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Alerta na Batcaverna: morcegos estão em risco, e não é só o Batman que tem que se preocupar com isso
Falta de educação ambiental e precariedade das Unidades de Conservação ameaçam a vida desses mamíferos essenciais para a manutenção da biodiversidade
Por Maria Luísa Fontes

Talvez você não saiba, mas morcegos não servem só para proteger o Batman: esses mamíferos voadores são essenciais para o equilíbrio dos ecossistemas. No Brasil, os morcegos estão protegidos pela Lei Federal 9.605/98 (lei do Meio Ambiente). A caça, a perseguição e a destruição desses animais são consideradas crimes.
Por mais que os morcegos sejam constantemente envolvidos na cultura pop – desde romances adolescentes até filmes de horror – esses mamíferos não são somente fontes de histórias para Hollywood. Os morcegos frugívoros (que se alimentam de frutas) são responsáveis por dispersar as sementes e os nectarívoros polinizam as flores, ou seja, são fundamentais na regeneração de áreas devastadas. Além desses, espécies insetívoras se alimentam de milhares de insetos por hora, sendo grandes aliados no controle de pragas e vetores de doenças. Sem morcegos, a agricultura seria alvo de muito mais tipos de pragas.
A falta de manutenção das Unidades de Conservação (UCs) e a ausência de uma educação ambiental efetiva são os principais fatores que causam a morte de morcegos. Além disso, a poluição do solo, da água e do ar também compromete a proteção desses seres vivos.
O município de Ilha Grande, no Rio de Janeiro, é um dos lugares do estado em que os morcegos ainda encontram algum tipo de proteção. O Laboratório de Ecologia de Mamíferos, ligado à Uerj, atua na região monitorando as espécies de morcegos. Os pesquisadores gravam os sons produzidos por esses mamíferos e monitoram as redes de neblina, usadas para capturar e identificar os animais. Esse projeto rendeu para o distrito o prêmio de Área de Importância para a Conservação dos Morcegos (AICOM), concedido pela Rede Latino-americana e do Caribe para Conservação dos Morcegos (Relcom) em 2025.
O reconhecimento foi resultado da rica biodiversidade e do sucesso com a proteção destes animais. A Ilha abriga cerca de 37 espécies identificadas – 19,9% das espécies conhecidas no Brasil. Entretanto, é possível que esse cenário positivo mude nos próximos anos, caso não haja novas iniciativas para a preservação desses animais e a destruição do meio ambiente continue em avanço.
Segundo a professora Elizabete Lourenço, do Laboratório de Ecologia de Mamíferos, existem quatro espécies de morcego ameaçadas de extinção no Brasil: Furipterus horrens, Natalus macrourus, Lonchophylla bokermanni e Lonchophylla dekeyserié. Para proteger esses animais, a pesquisadora afirma que é preciso melhorar a gestão das áreas de conservação, visto que a invasão de animais domésticos, a crescente especulação imobiliária e o turismo desordenado resultam não somente na morte de morcegos, mas também de outros seres e vegetações nativas. A professora destaca que, por mais que os morcegos se adaptem bem a áreas urbanas, a poluição, especialmente no solo e no ar, prejudica o modo de vida desses mamíferos.
Além disso, a perda de habitat natural dos morcegos para novas construções vem tornando mais frequente o encontro entre eles e os seres humanos. Por isso, Lourenço destaca a importância de investir na educação ambiental da população junto ao manejo eficiente da UCs. De acordo com ela, a falta de informação sobre como agir ao entrar em contato com esses animais ou como fazer a retirada deles de forma correta faz com que muitos desses seres sejam mortos precipitadamente por moradores assustados.
A INVISA-RIO (Instituto Municipal de Vigilância Sanitária, Vigilância de Zoonoses e Inspeção Agropecuária), órgão da prefeitura do Rio responsável pela prevenção de problemas higiênico-sanitários, recomenda algumas precauções para quem se deparar com morcegos:
1) Nunca tentar tocar em morcegos que entrem em casa ou apareçam caídos no chão. Neste caso, imobilize o animal numa caixa virada para baixo e o mantenha preso. Em seguida, entre em contato com o Centro de Controle de Zoonoses Paulo Dacorso Filho – CCZ;
2) Em caso de ataque de morcegos que resultem em mordeduras ou arranhaduras, a pessoa deve procurar orientação médica imediata nas Unidades de Saúde que fazem tratamento antirrábico humano. No caso de agressão a animais domésticos ou mesmo contato do animal doméstico com morcegos, entrar em contato com a central 1746;
3) Usar sempre luvas e máscara se precisar umedecer, remover ou tocar as fezes desses animais;
4) Vedar juntas de dilatação dos prédios e fechar forros de sótãos e residências, ou qualquer abertura por onde os animais possam entrar e se abrigar.
5) Solicitar a poda de árvores em ruas muito arborizadas onde existam colônias de morcegos causando incômodos.
Se, apesar desses cuidados, você entrar em contato com algum morcego, é necessário avisar o Centro de Controle de Zoonoses Paulo Dacorso Filho (CCZ), por meio do telefone 1746.
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