômbia, República do Congo, Indonésia, Gana e Malásia. No total, mais de 74 países que possuem florestas poderão receber partes do TFFF, para que o dinheiro possa ser investido em proteção aos biomas. 

 

Com as negociações da COP 30, mais países se comprometeram a financiar o projeto e o montante total já soma US$6,5 bilhões de dólares. A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, anunciou nesta quarta-feira (19), que o governo da Alemanha anunciou um investimento de 1 bilhão de euros. Além disso, durante a Cúpula do Clima em Belém, dias antes da COP 30, Noruega, França e Portugal anunciaram que vão participar.



O Brasil mantém o seu compromisso como criador e investidor do Fundo com US$1 bilhão de dólares. O presidente Lula afirmou que a iniciativa, liderada por um dos países do Sul Global, é inédita e focada nas florestas. Segundo o governo federal, o monitoramento de conservação será feito via satélite, com padronização internacional e dados públicos. O financiamento também pretende designar 20% do valor dos pagamentos aos povos indígenas e outros povos nativos. Um dos desafios é assegurar que o dinheiro do TFFF chegue de fato às comunidades tradicionais – a promessa é que pelo menos 20% dos investimentos vá para os povos indígenas, mas eles reivindicam um percentual maior. 



 

Ateliê de cerâmica em Vila Isabel oferece aulas e se torna espaço de criatividade e conexão

Ateliê de cerâmica em Vila Isabel oferece aulas e se torna espaço de criatividade e conexão

Nomeado de Estúdio Casa 100, o ateliê é um espaço localizado na parte externa da casa de uma das professoras, onde o amor pela cerâmica é compartilhado com a comunidade

Por: Alice Moraes

Uma estante com objetos do ateliê Estúdio Casa 100. Foto: Alice Moraes

Duas amigas de longa data ministram, juntas, aulas de cerâmica artesanal para moradores da Grande Tijuca, oferecendo um ambiente de aprendizado acolhedor. Júlia Rosa e Luciana Leite, ambas de 43 anos, montaram o ateliê há um ano e se tornaram professoras de cerâmica há dois meses. “Fazer cerâmica é uma atividade extremamente prazerosa”, comenta Luciana com um sorriso no rosto. 

De acordo com as duas, Luciana foi a primeira a entrar para o curso de cerâmica. Como ela sempre postava fotos das peças que construía, Júlia, que já tinha interesse em aprender, se sentiu ainda mais atraída pela arte e decidiu participar do mesmo curso que a amiga. 

O ateliê, chamado de Estúdio Casa 100, está localizado em Vila Isabel, na Rua Justiniano da Rocha, 100. As aulas, que no momento contam com oito alunas, possibilitam que não apenas as professoras ensinem e compartilhem o amor pela cerâmica, mas também auxilia ambas a aprenderem cada vez mais a partir da troca com os alunos. 

Júlia relata que é gratificante utilizar as peças produzidas, como canecas, xícaras e pratos. “Há inúmeras possibilidades de criação com cerâmica”, conta ela, “É uma maneira de se colocar também em cada peça, porque é muito bom tomar café da manhã, por exemplo, e pensar ‘eu que fiz essa caneca’. Dá um prazer muito grande com o resultado final de cada peça”. 

Em uma estante do ateliê, é possível ver a variedade das criações confeccionadas pelas professoras e pelos alunos. Entre as prateleiras, encontram-se utensílios como bules, pratos em formato de pão-de-forma, cumbucas, xícaras pequenas, copos e canecas que variam de tamanho e largura. Em uma mesa próxima dali, os pincéis se encontram prontos para serem utilizados no processo de esmaltação da cerâmica. 

O processo que as professoras aconselham para as aulas é “degrau por degrau”, de acordo com elas. Começam com itens mais simples para os alunos iniciantes. É normal eles chegarem com a expectativa de criar um item mais complicado e que exige mais técnica, por isso elas incentivam a construírem itens mais fáceis, como um prato pequeno ou uma xícara, e conforme o aprendizado e a prática forem evoluindo, novas peças podem ser aprendidas e feitas. 

As aulas enfatizam a modelagem manual da cerâmica, isto é, a modelagem com as mãos, da maneira mais natural possível, como explica Luciana: “É importante ter primeiro esse conhecimento do material, essa prática de manusear”. 

Luciana e Júlia contam que, mesmo com a alegria de ter tantas peças feitas, muitos erros já ocorreram. Quando é o caso, as professoras fazem questão de passar uma visão otimista para os aprendizes: “Eu brinco com os alunos, digo que eles têm que desapegar mesmo. Nem sempre vai dar certo. Tem horas que vai rachar, a peça vai trincar, a esmaltação vai ficar ruim. Faz parte do processo”,  detalha Luciana. 

“Ah, deu errado? Joga fora, acabou. Faz de novo”, enfatiza Júlia, reforçando que os erros não acontecem só com os alunos. Entre os ceramistas com mais experiência, também pode acontecer de o material quebrar, mesmo que na última fase do processo, que é longo. “É uma coisa que a gente trabalha, isso de não se frustrar, porque se der errado, nós fazemos de novo”.

Objetos de cerâmicas presentes no ateliê. Foto: Alice Moraes

O trabalho realizado nas aulas vem rendendo bons resultados, como as professoras observam. A evolução das alunas e a satisfação delas em criar uma boa peça são características que as professoras descrevem como as melhores partes de oferecer as aulas de cerâmica. “No começo, elas estavam super sem jeito, mas conforme foram aprendendo, elas começam a ter um domínio, uma independência”, relata Júlia. Luciana acrescenta: “E ver também a felicidade quando elas conseguem fazer alguma coisa legal também é muito bom. Quando uma peça sai direitinho do jeito que elas esperam, isso é muito legal”.

O curso de cerâmica artesanal no Estúdio Casa 100 é oferecido pelo valor de R$350 mensais, com aulas diárias, não só para moradores da Grande Tijuca, mas também para moradores de outros bairros que estejam interessados e que tenham disponibilidade de horário. Luciana e Júlia relatam que estão abertas para adicionar mais horários, de acordo com a demanda. As aulas têm duração de duas horas e meia e a argila é cobrada à parte. Os demais instrumentos, como moldes e esmaltes, são disponibilizados no ateliê. 

Brasil aprova exploração de petróleo na Foz do Amazonas às vésperas da COP30

Brasil aprova exploração de petróleo na Foz do Amazonas às vésperas da COP30

Pesquisadores e cientistas alertam para riscos ambientais e necessidade de investir em fontes energéticas renováveis 

Por: Sofia Inerelli 

 
                                      Embarcação petrolífera em mar aberto – Foto: César Fernandes – Agência Brasil

Após quase 40 anos desde o início da exploração de petróleo na Província Petrolífera de Urucu, a maior reserva terrestre de petróleo e gás natural do país, o Ibama autorizou a perfuração na bacia da Foz do Amazonas, localizada na Margem Equatorial, região estratégica para reposição de reservas. A decisão foi tomada 21 dias antes da COP 30, Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, o que provocou muitas críticas ao Brasil.

Explorações como a de Urucu e a da Foz do Amazonas são arriscadas, pois podem gerar grandes estragos no meio ambiente e as comunidades que dependem dele para sobreviver. Segundo o Instituto Internacional Arayara, a decisão do Ibama põe em risco 78% da biodiversidade amazônica, 2,7 milhões de indígenas e 10 milhões de hectares de floresta. O Arayara aponta ainda, entre os prejuízos, a poluição das águas, prejudicando a vida marinha, incluindo por poluição sonora e vazamentos de navios-tanques. Trata-se de uma região com correntes marítimas muito fortes, o que aumenta o risco de acidentes tanto durante a perfuração quanto na fase de produção.

 

Essa região concentra cerca de 80% de todos os manguezais do Brasil, incluindo o maior cinturão contínuo de manguezais do mundo, entre os litorais do Pará e do Maranhão. Esses ecossistemas desempenham um papel fundamental na captura e armazenamento de carbono, contribuindo diretamente para o enfrentamento das mudanças climáticas.

Além disso, a área possui grande relevância ecológica por ser uma zona de reprodução de diversas espécies marinhas e terrestres. Qualquer perturbação causada por atividades de perfuração pode comprometer esses processos naturais, tornando a exploração de petróleo na região ainda mais delicada e arriscada. Com a volta de um novo projeto para explorar petróleo na Amazônia, o Brasil demonstra que ainda não está disposto a romper completamente com fontes energéticas não renováveis. 

Luis Pazos administrador no BNDES alerta para os impactos que o projeto de exploração de petróleo pode causar sobre a população que habita aquele território: “O que acontece no entorno desse porto, que vai trazer mais carros, que vai trazer mais caminhões, que vai trazer mais gente? Como é que fica isso, quando a gente tem uma construção nova, que naturalmente atrai mais mão de obra, e essa mão de obra atraída tem um reflexo imediato naquele território?”, indaga.

Como solução, ele propõe uma agenda de desenvolvimento junto com indígenas, quilombolas e pescadores que vivem e sobrevivem da região. 

Durante a palestra “Foz do Amazonas: redução de danos”, ocorrida durante a Rio Ocean Week, o pesquisador Flavio Torres, do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás, afirmou que o Brasil não pode deixar de ter autonomia sobre sua produção energética, pois pode acabar sendo controlado por outros países. Na avaliação dele, esse seria um dos argumentos em defesa da exploração de petróleo na região. Torres disse que a dependência de fontes de energia externas compromete a soberania dos países e impacta diretamente a vida da população, sobretudo devido ao aumento dos preços dos combustíveis.

A Petrobras já afirmou que a produção nacional deve atingir seu pico em 2029 ou 2030 e depois começar a declinar. Mesmo que amenize o problema envolvendo a independência energética, o petróleo não é um recurso renovável, o que significa que em algum momento terminará. Pesquisadores e cientistas têm estimulado a busca de soluções energéticas com menos riscos e renováveis. 

O Brasil já tem produzido biocombustíveis para cada vez menos precisar dos combustíveis fósseis. De acordo com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), 93% da energia gerada em 2023 foi de fontes renováveis. 

 

Descomplicando a COP: saiba o que são as Blue e Green Zone 

Descomplicando a COP: saiba o que são as Blue e Green Zone

As zonas vão ser palco das principais discussões sobre clima, meio ambiente e demais acordos na COP 30

Por: Maria Eduarda Galdino

             Fachada do pavilhão da Cop 30 em Belém do Pará (PA). Foto: Agência Brasil/ Bruno Peres

 

A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP, iniciou a cerimônia de abertura na última segunda-feira (10) em Belém do Pará- PA. O evento reúne mais de 200 lideranças de todo mundo para discutir sobre mudanças climáticas, financiamento climático, redução das emissões e implementação das NDCs por 12 dias. A estrutura do evento foi dividida em duas áreas: a Blue Zone e a Green Zone.

 

A Blue zone (zona azul) é o espaço mais restrito da COP, é onde ocorrem as negociações oficiais, grupos de trabalho (GT) e sessões plenárias. Nessa área, representantes oficiais dos países estão apresentando pautas em favor da justiça climática, financiamentos e acordos para a tomada de decisões que se transformarão em compromissos globais que irão surtir impacto direto na vida dos cidadãos. Os debates são assistidos por organizações observadoras.

 

Os negociadores, que estão representando os países, são divididos em grupos e participam de reuniões em salas temáticas para discutir os artigos do Acordo de Paris. As organizações observadoras também são divididas: agências especializadas da ONU, organizações intergovernamentais e organizações não-governamentais.  Ao final das reuniões, cada grupo deve entregar uma proposta que estará presente no documento final da COP 30.

 

Esses documentos possuem certas exigências, cada grupo deve elaborar um texto que analise os avanços de metas já estabelecidas em outros encontros. Além disso, também é obrigatória a discussão sobre a eliminação do uso de combustíveis fósseis, analisar a atual situação de áreas/ países mais vulneráveis afetados por mudanças climáticas e estratégias de adaptação às mudanças climáticas que atingem florestas e cidades. 



    Globo terrestre no pavilhão blue zone COP 30 Belém, Pará (PA). Foto: Agência Brasil

 

Já a Green Zone (zona verde), é um espaço mais acessível e destinado à sociedade civil, Organizações Não Governamentais (ONGs), movimentos sociais e instituições acadêmicas. A Green zone também possui workshops, palestras, feiras e debates sobre justiça climática e sustentabilidade, priorizando a democratização do acesso a discussões políticas.

 

Na Green Zone, o público também pode trazer ideias e pautas a favor da justiça climática e compartilhar conhecimento com outros grupos. O pavilhão terá temas fixos de debate como financiamento climático, inovação, biodiversidade, tecnologias limpas e juventude. As pautas fixas ajudam no fluxo dos debates e nas tomadas de decisões coletivas.

 

Na última terça-feira, grupos indígenas ocuparam a blue zone em protesto a organização da COP 30, o grupo alega a exclusão dos grupos indígenas de discussões primordiais e de áreas privilegiadas e restritas ao público geral, onde estariam acontecendo os principais debates para decidir o futuro das políticas ambientais. O protesto não foi bem recebido pelas autoridades presentes na blue zone, que entraram em combate corpo a corpo com os manifestantes. 

 

Em entrevista ao jornal independente Cuida Criatura, o Pajé Nato Tupinambá, do baixo Tapajós, afirmou que o protesto simboliza uma reivindicação pela exploração na Amazônia. “Querem falar por nós, o branco quer decidir coisa por nós, nós não queremos isso, precisamos ser escutados, nós indígenas somos a resposta”.

 

Todas as decisões acordadas no evento irão guiar as próximas ações em favor da justiça climática no mundo, que passa por um aquecimento global alarmante, e que tem provocado uma série de desastres climáticos nas florestas e cidades, principalmente em regiões mais vulneráveis. Então, a COP se consolida como um movimento de resgate climático e de ajuda humanitária regido por lideranças globais. 

 

Projeto “Dançar os Sonhos” ensina dança de salão a crianças em escola pública na Tijuca

Projeto “Dançar os Sonhos” ensina dança de salão a crianças em escola pública na Tijuca

Projeto é inspirado em Pierre Dulaine, conhecido por ter criado o programa Dancing Classrooms

Por: Ana Carolina Guimarães Nogueira

Criado pela professora de dança de salão Gisela Saramago, o projeto “Dançar os Sonhos”  tem por objetivo não apenas ensinar diferentes estilos de dança para crianças de escolas públicas, mas também transmitir, através da arte, a importância de valores como o respeito.

         A professora Gisela Saramago, na Escola Municipal Barão de Itacurussá. – Foto: Ana Carolina Guimarães Nogueira

 

O trabalho é voluntário e realizado por Gisela, em conjunto com os professores de dança João Kleber Magalhães e Josenildo Petti. Eles ministram aulas de diferentes estilos, como forró, samba e soltinho. A maior parte das crianças atendidas pelo projeto está na faixa etária de 4 a 13 anos. O trabalho realizado com as crianças que ainda estão na educação infantil é um pouco mais lúdico, tornando os conteúdos aprendidos em sala de aula mais fáceis de serem compreendidos pelas crianças por meio da dança.

“Na educação infantil, trabalhamos com os temas que as crianças estão trabalhando na escola no momento. Por exemplo, se estão aprendendo sobre a natureza, dançamos imitando as árvores e os animais”, declara Gisela. 

A professora começou a dançar aos 8 anos de idade e estudou na escola de dança de salão Jaime Arôxa. Ela já deu aulas de dança de salão infantil na escola Petite Danse. Atualmente,Gisela ministra aulas na Escola Municipal Barão de Itacurussá, localizada no bairro da Tijuca. O projeto é realizado há 13 anos na escola.

            Desenho de uma das alunas do projeto Dançar os Sonhos. – Reprodução: Instagram @dancarossonhos

“Eu queria criar um projeto que não ensinasse somente a dançar, mas que a dança fosse um instrumento para que pudéssemos abordar tantos temas importantes, como respeito, solidariedade, inclusão, amor ao próximo, empatia, trabalho em equipe”, comenta Gisela.

A professora afirma que a sua maior inspiração é o tetracampeão mundial de dança de salão Pierre Dulaine, conhecido por ter criado o programa Dancing Classrooms, que consiste no ensino voluntário de dança de salão em escolas públicas de Nova York. Além disso, Gisela conta que começou a idealizar o seu projeto após assistir ao filme “Vem dançar”, que retrata a história de vida de Pierre. Ela conseguiu  entrar em contato com Pierre e contou sobre o seu desejo de ministrar aulas de dança em escolas públicas, assim como ele fazia. Após a conversa, Gisela criou, em 2012, o projeto “Dançar os Sonhos”.

Os professores do projeto enfatizam a importância do acolhimento, da inclusão, do pertencimento e do respeito às diferenças de cada um. Gisela comenta que sente-se muito feliz ao notar que ajuda no desenvolvimento de alguns movimentos de seus alunos com Transtorno de Espectro Autista ( TEA), através da dança.

“Falar sobre o autismo, é falar como cada criança, jovem, é único. Nenhum autista é igual ao outro, cada um tem suas potencialidades e singularidades. Às vezes um pequeno movimento, significa muito. Um estímulo, uma abertura daquele jovem para o mundo ao seu redor”, declarou.

A manutenção do projeto é realizada com a ajuda de amigos de Gisela. Ela também organiza campanhas de arrecadação para distribuir presentes às crianças atendidas pelo projeto em datas especiais, como Páscoa, Dia das Crianças e Natal. Anualmente, cerca de 180 alunos participam do projeto.

Halloween para além das travessuras

Halloween para além das travessuras

Evento de ONG na Tijuca visa arrecadar tampinhas e lacres para doar cadeiras de rodas a crianças 

Por: Maria Clara Jardim

                                Decoração de Halloween com as famosas abóboras (Foto: artsmile / Pixabay)

 

A ONG Ensinando está organizando o evento “Halloween do Bem” com objetivo de arrecadar tampinhas de garrafas e lacres de latinhas para trocar por cadeiras de rodas para crianças. Mesclando diversão e solidariedade, os organizadores do evento convidam o público para participar de uma noite que incluirá decoração temática de Halloween, DJ, bar com drinks temáticos e prêmios para as melhores fantasias e maquiagens. A festa acontece no dia 31 de outubro, com início às 21h e finalização às 03h na Associação Atlética Tijuca, localizada na Rua Barão de Mesquita, número 149.

Mesmo que seja tradicionalmente comemorada nos Estados Unidos, a festa de Halloween também tornou-se cada vez mais presente na cultura brasileira ao longo do tempo. Segundo o historiador Frederico Benjamim Mecenas em entrevista para o Correio Braziliense, a comemoração do Halloween ganhou força no Brasil a partir dos anos 1990, impulsionada pela globalização e pela influência cultural e midiática dos Estados Unidos, principalmente por meio de filmes de terror. Desde a sua popularização, a celebração reúne crianças, jovens e adultos em festas à fantasia assustadoras. No Brasil, a data também marca o Dia do Saci, criado como forma de valorizar o folclore nacional.

 

Com o crescimento dessas comemorações temáticas, a ONG Ensinando alinhou seu objetivo altruísta com a época festiva para garantir visibilidade para sua causa. A instituição acredita que promover, ensinar e praticar são os três pilares para transformar vidas, e esses ideais podem ser vistos em diversos projetos sociais propagados pelo grupo. De acordo com informações disponíveis na aba “Quem Somos” do site oficial da ONG Ensinando, a instituição busca estimular o progresso da comunidade ao desenvolver projetos que abrangem áreas esportivas, culturais e sociais, focando no desenvolvimento individual, na valorização da coletividade e na promoção do bem-estar comunitário. O grupo realiza ações como oficinas culturais, cursos de capacitação, campanhas educativas e iniciativas solidárias que impactam crianças, jovens e adultos. A iniciativa de organizar a festa de Halloween se assemelha às atitudes vistas durante toda a trajetória da ONG, marcada pelo compromisso contínuo com a inclusão social e pela criatividade na mobilização de recursos em prol do bem coletivo.

 

Informações sobre ingressos, dias e local: 

A venda de ingressos com valor promocional ocorre até o dia 25 de outubro, após esse dia os ingressos passam a ter o valor fixo de R$50 por pessoa. As promoções disponíveis se encaixam nos seguintes critérios:

  • Ingresso custa R$40 mediante doação de tampinhas e lacres (a doação será verificada na entrada do evento).

  • Ingresso custa R$45 caso não haja doação de tampinhas e lacres.

 

Segundo a instituição, todos os ingressos irão contribuir diretamente para criação e manutenção dos projetos sociais da ONG.

 

Para saber mais acerca das promoções e da política do evento, acesse:

https://www.sympla.com.br/evento/halloween-do-bem

 

Contatos da Ong Ensinando:

https://ongensinando.com

ongensinando@gmail.com

(21) 99948-2032

(21) 99953-0312

Mitigação e adaptação climática: entenda dois dos principais conceitos da COP30

Mitigação e adaptação climática: entenda dois dos principais conceitos da COP30

Conceitos têm sentidos diferentes e expressam necessidades distintas diante da crise climática

Por: Sofia Inerelli e Maria Luísa Fontes

 
                                Fonte: Ralf Vetterle/Pixabay – reprodução Agência Brasil
 

 

“Mudo uma planta de lugar.” O gesto eternizado na voz de Cássia Eller nos anos 90 como símbolo de mudança e ajustes ganha um sentido atual no contexto da crise climática. Já não se trata apenas de mudar a planta de lugar – é preciso reconfigurar todo o sistema em que ela cresce. Adaptação climática é um dos conceitos centrais da 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, a COP 30, que acontece em novembro em Belém do Pará. 

A Meta Global de Adaptação às Mudanças Climáticas foi um dos tópicos do Acordo de Paris criado em 2015 na COP 21. A proposta é fortalecer a adaptação para diminuir a vulnerabilidade dos seres vivos diante das mudanças no clima que já estão em andamento. É uma forma de buscar soluções diante de um mundo cada vez mais quente. Significa ajustar a vida humana, animal e vegetal de acordo com as mudanças climáticas atuais ou que ainda irão acontecer. Ela tem a finalidade de reduzir a exposição e a vulnerabilidade dos seres vivos frente aos efeitos do clima intensificados pelos próprios humanos. 

 

Já a mitigação é uma estratégia cujo foco é limitar as emissões de gases de efeito estufa (GEE) para reduzir o aquecimento global. Ou seja, é o trabalho para reduzir problemas já em andamento. 

Para o professor de Ecologia da UFRJ Rodrigo Tardin, nesse momento a mitigação é mais urgente. “Mas, ao mesmo tempo que a gente está fazendo estratégias, unindo esforços para mitigar, a gente também pode ir adaptando”. O pesquisador considera que uma das melhores maneiras de mitigar é através dos manguezais, vegetação comum no Hemisfério Sul, nos quais captam cinco a seis vezes mais carbono que florestas tropicais. Ele ainda aponta que há muito preconceito por parte da sociedade, que enxerga o organismo como poluído – devido ao seu cheiro forte -, o que dificulta a mobilização para proteger esse ecossistema.

 

Tardin destaca três cenários possíveis para os resultados das estratégias de mitigação climática. O primeiro cenário é descrito como otimista, pois conseguiria de fato reduzir o aumento da temperatura média global a 1,5°C. O cenário intermediário é uma previsão de que, até 2050, a produção dos gases GEE irá crescer mas, a partir desse momento, a sociedade vai mudar seu rumo e começar a reduzir as emissões. E o terceiro cenário apresentado pelo professor é pessimista: “Apesar de todos os esforços que existem, ninguém se mudou, ninguém se tocou para mitigar”. É o mundo em que a sociedade permaneceria em total dependência dos combustíveis fósseis.

 

Nesse cenário, criar um plano de adaptação climática torna-se extremamente essencial. Segundo o relatório de 2025 da Transparência Internacional-Brasil, apenas um em cada oito municípios brasileiros conta com um plano de adaptação climática. Tardim destaca que na última década, o país enfrentou diversos desequilíbrios ambientais como a invasão do mar na orla da Zona Sul carioca e as enchentes que deixaram dezenas de mortos no Rio Grande do Sul.

As estratégias de adaptação climática devem ocorrer tanto na esfera federal, quanto na estadual e municipal. O programa do governo federal Novo Brasil, que é um Plano de Transformação Ecológicas, divulgou 150 resultados dos 250 propostos desde sua criação em 2023. Dentre eles, destaca-se a construção de usinas eólicas; o Programa Cidades Verdes e Resilientes, que procura aumentar a resiliência e a qualidade ambiental das cidades no combate às mudanças climáticas; o Plano Nacional da Defesa Civil, que apresenta diretrizes para redução de riscos na gestão de desastres naturais; e o Plano Clima, que envolve a redução das emissões de GEE e a adaptação aos impactos das mudanças climáticas.  

Entretanto, não cabe somente ao governo pensar nas estratégias de mitigação e adaptação climática. A sociedade também precisa se mobilizar no combate às mudanças no clima. O site do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima criou uma consulta participativa sobre o tema. “O governo tem que estabelecer as diretrizes, ao mesmo tempo que as pessoas têm que dar as opiniões e fazer as ações também”, afirma Tardin. 

Adaptação e mitigação são estratégias cruciais rumo a uma mudança sistêmica. Isso vale para tudo: infraestrutura pública, decisões econômicas, políticas sociais. Só assim será possível enfrentar de fato os desafios da emergência climática: transformando o próprio sistema em que ela está inserida. 

Conheça Ofélia, personagem emblemática da literatura inglesa que inspirou nova faixa do álbum de Taylor Swift

Conheça Ofélia, personagem emblemática da literatura inglesa que inspirou nova faixa do álbum de Taylor Swift

The life of a show girl possui múltiplas referências da literatura inglesa e figuras artísticas dos anos 50

Por: Maria Eduarda Galdino

        Capa do álbum the life of a show girl adaptado. Reprodução Maria Eduarda Galdino

A cantora estadunidense Taylor Swift lançou o seu 13º álbum de estúdio chamado The Life of a Show Girl na última sexta-feira (03). O álbum possui 12 faixas e a canção de abertura se chama “The fate of Ophelia” (O destino de Ofélia), fazendo uma referência a Hamlet, obra do escritor, dramaturgo e poeta, Willian Shakespeare.

Ofélia é uma das personagens principais da peça de Hamlet, a jovem da corte dinamarquesa era filha de Polônio, conselheiro do rei, e irmã de Laertes. Conhecida por ser inocente e obediente, Ofélia se apaixona por Hamlet, o rei, mas esse sentimento não foi aprovado pela família de Ofélia, pois não tinham certeza se as intenções de Hamlet eram verdadeiras para com ela. 

Enquanto Ofélia e Hamlet se relacionam, algo trágico acontece, pois Hamlet descobre que seu pai foi assassinado por seu tio Cláudio. Desde então, Hamlet entra em diversos momentos emocionais conturbados pela perda do seu pai e pela desconfiança com Cláudio. A partir daí, Hamlet começa a se afastar de Ofélia, a tratando com frieza e crueldade. O comportamento de Hamlet afeta profundamente o estado emocional de Ofélia, que estava perdidamente apaixonada por Hamlet, então, o amor passa a ser um fardo, uma maldição na vida de Ofélia.  

Além de toda a tensão que paira sobre o castelo, algo ainda mais grave acontece: o pai de Ofélia morre acidentalmente. Quando Hamlet estava tendo uma conversa privada com sua mãe, a rainha Gertrudes, ele desconfia de que há alguém espionando atrás das cortinas, é quando Hamlet se precipita, achando que o espião pode ser seu tio Cláudio ele ataca a cortina com sua espada, perfurando a pessoa que está atrás dela.

Mas o que o jovem rei não sabia, era que o pai de Ofélia estava atrás das cortinas, mas que o golpe já havia sido feito e era fatal, o pai de Ofélia estaria fadado a morte. Hamlet mata Polônio por engano, acreditando que estava se livrando de seu maior inimigo, o tio Cláudio. A morte de Polônio causa a loucura de Ofélia, que já estava em estado de sofrimento pela rejeição de Hamnet. 

No final da história, Ofélia não tem um bom destino, enquanto delirava e cantava andando atrás de suas flores pelo campo, a jovem acaba escorregando e caindo em um lago enquanto tentava pegar uma flor. Enquanto se afogava, Ofélia entoava uma canção, sem se preocupar com a sua situação, e então, morreu afogada. Willian Shakespeare nunca deixa claro se foi um suicídio ou algo acidental, por conta da ambiguidade envolta no relato da morte de Ofélia.

A peça Hamlet é considerada uma das obras mais importantes da literatura mundial. Sua popularidade atravessa séculos e fronteiras, sendo encenada, estudada e reinterpretada em diversas culturas. Com temas universais como vingança, loucura, corrupção e identidade, Hamlet influenciou profundamente a dramaturgia, a filosofia e até a psicanálise, tornando-se referência para autores como Freud, Joyce e Dostoiévski. A complexidade emocional do protagonista e a profundidade dos diálogos  fazem da peça um marco atemporal, que continua a dialogar com as inquietações humanas até hoje.

Taylor Swift escolhe a história de Ofélia pois também se sentia perdida em relação aos seus sentimentos depois da sua última desilusão amorosa. A cantora acreditava também estar enlouquecendo por causa do amor. Mas a artista decide ressignificar a sua faixa “The Fate of Ophelia” quando se apaixonou novamente, afirmando que o seu novo amor a salvou de um destino trágico de loucura como o de Ofélia. 

“E se você nunca tivesse vindo me resgatar, eu teria morrido na melancolia (..) Todo aquele tempo que fiquei sozinha na minha torre, você só estava aprimorando seus poderes, agora eu posso entender tudo. Certa noite, você me desenterrou do meu túmulo, e salvou o meu coração do destino de Ofélia”.

A canção da cantora Taylor Swift já foi ouvida por mais de 116,4 milhões de pessoas só no Spotify após seis dias do lançamento do álbum The life of a show girl, quebrando o recorde de Miley Cyrus, se tornando a música mais ouvida no aplicativo Spotify. A equipe Uerviu adorou a faixa e recomenda para todos !