Saquarema: uma cidade que vive as ondas

Saquarema: uma cidade que vive as ondas

Capital nacional do surfe reforça sua identidade esportiva durante etapa brasileira da WSL

Por: Lívia Martinho

 Foto: Prefeitura de Saquarema

Praia de Itaúna, palco da etapa brasileira do circuito mundial de surfe da WSL

 

Doze surfistas brasileiros estarão na disputa, entre eles Ítalo Ferreira, Filipe Toledo e Yago Dora, com grandes chances de manter o Brasil no topo do surfe mundial. Entre os dias 21 e 29 de junho, Saquarema, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, receberá a nona etapa da World Surf League (WSL). A etapa é decisiva para a definição do ranking da WSL e para a consolidação desses atletas na temporada. Para entender a importância do evento, é preciso conhecer a trajetória do surfe no Brasil que começou com poucos apaixonados e hoje é um fenômeno nacional.

O surfe brasileiro teve seu início na década de 1930, quando Osmar Gonçalves surfava com uma prancha de madeira nas ondas de Santos. A prática, no entanto, não se firmou de imediato. Foi apenas no final dos anos 1950 e início dos anos 1960 que o esporte ganhou força, com novos adeptos no Rio de Janeiro. Nos anos 1970, Pepê Lopes foi pioneiro ao competir no Havaí e Rico de Souza foi fundamental para a estruturação do surfe brasileiro, tanto como atleta quanto fora das competições. Ele fundou uma escola voltada à formação de novos talentos e criou uma marca com seu nome, que oferece pranchas, roupas e acessórios. O esporte no Brasil se fortaleceu, e nomes como Daniel Friedmann, Teco Padaratz e Picuruta Salazar despontaram, abrindo espaço para outros, como Gabriel Medina, Ítalo Ferreira e Filipe Toledo.

Pioneiras como Silvana Lima, Jacqueline Silva e Maya Gabeira abriram caminho no surfe feminino. Hoje, essa modalidade é respeitada e cresce em visibilidade e competitividade. Atletas como Tatiana Weston-Webb e Luana Silva competem no mais alto nível, inspirando novas gerações. O que antes era uma presença marginalizada, hoje ocupa espaços de destaque tanto nas competições quanto na mídia.

Saquarema, com suas ondas potentes e uma comunidade vibrante, tornou-se o palco ideal para o surfe. A cidade sediou seu primeiro campeonato internacional em 1976, na Praia de Itaúna. Desde então, firmou-se como ponto de encontro dos melhores surfistas do Brasil e do mundo. Em 2020, Saquarema foi oficialmente declarada, por lei federal, a Capital Nacional do Surfe. O esporte influencia o comércio local, movimenta escolas especializadas e inspira muitos jovens da região.

Enquanto ondas perfeitas quebram em Itaúna e os melhores surfistas do mundo disputam a glória em Saquarema, do lado de fora da areia uma cidade inteira se transforma no comércio, na cultura e na identidade. Em 2024, cerca de 300 mil visitantes passaram por Saquarema durante o campeonato, segundo dados da prefeitura. 

Além do impacto econômico, o evento assume um compromisso social e ambiental. Projetos como o Surf para Todos oferecem aulas gratuitas a jovens promovendo inclusão e cidadania. A WSL realiza ações sustentáveis, como limpeza das praias, campanhas de reciclagem e preservação da vegetação local. 

A etapa da World Surf League em Saquarema representa muito mais do que uma simples competição esportiva: é um símbolo da evolução do surfe no Brasil, que conquistou reconhecimento nacional e internacional. O evento reforça a importância do surfe, não apenas como esporte, mas também como um agente de transformação social, econômica e ambiental para a região. Com a presença dos melhores atletas e o envolvimento da população local, Saquarema reafirma seu papel como capital nacional do surfe, inspirando novas gerações a se conectarem com o mar, respeitarem a natureza e buscarem a excelência nas ondas.

As baterias serão transmitidas pela plataforma da WSL e pela SporTV e costumam iniciar pela manhã conforme as melhores condições do mar.

WSL 2025: Estrelas brasileiras do surf

WSL 2025: Estrelas brasileiras do surf

Conheça os brasileiros que estarão entre a elite do surf mundial.

Por: Livia Bronzato

Doze surfistas representarão a Tempestade Brasileira na Championship Tour (CT) da World Surf League (WSL) em 2025. Os nomes foram confirmados após a etapa de Saquarema da Challenger Series, que aconteceu em 16 de outubro. Serão 11 surfistas no masculino e 1 no feminino. Confira os nomes abaixo.

Tatiana Weston-Webb será a única representante feminina na elite do surfe. Tati coleciona medalhas ao longo de sua carreira. Ela levou a prata nas Olimpíadas de Paris 2024. Já nos Jogos Pan-americanos, conseguiu alcançar o ouro na edição de 2023. Weston-Webb é uma grande atleta brasileira e possui grandes chances de alcançar o pódio na próxima edição da CT da WSL.

Foto: Ed Sloane/WSL

Tati Weston-Webb em sua performance.

O Brasil é muito bem representado na categoria masculina, possuindo muitos nomes talentosos. Ítalo Ferreira, Yago Dora e Gabriel Medina também estarão na CT de 2025.
Ítalo foi vice-campeão na WSL 2024, além de já ter conquistado o ouro nas Olimpíadas de Tóquio 2020. Medina é tricampeão mundial de surf da ASP World Tour (2014, 2018 e 2021), mas ficou de fora do Finals em 2024. E Yago Dora disputou o título esse ano, terminando em sexto lugar.

Foto: Matt Dunbar/WSL

Surfista Gabriel Medina.

Foto: Divulgação/WSL

Ítalo Ferreira em ação.

Na Challenger Series, os surfistas podem conquistar uma vaga para a Championship Tour. Entre as 10 disponíveis, 6 foram levadas por nossos atletas: Samuel Pupo, Miguel Pupo, Deivid Silva, Alejo Muniz, Ian Gouveia e Edgard Groggia.

Além disso, Filipe Toledo e João Chianca, conhecido como Chumbinho, participarão da CT de 2025. Eles estão como Wildcards, uma espécie de convite da WSL. Filipe é bicampeão mundial e não participou da CT deste ano, para cuidar da sua saúde psicológica.

Calendário completo de 2025:
  • Pipeline, Havaí: 27 de janeiro a 8 de fevereiro
  • Surf Abu Dhabi, Abu Dhabi: 14 a 16 de fevereiro
  • Peniche, Portugal: 15 a 25 de março
  • Punta Roca, El Salvador: 2 a 12 de abril
  • Bells Beach, Austrália: 18 a 28 de abril
  • Snapper Rocks, Austrália: 3 a 13 de maio
  • Margaret River, Austrália: 17 a 27 de maio
  • Lower Trestles, EUA: 9 a 17 de junho
  • Saquarema, Brasil: 21 a 29 de junho
  • Jeffreys Bay, África do Sul: 11 a 20 de julho
  • Teahupo’o, Taiti: 7 a 16 de agosto
  • Cloudbreak, Fiji: 27 de agosto a 4 de setembro (Finals)