Lugar de mulher também é na tecnologia

Getting your Trinity Audio player ready...

Lugar de mulher também é na tecnologia

Programa investe mais de R$ 3 milhões em negócios comandados por mulheres; na Web Summit Rio, ministra defende diversidade para ampliar excelência da produção científica brasileira

Por Letícia Santana

Ministra Luciana Santos, na cerimônia de abertura do Web Summit. Foto: Letícia Santana

O Web Summit Rio é um dos maiores eventos de tecnologia do mundo. Na  edição de 2024,  47,5% do público era formado por mulheres, e 45% das startups participantes tinham fundadoras à frente dos negócios. Sede do encontro pelo terceiro ano seguido,  o Rio de Janeiro é destaque global na inclusão de mulheres no ecossistema tech. Ficou à frente até mesmo de Lisboa, onde a média de liderança feminina em startups presentes na edição portuguesa, em 2024, foi de  33%.

A ministra da Ciência, Tecnologia e Informação, Luciana Santos, falou na noite de abertura do evento ao lado do prefeito do Rio, Eduardo Paes, e do CEO do Web Summit, Paddy Cosgrove, sobre a participação feminina na produção científica. A ministra  anunciou a continuidade do Programa Mulheres Inovadoras, que vai investir mais de R$ 3 milhões para incentivar a participação de mulheres em start-ups.

Nesta edição serão selecionadas dez empresas de cada região do país. As 50  startups, que serão divididas em dois grupos de 25, um de empresas iniciantes e outro de avançadas. A primeira colocada de cada região receberá um investimento de 100 mil reais, e as demais, 51 mil reais. Segundo a ministra, o foco do programa é a capacitação e o reconhecimento dessas profissionais no país.

De acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), no Brasil as mulheres correspondem a 20% dos profissionais de tecnologia, e de acordo com o Fórum Econômico Mundial somente 22% dos profissionais que trabalham com inteligência artificial são mulheres. Os dados refletem a constante desigualdade de gênero na área da tecnologia. Por isso a Rio Web Summit retornou com o programa Women in tech, com a proposta que mulheres compartilhem suas histórias, façam networking e colaborem umas com as outras. Por meio dessa iniciativa, ingressos foram disponibilizados com 90% de desconto para mulheres atuantes na área, promovendo um maior acesso ao evento.

A Agenc conversou com algumas mulheres que apresentaram paineis durante o evento. Marina Godoi (32), ex-advogada que mudou de carreira para trabalhar com tech, atualmente está na Inspira, um legaltech de pesquisa de jurisprudência e recursos de inteligência artificial para facilitar a rotina da advogada. Marina contou sobre o dia a dia e participação feminina na área de tecnologia. “Eu achava que teriam até bem menos mulheres, mas lá, pelo menos na Inspira, tem bastante mudança. Comemoramos no ano passado quando o número de mulheres ultrapassou o dos homens na empresa, inclusive no time de tecnologia, não só no comercial e pós-vendas”, afirmou.

Debora Oliveira no painel expositivo da Ximple durante o evento. Foto: Letícia Santana

Já Débora Oliveira (26) é líder técnica na Ximple, startup mexicana focada em conceder acesso ao crédito a pessoas sem acesso a banco, principalmente pessoas que vendem por catálogos. Ela falou sobre a sua visão sobre o impacto da empresa em que ela trabalha na vida das mulheres: “A maioria das pessoas que vendem por catálogo são mulheres. Então, o que a gente está investindo é justamente no empreendedorismo feminino. Porque quando a gente investe numa mulher que é mãe, tem ali todo um ambiente que ela tem que tomar conta, a gente está trazendo o bem. O empreendedorismo dela vai crescer, mas a gente também está impactando várias outras pessoas que estão ao redor delas.”

O evento ainda não divulgou a porcentagem de participações divididas por gênero, porém uma das metas para esse ano é o aumento significativo na participação das mulheres no mundo da tecnologia.

 

Lugar de mulher também é na tecnologia

You May Also Like