Esportes populares nos países que sediam a Copa do Mundo

Esportes populares nos países que sediam a Copa do Mundo

Apesar da realização do Mundial, o futebol não é necessariamente o esporte favorito entre homens e mulheres

Por: Mariana Martins

 Reprodução: Instagram (@luchalibreonline / @patrickmahomes / @pou29)

O futebol é o esporte mais popular no planeta. No ano passado, cerca de 51% da população global se identificava como torcedor de acordo com dados da empresa de dados e análise  Nielsen. No entanto, a maior concentração de fãs não está na América do Norte, já que México, Estados Unidos e Canadá possuem outras paixões nacionais, ligadas à cultura, às tradições e ao clima de cada país. 

Entre os países que sediam a Copa do Mundo de 2026, o México é a nação que possui maior engajamento com o futebol: 75% dos habitantes afirmam acompanhar o esporte segundo a plataforma Statista. A ligação dos mexicanos com a modalidade é antiga, e marcada pelas duas vezes em que sediaram a Copa do Mundo (1970 e 1986). Além de torcerem para a seleção nos eventos internacionais, os clubes que atuam na Liga MX, primeira divisão mexicana, são importantes para identidade cultural e criação de comunidades. O auge vivido pelo futebol feminino no país nos últimos anos também tem sua relevância, uma vez que torna o esporte ainda mais atrativo para meninas e mulheres se sentirem parte de uma coletividade. 

Fora o futebol, um esporte que faz parte da cultura mexicana é a lucha libre (luta livre), que em 2018, foi declarada patrimônio cultural imaterial pelo chefe de governo da Cidade do México. A modalidade ganhou força no país a partir de 1930, caracterizada por incorporar elementos do folclore, da política e do cotidiano. As famosas máscaras representam a identidade de um luchador e as lutas promovem um espetáculo de acrobacias e escapismo social. Entre os anos 1942, Rodolfo Guzmán Huerta, conhecido como El Santo, estreava nos ringues e rapidamente se tornou um herói nacional, ajudando a consolidar o esporte. Em 1933, a primeira divisão feminina foi criada, dando às mulheres uma plataforma para desenvolver suas habilidades, que foi interrompida em 1954, quando houve a proibição da prática feminina na Cidade do México. Décadas depois, o esporte é uma forma de enfrentar a discriminação de gênero e inspirar a nova geração. 

Se o México é o país que mais acompanha futebol entre as nações que recebem o Mundial, os Estados Unidos é o completo inverso: apenas um quarto da população é engajada com o soccer. Enquanto o resto do mundo compartilha essa paixão, o país norte-americano tem o futebol americano (o futebol, para eles) como principal modalidade entre os homens. A popularidade do esporte da bola oval é cultivada desde a base. Não à toa, a liga universitária é transmitida em rede nacional e 6 dos 10 maiores estádios do mundo pertencem a times de futebol americano universitário. Outros aspectos como uma temporada compacta, a espetacularização dos jogos, e diversas formas de engajamento dos fãs ajudam a compreender a paixão nacional que é o futebol americano nos Estados Unidos. 

Já entre as mulheres, o basquete é o esporte com mais espectadores, enquanto o futebol é o favorito para a prática. No ano passado, mais de 3 milhões de fãs compareceram às arquibancadas da Women’s National Basketball Association, liga profissional de basquete feminino nos Estados Unidos. Dados da ESPN reportam que a última temporada foi a mais assistida em mais de duas décadas, com audiência média de 1.3 milhão. Enquanto isso, o futebol vem conquistando seu público embalado pelo sucesso da seleção feminina e de uma liga profissional competitiva, que tem sua base nas universidades. Aproximadamente 44 mil mulheres participam de alguma divisão universitária. Apesar de um crescimento constante na audiência nos últimos anos, os norte-americanos ainda preferem assistir ao basquete. 

No Canadá, o esporte mais popular entre homens e mulheres é o hóquei no gelo, que foi reconhecido como esporte nacional de inverno pelo Parlamento canadense. Desde crianças, os canadenses são incentivados à prática como forma de lazer, o que tem relação com o clima e a identidade cultural do país. O surgimento de ligas amadoras deu origem à National Hockey League, que atualmente conta com times de toda a América, enquanto a atual Liga Profissional de Hóquei Feminino inclui quatro times do Canadá e quatro times dos Estados Unidos. Na inauguração da divisão em 2024, o jogo entre Toronto e Nova Iorque teve o total de 2,9 milhões de espectadores, segundo dados da organização. A modalidade representa um escapismo em momentos de tensão, conectando a história do país como forma de vínculo nacional, tanto que as pistas de gelo se tornam um espaço de convivência comunitário. 

Esportes populares nos países que sediam a Copa do Mundo

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