Conheça Ofélia, personagem emblemática da literatura inglesa que inspirou nova faixa do álbum de Taylor Swift

Conheça Ofélia, personagem emblemática da literatura inglesa que inspirou nova faixa do álbum de Taylor Swift

The life of a show girl possui múltiplas referências da literatura inglesa e figuras artísticas dos anos 50

Por: Maria Eduarda Galdino

        Capa do álbum the life of a show girl adaptado. Reprodução Maria Eduarda Galdino

A cantora estadunidense Taylor Swift lançou o seu 13º álbum de estúdio chamado The Life of a Show Girl na última sexta-feira (03). O álbum possui 12 faixas e a canção de abertura se chama “The fate of Ophelia” (O destino de Ofélia), fazendo uma referência a Hamlet, obra do escritor, dramaturgo e poeta, Willian Shakespeare.

Ofélia é uma das personagens principais da peça de Hamlet, a jovem da corte dinamarquesa era filha de Polônio, conselheiro do rei, e irmã de Laertes. Conhecida por ser inocente e obediente, Ofélia se apaixona por Hamlet, o rei, mas esse sentimento não foi aprovado pela família de Ofélia, pois não tinham certeza se as intenções de Hamlet eram verdadeiras para com ela. 

Enquanto Ofélia e Hamlet se relacionam, algo trágico acontece, pois Hamlet descobre que seu pai foi assassinado por seu tio Cláudio. Desde então, Hamlet entra em diversos momentos emocionais conturbados pela perda do seu pai e pela desconfiança com Cláudio. A partir daí, Hamlet começa a se afastar de Ofélia, a tratando com frieza e crueldade. O comportamento de Hamlet afeta profundamente o estado emocional de Ofélia, que estava perdidamente apaixonada por Hamlet, então, o amor passa a ser um fardo, uma maldição na vida de Ofélia.  

Além de toda a tensão que paira sobre o castelo, algo ainda mais grave acontece: o pai de Ofélia morre acidentalmente. Quando Hamlet estava tendo uma conversa privada com sua mãe, a rainha Gertrudes, ele desconfia de que há alguém espionando atrás das cortinas, é quando Hamlet se precipita, achando que o espião pode ser seu tio Cláudio ele ataca a cortina com sua espada, perfurando a pessoa que está atrás dela.

Mas o que o jovem rei não sabia, era que o pai de Ofélia estava atrás das cortinas, mas que o golpe já havia sido feito e era fatal, o pai de Ofélia estaria fadado a morte. Hamlet mata Polônio por engano, acreditando que estava se livrando de seu maior inimigo, o tio Cláudio. A morte de Polônio causa a loucura de Ofélia, que já estava em estado de sofrimento pela rejeição de Hamnet. 

No final da história, Ofélia não tem um bom destino, enquanto delirava e cantava andando atrás de suas flores pelo campo, a jovem acaba escorregando e caindo em um lago enquanto tentava pegar uma flor. Enquanto se afogava, Ofélia entoava uma canção, sem se preocupar com a sua situação, e então, morreu afogada. Willian Shakespeare nunca deixa claro se foi um suicídio ou algo acidental, por conta da ambiguidade envolta no relato da morte de Ofélia.

A peça Hamlet é considerada uma das obras mais importantes da literatura mundial. Sua popularidade atravessa séculos e fronteiras, sendo encenada, estudada e reinterpretada em diversas culturas. Com temas universais como vingança, loucura, corrupção e identidade, Hamlet influenciou profundamente a dramaturgia, a filosofia e até a psicanálise, tornando-se referência para autores como Freud, Joyce e Dostoiévski. A complexidade emocional do protagonista e a profundidade dos diálogos  fazem da peça um marco atemporal, que continua a dialogar com as inquietações humanas até hoje.

Taylor Swift escolhe a história de Ofélia pois também se sentia perdida em relação aos seus sentimentos depois da sua última desilusão amorosa. A cantora acreditava também estar enlouquecendo por causa do amor. Mas a artista decide ressignificar a sua faixa “The Fate of Ophelia” quando se apaixonou novamente, afirmando que o seu novo amor a salvou de um destino trágico de loucura como o de Ofélia. 

“E se você nunca tivesse vindo me resgatar, eu teria morrido na melancolia (..) Todo aquele tempo que fiquei sozinha na minha torre, você só estava aprimorando seus poderes, agora eu posso entender tudo. Certa noite, você me desenterrou do meu túmulo, e salvou o meu coração do destino de Ofélia”.

A canção da cantora Taylor Swift já foi ouvida por mais de 116,4 milhões de pessoas só no Spotify após seis dias do lançamento do álbum The life of a show girl, quebrando o recorde de Miley Cyrus, se tornando a música mais ouvida no aplicativo Spotify. A equipe Uerviu adorou a faixa e recomenda para todos !

Falta de treinos de futsal preocupa atletas universitários e expõe desafios internos da Atlética de Comunicação Social e Artes

Falta de treinos de futsal preocupa atletas universitários e expõe desafios internos da Atlética de Comunicação Social e Artes

A irregularidade das atividades preocupa os atletas e pode afetar diretamente o desempenho da Atlética nas competições universitárias

Por: Henrique Pereira

 

Quadra interna da Uerj. Foto: Manuela Weissman

A rotina de treinamentos da Atlética da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) segue comprometida em 2025. A equipe de futsal masculino, por exemplo, conseguiu realizar apenas uma atividade no segundo semestre, situação que repete os transtornos do ano anterior. Segundo o treinador da modalidade, Gustavo Franco, os problemas já são antigos. “Ano passado foi igual”, afirmou.

Ao ser perguntado sobre os fatores que impossibilitam a prática frequente de treinos, ele apontou a disponibilidade de espaço e dos horários dos estudantes. Além desses, destacou a ausência de comprometimento dos próprios jogadores como o principal obstáculo enfrentado. “A tentativa de organizar os encontros semanais esbarra justamente na adesão dos atletas. Agora é aguardar o compromisso deles”, comentou.
A Uerj possui dois locais para treinos do futsal, a quadra externa e a do ginásio. Sobre a participação da Universidade em uma possível solução, Gustavo, formado em Educação Física pela própria UERJ, não demonstrou otimismo: “A construção de mais quadras seria uma medida, mas a faculdade não vai ajudar. A demanda é muito grande e o processo é muito burocrático”, disse. 

Para os jogadores, a falta de treinos pesa tanto no rendimento quanto na vida acadêmica. Pedro Athayde, estudante de jornalismo do 5º período e atleta da equipe, disse que a escassez de atividades semanais o tem incomodado bastante: “Tenho sentido bastante, por mais que meu horário de aula esteja mais apertado, era sempre bom desestressar um pouco nos treinos. Sem contar que eu amo competir e sinto muita falta disso no meu dia a dia”, relatou.

Ainda de acordo com ele, tal problemática afeta o grupo inteiro: “Acho que todo mundo lida mais ou menos da mesma forma, como uma válvula de escape do estresse da semana de trabalho e estudo. Então acredito que eles tenham muita pena de como as coisas estão, da nossa preparação para os campeonatos estar parada e todo mundo ficar sem ter o que fazer, já que não depende só da gente”, ressaltou.

Ao ser questionado sobre a ausência de comprometimento do time, o referido atleta reconheceu tal questão, porém alertou: “Acho que rola sim uma falta de comprometimento, mas por agora vai além disso. As quadras não estão sendo liberadas, os horários estão mais apertados e, querendo ou não, ainda não rolou uma renovação 100% do time. Até o ano passado, a maior parte do time era formada ou estava para se formar, então não aconteceu um ciclo natural dos mais novos assumirem o papel dos mais velhos”.

Entre as possíveis soluções, Athayde propõe mais flexibilidade e suporte da Universidade: “Acho que poderia rolar uma flexibilização melhor na questão das quadras, com um número maior de horários disponíveis para as atléticas. Com certeza a Uerj deveria oferecer mais apoio. As atléticas, além do esporte, servem como integração entre os estudantes, e isso fortalece o pertencimento dos alunos”, destacou.

Por fim, ele explicou a importância e o valor da Atlética em sua vida pessoal: “Pra mim, participar da Atlética é uma questão de pertencimento, chegar mais perto do que um dia foi meu sonho de virar jogador e defender algo que faço parte. A mensagem que eu deixo aos novos calouros é para que sigam nesse processo, porque as amizades são boas, o dia a dia é maravilhoso, a competição nos treinos e nos campeonatos é algo incrível. Então, não deixem de ir e curtam bastante o que a atlética tem pra oferecer”, concluiu.

Com treinos escassos e o futuro incerto, a Atlética de Comunicação Social da Uerj vive um momento de indefinição. As falas do treinador e do atleta evidenciam que os problemas vão além da quadra: passam pela necessidade de adesão estudantil, apoio institucional e um esforço coletivo para manter viva a tradição do esporte universitário.

Os impactos do Parque Estadual do Grajaú na região da Grande Tijuca

Os impactos do Parque Estadual do Grajaú na região da Grande Tijuca

Completando 47 anos em 2025, o bosque serve para a realização de eventos e para a preservação ambiental

Por Laura de Sousa e Silva dos Santos

                                      Parque Estadual do Grajaú. Foto: Laura de Sousa e Silva dos Santos

 

Foi realizado no último dia 20 de setembro, no Parque Estadual do Grajaú, uma atividade de educação ambiental com o PREVFOGO, do Ibama, na qual  foram oferecidas orientações sobre preservação ambiental e combate a incêndios florestais. Na palestra, os técnicos explicaram sobre os impactos causados pelo fogo na sociedade, no solo, na fauna, na flora e na atmosfera. O evento foi organizado pela gestora do Parque, Carina Beltrão: “Eu tenho o contato dos meninos e uma vez por ano eu procuro trazê-los aqui”, disse. 

Esse não é o primeiro evento organizado pelo bosque, o lugar recebe com frequência ONGs, escolas e grupos de escalada para a prática de atividades. No início de setembro, o Instituto Floriano Peçanha dos Santos decidiu levar crianças para uma palestra sobre educação ambiental, na qual, por meio de uma visita guiada ao Parque, foi explicado sobre as abelhas nativas sem ferrão e sobre a importância da Mata Atlântica. A gestora do bosque comentou que a ONG entrou em contato com ela pelo Instagram do Parque e agendou a visita.

Em julho, ocorreu uma colônia de férias organizada pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente, que trouxe monitores para fazerem atividades com crianças no local. A maioria dos eventos, comentou Carina, é agendada pelo Instagram do Parque ou pelo WhatsApp dela. Além dessas reuniões, o bosque também serve aos moradores da vizinhança, que realizam atividades físicas e piqueniques. “A gente precisa dessa área verde. Aqui se tornou uma unidade de conservação”, comentou a gestora.

 

Preservação ambiental

Criado em 1978, o contexto de sua origem foi a solicitação da comunidade do bairro do Grajaú para a criação da área verde para proteção ambiental, como explicou Carina: “A ideia foi para não haver construções irregulares”. O Parque, que  é administrado pela prefeitura e está sob concessão do Município até 2027, tem um grande impacto na fauna e na flora da região, através da preservação de espécies de plantas e animais. 

Entre algumas espécies de plantas nativas na região, estão figueira, embaúba, carrapateira, ipê-amarelo, cedro-branco e pau-d’alho. O Parque possui diversos projetos de plantação, incluindo o Viveiro Vertical de Plantas Medicinais, que tem como objetivo o cultivo sustentável de plantas medicinais, promovendo o uso responsável dos recursos naturais e incentivando a biodiversidade. Carina comentou que é comum pessoas entrarem em contato com ela para poderem levar diferentes mudas para plantar. 

As espécies de animais são diversas: jiboia, gambá, esquilo, mico-estrela, beija-flor, dentre outros. Alguns desses animais, como a jiboia, já entraram em casas da vizinhança e precisaram do bombeiro para ir buscar, comentou a gestora. As abelhas são um dos destaques do Parque por conta do Projeto Ala do Mel, que foi delineado com o objetivo de atender as propostas da ONU relativas à sustentabilidade e à Agenda 2030. A ideia é trabalhar com as abelhas nativas indígenas sem ferrão para preservar as espécies ao lado de alunos da Educação Infantil ao Ensino Médio. O mel que as abelhas fabricam é em pouca quantidade, porém às vezes é oferecido para consumo.

 

 Desconhecimentodo público

Por mais que o evento do Ibama tenha tido um bom público graças a uma festa de aniversário infantil que estava ocorrendo no bosque, Carina comentou que muitas dessas reuniões não tiveram grande repercussão: “O público é um pouco baixo. A galera costuma ficar muito ali embaixo na pracinha”. O entendimento dela é de que muitas pessoas realmente não fazem ideia da existência do local. “Tem morador que chega aqui e fala que não conhecia o parque, e mora aqui há anos”, lamenta Carina.

 

                        Evento do Ibama no Parque Estadual do Grajaú. Foto: Laura de Sousa e Silva dos Santos

 

Para saber mais sobre os projetos de preservação ambiental e dos eventos oferecidos pelo Parque, acesse o Instagram do lugar: @parquedograjau_oficial





‘O verão que mudou minha vida’: a força das tramas românticas que não saem de moda

‘O verão que mudou minha vida’: a força das tramas românticas que não saem de moda

Nova adaptação feita pela Prime Vídeo terminou dia 17 de setembro com promessa de filme 

Por: Maria Eduarda Galdino

Post de divulgação da série O verão que mudou minha vida. Divulgação: Prime Vídeo

A adaptação do livro “O verão que mudou minha vida”, escrito por Jenny Han, e adaptado pela Prime Vídeo, se tornou um fenômeno tanto na audiência quanto nas redes sociais. Só na terceira temporada, a série contabilizou 25 milhões de espectadores, ficando no top 1 da Prime vídeo em 120 países, um verdadeiro sucesso. 

A trama da série está envolta em um triângulo amoroso entre Isabel Conklin (Lola Tung) e os irmãos Conrad Fisher (Christopher Britney) e Jeremiah Fisher (Gavin Casalegno). O caminho dos três se cruzaram ainda na infância, resultado da amizade entre suas mães Laurel (Jackie Chung) e Susannah Fisher (Rachel Blanchard) que se conheceram na faculdade. 

Desde pequena, Isabel, carinhosamente apelidada de Belly, sempre possuiu um crush no irmão mais velho dos Fisher, Conrad, mas nunca teve coragem para confessar seus sentimentos. Conrad, também sempre nutriu sentimentos por Belly, mesmo que ele não tenha demonstrado isso para ela de forma explícita no começo. Porém, em uma temporada de verão na casa de praia em Cousins, Belly recebe uma declaração de Jeremiah, fazendo com que seus sentimentos pelos irmãos sejam divididos. Quem escolher ? Quem diz a verdade ? Como não estragar o verão perfeito em Cousins ? 

Você já deve ter ouvido essa trama em outro lugar, certo ? Séries como The Vampire Diaries (2008), One Tree Hill (2003), SmallVille (2001), Gilmore Girls (2000) e até mesmo o filme da saga Crepúsculo (2008) possuem a mesma história de triângulo amoroso. Mas, se é o mesmo enredo, porque ainda faz tanto sucesso ? Sendo que há um grande espaço de tempo entre as séries dos anos 2000 e 2025 ?

Escritores e diretores do gênero de romance repetem a fórmula mágica dos triângulos amorosos por conta da nostalgia e familiaridade que essas narrativas trazem. Oferecer um produto que apresenta características similares a produtos que já foram consumidos anteriormente, apresenta mais segurança ao espectador. No caso da série “O verão que mudou minha vida”, existe mais uma vantagem, pois é a adaptação de um livro best seller, o que traz mais uma audiência repleta de expectativas.  

Um estudo publicado pela Harvard Business Review, afirma que produtos que seguem fórmulas narrativas já conhecidas, (como filmes e séries), geram maior aceitação e engajamento. Ainda mais com públicos que já tem afeição por esse tipo de conteúdo. No X (antigo Twitter), as palavras Team Conrad e Team Jeremiah, nome criado pelo público para rivalizar os irmãos apaixonados por Belly, se tornou um dos assuntos mais comentados da plataforma, chegando aos trend topics. 

No Instagram não foi diferente, as hashtags #conrad, #Belly#Jeremiah possui 429 mil, 3 milhões e 333 mil posts respectivamente. No TikTok, a hashtag #TSITP (Sigla para abreviar o nome da série) possui um milhão de vídeos, também a hashtag em português #overaoquemudouminhavida possui 67,9 mil vídeos. Jenny Han, autora do livro, agradeceu ao apoio dos fãs em seu Instagram em um post sobre a divulgação da série em Paris, “Eu não poderia ter sonhado uma noite mais mágica. Paris, je t’aime. Obrigado a todos os fãs que apareceram para dar um adeus ao nosso show e obrigado a @ Primevideo por tornarem todos os meus sonhos parisienses realidade”, disse.

E você ? Já assistiu ‘O verão que mudou minha vida’ ? É Team Conrad ou Team Jeremiah ? A equipe UerjViu assistiu a série e tem suas preferências por aqui ! Até o próximo domingo em série !!

Os microempreendedores da Uerj

Os microempreendedores da Uerj

Conheça a história de três alunos que veem a Universidade, para além do ensino, também como um polo econômico

Por: Luana Maciel

 

Ao caminhar pelos corredores da Uerj, qualquer pessoa poderá encontrar alunos da própria instituição vendendo diferentes produtos a quem estiver interessado. Desde docinhos a acessórios, esses produtos demandam preparação, planejamento e estratégias de inovação desses estudantes. A rotina universitária passa por uma reformulação, de modo que, além dos estudos, eles têm um novo compromisso: as vendas.

 Alice Moraes, Douglas Xavier e Leonardo Vieira são três desses microempreendedores que construíram pequenos negócios entre as rampas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

  • Alice Moraes

Alice Moraes, aos 20 anos, cursa jornalismo e vende brigadeiros, casadinhos e outros doces na Universidade. Os docinhos são produzidos pela própria Alice. A iniciativa partiu dela e do namorado, com um objetivo claro em mente: juntar dinheiro para planejar seu casamento.

                             Alice Moraes posando com seus doces no corredor da Uerj. Foto: Luana Maciel

 

Ela conta que seu namorado, Israel, estudante de letras, fazia algumas vendas, mas por uma questão de timidez e logística, hoje ajuda mais com a parte técnica, anotando os números de venda de cada dia e administrando as redes sociais. Já a parte de vender ao público mesmo, ficou por responsabilidade de Alice. Ela vende do nono ao décimo segundo andar e na fila do bandejinho.

Na verdade, a jovem revela que inicialmente não queria fazer parte diretamente do processo de venda. “No início eu tinha vergonha. Não queria vender não, no começo, só fazia”, relata Alice. Mas quando ela começou a vender junto do namorado e percebeu que obtinha melhores resultados, ela descobriu que era boa neste processo de interação com possíveis compradores. E, o que antes era evitado por medo de vergonha, agora faz parte do dia a dia da estudante, que afirma gostar do que faz, superada a timidez inicial. 

Alice explica que escolheu vender seus produtos especificamente na Uerj por ser não só um local que ela frequenta, mas também que muitas pessoas habitam, demonstrando uma grande oportunidade comercial. “É um dos lugares que eu mais convivo. Tem uma grande quantidade de pessoas, de alunos, de gente. Aí eu vi que seria bom vender aqui”, conclui a jovem.

 E por ser tão imensa e englobar tantos indivíduos, o local é, para a aluna, também uma oportunidade de conhecer novas pessoas e criar laços: “Os docinhos me proporcionaram esse contato maior com os estudantes, com as pessoas, com os servidores da Uerj. Até fazer amizades também”. Alice acredita que cada empreendedorismo pode ajudar, de alguma forma, as pessoas que frequentam a Uerj. “Às vezes a pessoa tá com vontade de comer um docinho, mesmo que pareça uma coisa pequena, você acaba alegrando o dia dela”, afirma a aluna. 

Instagram: doces_a.i

  • Douglas Xavier

Douglas, de 26 anos, está no quinto período de direito. Mas, pela Uerj, ele é muito mais conhecido pelo apelido de “DG do brownie”. Douglas aponta que, na verdade, quem começou a produzir brownies para comercialização foi uma amiga. DG era apenas seu cliente fixo e um grande fã dos doces. Tudo mudou quando, no final do terceiro período, a colega, que iria começar a estagiar e estava se sentindo sobrecarregada, percebeu o potencial de Douglas e o chamou para realizar as vendas e dividir o lucro.

             Douglas Xavier posando com seus brownies na saída do restaurante universitário. Foto: Luana Maciel

DG conta que no seu primeiro dia de vendas, apesar do nervosismo, o saldo de brownies vendidos foi um total de cento e um. A amiga ficou completamente surpresa, uma vez que o número médio de brownies por dia até então variava de trinta a quarenta.

Ele relata que nos seus primeiros dias de venda, ficava perto da fila do bandejão, tentando se aproximar de possíveis clientes. “Eu abordava o pessoal, brincava. Às vezes a pessoa não sabia nem que queria doce, no final ela saía com três, com quatro”. Daí pra frente DG se tornou um verdadeiro sucesso na Universidade. 

Douglas conta que já havia tido contato com o atendimento ao público antes. Sua mãe vende cosméticos e roupas e seu pai tem um estacionamento. Ele destaca como essas experiências o ajudaram a desenvolver uma “lábia”, que hoje é fundamental no exercício das vendas, já que ele sente menos vergonha ao interagir com as pessoas. “O não eu já tenho, então eu vou atrás do sim (…), respiro fundo, vamos à luta”, diz ele.

A principal motivação do estudante é a busca por maior estabilidade e liberdade financeira. A venda dos doces o ajudou a ficar mais tranquilo quanto a essa questão, conta o estudante. Apesar disso, o negócio também envolve muitas dificuldades. Com um estágio pela manhã e o curso de Direito à noite, DG fala que equilibrar a rotina é uma tarefa muito complicada. Por isso, ele se organiza de forma que as vendas ocorram nas segundas, quartas e sextas, e o resto da semana útil é voltado para os estudos do curso. Atualmente, a produção é própria do estudante, com ajuda da namorada                                                                                                                                                              

A comercialização de Douglas não se restringe à Uerj. Ele vende nos seus treinos de futebol americano, no ônibus vindo e voltando da Universidade, a caminho do estágio e onde mais houver procura por seus doces. Em todo lugar, o apelido o acompanha- DG do brownie já se tornou sua marca registrada. 

Instagram: dgxavieer

  • Leonardo Vieira

Leonardo Vieira dos Santos cursa Ciências Sociais na Uerj desde 2017. Aos 29 anos, comercializa brincos, anéis, colares e outros acessórios no espaço da Universidade. Popularmente conhecido pelos alunos da Uerj como “Léo do Brinco”, Leonardo conta que tem experiência com vendas desde os treze anos, trabalhando em feiras. O momento em que passou a tratar especificamente dos acessórios, porém, foi no Ensino Médio. 

A escolha, segundo ele, foi movida pelo que ele acreditava que acarretaria lucro, considerando que precisava do dinheiro para ajudar a sustentar a família na época. Léo explica que a Uerj se tornou palco das suas vendas pois faz parte do seu dia a dia. “Eu tento vincular minha rotina de vendedor, Léo do brinco, com a vida do estudante, Leonardo”, conclui ele. Hoje, o estudante vende em todos os andares, principalmente no 10 e no 12.

Leonardo Vieira posando com seus acessórios na Uerj. Foto: Luana Maciel

Quando começou, ele conta que não tinha nenhuma preparação ou instrução. Mas, com o tempo, foi aprendendo estratégias para chamar mais atenção da clientela. A imagem do produto e a boa propaganda são essenciais para movimentar as vendas. “Os produtos precisam estar bonitos, precisam estar apresentáveis”, afirma Léo. 

Tudo isso demanda que o empreendedor esteja atento ao que está na moda e ao que interessa seu público. É importante, para ele, no caso dos acessórios, notar as cores do momento, acompanhar os comerciais de lojas e procurar saber o que está em pauta naquela estação. Mas todas essas estratégias, para o estudante, são um acúmulo de coisas que ele aprendeu com o tempo e que não se descobre de um dia pro outro.

Os acessórios são uma mistura de revendas e produções autorais. O objetivo, aponta Léo, é chegar em um ponto em que todas as vendas sejam de produtos próprios. A produção parte principalmente da namorada do estudante. Embora os dois produzam, ele aponta, ela acaba tendo mais aptidão para a produção e Léo, para as vendas. 

Uma dificuldade que Leonardo enfrenta é estar presente na internet. Agora que está prestes a se formar, ele explica que quer saber como alcançar seu público no mundo virtual da mesma forma que faz nos corredores do campus universitário. O plano é manter a loja de forma online após a conclusão de sua graduação. O futuro é incerto, alega Léo, mas enquanto busca finalizar os estudos e ir em busca de especializações, o seu negócio se mantém firme.

Instagram: leodobrinco.uerj

Assim, a Uerj revela uma nova faceta. Mais do que um grande centro de estudos, a Universidade é também um polo econômico, onde alunos que precisam vender seus produtos, seja qual for sua razão pessoal, encontram um público interessado e a oportunidade de começar a empreender.

Entre desafios, dificuldades e superações, os microempreendedores da Uerj reinventam seu local de estudos e encontram mais uma forma de ocupar e vivenciar a Universidade.

Literatura indígena na Universidade ressignifica visão sobre povos originários 

Literatura indígena na Universidade ressignifica visão sobre povos originários

Literatura indígena na Universidade ressignifica visão sobre povos originários

Por: Hyndra Lopes

                                                             Livros empilhados na biblioteca. Foto: Freepik

A literatura indígena contemporânea encontra desafios para se estabelecer no meio acadêmico, refletindo os estereótipos e preconceitos acerca destes povos e da sua cultura. Em entrevista com a professora Lívia Jacob, é discutida a importância de se estudar textos produzidos por autores indígenas e saberes tradicionais, além dos desdobramentos e lacunas da Lei n°11.645/2008 na promoção de uma educação pluralista.

 

A literatura indígena refere-se às obras escritas por autores indígenas. Apesar das histórias desses povos serem milenares, transmitidas tradicionalmente por meio da oralidade, a sua literatura na forma escrita, publicada por editoras, se popularizou oficialmente no Brasil a partir dos anos 1980, como resultado da luta dos indígenas pelos seus direitos e reconhecimento da sua identidade. Durante as décadas de 1980 e 1990, surgiram obras como Antes o Mundo Não Existia, de Umusi Pãrõkumu e Tõrãmu Kehíri, Oré awé roiru’a ma: Todas as vezes que dissemos adeus, de Kaká Werá Jecupé, e Histórias de índio, de Daniel Munduruku, que buscavam quebrar o estereótipo colonizador acerca dos indígenas por meio de uma narrativa feita por eles. A literatura, então, passa a ser um instrumento de resistência para defender as suas terras, a sua cultura e os seus povos.

Nesse contexto de conquista dos direitos indígenas, foi implementada a Lei n°11.645/2008, que tornou obrigatório o estudo da história e da cultura afro-brasileira e indígena no ensino básico do país. A legislação, apesar de tardia, tentou pluralizar a educação e apresentar a literatura indígena nas escolas, porém a limitação aos ensinos fundamental e médio representam um atraso na desconstrução do imaginário estereotipado acerca destes povos.

Lívia Penedo Jacob, professora e doutora em Estudos Literários pela Uerj, diz que a lei é uma tentativa de humanizar os povos originários, considerando que, anteriormente, estas cosmovisões eram apresentadas como “folclore” e culturas ultrapassadas. Contudo, ela defende que, para combater os estereótipos e preconceitos, é necessário que a temática indígena se torne obrigatória também no ensino superior: “(…) Se a temática indígena não se tornar obrigatória nas licenciaturas, se os futuros educadores não receberem uma formação adequada nesse sentido, a lei se tornará uma aporia difícil de contornar”.

Além da carência desses estudos na universidade, Lívia aponta outra questão que contribui para a visão distorcida acerca dos povos originários: a desvalorização da literatura indígena contemporânea no meio acadêmico. Observa-se uma preferência por textos clássicos de autores consagrados perante os não canônicos, configurando o que seria verdadeiramente literatura para os moldes acadêmicos. Isso exclui as obras indígenas deste patamar, visto que a entrada de seus autores no mercado editorial é, de certa forma, recente e a tradição oral acaba sendo desconsiderada. “Se hoje os graduandos em Letras ignoram os nossos autores

indígenas, podemos concluir que estão se formando sem conhecer a própria cultura do país”, afirma Lívia.

A professora nota também um certo receio, por parte dos estudiosos de Letras, de que o estímulo da leitura de produções contemporâneas de base oral possa causar desinteresse nos alunos acerca dos clássicos. “ (…) Se esquecem que entre escolher Machado de Assis ou Daniel Munduruku, há uma outra via possível: ensinar os jovens a ler e a interpretar ambos. Esse tipo de preconceito nos mostra a permanência de uma fantasia antiga, segundo a qual a nossa literatura se fundaria nas “belas-letras” legadas por autores canônicos, consagrados”.

 

  Lívia Jacob no lançamento do seu livro “As duras penas: o índio na literatura e a literatura indígena” na UFAM, ao lado                     de Carlysson Senna, Duhigó Tukano e Danielle Munduruku. Foto disponibilizada por Lívia Jacob.

 

A literatura indígena também tem o papel de preservação de mitos e lendas originárias, que correm o risco de desaparecerem com as constantes ameaças à existência desses povos. A importância disto se evidencia ainda mais atualmente, considerando que os indígenas representam menos de 1% da população brasileira, de acordo com o último Censo Indígena do IBGE (2022). Lívia defende que as tradições orais fazem parte do patrimônio cultural brasileiro e o seu registro por meio dos livros é a forma mais acessível de se arquivar esses saberes.

A Uerj possui projetos que promovem essa preservação, como o Opierj –  Observatório da Presença Indígena no Estado do Rio de Janeiro, desenvolvido pelo Proíndio – Programa de Estudos dos Povos Indígenas, da Faculdade de Educação (EDU), e o Nepiie – Núcleo de Estudos sobre Povos Indígenas, Interculturalidade e Educação, da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (Febef). As iniciativas visam registrar os aspectos socioculturais da população indígena presente no Rio de Janeiro, construindo bancos de dados com os saberes originários e produzindo materiais de auxílio para os educadores.

Lívia finaliza defendendo a importância do estudo dos saberes indígenas na atualidade. “Vivemos tempos bárbaros. O outro não existe. (…) O pensamento indígena defende uma ideia oposta, calcada na valorização da coletividade: o eu sem o outro é nada”, afirma a professora. A filosofia indígena inspira a humanização das práticas sociais e da relação do homem com os outros seres que habitam o planeta. A partir da leitura de obras de autores indígenas que tratem dos saberes tradicionais, aprende-se os valores destes povos e constrói-se uma nova visão de mundo, que condena os atos de genocídio e violência em curso e valoriza a diversidade e a preservação da fauna e da flora.

Os desafios enfrentados pelos alunos da Uerj em dia de jogo no Maracanã

Os desafios enfrentados pelos alunos da Uerj em dia de jogo no Maracanã

Por: Laura de Sousa e Silva dos Santos

Estádio de futebol Maracanã. Foto: Laura de Sousa e Silva dos Santos

 

No último dia 4 de setembro,  ocorreu o jogo das eliminatórias da Copa do Mundo entre Brasil e Chile, no Maracanã. Com mais de 50 mil ingressos vendidos, a partida movimentou o estádio e o seu entorno, com medidas de segurança no local e um esquema especial no Metrô para os torcedores. O jogo também fez com que a Universidade  do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) cancelasse as aulas. A suspensão foi adotada pela Faculdade de Comunicação Social (FCS),  por meio de um comunicado que dizia que as aulas a partir das 17h  estavam canceladas. Com o jogo marcado para às 21h30, professores de outros cursos também optaram pela suspensão das atividades.

Lorrayne Barbosa, estudante de História do 7º período, relatou que chegou a ir para a Universidade no dia, porém dois dos seus professores decidiram abonar falta: “ Quem estava aqui teve aula, mas quem não foi, não contou como falta.”. Já Marcela Evaristo, aluna de Letras-Alemão que está no 6º período, teve sua aula cancelada e seus professores preferiram passar um trabalho para fazer em casa. “Todos entraram num consenso que ia ficar muito lotado”, relatou.

Esse tipo de situação não foi exclusiva desse dia, isso ocorre com  frequência na região. Caso as aulas não sejam canceladas, os alunos do período noturno precisam enfrentar torcedores se movimentando pela região, transporte público lotado e desorganizado, trânsito e outros desafios que fogem de sua rotina. “É sempre tumultuado. Normalmente, se eu não cheguei na Uerj ainda, eu já perguntei ao grupo da turma se vai ter aula ou não, porque dependendo do professor, às vezes, ou abona falta, ou cancela a aula”, relatou Lorrayne, que sai do Catete de metrô.

Mariana, que mora em Santa Cruz, tem duas opções diariamente: ou ela pega o ônibus 383, ou ela pega o trem. Porém, muitas vezes, seu ônibus para de passar em certos horários devido à falta de constância, restando-lhe pegar o trem em condições não muito favoráveis. “Era inviável para a gente conseguir chegar às vezes”, comentou a estudante de Letras.

 

Quando os professores não cancelam as aulas, os próprios estudantes decidem não ir para a instituição, pois preferem não  enfrentar os transtornos do dia de jogo. A estudante de história contou que alguns professores cancelavam a aula somente depois de muita insistência dos alunos, e, muitas vezes, mesmo com outros docentes cancelando, alguns ainda mantinham: “Me deixava muito insegura, pois era uma aula importante, eu queria ir, mas ao mesmo tempo eu sabia o caos que seria.”. Para Mariana, o maior desafio é o trânsito e a distância que precisa percorrer nos dias de jogo.



Atraso no cronograma de aula

Um dos maiores impactos negativos que os jogos no Maracanã trazem é a desorganização no calendário acadêmico causado pelos constantes cancelamentos de aulas. Lorrayne comentou que os dias que mais foram afetados foram  quartas e sextas: “Toda hora o professor tinha que tentar reajustar o que dava de aula. Mas era complicado, a gente perdeu muita matéria por causa disso, e teve que readaptar o cronograma, pois a Uerj ia entrar de férias, e foi feito o que deu”. Os dias de jogos do Flamengo, nas quartas, relembrou Mariana, eram os dias mais afetados.



Vantagem em dia de jogo

Uma ocorrência em dia de jogo que não é comum no cotidiano é a presença de viatura policial na estação de metrô e trem, o que é algo que conforta os estudantes, como relatado pela Lorrayne:

“Eu saio com mais segurança, é mais seguro de sair pois está tumultuado. Como eu saio muito tarde, na maioria dos dias, entre 21h e 22h, então é bem deserto e escuro. Mas em dia de jogo esse é um ponto positivo.”. Mariana relatou o mesmo, se sentindo segura em ir para a estação de trem à noite, o que geralmente não sente nos dias comuns: “Fica muito escuro, às vezes dá para ir com um amigo, mas sozinha fica muito tarde, fica muito deserto”.



A Uerj pode fazer alguma coisa para melhorar essa situação? 

Na visão de Lorrayne, o cancelamento de aulas deveria partir da própria Universidade, e não dos professores, já que muitos docentes só tomam uma medida após um posicionamento da instituição: “Obviamente os jogos são marcados com antecedência, a faculdade tem como ter acesso a esse tipo de coisa e eu acho que teria como rolar algum tipo de conversa pra gente não ficar com dúvida se vai ter ou não aula”. Mariana, por outro lado, acha que disponibilizar o conteúdo no Acesso aos Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA), plataforma digital utilizada pela UERJ, já é uma solução simples a ser tomada. “Eu acho que o professor que cancela a aula é bom, pois não exige aquela cobrança de presença de estar ali nessas condições claramente desfavoráveis, pois é muita confusão que acontece nesses jogos”, relatou a estudante de Letras “Poderia talvez passar o conteúdo por fora para não ficar tão atrás com a matéria.




Skate: liberdade e expressão sobre rodas

Skate: liberdade e expressão sobre rodas

Com manobras e estilo próprio, skate domina cidades e transforma ruas em palcos

Por: Lívia Martinho

Enquanto muitos veem apenas uma prancha de madeira com rodas, milhões enxergam liberdade, resistência e cultura. No Brasil, cerca de 9 milhões de pessoas praticam skate, segundo a Confederação Brasileira de Skateboarding (CBSk). O esporte chegou ao país nos anos 1960 e 1970, no Rio de Janeiro, e rapidamente se espalhou por calçadas, ruas e praças das cidades.

 

Antes da estreia olímpica o país já revelava grandes nomes no skate, como Sérgio Negão, Bob Burnquist, Sandro Dias (o Mineirinho) e Letícia Bufoni, entre outros. Hoje, o país soma cinco medalhas olímpicas no esporte. Nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, Rayssa Leal e Kelvin Hoefler conquistaram a prata na categoria street, enquanto Pedro Barros ficou com a prata na categoria park. Já nos Jogos Paris 2024, Rayssa Leal garantiu o bronze no street e Augusto Akio conquistou o bronze no park.

 

O que começa como lazer transforma-se em muito mais: o skate é arte, estilo e expressão. Durante muito tempo, os skatistas foram vistos como desarrumados e  desleixados. Mas, ao usar corrimãos, rampas e pistas improvisadas, eles conquistaram um estilo próprio e transformaram a cidade em palco.

 

Em entrevista para AJ, Duda Ribeiro, promessa brasileira da categoria street, contou um pouco sobre como o skate influencia no seu estilo e na sua forma de se expressar: “O skate influencia muito o meu estilo e como me expresso, ele me ensinou a ser mais autêntica. No skate, não há regras rígidas sobre como se vestir ou como se comportar. A gente usa o que é confortável e o que nos faz sentir bem.”

 

(Imagem via @dudaribeirosk8)

 

Marcas como Vans, Converse e Drop Dead se consolidaram como símbolos do skate e seus praticantes, enquanto estilos musicais como hip hop e rap ajudaram a formar sua identidade. E na moda, peças como calças largas, tênis irados, estampas xadrez, moletons com capuz e bonés marcaram o visual que atravessou gerações e segue influente até hoje.

 

“O skate é a minha respiração. É nele que eu brinco, crio, me sinto feliz, inteira, me sinto eu.” — Rayssa Leal, medalhista olímpica.

 

(Imagem via @rayssalealsk8)

 

Com manobras e estilo único, o skate consolidou-se como expressão cultural e social. Influenciando moda, música, arte e transformando vidas, o esporte inspira novas gerações a ocupar e transformar as ruas.

Alerta na Batcaverna: morcegos estão em risco, e não é só o Batman que tem que se preocupar com isso

Alerta na Batcaverna: morcegos estão em risco, e não é só o Batman que tem que se preocupar com isso

Falta de educação ambiental e precariedade das Unidades de Conservação ameaçam a vida desses mamíferos essenciais para a manutenção da biodiversidade

Por Maria Luísa Fontes

 
Fonte: Priscila Monteiro. Espécie Desmodus rotundus – hematófago.
 
 
 

Talvez você não saiba, mas morcegos não servem só para proteger o Batman: esses mamíferos voadores são essenciais para o equilíbrio dos ecossistemas. No Brasil, os morcegos estão protegidos pela Lei Federal 9.605/98 (lei do Meio Ambiente). A caça, a perseguição e a destruição desses animais são consideradas crimes.

Por mais que os morcegos sejam constantemente envolvidos na cultura pop – desde romances adolescentes até filmes de horror – esses mamíferos não são somente fontes de histórias para Hollywood. Os morcegos frugívoros (que se alimentam de frutas) são responsáveis por dispersar as sementes e os nectarívoros polinizam as flores, ou seja, são fundamentais na regeneração de áreas devastadas. Além desses, espécies insetívoras se alimentam de milhares de insetos por hora, sendo grandes aliados no controle de pragas e vetores de doenças. Sem morcegos, a agricultura seria alvo de muito mais tipos de pragas.

 

A falta de manutenção das Unidades de Conservação (UCs) e a ausência de uma educação ambiental efetiva são os principais fatores que causam a morte de morcegos. Além disso, a poluição do solo, da água e do ar também compromete a proteção desses seres vivos. 

 

O município de Ilha Grande, no Rio de Janeiro, é um dos lugares do estado em que os morcegos ainda encontram algum tipo de proteção. O Laboratório de Ecologia de Mamíferos, ligado à Uerj, atua na região monitorando as espécies de morcegos. Os pesquisadores gravam os sons produzidos por esses mamíferos e monitoram as redes de neblina, usadas para capturar e identificar os animais. Esse projeto rendeu para o distrito o prêmio de Área de Importância para a Conservação dos Morcegos (AICOM), concedido pela Rede Latino-americana e do Caribe para Conservação dos Morcegos (Relcom) em 2025. 

O reconhecimento foi resultado da rica biodiversidade e do sucesso com a proteção destes animais. A Ilha abriga cerca de 37 espécies identificadas – 19,9% das espécies conhecidas no Brasil. Entretanto, é possível que esse cenário positivo mude nos próximos anos, caso não haja novas iniciativas para a preservação desses animais e a destruição do meio ambiente continue em avanço. 

Segundo a professora Elizabete Lourenço, do Laboratório de Ecologia de Mamíferos, existem quatro espécies de morcego ameaçadas de extinção no Brasil: Furipterus horrens, Natalus macrourus, Lonchophylla bokermanni e Lonchophylla dekeyserié. Para proteger esses animais, a pesquisadora afirma que é preciso melhorar a gestão das áreas de conservação, visto que a invasão de animais domésticos, a crescente especulação imobiliária e o turismo desordenado resultam não somente na morte de morcegos, mas também de outros seres e vegetações nativas. A professora destaca que, por mais que os morcegos se adaptem bem a áreas urbanas, a poluição, especialmente no solo e no ar, prejudica o modo de vida desses mamíferos.

 

Além disso, a perda de habitat natural dos morcegos para novas construções vem tornando mais frequente o encontro entre eles e os seres humanos. Por isso, Lourenço destaca a importância de investir na educação ambiental da população junto ao manejo eficiente da UCs. De acordo com ela, a falta de informação sobre como agir ao entrar em contato com esses animais ou como fazer a retirada deles de forma correta faz com que muitos desses seres sejam mortos precipitadamente por moradores assustados. 

 

A INVISA-RIO (Instituto Municipal de Vigilância Sanitária, Vigilância de Zoonoses e Inspeção Agropecuária), órgão da prefeitura do Rio responsável pela prevenção de problemas higiênico-sanitários, recomenda algumas precauções para quem se deparar com morcegos:

 

1) Nunca tentar tocar em morcegos que entrem em casa ou apareçam caídos no chão. Neste caso, imobilize o animal numa caixa virada para baixo e o mantenha preso. Em seguida, entre em contato com o Centro de Controle de Zoonoses Paulo Dacorso Filho – CCZ;

2) Em caso de ataque de morcegos que resultem em mordeduras ou arranhaduras, a pessoa deve procurar orientação médica imediata nas Unidades de Saúde que fazem tratamento antirrábico humano. No caso de agressão a animais domésticos ou mesmo contato do animal doméstico com morcegos, entrar em contato com a central 1746;

3) Usar sempre luvas e máscara se precisar umedecer, remover ou tocar as fezes desses animais;

4) Vedar juntas de dilatação dos prédios e fechar forros de sótãos e residências, ou qualquer abertura por onde os animais possam entrar e se abrigar.

5) Solicitar a poda de árvores em ruas muito arborizadas onde existam colônias de morcegos causando incômodos.

 

Se, apesar desses cuidados, você entrar em contato com algum morcego, é necessário avisar o Centro de Controle de Zoonoses Paulo Dacorso Filho (CCZ), por meio do telefone 1746.

 

Vôlei feminino brasileiro: Elisângela fala sobre reformulação da seleção, Bernardinho, Zé Roberto e futuro da seleção.

Vôlei feminino brasileiro: Elisângela fala sobre reformulação da seleção, Bernardinho, Zé Roberto e futuro da seleção.

Seleção vive fase de mudança, mesclando jovens promessas e jogadoras experientes para manter o Brasil no topo.

Por: João Pedro Marins

O vôlei feminino brasileiro atravessa mais uma fase de renovação. Após quase duas décadas de conquistas históricas, a seleção busca se reconstruir, apostando em jovens talentos sem abrir mão da experiência de nomes consagrados. Essa transição foi visível na convocação para a Copa do Mundo de vôlei feminino que ocorre na Tailândia. 

Uma reformulação semelhante ocorreu no final dos anos 90 e início dos anos 2000, com a chegada do Bernardinho e a troca por Zé Roberto Guimarães.

Crédito: Fotos/ Pedro Ugarte

Elisângela comemorando vitória

Elisângela Oliveira, ex-oposta da seleção brasileira, viveu de perto o período de transição entre Bernardinho e Zé Roberto Guimarães. Medalhista olímpica em Sydney 2000, ela relembra como cada treinador marcou sua carreira, analisa o atual momento da equipe e relembra a reformulação dos anos 90 e 2000

“Eu acho que a mudança no voleibol começou na Olimpíada de Atlanta, em 96, com a chegada do Bernardinho. A seleção começou a subir no pódio, revelou grandes jogadoras e o feminino passou a ficar mais em evidência, até maior do que o masculino, que tinha sido campeão em 92. Além disso, naquela época havia uma rivalidade enorme com Cuba, algo que até hoje não se repetiu”, recorda à AJ.

A ex-jogadora também lembra á AJ da emoção de conquistar uma medalha olímpica. “Assistir a Barcelona 92 me motivou a querer jogar uma Olimpíada. Eu queria ganhar. Não consegui o ouro, mas conquistei uma medalha. Quando você volta ao Brasil e vê as pessoas vibrando com você, entende a dimensão do que conquistou. Até hoje, quando me apresento em projetos, digo: eu sou medalhista olímpica. Estar numa Olimpíada é o ápice, o momento mágico de qualquer atleta.”

Sobre as diferenças entre Bernardinho e Zé Roberto, ela resume á AJ: “São pessoas muito diferentes, mas dois vitoriosos, dois dos maiores treinadores do mundo. Trabalhar com eles foi prazeroso, cada um acrescentou algo na minha vida. Tenho lembranças muito boas e sou grata a Deus por ter jogado duas Olimpíadas com esses dois feras.”

Atenta ao momento atual da seleção, Elisângela avalia que o ciclo olímpico é um dos mais desafiadores. “Hoje a equipe está mais enxuta, sentimos a falta de jogadoras de referência como a Ana Cristina. Antigamente a gente tinha três, quatro ponteiras no nível. Então hoje a Ana Cristina saindo, não que não tenha outras jogadoras, há mas do nível dela eu acho que ainda não temos. Tem as outras jogadoras que são mais de composição, mais de passe, mais atacar, bloquear, a altura dela, a experiência, né? Que apesar de nova, já estava jogando há bastante tempo fora. Hoje nossa seleção está muito mais enxuta. A maior liderança é a Gabi, mas precisamos de mais nomes de peso, especialmente na posição de oposta”. 

A ex-jogadora também alertou á AJ sobre a necessidade urgente de o Brasil rever o processo formador das jogadoras. “O Brasil deixou de investir na base, e isso reflete nos resultados. É urgente olhar para projetos sociais e formação.”

Créditos: Fotos/ Vôlei BC

Elisangela Oliveira nos dias atuais.

Fora das quadras, ela segue envolvida com o vôlei. “Me dediquei mais de 20 anos ao esporte e hoje trabalho em projetos sociais. Atendo a 300 crianças em Itajaí e estou montando outro em Londrina, minha terra natal. A mensagem que deixo para as jovens é treinar, se dedicar, cuidar da alimentação e do sono. O tempo passa rápido, então aproveitem cada minuto, cada campeonato, porque passa voando”, disse a ex-jogadora à AJ.

A seleção está em busca do ouro inédito da copa do mundo e está no rumo das olimpíadas de Los Angeles 2028.