UERJ apresenta projetos que buscam atrair mais meninas e mulheres para a ciência
Cerca de 460 alunas da rede pública do estado do Rio de Janeiro compareceram ao evento
Por: Sofia Inerelli

Cerca de 460 alunas da rede pública do estado do Rio de Janeiro acompanharam na quarta-feira, dia 18, o Primeiro Simpósio de Meninas e Mulheres nas Ciências da UERJ. O evento coordenado por Luana Pinho, professora de oceanografia da universidade, contou com apresentações de nove projetos, todos com o intuito de estimular a presença de meninas nas áreas de ciência exatas e da terra, engenharia e computação.
A importância da perspectiva feminina na ciência foi exaltada por Renata Maciel, enfermeira de pediatria e de neonatologia. “Ampliar a presença de mulheres na ciência não é apenas uma questão de equidade, é também uma forma de fortalecer a própria ciência; quanto mais diversos forem os olhares que produzem conhecimento mais completas serão as respostas que a ciência pode oferecer à comunidade”, afirmou.
No entanto, essa diversidade nas ciências está longe de ser atingida. Segundo a Unesco, apenas 30% dos cientistas são mulheres, sendo o número ainda menor em cargos de liderança. Mesmo que a mulher conquiste uma posição de destaque há uma desigualdade salarial entre os homens e mulheres de 21%, segundo pesquisa da FGV.
Com dificuldades de conseguir empregos, recebendo salários menores, mulheres ainda são alvos de ódio simplesmente por serem mulheres. Na última terça-feira (24/03), o Senado aprovou um projeto de lei que criminaliza a prática da misoginia e a torna crime equivalente ao de racismo, um marco na luta contra a violência sofrida pelas mulheres. Mesmo com avanços na lei, no dia a dia meninas e mulheres ainda não estão seguras: só no ano de 2025, 1.568 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil. Este é o quarto ano seguido de crescimento de casos, segundo o Relatório dos Feminicídios no Brasil
Eventos como esse se tornam ainda mais necessários para que meninas saibam que a ciência também está ao seu alcance. Nicolle Beatriz Albornoz (17) uma das alunas presentes na palestra, disse que o simpósio a incentivou a buscar e a participar de mais projetos, acrescentado que caso não haja algum dentro da sua área ela seria uma das primeiras a criar ou a ajudar no seu desenvolvimento. A estudante sonha em fazer letras ou ciências sociais e tem como inspiração Clarice Lispector.