Bioeconomia e energia sustentáveis têm potencial para gerar 28 milhões de novos empregos, diz estudo

Bioeconomia e energia sustentáveis têm potencial para gerar 28 milhões de novos empregos, diz estudo

Relatório foi discutido na Rio Nature and Climate Week, realizada em junho na cidade

 

Por: Maria Eduarda Galdino

 
Painel do Rio Nature and Climate Week. Foto: Maria Eduarda Galdino
 
 

Estratégias para o crescimento de empregos e renda através da bioeconomia foram discutidos no painel sobre investimentos e financiamento sustentável na primeira edição do Rio Nature and Climate Week.  Segundo Patrícia Ellen, ex-secretária de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do estado de São Paulo, a bioeconomia, bioenergia e economia circular podem transformar o setor econômico e empregatício do Brasil, resultando em 28 oportunidades de emprego. 

 

Esse dado faz parte do estudo da Plataforma Nova Economia, elaborado pela Systemic em parceria com o Instituto Aya e o Cedeplar-UFMG.  Por meio da combinação de bases de  dados econômicos, ocupacionais e educacionais em um sistema de inteligência territorial, é possível apontar com precisão como as profissões podem fazer parte de uma cadeia produtiva sustentável e as oportunidades de emprego que podem ser geradas. 

 

Essa pesquisa foi apresentada na COP 30, em Belém do Pará, e visa gerar apoio ao Plano de Transformação Ecológica do Ministério da Fazenda. Segundo Patricia Ellen, as oportunidades de emprego geradas pela cadeia produtiva sustentável podem também ser uma solução direta à crise da automação dos trabalhos devido ao avanço tecnológico que tem gerado desemprego. 



Para isso, afirmou Patrícia Ellen, é necessário centralizar e incluir pessoas e a natureza na agenda de transformação econômica e tecnológica do país, principalmente indivíduos que residem em regiões mais rurais. A ex-secretária ressaltou que o primeiro passo é o levantamento de dados para entender as oportunidades, territórios e desafios desse contexto.

 

A bioeconomia é o pilar da economia sustentável, que relaciona recursos naturais como plantas e resíduos biológicos à inovação e desenvolvimento tecnológico para criação de novos produtos, serviços e empregos. É uma alternativa para a redução da dependência na economia baseada em combustíveis fósseis.  O Brasil representa um território fértil para o desenvolvimento da bioeconomia. Devido à biodiversidade da Amazônia, é possível utilizar os recursos naturais como ativos estratégicos, criação de novos negócios e o fortalecimento de saberes tradicionais. 

 

Segundo o estudo do World Resources Institute (WRI Brasil), a bioeconomia e o investimento em restauração florestal podem adicionar até R$ 45 bilhões ao Produto Interno Bruto Brasileiro (PIB) até 2050. Além disso, no estado do Pará, já existem 13 cadeias produtivas, isto é, os processos que produzem bens de consumo que já movimentam  R$ 9 bilhões de reais. 

 

A ex-secretária também apresentou um levantamento feito em conjunto com o governo federal sobre o Plano de Transformação Ecológica (PTE) e  projeto Novo Indústria Brasil (NIB). O trabalho tem como objetivo transformar o setor industrial brasileiro com tecnologias sustentáveis, digitalização industrial e apoio a micro e grandes empresas com créditos e capacitação para o novo cenário industrial. 

 

“A gente fez um extrato (NIB) para bioeconomia de florestas e mostra que somente a bioeconomia, que mantém a floresta em pé e alavanca a nossa biodiversidade, gera entre 40 e 75 milhões de dólares por ano a partir de 2030”, afirmou. 

 

Apesar das oportunidades, ainda existem os desafios que territórios como a Amazônia podem trazer aos planejamentos. Marcelo Thomé, vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), afirmou que a realidade e a maturidade empresarial da Amazônia é diferente dos setores presentes em São Paulo ou Rio de Janeiro. 

“É conhecer de fato o território e os desafios que aquele território oferece. Porque não é trivial operar em locais onde você não tem estrada, você não tem mão de obra qualificada, você muitas vezes não tem energia, mas você tem naquele território a oportunidade”, explicou. 

 

O vice-presidente disse que olhar para a Amazônia sem preconceito e como um verdadeiro centro econômico do país ajuda a entender alternativas que se encaixem na realidade do território. “A estrutura da facilidade que nós criamos tem por objetivo olhar para as oportunidades, organizar essas oportunidades em potenciais negócios que tenham capacidade de escalar e serem incluídos em cadeias de valor. E quem faz isso? A indústria”, disse Marcelo.

 

 

 
 
 
 

Apesar das iniciativas sustentáveis, a Copa 2026 é o torneio mais poluente da história

Apesar das iniciativas sustentáveis, a Copa 2026 é o torneio mais poluente da história

Apesar das iniciativas sustentáveis, a Copa 2026 é o torneio mais poluente da história

Por: Maria Eduarda Galdino

 
Cerimônia de recepção da Taça da Copa do Mundo. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil
 

A Copa do Mundo de 2026 é a maior da história, pelo menos em tamanho: 48 seleções confirmadas e 16 cidades-sede pela América do Norte (Estados Unidos, México e Canadá). Ao todo, 104 jogos no total. Mas esse formato considerado inovador criou tensões com a agenda climática sustentável. Estudos têm apontado que o torneio pode ser considerado o mais poluente da história das Copas, com até 9 milhões de toneladas de carbono geradas pelos voos. 

A Fifa divulgou sua Estratégia de Sustentabilidade e Direitos Humanos no torneio. Mas, segundo a Scientists for Global Responsibility, o modelo inédito da Copa é insustentável para manter os objetivos da agenda climática global. A expansão territorial do maior torneio do mundo causa deslocamentos aéreos  significativos das seleções e do público. Cerca de 87% de todas as emissões durante a Copa serão originárias dos voos. O nível das emissões é equivalente a quase 6 milhões de carros britânicos médios durante um ano.

 

A Copa de 2026 superou a edição anterior no Catar (2022), duramente criticada pela construção de sete novos estádios. A Copa no Catar também contribuiu para a emissão de  aproximadamente 3,8 milhões de toneladas de dióxido de carbono, contrariando as promessas de carbono zero anunciadas pela FIFA em 2022. 

 

A discussão sobre as emissões é recorrente devido ao alerta de autoridades científicas sobre a grave influência das emissões de carbono no aquecimento global. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças climáticas (IPCC) tem registrado o aumento da temperatura média global em 1,1Cº, e aponta as emissões de dióxido de carbono como principal elemento causador.

 

Além das emissões dos voos, a Copa do Mundo  acontece em meio às temporadas de calor extremo na América do Norte. Nesse contexto, o consumo de energia para resfriamento de espaços como estádios e demais estabelecimentos é maior que o normal, o que causa uma demanda energética significativa e mais uma fonte para emissão de gases. A FIFA publicou uma série de estratégias de sustentabilidade para as cidades que estão sediando os torneios. A campanha “Gol por El ambiente” em parceria com o governo mexicano é uma delas e promove a economia circular, na qual resíduos têxteis e plásticos serão redirecionados dos aterros sanitários para cadeias de valor produtivas. 

 

A ministra do Meio Ambiente e Recursos Naturais do México, Alicia Bárcena, apresentou o programa e afirmou que o governo quer se afastar da economia linear, modelo tradicional de produção, uso e descarte sem aproveitamento dos recursos e resíduos. Além do mais, as estratégias sustentáveis da FIFA incentivam o uso de transporte público, hospedagem em hotéis com políticas sustentáveis e a não construção de novos estádios para as partidas. Mas nenhuma dessas ações contribui para a principal causa da poluição da Copa: as emissões de dióxido de carbono pelos voos.

 

 

 
 
 
 

Plano Clima busca preparar cidades e populações para eventos extremos

Plano Clima busca preparar cidades e populações para eventos extremos

Obras de infraestrutura 100% adaptadas a mudanças climáticas estão entre as metas do documento lançado pelo governo federal

Por: Maria Eduarda Galdino

 
Lançamento do Plano Clima em Brasília (DF). Foto: Fernando Donasci/MMA
 
 

O governo brasileiro lançou no mês passado o Plano Nacional sobre Mudança no Clima (Plano Clima), com metas para combater a crise climática. A ideia é organizar ações que promovam equidade, proteção dos direitos humanos e inclusão social de grupos afetados pelas mudanças climáticas. O plano foi aprovado pelo Comitê Interministerial sobre Mudança no Clima (CIM), com a colaboração de 25 ministérios e consultas públicas a mais de 25 mil participantes. Deverá estar totalmente implementado até 2035. 

 

Entre as metas de adaptação climática, o Plano prevê que obras de infraestrutura financiadas pelo governo federal sejam projetadas para resistir a eventos extremos. Na prática, isso significa que construções como moradias, rodovias e sistemas de drenagem deverão considerar riscos como enchentes e deslizamentos, problemas recorrentes em cidades como Rio de Janeiro. 

 

Nesse contexto, um estudo do Ambiental Media e do Instituto de Computação da UFF, com base em dados disponibilizados pelo IBGE, confirmou que cerca de 142 mil domicílios correm alto risco de inundação ou deslizamento no Rio de Janeiro. O estudo apontou a Zona Norte como território com mais bairros com alta vulnerabilidade a eventos climáticos extremos. 

 

Além do Rio de Janeiro, o estado de Minas Gerais também sofreu com o impacto das fortes chuvas. As cidades de Juiz de Fora e Ubá registraram no total 29 mortos e 3 mil pessoas desabrigadas no mês de fevereiro por conta dos deslizamentos, enchentes e soterramentos. Diante do estado de calamidade decretado pelas autoridades, escolas e universidades também interromperam suas atividades. 

 

Diante desses acontecimentos, a proposta é que o plano de adaptação seja aplicado em todos os estados e ao menos 35% dos municípios, e até 2035, atender com obras de prevenção pelo menos 4 milhões de pessoas expostas ao risco de desastre geohidrológico

Além das estratégias de adaptação, o Plano Clima também inclui medidas de mitigação, ou seja, ações voltadas à redução de gases de efeito estufa (GEE) com mudanças no uso de energia e combate ao desmatamento. Para isso há uma Estratégia Nacional de Mitigação com base em projetos científicos que trabalham com energias renováveis, sociobiodiversidade e outros métodos para estabilizar uma economia de baixo carbono. 

 

O Plano Clima também inclui estratégias transversais para ação climática, que são o conjunto de ferramentas e políticas utilizadas para a execução de todos os objetivos. Isto é, como os setores de educação, pesquisa, políticas públicas e outros irão colaborar para soluções climáticas. Os investimentos e metas na primeira parte de elaboração do Plano Clima serão distribuídos ao longo dos anos,  em torno de R$25 a 30 bilhões por ano. 

As políticas de ação do Plano Clima também reforçam a importância da participação ativa dos povos no combate às crises climáticas. Segundo o documento, a colaboração da sociedade civil garante que haja equilíbrio de interesses e efetividade no planejamento de políticas públicas a favor da justiça climática. Para isso, as Câmaras de Participação Social e de Assessoramento Científico irão mediar a comunicação entre entidades governamentais, comunidades e o setor empresarial.



Plano Clima está alinhado ao Acordo de Paris 

 

A construção do Plano Clima também representa o compromisso do Brasil com o multilateralismo, que é a cooperação entre vários países para tomar decisões, resolver problemas e firmar acordos em conjunto. As estratégias de ações climáticas do Plano estão de acordo com a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC, na sigla em inglês) em relação à meta de redução de 59% e 67% de suas emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2035. O objetivo final seria a neutralidade climática até 2050, estado em que as emissões líquidas chegam a zero. 

Além do mais, o Plano Clima de Adaptação elaborou suas estratégias pautadas no ciclo interativo de adaptação feito pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC). Os projetos de adequação climática foram divididos em quatro etapas: avaliação, planejamento, implementação das ações e monitoramento de longo prazo com revisões periódicas e aprimoramentos contínuos.

 

 


No documento, o governo brasileiro afirmou que pretende estabelecer um sistema robusto de monitoramento, avaliação e aprendizado, que alimente relatórios nacionais, fortaleça a transparência para que os compromissos estabelecidos com a UNFCCC (a Conferência do Clima da ONU) e com o Acordo de Paris possam ser cumpridos.

 

 

 
 
 
 

Conheça o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, projeto encabeçado pelo Brasil que ganhou espaço na COP 30

Conheça o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, projeto encabeçado pelo Brasil que ganhou espaço na COP 30

Programa foi anunciado na Cúpula dos Líderes em Belém e vai reunir recursos doados pelos países mais ricos para financiar ações de conservação das florestas

Por: Maria Eduarda Galdino

 
                                      

O Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF na sigla em inglês), programa criado pelo governo brasileiro, propõe oferecer financiamento para países que se comprometeram a conservar suas florestas tropicais. É uma forma de estimular esses países a continuar essa proteção. As florestas colaboram para a estabilidade da temperatura global, a preservação da vida humana e animal.A ideia é que, para cada dólar investido pelos países apoiadores, a iniciativa privada entre com 4 dólares. Através de empresas, fundações, governos e outras fontes, as florestas tropicais podem adquirir um financiamento estável por muitos anos.


O TFFF é diferente dos projetos de investimentos a favor da justiça climática já estabelecidos anteriormente. Como por exemplo, os mercados de carbono, que recompensam os países por poluírem menos com as emissões de CO2. O TFFF valoriza as florestas de pé, preservada e cuidada.Antes da COP 30 em Belém do Pará, apenas cinco países faziam parte do lado investidor do fundo: Colômbia, República do Congo, Indonésia, Gana e Malásia. No total, mais de 74 países que possuem florestas poderão receber partes do TFFF, para que o dinheiro possa ser investido em proteção aos biomas. 

 

Com as negociações da COP 30, mais países se comprometeram a financiar o projeto e o montante total já soma US$6,5 bilhões de dólares. A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, anunciou nesta quarta-feira (19), que o governo da Alemanha anunciou um investimento de 1 bilhão de euros. Além disso, durante a Cúpula do Clima em Belém, dias antes da COP 30, Noruega, França e Portugal anunciaram que vão participar.



O Brasil mantém o seu compromisso como criador e investidor do Fundo com US$1 bilhão de dólares. O presidente Lula afirmou que a iniciativa, liderada por um dos países do Sul Global, é inédita e focada nas florestas. Segundo o governo federal, o monitoramento de conservação será feito via satélite, com padronização internacional e dados públicos. O financiamento também pretende designar 20% do valor dos pagamentos aos povos indígenas e outros povos nativos. Um dos desafios é assegurar que o dinheiro do TFFF chegue de fato às comunidades tradicionais – a promessa é que pelo menos 20% dos investimentos vá para os povos indígenas, mas eles reivindicam um percentual maior. 



 

Brasil aprova exploração de petróleo na Foz do Amazonas às vésperas da COP30

Brasil aprova exploração de petróleo na Foz do Amazonas às vésperas da COP30

Pesquisadores e cientistas alertam para riscos ambientais e necessidade de investir em fontes energéticas renováveis 

Por: Sofia Inerelli 

 
                                      Embarcação petrolífera em mar aberto – Foto: César Fernandes – Agência Brasil

Após quase 40 anos desde o início da exploração de petróleo na Província Petrolífera de Urucu, a maior reserva terrestre de petróleo e gás natural do país, o Ibama autorizou a perfuração na bacia da Foz do Amazonas, localizada na Margem Equatorial, região estratégica para reposição de reservas. A decisão foi tomada 21 dias antes da COP 30, Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, o que provocou muitas críticas ao Brasil.

Explorações como a de Urucu e a da Foz do Amazonas são arriscadas, pois podem gerar grandes estragos no meio ambiente e as comunidades que dependem dele para sobreviver. Segundo o Instituto Internacional Arayara, a decisão do Ibama põe em risco 78% da biodiversidade amazônica, 2,7 milhões de indígenas e 10 milhões de hectares de floresta. O Arayara aponta ainda, entre os prejuízos, a poluição das águas, prejudicando a vida marinha, incluindo por poluição sonora e vazamentos de navios-tanques. Trata-se de uma região com correntes marítimas muito fortes, o que aumenta o risco de acidentes tanto durante a perfuração quanto na fase de produção.

 

Essa região concentra cerca de 80% de todos os manguezais do Brasil, incluindo o maior cinturão contínuo de manguezais do mundo, entre os litorais do Pará e do Maranhão. Esses ecossistemas desempenham um papel fundamental na captura e armazenamento de carbono, contribuindo diretamente para o enfrentamento das mudanças climáticas.

Além disso, a área possui grande relevância ecológica por ser uma zona de reprodução de diversas espécies marinhas e terrestres. Qualquer perturbação causada por atividades de perfuração pode comprometer esses processos naturais, tornando a exploração de petróleo na região ainda mais delicada e arriscada. Com a volta de um novo projeto para explorar petróleo na Amazônia, o Brasil demonstra que ainda não está disposto a romper completamente com fontes energéticas não renováveis. 

Luis Pazos administrador no BNDES alerta para os impactos que o projeto de exploração de petróleo pode causar sobre a população que habita aquele território: “O que acontece no entorno desse porto, que vai trazer mais carros, que vai trazer mais caminhões, que vai trazer mais gente? Como é que fica isso, quando a gente tem uma construção nova, que naturalmente atrai mais mão de obra, e essa mão de obra atraída tem um reflexo imediato naquele território?”, indaga.

Como solução, ele propõe uma agenda de desenvolvimento junto com indígenas, quilombolas e pescadores que vivem e sobrevivem da região. 

Durante a palestra “Foz do Amazonas: redução de danos”, ocorrida durante a Rio Ocean Week, o pesquisador Flavio Torres, do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás, afirmou que o Brasil não pode deixar de ter autonomia sobre sua produção energética, pois pode acabar sendo controlado por outros países. Na avaliação dele, esse seria um dos argumentos em defesa da exploração de petróleo na região. Torres disse que a dependência de fontes de energia externas compromete a soberania dos países e impacta diretamente a vida da população, sobretudo devido ao aumento dos preços dos combustíveis.

A Petrobras já afirmou que a produção nacional deve atingir seu pico em 2029 ou 2030 e depois começar a declinar. Mesmo que amenize o problema envolvendo a independência energética, o petróleo não é um recurso renovável, o que significa que em algum momento terminará. Pesquisadores e cientistas têm estimulado a busca de soluções energéticas com menos riscos e renováveis. 

O Brasil já tem produzido biocombustíveis para cada vez menos precisar dos combustíveis fósseis. De acordo com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), 93% da energia gerada em 2023 foi de fontes renováveis. 

 

Descomplicando a COP: saiba o que são as Blue e Green Zone 

Descomplicando a COP: saiba o que são as Blue e Green Zone

As zonas vão ser palco das principais discussões sobre clima, meio ambiente e demais acordos na COP 30

Por: Maria Eduarda Galdino

             Fachada do pavilhão da Cop 30 em Belém do Pará (PA). Foto: Agência Brasil/ Bruno Peres

 

A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP, iniciou a cerimônia de abertura na última segunda-feira (10) em Belém do Pará- PA. O evento reúne mais de 200 lideranças de todo mundo para discutir sobre mudanças climáticas, financiamento climático, redução das emissões e implementação das NDCs por 12 dias. A estrutura do evento foi dividida em duas áreas: a Blue Zone e a Green Zone.

 

A Blue zone (zona azul) é o espaço mais restrito da COP, é onde ocorrem as negociações oficiais, grupos de trabalho (GT) e sessões plenárias. Nessa área, representantes oficiais dos países estão apresentando pautas em favor da justiça climática, financiamentos e acordos para a tomada de decisões que se transformarão em compromissos globais que irão surtir impacto direto na vida dos cidadãos. Os debates são assistidos por organizações observadoras.

 

Os negociadores, que estão representando os países, são divididos em grupos e participam de reuniões em salas temáticas para discutir os artigos do Acordo de Paris. As organizações observadoras também são divididas: agências especializadas da ONU, organizações intergovernamentais e organizações não-governamentais.  Ao final das reuniões, cada grupo deve entregar uma proposta que estará presente no documento final da COP 30.

 

Esses documentos possuem certas exigências, cada grupo deve elaborar um texto que analise os avanços de metas já estabelecidas em outros encontros. Além disso, também é obrigatória a discussão sobre a eliminação do uso de combustíveis fósseis, analisar a atual situação de áreas/ países mais vulneráveis afetados por mudanças climáticas e estratégias de adaptação às mudanças climáticas que atingem florestas e cidades. 



    Globo terrestre no pavilhão blue zone COP 30 Belém, Pará (PA). Foto: Agência Brasil

 

Já a Green Zone (zona verde), é um espaço mais acessível e destinado à sociedade civil, Organizações Não Governamentais (ONGs), movimentos sociais e instituições acadêmicas. A Green zone também possui workshops, palestras, feiras e debates sobre justiça climática e sustentabilidade, priorizando a democratização do acesso a discussões políticas.

 

Na Green Zone, o público também pode trazer ideias e pautas a favor da justiça climática e compartilhar conhecimento com outros grupos. O pavilhão terá temas fixos de debate como financiamento climático, inovação, biodiversidade, tecnologias limpas e juventude. As pautas fixas ajudam no fluxo dos debates e nas tomadas de decisões coletivas.

 

Na última terça-feira, grupos indígenas ocuparam a blue zone em protesto a organização da COP 30, o grupo alega a exclusão dos grupos indígenas de discussões primordiais e de áreas privilegiadas e restritas ao público geral, onde estariam acontecendo os principais debates para decidir o futuro das políticas ambientais. O protesto não foi bem recebido pelas autoridades presentes na blue zone, que entraram em combate corpo a corpo com os manifestantes. 

 

Em entrevista ao jornal independente Cuida Criatura, o Pajé Nato Tupinambá, do baixo Tapajós, afirmou que o protesto simboliza uma reivindicação pela exploração na Amazônia. “Querem falar por nós, o branco quer decidir coisa por nós, nós não queremos isso, precisamos ser escutados, nós indígenas somos a resposta”.

 

Todas as decisões acordadas no evento irão guiar as próximas ações em favor da justiça climática no mundo, que passa por um aquecimento global alarmante, e que tem provocado uma série de desastres climáticos nas florestas e cidades, principalmente em regiões mais vulneráveis. Então, a COP se consolida como um movimento de resgate climático e de ajuda humanitária regido por lideranças globais. 

 

Mitigação e adaptação climática: entenda dois dos principais conceitos da COP30

Mitigação e adaptação climática: entenda dois dos principais conceitos da COP30

Conceitos têm sentidos diferentes e expressam necessidades distintas diante da crise climática

Por: Sofia Inerelli e Maria Luísa Fontes

 
                                Fonte: Ralf Vetterle/Pixabay – reprodução Agência Brasil
 

 

“Mudo uma planta de lugar.” O gesto eternizado na voz de Cássia Eller nos anos 90 como símbolo de mudança e ajustes ganha um sentido atual no contexto da crise climática. Já não se trata apenas de mudar a planta de lugar – é preciso reconfigurar todo o sistema em que ela cresce. Adaptação climática é um dos conceitos centrais da 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, a COP 30, que acontece em novembro em Belém do Pará. 

A Meta Global de Adaptação às Mudanças Climáticas foi um dos tópicos do Acordo de Paris criado em 2015 na COP 21. A proposta é fortalecer a adaptação para diminuir a vulnerabilidade dos seres vivos diante das mudanças no clima que já estão em andamento. É uma forma de buscar soluções diante de um mundo cada vez mais quente. Significa ajustar a vida humana, animal e vegetal de acordo com as mudanças climáticas atuais ou que ainda irão acontecer. Ela tem a finalidade de reduzir a exposição e a vulnerabilidade dos seres vivos frente aos efeitos do clima intensificados pelos próprios humanos. 

 

Já a mitigação é uma estratégia cujo foco é limitar as emissões de gases de efeito estufa (GEE) para reduzir o aquecimento global. Ou seja, é o trabalho para reduzir problemas já em andamento. 

Para o professor de Ecologia da UFRJ Rodrigo Tardin, nesse momento a mitigação é mais urgente. “Mas, ao mesmo tempo que a gente está fazendo estratégias, unindo esforços para mitigar, a gente também pode ir adaptando”. O pesquisador considera que uma das melhores maneiras de mitigar é através dos manguezais, vegetação comum no Hemisfério Sul, nos quais captam cinco a seis vezes mais carbono que florestas tropicais. Ele ainda aponta que há muito preconceito por parte da sociedade, que enxerga o organismo como poluído – devido ao seu cheiro forte -, o que dificulta a mobilização para proteger esse ecossistema.

 

Tardin destaca três cenários possíveis para os resultados das estratégias de mitigação climática. O primeiro cenário é descrito como otimista, pois conseguiria de fato reduzir o aumento da temperatura média global a 1,5°C. O cenário intermediário é uma previsão de que, até 2050, a produção dos gases GEE irá crescer mas, a partir desse momento, a sociedade vai mudar seu rumo e começar a reduzir as emissões. E o terceiro cenário apresentado pelo professor é pessimista: “Apesar de todos os esforços que existem, ninguém se mudou, ninguém se tocou para mitigar”. É o mundo em que a sociedade permaneceria em total dependência dos combustíveis fósseis.

 

Nesse cenário, criar um plano de adaptação climática torna-se extremamente essencial. Segundo o relatório de 2025 da Transparência Internacional-Brasil, apenas um em cada oito municípios brasileiros conta com um plano de adaptação climática. Tardim destaca que na última década, o país enfrentou diversos desequilíbrios ambientais como a invasão do mar na orla da Zona Sul carioca e as enchentes que deixaram dezenas de mortos no Rio Grande do Sul.

As estratégias de adaptação climática devem ocorrer tanto na esfera federal, quanto na estadual e municipal. O programa do governo federal Novo Brasil, que é um Plano de Transformação Ecológicas, divulgou 150 resultados dos 250 propostos desde sua criação em 2023. Dentre eles, destaca-se a construção de usinas eólicas; o Programa Cidades Verdes e Resilientes, que procura aumentar a resiliência e a qualidade ambiental das cidades no combate às mudanças climáticas; o Plano Nacional da Defesa Civil, que apresenta diretrizes para redução de riscos na gestão de desastres naturais; e o Plano Clima, que envolve a redução das emissões de GEE e a adaptação aos impactos das mudanças climáticas.  

Entretanto, não cabe somente ao governo pensar nas estratégias de mitigação e adaptação climática. A sociedade também precisa se mobilizar no combate às mudanças no clima. O site do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima criou uma consulta participativa sobre o tema. “O governo tem que estabelecer as diretrizes, ao mesmo tempo que as pessoas têm que dar as opiniões e fazer as ações também”, afirma Tardin. 

Adaptação e mitigação são estratégias cruciais rumo a uma mudança sistêmica. Isso vale para tudo: infraestrutura pública, decisões econômicas, políticas sociais. Só assim será possível enfrentar de fato os desafios da emergência climática: transformando o próprio sistema em que ela está inserida. 

Nos dez anos do Acordo de Paris, Brasil estabelece novas metas, e Estados Unidos preparam retirada

Nos dez anos do Acordo de Paris, Brasil estabelece novas metas, e Estados Unidos preparam retirada

Assunto será tema de discussão na Cop 30 em Belém do Pará em novembro

Por: Maria Eduarda Galdino

                  Presidente Lula e António Guterres na reunião do G20 Brasil. Foto: Ricardo Stuckert/ Agência Brasil.
 

 

O Acordo de Paris, tratado internacional feito para combater as mudanças climáticas e o aquecimento global, completará dez anos de existência em dezembro deste ano. O acordo foi firmado na 21ª Conferência das Partes, a Cop 21, em Paris, França, em 2015, e foi assinado por 194 países. Um dos principais objetivos do acordo é manter o aquecimento global abaixo de 2ºC e limitar o crescimento em até 1,5ºC. 

Para combater o aquecimento global, os países signatários do acordo devem prestar contas das ações/metas para diminuir as emissões dos gases de efeito estufa. Essas ações são estabelecidas pela Contribuição Nacionalmente Determinada, também conhecida como NDC. Essas metas são apresentadas a cada cinco anos e devem progredir de forma mais ambiciosa acerca do relatório anterior.

Além das NDCs, existem as estratégias de desenvolvimento de longo prazo com baixas emissões de gases do efeito estufa (LT-LEDS). Segundo a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre o Clima (UNFCCC), as LT-LEDS estabelecem metas de longo alcance para as NDCs, a fim de que os países possam estipular metas de desenvolvimentos duradouras.  

O governo brasileiro apresentou sua nova NDC em novembro de 2024 chamada de Plano Clima. Entre os objetivos estão as ações para reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 53% até 2030 e zerar as emissões líquidas até 2050. Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, essas ações significam um equilíbrio entre as emissões e as remoções de gases da atmosfera por parte do Brasil.

O governo brasileiro pretende apresentar uma meta ainda mais ambiciosa antes da 30ª Conferência do Clima da ONU, a Cop30, que será em Belém do Pará em novembro.  As outras partes signatárias do acordo ainda precisam apresentar suas NDCs, mas até agora, apenas 54 países estão de acordo com o prazo combinado para a entrega das metas à ONU. Isso representa um atraso, já que 195 partes assinaram o Acordo de Paris.  

Em entrevista à Agenc,  Janaína Pinto, doutoranda em Ciência Política e integrante do Observatório interdisciplinar de mudanças climáticas, centro de pesquisas sobre mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável, Janaína Pinto, afirmou que atualmente o maior problema ambiental que o Brasil enfrenta é o desmatamento. É o que a comunidade científica climática internacional chama de mudança no uso da terra, uma categoria que engloba. Além do desmatamento, existem outros fatores problemáticos como a devastação florestal. “Juntando o desmatamento com as emissões por agricultura e por agropecuária, nós temos mais de 2/3 das emissões brasileiras devidas a esse tipo de processo econômico”, disse. 

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o desmatamento na Amazônia cresceu 8,4% entre agosto de 2024 e junho de 2025. A causa do aumento está nos episódios atípicos de incêndio florestal registrados pelo satélite no início do período seco. O estudo também registra uma queda de 22,51% de desmatamento no Cerrado em relação à pesquisa do ano anterior. Enquanto isso, o governo federal aprova  R$ 850 milhões de reais do Fundo Amazônia, para fortalecer as ações de fiscalização ambiental para o controle de desmatamento na Amazônia. 




Acordo de Paris sem os EUA 

Os Estados Unidos, um dos países com maior influência e financiamento climático do mundo, já saíram do Acordo de Paris pela segunda vez. Essa foi uma das primeiras medidas do atual presidente Donald Trump, anunciada no dia da sua posse, em janeiro de 2025. A saída deve se concretizar no ano que vem.  Essa não é a primeira vez que Trump afirma sua posição contra os pactos globais a favor do clima. No seu primeiro mandato em 2017, Trump também havia anunciado a saída dos EUA do Acordo de Paris, meses depois de assumir a presidência. Para Janaína Pinto, Trump utiliza o discurso de negacionismo para sustentar suas ações contra os pactos globais. “Ele afirma que, para que ele possa cuidar da economia nacional, ele precisa ser climaticamente irresponsável. Isso não é verdade. Ele precisa modificar a economia dos Estados Unidos”, disse.

Segundo a especialista, essas ações contra as políticas de combate às mudanças climáticas fazem parte da agenda de uma extrema direita que pretende acabar com o multilateralismo. Em sua avaliação, a instabilidade nos Estados Unidos ganha uma projeção internacional por conta da grande influência e financiamento que o país mantém sobre outros países. “Não apenas ele (Trump) se retira da mesa de negociação e coloca em risco os acordos financeiros necessários, ele tira a carteira dos Estados Unidos da mesa de negociação e compromete a carteira das outras partes”. 

 Segundo Janaína, os Estados Unidos têm criado instabilidades nos acordos internacionais desde 2024, na 29ª Conferência das partes no Azerbaijão. Trump já tinha vencido as eleições de 2024 antes da reunião do Acordo de Paris, o que causou incerteza sobre as promessas feitas pelos negociadores do governo Biden. “Não ficou estabelecido de onde sairia esse dinheiro, quem administraria o dinheiro. Justamente porque faltavam peças naquela mesa de negociação, porque o futuro estava incerto devido a essa oscilação de um ator tão importante como os Estados Unidos”.

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Pesquisa  mostra opinião de brasileiros sobre o Brasil e aponta desafios para não reforçar estereótipos

Por: Sofia Inerelli

Manaus (AM), 29/11/2024 – Reserva florestal Adolpho Ducke, do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA), onde se localiza o Museu da Amazônia (MUSA). Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

 

De um lado, um Brasil em que se destacam a hospitalidade, o turismo e a natureza; de outro, um país onde há racismo, desigualdade, violência e exploração ilegal de sua biodiversidade. É essa a imagem do Brasil que aparece numa pesquisa realizada pela Comissão Temática de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, órgão integrante do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS) da Presidência da República do Brasil. Os resultados foram apresentados no Rio Innovation Week (RIW), em agosto de 2025, no Rio de Janeiro.

A pesquisa foi encomendada em 2023, como parte do investimento em imagem e reputação do Brasil no ano em que vai sediar a COP30, a Conferência do Clima das Nações Unidas. Foram ouvidas 3.357 pessoas em todo o país. Entre os entrevistados estavam os integrantes do CDESS, especialistas em Brasil, lideranças de vários setores e cidadãos comuns. Algumas figuras de destaque presentes na pesquisa foram o cantor e compositor Gilberto Gil, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e o escritor Ailton Krenak, primeiro indígena a integrar a Academia Brasileira de Letras.

Os autores do trabalho são Jeanine Pires, Lourenço Bustani, Marcel Fukayama, Victor Cremasco, Fabio Issao, Debora Emm e Túlio Custódio. O grupo apresentou os resultados e destacou que buscou escutar diferentes públicos estratégicos para garantir uma abordagem ampla e representativa do Brasil. Segundo os autores do trabalho, a ideia da pesquisa era “levantar um espelho” com o intuito de provocar reflexões nas lideranças e na população brasileira, em relação a como se enxergam e aos caminhos possíveis e promissores para recompor sua identidade.

 

Ao ser questionado sobre a possibilidade de o estudo se tornar uma propaganda do Brasil, Túlio Custódio, colaborador da pesquisa, afirmou que essa era uma preocupação real de seus idealizadores. Mas diz que o trabalho não é um marketing para higienizar a imagem do Brasil e sim propor caminhos para que o país construa uma imagem alinhada aos desafios internos e também globais. E para que a sociedade brasileira e entidades internacionais possam compreender melhor a identidade da nação e o que pode vir a se tornar. 

O trabalho chama atenção para percepções muitas vezes limitadas sobre o Brasil. Destaca, por exemplo, que enxergar o país como um lugar voltado à diversão acaba fazendo com que seja associado à falta de seriedade — e, consequentemente, à incapacidade de discutir e resolver questões mais complexas. A pesquisa também mostra que, embora seja legítima a necessidade de mudanças em diversos aspectos estruturais, parte da população brasileira tende a não valorizar as conquistas já alcançadas no país, passando a enaltecer tudo o que é considerado superior em outras nações. Essa postura acaba por reforçar o chamado “complexo de vira-lata”, alerta estudo.

 

A esperança do brasileiro foi outro ponto destacado pelo projeto. Apesar dos persistentes desafios históricos, os brasileiros ainda têm expectativa de que um dia, o Brasil será melhor. A pesquisa revelou também uma tendência de mudança no significado dessa esperança, saindo da ideia de promessa de transformação para a de um país protagonista no cenário mundial.

Entre os atributos positivos do país, os entrevistados apontaram a potência socioambiental; a  simbiose entre o território, as pessoas e as culturas; a habilidade na diplomacia, a capacidade de diálogo e força da ação coletiva, demonstrada em momentos de tragédia ou na organização de trabalho cooperativo.

Outros exemplos que reforçam a compreensão de que o país “já é”, em vez de “um dia será”, são os alguns projetos e espaços de excelência, como o SUS, tecnologias financeiras como o PIX, os biocombustíveis e o uso de matrizes energéticas sustentáveis. 

A pesquisa também apresentou recomendações estratégicas para a COP 30. Os especialistas destacaram que a COP 29 gerou um sentimento generalizado de decepção e falta de compromisso por parte da comunidade internacional. Nesse contexto, o Brasil terá em 2025 uma oportunidade decisiva de liderar uma “COP da virada”, capaz de responder de forma concreta e urgente à crise climática. 

Quer ser voluntário da COP30?

Quer ser voluntário da COP30?

Edital oferece novas vagas para quem quiser ajudar na realização da Conferência do Clima,  que será realizada em em novembro deste ano em Belém 

Por: Maria Luísa Moura

 

Belém (PA), 06/06/2025 – Rio Guamá e a cidade de Belém ao fundo. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) liberou dia 26/06 o segundo edital para selecionar interessados no programa de voluntariado do evento. As inscrições começaram dia 1° de julho e terminam dia 11 do mesmo mês. 

Os voluntários selecionados serão responsáveis pela recepção dos convidados, pelo auxílio no credenciamento, pelo suporte logístico, dentre outras atribuições gerais. Os selecionados no primeiro edital já estão em fase  de capacitação. Ao todo, serão escolhidos 3.946 voluntários.

 Eles não recebem pagamento, mas terão alguns benefícios:

  • Alimentação e espaço próprio para se alimentar;
  • Livre circulação em transporte coletivo ou próprio do evento;
  • Uniforme completo e acessórios de identificação da Conferência;
  • Seguro de vida, ao serem contratados pela SECTET (Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia, Educação Superior, Profissional e Tecnológica do Pará) .

Veja os pré-requisitos para quem quiser se candidatar:

  • Residir na região metropolitana de Belém (PA);
  • Boa comunicação, habilidade para trabalhar em equipe, proatividade, organização e capacidade de resolver problemas;
  • Experiência prévia em atendimento público ou organização de eventos;
  • Conhecimento da língua inglesa, com comprovação de teste de proficiência;
  • Disponibilidade para atuar nos horários específicos da COP 30;
  • Ter, no mínimo, 16 anos (menores de idade precisam ser formalmente autorizados a participar através de um Termo de Adesão assinado pelos responsáveis legais);
  • Nível de escolaridade: ao menos Ensino Médio completo ou em andamento.

Além desses requisitos, o candidato deverá passar por duas etapas antes de ser escolhido: o recrutamento e a seleção. A primeira parte envolve uma análise de currículo e das conexões dos candidatos com temas e das atividades abordados à COP 30, como mudanças climáticas, desenvolvimento sustentável, a ONU, a Conferência das Partes para a Mudança do Clima e turismo. Em seguida, os voluntários em melhor classificação passam pelo cadastro de checagem do governo federal e, caso sejam aprovados, são contratados e direcionados de acordo ao seu perfil de atuação. 

Segundo o edital, 400 vagas estão reservadas a candidatos de 16 e 17 anos, sempre para atuação no período diurno; 5% das vagas irão para pessoas com deficiência e 20% para integrantes de povos originários.

As inscrições são feitas apenas pelo link da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia, Educação Superior, Profissional e Tecnológica do Pará: www.sectet.pa.gov.br. O candidato deverá preparar os seguintes documentos:

  • RG;
  • CPF;
  • Comprovante de residência;
  • Título de Eleitor e declaração de quitação da Justiça Eleitoral;
  • Certificado de reservista ou Dispensa de Incorporação, para candidatos do sexo masculino;
  • Documento(s) de comprovação de escolaridade:
  1. Nível Médio: Certificado ou comprovante de matrícula;
  2. Graduação em andamento: comprovante de matrícula válido;
  3. Graduação: Diploma.
  • Currículo Lattes/Vitae do candidato;
  • Certidão Negativa de Antecedentes Criminais.

Para mais informações, acesse o edital do Processo Seletivo: https://www.sectet.pa.gov.br/sites/default/files/EDITAL%20COMPLEMENTAR%20N%C2%B0%20007.2025_SELE%C3%87%C3%83O%20DE%20VOLUNT%C3%81RIOS%20PARA%20ATUAR%20NA%20COP30_26.06.2025%20%281%29_0.pdf