Categorias de base: o futuro do futebol feminino
Formação de jovens atletas garante oportunidades e sustenta o crescimento da modalidade no Brasil
Por: Amanda Souza
Reprodução: Instagram – CBF/Foto: Conmebol
Nos últimos anos, o futebol feminino viveu um processo de expansão no Brasil. A maior presença na mídia, o crescimento do público nos estádios e o aumento dos investimentos dos clubes marcam uma nova fase para a modalidade. Com a Copa do Mundo Feminina de 2027 a caminho, a expectativa é de um crescimento ainda maior. Mas, por trás das jogadoras que brilham nas seleções e nos campeonatos profissionais, há um caminho essencial: as categorias de base.
As categorias de base são divisões em que jovens atletas são treinadas e preparadas para se tornarem jogadoras profissionais. No futebol feminino, as principais categorias são Sub-15, Sub-17 e Sub-20. Diferentemente do masculino, que possui divisões bem definidas desde o Sub-11, no feminino essa estrutura ainda é recente.
Um dos marcos para a expansão dessas divisões ocorreu em 2019, quando a Conmebol passou a exigir que os clubes participantes da Libertadores masculina mantivessem equipes femininas — medida que foi acompanhada pela CBF. A decisão impulsionou a criação de departamentos específicos e abriu espaço para o desenvolvimento da base. Mais recentemente, em 2025, a Confederação Brasileira de Futebol reforçou esse processo ao destinar quase R$ 10 milhões ao Brasileirão Feminino A1, aumentando em 20% as cotas de participação dos clubes e reforçando a obrigatoriedade de manter equipes de formação.
Mais do que formar atletas tecnicamente, as categorias de base cumprem um papel social e estratégico. É nelas que meninas têm acesso a treinos regulares, acompanhamento físico e psicológico, além de uma rotina que as aproxima da realidade profissional. Sem essa estrutura, muitas jovens acabam desistindo do esporte por falta de oportunidades.
Entre as jovens que cresceram sonhando com o futebol, Rayane Maia, atleta da base do Corinthians, é uma das representantes dessa nova geração que vem se formando dentro dessa estrutura. Em conversa com a AJ, ela contou que começou a jogar ainda criança, quando via o irmão e os amigos jogando na rua e decidiu tentar também. Desde então, sempre quis seguir essa carreira.
Na época em que começou, o futebol feminino não possuía tanta visibilidade. Rayane lembra que, no início, suas referências eram Marta e Neymar. Com o tempo, passou a admirar Cristiano Ronaldo, mas, entre as jogadoras, quem mais a inspirava era a zagueira Rafaelle Souza, da seleção brasileira.
A trajetória até chegar ao Corinthians exigiu sacrifícios e amadurecimento. “Foi um processo longo e doloroso, principalmente por ter que ficar longe da minha família para correr atrás do meu sonho. Precisei de muita dedicação e disciplina”, relembra. O esforço foi recompensado quando a jogadora teve a oportunidade de estrear no time profissional. Ela considera esse momento um dos mais marcantes de sua carreira, já que sempre sonhou com a chance de subir da base, embora não imaginasse que aconteceria tão cedo.
Apesar dos avanços, Rayane reconhece que os desafios ainda são grandes. Para ela, ser mulher no futebol significa enfrentar barreiras que vão além do campo. Ela destaca que as dificuldades são constantes e que a desigualdade se manifesta de diferentes formas, desde os salários mais baixos até a falta de estrutura e de espaços adequados para os treinos.
Mesmo assim, acredita que as categorias de base têm um papel essencial para mudar esse cenário. “As categorias de base femininas são fundamentais, porque muitas atletas desistem no meio do caminho por não terem oportunidade. Os clubes que investem nessa formação abrem portas para meninas que sonham em jogar profissionalmente.”
Rayane também percebe mudanças trazidas pelo aumento da visibilidade do futebol feminino. Ela observa que, atualmente, a situação está bem melhor, já que meninas mais novas conseguem se inspirar em diversas jogadoras além das mais conhecidas. Ainda assim, reconhece que há espaço para avanços.
Com o olhar voltado para o futuro, a atleta sonha alto e quer ser parte desse novo capítulo do futebol feminino no país. “Meu sonho é representar a seleção brasileira, disputar uma Copa do Mundo e uma Olimpíada, e inspirar outras meninas a seguirem no esporte.” Para ela, o futuro é promissor. Rayane acredita que o futebol feminino ainda crescerá bastante e que muitas meninas terão a chance de perseguir esse sonho desde a infância. Com isso, a visibilidade e o apoio tendem a aumentar, o que deve gerar mais oportunidades e fortalecer a modalidade no Brasil.
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