Brasileiros e seleção: uma relação de alto e baixo
Do amor à estranheza
Por: Felipe Borges
Reprodução: ABr/Rovena Rosa
Faltando menos de um mês para a Copa do Mundo, os países começam a se preparar para o maior evento do futebol, desde fan fest, figurinhas, ruas pintadas e a ansiedade para a bola rolar.
Nesta edição, a seleção brasileira entrará em campo igualando o maior jejum (1970-1994) sem levantar o tão desejado troféu, desde que ganhou o primeiro em 1958. Os 24 anos após o penta foram carregados de muita emoção e esperança, mas um meião, uma expulsão, um vexame em casa, um gol contra e um empate a quatro minutos do final foram grandes baldes de água fria na cabeça do torcedor.
A AJ fez um levantamento pela internet para entender como anda a relação do brasileiro com a seleção, tendo obtido 200 respostas. Dos participantes, 62% afirmam acompanhar a seleção, sendo maioria homens, que também têm um engajamento maior durante o ciclo de preparação, uma vez que as mulheres costumam acompanhar mais a seleção em época de Copa.
Filtrando por idade, pessoas acima dos 30 anos conhecem, em média, 8 jogadores da seleção, enquanto os abaixo dos 30 anos conhecem 15. Além disso, o grupo no qual o Brasil se encontra no mundial é conhecido por apenas 32% dos entrevistados, em maioria pessoas de até 30 anos.
Esse dado mostra que os mais novos possuem maior engajamento com a seleção, enquanto os mais velhos possuem menos, se refletindo no jeito que eles enxergam a “amarelinha”: com nostalgia da época de ouro (37,4%), como orgulho da história (33,4%), uma mistura com o cenário político (18,2%) e com vergonha com as atuações recentes (9,6%).
Segundo um participante da pesquisa: “Atualmente, eu diria que a minha relação com a seleção é de total frustração, já que o desempenho nos últimos anos tem sido muito abaixo do esperado, considerando o nível e a qualidade dos seus jogadores, que parecem sentir muito a pressão de vestir a ‘amarelinha’ .” Ele ainda cita eventos como o 7 a 1 e a derrota para a Argentina na final da Copa América em pleno Maracanã, em 2021.
Os desempenhos recentes da seleção não são o único impasse dessa relação, fatores como os jogadores que vão para a Europa cada vez mais novos e não criam uma relação com os torcedores e a crise de identidade na forma da seleção jogar, para alguns tendo perdido o “joga bonito”, também corroboram para esse distanciamento. “Desconheço boa parte dos jogadores selecionados, com isso não há comprometimento meu em acompanhar a seleção”, afirma um participante. Outro também diz: “O futebol brasileiro perdeu o encanto para mim, pois há uma questão de dinheiro acima do país. O belo futebol antes jogado deu lugar a um futebol de baixa qualidade.”
Assim, é comum vermos que o que gerava uma emoção diferente para a Copa, começa a mudar, seja em um pacotinho de figurinhas, que já não é tão barato como antes, nas ruas que quase não são mais pintadas e até mesmo na ansiedade para bola rolar. Essa última fica nítida quando metade dos entrevistados diz acreditar que o Brasil deve cair no mata-mata, sem chegar longe, e apenas 1 a cada 10 dizem acreditar que a seleção pode ser campeã.
Reprodução: ABr/Rovena Rosa
A impressão que fica para a maioria dos brasileiros é que a solução para a quebra desse estranhamento passa pela dedicação dos jogadores, que carregando um país nas costas, deviam ver a convocação e participação em uma Copa do Mundo como forma de orgulho e representação.



