Casas de apostas dominam patrocínios másteres e desafiam integridade do futebol

Casas de apostas dominam patrocínios másteres e desafiam integridade do futebol

Em 2025, 18 dos 20 clubes da Série A têm bets como patrocinadoras principais exibindo suas marcas nos uniformes 

Por: Lívia Martinho

Das 20 equipes da Série A do Brasileirão 2025, são 18 que têm casas de apostas como patrocinadoras principais, e todas contam com parcerias com essas empresas, evidenciando a força das apostas esportivas no país. O crescimento do setor gera preocupação entre as autoridades, e ao longo deste ano o Ministério do Esporte tem buscado medidas para conter um problema que ameaça a credibilidade dos jogos.

 

O Ministério da Fazenda divulgou que no primeiro semestre de 2025 a renda bruta das empresas foi de R$ 17,4 bilhões e informou também que a média de gasto por apostador ativo é de R$ 983 por semestre ou R$ 164 por mês. Além disso, revela que dos 17,7 milhões de brasileiros que realizaram apostas neste período, 71%  são homens e 28,9% são mulheres. Sobre as faixas etárias, a de 31 a 40 anos registra 27,8% do total. A de 18 a 25 anos é 22,4%; 22,2% tem de 25 a 30 anos; 16,9% tem entre 41 e 50 anos; 7,8% tem de 51 a 60 anos e 2,1% tem de 61 a 70 anos.

Foto: Ronaldo Caldas/MEsp

Diante do avanço das apostas esportivas e das investigações sobre fraudes em competições, o Ministério do Esporte firmou Acordos de Cooperação (ACs) com a Sport Integrity Global Alliance (SIGA), a International Betting Integrity Association (IBIA), a Sportradar, a Associação de Bets e Fantasy Sport (ABFS) e a Genius Sports. Essas plataformas monitoram dados de apostas em tempo real e ajudam a detectar padrões suspeitos. O objetivo é criar um sistema nacional que possa alertar as autoridades diante de sinais de manipulação de resultados para proteger a integridade das competições e garantir um ambiente mais seguro e transparente para atletas, clubes e torcedores.

 

Com essa iniciativa, o Brasil busca alinhar-se às práticas internacionais de regulamentação das bets, adotando medidas semelhantes às de países com regras avançadas. No Reino Unido, por exemplo, o controle é um dos mais rigorosos e a partir da temporada 2026/27, os clubes da Premier League decidiram não estampar marcas de casas de apostas na parte frontal de seus uniformes, visando a  reduzir a publicidade e reforçar o compromisso ético do futebol. Na França, o monitoramento é feito pela Autoridade Nacional dos Jogos (ANJ), que busca atuar na prevenção do vício e combater fraudes.

 

A tributação das casas de apostas varia bastante pelo mundo: Reino Unido (21%), França (33%), Itália e Espanha (20%), México (30%), Quênia (15%) e Estados Unidos (20% a 50%, chegando a 51% em Nova York). No Brasil, com a Lei 14.790/2023, as operadoras pagam 12% sobre o rendimento bruto das apostas que totalizaram R$ 2,14 bilhões no primeiro semestre deste ano.

Casas de apostas dominam patrocínios másteres e desafiam integridade do futebol

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