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Parque Nacional da Tijuca tem fauna ameaçada por matilhas de cães
Espécies invasoras são a segunda maior causa de extinção de faunas em escala global
Por: Maria Eduarda Galdino
Cão caramelo no Parque Natural da Tijuca (Foto/Fonte: Acervo Refauna)Ataques de espécies invasoras em florestas e parques naturais já se tornaram a segunda maior causa de extinção de espécies no planeta. segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). E entre esses invasores estão inclusive plantas e animais domésticos – que, ao circular em ambientes naturais, acabam ameaçando espécies nativas. No Parque Nacional da Tijuca, por exemplo, uma ameaça frequente são os cachorros.
O Ecos Urbanos conversou com o pesquisador e biólogo Matheus de Souza Louzada, que estuda a atividade de cães na Floresta da Tijuca. Ele afirma que os ataques têm aumentado. “A gente consegue perceber que a presença dos cães tem sido muito frequente no parque, isso vem aumentando justamente pela pressão urbana que vem apertando o parque cada vez mais”, disse.
Além disso, o biólogo explicou que os seres humanos também possuem influência no aumento dos ataques, pois os cães podem entrar em contato com o parque tanto por situações de abandono ou soltura dos donos. A falta de educação ambiental dos visitantes também é um fator que contribui para o aumento da circulação e violência dos animais por conta da alimentação não autorizada.
Matheus acrescenta que as espécies nativas mais afetadas por ataques no parque até agora são animais de pequeno porte, como cutias e jabutis. “A gente tem visto casca de jabutis com marcas de unha de cachorro, isso tem sido bem registrado nos monitoramentos”.

Setores de conservação do Parque Nacional da Tijuca. Foto: Imagem © Google. Mapa elaborado por Matheus Louzada (2025)
Existe solução ?
O biólogo Louzada afirma que os programas de castração, vacinação e dispositivos de contenção ajudam a combater o aumento de superpopulação de cães e o surgimento de patologias no parque. Porém, diz que os ataques de matilha são um problema complexo e difícil de controlar de forma imediata por conta do tamanho do parque. “A gente precisa integrar diferentes estratégias de manejo para lugares de conservação, como a instalação de barreiras físicas de microchipagem para cachorros e gatos”, destaca.
A organização do parque também é fundamental para o combate à circulação de cães e gatos. Segundo o biólogo, é necessário que a infraestrutura do parque seja monitorada frequentemente para conter o rompimento de grades e entradas irregulares de visitantes com seus animais. “O parque é enorme, é fácil falar na teoria, mas na prática é complexo, precisamos de ajuda de todos os lados”.
E o poder público ?
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO) reconhece o Parque Nacional da Tijuca como área ameaçada na Lista de Espécies Exóticas Invasoras em Unidades de Conservação Federais. Caso a administração do parque deseje fazer a retirada de espécies invasoras no local, é possível solicitar autorização de manejo de espécie exótica, desde que a prática esteja enquadrada no Roteiro de manejo do ICMBIO. Ao fazer o pedido, a unidade precisa listar as as espécies invasoras e os impactos que elas causam na unidade de conservação ou sobre as espécies nativas do local.
No site da instituição, também é possível encontrar cartilhas de conscientização para profissionais de turismo, turistas e moradores que habitam em locais próximos a parques naturais.
A Prefeitura do Rio de Janeiro aprovou o Decreto Municipal n° 33,814 em maio de 2011 que institui o Programa Municipal de Controle de Espécies Exóticas Invasoras com objetivo de controlar as invasões, restaurar e manter ecossistemas de áreas naturais através do reconhecimento das espécies invasoras e protocolos operacionais de remoção dos animais não nativos. Louzada afirma que algumas ações feitas pelo poder público poderiam ser mais divulgadas, como as campanhas de vacinação e microchipagem animal.



