Novo bar em Vila Isabel explora o que tem de melhor na vida boêmia do bairro

Novo bar em Vila Isabel explora o que tem de melhor na vida boêmia do bairro

Localizado no Boulevard 28 de setembro, Patota Bar & Restaurante explora o samba e o futebol enquanto enfrenta os desafios de se estabelecer na região 

Por Laura de Sousa e Silva dos Santos

                                          Patota Bar & Restaurante. Foto: Laura de Sousa e Silva dos Santos

 

O bairro Vila Isabel é conhecido pela sua vasta história e cultura. Localizado na Zona Norte do Rio de Janeiro, o lugar é marcado pela música, pelo futebol, pela boêmia e pela comunidade. Além da escola de samba Unidos de Vila Isabel e do estádio de futebol Maracanã, a região também concentra uma grande quantidade de bares tradicionais, o que intensifica a vida noturna do bairro.

 

No dia 15 de setembro deste ano, Vila Isabel deu as boas-vindas a mais um estabelecimento que intensificará a vida boêmia do lugar: Patota Bar & Restaurante, localizado na rua 28 de setembro. O sócio-operador do espaço, André Costa comentou um pouco sobre a ideia de abrir o bar na região: “É um bar ligado à música, alguns dos sócios que já eram do bar tentaram reabrir com uma nova marca, uma nova proposta. Com música, samba, tudo a ver com Vila Isabel. Petiscos tradicionais e essas coisas”.

 

Cultura do samba

André comentou que como diferencial de outros restaurantes do bairro, o ambiente traz música, especialmente o samba, para entreter os clientes. Ele relatou que o estabelecimento busca contratar músicos do próprio bairro para tocarem no lugar: “São artistas menos conhecidos, que precisam de um espaço para tocar. É isso que a gente pensa, trazer pessoas do bairro, artistas do bairro que estejam aqui e que queiram o seu espaço para tocar. E que a gente possa ter uma troca’.

 

Cultura do futebol

O sócio-operator afirmou que o bar busca agradar os torcedores de futebol que costumam acompanhar os jogos que acontecem no Maracanã. As torcidas que costumam marcar presença no lugar são as do Flamengo e do Fluminense, justamente por já serem do estádio, porém André comentou que quando o Botafogo e o Vasco jogam no bairro, alguns dos entusiastas desses dois times também marcam presença.

Para atender a esse público lunático por futebol, ele descreveu como o estabelecimento se prepara para receber esse público: “A gente contrata mais gente, a gente se prepara, faz um cardápio mais enxuto para poder atender melhor. A gente faz todo um planejamento de número de pessoas, a gente se planeja para atender esse público”.

 

Público-alvo

André comentou que quando se abre um negócio, a primeira coisa que se pensa é no público em volta, e ele explicou quem o restaurante busca alcançar: “O nosso público-alvo é o morador, pessoal do hospital, pessoal que trabalha aqui em volta e o pessoal da Uerj. Tanto os professores, quanto os diretores, estudantes. A gente quer ter opção para todas essas pessoas”.

 

Para os alunos da Uerj, o sócio-operador afirmou que o estabelecimento planejou um cardápio um pouco mais em conta pensando nesse grupo.

 

Importância do espaço 

 

Um restaurante desse porte em um bairro como o de Vila Isabel ajuda a perpetuar a vida noturna tão popular na região, e André reconhece isso: “Eu acho bastante importante porque Vila Isabel está um pouco degradada, está um pouco sozinha. A gente está investindo aqui, a gente está apostando em resgatar algumas coisas aqui de Vila Isabel“.

 

O bar que se encontrava anteriormente ali, Boteco Mané, fechou por conta de problemas na gestão, algo que o sócio-operador já afirmou que não será um problema para o Patota Bar & Restaurante. O que se apresenta como um problema são os desafios constantes que todo morador da região enfrenta: a violência e a decadência do bairro. “A decadência vem da Zona Norte, com o crescimento da violência. Então muita gente migrou para outros lugares. Esse é um fenômeno desde o final da década de 80 para 90. A violência cresceu, as pessoas se sentem inseguras”, lamentou André.

O sucesso de espaços como o Patota Bar & Restaurante ajuda a dar força a um espaço tão rico culturalmente e popular como Vila Isabel, e que problemas como a violência podem até passar a ser rotina, mas não podem parar a vida dos moradores. “É uma preocupação constante, mas faz parte. Infelizmente, o Rio de Janeiro normalizou a violência”, ele lamentou.

 

Expectativa

Com dois meses e meio de funcionamento, André já consegue ter uma perspectiva sobre o futuro do lugar: “Minha expectativa é de ter um movimento constante, com boa música, com um grupo bom, que venha gostar do atendimento, que faça um giro interessante. Para a gente poder ter o retorno do investimento”.

Ateliê de cerâmica em Vila Isabel oferece aulas e se torna espaço de criatividade e conexão

Ateliê de cerâmica em Vila Isabel oferece aulas e se torna espaço de criatividade e conexão

Nomeado de Estúdio Casa 100, o ateliê é um espaço localizado na parte externa da casa de uma das professoras, onde o amor pela cerâmica é compartilhado com a comunidade

Por: Alice Moraes

Uma estante com objetos do ateliê Estúdio Casa 100. Foto: Alice Moraes

Duas amigas de longa data ministram, juntas, aulas de cerâmica artesanal para moradores da Grande Tijuca, oferecendo um ambiente de aprendizado acolhedor. Júlia Rosa e Luciana Leite, ambas de 43 anos, montaram o ateliê há um ano e se tornaram professoras de cerâmica há dois meses. “Fazer cerâmica é uma atividade extremamente prazerosa”, comenta Luciana com um sorriso no rosto. 

De acordo com as duas, Luciana foi a primeira a entrar para o curso de cerâmica. Como ela sempre postava fotos das peças que construía, Júlia, que já tinha interesse em aprender, se sentiu ainda mais atraída pela arte e decidiu participar do mesmo curso que a amiga. 

O ateliê, chamado de Estúdio Casa 100, está localizado em Vila Isabel, na Rua Justiniano da Rocha, 100. As aulas, que no momento contam com oito alunas, possibilitam que não apenas as professoras ensinem e compartilhem o amor pela cerâmica, mas também auxilia ambas a aprenderem cada vez mais a partir da troca com os alunos. 

Júlia relata que é gratificante utilizar as peças produzidas, como canecas, xícaras e pratos. “Há inúmeras possibilidades de criação com cerâmica”, conta ela, “É uma maneira de se colocar também em cada peça, porque é muito bom tomar café da manhã, por exemplo, e pensar ‘eu que fiz essa caneca’. Dá um prazer muito grande com o resultado final de cada peça”. 

Em uma estante do ateliê, é possível ver a variedade das criações confeccionadas pelas professoras e pelos alunos. Entre as prateleiras, encontram-se utensílios como bules, pratos em formato de pão-de-forma, cumbucas, xícaras pequenas, copos e canecas que variam de tamanho e largura. Em uma mesa próxima dali, os pincéis se encontram prontos para serem utilizados no processo de esmaltação da cerâmica. 

O processo que as professoras aconselham para as aulas é “degrau por degrau”, de acordo com elas. Começam com itens mais simples para os alunos iniciantes. É normal eles chegarem com a expectativa de criar um item mais complicado e que exige mais técnica, por isso elas incentivam a construírem itens mais fáceis, como um prato pequeno ou uma xícara, e conforme o aprendizado e a prática forem evoluindo, novas peças podem ser aprendidas e feitas. 

As aulas enfatizam a modelagem manual da cerâmica, isto é, a modelagem com as mãos, da maneira mais natural possível, como explica Luciana: “É importante ter primeiro esse conhecimento do material, essa prática de manusear”. 

Luciana e Júlia contam que, mesmo com a alegria de ter tantas peças feitas, muitos erros já ocorreram. Quando é o caso, as professoras fazem questão de passar uma visão otimista para os aprendizes: “Eu brinco com os alunos, digo que eles têm que desapegar mesmo. Nem sempre vai dar certo. Tem horas que vai rachar, a peça vai trincar, a esmaltação vai ficar ruim. Faz parte do processo”,  detalha Luciana. 

“Ah, deu errado? Joga fora, acabou. Faz de novo”, enfatiza Júlia, reforçando que os erros não acontecem só com os alunos. Entre os ceramistas com mais experiência, também pode acontecer de o material quebrar, mesmo que na última fase do processo, que é longo. “É uma coisa que a gente trabalha, isso de não se frustrar, porque se der errado, nós fazemos de novo”.

Objetos de cerâmicas presentes no ateliê. Foto: Alice Moraes

O trabalho realizado nas aulas vem rendendo bons resultados, como as professoras observam. A evolução das alunas e a satisfação delas em criar uma boa peça são características que as professoras descrevem como as melhores partes de oferecer as aulas de cerâmica. “No começo, elas estavam super sem jeito, mas conforme foram aprendendo, elas começam a ter um domínio, uma independência”, relata Júlia. Luciana acrescenta: “E ver também a felicidade quando elas conseguem fazer alguma coisa legal também é muito bom. Quando uma peça sai direitinho do jeito que elas esperam, isso é muito legal”.

O curso de cerâmica artesanal no Estúdio Casa 100 é oferecido pelo valor de R$350 mensais, com aulas diárias, não só para moradores da Grande Tijuca, mas também para moradores de outros bairros que estejam interessados e que tenham disponibilidade de horário. Luciana e Júlia relatam que estão abertas para adicionar mais horários, de acordo com a demanda. As aulas têm duração de duas horas e meia e a argila é cobrada à parte. Os demais instrumentos, como moldes e esmaltes, são disponibilizados no ateliê. 

Descomplicando a COP: saiba o que são as Blue e Green Zone 

Descomplicando a COP: saiba o que são as Blue e Green Zone

As zonas vão ser palco das principais discussões sobre clima, meio ambiente e demais acordos na COP 30

Por: Maria Eduarda Galdino

             Fachada do pavilhão da Cop 30 em Belém do Pará (PA). Foto: Agência Brasil/ Bruno Peres

 

A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP, iniciou a cerimônia de abertura na última segunda-feira (10) em Belém do Pará- PA. O evento reúne mais de 200 lideranças de todo mundo para discutir sobre mudanças climáticas, financiamento climático, redução das emissões e implementação das NDCs por 12 dias. A estrutura do evento foi dividida em duas áreas: a Blue Zone e a Green Zone.

 

A Blue zone (zona azul) é o espaço mais restrito da COP, é onde ocorrem as negociações oficiais, grupos de trabalho (GT) e sessões plenárias. Nessa área, representantes oficiais dos países estão apresentando pautas em favor da justiça climática, financiamentos e acordos para a tomada de decisões que se transformarão em compromissos globais que irão surtir impacto direto na vida dos cidadãos. Os debates são assistidos por organizações observadoras.

 

Os negociadores, que estão representando os países, são divididos em grupos e participam de reuniões em salas temáticas para discutir os artigos do Acordo de Paris. As organizações observadoras também são divididas: agências especializadas da ONU, organizações intergovernamentais e organizações não-governamentais.  Ao final das reuniões, cada grupo deve entregar uma proposta que estará presente no documento final da COP 30.

 

Esses documentos possuem certas exigências, cada grupo deve elaborar um texto que analise os avanços de metas já estabelecidas em outros encontros. Além disso, também é obrigatória a discussão sobre a eliminação do uso de combustíveis fósseis, analisar a atual situação de áreas/ países mais vulneráveis afetados por mudanças climáticas e estratégias de adaptação às mudanças climáticas que atingem florestas e cidades. 



    Globo terrestre no pavilhão blue zone COP 30 Belém, Pará (PA). Foto: Agência Brasil

 

Já a Green Zone (zona verde), é um espaço mais acessível e destinado à sociedade civil, Organizações Não Governamentais (ONGs), movimentos sociais e instituições acadêmicas. A Green zone também possui workshops, palestras, feiras e debates sobre justiça climática e sustentabilidade, priorizando a democratização do acesso a discussões políticas.

 

Na Green Zone, o público também pode trazer ideias e pautas a favor da justiça climática e compartilhar conhecimento com outros grupos. O pavilhão terá temas fixos de debate como financiamento climático, inovação, biodiversidade, tecnologias limpas e juventude. As pautas fixas ajudam no fluxo dos debates e nas tomadas de decisões coletivas.

 

Na última terça-feira, grupos indígenas ocuparam a blue zone em protesto a organização da COP 30, o grupo alega a exclusão dos grupos indígenas de discussões primordiais e de áreas privilegiadas e restritas ao público geral, onde estariam acontecendo os principais debates para decidir o futuro das políticas ambientais. O protesto não foi bem recebido pelas autoridades presentes na blue zone, que entraram em combate corpo a corpo com os manifestantes. 

 

Em entrevista ao jornal independente Cuida Criatura, o Pajé Nato Tupinambá, do baixo Tapajós, afirmou que o protesto simboliza uma reivindicação pela exploração na Amazônia. “Querem falar por nós, o branco quer decidir coisa por nós, nós não queremos isso, precisamos ser escutados, nós indígenas somos a resposta”.

 

Todas as decisões acordadas no evento irão guiar as próximas ações em favor da justiça climática no mundo, que passa por um aquecimento global alarmante, e que tem provocado uma série de desastres climáticos nas florestas e cidades, principalmente em regiões mais vulneráveis. Então, a COP se consolida como um movimento de resgate climático e de ajuda humanitária regido por lideranças globais. 

 

Projeto “Dançar os Sonhos” ensina dança de salão a crianças em escola pública na Tijuca

Projeto “Dançar os Sonhos” ensina dança de salão a crianças em escola pública na Tijuca

Projeto é inspirado em Pierre Dulaine, conhecido por ter criado o programa Dancing Classrooms

Por: Ana Carolina Guimarães Nogueira

Criado pela professora de dança de salão Gisela Saramago, o projeto “Dançar os Sonhos”  tem por objetivo não apenas ensinar diferentes estilos de dança para crianças de escolas públicas, mas também transmitir, através da arte, a importância de valores como o respeito.

         A professora Gisela Saramago, na Escola Municipal Barão de Itacurussá. – Foto: Ana Carolina Guimarães Nogueira

 

O trabalho é voluntário e realizado por Gisela, em conjunto com os professores de dança João Kleber Magalhães e Josenildo Petti. Eles ministram aulas de diferentes estilos, como forró, samba e soltinho. A maior parte das crianças atendidas pelo projeto está na faixa etária de 4 a 13 anos. O trabalho realizado com as crianças que ainda estão na educação infantil é um pouco mais lúdico, tornando os conteúdos aprendidos em sala de aula mais fáceis de serem compreendidos pelas crianças por meio da dança.

“Na educação infantil, trabalhamos com os temas que as crianças estão trabalhando na escola no momento. Por exemplo, se estão aprendendo sobre a natureza, dançamos imitando as árvores e os animais”, declara Gisela. 

A professora começou a dançar aos 8 anos de idade e estudou na escola de dança de salão Jaime Arôxa. Ela já deu aulas de dança de salão infantil na escola Petite Danse. Atualmente,Gisela ministra aulas na Escola Municipal Barão de Itacurussá, localizada no bairro da Tijuca. O projeto é realizado há 13 anos na escola.

            Desenho de uma das alunas do projeto Dançar os Sonhos. – Reprodução: Instagram @dancarossonhos

“Eu queria criar um projeto que não ensinasse somente a dançar, mas que a dança fosse um instrumento para que pudéssemos abordar tantos temas importantes, como respeito, solidariedade, inclusão, amor ao próximo, empatia, trabalho em equipe”, comenta Gisela.

A professora afirma que a sua maior inspiração é o tetracampeão mundial de dança de salão Pierre Dulaine, conhecido por ter criado o programa Dancing Classrooms, que consiste no ensino voluntário de dança de salão em escolas públicas de Nova York. Além disso, Gisela conta que começou a idealizar o seu projeto após assistir ao filme “Vem dançar”, que retrata a história de vida de Pierre. Ela conseguiu  entrar em contato com Pierre e contou sobre o seu desejo de ministrar aulas de dança em escolas públicas, assim como ele fazia. Após a conversa, Gisela criou, em 2012, o projeto “Dançar os Sonhos”.

Os professores do projeto enfatizam a importância do acolhimento, da inclusão, do pertencimento e do respeito às diferenças de cada um. Gisela comenta que sente-se muito feliz ao notar que ajuda no desenvolvimento de alguns movimentos de seus alunos com Transtorno de Espectro Autista ( TEA), através da dança.

“Falar sobre o autismo, é falar como cada criança, jovem, é único. Nenhum autista é igual ao outro, cada um tem suas potencialidades e singularidades. Às vezes um pequeno movimento, significa muito. Um estímulo, uma abertura daquele jovem para o mundo ao seu redor”, declarou.

A manutenção do projeto é realizada com a ajuda de amigos de Gisela. Ela também organiza campanhas de arrecadação para distribuir presentes às crianças atendidas pelo projeto em datas especiais, como Páscoa, Dia das Crianças e Natal. Anualmente, cerca de 180 alunos participam do projeto.

Halloween para além das travessuras

Halloween para além das travessuras

Evento de ONG na Tijuca visa arrecadar tampinhas e lacres para doar cadeiras de rodas a crianças 

Por: Maria Clara Jardim

                                Decoração de Halloween com as famosas abóboras (Foto: artsmile / Pixabay)

 

A ONG Ensinando está organizando o evento “Halloween do Bem” com objetivo de arrecadar tampinhas de garrafas e lacres de latinhas para trocar por cadeiras de rodas para crianças. Mesclando diversão e solidariedade, os organizadores do evento convidam o público para participar de uma noite que incluirá decoração temática de Halloween, DJ, bar com drinks temáticos e prêmios para as melhores fantasias e maquiagens. A festa acontece no dia 31 de outubro, com início às 21h e finalização às 03h na Associação Atlética Tijuca, localizada na Rua Barão de Mesquita, número 149.

Mesmo que seja tradicionalmente comemorada nos Estados Unidos, a festa de Halloween também tornou-se cada vez mais presente na cultura brasileira ao longo do tempo. Segundo o historiador Frederico Benjamim Mecenas em entrevista para o Correio Braziliense, a comemoração do Halloween ganhou força no Brasil a partir dos anos 1990, impulsionada pela globalização e pela influência cultural e midiática dos Estados Unidos, principalmente por meio de filmes de terror. Desde a sua popularização, a celebração reúne crianças, jovens e adultos em festas à fantasia assustadoras. No Brasil, a data também marca o Dia do Saci, criado como forma de valorizar o folclore nacional.

 

Com o crescimento dessas comemorações temáticas, a ONG Ensinando alinhou seu objetivo altruísta com a época festiva para garantir visibilidade para sua causa. A instituição acredita que promover, ensinar e praticar são os três pilares para transformar vidas, e esses ideais podem ser vistos em diversos projetos sociais propagados pelo grupo. De acordo com informações disponíveis na aba “Quem Somos” do site oficial da ONG Ensinando, a instituição busca estimular o progresso da comunidade ao desenvolver projetos que abrangem áreas esportivas, culturais e sociais, focando no desenvolvimento individual, na valorização da coletividade e na promoção do bem-estar comunitário. O grupo realiza ações como oficinas culturais, cursos de capacitação, campanhas educativas e iniciativas solidárias que impactam crianças, jovens e adultos. A iniciativa de organizar a festa de Halloween se assemelha às atitudes vistas durante toda a trajetória da ONG, marcada pelo compromisso contínuo com a inclusão social e pela criatividade na mobilização de recursos em prol do bem coletivo.

 

Informações sobre ingressos, dias e local: 

A venda de ingressos com valor promocional ocorre até o dia 25 de outubro, após esse dia os ingressos passam a ter o valor fixo de R$50 por pessoa. As promoções disponíveis se encaixam nos seguintes critérios:

  • Ingresso custa R$40 mediante doação de tampinhas e lacres (a doação será verificada na entrada do evento).

  • Ingresso custa R$45 caso não haja doação de tampinhas e lacres.

 

Segundo a instituição, todos os ingressos irão contribuir diretamente para criação e manutenção dos projetos sociais da ONG.

 

Para saber mais acerca das promoções e da política do evento, acesse:

https://www.sympla.com.br/evento/halloween-do-bem

 

Contatos da Ong Ensinando:

https://ongensinando.com

ongensinando@gmail.com

(21) 99948-2032

(21) 99953-0312

Conheça Ofélia, personagem emblemática da literatura inglesa que inspirou nova faixa do álbum de Taylor Swift

Conheça Ofélia, personagem emblemática da literatura inglesa que inspirou nova faixa do álbum de Taylor Swift

The life of a show girl possui múltiplas referências da literatura inglesa e figuras artísticas dos anos 50

Por: Maria Eduarda Galdino

        Capa do álbum the life of a show girl adaptado. Reprodução Maria Eduarda Galdino

A cantora estadunidense Taylor Swift lançou o seu 13º álbum de estúdio chamado The Life of a Show Girl na última sexta-feira (03). O álbum possui 12 faixas e a canção de abertura se chama “The fate of Ophelia” (O destino de Ofélia), fazendo uma referência a Hamlet, obra do escritor, dramaturgo e poeta, Willian Shakespeare.

Ofélia é uma das personagens principais da peça de Hamlet, a jovem da corte dinamarquesa era filha de Polônio, conselheiro do rei, e irmã de Laertes. Conhecida por ser inocente e obediente, Ofélia se apaixona por Hamlet, o rei, mas esse sentimento não foi aprovado pela família de Ofélia, pois não tinham certeza se as intenções de Hamlet eram verdadeiras para com ela. 

Enquanto Ofélia e Hamlet se relacionam, algo trágico acontece, pois Hamlet descobre que seu pai foi assassinado por seu tio Cláudio. Desde então, Hamlet entra em diversos momentos emocionais conturbados pela perda do seu pai e pela desconfiança com Cláudio. A partir daí, Hamlet começa a se afastar de Ofélia, a tratando com frieza e crueldade. O comportamento de Hamlet afeta profundamente o estado emocional de Ofélia, que estava perdidamente apaixonada por Hamlet, então, o amor passa a ser um fardo, uma maldição na vida de Ofélia.  

Além de toda a tensão que paira sobre o castelo, algo ainda mais grave acontece: o pai de Ofélia morre acidentalmente. Quando Hamlet estava tendo uma conversa privada com sua mãe, a rainha Gertrudes, ele desconfia de que há alguém espionando atrás das cortinas, é quando Hamlet se precipita, achando que o espião pode ser seu tio Cláudio ele ataca a cortina com sua espada, perfurando a pessoa que está atrás dela.

Mas o que o jovem rei não sabia, era que o pai de Ofélia estava atrás das cortinas, mas que o golpe já havia sido feito e era fatal, o pai de Ofélia estaria fadado a morte. Hamlet mata Polônio por engano, acreditando que estava se livrando de seu maior inimigo, o tio Cláudio. A morte de Polônio causa a loucura de Ofélia, que já estava em estado de sofrimento pela rejeição de Hamnet. 

No final da história, Ofélia não tem um bom destino, enquanto delirava e cantava andando atrás de suas flores pelo campo, a jovem acaba escorregando e caindo em um lago enquanto tentava pegar uma flor. Enquanto se afogava, Ofélia entoava uma canção, sem se preocupar com a sua situação, e então, morreu afogada. Willian Shakespeare nunca deixa claro se foi um suicídio ou algo acidental, por conta da ambiguidade envolta no relato da morte de Ofélia.

A peça Hamlet é considerada uma das obras mais importantes da literatura mundial. Sua popularidade atravessa séculos e fronteiras, sendo encenada, estudada e reinterpretada em diversas culturas. Com temas universais como vingança, loucura, corrupção e identidade, Hamlet influenciou profundamente a dramaturgia, a filosofia e até a psicanálise, tornando-se referência para autores como Freud, Joyce e Dostoiévski. A complexidade emocional do protagonista e a profundidade dos diálogos  fazem da peça um marco atemporal, que continua a dialogar com as inquietações humanas até hoje.

Taylor Swift escolhe a história de Ofélia pois também se sentia perdida em relação aos seus sentimentos depois da sua última desilusão amorosa. A cantora acreditava também estar enlouquecendo por causa do amor. Mas a artista decide ressignificar a sua faixa “The Fate of Ophelia” quando se apaixonou novamente, afirmando que o seu novo amor a salvou de um destino trágico de loucura como o de Ofélia. 

“E se você nunca tivesse vindo me resgatar, eu teria morrido na melancolia (..) Todo aquele tempo que fiquei sozinha na minha torre, você só estava aprimorando seus poderes, agora eu posso entender tudo. Certa noite, você me desenterrou do meu túmulo, e salvou o meu coração do destino de Ofélia”.

A canção da cantora Taylor Swift já foi ouvida por mais de 116,4 milhões de pessoas só no Spotify após seis dias do lançamento do álbum The life of a show girl, quebrando o recorde de Miley Cyrus, se tornando a música mais ouvida no aplicativo Spotify. A equipe Uerviu adorou a faixa e recomenda para todos !

Falta de treinos de futsal preocupa atletas universitários e expõe desafios internos da Atlética de Comunicação Social e Artes

Falta de treinos de futsal preocupa atletas universitários e expõe desafios internos da Atlética de Comunicação Social e Artes

A irregularidade das atividades preocupa os atletas e pode afetar diretamente o desempenho da Atlética nas competições universitárias

Por: Henrique Pereira

 

Quadra interna da Uerj. Foto: Manuela Weissman

A rotina de treinamentos da Atlética da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) segue comprometida em 2025. A equipe de futsal masculino, por exemplo, conseguiu realizar apenas uma atividade no segundo semestre, situação que repete os transtornos do ano anterior. Segundo o treinador da modalidade, Gustavo Franco, os problemas já são antigos. “Ano passado foi igual”, afirmou.

Ao ser perguntado sobre os fatores que impossibilitam a prática frequente de treinos, ele apontou a disponibilidade de espaço e dos horários dos estudantes. Além desses, destacou a ausência de comprometimento dos próprios jogadores como o principal obstáculo enfrentado. “A tentativa de organizar os encontros semanais esbarra justamente na adesão dos atletas. Agora é aguardar o compromisso deles”, comentou.
A Uerj possui dois locais para treinos do futsal, a quadra externa e a do ginásio. Sobre a participação da Universidade em uma possível solução, Gustavo, formado em Educação Física pela própria UERJ, não demonstrou otimismo: “A construção de mais quadras seria uma medida, mas a faculdade não vai ajudar. A demanda é muito grande e o processo é muito burocrático”, disse. 

Para os jogadores, a falta de treinos pesa tanto no rendimento quanto na vida acadêmica. Pedro Athayde, estudante de jornalismo do 5º período e atleta da equipe, disse que a escassez de atividades semanais o tem incomodado bastante: “Tenho sentido bastante, por mais que meu horário de aula esteja mais apertado, era sempre bom desestressar um pouco nos treinos. Sem contar que eu amo competir e sinto muita falta disso no meu dia a dia”, relatou.

Ainda de acordo com ele, tal problemática afeta o grupo inteiro: “Acho que todo mundo lida mais ou menos da mesma forma, como uma válvula de escape do estresse da semana de trabalho e estudo. Então acredito que eles tenham muita pena de como as coisas estão, da nossa preparação para os campeonatos estar parada e todo mundo ficar sem ter o que fazer, já que não depende só da gente”, ressaltou.

Ao ser questionado sobre a ausência de comprometimento do time, o referido atleta reconheceu tal questão, porém alertou: “Acho que rola sim uma falta de comprometimento, mas por agora vai além disso. As quadras não estão sendo liberadas, os horários estão mais apertados e, querendo ou não, ainda não rolou uma renovação 100% do time. Até o ano passado, a maior parte do time era formada ou estava para se formar, então não aconteceu um ciclo natural dos mais novos assumirem o papel dos mais velhos”.

Entre as possíveis soluções, Athayde propõe mais flexibilidade e suporte da Universidade: “Acho que poderia rolar uma flexibilização melhor na questão das quadras, com um número maior de horários disponíveis para as atléticas. Com certeza a Uerj deveria oferecer mais apoio. As atléticas, além do esporte, servem como integração entre os estudantes, e isso fortalece o pertencimento dos alunos”, destacou.

Por fim, ele explicou a importância e o valor da Atlética em sua vida pessoal: “Pra mim, participar da Atlética é uma questão de pertencimento, chegar mais perto do que um dia foi meu sonho de virar jogador e defender algo que faço parte. A mensagem que eu deixo aos novos calouros é para que sigam nesse processo, porque as amizades são boas, o dia a dia é maravilhoso, a competição nos treinos e nos campeonatos é algo incrível. Então, não deixem de ir e curtam bastante o que a atlética tem pra oferecer”, concluiu.

Com treinos escassos e o futuro incerto, a Atlética de Comunicação Social da Uerj vive um momento de indefinição. As falas do treinador e do atleta evidenciam que os problemas vão além da quadra: passam pela necessidade de adesão estudantil, apoio institucional e um esforço coletivo para manter viva a tradição do esporte universitário.

Os impactos do Parque Estadual do Grajaú na região da Grande Tijuca

Os impactos do Parque Estadual do Grajaú na região da Grande Tijuca

Completando 47 anos em 2025, o bosque serve para a realização de eventos e para a preservação ambiental

Por Laura de Sousa e Silva dos Santos

                                      Parque Estadual do Grajaú. Foto: Laura de Sousa e Silva dos Santos

 

Foi realizado no último dia 20 de setembro, no Parque Estadual do Grajaú, uma atividade de educação ambiental com o PREVFOGO, do Ibama, na qual  foram oferecidas orientações sobre preservação ambiental e combate a incêndios florestais. Na palestra, os técnicos explicaram sobre os impactos causados pelo fogo na sociedade, no solo, na fauna, na flora e na atmosfera. O evento foi organizado pela gestora do Parque, Carina Beltrão: “Eu tenho o contato dos meninos e uma vez por ano eu procuro trazê-los aqui”, disse. 

Esse não é o primeiro evento organizado pelo bosque, o lugar recebe com frequência ONGs, escolas e grupos de escalada para a prática de atividades. No início de setembro, o Instituto Floriano Peçanha dos Santos decidiu levar crianças para uma palestra sobre educação ambiental, na qual, por meio de uma visita guiada ao Parque, foi explicado sobre as abelhas nativas sem ferrão e sobre a importância da Mata Atlântica. A gestora do bosque comentou que a ONG entrou em contato com ela pelo Instagram do Parque e agendou a visita.

Em julho, ocorreu uma colônia de férias organizada pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente, que trouxe monitores para fazerem atividades com crianças no local. A maioria dos eventos, comentou Carina, é agendada pelo Instagram do Parque ou pelo WhatsApp dela. Além dessas reuniões, o bosque também serve aos moradores da vizinhança, que realizam atividades físicas e piqueniques. “A gente precisa dessa área verde. Aqui se tornou uma unidade de conservação”, comentou a gestora.

 

Preservação ambiental

Criado em 1978, o contexto de sua origem foi a solicitação da comunidade do bairro do Grajaú para a criação da área verde para proteção ambiental, como explicou Carina: “A ideia foi para não haver construções irregulares”. O Parque, que  é administrado pela prefeitura e está sob concessão do Município até 2027, tem um grande impacto na fauna e na flora da região, através da preservação de espécies de plantas e animais. 

Entre algumas espécies de plantas nativas na região, estão figueira, embaúba, carrapateira, ipê-amarelo, cedro-branco e pau-d’alho. O Parque possui diversos projetos de plantação, incluindo o Viveiro Vertical de Plantas Medicinais, que tem como objetivo o cultivo sustentável de plantas medicinais, promovendo o uso responsável dos recursos naturais e incentivando a biodiversidade. Carina comentou que é comum pessoas entrarem em contato com ela para poderem levar diferentes mudas para plantar. 

As espécies de animais são diversas: jiboia, gambá, esquilo, mico-estrela, beija-flor, dentre outros. Alguns desses animais, como a jiboia, já entraram em casas da vizinhança e precisaram do bombeiro para ir buscar, comentou a gestora. As abelhas são um dos destaques do Parque por conta do Projeto Ala do Mel, que foi delineado com o objetivo de atender as propostas da ONU relativas à sustentabilidade e à Agenda 2030. A ideia é trabalhar com as abelhas nativas indígenas sem ferrão para preservar as espécies ao lado de alunos da Educação Infantil ao Ensino Médio. O mel que as abelhas fabricam é em pouca quantidade, porém às vezes é oferecido para consumo.

 

 Desconhecimentodo público

Por mais que o evento do Ibama tenha tido um bom público graças a uma festa de aniversário infantil que estava ocorrendo no bosque, Carina comentou que muitas dessas reuniões não tiveram grande repercussão: “O público é um pouco baixo. A galera costuma ficar muito ali embaixo na pracinha”. O entendimento dela é de que muitas pessoas realmente não fazem ideia da existência do local. “Tem morador que chega aqui e fala que não conhecia o parque, e mora aqui há anos”, lamenta Carina.

 

                        Evento do Ibama no Parque Estadual do Grajaú. Foto: Laura de Sousa e Silva dos Santos

 

Para saber mais sobre os projetos de preservação ambiental e dos eventos oferecidos pelo Parque, acesse o Instagram do lugar: @parquedograjau_oficial





‘O verão que mudou minha vida’: a força das tramas românticas que não saem de moda

‘O verão que mudou minha vida’: a força das tramas românticas que não saem de moda

Nova adaptação feita pela Prime Vídeo terminou dia 17 de setembro com promessa de filme 

Por: Maria Eduarda Galdino

Post de divulgação da série O verão que mudou minha vida. Divulgação: Prime Vídeo

A adaptação do livro “O verão que mudou minha vida”, escrito por Jenny Han, e adaptado pela Prime Vídeo, se tornou um fenômeno tanto na audiência quanto nas redes sociais. Só na terceira temporada, a série contabilizou 25 milhões de espectadores, ficando no top 1 da Prime vídeo em 120 países, um verdadeiro sucesso. 

A trama da série está envolta em um triângulo amoroso entre Isabel Conklin (Lola Tung) e os irmãos Conrad Fisher (Christopher Britney) e Jeremiah Fisher (Gavin Casalegno). O caminho dos três se cruzaram ainda na infância, resultado da amizade entre suas mães Laurel (Jackie Chung) e Susannah Fisher (Rachel Blanchard) que se conheceram na faculdade. 

Desde pequena, Isabel, carinhosamente apelidada de Belly, sempre possuiu um crush no irmão mais velho dos Fisher, Conrad, mas nunca teve coragem para confessar seus sentimentos. Conrad, também sempre nutriu sentimentos por Belly, mesmo que ele não tenha demonstrado isso para ela de forma explícita no começo. Porém, em uma temporada de verão na casa de praia em Cousins, Belly recebe uma declaração de Jeremiah, fazendo com que seus sentimentos pelos irmãos sejam divididos. Quem escolher ? Quem diz a verdade ? Como não estragar o verão perfeito em Cousins ? 

Você já deve ter ouvido essa trama em outro lugar, certo ? Séries como The Vampire Diaries (2008), One Tree Hill (2003), SmallVille (2001), Gilmore Girls (2000) e até mesmo o filme da saga Crepúsculo (2008) possuem a mesma história de triângulo amoroso. Mas, se é o mesmo enredo, porque ainda faz tanto sucesso ? Sendo que há um grande espaço de tempo entre as séries dos anos 2000 e 2025 ?

Escritores e diretores do gênero de romance repetem a fórmula mágica dos triângulos amorosos por conta da nostalgia e familiaridade que essas narrativas trazem. Oferecer um produto que apresenta características similares a produtos que já foram consumidos anteriormente, apresenta mais segurança ao espectador. No caso da série “O verão que mudou minha vida”, existe mais uma vantagem, pois é a adaptação de um livro best seller, o que traz mais uma audiência repleta de expectativas.  

Um estudo publicado pela Harvard Business Review, afirma que produtos que seguem fórmulas narrativas já conhecidas, (como filmes e séries), geram maior aceitação e engajamento. Ainda mais com públicos que já tem afeição por esse tipo de conteúdo. No X (antigo Twitter), as palavras Team Conrad e Team Jeremiah, nome criado pelo público para rivalizar os irmãos apaixonados por Belly, se tornou um dos assuntos mais comentados da plataforma, chegando aos trend topics. 

No Instagram não foi diferente, as hashtags #conrad, #Belly#Jeremiah possui 429 mil, 3 milhões e 333 mil posts respectivamente. No TikTok, a hashtag #TSITP (Sigla para abreviar o nome da série) possui um milhão de vídeos, também a hashtag em português #overaoquemudouminhavida possui 67,9 mil vídeos. Jenny Han, autora do livro, agradeceu ao apoio dos fãs em seu Instagram em um post sobre a divulgação da série em Paris, “Eu não poderia ter sonhado uma noite mais mágica. Paris, je t’aime. Obrigado a todos os fãs que apareceram para dar um adeus ao nosso show e obrigado a @ Primevideo por tornarem todos os meus sonhos parisienses realidade”, disse.

E você ? Já assistiu ‘O verão que mudou minha vida’ ? É Team Conrad ou Team Jeremiah ? A equipe UerjViu assistiu a série e tem suas preferências por aqui ! Até o próximo domingo em série !!

Os microempreendedores da Uerj

Os microempreendedores da Uerj

Conheça a história de três alunos que veem a Universidade, para além do ensino, também como um polo econômico

Por: Luana Maciel

 

Ao caminhar pelos corredores da Uerj, qualquer pessoa poderá encontrar alunos da própria instituição vendendo diferentes produtos a quem estiver interessado. Desde docinhos a acessórios, esses produtos demandam preparação, planejamento e estratégias de inovação desses estudantes. A rotina universitária passa por uma reformulação, de modo que, além dos estudos, eles têm um novo compromisso: as vendas.

 Alice Moraes, Douglas Xavier e Leonardo Vieira são três desses microempreendedores que construíram pequenos negócios entre as rampas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

  • Alice Moraes

Alice Moraes, aos 20 anos, cursa jornalismo e vende brigadeiros, casadinhos e outros doces na Universidade. Os docinhos são produzidos pela própria Alice. A iniciativa partiu dela e do namorado, com um objetivo claro em mente: juntar dinheiro para planejar seu casamento.

                             Alice Moraes posando com seus doces no corredor da Uerj. Foto: Luana Maciel

 

Ela conta que seu namorado, Israel, estudante de letras, fazia algumas vendas, mas por uma questão de timidez e logística, hoje ajuda mais com a parte técnica, anotando os números de venda de cada dia e administrando as redes sociais. Já a parte de vender ao público mesmo, ficou por responsabilidade de Alice. Ela vende do nono ao décimo segundo andar e na fila do bandejinho.

Na verdade, a jovem revela que inicialmente não queria fazer parte diretamente do processo de venda. “No início eu tinha vergonha. Não queria vender não, no começo, só fazia”, relata Alice. Mas quando ela começou a vender junto do namorado e percebeu que obtinha melhores resultados, ela descobriu que era boa neste processo de interação com possíveis compradores. E, o que antes era evitado por medo de vergonha, agora faz parte do dia a dia da estudante, que afirma gostar do que faz, superada a timidez inicial. 

Alice explica que escolheu vender seus produtos especificamente na Uerj por ser não só um local que ela frequenta, mas também que muitas pessoas habitam, demonstrando uma grande oportunidade comercial. “É um dos lugares que eu mais convivo. Tem uma grande quantidade de pessoas, de alunos, de gente. Aí eu vi que seria bom vender aqui”, conclui a jovem.

 E por ser tão imensa e englobar tantos indivíduos, o local é, para a aluna, também uma oportunidade de conhecer novas pessoas e criar laços: “Os docinhos me proporcionaram esse contato maior com os estudantes, com as pessoas, com os servidores da Uerj. Até fazer amizades também”. Alice acredita que cada empreendedorismo pode ajudar, de alguma forma, as pessoas que frequentam a Uerj. “Às vezes a pessoa tá com vontade de comer um docinho, mesmo que pareça uma coisa pequena, você acaba alegrando o dia dela”, afirma a aluna. 

Instagram: doces_a.i

  • Douglas Xavier

Douglas, de 26 anos, está no quinto período de direito. Mas, pela Uerj, ele é muito mais conhecido pelo apelido de “DG do brownie”. Douglas aponta que, na verdade, quem começou a produzir brownies para comercialização foi uma amiga. DG era apenas seu cliente fixo e um grande fã dos doces. Tudo mudou quando, no final do terceiro período, a colega, que iria começar a estagiar e estava se sentindo sobrecarregada, percebeu o potencial de Douglas e o chamou para realizar as vendas e dividir o lucro.

             Douglas Xavier posando com seus brownies na saída do restaurante universitário. Foto: Luana Maciel

DG conta que no seu primeiro dia de vendas, apesar do nervosismo, o saldo de brownies vendidos foi um total de cento e um. A amiga ficou completamente surpresa, uma vez que o número médio de brownies por dia até então variava de trinta a quarenta.

Ele relata que nos seus primeiros dias de venda, ficava perto da fila do bandejão, tentando se aproximar de possíveis clientes. “Eu abordava o pessoal, brincava. Às vezes a pessoa não sabia nem que queria doce, no final ela saía com três, com quatro”. Daí pra frente DG se tornou um verdadeiro sucesso na Universidade. 

Douglas conta que já havia tido contato com o atendimento ao público antes. Sua mãe vende cosméticos e roupas e seu pai tem um estacionamento. Ele destaca como essas experiências o ajudaram a desenvolver uma “lábia”, que hoje é fundamental no exercício das vendas, já que ele sente menos vergonha ao interagir com as pessoas. “O não eu já tenho, então eu vou atrás do sim (…), respiro fundo, vamos à luta”, diz ele.

A principal motivação do estudante é a busca por maior estabilidade e liberdade financeira. A venda dos doces o ajudou a ficar mais tranquilo quanto a essa questão, conta o estudante. Apesar disso, o negócio também envolve muitas dificuldades. Com um estágio pela manhã e o curso de Direito à noite, DG fala que equilibrar a rotina é uma tarefa muito complicada. Por isso, ele se organiza de forma que as vendas ocorram nas segundas, quartas e sextas, e o resto da semana útil é voltado para os estudos do curso. Atualmente, a produção é própria do estudante, com ajuda da namorada                                                                                                                                                              

A comercialização de Douglas não se restringe à Uerj. Ele vende nos seus treinos de futebol americano, no ônibus vindo e voltando da Universidade, a caminho do estágio e onde mais houver procura por seus doces. Em todo lugar, o apelido o acompanha- DG do brownie já se tornou sua marca registrada. 

Instagram: dgxavieer

  • Leonardo Vieira

Leonardo Vieira dos Santos cursa Ciências Sociais na Uerj desde 2017. Aos 29 anos, comercializa brincos, anéis, colares e outros acessórios no espaço da Universidade. Popularmente conhecido pelos alunos da Uerj como “Léo do Brinco”, Leonardo conta que tem experiência com vendas desde os treze anos, trabalhando em feiras. O momento em que passou a tratar especificamente dos acessórios, porém, foi no Ensino Médio. 

A escolha, segundo ele, foi movida pelo que ele acreditava que acarretaria lucro, considerando que precisava do dinheiro para ajudar a sustentar a família na época. Léo explica que a Uerj se tornou palco das suas vendas pois faz parte do seu dia a dia. “Eu tento vincular minha rotina de vendedor, Léo do brinco, com a vida do estudante, Leonardo”, conclui ele. Hoje, o estudante vende em todos os andares, principalmente no 10 e no 12.

Leonardo Vieira posando com seus acessórios na Uerj. Foto: Luana Maciel

Quando começou, ele conta que não tinha nenhuma preparação ou instrução. Mas, com o tempo, foi aprendendo estratégias para chamar mais atenção da clientela. A imagem do produto e a boa propaganda são essenciais para movimentar as vendas. “Os produtos precisam estar bonitos, precisam estar apresentáveis”, afirma Léo. 

Tudo isso demanda que o empreendedor esteja atento ao que está na moda e ao que interessa seu público. É importante, para ele, no caso dos acessórios, notar as cores do momento, acompanhar os comerciais de lojas e procurar saber o que está em pauta naquela estação. Mas todas essas estratégias, para o estudante, são um acúmulo de coisas que ele aprendeu com o tempo e que não se descobre de um dia pro outro.

Os acessórios são uma mistura de revendas e produções autorais. O objetivo, aponta Léo, é chegar em um ponto em que todas as vendas sejam de produtos próprios. A produção parte principalmente da namorada do estudante. Embora os dois produzam, ele aponta, ela acaba tendo mais aptidão para a produção e Léo, para as vendas. 

Uma dificuldade que Leonardo enfrenta é estar presente na internet. Agora que está prestes a se formar, ele explica que quer saber como alcançar seu público no mundo virtual da mesma forma que faz nos corredores do campus universitário. O plano é manter a loja de forma online após a conclusão de sua graduação. O futuro é incerto, alega Léo, mas enquanto busca finalizar os estudos e ir em busca de especializações, o seu negócio se mantém firme.

Instagram: leodobrinco.uerj

Assim, a Uerj revela uma nova faceta. Mais do que um grande centro de estudos, a Universidade é também um polo econômico, onde alunos que precisam vender seus produtos, seja qual for sua razão pessoal, encontram um público interessado e a oportunidade de começar a empreender.

Entre desafios, dificuldades e superações, os microempreendedores da Uerj reinventam seu local de estudos e encontram mais uma forma de ocupar e vivenciar a Universidade.