A política e o futebol

A política e o futebol

Relação entre Fifa, entidade máxima do esporte, e agentes políticos reacende debate sobre o conflito de interesses no futebol

Por: Eduardo Campos

Após a polêmica envolvendo a participação do Irã na Copa do Mundo de 2026 que será realizada no Canadá, no México e nos Estados Unidos, países em guerra, muitas discussões sobre a relação entre política e futebol foram reacendidas. As opiniões são variadas: alguns acreditam que o esporte está intrinsecamente ligado aos interesses de agentes políticos influentes e poderosos, enquanto outros preferem deixar esse debate de lado e focar apenas no que ocorre dentro das quatro linhas.

Uma das instituições que está no centro dessas discussões é a Fifa. A Federação Internacional de Futebol Associado, possui 211 associações nacionais filiadas e aborda temas como melhorias para o futebol mundial, organização de torneios internacionais e estratégias para lidar com tensões entre nações no futebol. Um exemplo recente do novo posicionamento da Fifa foi o banimento da Rússia de disputar qualquer competição internacional devido à guerra contra a Ucrânia. Entretanto, há um questionamento sobre a parcialidade da entidade mediante os conflitos, já que Israel, que está em guerra com a Palestina, continua podendo jogar todos os torneios existentes.

Agência Brasil/Eurico Tavares

Sede da Fifa em Zurique, na Suíça

O Presidente da Fifa, Gianni Infantino, tem sido constantemente criticado por ser parcial nas decisões que influenciam o futuro do esporte. Ele é visto como um grande parceiro comercial de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos e amigo de Infantino, algo que vai contra suas propostas quando entrou na presidência da entidade em 2016, quando pregava “o futebol em primeiro lugar”. O italiano se envolveu em uma polêmica durante o sorteio dos grupos da Copa do Mundo de 2026, pois entregou a Trump o Prêmio da Paz da FIFA por “medidas excepcionais e extraordinárias pela paz”. Um momento considerado constrangedor para o público, haja vista que os Estados Unidos estão envolvidos em diversos conflitos por todo o Mundo.

Reprodução: Instagram (@gianni_infantino)

Infantino entrega Prêmio da Paz da FIFA a Trump.

João Havelange, antigo presidente da Fifa, também já esteve envolvido em questões políticas durante o seu mandato de 1974 a 1998. Falecido em 2016, o brasileiro se orgulhava de ter expandido a Fifa para ter mais países filiados do que a ONU. Entretanto, ele sofreu pressões internacionais sobre a realização da Copa de 1978 na Argentina, país que vivia um regime militar. Havelange sinalizou positivamente para a escolha, inclusive mantendo relações próximas com o ditador Jorge Rafael Videla e com o almirante Carlos Alberto Lacoste, que se tornaria vice-presidente da Fifa anos depois. Havelange, no entanto, mantinha bom diálogo com o bloco socialista comandado pela então União Soviética, tendo o voto unânime dos seus integrantes para sua eleição.

A conclusão que se chega com esses casos é que futebol e política andam lado a lado. As principais instituições que representam os dois âmbitos sempre estão interligadas, pensando em manter interesses de ambas as partes. A idoneidade, um princípio fundamental em qualquer tipo de relação, não é respeitada no futebol.

A política e o futebol

You May Also Like