Marrocos: a nova potência do futebol feminino
Vice-campeã na última edição da Copa Africana de Nações Feminina, seleção marroquina se desenvolveu nos últimos anos
Por: Mariana Martins
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Não é apenas no futebol masculino que Marrocos joga como protagonista. Se os Leões do Atlas voltaram a surpreender o globo na Copa do Mundo de 2026, a seleção marroquina na Copa Africana de Nações Feminina promete fazer o mesmo, tendo como grande vantagem jogar em casa pela terceira edição consecutiva. O campeonato, que funciona como classificatórias para a Copa do Mundo Feminina de 2027, começou no dia 26 de julho e já proporcionou momentos marcantes durante a primeira rodada. Um deles foi a estreia da seleção marroquina contra o Quênia, quando o time anfitrião venceu pelo placar de 4 a 0. A final será disputada no dia 16 de agosto no Estádio Príncipe Moulay Abdellah, em Rabat, capital do país-sede.
O futebol feminino em Marrocos é uma construção e alguns eventos foram essenciais para potencializar a modalidade no Norte da África. Em 2020, a Fifa concedeu às federações uma verba de US$ 500 mil para superar os impactos da pandemia de Covid-19, e o presidente da Federação Real Marroquina de Futebol, Fouzi Lekjaa, destinou o investimento para o desenvolvimento do futebol feminino em Marrocos. Com isso, foi possível a contratação do técnico francês Reynald Pedros, que ocupou o cargo até o segundo semestre de 2023 e colaborou com a gestão das categorias de base, o recrutamento de atletas na Europa e o desenvolvimento local.
Em 2022, o AS FAR, clube fundado na capital marroquina e base para a seleção, venceu a Liga dos Campeões Feminina da Confederação Africana de Futebol (CAF), potencializando uma série de mudanças exemplificadas pelo aumento do investimento dos clubes e da federação na categoria principal e na base. No mesmo ano, o país sediou pela primeira vez a Copa Africana, fator essencial para atrair o público local às arquibancadas pela campanha que terminou com o vice-campeonato.
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A seleção de Marrocos fez sua estreia na Copa do Mundo Feminina em 2023, quando chegou até as oitavas de final. O trabalho para trazer atletas com ascendência marroquina à equipe foi essencial para que isso fosse possível, uma vez que o gol que garantiu as Leoas do Atlas no mata-mata veio de Anissa Lahmari, nascida na França. Além dela, outras jogadoras como Sakina Ouzraoui Diki (Bélgica), Yasmin Mrabet (Espanha), Elodie Nakkach (França) comporão o elenco de Marrocos no Mundial.
Na segunda vez que Marrocos sediou o campeonato continental, em 2025, a equipe chegou novamente à final. Sob comando do técnico espanhol Jorge Vilda, que assumiu o cargo após a demissão de Pedros, elas perderam a decisão para a Nigéria, maior vencedora da competição. Mesmo assim, recebeu uma premiação de US$ 500 mil, equivalente a bonificação destinada à campeã na edição antecedente.
Desde então, o trabalho na liga doméstica e no futebol de base continua um destaque. Logo antes da Copa Africana de Nações Feminina começar, a seleção marroquina sub-17 venceu o campeonato da União do Norte Africano de Futebol (UNAF) e se prepara para sediar a Copa do Mundo Feminina Sub-17 em outubro, sendo o primeiro país africano a receber esse torneio. Além disso, o investimento aumenta cada vez mais, garantindo a profissionalização dos clubes e infraestrutura para o desenvolvimento da modalidade.
Com todo esse movimento nos últimos anos, não seria uma grande surpresa se as Leoas do Atlas conquistassem uma das quatro vagas diretas destinada ao continente africano para a Copa do Mundo Feminina que vai ser disputada no Brasil em 2027. Também não seria uma surpresa se elas levantassem a taça no Estádio Príncipe Moulay Abdellah com o apoio da torcida ao seu favor no dia 16 de agosto.



