Evasão escolar de  jovens quilombolas é desafio para políticas de educação

Evasão escolar de jovens quilombolas é desafio para políticas de educação

Especialistas discutiram engajamento e a permanência  dos jovens brasileiros em mesa redonda no festival LED


Por: Maria Eduarda Galdino

  Dominga Natália, Zara Figueiredo e Rosalina Soares na mesa de debate do Festival LED. Foto: Maria Eduarda Galdino

 

Isolamento geográfico, falta de professores e infraestrutura são obstáculos citados na trajetória de educação básica de Dominga Natália Rosa, de 34 anos, moradora da  comunidade quilombola Kalunga. Ela participou da mesa “juventude em movimento: engajamento, permanência e sentido da escola para os projetos de vida”, no Festival LED, na última sexta-feira (15/5).

 A jovem relatou que para conseguir frequentar a escola, que só iria até a quarta série, foi preciso viver longe de seus pais e sua casa. A comunidade Kalunga está localizada na Chapada dos Veadeiros em Goiás. Dominga mudou-se para Cidade dos Arraiais e estudou regularmente até a sétima série.  Anos depois concluiu os estudos no supletivo. Além do acesso escasso à educação, a jovem também se sentiu incompreendida pelos professores que vinham da cidade até as comunidades quilombolas. “Tinha falta de paciência com os questionamentos. Então se a gente perguntava alguma coisa, era confronto”, disse ela durante o debate. 

A experiência relatada por Dominga reflete um problema estrutural observado em pesquisas nacionais. Segundo uma pesquisa  do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), os maiores índices de evasão escolar de crianças quilombolas acontecem no ensino fundamental II, isto é, do 6º ao 9º ano.

Além disso, o Censo Escolar de 2024 mostra a persistência da desigualdade escolar entre as regiões brasileiras, especificamente no Norte, onde existem escolas de localização diferenciadas como aldeias e quilombos, que não possuem o mesmo acesso a materiais escolares atualizados e tecnologia. 

Dominga se tornou professora para mudar a realidade da sua comunidade. Logo depois da formação no supletivo começou a lecionar na escola onde se formou e também enfrentou os desafios como professora quilombola: a falta de materiais e tecnologias que auxiliam no aprendizado não eram acessíveis no território Kalunga. “Também tinha a dificuldade da falta de material escolar, os materiais usados  das escolas da cidade que iam à comunidade”

A professora Dominga ainda conta a dificuldade de seus alunos adultos no ambiente rural, onde a rotina da agricultura familiar e a escola entram em conflito. “A pessoa anda 6 km para ir para a roça, trabalha o dia todo para voltar e vem passar o dia na aula, tem que ter muita vontade”, disse. Dominga expressa a necessidade de um apoio e incentivo do Estado para a permanência dos adultos na escola. 

Também esteve presente à mesa de discussão Zara Figueiredo, secretária de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão, do Ministério da Educação. A secretária falou sobre como a educação popular faz parte do processo de engajamento, permanência e projeto de vida dos jovens que sofrem com a desigualdade escolar. Um dos projetos citados pela secretária que ajudam no engajamento estudantil nas periferias foi a Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP). O projeto oferece suporte técnico e financeiro para a preparação de estudantes socialmente desfavorecidos que almejam entrar para a educação superior. 

Para auxiliar o funcionamento dos cursos populares no Brasil, o CPOP se compromete a elaborar orientações focadas no Enem para a estruturação e implementação de ações de formação nos cursinhos apoiados pelo CPOP. Além disso, o projeto oferece uma bolsa permanência de R$200 durante oito meses para que o estudante possa manter algumas despesas durante o período de estudos. 

“Os alunos do CPOP têm um nível de inscrição no Enem maior do que a média nacional, de comparecimento maior do que a média nacional e a nota média dos estudantes do CPOP é maior do que a média nacional. É uma coisa impressionante”, disse Zara Figueiredo. 

Rosalina Soares, superintendente de Conhecimento da Fundação Roberto Marinho, afirmou que os jovens negros, indígenas e quilombolas são maioria entre os 8 milhões de adolescentes que deixam a escola. Ela ainda acrescenta que a falta de políticas públicas setoriais contribui para a desigualdade dentro das escolas e deixa um vazio nas estratégias de engajamento e permanência. 

“É responsabilizar demais a escola por um problema que é social, a questão da desigualdade não nasce na escola,a gente precisa de políticas públicas intersetoriais, ou seja, aumentar a proteção social dessa população mais pobre, porque se a gente não tiver políticas mais fortalecidas, a escola não é responsável e não tem condições de resolver essas questões”, disse.

UERJ apresenta projetos que buscam atrair mais meninas e mulheres para a ciência

UERJ apresenta projetos que buscam atrair mais meninas e mulheres para a ciência

Cerca de 460 alunas da rede pública do estado do Rio de Janeiro compareceram ao evento 

Por: Sofia Inerelli

                     Apresentação do Projeto de inclusão de Mulheres e Meninas nas Ciências Exatas – Sofia Inerelli

 

Cerca de 460 alunas da rede pública do estado do Rio de Janeiro acompanharam na quarta-feira, dia 18, o Primeiro Simpósio de Meninas e Mulheres nas Ciências da UERJ. O evento coordenado por Luana Pinho, professora de oceanografia da universidade, contou com apresentações de nove projetos, todos com o intuito de estimular a presença de meninas nas áreas de ciência exatas e da terra, engenharia e computação.  

 

A importância da perspectiva feminina na ciência foi exaltada por Renata Maciel, enfermeira de pediatria e de neonatologia. “Ampliar a presença de mulheres na ciência não é apenas uma questão de equidade, é também uma forma de fortalecer a própria ciência; quanto mais diversos forem os olhares que produzem conhecimento mais completas serão as respostas que a ciência pode oferecer à comunidade”, afirmou. 

 

No entanto, essa diversidade nas ciências está longe de ser atingida. Segundo a Unesco, apenas 30% dos cientistas são mulheres, sendo o número ainda menor em cargos de liderança. Mesmo que a mulher conquiste uma posição de destaque há uma desigualdade salarial entre os homens e mulheres de 21%, segundo pesquisa da FGV. 

 

Com dificuldades de conseguir empregos, recebendo salários menores, mulheres ainda são alvos de ódio simplesmente por serem mulheres. Na última terça-feira (24/03), o Senado aprovou um projeto de lei que criminaliza a prática da misoginia e a torna crime equivalente ao de racismo, um marco na luta contra a violência sofrida pelas mulheres. Mesmo com avanços na lei, no dia a dia meninas e mulheres ainda não estão seguras: só no ano de 2025, 1.568 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil. Este é o quarto ano seguido de crescimento de casos, segundo o Relatório dos Feminicídios no Brasil

 

Eventos como esse se tornam ainda mais necessários para que meninas saibam que a ciência também está ao seu alcance. Nicolle Beatriz Albornoz (17) uma das alunas presentes na palestra, disse que o simpósio a incentivou a buscar e a participar de mais projetos, acrescentado que caso não haja algum dentro da sua área ela seria uma das primeiras a criar ou a ajudar no seu desenvolvimento. A estudante sonha em fazer letras ou ciências sociais e tem como inspiração Clarice Lispector. 




Pré-Vestibular Social Sintuperj disponibiliza vagas ociosas

Pré-Vestibular Social Sintuperj disponibiliza vagas ociosas

Confira detalhes sobre o curso e entenda como participar

Por: Maria Clara Jardim

Desde 1998 o Pré-Vestibular do Sintuperj se destaca pela preparação oferecida aos estudantes que planejam ingressar em universidades públicas, oferecendo aulas com professores experientes e qualificados, material didático inclusivo, suporte psicológico e orientação acadêmica. O projeto é organizado pela Coordenação de Formação e Comunicação Sindical do Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Públicas Estaduais do Rio de Janeiro (Sintuperj) e busca auxiliar uma ampla quantidade de alunos, garantindo que todos tenham oportunidades similares e desenvolvam suas habilidades.

 

Os alunos presentes no programa se dividem em dois grupos, sendo eles: Comunidade interna e comunidade externa. O responsável administrativo do projeto, Carlos Eduardo, explica que inicialmente o pré-vestibular foi criado para a comunidade interna, ou seja, alunos dependentes de associados, servidores ou filhos dos servidores filiados ao Sintuperj, entretanto, com o passar do tempo o projeto foi se estruturando e expandiu as vagas para alunos que não se enquadram nessas características, ou seja, todo estudante que queira se preparar para o vestibular, formando assim a comunidade externa. 

“Hoje a quantidade de vagas é maior para a comunidade externa por não ter tantos associados, dependentes e servidores estudando”, afirma Carlos Eduardo. Ele destaca que 70% das vagas do pré-vestibular atualmente são preenchidas pela comunidade externa.

Os jovens, com o decorrer das aulas, têm contato com educadores profissionais e formados em universidades públicas. Segundo o responsável administrativo, alguns desses professores tiveram a oportunidade de se preparar para o vestibular através do pré-vestibular do Sintuperj e isso gera uma atmosfera de maior identificação para com os estudantes.

Recentemente, o curso informou que existem vagas disponíveis nos turnos da tarde e da noite, que são endereçadas à comunidade externa. 

Confira detalhes de como se inscrever:

Inscrições pelo site – presintuperj.com.br

Local de inscrição – Inscrição Comunidade Externa

 

Meios de contato com o projeto:

sintuperjpre@gmail.com 

 

Endereço do Pré-Vestibular:

Rua São Francisco Xavier, 524 Sala 1.020 – 1º andar – bloco D – Maracanã, Rio de Janeiro – RJ, 20550-013