Agenc vai participar do Atlas da Notícia 2026

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Agenc vai participar do Atlas da Notícia 2026

Projeto de divulgação científica da universidade integra 8º edição do levantamento do Projor para mapear jornalismo local e identificar desertos de notícia em todo o país 

Por Murilo Santos

Crédito: intervenção de Murilo Santos sobre imagens do Pixabay

A Agência de Notícias Científicas da UERJ (Agenc) vai participar da 8º edição do Atlas da Notícia, relatório produzido pelo Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo (Projor). A pesquisa mapeia os veículos locais de notícia em atuação no país, ou seja, que publicam regularmente informações sobre suas regiões. O projeto também identifica os chamados desertos de notícia, localidades sem cobertura jornalística, problema que afeta cerca de 26 milhões de pessoas em todo o Brasil, segundo o levantamento de 2025, o último realizado.

O conceito de deserto de notícias tem sido bastante debatido no meio jornalístico. O Atlas da Notícia  define como desertos de notícias as regiões e municípios que não têm veículos de jornalismo local. Foi criado em 2017 pelos jornalistas Angela Pimenta e Sérgio Spagnuolo, inspirados no projeto America’s Growing News Deserts, da revista Columbia Journalism Review, que mapeou os desertos de notícia nos Estados Unidos. Inicialmente, o Atlas não contava com base de dados própria e contou com a ajuda da Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), do Ministério da Ciência e Tecnologia e da apuração local dos próprios pesquisadores.

A classificação de um município como deserto da notícia,  segundo Dubes Sônego, coordenador da pesquisa na região Sudeste, ocorre a partir de critérios como:

  • o veículo precisa produzir as próprias notícias — não pode apenas republicar ou indicar conteúdo de terceiros;
  • não pode ser vinculado a entidades como sindicatos ou igrejas;
  • não pode ter sido apontado por agências de checagem como vetor de desinformação.

Outra questão pertinente ao que entra ou não como veículo jornalístico são as páginas muito comuns nas áreas periféricas do Rio de Janeiro, como os chamados “bairro news”, alimentadas por informações dos próprios moradores da localidade — essas páginas não se enquadram nos critérios do Atlas. O estado do Rio, de acordo com o último relatório, no relatório de 2025,o mais recente, por exemplo, é o que menos tem desertos de notícia: apenas quatro dos 92 municípios fluminenses 4 municípios são classificados dessa forma.

Apesar do cenário favorável, o Rio tem o que a pesquisa chama de “quase desertos de notícia” bastante relevantes: cidades com mais de 100 mil habitantes, como Nilópolis e Queimados, ambas na Baixada Fluminense, têm, respectivamente, um e dois veículos. Os quase desertos são cidades com até dois veículos e são classificadas assim porque, para o Atlas, ficam à mercê de pressões políticas e empresariais. No Rio, esse desequilíbrio aparece de forma nítida: Italva, cidade de cerca de 15 mil habitantes do Noroeste Fluminense, tem quatro  veículos, mais do que cidades bem maiores da Baixada Fluminense. 

Para Dubes Sônego, no caso das cidades da Baixada Fluminense, os dados podem estar precisando de atualização no levantamento deste ano, ao contrário de Italva, cuja base de veículos está atualizada.

A UERJ participa do Atlas da Notícia pela terceira vez por meio da Agenc. O levantamento é feito pelos repórteres da agência, que, de forma voluntária, trabalham na pesquisa que mapeia a falta de cobertura no país. Para Dubes Sônego, a presença dos universitários é essencial, já que o Atlas é realizado, principalmente, com a ajuda de estudantes de jornalismo, que ganham experiência em apuração local. Também recebem certificado de participação e aproveitam a oportunidade para ampliar seus conhecimentos sobre os  os veículos jornalísticos do país.

A professora Fernanda da Escóssia, coordenadora da Agenc, destaca a relevância da parceria. “É uma forma de valorizar a conexão entre a pesquisa de dados, a formação universitária e o mercado jornalístico. Além do mais, permite que os estudantes  discutam e valorizem o jornalismo local, um aliado fundamental contra a desinformação”.

São voluntários da 8º edição do Atlas da Notícia os estudantes Julia Martins, Maria Luísa Fontes, Murilo Santos, Sofia Inerelli, Sofia Lang e Maria Eduarda Galdino.

Agenc vai participar do Atlas da Notícia 2026

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