Ateliê de cerâmica em Vila Isabel oferece aulas e se torna espaço de criatividade e conexão

Ateliê de cerâmica em Vila Isabel oferece aulas e se torna espaço de criatividade e conexão

Nomeado de Estúdio Casa 100, o ateliê é um espaço localizado na parte externa da casa de uma das professoras, onde o amor pela cerâmica é compartilhado com a comunidade

Por: Alice Moraes

Uma estante com objetos do ateliê Estúdio Casa 100. Foto: Alice Moraes

Duas amigas de longa data ministram, juntas, aulas de cerâmica artesanal para moradores da Grande Tijuca, oferecendo um ambiente de aprendizado acolhedor. Júlia Rosa e Luciana Leite, ambas de 43 anos, montaram o ateliê há um ano e se tornaram professoras de cerâmica há dois meses. “Fazer cerâmica é uma atividade extremamente prazerosa”, comenta Luciana com um sorriso no rosto. 

De acordo com as duas, Luciana foi a primeira a entrar para o curso de cerâmica. Como ela sempre postava fotos das peças que construía, Júlia, que já tinha interesse em aprender, se sentiu ainda mais atraída pela arte e decidiu participar do mesmo curso que a amiga. 

O ateliê, chamado de Estúdio Casa 100, está localizado em Vila Isabel, na Rua Justiniano da Rocha, 100. As aulas, que no momento contam com oito alunas, possibilitam que não apenas as professoras ensinem e compartilhem o amor pela cerâmica, mas também auxilia ambas a aprenderem cada vez mais a partir da troca com os alunos. 

Júlia relata que é gratificante utilizar as peças produzidas, como canecas, xícaras e pratos. “Há inúmeras possibilidades de criação com cerâmica”, conta ela, “É uma maneira de se colocar também em cada peça, porque é muito bom tomar café da manhã, por exemplo, e pensar ‘eu que fiz essa caneca’. Dá um prazer muito grande com o resultado final de cada peça”. 

Em uma estante do ateliê, é possível ver a variedade das criações confeccionadas pelas professoras e pelos alunos. Entre as prateleiras, encontram-se utensílios como bules, pratos em formato de pão-de-forma, cumbucas, xícaras pequenas, copos e canecas que variam de tamanho e largura. Em uma mesa próxima dali, os pincéis se encontram prontos para serem utilizados no processo de esmaltação da cerâmica. 

O processo que as professoras aconselham para as aulas é “degrau por degrau”, de acordo com elas. Começam com itens mais simples para os alunos iniciantes. É normal eles chegarem com a expectativa de criar um item mais complicado e que exige mais técnica, por isso elas incentivam a construírem itens mais fáceis, como um prato pequeno ou uma xícara, e conforme o aprendizado e a prática forem evoluindo, novas peças podem ser aprendidas e feitas. 

As aulas enfatizam a modelagem manual da cerâmica, isto é, a modelagem com as mãos, da maneira mais natural possível, como explica Luciana: “É importante ter primeiro esse conhecimento do material, essa prática de manusear”. 

Luciana e Júlia contam que, mesmo com a alegria de ter tantas peças feitas, muitos erros já ocorreram. Quando é o caso, as professoras fazem questão de passar uma visão otimista para os aprendizes: “Eu brinco com os alunos, digo que eles têm que desapegar mesmo. Nem sempre vai dar certo. Tem horas que vai rachar, a peça vai trincar, a esmaltação vai ficar ruim. Faz parte do processo”,  detalha Luciana. 

“Ah, deu errado? Joga fora, acabou. Faz de novo”, enfatiza Júlia, reforçando que os erros não acontecem só com os alunos. Entre os ceramistas com mais experiência, também pode acontecer de o material quebrar, mesmo que na última fase do processo, que é longo. “É uma coisa que a gente trabalha, isso de não se frustrar, porque se der errado, nós fazemos de novo”.

Objetos de cerâmicas presentes no ateliê. Foto: Alice Moraes

O trabalho realizado nas aulas vem rendendo bons resultados, como as professoras observam. A evolução das alunas e a satisfação delas em criar uma boa peça são características que as professoras descrevem como as melhores partes de oferecer as aulas de cerâmica. “No começo, elas estavam super sem jeito, mas conforme foram aprendendo, elas começam a ter um domínio, uma independência”, relata Júlia. Luciana acrescenta: “E ver também a felicidade quando elas conseguem fazer alguma coisa legal também é muito bom. Quando uma peça sai direitinho do jeito que elas esperam, isso é muito legal”.

O curso de cerâmica artesanal no Estúdio Casa 100 é oferecido pelo valor de R$350 mensais, com aulas diárias, não só para moradores da Grande Tijuca, mas também para moradores de outros bairros que estejam interessados e que tenham disponibilidade de horário. Luciana e Júlia relatam que estão abertas para adicionar mais horários, de acordo com a demanda. As aulas têm duração de duas horas e meia e a argila é cobrada à parte. Os demais instrumentos, como moldes e esmaltes, são disponibilizados no ateliê. 

Brasil aprova exploração de petróleo na Foz do Amazonas às vésperas da COP30

Brasil aprova exploração de petróleo na Foz do Amazonas às vésperas da COP30

Pesquisadores e cientistas alertam para riscos ambientais e necessidade de investir em fontes energéticas renováveis 

Por: Sofia Inerelli 

 
                                      Embarcação petrolífera em mar aberto – Foto: César Fernandes – Agência Brasil

Após quase 40 anos desde o início da exploração de petróleo na Província Petrolífera de Urucu, a maior reserva terrestre de petróleo e gás natural do país, o Ibama autorizou a perfuração na bacia da Foz do Amazonas, localizada na Margem Equatorial, região estratégica para reposição de reservas. A decisão foi tomada 21 dias antes da COP 30, Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, o que provocou muitas críticas ao Brasil.

Explorações como a de Urucu e a da Foz do Amazonas são arriscadas, pois podem gerar grandes estragos no meio ambiente e as comunidades que dependem dele para sobreviver. Segundo o Instituto Internacional Arayara, a decisão do Ibama põe em risco 78% da biodiversidade amazônica, 2,7 milhões de indígenas e 10 milhões de hectares de floresta. O Arayara aponta ainda, entre os prejuízos, a poluição das águas, prejudicando a vida marinha, incluindo por poluição sonora e vazamentos de navios-tanques. Trata-se de uma região com correntes marítimas muito fortes, o que aumenta o risco de acidentes tanto durante a perfuração quanto na fase de produção.

 

Essa região concentra cerca de 80% de todos os manguezais do Brasil, incluindo o maior cinturão contínuo de manguezais do mundo, entre os litorais do Pará e do Maranhão. Esses ecossistemas desempenham um papel fundamental na captura e armazenamento de carbono, contribuindo diretamente para o enfrentamento das mudanças climáticas.

Além disso, a área possui grande relevância ecológica por ser uma zona de reprodução de diversas espécies marinhas e terrestres. Qualquer perturbação causada por atividades de perfuração pode comprometer esses processos naturais, tornando a exploração de petróleo na região ainda mais delicada e arriscada. Com a volta de um novo projeto para explorar petróleo na Amazônia, o Brasil demonstra que ainda não está disposto a romper completamente com fontes energéticas não renováveis. 

Luis Pazos administrador no BNDES alerta para os impactos que o projeto de exploração de petróleo pode causar sobre a população que habita aquele território: “O que acontece no entorno desse porto, que vai trazer mais carros, que vai trazer mais caminhões, que vai trazer mais gente? Como é que fica isso, quando a gente tem uma construção nova, que naturalmente atrai mais mão de obra, e essa mão de obra atraída tem um reflexo imediato naquele território?”, indaga.

Como solução, ele propõe uma agenda de desenvolvimento junto com indígenas, quilombolas e pescadores que vivem e sobrevivem da região. 

Durante a palestra “Foz do Amazonas: redução de danos”, ocorrida durante a Rio Ocean Week, o pesquisador Flavio Torres, do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás, afirmou que o Brasil não pode deixar de ter autonomia sobre sua produção energética, pois pode acabar sendo controlado por outros países. Na avaliação dele, esse seria um dos argumentos em defesa da exploração de petróleo na região. Torres disse que a dependência de fontes de energia externas compromete a soberania dos países e impacta diretamente a vida da população, sobretudo devido ao aumento dos preços dos combustíveis.

A Petrobras já afirmou que a produção nacional deve atingir seu pico em 2029 ou 2030 e depois começar a declinar. Mesmo que amenize o problema envolvendo a independência energética, o petróleo não é um recurso renovável, o que significa que em algum momento terminará. Pesquisadores e cientistas têm estimulado a busca de soluções energéticas com menos riscos e renováveis. 

O Brasil já tem produzido biocombustíveis para cada vez menos precisar dos combustíveis fósseis. De acordo com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), 93% da energia gerada em 2023 foi de fontes renováveis. 

 

Descomplicando a COP: saiba o que são as Blue e Green Zone 

Descomplicando a COP: saiba o que são as Blue e Green Zone

As zonas vão ser palco das principais discussões sobre clima, meio ambiente e demais acordos na COP 30

Por: Maria Eduarda Galdino

             Fachada do pavilhão da Cop 30 em Belém do Pará (PA). Foto: Agência Brasil/ Bruno Peres

 

A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP, iniciou a cerimônia de abertura na última segunda-feira (10) em Belém do Pará- PA. O evento reúne mais de 200 lideranças de todo mundo para discutir sobre mudanças climáticas, financiamento climático, redução das emissões e implementação das NDCs por 12 dias. A estrutura do evento foi dividida em duas áreas: a Blue Zone e a Green Zone.

 

A Blue zone (zona azul) é o espaço mais restrito da COP, é onde ocorrem as negociações oficiais, grupos de trabalho (GT) e sessões plenárias. Nessa área, representantes oficiais dos países estão apresentando pautas em favor da justiça climática, financiamentos e acordos para a tomada de decisões que se transformarão em compromissos globais que irão surtir impacto direto na vida dos cidadãos. Os debates são assistidos por organizações observadoras.

 

Os negociadores, que estão representando os países, são divididos em grupos e participam de reuniões em salas temáticas para discutir os artigos do Acordo de Paris. As organizações observadoras também são divididas: agências especializadas da ONU, organizações intergovernamentais e organizações não-governamentais.  Ao final das reuniões, cada grupo deve entregar uma proposta que estará presente no documento final da COP 30.

 

Esses documentos possuem certas exigências, cada grupo deve elaborar um texto que analise os avanços de metas já estabelecidas em outros encontros. Além disso, também é obrigatória a discussão sobre a eliminação do uso de combustíveis fósseis, analisar a atual situação de áreas/ países mais vulneráveis afetados por mudanças climáticas e estratégias de adaptação às mudanças climáticas que atingem florestas e cidades. 



    Globo terrestre no pavilhão blue zone COP 30 Belém, Pará (PA). Foto: Agência Brasil

 

Já a Green Zone (zona verde), é um espaço mais acessível e destinado à sociedade civil, Organizações Não Governamentais (ONGs), movimentos sociais e instituições acadêmicas. A Green zone também possui workshops, palestras, feiras e debates sobre justiça climática e sustentabilidade, priorizando a democratização do acesso a discussões políticas.

 

Na Green Zone, o público também pode trazer ideias e pautas a favor da justiça climática e compartilhar conhecimento com outros grupos. O pavilhão terá temas fixos de debate como financiamento climático, inovação, biodiversidade, tecnologias limpas e juventude. As pautas fixas ajudam no fluxo dos debates e nas tomadas de decisões coletivas.

 

Na última terça-feira, grupos indígenas ocuparam a blue zone em protesto a organização da COP 30, o grupo alega a exclusão dos grupos indígenas de discussões primordiais e de áreas privilegiadas e restritas ao público geral, onde estariam acontecendo os principais debates para decidir o futuro das políticas ambientais. O protesto não foi bem recebido pelas autoridades presentes na blue zone, que entraram em combate corpo a corpo com os manifestantes. 

 

Em entrevista ao jornal independente Cuida Criatura, o Pajé Nato Tupinambá, do baixo Tapajós, afirmou que o protesto simboliza uma reivindicação pela exploração na Amazônia. “Querem falar por nós, o branco quer decidir coisa por nós, nós não queremos isso, precisamos ser escutados, nós indígenas somos a resposta”.

 

Todas as decisões acordadas no evento irão guiar as próximas ações em favor da justiça climática no mundo, que passa por um aquecimento global alarmante, e que tem provocado uma série de desastres climáticos nas florestas e cidades, principalmente em regiões mais vulneráveis. Então, a COP se consolida como um movimento de resgate climático e de ajuda humanitária regido por lideranças globais. 

 

Projeto “Dançar os Sonhos” ensina dança de salão a crianças em escola pública na Tijuca

Projeto “Dançar os Sonhos” ensina dança de salão a crianças em escola pública na Tijuca

Projeto é inspirado em Pierre Dulaine, conhecido por ter criado o programa Dancing Classrooms

Por: Ana Carolina Guimarães Nogueira

Criado pela professora de dança de salão Gisela Saramago, o projeto “Dançar os Sonhos”  tem por objetivo não apenas ensinar diferentes estilos de dança para crianças de escolas públicas, mas também transmitir, através da arte, a importância de valores como o respeito.

         A professora Gisela Saramago, na Escola Municipal Barão de Itacurussá. – Foto: Ana Carolina Guimarães Nogueira

 

O trabalho é voluntário e realizado por Gisela, em conjunto com os professores de dança João Kleber Magalhães e Josenildo Petti. Eles ministram aulas de diferentes estilos, como forró, samba e soltinho. A maior parte das crianças atendidas pelo projeto está na faixa etária de 4 a 13 anos. O trabalho realizado com as crianças que ainda estão na educação infantil é um pouco mais lúdico, tornando os conteúdos aprendidos em sala de aula mais fáceis de serem compreendidos pelas crianças por meio da dança.

“Na educação infantil, trabalhamos com os temas que as crianças estão trabalhando na escola no momento. Por exemplo, se estão aprendendo sobre a natureza, dançamos imitando as árvores e os animais”, declara Gisela. 

A professora começou a dançar aos 8 anos de idade e estudou na escola de dança de salão Jaime Arôxa. Ela já deu aulas de dança de salão infantil na escola Petite Danse. Atualmente,Gisela ministra aulas na Escola Municipal Barão de Itacurussá, localizada no bairro da Tijuca. O projeto é realizado há 13 anos na escola.

            Desenho de uma das alunas do projeto Dançar os Sonhos. – Reprodução: Instagram @dancarossonhos

“Eu queria criar um projeto que não ensinasse somente a dançar, mas que a dança fosse um instrumento para que pudéssemos abordar tantos temas importantes, como respeito, solidariedade, inclusão, amor ao próximo, empatia, trabalho em equipe”, comenta Gisela.

A professora afirma que a sua maior inspiração é o tetracampeão mundial de dança de salão Pierre Dulaine, conhecido por ter criado o programa Dancing Classrooms, que consiste no ensino voluntário de dança de salão em escolas públicas de Nova York. Além disso, Gisela conta que começou a idealizar o seu projeto após assistir ao filme “Vem dançar”, que retrata a história de vida de Pierre. Ela conseguiu  entrar em contato com Pierre e contou sobre o seu desejo de ministrar aulas de dança em escolas públicas, assim como ele fazia. Após a conversa, Gisela criou, em 2012, o projeto “Dançar os Sonhos”.

Os professores do projeto enfatizam a importância do acolhimento, da inclusão, do pertencimento e do respeito às diferenças de cada um. Gisela comenta que sente-se muito feliz ao notar que ajuda no desenvolvimento de alguns movimentos de seus alunos com Transtorno de Espectro Autista ( TEA), através da dança.

“Falar sobre o autismo, é falar como cada criança, jovem, é único. Nenhum autista é igual ao outro, cada um tem suas potencialidades e singularidades. Às vezes um pequeno movimento, significa muito. Um estímulo, uma abertura daquele jovem para o mundo ao seu redor”, declarou.

A manutenção do projeto é realizada com a ajuda de amigos de Gisela. Ela também organiza campanhas de arrecadação para distribuir presentes às crianças atendidas pelo projeto em datas especiais, como Páscoa, Dia das Crianças e Natal. Anualmente, cerca de 180 alunos participam do projeto.

Halloween para além das travessuras

Halloween para além das travessuras

Evento de ONG na Tijuca visa arrecadar tampinhas e lacres para doar cadeiras de rodas a crianças 

Por: Maria Clara Jardim

                                Decoração de Halloween com as famosas abóboras (Foto: artsmile / Pixabay)

 

A ONG Ensinando está organizando o evento “Halloween do Bem” com objetivo de arrecadar tampinhas de garrafas e lacres de latinhas para trocar por cadeiras de rodas para crianças. Mesclando diversão e solidariedade, os organizadores do evento convidam o público para participar de uma noite que incluirá decoração temática de Halloween, DJ, bar com drinks temáticos e prêmios para as melhores fantasias e maquiagens. A festa acontece no dia 31 de outubro, com início às 21h e finalização às 03h na Associação Atlética Tijuca, localizada na Rua Barão de Mesquita, número 149.

Mesmo que seja tradicionalmente comemorada nos Estados Unidos, a festa de Halloween também tornou-se cada vez mais presente na cultura brasileira ao longo do tempo. Segundo o historiador Frederico Benjamim Mecenas em entrevista para o Correio Braziliense, a comemoração do Halloween ganhou força no Brasil a partir dos anos 1990, impulsionada pela globalização e pela influência cultural e midiática dos Estados Unidos, principalmente por meio de filmes de terror. Desde a sua popularização, a celebração reúne crianças, jovens e adultos em festas à fantasia assustadoras. No Brasil, a data também marca o Dia do Saci, criado como forma de valorizar o folclore nacional.

 

Com o crescimento dessas comemorações temáticas, a ONG Ensinando alinhou seu objetivo altruísta com a época festiva para garantir visibilidade para sua causa. A instituição acredita que promover, ensinar e praticar são os três pilares para transformar vidas, e esses ideais podem ser vistos em diversos projetos sociais propagados pelo grupo. De acordo com informações disponíveis na aba “Quem Somos” do site oficial da ONG Ensinando, a instituição busca estimular o progresso da comunidade ao desenvolver projetos que abrangem áreas esportivas, culturais e sociais, focando no desenvolvimento individual, na valorização da coletividade e na promoção do bem-estar comunitário. O grupo realiza ações como oficinas culturais, cursos de capacitação, campanhas educativas e iniciativas solidárias que impactam crianças, jovens e adultos. A iniciativa de organizar a festa de Halloween se assemelha às atitudes vistas durante toda a trajetória da ONG, marcada pelo compromisso contínuo com a inclusão social e pela criatividade na mobilização de recursos em prol do bem coletivo.

 

Informações sobre ingressos, dias e local: 

A venda de ingressos com valor promocional ocorre até o dia 25 de outubro, após esse dia os ingressos passam a ter o valor fixo de R$50 por pessoa. As promoções disponíveis se encaixam nos seguintes critérios:

  • Ingresso custa R$40 mediante doação de tampinhas e lacres (a doação será verificada na entrada do evento).

  • Ingresso custa R$45 caso não haja doação de tampinhas e lacres.

 

Segundo a instituição, todos os ingressos irão contribuir diretamente para criação e manutenção dos projetos sociais da ONG.

 

Para saber mais acerca das promoções e da política do evento, acesse:

https://www.sympla.com.br/evento/halloween-do-bem

 

Contatos da Ong Ensinando:

https://ongensinando.com

ongensinando@gmail.com

(21) 99948-2032

(21) 99953-0312

Mitigação e adaptação climática: entenda dois dos principais conceitos da COP30

Mitigação e adaptação climática: entenda dois dos principais conceitos da COP30

Conceitos têm sentidos diferentes e expressam necessidades distintas diante da crise climática

Por: Sofia Inerelli e Maria Luísa Fontes

 
                                Fonte: Ralf Vetterle/Pixabay – reprodução Agência Brasil
 

 

“Mudo uma planta de lugar.” O gesto eternizado na voz de Cássia Eller nos anos 90 como símbolo de mudança e ajustes ganha um sentido atual no contexto da crise climática. Já não se trata apenas de mudar a planta de lugar – é preciso reconfigurar todo o sistema em que ela cresce. Adaptação climática é um dos conceitos centrais da 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, a COP 30, que acontece em novembro em Belém do Pará. 

A Meta Global de Adaptação às Mudanças Climáticas foi um dos tópicos do Acordo de Paris criado em 2015 na COP 21. A proposta é fortalecer a adaptação para diminuir a vulnerabilidade dos seres vivos diante das mudanças no clima que já estão em andamento. É uma forma de buscar soluções diante de um mundo cada vez mais quente. Significa ajustar a vida humana, animal e vegetal de acordo com as mudanças climáticas atuais ou que ainda irão acontecer. Ela tem a finalidade de reduzir a exposição e a vulnerabilidade dos seres vivos frente aos efeitos do clima intensificados pelos próprios humanos. 

 

Já a mitigação é uma estratégia cujo foco é limitar as emissões de gases de efeito estufa (GEE) para reduzir o aquecimento global. Ou seja, é o trabalho para reduzir problemas já em andamento. 

Para o professor de Ecologia da UFRJ Rodrigo Tardin, nesse momento a mitigação é mais urgente. “Mas, ao mesmo tempo que a gente está fazendo estratégias, unindo esforços para mitigar, a gente também pode ir adaptando”. O pesquisador considera que uma das melhores maneiras de mitigar é através dos manguezais, vegetação comum no Hemisfério Sul, nos quais captam cinco a seis vezes mais carbono que florestas tropicais. Ele ainda aponta que há muito preconceito por parte da sociedade, que enxerga o organismo como poluído – devido ao seu cheiro forte -, o que dificulta a mobilização para proteger esse ecossistema.

 

Tardin destaca três cenários possíveis para os resultados das estratégias de mitigação climática. O primeiro cenário é descrito como otimista, pois conseguiria de fato reduzir o aumento da temperatura média global a 1,5°C. O cenário intermediário é uma previsão de que, até 2050, a produção dos gases GEE irá crescer mas, a partir desse momento, a sociedade vai mudar seu rumo e começar a reduzir as emissões. E o terceiro cenário apresentado pelo professor é pessimista: “Apesar de todos os esforços que existem, ninguém se mudou, ninguém se tocou para mitigar”. É o mundo em que a sociedade permaneceria em total dependência dos combustíveis fósseis.

 

Nesse cenário, criar um plano de adaptação climática torna-se extremamente essencial. Segundo o relatório de 2025 da Transparência Internacional-Brasil, apenas um em cada oito municípios brasileiros conta com um plano de adaptação climática. Tardim destaca que na última década, o país enfrentou diversos desequilíbrios ambientais como a invasão do mar na orla da Zona Sul carioca e as enchentes que deixaram dezenas de mortos no Rio Grande do Sul.

As estratégias de adaptação climática devem ocorrer tanto na esfera federal, quanto na estadual e municipal. O programa do governo federal Novo Brasil, que é um Plano de Transformação Ecológicas, divulgou 150 resultados dos 250 propostos desde sua criação em 2023. Dentre eles, destaca-se a construção de usinas eólicas; o Programa Cidades Verdes e Resilientes, que procura aumentar a resiliência e a qualidade ambiental das cidades no combate às mudanças climáticas; o Plano Nacional da Defesa Civil, que apresenta diretrizes para redução de riscos na gestão de desastres naturais; e o Plano Clima, que envolve a redução das emissões de GEE e a adaptação aos impactos das mudanças climáticas.  

Entretanto, não cabe somente ao governo pensar nas estratégias de mitigação e adaptação climática. A sociedade também precisa se mobilizar no combate às mudanças no clima. O site do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima criou uma consulta participativa sobre o tema. “O governo tem que estabelecer as diretrizes, ao mesmo tempo que as pessoas têm que dar as opiniões e fazer as ações também”, afirma Tardin. 

Adaptação e mitigação são estratégias cruciais rumo a uma mudança sistêmica. Isso vale para tudo: infraestrutura pública, decisões econômicas, políticas sociais. Só assim será possível enfrentar de fato os desafios da emergência climática: transformando o próprio sistema em que ela está inserida. 

Conheça Ofélia, personagem emblemática da literatura inglesa que inspirou nova faixa do álbum de Taylor Swift

Conheça Ofélia, personagem emblemática da literatura inglesa que inspirou nova faixa do álbum de Taylor Swift

The life of a show girl possui múltiplas referências da literatura inglesa e figuras artísticas dos anos 50

Por: Maria Eduarda Galdino

        Capa do álbum the life of a show girl adaptado. Reprodução Maria Eduarda Galdino

A cantora estadunidense Taylor Swift lançou o seu 13º álbum de estúdio chamado The Life of a Show Girl na última sexta-feira (03). O álbum possui 12 faixas e a canção de abertura se chama “The fate of Ophelia” (O destino de Ofélia), fazendo uma referência a Hamlet, obra do escritor, dramaturgo e poeta, Willian Shakespeare.

Ofélia é uma das personagens principais da peça de Hamlet, a jovem da corte dinamarquesa era filha de Polônio, conselheiro do rei, e irmã de Laertes. Conhecida por ser inocente e obediente, Ofélia se apaixona por Hamlet, o rei, mas esse sentimento não foi aprovado pela família de Ofélia, pois não tinham certeza se as intenções de Hamlet eram verdadeiras para com ela. 

Enquanto Ofélia e Hamlet se relacionam, algo trágico acontece, pois Hamlet descobre que seu pai foi assassinado por seu tio Cláudio. Desde então, Hamlet entra em diversos momentos emocionais conturbados pela perda do seu pai e pela desconfiança com Cláudio. A partir daí, Hamlet começa a se afastar de Ofélia, a tratando com frieza e crueldade. O comportamento de Hamlet afeta profundamente o estado emocional de Ofélia, que estava perdidamente apaixonada por Hamlet, então, o amor passa a ser um fardo, uma maldição na vida de Ofélia.  

Além de toda a tensão que paira sobre o castelo, algo ainda mais grave acontece: o pai de Ofélia morre acidentalmente. Quando Hamlet estava tendo uma conversa privada com sua mãe, a rainha Gertrudes, ele desconfia de que há alguém espionando atrás das cortinas, é quando Hamlet se precipita, achando que o espião pode ser seu tio Cláudio ele ataca a cortina com sua espada, perfurando a pessoa que está atrás dela.

Mas o que o jovem rei não sabia, era que o pai de Ofélia estava atrás das cortinas, mas que o golpe já havia sido feito e era fatal, o pai de Ofélia estaria fadado a morte. Hamlet mata Polônio por engano, acreditando que estava se livrando de seu maior inimigo, o tio Cláudio. A morte de Polônio causa a loucura de Ofélia, que já estava em estado de sofrimento pela rejeição de Hamnet. 

No final da história, Ofélia não tem um bom destino, enquanto delirava e cantava andando atrás de suas flores pelo campo, a jovem acaba escorregando e caindo em um lago enquanto tentava pegar uma flor. Enquanto se afogava, Ofélia entoava uma canção, sem se preocupar com a sua situação, e então, morreu afogada. Willian Shakespeare nunca deixa claro se foi um suicídio ou algo acidental, por conta da ambiguidade envolta no relato da morte de Ofélia.

A peça Hamlet é considerada uma das obras mais importantes da literatura mundial. Sua popularidade atravessa séculos e fronteiras, sendo encenada, estudada e reinterpretada em diversas culturas. Com temas universais como vingança, loucura, corrupção e identidade, Hamlet influenciou profundamente a dramaturgia, a filosofia e até a psicanálise, tornando-se referência para autores como Freud, Joyce e Dostoiévski. A complexidade emocional do protagonista e a profundidade dos diálogos  fazem da peça um marco atemporal, que continua a dialogar com as inquietações humanas até hoje.

Taylor Swift escolhe a história de Ofélia pois também se sentia perdida em relação aos seus sentimentos depois da sua última desilusão amorosa. A cantora acreditava também estar enlouquecendo por causa do amor. Mas a artista decide ressignificar a sua faixa “The Fate of Ophelia” quando se apaixonou novamente, afirmando que o seu novo amor a salvou de um destino trágico de loucura como o de Ofélia. 

“E se você nunca tivesse vindo me resgatar, eu teria morrido na melancolia (..) Todo aquele tempo que fiquei sozinha na minha torre, você só estava aprimorando seus poderes, agora eu posso entender tudo. Certa noite, você me desenterrou do meu túmulo, e salvou o meu coração do destino de Ofélia”.

A canção da cantora Taylor Swift já foi ouvida por mais de 116,4 milhões de pessoas só no Spotify após seis dias do lançamento do álbum The life of a show girl, quebrando o recorde de Miley Cyrus, se tornando a música mais ouvida no aplicativo Spotify. A equipe Uerviu adorou a faixa e recomenda para todos !

Nos dez anos do Acordo de Paris, Brasil estabelece novas metas, e Estados Unidos preparam retirada

Nos dez anos do Acordo de Paris, Brasil estabelece novas metas, e Estados Unidos preparam retirada

Assunto será tema de discussão na Cop 30 em Belém do Pará em novembro

Por: Maria Eduarda Galdino

                  Presidente Lula e António Guterres na reunião do G20 Brasil. Foto: Ricardo Stuckert/ Agência Brasil.
 

 

O Acordo de Paris, tratado internacional feito para combater as mudanças climáticas e o aquecimento global, completará dez anos de existência em dezembro deste ano. O acordo foi firmado na 21ª Conferência das Partes, a Cop 21, em Paris, França, em 2015, e foi assinado por 194 países. Um dos principais objetivos do acordo é manter o aquecimento global abaixo de 2ºC e limitar o crescimento em até 1,5ºC. 

Para combater o aquecimento global, os países signatários do acordo devem prestar contas das ações/metas para diminuir as emissões dos gases de efeito estufa. Essas ações são estabelecidas pela Contribuição Nacionalmente Determinada, também conhecida como NDC. Essas metas são apresentadas a cada cinco anos e devem progredir de forma mais ambiciosa acerca do relatório anterior.

Além das NDCs, existem as estratégias de desenvolvimento de longo prazo com baixas emissões de gases do efeito estufa (LT-LEDS). Segundo a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre o Clima (UNFCCC), as LT-LEDS estabelecem metas de longo alcance para as NDCs, a fim de que os países possam estipular metas de desenvolvimentos duradouras.  

O governo brasileiro apresentou sua nova NDC em novembro de 2024 chamada de Plano Clima. Entre os objetivos estão as ações para reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 53% até 2030 e zerar as emissões líquidas até 2050. Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, essas ações significam um equilíbrio entre as emissões e as remoções de gases da atmosfera por parte do Brasil.

O governo brasileiro pretende apresentar uma meta ainda mais ambiciosa antes da 30ª Conferência do Clima da ONU, a Cop30, que será em Belém do Pará em novembro.  As outras partes signatárias do acordo ainda precisam apresentar suas NDCs, mas até agora, apenas 54 países estão de acordo com o prazo combinado para a entrega das metas à ONU. Isso representa um atraso, já que 195 partes assinaram o Acordo de Paris.  

Em entrevista à Agenc,  Janaína Pinto, doutoranda em Ciência Política e integrante do Observatório interdisciplinar de mudanças climáticas, centro de pesquisas sobre mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável, Janaína Pinto, afirmou que atualmente o maior problema ambiental que o Brasil enfrenta é o desmatamento. É o que a comunidade científica climática internacional chama de mudança no uso da terra, uma categoria que engloba. Além do desmatamento, existem outros fatores problemáticos como a devastação florestal. “Juntando o desmatamento com as emissões por agricultura e por agropecuária, nós temos mais de 2/3 das emissões brasileiras devidas a esse tipo de processo econômico”, disse. 

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o desmatamento na Amazônia cresceu 8,4% entre agosto de 2024 e junho de 2025. A causa do aumento está nos episódios atípicos de incêndio florestal registrados pelo satélite no início do período seco. O estudo também registra uma queda de 22,51% de desmatamento no Cerrado em relação à pesquisa do ano anterior. Enquanto isso, o governo federal aprova  R$ 850 milhões de reais do Fundo Amazônia, para fortalecer as ações de fiscalização ambiental para o controle de desmatamento na Amazônia. 




Acordo de Paris sem os EUA 

Os Estados Unidos, um dos países com maior influência e financiamento climático do mundo, já saíram do Acordo de Paris pela segunda vez. Essa foi uma das primeiras medidas do atual presidente Donald Trump, anunciada no dia da sua posse, em janeiro de 2025. A saída deve se concretizar no ano que vem.  Essa não é a primeira vez que Trump afirma sua posição contra os pactos globais a favor do clima. No seu primeiro mandato em 2017, Trump também havia anunciado a saída dos EUA do Acordo de Paris, meses depois de assumir a presidência. Para Janaína Pinto, Trump utiliza o discurso de negacionismo para sustentar suas ações contra os pactos globais. “Ele afirma que, para que ele possa cuidar da economia nacional, ele precisa ser climaticamente irresponsável. Isso não é verdade. Ele precisa modificar a economia dos Estados Unidos”, disse.

Segundo a especialista, essas ações contra as políticas de combate às mudanças climáticas fazem parte da agenda de uma extrema direita que pretende acabar com o multilateralismo. Em sua avaliação, a instabilidade nos Estados Unidos ganha uma projeção internacional por conta da grande influência e financiamento que o país mantém sobre outros países. “Não apenas ele (Trump) se retira da mesa de negociação e coloca em risco os acordos financeiros necessários, ele tira a carteira dos Estados Unidos da mesa de negociação e compromete a carteira das outras partes”. 

 Segundo Janaína, os Estados Unidos têm criado instabilidades nos acordos internacionais desde 2024, na 29ª Conferência das partes no Azerbaijão. Trump já tinha vencido as eleições de 2024 antes da reunião do Acordo de Paris, o que causou incerteza sobre as promessas feitas pelos negociadores do governo Biden. “Não ficou estabelecido de onde sairia esse dinheiro, quem administraria o dinheiro. Justamente porque faltavam peças naquela mesa de negociação, porque o futuro estava incerto devido a essa oscilação de um ator tão importante como os Estados Unidos”.

Projeto da Uerj oferece acompanhamento em casos de transição de gênero

Projeto da Uerj oferece acompanhamento em casos de transição de gênero

Serviço de Identidade fornece atendimento gratuito multiprofissional, clínico e cirúrgico, para pessoas trans

Por: Maria Luísa

 

 

O Serviço de Identidade – Transdiversidade é um projeto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) voltado para pessoas que buscam realizar a transição de gênero. O serviço foi o primeiro do estado a atender apenas pessoas transgênero. Ele fornece atendimento interdisciplinar e multidisciplinar, contando com 13 especialidades de atuação. Dentre essas, enfermeiros, psicólogos, psiquiatras, nutricionistas, clínicos gerais e ginecologistas, entre outros profissionais.  Os atendimentos, todos gratuitos,  acontecem na Policlínica Piquet Carneiro, que oferece auxílio ambulatorial, e no Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE), que acompanha os casos cirúrgicos.

 

O projeto tem seis vagas de atendimento por semana e em torno de mil pessoas na fila virtual em busca de assistência para o processo de transição. Para a primeira consulta, a espera é estimada em um ano. A coordenadora do ambulatório, Márcia Brasil, orienta que a pessoa interessada em entrar no programa procure inicialmente a Clínica da Família ou a Secretaria de Saúde do município onde mora para ser inserida no sistema de regulação ambulatorial do estado. 

A escolha de fazer tratamento hormonal, fonoaudiologia ou cirurgia é do paciente e não afeta a assistência oferecida pelos profissionais. Caso a pessoa queira realizar a cirurgia, permitida no mínimo dois anos após o início do processo, o profissional de saúde precisa solicitar sua inclusão no Sistema Estadual de Regulação. No pós-cirúrgico imediato, o paciente volta à policlínica para receber o cuidado da equipe do Serviço de Transdiversidade.

 

Segundo Márcia Brasil, o tamanho da fila mostra a relevância do serviço, bem como a necessidade de uma equipe adequada e uma rede qualificada de apoio fora da capital, para que não seja necessário o deslocamento intermunicipal dos usuários. A ideia é que os pacientes passem por diversos especialistas toda vez que retornam ao atendimento, reduzindo, assim, a quantidade de viagens.

 

O programa Transdiversidade surgiu em 2003 no HUPE, mas somente em 2008 a transição de gênero virou uma política pública do SUS. Antes disso, o paciente que desejasse realizar a “cirurgia de mudança de sexo”, como era chamada, não tinha acompanhamento médico e psicológico adequado, sendo diagnosticado com transtorno de transexualismo.

 

Pela nova Classificação Internacional de Doenças (CID), a transgeneridade deixou de ser considerada patologia e passou a ser tratada como “condições relacionadas à saúde” por “incongruência de gênero”, mas esse código ainda não entrou em vigor. Márcia Brasil afirma que, por mais que a pessoa entre no programa por meio do diagnóstico de uma patologia, ela não é tratada como doente na clínica.

 

Apesar do  Programa de Atenção à Saúde da População Trans (Paes Pop Trans), apresentado em 2024, propor o acompanhamento da comunidade trans, o projeto está paralisado, e a legislação brasileira não tem previsão de ser alterada. O novo programa prevê a ampliação dos centros especializados para que todos os estados do Brasil tenham espaços de referência ambulatorial e cirúrgica. A última atualização legislativa no assunto ocorreu em 2013, através da Portaria nº 2.803 do Ministério da Saúde que reformulou e expandiu o Processo Transexualizador no SUS.

 

A pesquisadora Márcia Brasil afirma que a Uerj, por meio do HUPE e da policlínica, é uma prestadora, mas deve haver “uma linha de cuidados desenhada pelo estado para que os prestadores possam fazer assistência dentro dessa linha de cuidados”. Na ausência da atuação do estado, como no Rio de Janeiro, a organização acaba sendo feita pelos próprios profissionais de assistência, numa sobreposição de responsabilidades que sobrecarrega o programa. Para Márcia, cabe à universidade  “fazer o papel de universidade, que é o ensino, a pesquisa e a extensão”. O desenho da assistência é, portanto, papel do gestor.

 

Márcia destaca outra razão que impede o avanço de programas de diversidade: o preconceito. “Eu acredito que ele está atravessado por perspectivas conservadoras que minam decisões que seriam importantes para que as pessoas tivessem mais acesso”, afirma. E diz que o estado não promove uma política pública de cuidado.

 

Em novembro do ano passado, o programa de Transdiversidade foi oficializado como serviço pela Uerj. Com isso, ganhou, dentro da estrutura da universidade, um lugar institucional. O Serviço de Identidade é um projeto submetido à direção médica da Policlínica. Márcia afirma que o serviço desempenha um papel fundamental de luta contra o conservadorismo, promovendo a esperança para pacientes e desconstruindo pensamentos discriminatórios. A médica Carolina Cunha, do Identidade, alerta sobre a importância de furar a bolha, trazendo a discussão da diversidade para outras esferas sociais. Ela defende o debate aberto sobre orientação sexual e identidade de gênero com a população: “Quando a gente fala, a gente tá prevenindo o suicídio, a gente tá dizendo: ‘a sua existência é possível’”.

 

Cartilhas para o público LGBTQIAP+ 

(saúde, denúncias de violência, políticas públicas outros temas)

Falta de treinos de futsal preocupa atletas universitários e expõe desafios internos da Atlética de Comunicação Social e Artes

Falta de treinos de futsal preocupa atletas universitários e expõe desafios internos da Atlética de Comunicação Social e Artes

A irregularidade das atividades preocupa os atletas e pode afetar diretamente o desempenho da Atlética nas competições universitárias

Por: Henrique Pereira

 

Quadra interna da Uerj. Foto: Manuela Weissman

A rotina de treinamentos da Atlética da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) segue comprometida em 2025. A equipe de futsal masculino, por exemplo, conseguiu realizar apenas uma atividade no segundo semestre, situação que repete os transtornos do ano anterior. Segundo o treinador da modalidade, Gustavo Franco, os problemas já são antigos. “Ano passado foi igual”, afirmou.

Ao ser perguntado sobre os fatores que impossibilitam a prática frequente de treinos, ele apontou a disponibilidade de espaço e dos horários dos estudantes. Além desses, destacou a ausência de comprometimento dos próprios jogadores como o principal obstáculo enfrentado. “A tentativa de organizar os encontros semanais esbarra justamente na adesão dos atletas. Agora é aguardar o compromisso deles”, comentou.
A Uerj possui dois locais para treinos do futsal, a quadra externa e a do ginásio. Sobre a participação da Universidade em uma possível solução, Gustavo, formado em Educação Física pela própria UERJ, não demonstrou otimismo: “A construção de mais quadras seria uma medida, mas a faculdade não vai ajudar. A demanda é muito grande e o processo é muito burocrático”, disse. 

Para os jogadores, a falta de treinos pesa tanto no rendimento quanto na vida acadêmica. Pedro Athayde, estudante de jornalismo do 5º período e atleta da equipe, disse que a escassez de atividades semanais o tem incomodado bastante: “Tenho sentido bastante, por mais que meu horário de aula esteja mais apertado, era sempre bom desestressar um pouco nos treinos. Sem contar que eu amo competir e sinto muita falta disso no meu dia a dia”, relatou.

Ainda de acordo com ele, tal problemática afeta o grupo inteiro: “Acho que todo mundo lida mais ou menos da mesma forma, como uma válvula de escape do estresse da semana de trabalho e estudo. Então acredito que eles tenham muita pena de como as coisas estão, da nossa preparação para os campeonatos estar parada e todo mundo ficar sem ter o que fazer, já que não depende só da gente”, ressaltou.

Ao ser questionado sobre a ausência de comprometimento do time, o referido atleta reconheceu tal questão, porém alertou: “Acho que rola sim uma falta de comprometimento, mas por agora vai além disso. As quadras não estão sendo liberadas, os horários estão mais apertados e, querendo ou não, ainda não rolou uma renovação 100% do time. Até o ano passado, a maior parte do time era formada ou estava para se formar, então não aconteceu um ciclo natural dos mais novos assumirem o papel dos mais velhos”.

Entre as possíveis soluções, Athayde propõe mais flexibilidade e suporte da Universidade: “Acho que poderia rolar uma flexibilização melhor na questão das quadras, com um número maior de horários disponíveis para as atléticas. Com certeza a Uerj deveria oferecer mais apoio. As atléticas, além do esporte, servem como integração entre os estudantes, e isso fortalece o pertencimento dos alunos”, destacou.

Por fim, ele explicou a importância e o valor da Atlética em sua vida pessoal: “Pra mim, participar da Atlética é uma questão de pertencimento, chegar mais perto do que um dia foi meu sonho de virar jogador e defender algo que faço parte. A mensagem que eu deixo aos novos calouros é para que sigam nesse processo, porque as amizades são boas, o dia a dia é maravilhoso, a competição nos treinos e nos campeonatos é algo incrível. Então, não deixem de ir e curtam bastante o que a atlética tem pra oferecer”, concluiu.

Com treinos escassos e o futuro incerto, a Atlética de Comunicação Social da Uerj vive um momento de indefinição. As falas do treinador e do atleta evidenciam que os problemas vão além da quadra: passam pela necessidade de adesão estudantil, apoio institucional e um esforço coletivo para manter viva a tradição do esporte universitário.