Bioeconomia e energia sustentáveis têm potencial para gerar 28 milhões de novos empregos, diz estudo

Bioeconomia e energia sustentáveis têm potencial para gerar 28 milhões de novos empregos, diz estudo

Relatório foi discutido na Rio Nature and Climate Week, realizada em junho na cidade

 

Por: Maria Eduarda Galdino

 
Painel do Rio Nature and Climate Week. Foto: Maria Eduarda Galdino
 
 

Estratégias para o crescimento de empregos e renda através da bioeconomia foram discutidos no painel sobre investimentos e financiamento sustentável na primeira edição do Rio Nature and Climate Week.  Segundo Patrícia Ellen, ex-secretária de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do estado de São Paulo, a bioeconomia, bioenergia e economia circular podem transformar o setor econômico e empregatício do Brasil, resultando em 28 oportunidades de emprego. 

 

Esse dado faz parte do estudo da Plataforma Nova Economia, elaborado pela Systemic em parceria com o Instituto Aya e o Cedeplar-UFMG.  Por meio da combinação de bases de  dados econômicos, ocupacionais e educacionais em um sistema de inteligência territorial, é possível apontar com precisão como as profissões podem fazer parte de uma cadeia produtiva sustentável e as oportunidades de emprego que podem ser geradas. 

 

Essa pesquisa foi apresentada na COP 30, em Belém do Pará, e visa gerar apoio ao Plano de Transformação Ecológica do Ministério da Fazenda. Segundo Patricia Ellen, as oportunidades de emprego geradas pela cadeia produtiva sustentável podem também ser uma solução direta à crise da automação dos trabalhos devido ao avanço tecnológico que tem gerado desemprego. 



Para isso, afirmou Patrícia Ellen, é necessário centralizar e incluir pessoas e a natureza na agenda de transformação econômica e tecnológica do país, principalmente indivíduos que residem em regiões mais rurais. A ex-secretária ressaltou que o primeiro passo é o levantamento de dados para entender as oportunidades, territórios e desafios desse contexto.

 

A bioeconomia é o pilar da economia sustentável, que relaciona recursos naturais como plantas e resíduos biológicos à inovação e desenvolvimento tecnológico para criação de novos produtos, serviços e empregos. É uma alternativa para a redução da dependência na economia baseada em combustíveis fósseis.  O Brasil representa um território fértil para o desenvolvimento da bioeconomia. Devido à biodiversidade da Amazônia, é possível utilizar os recursos naturais como ativos estratégicos, criação de novos negócios e o fortalecimento de saberes tradicionais. 

 

Segundo o estudo do World Resources Institute (WRI Brasil), a bioeconomia e o investimento em restauração florestal podem adicionar até R$ 45 bilhões ao Produto Interno Bruto Brasileiro (PIB) até 2050. Além disso, no estado do Pará, já existem 13 cadeias produtivas, isto é, os processos que produzem bens de consumo que já movimentam  R$ 9 bilhões de reais. 

 

A ex-secretária também apresentou um levantamento feito em conjunto com o governo federal sobre o Plano de Transformação Ecológica (PTE) e  projeto Novo Indústria Brasil (NIB). O trabalho tem como objetivo transformar o setor industrial brasileiro com tecnologias sustentáveis, digitalização industrial e apoio a micro e grandes empresas com créditos e capacitação para o novo cenário industrial. 

 

“A gente fez um extrato (NIB) para bioeconomia de florestas e mostra que somente a bioeconomia, que mantém a floresta em pé e alavanca a nossa biodiversidade, gera entre 40 e 75 milhões de dólares por ano a partir de 2030”, afirmou. 

 

Apesar das oportunidades, ainda existem os desafios que territórios como a Amazônia podem trazer aos planejamentos. Marcelo Thomé, vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), afirmou que a realidade e a maturidade empresarial da Amazônia é diferente dos setores presentes em São Paulo ou Rio de Janeiro. 

“É conhecer de fato o território e os desafios que aquele território oferece. Porque não é trivial operar em locais onde você não tem estrada, você não tem mão de obra qualificada, você muitas vezes não tem energia, mas você tem naquele território a oportunidade”, explicou. 

 

O vice-presidente disse que olhar para a Amazônia sem preconceito e como um verdadeiro centro econômico do país ajuda a entender alternativas que se encaixem na realidade do território. “A estrutura da facilidade que nós criamos tem por objetivo olhar para as oportunidades, organizar essas oportunidades em potenciais negócios que tenham capacidade de escalar e serem incluídos em cadeias de valor. E quem faz isso? A indústria”, disse Marcelo.

 

 

 
 
 
 

Apesar das iniciativas sustentáveis, a Copa 2026 é o torneio mais poluente da história

Apesar das iniciativas sustentáveis, a Copa 2026 é o torneio mais poluente da história

Apesar das iniciativas sustentáveis, a Copa 2026 é o torneio mais poluente da história

Por: Maria Eduarda Galdino

 
Cerimônia de recepção da Taça da Copa do Mundo. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil
 

A Copa do Mundo de 2026 é a maior da história, pelo menos em tamanho: 48 seleções confirmadas e 16 cidades-sede pela América do Norte (Estados Unidos, México e Canadá). Ao todo, 104 jogos no total. Mas esse formato considerado inovador criou tensões com a agenda climática sustentável. Estudos têm apontado que o torneio pode ser considerado o mais poluente da história das Copas, com até 9 milhões de toneladas de carbono geradas pelos voos. 

A Fifa divulgou sua Estratégia de Sustentabilidade e Direitos Humanos no torneio. Mas, segundo a Scientists for Global Responsibility, o modelo inédito da Copa é insustentável para manter os objetivos da agenda climática global. A expansão territorial do maior torneio do mundo causa deslocamentos aéreos  significativos das seleções e do público. Cerca de 87% de todas as emissões durante a Copa serão originárias dos voos. O nível das emissões é equivalente a quase 6 milhões de carros britânicos médios durante um ano.

 

A Copa de 2026 superou a edição anterior no Catar (2022), duramente criticada pela construção de sete novos estádios. A Copa no Catar também contribuiu para a emissão de  aproximadamente 3,8 milhões de toneladas de dióxido de carbono, contrariando as promessas de carbono zero anunciadas pela FIFA em 2022. 

 

A discussão sobre as emissões é recorrente devido ao alerta de autoridades científicas sobre a grave influência das emissões de carbono no aquecimento global. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças climáticas (IPCC) tem registrado o aumento da temperatura média global em 1,1Cº, e aponta as emissões de dióxido de carbono como principal elemento causador.

 

Além das emissões dos voos, a Copa do Mundo  acontece em meio às temporadas de calor extremo na América do Norte. Nesse contexto, o consumo de energia para resfriamento de espaços como estádios e demais estabelecimentos é maior que o normal, o que causa uma demanda energética significativa e mais uma fonte para emissão de gases. A FIFA publicou uma série de estratégias de sustentabilidade para as cidades que estão sediando os torneios. A campanha “Gol por El ambiente” em parceria com o governo mexicano é uma delas e promove a economia circular, na qual resíduos têxteis e plásticos serão redirecionados dos aterros sanitários para cadeias de valor produtivas. 

 

A ministra do Meio Ambiente e Recursos Naturais do México, Alicia Bárcena, apresentou o programa e afirmou que o governo quer se afastar da economia linear, modelo tradicional de produção, uso e descarte sem aproveitamento dos recursos e resíduos. Além do mais, as estratégias sustentáveis da FIFA incentivam o uso de transporte público, hospedagem em hotéis com políticas sustentáveis e a não construção de novos estádios para as partidas. Mas nenhuma dessas ações contribui para a principal causa da poluição da Copa: as emissões de dióxido de carbono pelos voos.

 

 

 
 
 
 

Plano Clima busca preparar cidades e populações para eventos extremos

Plano Clima busca preparar cidades e populações para eventos extremos

Obras de infraestrutura 100% adaptadas a mudanças climáticas estão entre as metas do documento lançado pelo governo federal

Por: Maria Eduarda Galdino

 
Lançamento do Plano Clima em Brasília (DF). Foto: Fernando Donasci/MMA
 
 

O governo brasileiro lançou no mês passado o Plano Nacional sobre Mudança no Clima (Plano Clima), com metas para combater a crise climática. A ideia é organizar ações que promovam equidade, proteção dos direitos humanos e inclusão social de grupos afetados pelas mudanças climáticas. O plano foi aprovado pelo Comitê Interministerial sobre Mudança no Clima (CIM), com a colaboração de 25 ministérios e consultas públicas a mais de 25 mil participantes. Deverá estar totalmente implementado até 2035. 

 

Entre as metas de adaptação climática, o Plano prevê que obras de infraestrutura financiadas pelo governo federal sejam projetadas para resistir a eventos extremos. Na prática, isso significa que construções como moradias, rodovias e sistemas de drenagem deverão considerar riscos como enchentes e deslizamentos, problemas recorrentes em cidades como Rio de Janeiro. 

 

Nesse contexto, um estudo do Ambiental Media e do Instituto de Computação da UFF, com base em dados disponibilizados pelo IBGE, confirmou que cerca de 142 mil domicílios correm alto risco de inundação ou deslizamento no Rio de Janeiro. O estudo apontou a Zona Norte como território com mais bairros com alta vulnerabilidade a eventos climáticos extremos. 

 

Além do Rio de Janeiro, o estado de Minas Gerais também sofreu com o impacto das fortes chuvas. As cidades de Juiz de Fora e Ubá registraram no total 29 mortos e 3 mil pessoas desabrigadas no mês de fevereiro por conta dos deslizamentos, enchentes e soterramentos. Diante do estado de calamidade decretado pelas autoridades, escolas e universidades também interromperam suas atividades. 

 

Diante desses acontecimentos, a proposta é que o plano de adaptação seja aplicado em todos os estados e ao menos 35% dos municípios, e até 2035, atender com obras de prevenção pelo menos 4 milhões de pessoas expostas ao risco de desastre geohidrológico

Além das estratégias de adaptação, o Plano Clima também inclui medidas de mitigação, ou seja, ações voltadas à redução de gases de efeito estufa (GEE) com mudanças no uso de energia e combate ao desmatamento. Para isso há uma Estratégia Nacional de Mitigação com base em projetos científicos que trabalham com energias renováveis, sociobiodiversidade e outros métodos para estabilizar uma economia de baixo carbono. 

 

O Plano Clima também inclui estratégias transversais para ação climática, que são o conjunto de ferramentas e políticas utilizadas para a execução de todos os objetivos. Isto é, como os setores de educação, pesquisa, políticas públicas e outros irão colaborar para soluções climáticas. Os investimentos e metas na primeira parte de elaboração do Plano Clima serão distribuídos ao longo dos anos,  em torno de R$25 a 30 bilhões por ano. 

As políticas de ação do Plano Clima também reforçam a importância da participação ativa dos povos no combate às crises climáticas. Segundo o documento, a colaboração da sociedade civil garante que haja equilíbrio de interesses e efetividade no planejamento de políticas públicas a favor da justiça climática. Para isso, as Câmaras de Participação Social e de Assessoramento Científico irão mediar a comunicação entre entidades governamentais, comunidades e o setor empresarial.



Plano Clima está alinhado ao Acordo de Paris 

 

A construção do Plano Clima também representa o compromisso do Brasil com o multilateralismo, que é a cooperação entre vários países para tomar decisões, resolver problemas e firmar acordos em conjunto. As estratégias de ações climáticas do Plano estão de acordo com a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC, na sigla em inglês) em relação à meta de redução de 59% e 67% de suas emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2035. O objetivo final seria a neutralidade climática até 2050, estado em que as emissões líquidas chegam a zero. 

Além do mais, o Plano Clima de Adaptação elaborou suas estratégias pautadas no ciclo interativo de adaptação feito pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC). Os projetos de adequação climática foram divididos em quatro etapas: avaliação, planejamento, implementação das ações e monitoramento de longo prazo com revisões periódicas e aprimoramentos contínuos.

 

 


No documento, o governo brasileiro afirmou que pretende estabelecer um sistema robusto de monitoramento, avaliação e aprendizado, que alimente relatórios nacionais, fortaleça a transparência para que os compromissos estabelecidos com a UNFCCC (a Conferência do Clima da ONU) e com o Acordo de Paris possam ser cumpridos.

 

 

 
 
 
 

Jornalismo, inteligência artificial e confiança em debate no Rio Innovation Week 2025

Jornalismo, inteligência artificial e confiança em debate no Rio Innovation Week 2025

Andréia Sadi e Renata Lo Prete, jornalistas da Rede Globo, trataram de credibilidade, confiabilidade, ética e opinião pública foram discutidos

Por: Maria Eduarda de Souza Galdino

Andréia Sadi e Renata Lo Prete na plenária do armazém Kobra. Foto: Maria Eduarda Galdino

Chamada para o evento Central da Cop (Foto: instagram)

A inteligência artificial no jornalismo foi tema da plenária do Rio Innovation Week, a maior conferência global de tecnologia, inovação e empreendedorismo da América Latina. As jornalistas da Rede Globo Renata Lo Prete e Andréia Sadi analisaram os impactos da IA no jornalismo e questões éticas envolvendo a tecnologia.

 

Renata Lo Prete afirmou que é necessário abraçar as mudanças tecnológicas e praticar um letramento para melhor uso da inteligência artificial, que segundo ela, não é uma ferramenta, mas sim, um agente. Além disso, a jornalista acrescentou que é preciso reinventar a forma de lidar com a informação e sua confiabilidade. “Eu acredito que o jornalismo pode ter um papel essencial, a questão da confiança sempre foi essencial para o jornalismo”, disse. 

 

Segundo a International Business Machines Corporation (IBM), empresa estadunidense do setor de informação, a inteligência artificial é uma tecnologia que permite que máquinas simulem o aprendizado, a compreensão, a resolução de problemas, a tomada de decisões, a criatividade e a autonomia dos seres humanos. 

 

A IA chegou ao Brasil por volta de 1970 com pesquisadores do Laboratório Nacional de Informação Aplicada (LNIA), mas se popularizou no mundo corporativo e na internet em 2020. Com isso, o Brasil se tornou o terceiro maior usuário do ChatGPT no mundo, segundo a OpenAI. 

 

Apesar do grande número de usuários de IA no Brasil, apenas 54% dos brasileiros compreendem realmente o que é uma inteligência artificial. Esse dado faz parte da pesquisa “Consumo e uso da Inteligência Artificial no Brasil”, realizada pelo  Observatório Fundação Itaú em parceria com o Datafolha. Além disso, 76% dos entrevistados acreditam que IA pode facilitar a disseminação da desinformação, as fake news, ainda mais quando usada sem regulamentação. 

 

Um estudo da Columbia Journalism Review analisou oito chatbots, que são programas de computador que funcionam como assistente virtuais, projetados para simular conversas humanas. Ao final da pesquisa, concluiu-se que mais de 60% das respostas estavam incorretas quando os bots foram testados com consultas baseadas em notícias. Além disso, a pesquisa mostra que às vezes o chat respondia com links errados ou quebrados, que não tinham conexão com o comando feito. 

 

Renata Lo Prete apresentou um estudo da Harvard Business School sobre os pilares da confiabilidade. Entre os tópicos fundamentais estavam a capacidade de desenvolver apuração, checar, apresentar e transmitir de forma clara. “A confiança é construída com as pequenas decisões do dia dia, da forma como você procura suas fontes. A confiança é um ativo simbólico, que você pode ganhar e perder”, disse.

 

Na plenária, Andréia Sadi falou sobre a suposta ameaça da inteligência artificial ao jornalismo, mas afirmou que a tecnologia não pode substituir o jornalista por completo. Andréia explica que os jornalistas são necessários para manusear a inteligência artificial, pois a tecnologia funciona a partir de comandos, perguntas e instruções. “No jogo da inteligência artificial, ganha quem faz as perguntas certas, e isso, para os jornalistas, é gol”, disse

A pesquisa “Confiança, atitudes e Uso de Inteligência Artificial: um estudo global 2025“, feita pela Universidade de Melbourne, afirma que no Brasil, 71% dos entrevistados reconheceram um aumento na agilidade no trabalho e potencial da IA, mas que a confiança na ferramenta ainda se apresenta como um desafio. Metade dos entrevistados ainda tem preocupações com a segurança das informações e impacto social.

Em ano de COP30, projetos de tecnologia apostam em inovação e sustentabilidade

Em ano de COP30, projetos de tecnologia apostam em inovação e sustentabilidade

Empresas voltadas para ações ambientais marcaram a terceira edição do Web Summit Rio 

Por: Maria Eduarda Galdino

 

Tarciana Medeiros, Bianca Andrade e Adiana Barbosa no palco principal Web Summit Rio Foto: Maria Eduarda Galdino

Diversos empreendimentos ambientados no Brasil usam a tecnologia para combater a crise climática, e a aliança entre inovação e sustentabilidade foi um dos temas do Web Summit Rio, encerrado no último dia 30 de maio. O último painel do evento reuniu três referências do empreendedorismo feminino: Tarciana Medeiros, CEO do Banco do Brasil, Bianca Andrade, CEO da Boca Rosa Beauty, e a diretora executiva da Feira Preta, Adriana Barbosa, conversaram sobre tendências no empreendedorismo brasileiro e sustentabilidade.

Tarciana Medeiros disse que o Norte do Brasil é referência em negócios que priorizam a sustentabilidade no modelo de produção. Segundo ela, o fortalecimento de propósitos entre organizações desse ramo é essencial. “Junta empreendedores principalmente de agroecologia, agroeconomia,  de biotecnologia e diversos empreendimentos que a gente entende o potencial na rede como um todo”, disse. 

Diversas empresas com foco na sustentabilidade participaram do encontro. O Ecos Urbanos conversou com representantes de algumas dessas empresas. Breno Veiga, CEO da Ekonavi, uma plataforma gratuita que potencializa soluções baseadas na natureza, explicou que sua empresa desenvolveu um aplicativo que conecta grupos de trabalho rural com investidores globais, tornando ações ecológicas comunitárias possíveis em escala global. É uma espécie de Linkedin para grupos que querem manter seus projetos sustentáveis visíveis no meio digital. “A nossa motivação é produzir alimentos de qualidade, gerar mais sustentabilidade no planeta e fortalecer as redes de produtores que estão produzindo de maneira orgânica e agroflorestal”, disse.

 
 
Bruno Veiga, CEO da Ekonavi, e Veber Alvez, advogado na  Ekonavi no Stand Beta 3  (Foto: Maria Eduarda Galdino)
 
Os grupos de campo que podem utilizar a plataforma são diversos. A Ekonavi abriga projetos ecológicos na agricultura,  propostas de reciclagem, sistemas agroflorestais e outras propostas ecológicas no campo.  “É um projeto gratuito  para esse grupos que atuam no campo e funciona de forma similar ao Linkedin, então você profissionaliza o seu projeto de campo tornando ele mais visível para investidores.”

Já Ângelo Coelho é diretor da Brinquedo Livre, uma empresa que promove a sustentabilidade no universo infantil. A empresa funciona como um marketplace colaborativo, conectando vendedores que querem descartar brinquedos usados e compradores, com uma curadoria sustentável. “Unimos sustentabilidade com economia circular e tecnologia para criar uma plataforma onde brinquedos usados, seminovos e colecionáveis ganham uma nova vida.”

O diretor afirma que a empresa foi criada devido a pesquisas em relação ao impacto ambiental que os brinquedos fazem na natureza. “Um dos dados que mais nos impactou foi do Instituto Akatu, que aponta que 60% dos brinquedos descartados no Brasil ainda poderiam ser reutilizados”, disse. A Brinquedo Livre possui um núcleo de pesquisas voltado para a economia circular no mercado infantil. Além disso, a empresa se encontra em um processo de desenvolvimento de selos que identificam produtos com maior potencial de reutilização e durabilidade. 

                                                                                        Logo da empresa Brinquedo Livre. Foto: brinquedolivre.com.br
 
 
 
A pesquisa Panorama de Sustentabilidade Corporativa 2025, feita pela Câmara Americana de Comércio (Amcham) e a Humanizadas, concluiu que 76% das empresas brasileiras adotam práticas sustentáveis nos negócios, um aumento de 5% em relação ao ano de 2024. Entre os que responderam à pesquisa, 77% acham que incluir a sustentabilidade nos negócios aumenta as vantagens competitivas e que existe uma relação positiva na demanda de novos grupos e mercados.
 
O estudo também afirma que acrescentar a sustentabilidade a performance financeira, que é uma avaliação ampla de métricas da empresa, pode acelerar ganhos significativos. O estudo evidenciou que medidas como a implementação da IFRS S1/ S2, que são padrões internacionais relacionados a transparência das informações sobre sustentabilidade das empresas oferecem alto retorno financeiro.