Conheça o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, projeto encabeçado pelo Brasil que ganhou espaço na COP 30

Conheça o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, projeto encabeçado pelo Brasil que ganhou espaço na COP 30

Programa foi anunciado na Cúpula dos Líderes em Belém e vai reunir recursos doados pelos países mais ricos para financiar ações de conservação das florestas

Por: Maria Eduarda Galdino

 
                                      

O Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF na sigla em inglês), programa criado pelo governo brasileiro, propõe oferecer financiamento para países que se comprometeram a conservar suas florestas tropicais. É uma forma de estimular esses países a continuar essa proteção. As florestas colaboram para a estabilidade da temperatura global, a preservação da vida humana e animal.A ideia é que, para cada dólar investido pelos países apoiadores, a iniciativa privada entre com 4 dólares. Através de empresas, fundações, governos e outras fontes, as florestas tropicais podem adquirir um financiamento estável por muitos anos.


O TFFF é diferente dos projetos de investimentos a favor da justiça climática já estabelecidos anteriormente. Como por exemplo, os mercados de carbono, que recompensam os países por poluírem menos com as emissões de CO2. O TFFF valoriza as florestas de pé, preservada e cuidada.Antes da COP 30 em Belém do Pará, apenas cinco países faziam parte do lado investidor do fundo: Colômbia, República do Congo, Indonésia, Gana e Malásia. No total, mais de 74 países que possuem florestas poderão receber partes do TFFF, para que o dinheiro possa ser investido em proteção aos biomas. 

 

Com as negociações da COP 30, mais países se comprometeram a financiar o projeto e o montante total já soma US$6,5 bilhões de dólares. A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, anunciou nesta quarta-feira (19), que o governo da Alemanha anunciou um investimento de 1 bilhão de euros. Além disso, durante a Cúpula do Clima em Belém, dias antes da COP 30, Noruega, França e Portugal anunciaram que vão participar.



O Brasil mantém o seu compromisso como criador e investidor do Fundo com US$1 bilhão de dólares. O presidente Lula afirmou que a iniciativa, liderada por um dos países do Sul Global, é inédita e focada nas florestas. Segundo o governo federal, o monitoramento de conservação será feito via satélite, com padronização internacional e dados públicos. O financiamento também pretende designar 20% do valor dos pagamentos aos povos indígenas e outros povos nativos. Um dos desafios é assegurar que o dinheiro do TFFF chegue de fato às comunidades tradicionais – a promessa é que pelo menos 20% dos investimentos vá para os povos indígenas, mas eles reivindicam um percentual maior. 



 

Brasil aprova exploração de petróleo na Foz do Amazonas às vésperas da COP30

Brasil aprova exploração de petróleo na Foz do Amazonas às vésperas da COP30

Pesquisadores e cientistas alertam para riscos ambientais e necessidade de investir em fontes energéticas renováveis 

Por: Sofia Inerelli 

 
                                      Embarcação petrolífera em mar aberto – Foto: César Fernandes – Agência Brasil

Após quase 40 anos desde o início da exploração de petróleo na Província Petrolífera de Urucu, a maior reserva terrestre de petróleo e gás natural do país, o Ibama autorizou a perfuração na bacia da Foz do Amazonas, localizada na Margem Equatorial, região estratégica para reposição de reservas. A decisão foi tomada 21 dias antes da COP 30, Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, o que provocou muitas críticas ao Brasil.

Explorações como a de Urucu e a da Foz do Amazonas são arriscadas, pois podem gerar grandes estragos no meio ambiente e as comunidades que dependem dele para sobreviver. Segundo o Instituto Internacional Arayara, a decisão do Ibama põe em risco 78% da biodiversidade amazônica, 2,7 milhões de indígenas e 10 milhões de hectares de floresta. O Arayara aponta ainda, entre os prejuízos, a poluição das águas, prejudicando a vida marinha, incluindo por poluição sonora e vazamentos de navios-tanques. Trata-se de uma região com correntes marítimas muito fortes, o que aumenta o risco de acidentes tanto durante a perfuração quanto na fase de produção.

 

Essa região concentra cerca de 80% de todos os manguezais do Brasil, incluindo o maior cinturão contínuo de manguezais do mundo, entre os litorais do Pará e do Maranhão. Esses ecossistemas desempenham um papel fundamental na captura e armazenamento de carbono, contribuindo diretamente para o enfrentamento das mudanças climáticas.

Além disso, a área possui grande relevância ecológica por ser uma zona de reprodução de diversas espécies marinhas e terrestres. Qualquer perturbação causada por atividades de perfuração pode comprometer esses processos naturais, tornando a exploração de petróleo na região ainda mais delicada e arriscada. Com a volta de um novo projeto para explorar petróleo na Amazônia, o Brasil demonstra que ainda não está disposto a romper completamente com fontes energéticas não renováveis. 

Luis Pazos administrador no BNDES alerta para os impactos que o projeto de exploração de petróleo pode causar sobre a população que habita aquele território: “O que acontece no entorno desse porto, que vai trazer mais carros, que vai trazer mais caminhões, que vai trazer mais gente? Como é que fica isso, quando a gente tem uma construção nova, que naturalmente atrai mais mão de obra, e essa mão de obra atraída tem um reflexo imediato naquele território?”, indaga.

Como solução, ele propõe uma agenda de desenvolvimento junto com indígenas, quilombolas e pescadores que vivem e sobrevivem da região. 

Durante a palestra “Foz do Amazonas: redução de danos”, ocorrida durante a Rio Ocean Week, o pesquisador Flavio Torres, do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás, afirmou que o Brasil não pode deixar de ter autonomia sobre sua produção energética, pois pode acabar sendo controlado por outros países. Na avaliação dele, esse seria um dos argumentos em defesa da exploração de petróleo na região. Torres disse que a dependência de fontes de energia externas compromete a soberania dos países e impacta diretamente a vida da população, sobretudo devido ao aumento dos preços dos combustíveis.

A Petrobras já afirmou que a produção nacional deve atingir seu pico em 2029 ou 2030 e depois começar a declinar. Mesmo que amenize o problema envolvendo a independência energética, o petróleo não é um recurso renovável, o que significa que em algum momento terminará. Pesquisadores e cientistas têm estimulado a busca de soluções energéticas com menos riscos e renováveis. 

O Brasil já tem produzido biocombustíveis para cada vez menos precisar dos combustíveis fósseis. De acordo com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), 93% da energia gerada em 2023 foi de fontes renováveis. 

 

Descomplicando a COP: saiba o que são as Blue e Green Zone 

Descomplicando a COP: saiba o que são as Blue e Green Zone

As zonas vão ser palco das principais discussões sobre clima, meio ambiente e demais acordos na COP 30

Por: Maria Eduarda Galdino

             Fachada do pavilhão da Cop 30 em Belém do Pará (PA). Foto: Agência Brasil/ Bruno Peres

 

A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP, iniciou a cerimônia de abertura na última segunda-feira (10) em Belém do Pará- PA. O evento reúne mais de 200 lideranças de todo mundo para discutir sobre mudanças climáticas, financiamento climático, redução das emissões e implementação das NDCs por 12 dias. A estrutura do evento foi dividida em duas áreas: a Blue Zone e a Green Zone.

 

A Blue zone (zona azul) é o espaço mais restrito da COP, é onde ocorrem as negociações oficiais, grupos de trabalho (GT) e sessões plenárias. Nessa área, representantes oficiais dos países estão apresentando pautas em favor da justiça climática, financiamentos e acordos para a tomada de decisões que se transformarão em compromissos globais que irão surtir impacto direto na vida dos cidadãos. Os debates são assistidos por organizações observadoras.

 

Os negociadores, que estão representando os países, são divididos em grupos e participam de reuniões em salas temáticas para discutir os artigos do Acordo de Paris. As organizações observadoras também são divididas: agências especializadas da ONU, organizações intergovernamentais e organizações não-governamentais.  Ao final das reuniões, cada grupo deve entregar uma proposta que estará presente no documento final da COP 30.

 

Esses documentos possuem certas exigências, cada grupo deve elaborar um texto que analise os avanços de metas já estabelecidas em outros encontros. Além disso, também é obrigatória a discussão sobre a eliminação do uso de combustíveis fósseis, analisar a atual situação de áreas/ países mais vulneráveis afetados por mudanças climáticas e estratégias de adaptação às mudanças climáticas que atingem florestas e cidades. 



    Globo terrestre no pavilhão blue zone COP 30 Belém, Pará (PA). Foto: Agência Brasil

 

Já a Green Zone (zona verde), é um espaço mais acessível e destinado à sociedade civil, Organizações Não Governamentais (ONGs), movimentos sociais e instituições acadêmicas. A Green zone também possui workshops, palestras, feiras e debates sobre justiça climática e sustentabilidade, priorizando a democratização do acesso a discussões políticas.

 

Na Green Zone, o público também pode trazer ideias e pautas a favor da justiça climática e compartilhar conhecimento com outros grupos. O pavilhão terá temas fixos de debate como financiamento climático, inovação, biodiversidade, tecnologias limpas e juventude. As pautas fixas ajudam no fluxo dos debates e nas tomadas de decisões coletivas.

 

Na última terça-feira, grupos indígenas ocuparam a blue zone em protesto a organização da COP 30, o grupo alega a exclusão dos grupos indígenas de discussões primordiais e de áreas privilegiadas e restritas ao público geral, onde estariam acontecendo os principais debates para decidir o futuro das políticas ambientais. O protesto não foi bem recebido pelas autoridades presentes na blue zone, que entraram em combate corpo a corpo com os manifestantes. 

 

Em entrevista ao jornal independente Cuida Criatura, o Pajé Nato Tupinambá, do baixo Tapajós, afirmou que o protesto simboliza uma reivindicação pela exploração na Amazônia. “Querem falar por nós, o branco quer decidir coisa por nós, nós não queremos isso, precisamos ser escutados, nós indígenas somos a resposta”.

 

Todas as decisões acordadas no evento irão guiar as próximas ações em favor da justiça climática no mundo, que passa por um aquecimento global alarmante, e que tem provocado uma série de desastres climáticos nas florestas e cidades, principalmente em regiões mais vulneráveis. Então, a COP se consolida como um movimento de resgate climático e de ajuda humanitária regido por lideranças globais. 

 

Mitigação e adaptação climática: entenda dois dos principais conceitos da COP30

Mitigação e adaptação climática: entenda dois dos principais conceitos da COP30

Conceitos têm sentidos diferentes e expressam necessidades distintas diante da crise climática

Por: Sofia Inerelli e Maria Luísa Fontes

 
                                Fonte: Ralf Vetterle/Pixabay – reprodução Agência Brasil
 

 

“Mudo uma planta de lugar.” O gesto eternizado na voz de Cássia Eller nos anos 90 como símbolo de mudança e ajustes ganha um sentido atual no contexto da crise climática. Já não se trata apenas de mudar a planta de lugar – é preciso reconfigurar todo o sistema em que ela cresce. Adaptação climática é um dos conceitos centrais da 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, a COP 30, que acontece em novembro em Belém do Pará. 

A Meta Global de Adaptação às Mudanças Climáticas foi um dos tópicos do Acordo de Paris criado em 2015 na COP 21. A proposta é fortalecer a adaptação para diminuir a vulnerabilidade dos seres vivos diante das mudanças no clima que já estão em andamento. É uma forma de buscar soluções diante de um mundo cada vez mais quente. Significa ajustar a vida humana, animal e vegetal de acordo com as mudanças climáticas atuais ou que ainda irão acontecer. Ela tem a finalidade de reduzir a exposição e a vulnerabilidade dos seres vivos frente aos efeitos do clima intensificados pelos próprios humanos. 

 

Já a mitigação é uma estratégia cujo foco é limitar as emissões de gases de efeito estufa (GEE) para reduzir o aquecimento global. Ou seja, é o trabalho para reduzir problemas já em andamento. 

Para o professor de Ecologia da UFRJ Rodrigo Tardin, nesse momento a mitigação é mais urgente. “Mas, ao mesmo tempo que a gente está fazendo estratégias, unindo esforços para mitigar, a gente também pode ir adaptando”. O pesquisador considera que uma das melhores maneiras de mitigar é através dos manguezais, vegetação comum no Hemisfério Sul, nos quais captam cinco a seis vezes mais carbono que florestas tropicais. Ele ainda aponta que há muito preconceito por parte da sociedade, que enxerga o organismo como poluído – devido ao seu cheiro forte -, o que dificulta a mobilização para proteger esse ecossistema.

 

Tardin destaca três cenários possíveis para os resultados das estratégias de mitigação climática. O primeiro cenário é descrito como otimista, pois conseguiria de fato reduzir o aumento da temperatura média global a 1,5°C. O cenário intermediário é uma previsão de que, até 2050, a produção dos gases GEE irá crescer mas, a partir desse momento, a sociedade vai mudar seu rumo e começar a reduzir as emissões. E o terceiro cenário apresentado pelo professor é pessimista: “Apesar de todos os esforços que existem, ninguém se mudou, ninguém se tocou para mitigar”. É o mundo em que a sociedade permaneceria em total dependência dos combustíveis fósseis.

 

Nesse cenário, criar um plano de adaptação climática torna-se extremamente essencial. Segundo o relatório de 2025 da Transparência Internacional-Brasil, apenas um em cada oito municípios brasileiros conta com um plano de adaptação climática. Tardim destaca que na última década, o país enfrentou diversos desequilíbrios ambientais como a invasão do mar na orla da Zona Sul carioca e as enchentes que deixaram dezenas de mortos no Rio Grande do Sul.

As estratégias de adaptação climática devem ocorrer tanto na esfera federal, quanto na estadual e municipal. O programa do governo federal Novo Brasil, que é um Plano de Transformação Ecológicas, divulgou 150 resultados dos 250 propostos desde sua criação em 2023. Dentre eles, destaca-se a construção de usinas eólicas; o Programa Cidades Verdes e Resilientes, que procura aumentar a resiliência e a qualidade ambiental das cidades no combate às mudanças climáticas; o Plano Nacional da Defesa Civil, que apresenta diretrizes para redução de riscos na gestão de desastres naturais; e o Plano Clima, que envolve a redução das emissões de GEE e a adaptação aos impactos das mudanças climáticas.  

Entretanto, não cabe somente ao governo pensar nas estratégias de mitigação e adaptação climática. A sociedade também precisa se mobilizar no combate às mudanças no clima. O site do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima criou uma consulta participativa sobre o tema. “O governo tem que estabelecer as diretrizes, ao mesmo tempo que as pessoas têm que dar as opiniões e fazer as ações também”, afirma Tardin. 

Adaptação e mitigação são estratégias cruciais rumo a uma mudança sistêmica. Isso vale para tudo: infraestrutura pública, decisões econômicas, políticas sociais. Só assim será possível enfrentar de fato os desafios da emergência climática: transformando o próprio sistema em que ela está inserida. 

Nos dez anos do Acordo de Paris, Brasil estabelece novas metas, e Estados Unidos preparam retirada

Nos dez anos do Acordo de Paris, Brasil estabelece novas metas, e Estados Unidos preparam retirada

Assunto será tema de discussão na Cop 30 em Belém do Pará em novembro

Por: Maria Eduarda Galdino

                  Presidente Lula e António Guterres na reunião do G20 Brasil. Foto: Ricardo Stuckert/ Agência Brasil.
 

 

O Acordo de Paris, tratado internacional feito para combater as mudanças climáticas e o aquecimento global, completará dez anos de existência em dezembro deste ano. O acordo foi firmado na 21ª Conferência das Partes, a Cop 21, em Paris, França, em 2015, e foi assinado por 194 países. Um dos principais objetivos do acordo é manter o aquecimento global abaixo de 2ºC e limitar o crescimento em até 1,5ºC. 

Para combater o aquecimento global, os países signatários do acordo devem prestar contas das ações/metas para diminuir as emissões dos gases de efeito estufa. Essas ações são estabelecidas pela Contribuição Nacionalmente Determinada, também conhecida como NDC. Essas metas são apresentadas a cada cinco anos e devem progredir de forma mais ambiciosa acerca do relatório anterior.

Além das NDCs, existem as estratégias de desenvolvimento de longo prazo com baixas emissões de gases do efeito estufa (LT-LEDS). Segundo a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre o Clima (UNFCCC), as LT-LEDS estabelecem metas de longo alcance para as NDCs, a fim de que os países possam estipular metas de desenvolvimentos duradouras.  

O governo brasileiro apresentou sua nova NDC em novembro de 2024 chamada de Plano Clima. Entre os objetivos estão as ações para reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 53% até 2030 e zerar as emissões líquidas até 2050. Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, essas ações significam um equilíbrio entre as emissões e as remoções de gases da atmosfera por parte do Brasil.

O governo brasileiro pretende apresentar uma meta ainda mais ambiciosa antes da 30ª Conferência do Clima da ONU, a Cop30, que será em Belém do Pará em novembro.  As outras partes signatárias do acordo ainda precisam apresentar suas NDCs, mas até agora, apenas 54 países estão de acordo com o prazo combinado para a entrega das metas à ONU. Isso representa um atraso, já que 195 partes assinaram o Acordo de Paris.  

Em entrevista à Agenc,  Janaína Pinto, doutoranda em Ciência Política e integrante do Observatório interdisciplinar de mudanças climáticas, centro de pesquisas sobre mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável, Janaína Pinto, afirmou que atualmente o maior problema ambiental que o Brasil enfrenta é o desmatamento. É o que a comunidade científica climática internacional chama de mudança no uso da terra, uma categoria que engloba. Além do desmatamento, existem outros fatores problemáticos como a devastação florestal. “Juntando o desmatamento com as emissões por agricultura e por agropecuária, nós temos mais de 2/3 das emissões brasileiras devidas a esse tipo de processo econômico”, disse. 

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o desmatamento na Amazônia cresceu 8,4% entre agosto de 2024 e junho de 2025. A causa do aumento está nos episódios atípicos de incêndio florestal registrados pelo satélite no início do período seco. O estudo também registra uma queda de 22,51% de desmatamento no Cerrado em relação à pesquisa do ano anterior. Enquanto isso, o governo federal aprova  R$ 850 milhões de reais do Fundo Amazônia, para fortalecer as ações de fiscalização ambiental para o controle de desmatamento na Amazônia. 




Acordo de Paris sem os EUA 

Os Estados Unidos, um dos países com maior influência e financiamento climático do mundo, já saíram do Acordo de Paris pela segunda vez. Essa foi uma das primeiras medidas do atual presidente Donald Trump, anunciada no dia da sua posse, em janeiro de 2025. A saída deve se concretizar no ano que vem.  Essa não é a primeira vez que Trump afirma sua posição contra os pactos globais a favor do clima. No seu primeiro mandato em 2017, Trump também havia anunciado a saída dos EUA do Acordo de Paris, meses depois de assumir a presidência. Para Janaína Pinto, Trump utiliza o discurso de negacionismo para sustentar suas ações contra os pactos globais. “Ele afirma que, para que ele possa cuidar da economia nacional, ele precisa ser climaticamente irresponsável. Isso não é verdade. Ele precisa modificar a economia dos Estados Unidos”, disse.

Segundo a especialista, essas ações contra as políticas de combate às mudanças climáticas fazem parte da agenda de uma extrema direita que pretende acabar com o multilateralismo. Em sua avaliação, a instabilidade nos Estados Unidos ganha uma projeção internacional por conta da grande influência e financiamento que o país mantém sobre outros países. “Não apenas ele (Trump) se retira da mesa de negociação e coloca em risco os acordos financeiros necessários, ele tira a carteira dos Estados Unidos da mesa de negociação e compromete a carteira das outras partes”. 

 Segundo Janaína, os Estados Unidos têm criado instabilidades nos acordos internacionais desde 2024, na 29ª Conferência das partes no Azerbaijão. Trump já tinha vencido as eleições de 2024 antes da reunião do Acordo de Paris, o que causou incerteza sobre as promessas feitas pelos negociadores do governo Biden. “Não ficou estabelecido de onde sairia esse dinheiro, quem administraria o dinheiro. Justamente porque faltavam peças naquela mesa de negociação, porque o futuro estava incerto devido a essa oscilação de um ator tão importante como os Estados Unidos”.

Entre o protagonismo global e o complexo de vira-lata

Entre o protagonismo global e o complexo de vira-lata

Pesquisa  mostra opinião de brasileiros sobre o Brasil e aponta desafios para não reforçar estereótipos

Por: Sofia Inerelli

Manaus (AM), 29/11/2024 – Reserva florestal Adolpho Ducke, do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA), onde se localiza o Museu da Amazônia (MUSA). Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

 

De um lado, um Brasil em que se destacam a hospitalidade, o turismo e a natureza; de outro, um país onde há racismo, desigualdade, violência e exploração ilegal de sua biodiversidade. É essa a imagem do Brasil que aparece numa pesquisa realizada pela Comissão Temática de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, órgão integrante do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS) da Presidência da República do Brasil. Os resultados foram apresentados no Rio Innovation Week (RIW), em agosto de 2025, no Rio de Janeiro.

A pesquisa foi encomendada em 2023, como parte do investimento em imagem e reputação do Brasil no ano em que vai sediar a COP30, a Conferência do Clima das Nações Unidas. Foram ouvidas 3.357 pessoas em todo o país. Entre os entrevistados estavam os integrantes do CDESS, especialistas em Brasil, lideranças de vários setores e cidadãos comuns. Algumas figuras de destaque presentes na pesquisa foram o cantor e compositor Gilberto Gil, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e o escritor Ailton Krenak, primeiro indígena a integrar a Academia Brasileira de Letras.

Os autores do trabalho são Jeanine Pires, Lourenço Bustani, Marcel Fukayama, Victor Cremasco, Fabio Issao, Debora Emm e Túlio Custódio. O grupo apresentou os resultados e destacou que buscou escutar diferentes públicos estratégicos para garantir uma abordagem ampla e representativa do Brasil. Segundo os autores do trabalho, a ideia da pesquisa era “levantar um espelho” com o intuito de provocar reflexões nas lideranças e na população brasileira, em relação a como se enxergam e aos caminhos possíveis e promissores para recompor sua identidade.

 

Ao ser questionado sobre a possibilidade de o estudo se tornar uma propaganda do Brasil, Túlio Custódio, colaborador da pesquisa, afirmou que essa era uma preocupação real de seus idealizadores. Mas diz que o trabalho não é um marketing para higienizar a imagem do Brasil e sim propor caminhos para que o país construa uma imagem alinhada aos desafios internos e também globais. E para que a sociedade brasileira e entidades internacionais possam compreender melhor a identidade da nação e o que pode vir a se tornar. 

O trabalho chama atenção para percepções muitas vezes limitadas sobre o Brasil. Destaca, por exemplo, que enxergar o país como um lugar voltado à diversão acaba fazendo com que seja associado à falta de seriedade — e, consequentemente, à incapacidade de discutir e resolver questões mais complexas. A pesquisa também mostra que, embora seja legítima a necessidade de mudanças em diversos aspectos estruturais, parte da população brasileira tende a não valorizar as conquistas já alcançadas no país, passando a enaltecer tudo o que é considerado superior em outras nações. Essa postura acaba por reforçar o chamado “complexo de vira-lata”, alerta estudo.

 

A esperança do brasileiro foi outro ponto destacado pelo projeto. Apesar dos persistentes desafios históricos, os brasileiros ainda têm expectativa de que um dia, o Brasil será melhor. A pesquisa revelou também uma tendência de mudança no significado dessa esperança, saindo da ideia de promessa de transformação para a de um país protagonista no cenário mundial.

Entre os atributos positivos do país, os entrevistados apontaram a potência socioambiental; a  simbiose entre o território, as pessoas e as culturas; a habilidade na diplomacia, a capacidade de diálogo e força da ação coletiva, demonstrada em momentos de tragédia ou na organização de trabalho cooperativo.

Outros exemplos que reforçam a compreensão de que o país “já é”, em vez de “um dia será”, são os alguns projetos e espaços de excelência, como o SUS, tecnologias financeiras como o PIX, os biocombustíveis e o uso de matrizes energéticas sustentáveis. 

A pesquisa também apresentou recomendações estratégicas para a COP 30. Os especialistas destacaram que a COP 29 gerou um sentimento generalizado de decepção e falta de compromisso por parte da comunidade internacional. Nesse contexto, o Brasil terá em 2025 uma oportunidade decisiva de liderar uma “COP da virada”, capaz de responder de forma concreta e urgente à crise climática. 

Quer ser voluntário da COP30?

Quer ser voluntário da COP30?

Edital oferece novas vagas para quem quiser ajudar na realização da Conferência do Clima,  que será realizada em em novembro deste ano em Belém 

Por: Maria Luísa Moura

 

Belém (PA), 06/06/2025 – Rio Guamá e a cidade de Belém ao fundo. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) liberou dia 26/06 o segundo edital para selecionar interessados no programa de voluntariado do evento. As inscrições começaram dia 1° de julho e terminam dia 11 do mesmo mês. 

Os voluntários selecionados serão responsáveis pela recepção dos convidados, pelo auxílio no credenciamento, pelo suporte logístico, dentre outras atribuições gerais. Os selecionados no primeiro edital já estão em fase  de capacitação. Ao todo, serão escolhidos 3.946 voluntários.

 Eles não recebem pagamento, mas terão alguns benefícios:

  • Alimentação e espaço próprio para se alimentar;
  • Livre circulação em transporte coletivo ou próprio do evento;
  • Uniforme completo e acessórios de identificação da Conferência;
  • Seguro de vida, ao serem contratados pela SECTET (Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia, Educação Superior, Profissional e Tecnológica do Pará) .

Veja os pré-requisitos para quem quiser se candidatar:

  • Residir na região metropolitana de Belém (PA);
  • Boa comunicação, habilidade para trabalhar em equipe, proatividade, organização e capacidade de resolver problemas;
  • Experiência prévia em atendimento público ou organização de eventos;
  • Conhecimento da língua inglesa, com comprovação de teste de proficiência;
  • Disponibilidade para atuar nos horários específicos da COP 30;
  • Ter, no mínimo, 16 anos (menores de idade precisam ser formalmente autorizados a participar através de um Termo de Adesão assinado pelos responsáveis legais);
  • Nível de escolaridade: ao menos Ensino Médio completo ou em andamento.

Além desses requisitos, o candidato deverá passar por duas etapas antes de ser escolhido: o recrutamento e a seleção. A primeira parte envolve uma análise de currículo e das conexões dos candidatos com temas e das atividades abordados à COP 30, como mudanças climáticas, desenvolvimento sustentável, a ONU, a Conferência das Partes para a Mudança do Clima e turismo. Em seguida, os voluntários em melhor classificação passam pelo cadastro de checagem do governo federal e, caso sejam aprovados, são contratados e direcionados de acordo ao seu perfil de atuação. 

Segundo o edital, 400 vagas estão reservadas a candidatos de 16 e 17 anos, sempre para atuação no período diurno; 5% das vagas irão para pessoas com deficiência e 20% para integrantes de povos originários.

As inscrições são feitas apenas pelo link da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia, Educação Superior, Profissional e Tecnológica do Pará: www.sectet.pa.gov.br. O candidato deverá preparar os seguintes documentos:

  • RG;
  • CPF;
  • Comprovante de residência;
  • Título de Eleitor e declaração de quitação da Justiça Eleitoral;
  • Certificado de reservista ou Dispensa de Incorporação, para candidatos do sexo masculino;
  • Documento(s) de comprovação de escolaridade:
  1. Nível Médio: Certificado ou comprovante de matrícula;
  2. Graduação em andamento: comprovante de matrícula válido;
  3. Graduação: Diploma.
  • Currículo Lattes/Vitae do candidato;
  • Certidão Negativa de Antecedentes Criminais.

Para mais informações, acesse o edital do Processo Seletivo: https://www.sectet.pa.gov.br/sites/default/files/EDITAL%20COMPLEMENTAR%20N%C2%B0%20007.2025_SELE%C3%87%C3%83O%20DE%20VOLUNT%C3%81RIOS%20PARA%20ATUAR%20NA%20COP30_26.06.2025%20%281%29_0.pdf 

 
 
 

 

 
 
 
 

Em ano de COP30, projetos de tecnologia apostam em inovação e sustentabilidade

Em ano de COP30, projetos de tecnologia apostam em inovação e sustentabilidade

Empresas voltadas para ações ambientais marcaram a terceira edição do Web Summit Rio 

Por: Maria Eduarda Galdino

 

Tarciana Medeiros, Bianca Andrade e Adiana Barbosa no palco principal Web Summit Rio Foto: Maria Eduarda Galdino

Diversos empreendimentos ambientados no Brasil usam a tecnologia para combater a crise climática, e a aliança entre inovação e sustentabilidade foi um dos temas do Web Summit Rio, encerrado no último dia 30 de maio. O último painel do evento reuniu três referências do empreendedorismo feminino: Tarciana Medeiros, CEO do Banco do Brasil, Bianca Andrade, CEO da Boca Rosa Beauty, e a diretora executiva da Feira Preta, Adriana Barbosa, conversaram sobre tendências no empreendedorismo brasileiro e sustentabilidade.

Tarciana Medeiros disse que o Norte do Brasil é referência em negócios que priorizam a sustentabilidade no modelo de produção. Segundo ela, o fortalecimento de propósitos entre organizações desse ramo é essencial. “Junta empreendedores principalmente de agroecologia, agroeconomia,  de biotecnologia e diversos empreendimentos que a gente entende o potencial na rede como um todo”, disse. 

Diversas empresas com foco na sustentabilidade participaram do encontro. O Ecos Urbanos conversou com representantes de algumas dessas empresas. Breno Veiga, CEO da Ekonavi, uma plataforma gratuita que potencializa soluções baseadas na natureza, explicou que sua empresa desenvolveu um aplicativo que conecta grupos de trabalho rural com investidores globais, tornando ações ecológicas comunitárias possíveis em escala global. É uma espécie de Linkedin para grupos que querem manter seus projetos sustentáveis visíveis no meio digital. “A nossa motivação é produzir alimentos de qualidade, gerar mais sustentabilidade no planeta e fortalecer as redes de produtores que estão produzindo de maneira orgânica e agroflorestal”, disse.

 
 
Bruno Veiga, CEO da Ekonavi, e Veber Alvez, advogado na  Ekonavi no Stand Beta 3  (Foto: Maria Eduarda Galdino)
 
Os grupos de campo que podem utilizar a plataforma são diversos. A Ekonavi abriga projetos ecológicos na agricultura,  propostas de reciclagem, sistemas agroflorestais e outras propostas ecológicas no campo.  “É um projeto gratuito  para esse grupos que atuam no campo e funciona de forma similar ao Linkedin, então você profissionaliza o seu projeto de campo tornando ele mais visível para investidores.”

Já Ângelo Coelho é diretor da Brinquedo Livre, uma empresa que promove a sustentabilidade no universo infantil. A empresa funciona como um marketplace colaborativo, conectando vendedores que querem descartar brinquedos usados e compradores, com uma curadoria sustentável. “Unimos sustentabilidade com economia circular e tecnologia para criar uma plataforma onde brinquedos usados, seminovos e colecionáveis ganham uma nova vida.”

O diretor afirma que a empresa foi criada devido a pesquisas em relação ao impacto ambiental que os brinquedos fazem na natureza. “Um dos dados que mais nos impactou foi do Instituto Akatu, que aponta que 60% dos brinquedos descartados no Brasil ainda poderiam ser reutilizados”, disse. A Brinquedo Livre possui um núcleo de pesquisas voltado para a economia circular no mercado infantil. Além disso, a empresa se encontra em um processo de desenvolvimento de selos que identificam produtos com maior potencial de reutilização e durabilidade. 

                                                                                        Logo da empresa Brinquedo Livre. Foto: brinquedolivre.com.br
 
 
 
A pesquisa Panorama de Sustentabilidade Corporativa 2025, feita pela Câmara Americana de Comércio (Amcham) e a Humanizadas, concluiu que 76% das empresas brasileiras adotam práticas sustentáveis nos negócios, um aumento de 5% em relação ao ano de 2024. Entre os que responderam à pesquisa, 77% acham que incluir a sustentabilidade nos negócios aumenta as vantagens competitivas e que existe uma relação positiva na demanda de novos grupos e mercados.
 
O estudo também afirma que acrescentar a sustentabilidade a performance financeira, que é uma avaliação ampla de métricas da empresa, pode acelerar ganhos significativos. O estudo evidenciou que medidas como a implementação da IFRS S1/ S2, que são padrões internacionais relacionados a transparência das informações sobre sustentabilidade das empresas oferecem alto retorno financeiro.