Novo bar em Vila Isabel explora o que tem de melhor na vida boêmia do bairro
Localizado no Boulevard 28 de setembro, Patota Bar & Restaurante explora o samba e o futebol enquanto enfrenta os desafios de se estabelecer na região
Por Laura de Sousa e Silva dos Santos

O bairro Vila Isabel é conhecido pela sua vasta história e cultura. Localizado na Zona Norte do Rio de Janeiro, o lugar é marcado pela música, pelo futebol, pela boêmia e pela comunidade. Além da escola de samba Unidos de Vila Isabel e do estádio de futebol Maracanã, a região também concentra uma grande quantidade de bares tradicionais, o que intensifica a vida noturna do bairro.
No dia 15 de setembro deste ano, Vila Isabel deu as boas-vindas a mais um estabelecimento que intensificará a vida boêmia do lugar: Patota Bar & Restaurante, localizado na rua 28 de setembro. O sócio-operador do espaço, André Costa comentou um pouco sobre a ideia de abrir o bar na região: “É um bar ligado à música, alguns dos sócios que já eram do bar tentaram reabrir com uma nova marca, uma nova proposta. Com música, samba, tudo a ver com Vila Isabel. Petiscos tradicionais e essas coisas”.
Cultura do samba
André comentou que como diferencial de outros restaurantes do bairro, o ambiente traz música, especialmente o samba, para entreter os clientes. Ele relatou que o estabelecimento busca contratar músicos do próprio bairro para tocarem no lugar: “São artistas menos conhecidos, que precisam de um espaço para tocar. É isso que a gente pensa, trazer pessoas do bairro, artistas do bairro que estejam aqui e que queiram o seu espaço para tocar. E que a gente possa ter uma troca’.
Cultura do futebol
O sócio-operator afirmou que o bar busca agradar os torcedores de futebol que costumam acompanhar os jogos que acontecem no Maracanã. As torcidas que costumam marcar presença no lugar são as do Flamengo e do Fluminense, justamente por já serem do estádio, porém André comentou que quando o Botafogo e o Vasco jogam no bairro, alguns dos entusiastas desses dois times também marcam presença.
Para atender a esse público lunático por futebol, ele descreveu como o estabelecimento se prepara para receber esse público: “A gente contrata mais gente, a gente se prepara, faz um cardápio mais enxuto para poder atender melhor. A gente faz todo um planejamento de número de pessoas, a gente se planeja para atender esse público”.
Público-alvo
André comentou que quando se abre um negócio, a primeira coisa que se pensa é no público em volta, e ele explicou quem o restaurante busca alcançar: “O nosso público-alvo é o morador, pessoal do hospital, pessoal que trabalha aqui em volta e o pessoal da Uerj. Tanto os professores, quanto os diretores, estudantes. A gente quer ter opção para todas essas pessoas”.
Para os alunos da Uerj, o sócio-operador afirmou que o estabelecimento planejou um cardápio um pouco mais em conta pensando nesse grupo.
Importância do espaço
Um restaurante desse porte em um bairro como o de Vila Isabel ajuda a perpetuar a vida noturna tão popular na região, e André reconhece isso: “Eu acho bastante importante porque Vila Isabel está um pouco degradada, está um pouco sozinha. A gente está investindo aqui, a gente está apostando em resgatar algumas coisas aqui de Vila Isabel“.
O bar que se encontrava anteriormente ali, Boteco Mané, fechou por conta de problemas na gestão, algo que o sócio-operador já afirmou que não será um problema para o Patota Bar & Restaurante. O que se apresenta como um problema são os desafios constantes que todo morador da região enfrenta: a violência e a decadência do bairro. “A decadência vem da Zona Norte, com o crescimento da violência. Então muita gente migrou para outros lugares. Esse é um fenômeno desde o final da década de 80 para 90. A violência cresceu, as pessoas se sentem inseguras”, lamentou André.
O sucesso de espaços como o Patota Bar & Restaurante ajuda a dar força a um espaço tão rico culturalmente e popular como Vila Isabel, e que problemas como a violência podem até passar a ser rotina, mas não podem parar a vida dos moradores. “É uma preocupação constante, mas faz parte. Infelizmente, o Rio de Janeiro normalizou a violência”, ele lamentou.
Expectativa
Com dois meses e meio de funcionamento, André já consegue ter uma perspectiva sobre o futuro do lugar: “Minha expectativa é de ter um movimento constante, com boa música, com um grupo bom, que venha gostar do atendimento, que faça um giro interessante. Para a gente poder ter o retorno do investimento”.













