Drag queens na Uerj: Coart promove evento exaltando a arte drag na universidade

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Drag queens na Uerj: Coart promove evento exaltando a arte drag na universidade

Por: Hyndra Lopes

Iniciativa do projeto “Esquenta na Coart”, o “Drag Friday” contou com apresentações de cinco drag queens cariocas, carregadas de bom humor e lip syncs que animaram o público no pré-fim de semana da Uerj. Além dos fins diversionais, o evento, realizado no mês do orgulho LGBTQIAPN+, também contribuiu para dar visibilidade à arte drag e afirmar a existência dessa forma de expressão e das suas artistas no ambiente universitário.

Drag queens convidadas do “Drag Friday” no salão 2 da Coart. Da esquerda para a direita: Carla Freitas, Zaya, Tamara Taylor, Shanna Adoo e Akyza Queen. Foto: Hyndra Lopes
 
 

O “Drag Friday”, promovido pela Coordenadoria de Artes e Oficinas de Criação (Coart) e organizado pelo produtor de eventos Marcelo Carpenttiere, objetivou promover uma mostra artística descontraída e de curta duração para animar o pré-fim de semana da comunidade universitária e das pessoas da região. Pioneiro na Universidade em focar exclusivamente em performances de drag queens, o evento uniu os anseios das comunidades artística e LGBTQIAPN+ da Uerj e o destaque que a performance drag ganhou na mídia com o mês do orgulho.


A dinâmica do evento consistiu em apresentações de “lip sync” (dublagem sincronizada) de cinco drag queens locais, mediadas por Marcelo Carpenttiere, que exerceu a função de host da noite, introduzindo as artistas para a plateia. 

A primeira a performar foi Akyza Queen, com as músicas “The Best” e “Proud Mary”, de Tina Turner. Carla Freitas deu continuidade ao show com repertório musical exclusivamente de MPB, com “Preconceito” (Maria Bethânia), “Para uso exclusivo da casa” (Dhi Ribeiro), “Como nossos pais” (Elis Regina) e “Resposta ao tempo” (Nana Caymmi). Zaya, a terceira queen a subir ao palco, performou “No Pain, (No Gain)”, de Betty Wright, e surpreendeu ao voltar para uma segunda apresentação homenageando Ney Matogrosso, com “Sangue Latino” e “O Vira”. Tamara Taylor veio em seguida com “I Will Survive” (Gloria Gaynor) – grande hino da comunidade LGBTQIAPN+ – e “And I Am Telling You I’m Not Going” (Jennifer Hudson). Ao final da sua performance, ela ainda fez uma dinâmica convidando algumas pessoas para dançarem ao seu lado. Fechando a noite, Shanna Adoo se apresentou como Alcione, animando a plateia com as músicas da cantora “O que eu faço amanhã”, “Pior é que eu gosto” e “A Loba”, além do seu cover de  “Evidências” (Chitãozinho e Xororó).


O significado por trás de um evento como o “Drag Friday” na Universidade, para pessoas da comunidade LGBTQIAPN+ e para estas artistas que performam como drag, é de reconhecimento. Essa arte, apesar de ser considerada por historiadores como uma prática existente desde a Grécia Antiga, posteriormente aperfeiçoada aos moldes atuais no século XX com os “drag balls” em Nova York, ainda é marginalizada e pouco estudada no meio acadêmico. Marcelo Carpenttiere denuncia a desvalorização da arte drag, sobretudo das artistas menores do Rio de Janeiro, e aponta a importância de apresentá-la na universidade, para construir um ambiente mais diverso e inclusivo, tanto nas suas representações artísticas quanto para os membros da comunidade.


Carpenttiere diz que, pela grande mídia e pelos estudiosos que a conhecem superficialmente, a cultura drag é tratada muitas vezes apenas como performance, devido aos preconceitos em relação à sua prática, invisibilizando a história de resistência atrelada a ela e as suas referências nos campos da moda, da cultura pop, do humor e da dublagem, por exemplo, que vão além do academicismo. 


Nesse sentido, a arte drag se torna algo nichado, de certa forma, dentro da comunidade LGBTQIAPN+, não recebendo a devida atenção pelo meio acadêmico e sendo pouco explorada pelo mercado, que não oferece grandes oportunidades para as artistas. Estas dificuldades de visibilidade se intensificam para as drag queens locais, já que os conteúdos midiáticos voltados para essa cultura são majoritariamente estrangeiros e o receio de apresentar uma arte, socialmente vista como marginal, em grandes teatros e espaços culturais tradicionais limita as suas oportunidades. Por isso é tão significativa a promoção de eventos como o “Drag Friday” na Uerj, como diz Carpenttiere: “São artistas muito subvalorizadas e que mereciam muito mais palco, e muitas vezes não tem pela falta de um espaço. Aí que a universidade entra como uma facilitadora desses espaços, como um lugar onde se tem a oportunidade de vivenciar o que no meio comercial é um pouco mais difícil. (…) A universidade é um lugar de pensar a cultura de um jeito diferente, de um jeito de pesquisa, fruição, institucionalização e fortalecimento”.


O evento também trouxe a reflexão sobre artistas marginalizadas e que representam minorias sociais se apresentarem, com a sua arte, em uma universidade de tamanha relevância no Rio de Janeiro. Historicamente, pessoas da comunidade LGBTQIAPN+ enfrentam maiores dificuldades para adentrar espaços acadêmicos e, principalmente, para apresentarem neles a sua cultura e as suas formas de expressão. Fazer-se presente na universidade e mostrar a sua arte para um público universitário tem, para elas, um caráter simbólico especial, valorizando não só o seu trabalho artístico, mas também a si mesmas como artistas. ”Nós conseguimos sair do gueto e hoje entramos na faculdade para mostrar o nosso trabalho”, frisa Shanna Adoo, uma das queens convidadas do “Drag Friday”, ao final de sua apresentação.

Shanna Adoo durante apresentação no “Drag Friday”. Foto: Hyndra Lopes
Além de possibilitar mais visibilidade para as drag queens da região e um local no subúrbio da cidade para apreciação dessa arte, de acordo com Carpenttiere, a vinda dessas artistas de fora da Universidade para o espaço da Coart, trazendo uma proposta que foge dos padrões artísticos tradicionais academicistas, promove um intercâmbio cultural entre elas e os membros da comunidade da Uerj. A partir dessa troca de saberes, alunos, docentes e técnicos entram em contato com a arte drag e se sentem estimulados a praticarem ou pesquisarem mais a fundo sobre ela, o que contribui para atenuar os preconceitos e estereótipos. Por esses benefícios que eventos como o “Drag Friday” reforçam a importância da Coart para a Uerj e para a Zona Norte, pois ela promove um ambiente que preza pela diversidade e pela renovação do ambiente cultural, e mostram a relevância de se organizar mostras artísticas não convencionais com mais frequência.
 
 
 

 

 

 

 

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